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sábado, 30 de dezembro de 2017

CAPA: Alok - O DJ número 1 do Brasil é o som da nossa festa

Um cara tranquilo, grato pela sua trajetória e que sabe valorizar bem a raiz brasileira. Esta é a imagem que temos do DJ Alok, goiano de 26 anos que predomina nas playlists internacionais de quem curte uma boa música eletrônica atualmente. Eleito este ano pela Forbes Brasil uma das pessoas com menos de 30 anos mais influentes do país, ele não se gaba do sucesso em si. “Isso é consequência de um sonho. Mas, na verdade, minha maior vontade era ver a música eletrônica ir além do que estamos acostumados, limitada às baladas”, comenta, satisfeito. Um dos nomes mais respeitados da cena eletrônica brasileira, Alok acumula prêmios e indicações, como “Melhor DJ do Brasil” pela revista britânica DJ Magazine, em 2015, “Top 25 do Mundo” em 2016, na mesma publicação. 

Outra curiosidade é que ele também é idealizador da gravadora UP Club Records e da Artist Factory, empresa responsável por gerenciar artisticamente nomes do segmento de música eletrônica. Sua base familiar já dava um preview de que, em algum momento, seria dado o start para a carreira de DJ. E o ingresso dele na área, conta, ocorreu de maneira extremamente espontânea. Não havia como ser diferente: seus pais, Ekanta Jake e Juarez Achkar - conhecidos no meio como Ekanta e Swarup -, estão na vanguarda do gêneropsy trance no Brasil e idealizaram o Universo Paralello, célebre festival de e-music que ocorre anualmente na Bahia.

Apesar de Goiás ser considerado berço da música sertaneja, o acolhimento do público com o brazilian bass, que é como batizou a house music, Alok revela que não teve qualquer dificuldade para ganhar espaço como artista na localidade. “A receptividade foi melhor impossível. Ainda mais pelo fato de eu ser goiano, né? Há um depósito extra de sentimentos que facilitou o processo”, orgulha-se. Embora costume fazer nacionais e internacionais com frequência, o também produtor musical não dispensa uma boa relaxada em Alto Paraíso (GO), lugar onde já morou na infância e com o qual revela manter uma forte ligação espiritual. Entre as celebridades brasileiras que curte dar aquela “espiada” nos stories está o humorista piauiense Whinderson Nunes. A seguir, conheça melhor quem é, o que faz e do que gosta o DJ Alok.


Hoje em dia, o cenário de música eletrônica mundial tem um público bastante exigente, concorda? De que país vem o tipo de som que você mais curte? Música boa não tem nacionalidade e varia muito de artista a artista. Eu curto o trabalho de diversos profissionais de países aleatórios, inclusive há produtores competentes em toda parte dentre eles vários do Brasil.

Para você, que características tem um bom DJ atualmente? Carisma, criatividade, técnica e paixão pelo que faz, deixando sucesso e dinheiro como consequência de toda a dedicação.

Como você se atualiza das tendências mundiais de e-music? Os aplicativos de música sempre me mantiveram bem atualizado em relação a isso. As playlists contribuem bastante me deixando a par em primeira mão.

Que outros gêneros de música, além de brazilian bass, predominam na sua playlist predileta? Ultimamente ando bem eclético com influências do rap ao rock, do techno ao trap... Não me privo de ouvir música boa, seja ela qual for.

As redes sociais têm um papel muito grande na divulgação de qualquer projeto ou pessoa hoje em dia. Como você lida com isso? Que story no Instagram você não perde por nada? Virou alicerce já... Sempre fui muito ativo em todas as plataformas como forma de me manter mais próximo do público. Por conta do tempo eu tenho me envolvido de maneira reduzida mas sempre ativo. Quanto às histórias, eu curto acompanhar Whinderson sempre, ele é fora da curva.


Isso traz uma certa “intimidade” com o público. Como você lida com o assédio dos fãs? É tranquilo. Às vezes a gente tem um pouco da privacidade limitada, mas nada que não dê pra administrar. Quanto ao contato, eu gosto e retribuo sempre. Admiro eles e o carinho deles por mim. Sou muito grato sempre e isso me motiva, me move.

Com que frequência você viaja para o exterior para se apresentar? E que apresentação mais marcou? Depende muito, mas normalmente saio do Brasil por volta de 10 ou 15 vezes ao ano. Sobre a apresentação que mais marcou eu destaco o Tomorrowland da Bélgica, Lollapalooza Argentina e a última turnê na China.

Essa rotina puxada te deixa tempo livre? O que curte para relaxar? A gente sempre arruma uma forma de esfriar a cabeça e relaxar em algumas das nossas viagens mas nada se compara a ir para Alto Paraíso (GO), lá é pra mim o melhor lugar pra se relaxar. Tenho uma conexão muito forte com a Chapada dos Veadeiros.

Percebemos que você é um cara vaidoso, cuida da imagem do corpo. Do que você não abre mão e até onde vai a vaidade? Eu passei a me cuidar mais depois dessa ascensão mas não é uma prioridade, prefiro dar atenção antes ao meu espírito etc. Em relação a vaidade, não largo a academia e boa alimentação por nada. Sempre acho uma forma de treinar entre um show e outro.

No meio de tantas opções, o que uma mulher precisa ter para chamar sua atenção? Autenticidade, carisma e humildade. Se interessar por assuntos que envolvam autoconhecimento e que se sintam parte da diferença para uma sociedade com futuro melhor.

Conte-nos suas três maiores inspirações. Meu pai, minha mãe e pessoas que necessitam de algum tipo de ajuda sempre, na qual acabo criando um vínculo e aprendendo muito com eles. Tenho várias fontes de inspirações.



PINGUE-PONGUE
Quando menos é mais: em poucas palavras, pode-se conhecer uma pessoa, apenas pelas preferências. Neste breve pingue-pongue, o DJ Alok mostra um pouco de si. Confira:

Criolo ou Daft Punk? Criolo.
Hambúrguer vegano ou maminha suculenta? Vegano.
Sonhar junto com alguém ou sozinho? Com alguém.
Para acampar: praia ou serra? Serra.
Água de coco ou whisky 18 anos? Coco.
Piano ou violão? Piano.
Telefonema ou Whatsapp? Telefonema.
Villa Mix ou Tomorrowland? Villa Mix
Dia ou noite? Noite.
Voltar no tempo ou espiar o futuro? Espiar o futuro.


FOTOS GABRIEL WICKBOLD
PRODUÇÃO JU HIRSCHMANN  /  RHELDEN
BELEZA PAULO ÁVILA

ALOK veste: Look 1 - Camisa ELLUS (11-3061.2900), camiseta Youcom (11-3587.6696), acessórios Algo Mais (19-3701.2905); Look 2 - Camisa Água de Coco, óculos acervo pessoal; Look 3 - Jaqueta Tropical Wear (11-4781.4294), camiseta Youcom, acessórios Algo Mais  

quinta-feira, 20 de julho de 2017

MÚSICA: Ney Matogrosso - Um prêmio para a música brasileira

Nessa quarta, 19 de julho, a 28a edição do Prêmio da Música Brasileira homenageou o cantor Ney Matogrosso. Que com seu talento e carisma conquistou a todos. Em homenagem a esse grande artista vamos rever sua entrevista para a MENSCH em 2015. Foi um belo papo sobre cultura, evolução humana, sinais e claro, música brasileira.

