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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

HISTÓRIA: Nos Passos do Frevo - O museu que evoca e exibe o ritmo do Carnaval pernambucano

Comemorando o dia do Frevo, em 09 de fevereiro de 2014, Recife recebia o que há muito já merecia: um museu dedicado à história do Frevo. O Paço do Frevo nasceu para ser um centro de referência de ações, projetos e atividades de documentação, transmissão, salvaguarda e valorização de uma das principais tradições culturais brasileiras, reconhecida como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco: o frevo. Além de reconhecer a importância do Frevo não só para o Brasil, principalmente, para Pernambuco, o Paço abre espaço para que residentes e visitantes possam não só “cair no ritmo”, mas, sobretudo, conhecer a fundo a história desse ritmo, dos blocos, de cada passo e de como a vida pulsa entre sombrinhas e clarins.

Localizado na Praça do Arsenal da Marinha, no Bairro do Recife, o Paço é uma iniciativa da Prefeitura do Recife, com realização da Fundação Roberto Marinho e gestão do Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG). O projeto conta com o patrocínio cultural da Rede Globo e do Banco Itaú. Os patrocinadores do espaço são o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), o Governo do Estado de Pernambuco, por meio de sua Secretaria de Turismo e da Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur), o Instituto Camargo Corrêa, o Instituto Votorantim e da Pilar Produtos Alimentícios e apoio do Ministério da Cultura, por meio da Lei de Incentivo à Cultura.



PRA VER, OUVIR E APRENDER 

O Paço do Frevo, além de ser espaço para contemplação da cultura pernambucana é também lugar de aprendizado interativo. A Escola de Música busca formar novos profissionais e gerações de orquestras de frevo, mas também pode receber aquele visitante curioso que quer aprender, sem grandes pretensões profissionais. A Escola de Dança, da mesma forma, serve aos foliões que querem fazer bonito no carnaval e também aos profissionais da dança que querem se formar passistas e levar a arte do frevo para além das fronteiras do estado e do país.

Com salas próprias para realização de workshops, encontros e palestras, muitas pessoas podem não só aprender os passos e o uso dos instrumentos do frevo, mas também debater sobre sua origem e seu papel na sociedade atual, e produzir e difundir suas atividades e os produtos gerados por elas. O Paço do Frevo conta com:

- Estúdio de gravação montado no primeiro andar aberto para receber músicos profissionais e amadores.

- Centro de Documentação Maestro Guerra Peixe promove a produção, organização e acesso a documentos e informações relativas ao frevo disponibiliza um acervo em expansão com mais de 900 exemplares de livros, revistas, catálogos, periódicos, CDs e DVDs. O Centro de Documentação também tem como objetivo produzir, sistematizar e difundir memórias, conhecimentos e conteúdos relacionados ao frevo e ao patrimônio cultural imaterial.

- Rádio online que é responsável pela difusão audiovisual sobre quem compôs o frevo (canção) e ainda menciona suas criações do passado.



UM MUNDO DE CORES 

Muito além do colorido vibrante das sombrinhas e roupas dos passistas, o Paço do Frevo recebe a todos em um universo de cores, palavras, expressões e memórias relacionadas ao frevo de forma contagiante. 

Quem vai ao Paço tem a oportunidade de conhecer desde os principais acontecimentos da história do frevo na linha do tempo, no térreo do prédio, até os estandartes e flabelos de importantes blocos e agremiações pernambucanos na estonteante Praça do Frevo, no 3º andar do imóvel restaurado.  

O PRIMEIRO ANO 

Em seu primeiro ano de funcionamento (inaugurado em 9 de fevereiro de 2014), o espaço se tornou um centro de referência e levou mais 122 mil pessoas a conhecer e aumentar seu encantamento com o frevo. Só no mês de Janeiro de 2015, o espaço bateu todos os recordes de visitação, recebendo mais de 17 mil visitantes. Ao todo, mais de 23 mil pessoas participaram de visitas guiadas que receberam os visitantes todas as semanas ao longo desse primeiro ano.

Outra importante conquista foi a inserção do Paço no calendário de grandes eventos culturais da capital pernambucana, como a 11ª Mostra Brasileira de Dança e o 19º Festival Internacional de Dança do Recife. Em 2015, essas parcerias continuam com o espaço marcando presença em eventos como o Janeiro de Grandes Espetáculos e o Porto Musical. Ao longo de 2014, o Paço recebeu uma programação intensa, contribuindo para que o frevo seja vivenciado, renovado e fortalecido durante o ano inteiro, incentivando o mercado e promovendo a sua salvaguarda. 



OUTROS NÚMEROS MOSTRAM A FORÇA DO PAÇO DO FREVO 

Até janeiro de 2015, foram 93 apresentações culturais, entre bandas, artistas e agremiações. Nas 37 edições da Quinta no Paço, realizadas no 3º andar do prédio, agremiações e grupos alternaram encontros com a tradição da cultura popular e novas experimentações da dança e da música do frevo. Entre os destaques dessa programação, Quinteto Violado, O Bonde Bloco Carnavalesco Lírico, Coral Pró-criança, Flaira Ferro, etc. 

Nas 40 apresentações da Hora do Frevo realizadas no Evoé Frevo Café, releituras do frevo foram experimentadas, tais como o frevo em rabeca de Cláudio Rabeca, o frevo para sanfona com Mestre Camarão e a música instrumental de jovens artistas como Henrique Albino. Além disso, onze Arrastões do Frevo fizeram com que a programação artística do Paço do Frevo extrapolasse os muros do museu, colocando todo mundo para frevar nas principais ruas do Bairro do Recife. 

Também foram realizados três (Com)Passos, encontros de improviso entre bailarinos e músicos e dois Conexões Frevo, momentos de intercâmbio cultural com outras expressões como o bluegrass americano e o fado português e o encontro do Maestro Forró com o grupo norte-americano Clinton Curtis Band, no Conexão Cultural 2014 Estados Unidos-Pernambuco, e o intercâmbio entre o frevo e o fado português protagonizado pelos músicos pernambucanos Geraldo Maia, Beto do Bandolim e os grupos Brasil Sonoro e Fado ao Centro, de Portugal, são exemplos de como o museu(Paço do Frevo) pode explorar o potencial internacional do frevo e ser um forte indutor de intercâmbios entre artistas, bandas e grupos. 

Para coroar este primeiro ano, o Paço do Frevo se despediu de 2014 realizando a Cantata do Paço, com direção do maestro Marcos Cesar e apresentação da Orquestra Retratos e do Coral Edgard Morais. O espetáculo trouxe as influências do pastoril, manifestação folclórica típica do Natal (dnça Portuguesa originada a partir de atividades pastorais). 