Ney Matogrosso não se define, não se encerra em uma ou outra característica já impressa em um dicionário, nem mesmo o Aurélio. Ney é Ney é vida e movimento incessante, criatividade que pulsa em ritmo acelerado, é performance e metamorfose. É arte, música, som, ar... É Ney Matogrosso. Ao completar 40 anos de carreira, Ney lançou novo show, “Atento aos Sinais”, ganhou Grammy Latino e está em eterna evolução como homem e artista. A MENSCH conversou com esse admirável artista e o resultado você confere aqui nessas páginas. 

Como estar atento aos sinais e entendê-los? Olha, eu considero que se estar atento é não ser uma pessoa que viva no mundo da fantasia nem da ilusão. Estou vivo no mundo da realidade, prestando atenção a tudo que acontece no mundo, o que acontece no nosso país. Prestar atenção a todos os movimentos de todos os lados.


Em seu novo show, “Atento aos Sinais”, você aos 73 anos, parece estar mais elétrico que nunca. À que você atribui essa força toda? Realização do que ama fazer? Sim! Na verdade quem criou tudo isso fui eu. Houve um momento que eu vi que era uma coisa muito pesada, mas aí eu pensei: “ué, mas foi você quem inventou então você vai fazer!”, e faço. Todos os meus shows foram criados por mim, eu inventei e eu faço.

Você foi eleito pela revista Rolling Stone como a terceira maior voz brasileira de todos os tempos...Como se sente e o que acha disso? Nada dessas coisas, desses prêmios, dessas citações, nada disso sobe na minha cabeça. Eu não tenho mais tempo pra isso, sabe? Eu acho que se isso tivesse chegado durante os meus 30 anos, talvez isso tivesse subido de alguma maneira. Fico feliz com o reconhecimento, mas isso não me vira à cabeça, nem quero ter a ilusão de nada.

Final do ano passado você recebeu o prêmio pelo conjunto da obra do Grammy Latino e em seu discurso falou que jamais pensou que isso pudesse acontecer. Por que não? O que esse prêmio significou para você? É um reconhecimento ao meu trabalho, que me deixa feliz, mas que também não muda nada na minha vida. Quando eu disse que não imaginava isso, é porque não imaginava que eles estivessem prestando atenção porque a coisa é lá. Então, eu nunca imaginei que eles estivessem prestando atenção no que eu estivesse fazendo aqui no Brasil, tão longe daquilo e tão sem contato com eles. Houve uma época, quando eu fui indicado outra vezes, por discos, em que eles tentaram que eu me envolvesse, que eu fosse uma das pessoas que votasse, porque eles têm artistas da América Latina toda, mas eu nunca quis me envolver com isso. Então eu achava também por essa razão que pelo fato de não ter me envolvido quando eles tentaram se aproximar de mim que eles não iam me buscar de novo. E fiquei surpreso, realmente.

Ao longo de 40 anos da carreira algum arrependimento? Não tenho nenhum arrependimento de nada. Eu fui pelo caminho mais difícil, porque eu não me submeti às gravadoras quando elas eram poderosas, opinavam e decidiam. Eu nunca permiti isso. Para não permitir isso eu passei por 6, porque quando elas chegavam querendo impor eu dizia: "Não, tô saindo!". Eu faria de novo, da mesma maneira, porque eu precisava da minha independência artística, e eu tenho essa independência artística. Eu estaria fazendo o que muita gente faz, isso nunca me interessou. Se eu ainda mantenho interesse 41 anos depois é porque eu faço alguma coisa original. 


E quais as glórias são mais lembradas (além desse Grammy)? Uma glória é ter atravessado 41 anos com uma carreira estável, num país considerado de memória muito descartável e que se esquece rapidamente das pessoas e eu tenho atravessado, estou aqui 41 anos depois ainda reconhecido, trabalhando. No começo eu era um hippie, eu era contra o sistema e eu não queria ser aplaudido. Quando as pessoas me aplaudiam eu me fechava todo, porque eu não estava ali para ser aplaudido, eu estava ali para desacatar as autoridades. Então quando as pessoas batiam palmas pra mim eu me fechava todo, eu não aceitava, eu não recebia. E hoje em dia eu entendo isso de outra maneira, eu entendo que é uma retribuição ao que estou fazendo e me abro totalmente, para receber os aplausos.

O que há em Ney Matogrosso hoje do Ney dos tempos do “Secos e Molhados”? Ainda sou idealista! Ainda tenho um grande impulso para realizar meu trabalho, ainda acredito nos mesmos princípios, eu não me desviei deles.

Qual sua maior fonte de inspiração? Não é que seja a maior fonte de inspiração, mas eu necessito de um contato regular com a natureza. Necessito, porque isso me fortalece, qualquer natureza!

O que a música brasileira tem de melhor atualmente? Como você a vê? Eu ouço falar que há uma crise de criação e eu não concordo. Não há uma crise de criação, há uma dificuldade da criação chegar ao gosto popular. Porque agora é muito mais difícil você tocar em rádio, porque agora depende de pagar. Antigamente não, você gravava um disco, você ia a todas as estações de rádios do Brasil por onde você viajasse para fazer seu show em cada estado, em cada cidade para falar do seu trabalho. Hoje em dia isso acabou todo mundo sabe que você precisa pagar para tocar. Esse é o grande obstáculo porque ficou mais fácil de gravar, a divulgação e a distribuição é que ficaram complicadas. O que ocupou lugar foi a música de menor qualidade, esses modismos cada vez vão descendo o mais o nível é muito estranho.


Ideologia, a gente precisa sempre ter uma pra viver? Sim. A gente tem que acreditar em alguma coisa, mesmo que seja no que não está aí. Que é possível  outro mundo, uma outra coisa, porque nós vivemos numa "democracia", mas a loucura está em um grau muito grande. É uma democracia camuflada e cada dia você tem notícia das atitudes do Governo que te deixam mais cabreiro, pra onde vamos?