No campo da formação (estudo do frevo), o Paço do Frevo promoveu, com o apoio da Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur), o 1º Encontro de Pesquisadores do Frevo, reunindo estudiosos do mundo acadêmico e profissionais ligados ao universo do frevo para discutir alternativas para a salvaguarda desse bem cultural. O evento mobilizou cerca de 150 pessoas, com destaque para a participação do multiartista Antônio Carlos Nóbrega. O Paço também ofereceu 33 cursos e oficinas na Escola de Dança e na Escola de Música, que atraíram mais de 567 alunos, tanto do público local quanto de turistas. O evento de formação das turmas do Curso Regular de Frevo e de Técnica Vocal foi um dos destaques da área neste primeiro ano de funcionamento do Paço do Frevo, bem como a realização do Quatro Frevos em Debate, mesas de discussão sobre o mercado da música, o ensino da dança, entre outros temas relacionados à cultura do frevo. 

 “As ações de formação, difusão e fruição do frevo em seus gêneros musicais objetivaram a estruturação de um mercado anual. Nesse contexto, estreitamos relações com os músicos e maestros escolásticos de referência nacional e internacional (como Clóvis Pereira, Duda, Nenéu Liberalquino, Édson Rodrigues, Ivan do Espírito Santo, Spok, Marco César), ao ofertar cursos que completaram a rede de ensino musical da cidade. Contribuímos para a renovação de repertório e atuamos na qualificação profissional dos músicos”, pontua o Gerente-Geral do Paço do Frevo, Paulo Braz. 



PARCERIAS 

Importantes instituições pernambucanas se colocaram como parceiras do Paço no desenvolvimento da cultura do frevo, entre elas, o Departamento de Música da UFPE, Biblioteca Central da UFPE no trabalho de restauro e conservação do acervo, da Banda da Polícia Militar de Pernambuco, o Comando da Base Aérea de Recife – BARF, na cessão de professores para o início das atividades da futura Orquestra do Paço do Frevo, o Sebrae e o Consulado Americano.

 “Foi um ano de grandes desafios, mas, também, de significativas conquistas, principalmente quando tratamos do desenvolvimento de públicos, formação de plateias e ativação da cadeia criativa e produtiva do Frevo. Há um campo de oportunidades a ser explorado, de profunda ressonância social, imenso repertório simbólico e potencial econômico. Investimos, neste primeiro ano, na convivência e reflexão, experimentação e renovação, criação e difusão, abrindo possibilidades concretas para o desenvolvimento de iniciativas direcionadas à memória, inovação e salvaguarda deste patrimônio imaterial, do Brasil e do mundo”, ressalta Eduardo Sarmento, Gerente de Conteúdo do Paço do Frevo. 

SERVIÇO 

Paço do Frevo - Praça do Arsenal da Marinha, s/n, Bairro do Recife - Terças, quartas e sextas: 9h às 18h. / Quintas: 9h às 21h / Sábados e domingos: 12h às 19h. Ingresso: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia). Mais informações: 3355-9500 / www.pacodofrevo.org.br

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

CULTURA: Galo da Madrugada e de todos os carnavais celebra 40 anos

UM POUCO DE HISTÓRIA - Criado pelo empresário Enéas Freire O Galo da Madrugada desfilou como bloco pela primeira vez no sábado, dia 23 de janeiro de 1978, às 5h da manhã, saindo da sua sede na Rua Padre Floriano, 43, no bairro de São José. E pensar que o bloco que entrou para o Livro dos Recordes, o Guiness Book em 1995, por reunir cerca de um milhão de pessoas pelas ruas e avenidas da cidade arrastou somente 75 foliões em seu primeiro desfile. De lá pra cá a cada ano mais e mais foliões de todos os cantos do Brasil e também do mundo acordam cedo pra render homenagens ao Galo.

A ideia de sair ao sábado de madrugada se devia ao fato de naquela época não ser feriado, daí a festa tinha de acontecer antes do comércio do Centro abrir. Agora todos param para ver o Galo passar e a saída dos trios e carros alegóricos acontece das 10h da manhã. Quando criou o Galo, Enéas Freire tinha como objetivo resgatar a folia de rua e a criatividade dos pernambucanos que estava sendo deixada de lado pelos grandes bailes de clube da época. Não sabia ele que ali, naquele dia, nascia uma dos grandes ícones do carnaval de Pernambuco e que até hoje é exatamente o que ele queria que fosse: um espaço onde a criatividade, a irreverência e a alegria reinam a céu aberto nas ruas do centro do Recife.

Foi em 1979 quando aconteceu a 1ª Noite dos Estandartes no Clube Português que o Galo ganhou seu estandarte e hino oficial criado por Mauro Freire e pelo compositor José Mário Chaves. Com o tempo e o aumento dos foliões as orquestras passaram a tocar em cima de caminhões para propagar mais e melhor o som, mas ainda assim não era suficiente e os trios elétricos passaram a fazer parte do Galo da Madrugada.


GANHANDO AS RUAS HOMENAGEANDO FRANCISCO JOSÉ EM 2018

Com o tema “Galo 40 anos, Promovendo o Folclore e a Cultura de Pernambuco”, o bloco sairá às ruas em 10 de fevereiro de 2018. “Esse ano estamos comemorando 40 anos de uma festa que resgatou o ritmo pernambucano. O Galo da Madrugada promoveu uma verdadeira revitalização para o carnaval de rua, mantendo-se fiel aos seus objetivos, fortalecendo o folclore e a cultura e, principalmente, crescendo sem perder a originalidade. Nossa bandeira é sempre defender o frevo, o folclore e a cultura pernambucanos”, explica o presidente do Galo da Madrugada, Rômulo Meneses. 

É na Ponte Duarte Coelho que fica o boneco do Galo, medindo 35 metros de altura que dá pra ser visto de longe e é o grande símbolo da festa. Durante o trajeto há camarotes privativos e improvisados em varandas e sacadas, afinal todos querem ver o Galo passar. No chão, milhares de pessoas seguem os trios e orquestras durante todo o dia. E neste ano Para o desfile, muitas surpresas são esperadas. O folião poderá reviver os carnavais passados, além de relembrar grandes compositores que fomentaram a cultura e contribuíram para que o frevo fosse perpetuado. 