Quais suas crenças religiosas e como mantém mente e corpo são? Eu não tenho nenhuma religião formal. Eu creio em muitas coisas que a maioria das pessoal talvez nem acredite. Eu acredito em vida em outros planetas, porque eu não posso acreditar que nós sejamos o ápice da criação. Se nós somos o ápice da criação, quem criou, errou! Eu acho que existem pessoas mais evoluídas que nós nesses universos e até mais atrasadas que nós também. Acredito que chegaremos ao momento em que teremos essa consciência, infelizmente eu penso que isso acontecerá na hora do grande cataclismo e abrir-se-á essa consciência para nós.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

MÚSICA: Sgt. Pepper's, a primeira vez de um clássico que completa 50 anos

A Rua Líbero Badaró em São Paulo nunca foi um bom ponto para uma loja de discos. Na vizinhança entre as apinhadas Ruas São Bento e Direita ou do outro lado, descendo a Avenida São João, nas Grandes Galerias, hoje chamada de Galeria do Rock, penetrando pelas concorridas Dom José de Barros, 24 de Maio ou Sete de Abril, fazia mais sentido e era possível encontrar diversas lojas que faziam a festa de adolescentes como eu. Ou de adultos que buscavam nas saudosas Bruno Blois ou Brenno Rossi os últimos lançamentos de jazz ou clássicos.

O Museu do Disco na Rua Dom José de Barros com os desejados lançamentos importados de pop/rock, completava o cenário daquele longínquo 1967. Entretanto, foi na Líbero Badaró, em uma loja deslocada, pouco expressiva, que vi pela primeira vez, colada na vitrine, a capa dupla aberta, com os rapazes em vistosos trajes de banda militar, os Beatles e Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.

Da loja, sons estranhos invadiam a rua. Entrei, peguei, olhei todos os detalhes, mas não tinha a menor idéia do que estava acontecendo. Como qualquer garoto daquela época, eu tinha pouco acesso às notícias sobre a música que ouvíamos. As rádios e as lojas de discos eram nossos horizontes máximos e únicos.
O jornal, hoje revista, Rolling Stone nasceu um pouco depois e chegava irregularmente em algumas poucas livrarias. Outros jornais ingleses apareceram, mas meu inglês era quase nenhum. Eu tentava ler os artigos e capas de discos, segurando um dicionário. Eram dias para ler e mais ou menos compreender uma matéria.


Como então entender todas aquelas letras impressas na contracapa vermelha de Sgt. Pepper’s? Como absorver aqueles sons mesclando instrumentos orientais, orquestras e ruídos de animais? O que era tudo aquilo para o garoto de um mundo sonolento, de cenários vagos clamando por perspectivas?

Os beatles deixaram de se apresentar ao vivo em agosto de 1966 e passaram a exercitar toda a criatividade do grupo nos estúdios. Na verdade, vinham mudando o mundo musical desde 1965 quando lançaram Rubber Soul. Ali apresentaram a cítara indiana ao mundo, pianos que soavam como cravos e harmonias insuperáveis. Deram um passo maior ainda quando fizeram Revolver no ano seguinte. Baterias gravadas em reverso, guitarras distorcidas, arranjos de cordas e até submarinos amarelos. 

E entre o final de 1966 e início de 1967 gravaram três novas composições, duas delas, "penny lane" e "strawberry fields forever", foram lançadas como compacto em fevereiro do novo ano, por pressão da gravadora que queria novos produtos do grupo. A terceira, "when i'm sixty four", foi incluída em sgt. Pepper. 

Porém, naquele fevereiro, paul ainda não tivera a ideia de que no novo disco eles atuariam como se fossem um outro grupo, uma nova banda que iria apresentar em nome dos beatles as novas canções... Assim nasceu o conceito de sgt.pepper's lonely hearts club band. Nós saboreamos as mudanças no vento quando "penny lane" e "strawberry fields forever" chegaram às lojas. Estávamos avisados.

Mesmo assim e por tudo isso, o Sargento Pimenta e Sua Banda dos Corações Solitários abriram os portais de um admirável mundo novo. Nunca antes, nem depois, um impacto tão grande seria sentido na música, na indústria e nas rádios. Mudamos todos. Da primeira guitarra de Sgt. Pepper’s ao último piano de A Day In The Life, sonhávamos, acordávamos, perdíamos e recuperávamos nossa inocência. 

Todos nós, entendendo ou não, cantávamos com Ringo os versos de “With A Little Help From My Friends”... Quem era Lucy in the Sky with Diamonds? Era mesmo LSD? Ou simplesmente o desenho retratando uma coleguinha de escola de Julian, filho de John? Verdade é que a coleguinha, Lucy O’Donnell,  lembrava de desenhar com Julian e adulta deu entrevista dizendo que não gostava desse tipo de música. Lucy O’Donnell morreu em 2009, perdendo uma luta contra Lupus.

Paul McCartney, jovem e ansioso, não aguentou esperar que o produtor George Martin se desocupasse de outras tarefas do grupo e encomendou o arranjo de “She’s Leaving Home” ao competente Mike Leander que já havia escrito o naipe de violinos de “As Tears Go By” para os Rolling Stones. Foi a única vez que Sir George Martin não escreveu um arranjo para os Beatles.

Um antigo pôster anunciando um circo inspirou John a compor “Being For The Benefit Of Mr. Kite”, repleta de trampolins, cavalos amestrados dançando a valsa, pulando círculos de fogo e como escreveu John, “um momento esplendido está garantido a todos...” Para encerrar a faixa, imitando um órgão alimentado a vapor, tapes de sons aleatórios foram cortados em pequenos pedaços, lançados ao ar, depois colados um a um, reproduzidos em alta velocidade e adicionados à música.


George Harrison então crescia como compositor a passos largos e mesmo contribuindo com apenas uma canção, compareceu com uma mistura de orquestra e instrumentos indianos como nunca se viu antes. Acrescente-se a isso versos que cabiam em qualquer poema e temos “Within You, Without You”. “Quando você enxergar além de você, talvez encontre paz de espírito esperando por lá, e chegará o momento em que você verá que somos um só e que a vida flui em você e sem você.”

A pequena e enérgica reprise do tema de Sgt. Pepper abre as portas do estampido, do estouro final, em que todo o disco converge para a épica “A Day In The Life”, a visão apocalíptica de John para as notícias do jornal. A morte de Tara Browne,  herdeiro do império Guinness, os buracos em Lancashire, a guerra que a Inglaterra havia vencido, na verdade, um filme em que John participara. E então um crescendo das cordas nos leva até a explosão de um dantesco acorde de piano... Com menos de quarenta minutos de duração, Sgt. Pepper e os Beatles mudaram o mundo para sempre.

Artistas tentaram copiar, fazer algo parecido e um até enlouqueceu, o brilhante Brian Wilson, líder dos Beach Boys, cujo álbum Pet Sounds de 1966, de acordo com Paul McCartney, servira de inspiração para algumas passagens de Sgt. Pepper.
Ninguém chegou perto... Nunca. O disco que revolucionou a história da música e ainda é referência para todos, completou quarenta e cinco anos de idade em junho passado. 

Décadas depois, alguém, em algum lugar, perguntou se lembrávamos de quando havíamos ouvido Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band pela primeira vez. 

Eu lembro... Foi lá na Rua Líbero Badaró...



sexta-feira, 9 de setembro de 2016

CAPA: Paulo Ricardo de volta para novas rotações com CD, show e TV

O cantor Paulo Ricardo guarda para sempre em seu DNA roqueiro a fama e as realizações da banda RPM. Foram revoluções por minuto literalmente que deixaram marcas no público brasileiro e no artista. Talvez por essa memória afetiva e o talento de Paulo comprovado em inúmeros sucessos faça com que ele nunca perca seu espaço cativo. E Paulo sabe se reinventar. Tanto que aos seus 53 anos continua jovem e com vontade de fazer muito mais. Prova disso é que ele está de volta com novo disco, novo show, participou de mais uma temporada do Superstar e se tornou pai novamente. Prova que ele segue com todo o gás para novas revoluções, sejam na música ou na vida pessoal. 

Recentemente você foi pai novamente. Paulo Ricardo, o pai, como é? Quais as dificuldades e medos na educação dos seus filhos? E quais sonhos deseja para eles? Adoro crianças, e sempre procurei preservar minha criança interna. Sou um pai babão e meus filhos me dão uma alegria e uma energia imensas. Educação é tudo, mas a escola é responsável por apenas 20% da formação das crianças, os outros 80% vêm de casa. Procuro estar sempre calmo e amoroso e mesmo as broncas são dadas com muito carinho. Quero se sejam felizes, que se sintam amados e seguros. O resto é com eles e seus próprios sonhos.



Quem é esse “novo eu” do Paulo Ricardo? É como um carro: a gente faz algumas mudanças no design, algumas evoluções tecnológicas, mas procura manter os elementos clássicos, com os quais o público se identifica.

Depois de 10 anos sem lançar um disco solo, chegou ao público o “Novo Álbum”. E o que esperar desse trabalho? O que ele traz de diferente do que estamos acostumados? É a busca da essência, do refinamento da linguagem, da excelência. É a experiência aliada à curiosidade, à condição de fazer coisas que sempre quis fazer, de um modo diferente. Gravamos como os Beatles e os Stones, ao vivo no estúdio. Sempre fui um fã do soul e do blues, do gospel, e nesse trabalho consegui transitar por esse território, sem perder os toques de eletrônica que sempre marcaram meu estilo.

Mesmo depois de muito tempo e de projetos solos, o seu nome ainda está muito vinculado ao RPM, ao “olhar 43”. Como se sente em relação a isso? A gente costuma brincar que toda banda tem o seu "Satisfaction", seu grande hit. O nosso é "Olhar 43". E o RPM continua em atividade, paralelo à minha carreira solo. Tudo em perfeita harmonia. É o melhor dos mundos.

O que costuma assistir e quais suas preferências no mundo audiovisual? Vivemos a maior crise da história do Brasil, então tenho estado constantemente ligado ao noticiário. Confesso que estou atrasado em relação aos muitos filmes que gostaria de assistir. Também procuro estar em dia com o que acontece no mundo da música, dos videoclipes e festivais, e das artes plásticas, da computação gráfica e das novas mídias. Estamos no meio de uma revolução tecnológica e não podemos nos dar ao luxo de perder o passo das mudanças radicais e interessantíssimas que estão acontecendo à nossa volta, em todas as áreas. Tudo pode mudar a qualquer momento e as coisas perdem a relevância num piscar de olhos. É preciso estar atento e forte!


Ainda sobre TV, conta um pouco da experiência no “Superstar”. Qual o peso de avaliar os músicos? É uma honra e uma enorme responsabilidade. São profissionais de enorme talento e estamos ali pra ajudar. Todos ali são vencedores.

A presença de músicos consagrados julgando músicos “buscando seu lugar ao sol” pode trazer um nervosismo que atrapalhe a apresentação? Considera isso na hora de julgar? Sim, penso muito no que vou falar para que, mesmo elogioso, o comentário seja consistente e acrescente algo à trajetória da banda, buscando referências, contextualizando as apresentações. Além disso, hoje, com a internet, as coisas repercutem muito e qualquer erro assume proporções catastróficas. É um perigo! Sem falar nos "haters" e nos fãs histéricos, que não admitem críticas aos seus "ídolos". 

As mídias sociais vêm dando espaço e voz a um número cada vez maior de pessoas (muitas despreparadas para certos assuntos), além de promover muita exposição. Como lida com esse espaço tão democrático e por vezes anárquico? Pra falar a verdade, não dou muita importância. Há muitos "fakes", compra de “likes”, etc. É uma democracia relativa. Às vezes é muito barulho por nada. É como disse Umberto Eco, "na internet o imbecil pode falar sobre tudo que não sabe".



O Brasil anda carente de rock de verdade? Você, como incentivador dele, como vê a cena atual, tomada de sertanejo e funk? O que temos de novo (bom) nesse cenário? Sim, o rock está em baixa. Mas o SuperStar vem fazendo um grande trabalho na descoberta de novas bandas. Mas estou sempre atento, adoro música pop e todo gênero tem algo de bom pra mostrar. O tempo é o fiel da balança. Quem tem qualidade, fica.

Como foi fotografar no centro de SP, no meio do povo, e tocar com o povo na rua...? Adoro o centro, adoro andar pelas ruas, estar em contato com o público e descobrir belezas arquitetônicas ocultas pelo descaso e a pobreza das grandes cidades. O Angelo (o fotógrafo) é um grande artista, amigo de longa data e é sempre um prazer trabalhar com ele e sua equipe. Foi divertidíssimo!

O que podemos esperar do “Novo Show” e o que mais vem por aí? É o melhor momento de minha carreira, uma super produção e uma super banda. Além do “Novo Álbum”, faço todos os sucessos do RPM e da carreira solo, além de homenagear Cazuza, Renato Russo e David Bowie. É uma grande viagem!



Fotos Angelo Pastorello
Realização Ju Hirschmann
Estilo Renata Tamelini
Beleza Renata Rubiniak

CRÉDITOS
Etiqueta Negra (21) 3152-6700 / M.Pollo (62) 3277-9977 / CSN (11) 3141-0990 / Aramis (11) 3611-5141 / HighStil (11) 3595-8591 / Agradecimentos especiais: Cantor Willian Lee - Bar Salve Jorge - Largo São Bento (11) 3107-0123

quinta-feira, 23 de junho de 2016

MENSCH INDICA: O que ler, ver e ouvir nas próximas semanas

Com a proximidade das férias de julho, as gravadoras, editoras e distribuidoras começam a fazer seus lançamentos. Junho encerra com muitas novidades com novos e velho cantores na área musical, como os veteranos David Bowie e a mutante Rita Lee. A leitura com diversão garantida fica por conta de Xico Sá e no cinema dois caras muito legais e lançamentos nacionais esquentam a telona. Pelo jeito teremos um início de mês bem animado e recheado de novidades (ou nem tanto) para ler, ver e ouvir. Confira nossas dicas e bom final de semana!