O Galo fará, ainda, uma homenagem especial ao repórter Francisco José, que também celebrará, em 2018, 40 anos de cobertura dos desfiles do Galo da Madrugada. Para comemorar os 40 anos, o clube irá promover, ainda, algumas outras ações que serão realizadas ao longo do de 2018. “O que podemos adiantar, é que será lançado um CD comemorativo onde convidamos alguns compositores e artistas que fazem parte da história da agremiação para compor e/ou gravar músicas para celebrar os 40 anos do bloco, estamos programando outras atividades como:  lançamento de dois livros, lançamento de uma exposição itinerante e a produção de um filme documentário”, conclui Rômulo.


terça-feira, 3 de outubro de 2017

ARTE: Criando arte e fazendo cultura na Amparo 60

Ousadia é a palavra que mais define a transferência da conceituada galeria de arte Amparo 60, que passou praticamente toda a sua existência numa discreta casa no início do bairro de Boa Viagem - Recife, para o edifício Califórnia. Dona de um dos mais venerados castings do País, a galeria sempre recebeu clientes fiéis e intelectuais tanto para visitas quanto para as exposições. Já com os dois pés em um novo tempo, o espaço se abre para o público em geral, que certamente vai frequentar aquele novo pólo, subir para as sobrelojas e fazer uma visita contemplativa. Tudo a ver com o momento do prédio.  


Essa simbiose é tão grande que, apesar de tudo ter acontecido muito rápido e de maneira espontânea, a galerista Lúcia Costa, cujo nome se confunde com seu próprio espaço, é filha de ninguém menos que Janete Costa, esposa do arquiteto Acácio Gil Borsoi. “Não pensava em sair daquela casa, mas soube por acaso que havia esse espaço aqui nesse prédio de tanto significado, onde Borsoi teve a ideia de harmonia, residência, comércio e lazer. Convidada, vim visitar e instantaneamente o lugar me escolheu, fui fisgada. Entendi que trazer arte para cá seria como retomar um projeto original, o espaço clamava por isso. O bairro, a cidade e as pessoas também mereciam isso e essa humanização pode ser o ponto de transformação para um futuro restauro”, pondera.

Para marcar o início do ciclo, a Amparo 60 abriu com uma exposição reunindo obras de todo o casting, ao todo 35 artistas expressando-se nos mais diferentes suportes e todos dialogando sobre a relação com a cidade e as questões urbanas. O acervo foi montado sob o olhar do curador Douglas de Freitas, que encontrou os pontos de interseção entre os trabalhos tendo como fio condutor a ideia de celebração, saudação, ligada ao termo “evoé” que intitulou a mostra. “A escolha das obras para a exposição busca trazer um pouco a atmosfera do Recife, um modo de ver e viver a cidade entre suas belezas e contradições”, completa.





quinta-feira, 1 de junho de 2017

MÚSICA: Sgt. Pepper's, a primeira vez de um clássico que completa 50 anos

A Rua Líbero Badaró em São Paulo nunca foi um bom ponto para uma loja de discos. Na vizinhança entre as apinhadas Ruas São Bento e Direita ou do outro lado, descendo a Avenida São João, nas Grandes Galerias, hoje chamada de Galeria do Rock, penetrando pelas concorridas Dom José de Barros, 24 de Maio ou Sete de Abril, fazia mais sentido e era possível encontrar diversas lojas que faziam a festa de adolescentes como eu. Ou de adultos que buscavam nas saudosas Bruno Blois ou Brenno Rossi os últimos lançamentos de jazz ou clássicos.

O Museu do Disco na Rua Dom José de Barros com os desejados lançamentos importados de pop/rock, completava o cenário daquele longínquo 1967. Entretanto, foi na Líbero Badaró, em uma loja deslocada, pouco expressiva, que vi pela primeira vez, colada na vitrine, a capa dupla aberta, com os rapazes em vistosos trajes de banda militar, os Beatles e Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.

Da loja, sons estranhos invadiam a rua. Entrei, peguei, olhei todos os detalhes, mas não tinha a menor idéia do que estava acontecendo. Como qualquer garoto daquela época, eu tinha pouco acesso às notícias sobre a música que ouvíamos. As rádios e as lojas de discos eram nossos horizontes máximos e únicos.
O jornal, hoje revista, Rolling Stone nasceu um pouco depois e chegava irregularmente em algumas poucas livrarias. Outros jornais ingleses apareceram, mas meu inglês era quase nenhum. Eu tentava ler os artigos e capas de discos, segurando um dicionário. Eram dias para ler e mais ou menos compreender uma matéria.


Como então entender todas aquelas letras impressas na contracapa vermelha de Sgt. Pepper’s? Como absorver aqueles sons mesclando instrumentos orientais, orquestras e ruídos de animais? O que era tudo aquilo para o garoto de um mundo sonolento, de cenários vagos clamando por perspectivas?

Os beatles deixaram de se apresentar ao vivo em agosto de 1966 e passaram a exercitar toda a criatividade do grupo nos estúdios. Na verdade, vinham mudando o mundo musical desde 1965 quando lançaram Rubber Soul. Ali apresentaram a cítara indiana ao mundo, pianos que soavam como cravos e harmonias insuperáveis. Deram um passo maior ainda quando fizeram Revolver no ano seguinte. Baterias gravadas em reverso, guitarras distorcidas, arranjos de cordas e até submarinos amarelos. 

E entre o final de 1966 e início de 1967 gravaram três novas composições, duas delas, "penny lane" e "strawberry fields forever", foram lançadas como compacto em fevereiro do novo ano, por pressão da gravadora que queria novos produtos do grupo. A terceira, "when i'm sixty four", foi incluída em sgt. Pepper. 

Porém, naquele fevereiro, paul ainda não tivera a ideia de que no novo disco eles atuariam como se fossem um outro grupo, uma nova banda que iria apresentar em nome dos beatles as novas canções... Assim nasceu o conceito de sgt.pepper's lonely hearts club band. Nós saboreamos as mudanças no vento quando "penny lane" e "strawberry fields forever" chegaram às lojas. Estávamos avisados.

Mesmo assim e por tudo isso, o Sargento Pimenta e Sua Banda dos Corações Solitários abriram os portais de um admirável mundo novo. Nunca antes, nem depois, um impacto tão grande seria sentido na música, na indústria e nas rádios. Mudamos todos. Da primeira guitarra de Sgt. Pepper’s ao último piano de A Day In The Life, sonhávamos, acordávamos, perdíamos e recuperávamos nossa inocência. 

Todos nós, entendendo ou não, cantávamos com Ringo os versos de “With A Little Help From My Friends”... Quem era Lucy in the Sky with Diamonds? Era mesmo LSD? Ou simplesmente o desenho retratando uma coleguinha de escola de Julian, filho de John? Verdade é que a coleguinha, Lucy O’Donnell,  lembrava de desenhar com Julian e adulta deu entrevista dizendo que não gostava desse tipo de música. Lucy O’Donnell morreu em 2009, perdendo uma luta contra Lupus.