VER: DOIS CARAS LEGAISAmbientada na fervilhante Los Angeles dos anos 1970, essa comédia policial, que estreia dia 2 junho, “Dois Caras Legais” (The Nice Guys), traz a dupla Russel Crowe (Noé) e Ryan Gosling (A Grande Aposta) no elenco, sob direção de Shane Black (Homem de Ferro 3). A trama começa quando Amelia (Margaret Qualley), filha de uma funcionária do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (Kim Basinger) é sequestrada. Ela então decide contratar Jackson Healy (Russell Crowe), detetive particular violento e ex-alcoólatra, para investigar o caso. Após ver que o trabalho é mais complicado do que o esperado, decide contar com a ajuda do medroso e atrapalhado detetive particular Holland March (Ryan Gosling). Ambos descobrem que o caso de Amelia e a morte de uma estrela pornô estão, de alguma maneira, relacionados. Eles então se deparam com uma conspiração chocante que atinge até os mais altos círculos do poder. Só pelo elenco e a volta de Kim Basinger às telonas já vale uma conferida no filme que promete muita ação e diversão. 

 Veja trailer:



LER: OS MACHÕES DANÇARAM 
(Crônicas de Amor & Sexo)

Por Erika Valença

Às vezes tenho a impressão que Xico Sá é de mentira. Juro. Ele é uma enciclopédia ambulante, cheia de tiradas geniais e humor apurado, quando o assunto é relacionamento. Mas sim, ele existe.  Devoto inveterado das mulheres, tece em seus textos, a realidade nua e crua da vida cotidiana. A prova viva disso tudo está nas livrarias, na sua mais recente publicação: “Os Machões Dançaram - Crônicas de Amor e Sexo em Tempos de Homens Vacilões”. A obra, além de ser um verdadeiro almanaque comportamental, apresenta de uma galeria de personagens criados e que ilustram as grandes transformações do homem. Logo de cara, na primeira parte denominada "Tipinhos de homem", Xico abre a leitura com um alerta para a mulherada, mostrando uma relação dos mais perigosos machos, como por exemplo, o Macunaemo (homem que tem a preguiça do Macunaíma e o mimimi de um roqueiro emo). No segundo momento - "Os quereres e malquereres das mulheres" -, é chagada da compreensão dos sentimentos. No terceiro capítulo - "Quando um homem ama uma mulher"-, é o momento em que, 'só um pé na bunda salva'. Na quarta, e última parte, - Estou num relacionamento "fala sério" - é a hora de falar e desvendar relacionamentos na era digital, de aplicativos, de redes sociais, enfim, de internet. Com esse livro, Xico fecha a trilogia de crônicas que revelam as mudanças de comportamento nas relações entre homens e mulheres do final do século XX até hoje. Anteriormente, ele publicou “Modos de Macho & Modinhas de Fêmea” (2003) e “Chabadabadá – Aventuras e Desventuras do Macho Perdido e da Fêmea Que Se Acha” (2010).


OUVIR: 
David Bowie – BlackStarO último álbum de estúdio de David Bowie produzido por Tony Visconti e o único que não estampa o rosto do artista é uma obra densa, complexa e ao mesmo tempo um presente de despedida para o seus fãs. Bowie é muito mais que um ícone que influenciou praticamente todo o mundo da indústria fonográfica. “Blackstar” traz um tom melancólico, mórbido e até mesmo bíblico como em “Lazarus”. Menções a morte e a sua doença são citados delicadamente sob versos lúdicos e referenciados em quase todas as músicas. Mesmo sendo um CD para poucos, uma estrela do nível de Bowie não poderia se despedir de forma mais integra deste planeta rumo ao espaço o qual ele tanto cultuou. Ouça clicando aqui

Jaloo - #1O primeiro álbum do paraense Jaloo saiu final do ano passado e é uma das coisas mais saborosas que o pop nacional ouviu em décadas. Com seu look cyber-indígena, Jaloo consegue transportar a sonoridade da sua música para os seus videoclipes e impregnar de imagens a sua música com letras leves e ao mesmo tempo serias, cotidianas e cheias de simbologia. Elogiado na gringa por artistas do naipe de Grimes, Jaloo faz um som moderno, fresco e leve, todo plastificado por uma camada de densidade e referencias que o artista carrega na sua bagagem que vai de Grace Jones a Bjork, passando por Fka Twigs até Secos e molhados. Ouça clicando aqui.

Rihanna – Anti O oitavo álbum de estúdio da cantora “Anti” saiu de graça no site Tidal. Bem diferente dos seus anteriores, “Anti” parece o álbum conceitual da artista e não veio recheado de hits pops com potencial de remixes e videoclipes como os seus fãs esperavam. O carro-chefe do álbum, é o reboladíssimo single "Work", com participação do rapper Drake, que já tem um videoclipe tão picante que foi inclusive censurado no próprio canal do Youtube da artista. Cantora. A capa do disco tem imagens do artista Roy Nachum, e o encarte uma poesia de Chloe Mitchell escrita em braile. Resta esperar que os singles e seus remixes tragam a energia pop de Rihanna de volta. Ouça clicando aqui

JUNKEBOX
Rita Lee – Box 21 Cd´s

Seja fã ou não de Rita Lee, essa caixa com todos os 20 álbuns da Maior Rockeira Brasileira (que na verdade é gringa) remasterizados digitalmente e com todo o material gráfico detalhadamente refeito, é um objeto não apenas de desejo, mais uma aula antropológica sobre o rock e o pop nacional. A caixa ainda acompanha um CD bônus com músicas que não fizeram parte de nenhum álbum de sua carreira como temas de novela, músicas para comerciais e filmes.

terça-feira, 7 de junho de 2016

MÚSICA: Ayrton Montarroyos, o menino prodígio que conquistou o Brasil resgatando pérolas da MPB, virou referência da música nacional

Foi com a voz suave, afinação calculada e repertório seleto que o pernambucano Ayrton Montarroyos, de 20 anos, conquistou o público brasileiro através do The Voice Brasil. O que pouco se sabe – ainda - é que esse novo talento da MPB possui um potencial vocal único, multifacetado, que permite ir além das apresentações televisivas e entoar pérolas em diversos gêneros, com arranjos inusitados, imprimindo em seu trabalho a unicidade da sua personalidade e estilo.

"Quando fui selecionado para participar das audições às cegas do The Voice Brasil, identifiquei que, de fato, o programa estava precisando de uma música mais silenciosa, que chegasse para acalmar. Esse seria meu diferencial, uma vez que eu estava competindo com gente muito boa e de potência vocal bem elevada”, conta Montarroyos que chegou a final da competição caindo na graça principalmente do voto popular. Com tudo isso, a rotina do jovem cantor mudou radicalmente. “É verdade que o programa foi um divisor de águas na minha vida. Fui obrigado a trabalhar e aprender a fazer tudo ao mesmo tempo agora. Era produção, escolha de repertório, figurino, tratamento com fãs e muito ensaio. Vi-me numa roda viva de um dia para o outro, mas tudo é muito bom e, principalmente, gratificante”, comemora. 

A paixão pela música começou desde criança, quando demonstrava admiração e encantamento por vozes como a de Dalva de Oliveira e Orlando Silva, por exemplo. "Na minha casa, sempre convivemos com a arte na nossa rotina. A música tornou-se para mim a vida e o mundo que eu queria habitar. Em toda minha infância sempre foi muito presente e recordo de, ainda pequenino, viajar através das vozes de uma época que não era a minha. Posso ver ainda a cena da minha tia pedindo pra tirar o disco de Dalva de Oliveira, pois ele já tinha tocado incansavelmente, e eu, colocava Dalva novamente. Isso se repetia inúmeras vezes, só depois que entendi que ela ficava brava porque era a mesma cantora de sempre e não a que ela pedia. Mas, eu simplesmente não sabia ler os nomes das capas dos discos e ia pelo meu gosto. Assim fui conhecendo toda riqueza das canções, desprovido de qualquer conhecimento técnico, compreendi as melodias na sua mais pura essência", relembra.
Autodidata, Ayrton é um incansável pesquisador musical. Para ele, é preciso ir além do que se ouve e é necessário um mergulho sublime nos sentimentos. “Antes de interpretar uma música, eu paro, ouço, converso com ela e deixo ela me invadir e assim entendo o que, de fato, ela quer me dizer. A partir daí faço a minha leitura, que pode ser mais convencional ou imprimo um novo conceito de arranjo e de interpretação como o de transformar um pagode em tango ou de dar uma versão mais dramática a uma balada romântica”, conta. 

Apesar de toda juventude, Montarroyos já acumula um belo currículos de shows tendo como destaque, dentre alguns, apresentações no desfile do Galo da Madrugada, na abertura e encerramento do carnaval do Recife além de espetáculos por todo o Brasil. Participou também de algumas coletâneas como “Herivelton Martins – 100 anos”, que concorreu Grammy Latino em 2013, junto a importantes nomes da cena como Ylana Queiroga, Fagner, Emílio Santiago e Cauby Peixoto.  Quanto ao próximo passo a ser dado na sua carreira, ele anuncia “será o início de um novo iniciado com o lançamento do meu CD solo, que eu já estou trabalhando fervorosamente na realização desse sonho”, finaliza.


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

MÚSICA: AllyCats, a banda que conquistou o público com um som cheio de estilo

Os três são fãs de rock, motos e cheios de estilo. Não faltava nada mais que ligasse esses três amigos ao som meio “vintage”. O universo de garagem e motos também está presente na identidade da banda AllyCats. Um som gostoso de ouvir, animado para dançar e que caiu como uma luva (de moto!) para os integrantes Josias, Daniboy e Carlos Cajueiro. Ah, a barba, outra paixão em comum, vem para coroar o estilo dos AllyCats. O trio recentemente se apresentou no Jazz Festival de Gravatá, interior de Pernambuco, juntamente com grandes músicos de jazz do mundo e mais uma vez os AllyCats levantaram o público. A MENSCH conversou com eles para conhecer um pouco mais dessa banda cheia de identidade e seus integrantes.

Como surgiu a ideia de montar a banda Allycats? Nós sempre gostamos do estilo vintage, "old school", tanto no vestuário, como na música. Sempre ouvi muito Rockabilly. Na época, eu (Daniboy) e meus irmãos tínhamos uma garagem em casa, onde vivíamos customizando nossas motocicletas, e a trilha sonora, era basicamente Rockabilly music. É um estilo de som que tem tudo a ver com a cultura Old school de customização de carros e motos. Daí veio o nome Allycats, uma mistura da expressão americana "Alley Cats"(gatos de rua) e alicates (ferramentas). Desde então a ideia de formar uma banda Rockabilly não me saía da cabeça, e por muito tempo, fiquei à espera do momento e dos "caras" certos.


E como foi esse encontro de vocês três até chegar na AllyCats? Eu (Daniboy) já conhecia o Josias e o Cajueiro desde muito tempo, até que um dia, numa conversa, marcamos de "tirar" um som, coloquei a ideia na mesa, e os dois toparam na mesma hora e abraçaram a causa com maestria. E não poderia ser uma junção melhor. Foi o casamento perfeito! Nascia os Allycats.

Como foi o processo de escolha do repertório? O rockabilly, é uma música muito fácil de "digerir", várias músicas do nosso repertório, são clássicos, conhecidas por todos, músicas que posso dizer que já fazem parte da 'cultura popular' do rock'n Roll. Claro, que várias outras, são músicas que nos identificamos, e que queremos levá-las ao público. 



Que novos desafios tem encontrado com esse novo projeto? A cena Rockabilly, no Sul do país, é forte e já tem seu espaço. No Nordeste, essa é uma cena que tem tudo para crescer da mesma forma. Temos alguns nomes, como Joanatan Richard (PE) e The Bop Hounds (RN), entre outros, que nos ajudam nesse desafio de consolidar esse estilo musical por essas bandas. 

Além da música vocês tem trabalhado todo o conceito vintage da banda. Como surgiu essa ideia? No Rockabilly, o visual é muito importante, o estilo Rocker (Topetes, Jaquetas...), os instrumentos, tudo reflete o clima e o visual da época, e sem dúvida, chama atenção e diferencia o trabalho, como um todo. Hoje, vivemos vestidos como se fossemos tocar. (risos)

O que podemos esperar mais desses três loucos por música e motos? Estamos preparando um material, em um futuro bem próximo. Primeiramente um clipe, com essa cultura "biker". Estamos em produção de músicas autorais, e logo, logo, gravaremos essas músicas. O Trabalho não para, o caminho não é fácil, mas estamos fazendo algo que amamos, da forma que gostamos. Podemos chamar os Allycats de família, pois é assim que nos sentimos.


Fotos Simony Rodrigues / Carlos Cajueiro

AllyCats no Facebook: /www.facebook.com/allycatsband

Acompanhe um pouco do que rolou no festival de jazz:


quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

CAPA: Alok, o melhor DJ do Brasil e o único brasileiro no ranking dos melhores do mundo

O som da música eletrônica era música de ninar quando o DJ Alok era criança. Filho de pais DJ´s famosos, logo aos 11 anos Alok começou a tocar e não parou mais. O resultado disso é que recentemente ele foi eleito como o melhor DJ do Brasil, segundo a “bíblia” da música eletrônica, a House Mag. Fruto de muita dedicação e amor pelo que gosta, o jovem Alok (hoje com 23 anos) já se apresentou ao lado de nomes famosos como Armin Van Buuren e David Guetta e faz mais de 20 apresentações por mês, dentro e fora do Brasil. Com um som cheio de personalidade e um estilo que contagia, o ano de 2016 promete ser ainda mais incrível e a cara desse verão. Conversamos com Alok para conhecer um pouco mais desse cara que não deixa multidões paradas.