Paul McCartney, jovem e ansioso, não aguentou esperar que o produtor George Martin se desocupasse de outras tarefas do grupo e encomendou o arranjo de “She’s Leaving Home” ao competente Mike Leander que já havia escrito o naipe de violinos de “As Tears Go By” para os Rolling Stones. Foi a única vez que Sir George Martin não escreveu um arranjo para os Beatles.

Um antigo pôster anunciando um circo inspirou John a compor “Being For The Benefit Of Mr. Kite”, repleta de trampolins, cavalos amestrados dançando a valsa, pulando círculos de fogo e como escreveu John, “um momento esplendido está garantido a todos...” Para encerrar a faixa, imitando um órgão alimentado a vapor, tapes de sons aleatórios foram cortados em pequenos pedaços, lançados ao ar, depois colados um a um, reproduzidos em alta velocidade e adicionados à música.


George Harrison então crescia como compositor a passos largos e mesmo contribuindo com apenas uma canção, compareceu com uma mistura de orquestra e instrumentos indianos como nunca se viu antes. Acrescente-se a isso versos que cabiam em qualquer poema e temos “Within You, Without You”. “Quando você enxergar além de você, talvez encontre paz de espírito esperando por lá, e chegará o momento em que você verá que somos um só e que a vida flui em você e sem você.”

A pequena e enérgica reprise do tema de Sgt. Pepper abre as portas do estampido, do estouro final, em que todo o disco converge para a épica “A Day In The Life”, a visão apocalíptica de John para as notícias do jornal. A morte de Tara Browne,  herdeiro do império Guinness, os buracos em Lancashire, a guerra que a Inglaterra havia vencido, na verdade, um filme em que John participara. E então um crescendo das cordas nos leva até a explosão de um dantesco acorde de piano... Com menos de quarenta minutos de duração, Sgt. Pepper e os Beatles mudaram o mundo para sempre.

Artistas tentaram copiar, fazer algo parecido e um até enlouqueceu, o brilhante Brian Wilson, líder dos Beach Boys, cujo álbum Pet Sounds de 1966, de acordo com Paul McCartney, servira de inspiração para algumas passagens de Sgt. Pepper.
Ninguém chegou perto... Nunca. O disco que revolucionou a história da música e ainda é referência para todos, completou quarenta e cinco anos de idade em junho passado. 

Décadas depois, alguém, em algum lugar, perguntou se lembrávamos de quando havíamos ouvido Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band pela primeira vez. 

Eu lembro... Foi lá na Rua Líbero Badaró...



segunda-feira, 8 de maio de 2017

CINEMA: 21 Anos de CINE PE

De 23 a 29 de maio Recife vai reunir diretores, produtores, atores, jornalistas e críticos de todo o país em torno do cinema brasileiro. Um dos festivais mais descolados e badalados do Brasil abre suas portas dia 23 a 29 de maio celebrando 21 anos do Cine PE. Esse ano trazendo três mostras competitivas e homenageando os atores Rodrigo Santoro e Cassia Kiss, além do crítico de cinema Luiz Joaquim. 

Seis longas nacionais foram selecionados para a mostra competitiva: “O Crime da Gávea”, de André Warwar (RJ); “Borrasca”, de Francisco Garcia (SP); “Toro”, de Edu Felistoque (SP); “Los Leones”, de André Lage (MG); “O Jardim das Aflições”, de Josias Teófilo (RS); e “O Silêncio da Noite é que tem Sido Testemunha das Minhas Amarguras”, de Petrônio Lorena (PE).  (veja abaixo a lista completa e detalhes).

Realizado por Sandra Bertini, diretora da produtora BPE, o 21º Cine PE tem curadoria do ator, diretor e produtor de cinema Bruno Torres, da escritora e professora de cinema Amanda Mansur, e do documentarista e professor do curso de Cinema e Audiovisual da UFPB Matheus Andrade. Este ano, o Cine PE reforça sua vocação para a celebração do cinema de forma plural, com filmes autorais e produções que buscam uma identificação direta com o espectador no Brasil e no mundo, como é o caso do curta “Vênus - Filó A Fadinha Lésbica”, do diretor Sávio Vieira, que esteve na Mostra Panorama da Berlinale de 2017. “Foram muitos filmes inscritos para esta edição. A curadoria prestou um enorme serviço ao evento. Aproveito para fazer um agradecimento muito especial ao grupo, afinal foram 473 filmes avaliados. Deixei-os livres para escolherem os filmes que comporiam as grades das mostras competitivas, porém que fosse considerada a diversidade das linguagens e dos temas abordados. Festival é isso: filmes para todos os gostos e públicos”, diz Sandra Bertini.

Todas as sessões e a cerimônia de encerramento serão no Cinema São Luiz, construído em 1952 em Boa Vista, às margens do Rio Capibaribe. Tombado como patrimônio histórico e revitalizado em 2008, é um dos últimos grandes cinemas de rua do país e tem capacidade para mil pessoas. A bilheteria será de responsabilidade do Cinema São Luiz, e o faturamento revertido para a manutenção do espaço. A sede do festival será no Hotel Transamérica, em Boa Viagem, onde acontecerão os debates e seminários. Os debates dos filmes serão sempre na manhã seguinte à exibição e os seminários e workshops ocuparão o período da tarde, tratando de temas atuais que envolvem o setor do audiovisual. 


Fora de competição, compõem a Mostra Hors-Concours três longas: a ficção “Real – O Plano por Trás da História”, de Rodrigo Bittencourt (SP); e os documentários “O Caso Dionisio Diaz”, de Chico Amorim e Fabiana Karla (RJ), e “Atum, Farofa & Spaghetti”, de Riccardo P. Rossi (SP); além do curta pernambucano “Duas Mulheres”, de Marcelo Brennand.