Você termina 2015 sendo eleito o melhor DJ do Brasil segundo a revista especializada House Mag. Como foi para você ter sido apontado como o número 1 do Brasil? É a satisfação em nível nacional maior que um DJ deseja ter e com certeza fez total diferença na minha carreira, me deu maior visibilidade e credibilidade também.  


Até chegar a isso como foi sua trajetória? Como foi o início e que dificuldades enfrentou? Comecei a tocar com 11 anos e sempre tive ótimas influências por causa dos meus pais, Swarup e Ekanta, que também são DJ's. Pais DJ's, amigos dos pais Dj's, assim tudo ficou mais fácil. Sobre as dificuldades? Sempre teremos pedras no caminho, temos que buscar a nossa superação, a luta é diária. 

Como foi que a música entrou na sua vida? E quando se descobriu DJ de verdade? Toda a minha carreira teve uma base construída na minha casa, com os meus pais. Eu já sabia que seria Dj's desde que passei a acompanhar eles em suas apresentações e hoje devo tudo à eles. Cresci na cena e a credibilidade que os meus pais tem acabou influenciando na minha carreira também. 

Que diferencial que você acredita ter em relação aos outros DJs? Gosto de colocar a música sempre à frente de qualquer outra qualidade minha, acho que essa é a melhor resposta mesmo, a música com personalidade. 


Hoje é comum ver muita gente se auto intitulando DJ, mas o que faz um bom DJ no sentido profissional? O que diferencia o amador do profissional? Profissionalismo vai além de dominar as ferramentas. Profissionalismo envolve compromisso com o público. 

Como escolhe o setlist das festas que participa? Ah eu sempre tento fazer com que seja melhor que o último sempre. 

Quais são os seus produtores de música favoritos na atualidade? Eric Prydz e Gui Boratto são excelentes no meu ponto de vista. 

Em que lugar do mundo sonha em colocar a galera para dançar? Burning Man!  

O que é fundamental para ter uma boa vibe com o público? Carisma sempre, porque é envolvente e aproxima muito.  

Onde estão as grandes baladas no Brasil e no mundo? Brasil com certeza São Paulo e Santa Catarina, no mundo EUA, Holanda, Ibiza.

Quais os novos projetos? O quem tem de novo vindo por aí? Meu álbum é um dos meus projetos que deve ser consolidado em breve.  

O que você costuma ouvir quando não está colocando música para os outros ouvirem? Ouço um pouco de rock, reggae e outras vertentes eletrônicas.  

Quando não está no comando das baladas, o que curte fazer pra se divertir e pra descansar? Ir até Alto Paraíso e me desligar de tudo, é revigorante. Sempre reservo um tempo e fujo pra lá.  

Qual o som desse verão? Alok & Blue Rose - Sunlight - YouTube 


sexta-feira, 31 de julho de 2015

MÚSICA: AS MUSAS DO NOVO SOM DA BATIDA ELETRÔNICA

Final de semana chegou vamos acelerar o som e entrar no clima de balada. Falando nisso trouxemos aqui três musas do novo som eletrônico que está em destaque no momento. Começando por Róisin Murphy, passando pela exótica Bjork até chegarmos em um clássico da performática Grace Jones, em nosso destaque especial na nossa "Junkebox". Aumenta o som e let´s dance!

Exatamente oito anos depois, Róisín Murphy, a eterna ex-moloko lança seu 3° álbum solo “Hairless Toys (2015)” bem mais intimista, menos eletrônico e longe dos hits das pistas de clubs afora que sempre consagrou irlandesa. A música que abre o álbum "Gone Fishing" foi inspirada no filme-documentário “Paris Is Burning”. Mais o destaque mesmo fica pela incrível “Hairless Toys (Gotta Hurt)" que também dá nome ao álbum. Pura nostalgia do futuro e beirando o épico.

Vídeo:



Quatro anos depois do seu último e complexo álbum “Biophilia”, um disco multimídia pioneiro, lançado como uma série de aplicativos, a islandesa Björk praticamente sangra poesia nas 9 faixas do seu dolorido “Vulnicura”, onde faixa a faixa relata as dores do fim do seu casamento de 13 anos com o artista inglês Matthew Barney. O destaque já fica na faixa de abertura "Stonemilker”, embalada por belos arranjos de cordas e batidas eletrônicas. 

Assista o vídeo:



A talentosa sueca Seinabo Sey com apenas dois Ep´s lançados, o primeiro dedicado a sua mãe “For Madaleine de 2014 que tinha como hit “Younger”, vem agora firmar seu nome com seu último e delicado trabalho “For Maudo”, dessa vez dedicado ao seu pai. Uma mistura requintada de Soul, Pop e eletrônica, tudo cuidadosamente embalado pela peculiar voz de Seinabo. Garantido que na segunda audição você já sai cantarolando todas as músicas de tão bom que é este Ep. Destaques para a faixa "Poetic" que abre o Ep.

Assista o vídeo:



JUKEBOX
Não existe música “velha”, existe a boa música esquecida, ainda mais em épocas tão multimídia como nos dias atuais, onde um hit não dura mais que um mês, e a cada semana aparece uma nova diva. Então para entender o presente é bom visitar o passado, e ninguém soube provocar tanto com a imagem, a androgenia e com o seu estilo, como a verdadeira diva Grace Jones. Aqui indicamos sua famosa coletânea de sucessos “Island Life”, de 1985, um coquetel de disco, reggae, dub e pop tudo aliado a imagem e a voz única de Grace. Detalhe para a mítica capa feita pelo ex-marido de Grace o designer Jean-Paul Goude. Sinta o passado!

 Assista o vídeo:

terça-feira, 28 de abril de 2015

MÚSICA: Diana Krall, uma das maiores intérpretes da atualidade chega com o novo CD "Wallflower"

Uma das maiores intérpretes da atualidade, a cantora e pianista Diana Krall tem surpreendido o público com sua voz aveludada e seu incrível entrosamento com os teclado do piano. Isso é algo que vem desde sua infância no Canadá, ainda quando morava na Colúmbia Britânica até hoje. Seu primeiro álbum veio em 1993 e até 2014 já foram quase vinte discos, recriando grandes clássicos e músicas pop internacional de uma forma que fica difícil não virar fã.


Ao longo da carreira Diana tem colecionado títulos, prêmios e CD´s imperdíveis para os fãs do jazz.  É nesse clima que fez do seus discos algo esperado para quem curte uma boa música, que Diana lançou recentemente seu mais novo álbum "Wallflower" e neste disco ouvimos a cantora recriar alguns clássicos das mais populares canções de todos os tempos, como "Desperado", dos Eagles, "Sorry Seems to be the Hardest Word", de Elton John, ou "California Dreamin" do The Mamas and the Papas. Destaque especial para o clássico dos anos 80 “Don´t Dream it´s Over” de Crowded House. Produzido pelo renomado David Foster (Bee Gees, Christina Aguillera, Whitney Houston, Andrea Bocelli, Céline Dion, etc), sem dúvida “Wallflower” é o álbum mais pop da carreira de Diana Krall. 