AGENDA DO CINE PE 2017

DIA – 23 DE MAIO /TERÇA-FEIRA

MOSTRAS DE FILMES DO CINE PE 2017
Hora: 19:30h  Local: Cine São Luiz  
Acesso: Ingresso – Preço Único Meia Entrada R$ 5,00

APRESENTAÇÃO MOSTRA FILMES OFICINAS 
(PARCERIA CINE PE / PCR)
A Lição (PE), Animação, Direção: Charles Barbosa, Flávia Santos, Josiane Tenório, Juliana Santos, Mauriceia Silva e Renata Silva, 1’47”
A Menina do Leite (PE), Animação, Direção: Rosangela Lins, Ernantina Velame, Noeme Souza, Rivane Pimentel, Terezinha Beltrão e Valdelúzia Coelho, 2’08”
A Perna Cabeluda e o Saci (PE), Animação, Direção: Adriana Aleixo, Audaci Silva, Priscilla Dutra, Wanessa Braga, 1’39”
Princesas (PE), Animação, Direção: Mirtes Diniz, Oriana Melo, Cristina Rocha, Nívia Negreiros, Erisangela Santos, 1’41”

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS PERNAMBUCANOS 
(MOSTRA PE)
Los Tomates de Carmelo (PE), Ficção, Direção: Danilo Baracho, 14’

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS NACIONAIS
(MOSTRA CURTA BRASIL)
Diamante, o Bailarina (SP), Ficção, Direção: Pedro Jorge, 22’

INTERVALO

EXIBIÇÃO DE FILME HORS CONCURS
Real – O plano por trás da história (SP), Ficção, Direção: Rodrigo Bittencourt, 90’



DIA – 24 DE MAIO / QUARTA-FEIRA

ENTREVISTAS COLETIVAS DOS CURTAS E LONGAS-METRAGENS EXIBIDOS NO DIA 23 DE MAIO
Hora: 10h  Local: Hotel Transamérica – Boa Viagem
Acesso: Gratuito

SEMINÁRIOS
Hora: 14:30h  Local: Hotel Transamérica – Boa Viagem
Acesso: Gratuito
“Painel: Acessibilidade: O que está sendo planejado e executado para garantir a universalização do consumo no Audiovisual?”

Expositor: Silvia Bahiense (Sav/MinC / DF)
(ANCINE /RJ)
Caio Silva (ABRAPLEX)
Professor Guido (UFPB / PB)

MOSTRAS DE FILMES DO CINE PE 2017
Hora: 19:30 h  Local: Cine São Luiz  
Acesso: Ingresso – Preço Único Meia Entrada – R$ 5,00

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS PERNAMBUCANOS
 (MOSTRA PE)
Almas Secas (PE), Animação, Direção: Elvis Miranda e Helena Ferreira, 2’
Iluminadas (PE), Documentário, Direção: Gabi Saegesser, 13’

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS NACIONAIS
(MOSTRA CURTA BRASIL)
O Ex-Mágico (PE), Animação, Direção: Olimpio Costa e Mauricio Nunes, 11’
Luiza (PR), Documentário, Direção: Caio Baú, 15’
Não me prometa nada (RJ), Ficção, Direção: Eva Randolph, 21’

INTERVALO

MOSTRA COMPETITIVA DE  LONGAS-METRAGENS
O Jardim das Aflições (RS), Documentário, Direção: Josias Teófilo, 81’

DIA – 25 DE MAIO / QUINTA-FEIRA

MOSTRA INFANTIL
Hora: 9h  Local: Cine São Luiz 
Acesso: alunos selecionados da rede pública de ensino

APRESENTAÇÃO MOSTRA FILMES OFICINAS – CURTA METRAGEM
(PARCERIA CINE PE / PCR)
A vida do carneirinho (PE), Animação, Direção: Erin João Vinícius, Jackson Luan, Juacy Filho, Luan Larry, Matheus dos Santos e Ruan Nestor, 1’49”
Cadê a princesa (PE), Animação, Direção: Arão Apollo, Fabiana de Souza, Matheus Josephi, Maria Clara Costa, Wellington Mariano, Yuri Braz, 2’24”
Racismo no Aeroporto (PE), Animação, Direção: Caio Lúcio, Joyce Vitória, Klesla Macena, Letícia Clara, Maria Hariel, Pablo Edilson, 1’43”

MOSTRA INFANTIL DE LONGA METRAGEM 
A lenda de Oz (EUA), Animação, Direção: Dan St. Pierre e Will Finn, 92’
ENTREVISTAS COLETIVAS DOS CURTAS E LONGAS-METRAGENS EXIBIDOS NO DIA 24 DE MAIO
Hora: 10h  Local: Hotel Transamérica – Boa Viagem
Acesso: Gratuito

SEMINÁRIOS
Hora: 14:30h  Local: Hotel Transamérica – Boa Viagem
Acesso: Gratuito
“Painel: Novos Modelos de Negócios no Audiovisual: Como a soberania do consumidor está revendo os conceitos na Produção, Distribuição e Exibição?

Expositor: Vilma Lustosa (Produção de Conteúdo/ RJ)
Fernando Dias (Produção de Conteúdo/ SP)
Hermes Leal (Produção de Conteúdo/ SP)
Bruno Wainer ou Paris Filmes ( Distribuição/ SP)
Cícero Aragón (Exibição TV/ RS)
Paulo Mendonça (Exibição TV/ RJ )
(Exibição TV)

MOSTRAS DE FILMES DO CINE PE 2017
Hora: 19:30 h  Local: Cine São Luiz  
Acesso: Ingresso – Preço Único Meia Entrada R$ 5,00

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS PERNAMBUCANOS 
(MOSTRA PE)
Aqui Jaz (PE), Ficção, Direção: Brenda Ligia Miguel, 7’

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS NACIONAIS
(MOSTRA CURTA BRASIL)
Aqueles anos em Dezembro (SP), Documentário, Direção: Felipe Arrojo Poroger, 18’

MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS-METRAGENS
Los Leones (MG), Documentário, Direção: André Lage, 79’

INTERVALO

Borrasca (SP), Ficção, Direção: Francisco Garcia 74’

DIA – 26 DE MAIO / SEXTA - FEIRA

MOSTRA INFANTIL
Hora: 9h  Local: Cine São Luiz 
Acesso: alunos selecionados da rede pública de ensino

Carrossel 2: O sumiço de Maria Joaquina, Aventura Infantil, Direção: Mauricio Eça, 93’

ENTREVISTAS COLETIVAS DOS CURTAS-METRAGENS E LONGAS-METRAGENS EXIBIDOS NO DIA 25 DE MAIO
Hora: 10h  Local: Hotel Transamérica – Boa Viagem
Acesso: Gratuito

SEMINÁRIOS
Hora: 14:30h  Local: Hotel Transamérica – Boa Viagem
Acesso: Gratuito
“Painel: Economia do Audiovisual: Como é possível estimar a demanda por Audiovisual no Brasil?”
Expositor: Professor Yony Sampaio (UFPE/ PE)
Professor Gustavo Sampaio (UFPE/ PE)
Professor Breno Sampaio (UFPE/ PE)
Professor Leandro Valiati (UFRGS / RS)

MOSTRAS ESPELHO BRASILEIRO
Hora: 15:30 h  Local: Cine São Luiz  
Acesso: Gratuito
Apresentação: Hernani Heffner
Exposição: Luiz Joaquim

Bar Esperança (BR), Ficção, Direção: Hugo Carvana 127’

MOSTRAS DE FILMES DO CINE PE 2017
Hora: 19:30 h  Local: Cine São Luiz  
Acesso: Ingresso – Preço Único Meia Entrada R$ 5,00

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS PERNAMBUCANOS 
(MOSTRA PE)
Baunilha (PE), Documentário, Direção: Leo Tabosa 18’

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS NACIONAIS
(MOSTRA CURTA BRASIL)
Vênus – Filó a Fadinha Lésbica (MG), Animação, Direção: Sávio Leite, 6’
Abissal (CE), Documentário, Direção: Arthur Leite, 17’
A menina só (SC), Ficção, Direção: Cíntia Domit Bittar, 10’

INTERVALO

MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS-METRAGENS
O Crime da Gávea (RJ), Ficção, Direção: André Warwar, 78’


DIA – 27 DE MAIO / SÁBADO

ENTREVISTAS COLETIVAS DOS LONGAS-METRAGENS EXIBIDOS NO DIA 26 DE MAIO
Hora: 10h  Local: Hotel Transamérica – Boa Viagem
Acesso: Gratuito

MOSTRAS ESPELHO BRASILEIRO
Hora: 15:30 h  Local: Cine São Luiz  
Acesso: Gratuito
Apresentação: Hernani Heffner
Exposição: Paulo Henrique Silva

Bete Balanço (BR), Ficção, Direção: Lael Rodrigues 78’

MOSTRAS DE FILMES DO CINE PE 2017
Hora: 19:30 h  Local: Cine São Luiz  
Acesso: Ingresso – Preço Único Meia Entrada R$ 5,00 

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS PERNAMBUCANOS 
(MOSTRA PE)
Autofagia (PE), Ficção, Direção: Felipe Soares 11’

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS NACIONAIS
(MOSTRA CURTA BRASIL)
Quando os dias eram eternos (SP), Animação, Direção: Marcus Vinícius Vasconcelos, 13’
O Tronco (SP), Ficção, Direção: Leonardo Rocha e Luna Grimberg, 21’

INTERVALO

HOMENAGEM – CÁSSIA KISS MAGRO

MOSTRA COMPETITIVA DE  LONGAS-METRAGENS
Toro (SP), Ficção, Direção: Edu Felistoque, 83’

EXIBIÇÃO DE FILME HORS CONCURS
O Caso Dionísio Diaz (RJ), Documentário, Direção: Chico Amorim e Fabiana Karla, 54’

DIA – 28 DE MAIO / DOMINGO

ENTREVISTAS COLETIVAS DOS LONGAS-METRAGENS EXIBIDOS NO DIA 27 DE MAIO
Hora: 10h  Local: Hotel Transamérica – Boa Viagem
Acesso: Gratuito

MOSTRAS ESPELHO BRASILEIRO
Hora: 15:30 h  Local: Cine São Luiz  
Acesso: Gratuito
Apresentação: Hernani Heffner
Exposição: Prof. Dr. Alexandre Figueirôa
Com licença eu vou à luta (BR), Ficção, Direção: Lui Farias, 85’

MOSTRAS DE FILMES DO CINE PE 2017
Hora: 19:30 h  Local: Cine São Luiz  
Acesso: Ingresso – Preço Único Meia Entrada R$ 5,00

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS PERNAMBUCANOS 
(MOSTRA PE)
Entre Andares (PE), Documentário, Direção: Aline van der Linden e Marina Moura Maciel
,15’
Marina e o passarinho perdido (PE), Animação, Direção: Marcos França, 4’

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS NACIONAIS
(MOSTRA CURTA BRASIL)
Cartas (RJ), Animação, Direção: David Mussel, 4’
Retratos da Alma (DF), Documentário, Direção: Leo Bello, 20’

INTERVALO

MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS-METRAGENS
O Silêncio da noite é que tem sido testemunha das minhas amarguras (PE), Documentário, Direção: Petrônio Lorena, 78’

DIA – 29 DE MAIO / SEGUNDA-FEIRA

ENTREVISTAS COLETIVAS DOS LONGAS-METRAGENS EXIBIDOS NO DIA 28 DE MAIO
Hora: 10h  Local: Hotel Transamérica – Boa Viagem
Acesso: Gratuito

SOLENIDADE DE ENCERRAMENTO 
Hora: 19:30 h  Local: Cine São Luiz  
Acesso: Ingresso – Preço Único Meia Entrada R$ 5,00

EXIBIÇÃO DE FILME HORS CONCURS
Duas Mulheres (PE), Ficção, Direção: Marcelo Brennand,15’
Atum, Farofa & Spaghetti (SP), Documentário, Direção: Riccardo P. Rossi,
98’

INTERVALO

PREMIAÇÃO

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

CINEMA: Match - Um curta-metragem que expõe as relações em tempo de redes sociais

Um curta que deu muito o que falar em 2016 em alguns festivais foi Match, de Diana Chao, que tem como protagonista o ator Domingos Antonio (nossa capa em 2013), e fala das relações em época de redes sociais. A MENSCH conversou com eles para entrar no clima de Match e entender um pouco mais das relações em tempo de redes sociais.  

Quando e como surgiu a ideia para o curta Match? Domingos Antonio - Passei boa parte do ano passado em Los Angeles e durante a minha estadia pude vivenciar, in loco, a experiência de se morar numa cidade impulsionada por uma indústria, por definição, extremamente egocêntrica. É perceptível que os losangelenos possuem algumas bolhas particulares. Suas casas e mais proeminentemente seus carros, imprescindíveis numa cidade gigantesca como Los Angeles. Essas bolhas são uma infeliz realidade de qualquer grande metrópole, porém por lá a solidão que essas bolhas suscitam é curiosamente maquiada pelo céu sempre azul e por sorrisos perfeitos (e vazios).

Por onde quer que se ande o resultado palpável disso é uma enorme dificuldade de se construir conexões humanas autenticas e significativas o que em mim criou uma frustração angustiante à medida que precisei recorrer a aplicativos de relacionamento como o Tinder com muito mais frequência a fim de conhecer novas pessoas e paquerar, entretanto em uma cidade em que a desconexão humana é uma norma a distância entre pessoas fica ainda mais acentuada quando existe uma tela de celular entre elas. Foi dessas frustrações e percepções de quão desconectado eu estava com minha própria humanidade e com as pessoas ao meu redor que surgiu Match. 