Confira um pouco de “Wallflower” com Diana cantando California Dreamin´:


sexta-feira, 20 de março de 2015

CAPA: Ney Matogrosso, criatividade que pulsa em ritmo acelerado ao longo de 41 anos de carreira

Ney Matogrosso não se define, não se encerra em uma ou outra característica já impressa em um dicionário, nem mesmo o Aurélio. Ney é Ney é vida e movimento incessante, criatividade que pulsa em ritmo acelerado, é performance e metamorfose. É arte, música, som, ar... É Ney Matogrosso. Ao completar 40 anos de carreira, Ney lançou novo show, “Atento aos Sinais”, ganhou Grammy Latino e está em eterna evolução como homem e artista. A MENSCH conversou com esse admirável artista e o resultado você confere aqui nessas páginas. 

Como estar atento aos sinais e entendê-los? Olha, eu considero que se estar atento é não ser uma pessoa que viva no mundo da fantasia nem da ilusão. Estou vivo no mundo da realidade, prestando atenção a tudo que acontece no mundo, o que acontece no nosso país. Prestar atenção a todos os movimentos de todos os lados.


Em seu novo show, “Atento aos Sinais”, você aos 73 anos, parece estar mais elétrico que nunca. À que você atribui essa força toda? Realização do que ama fazer? Sim! Na verdade quem criou tudo isso fui eu. Houve um momento que eu vi que era uma coisa muito pesada, mas aí eu pensei: “ué, mas foi você quem inventou então você vai fazer!”, e faço. Todos os meus shows foram criados por mim, eu inventei e eu faço.

Você foi eleito pela revista Rolling Stone como a terceira maior voz brasileira de todos os tempos...Como se sente e o que acha disso? Nada dessas coisas, desses prêmios, dessas citações, nada disso sobe na minha cabeça. Eu não tenho mais tempo pra isso, sabe? Eu acho que se isso tivesse chegado durante os meus 30 anos, talvez isso tivesse subido de alguma maneira. Fico feliz com o reconhecimento, mas isso não me vira à cabeça, nem quero ter a ilusão de nada.

Final do ano passado você recebeu o prêmio pelo conjunto da obra do Grammy Latino e em seu discurso falou que jamais pensou que isso pudesse acontecer. Por que não? O que esse prêmio significou para você? É um reconhecimento ao meu trabalho, que me deixa feliz, mas que também não muda nada na minha vida. Quando eu disse que não imaginava isso, é porque não imaginava que eles estivessem prestando atenção porque a coisa é lá. Então, eu nunca imaginei que eles estivessem prestando atenção no que eu estivesse fazendo aqui no Brasil, tão longe daquilo e tão sem contato com eles. Houve uma época, quando eu fui indicado outra vezes, por discos, em que eles tentaram que eu me envolvesse, que eu fosse uma das pessoas que votasse, porque eles têm artistas da América Latina toda, mas eu nunca quis me envolver com isso. Então eu achava também por essa razão que pelo fato de não ter me envolvido quando eles tentaram se aproximar de mim que eles não iam me buscar de novo. E fiquei surpreso, realmente.

Ao longo de 40 anos da carreira algum arrependimento? Não tenho nenhum arrependimento de nada. Eu fui pelo caminho mais difícil, porque eu não me submeti às gravadoras quando elas eram poderosas, opinavam e decidiam. Eu nunca permiti isso. Para não permitir isso eu passei por 6, porque quando elas chegavam querendo impor eu dizia: "Não, tô saindo!". Eu faria de novo, da mesma maneira, porque eu precisava da minha independência artística, e eu tenho essa independência artística. Eu estaria fazendo o que muita gente faz, isso nunca me interessou. Se eu ainda mantenho interesse 41 anos depois é porque eu faço alguma coisa original. 



E quais as glórias são mais lembradas (além desse Grammy)? Uma glória é ter atravessado 41 anos com uma carreira estável, num país considerado de memória muito descartável e que se esquece rapidamente das pessoas e eu tenho atravessado, estou aqui 41 anos depois ainda reconhecido, trabalhando. No começo eu era um hippie, eu era contra o sistema e eu não queria ser aplaudido. Quando as pessoas me aplaudiam eu me fechava todo, porque eu não estava ali para ser aplaudido, eu estava ali para desacatar as autoridades. Então quando as pessoas batiam palmas pra mim eu me fechava todo, eu não aceitava, eu não recebia. E hoje em dia eu entendo isso de outra maneira, eu entendo que é uma retribuição ao que estou fazendo e me abro totalmente, para receber os aplausos.

O que há em Ney Matogrosso hoje do Ney dos tempos do “Secos e Molhados”? Ainda sou idealista! Ainda tenho um grande impulso para realizar meu trabalho, ainda acredito nos mesmos princípios, eu não me desviei deles.

Qual sua maior fonte de inspiração? Não é que seja a maior fonte de inspiração, mas eu necessito de um contato regular com a natureza. Necessito, porque isso me fortalece, qualquer natureza!

O que a música brasileira tem de melhor atualmente? Como você a vê? Eu ouço falar que há uma crise de criação e eu não concordo. Não há uma crise de criação, há uma dificuldade da criação chegar ao gosto popular. Porque agora é muito mais difícil você tocar em rádio, porque agora depende de pagar. Antigamente não, você gravava um disco, você ia a todas as estações de rádios do Brasil por onde você viajasse para fazer seu show em cada estado, em cada cidade para falar do seu trabalho. Hoje em dia isso acabou todo mundo sabe que você precisa pagar para tocar. Esse é o grande obstáculo porque ficou mais fácil de gravar, a divulgação e a distribuição é que ficaram complicadas. O que ocupou lugar foi a música de menor qualidade, esses modismos cada vez vão descendo o mais o nível é muito estranho.



Ideologia, a gente precisa sempre ter uma pra viver? Sim. A gente tem que acreditar em alguma coisa, mesmo que seja no que não está aí. Que é possível  outro mundo, uma outra coisa, porque nós vivemos numa "democracia", mas a loucura está em um grau muito grande. É uma democracia camuflada e cada dia você tem notícia das atitudes do Governo que te deixam mais cabreiro, pra onde vamos?

Quais suas crenças religiosas e como mantém mente e corpo são? Eu não tenho nenhuma religião formal. Eu creio em muitas coisas que a maioria das pessoal talvez nem acredite. Eu acredito em vida em outros planetas, porque eu não posso acreditar que nós sejamos o ápice da criação. Se nós somos o ápice da criação, quem criou, errou! Eu acho que existem pessoas mais evoluídas que nós nesses universos e até mais atrasadas que nós também. Acredito que chegaremos ao momento em que teremos essa consciência, infelizmente eu penso que isso acontecerá na hora do grande cataclismo e abrir-se-á essa consciência para nós.