As relações mais frias e digitais são uma rica fonte de inspiração para histórias hoje em dia? Domingos Antonio - Sinto que vivemos na era do sou visto logo existo e uma premissa como essa é certamente extremamente rica para um mergulho na alma humana. Nossos egocentrismo e narcisismo são imutáveis, fazem parte de nós desde sempre, porém eles se adaptam às novas ferramentas e adquirem novas formas. Séries como Mr. Robot e a espetacular Black Mirror são cirúrgicas ao capturar o inconsciente coletivo da nossa geração e por isso são, até certo ponto, apavorantes. Nós, contadores de histórias, erguemos o espelho no qual a humanidade é refletida e o que vemos no espelho nesse momento é essa fria distancia que nos separa.


Diana Chao - As relações digitais acabaram se tornando parte do storytelling contemporâneo. As pessoas dependem muito de aplicativos como Whatsapp e Facebook Messenger nas suas vidas corriqueiras assim como para conhecer pessoas através aplicativos de relacionamento como Tinder e OkCupid também mas todos esses aplicativos não deixam de ser apenas meios de comunicação e não a história em si. As histórias que vemos hoje em dia são apenas um reflexo da forma como as pessoas usam e interagem com a tecnologia porém no núcleo de qualquer temática sempre estará a condição humana.

O curta está rodando o mundo e recentemente participou do Los Angeles Brazilian Film Festival e do Port Shorts International Film Festival em Port Douglas (Australia). Como é para vocês ver essa trajetória do trabalho? Domingos Antonio - Estamos todos encantados com a maneira que o filme vem sendo recebido nos festivais em que participou até agora. Match foi completamente finalizado há pouco mais de quatro meses atrás e enviado para a consideração de, relativamente, poucos festivais até agora porém já conseguimos fazer parte da seleção oficial de dois excelentes festivais. Esses são bons indicadores de que a carreira internacional e nacional do curta em 2017 pode ser promissora.

Diana Chao - É muito bom estarmos fazendo parte desses bons festivais e é muito bom ver que o filme está girando o mundo todo.  

Qual a maior dificuldade de se produzir um curta? E como o público recebe isso? Diana Chao - A maior dificuldade é fazer o filme dentro de um tempo e orçamento limitados mas o público não precisa saber dessas dificuldades para poder apreciar a obra. O filme apenas precisa ser forte o suficiente para valer a pena ser assistido. Todas essas dificuldades é algo que nós cineastas mantemos somente para nós mesmos ou preferencialmente algo que o público venha a descobrir somente depois da exibição. Quando o público assiste e aprecia o filme de certa forma ele aprecia também as dificuldades em sua feitura. Não existe isso de cinema fácil.  Cinema sempre envolverá dificuldades. Filmes bons ou ruins custam tempo, dinheiro e muito esforço. No final das contas o produto na tela é que deve ser aquilo a passar pelo critério do público.



No final de Match ficou um gostinho de quero mais. Podemos esperar uma sequência? Ou outros seguindo essa linha das relações na era digital? Domingos Antonio - A intenção era de fato suscitar essa curiosidade em quem assiste o curta. A maioria dos feedbacks que estamos recebendo das pessoas que já assistiram Match sempre aponta na direção de que a história pós curta dos personagens precisa continuar. Eu, particularmente, tenho inúmeras ideias para desenvolver essa temática de Match num roteiro de longa-metragem. Amigos roteiristas e cineastas tanto aqui no Brasil como nos Estados Unidos que já assistiram o curta vem sempre jogando novas ideias para o roteiro de um eventual longa, entretanto, no momento, eu ainda prefiro esperar para saber como será a recepção em outros festivais. De qualquer forma essa é uma temática a qual conheço bastante que me fascina e me deixa com medo o que é perfeito para a criação de uma nova história.

Assista o trailer:

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

TEATRO: No incrível mundo de Wolf Maya


Ator consagrado e diretor renomado, Wolf Maya construiu uma carreira invejada e que serve de referência para muitos profissionais da dramaturgia. Seja por seu talento, seja pelo seu profissionalismo, Wolf virou uma marca que todo ator iniciante quer ter em sua carreira e todo ator consagrado que ter por perto. Wolf respira arte, dramaturgia e cultura. Não é à toa que já lançou teatro, dirigiu inúmeras novelas, já atuou e ainda tenta repassar todo esse conhecimento para os alunos de sua escola. Atualmente Wolf está com uma peça dirigida por ele que traz como protagonista a amiga e grande atriz Nathalia Timberg. Entre um intervalo e outro da peça (e suas outras inúmeras tarefas), a MENSCH conversou um pouco com ele para entender um pouco de como tudo funciona no seu ritmo acelerado.

Wolf, depois de dois anos finalmente agora em janeiro tivemos a inauguração do teatro Nathalia Timberg. A triz deu alguns depoimento expressando sua alegria e satisfação com tudo isso. E para você, o que esse teatro representa? Está realizado? E por que Nathalia Timberg? O que ela significa para você? Estamos muito felizes com a criação do Teatro Nathalia Timberg. Nathalia e eu somos amigos e parceiros de longa data e sempre tivemos esse sonho. Criar um teatro com todos os recursos como esse, nos dias de hoje, é uma atitude heroica. Mas estamos recompensados com os aplausos que recebemos todas as noites do público que se encanta com esse novo espaço que o Rio de Janeiro ganhou e que se emociona com a beleza do espetáculo “33 Variações”.


Como nasceu essa relação de amizade, profissão e admiração? Nossa amizade e admiração vem de muito tempo. Fomos sócios, somos compadres e grandes amigos. Praticamente estreei em teatro com a Nathalia (fazendo um filho em “Longa Jornada Noite adentro”) e continuamos trabalhando juntos em teatro e televisão por todos esses anos. É mais que natural que meu teatro tivesse seu nome, e sua presença na peça de estreia. Temos planos de encenar grandes textos nesse teatro que deve se tornar referência de espaço moderno e equipado com alta tecnologia, apto a receber qualquer montagem de teatro, música ou dança nos dias de hoje.

E para celebrar isso tudo uma peça dirigida por você e encenada por ela. Por que a escolha dessa peça para esse reencontro de vocês e abertura do teatro? “33 Variações” esteve em cartaz na Broadway em 2007/2008, estrelada por Jane Fonda e foi grande sucesso. É um belíssimo texto onde uma pesquisadora desenvolve seu estudo a procura de entender porque Beethoven dedicou seu talento a compor 33 brilhantes variações a partir de um tema banal composto por um músico insignificante. Beethoven criou uma obra prima a partir do nada. E tudo isso é vivido na peça por 8 atores, um coral de cantores e uma das maiores pianistas clássicas do Brasil, Clara Sverner. Não haveria espetáculo melhor para abrir o Teatro Nathalia Timberg.

Essa é a terceira vez que você dirige uma peça com Nathalia. Como é a relação de vocês dos ensaios até chegar na estreia? Que particularidades você guarda como diretor e que ela guarda como atriz? Somos cúmplices e apaixonados pela Arte. Somos incansáveis a procura do melhor para nosso público, nossa época. Isso sempre nos aproximou e hoje nos tornaria quase um só. Nos completamos em nossas diferenças e nos aproximamos em nosso amor pelo teatro.

Inaugurar um teatro é como colocar um filho no mundo? O que o teatro o traz? Nos dias de hoje, inaugurar um teatro - quando tantos estão se fechando, se transformando em algum tipo de igreja ou em auditórios descaracterizados - é uma atitude quase suicida. Se o Brasil já vai tão mal em tudo, imagina no Teatro com um foco mais artístico e menos comercial, com um grande número de atores em cena, cenários ricos e música erudita e de qualidade. Não é só colocar um filho no mundo, é criar uma família à serviço da arte.

Você sempre investindo na arte e cultura como abertura de teatro, escola de atores... Como você avalia a arte e a cultura no cenário nacional atual? Está mais fácil ou difícil que há tempos atrás? O Teatro Nathalia Timberg é meu terceiro teatro e o maior e mais qualificado de todos. Criei o Café Pequeno (150 lugares) no Leblon nos anos 90. O Teatro Nair Bello (250 lugares) no Shopping Frei Caneca em São Paulo no início de 2000 e agora o Nathalia Timberg (400 lugares) no Rio de Janeiro. Todos sempre atendendo às minhas escolas de atores em SP e RJ. Meus alunos estudam e se abrigam nos teatros desde o início de sua formação artística e isso os aprimora e estimula. Habitualmente, encenam peças em todos os espaços cênicos que criamos. Sem dúvida, nosso cenário político econômico atual dificulta a realização de um projeto artístico cultural como o nosso, mas somos resistentes e criativos e não desistiremos jamais.


Sempre vimos atores e diretores chamando as pessoas para irem ao teatro. O brasileiro não tinha (ou tem) costume de ir ao teatro. Mas ao mesmo tempo temos visto muitas peças com lotação esgotada. Isso do brasileiro não gostar de teatro e preferir cinema, por exemplo, está mudando? Ou ainda existe muita resistência? O brasileiro gosta de teatro e se não o frequenta mais é por falta de condições ou facilidades, jamais por desinteresse. Estamos abrindo um espaço novo, na Barra da Tijuca, um bairro sem muita tradição teatral e temos nos surpreendido com a frequência do público jovem que se encanta com a modernidade da peça e do mais idoso reencontrando um grande texto teatral, um grande elenco, a grande atriz Nathalia Timberg e o conforto de uma bela casa de espetáculos.

Falando em sua escola de teatro, como você avalia quem realmente tem talento? Existe um vestibular de acesso com três dias de avaliações aplicadas por quase dez professores de teatro, voz, corpo, cultura contemporânea, etc. São aproximadamente 400 a 500 inscritos para apenas 150 vagas e dessa forma avaliamos e estabelecemos quem já se mostra apto e decidido a estudar, quem já tem algum talento e vontade de aprimorar, e aqueles que procuram essa profissão por vaidade, carência ou falta do que fazer. Percebe-se facilmente quem pode e quer crescer e se profissionalizar e nos orgulha. Eles são os eleitos.

O que te dá mais tesão em fazer, atuar ou dirigir? Atuar é mágico, exaustivo, estimulante. O palco (ou o set) são espaços de fé, sem limites de emoção, de vida. Ao dirigir me desapego de mim, do ator, e se ele acontece é para ajudar a esclarecer o que eu quero e para quem eu dirijo. É contar uma história toda. Com todos os olhares que podem recair sobre ela. Em detalhes, em coral. Uma tradução particular do que o autor escreveu. Eu adoro dirigir. Agora um novo espaço é escrever. Roteiros, cenas, histórias... o que me vier a cabeça. Não sei como vou realizar tudo isso que me estimula ainda sendo dono de dois teatros e duas escolas e estando à frente de tudo.

Algum conselho para quem pretende se inscrever em uma escola de atores e pretende viver disso? Pense bem se é isso que você quer; Procure as melhores parcerias (escolas/grupos) e troque sempre com todos. Viva para valer essa sua vontade; Controle a vaidade e o retorno do aplauso fácil; Resista às dificuldades e decepções porque elas virão; Não desista nunca, se é isso mesmo o que você quer.



AGRADECIMENTOS
Drica Donato (produção executiva) / Igor Marinho (assistente) 

terça-feira, 28 de junho de 2016

ARTE: Tate Modern - Um dos museus mais importantes do mundo ainda melhor

O famoso museu Tate Modern, em Londres, demorou nove anos para finalizar seu anexo que custou £ 260 milhões, inaugurado semana passada. Conectado à margem norte do Rio Tâmisa através da elegante Millenium Bridge, que dá diretamente para a Catedral de St. Após uma grande reforma na antiga estação de energia de Bankside, os arquitetos suíços Jacques Herzog e Pierre de Meuron deram ares novos a uma área até então relativamente abandonada da cidade. Com o Switch House, nome do novo prédio, a galeria dobrou de tamanho, e tem gerado polêmica por ter alterado o skyline da cidade, dividindo opiniões. Dentro do museu, uma fantástica coleção de arte moderna e contemporânea, com obras de artistas como Dalí, Picasso e Andy Warhol, além de exibições temporárias. Assista a construção do novo prédio nesse vídeo de 1 minuto e fique encantado com o projeto.




Assita o vídeo:

quinta-feira, 23 de junho de 2016

MENSCH INDICA: O que ler, ver e ouvir nas próximas semanas

Com a proximidade das férias de julho, as gravadoras, editoras e distribuidoras começam a fazer seus lançamentos. Junho encerra com muitas novidades com novos e velho cantores na área musical, como os veteranos David Bowie e a mutante Rita Lee. A leitura com diversão garantida fica por conta de Xico Sá e no cinema dois caras muito legais e lançamentos nacionais esquentam a telona. Pelo jeito teremos um início de mês bem animado e recheado de novidades (ou nem tanto) para ler, ver e ouvir. Confira nossas dicas e bom final de semana!


VER: DOIS CARAS LEGAISAmbientada na fervilhante Los Angeles dos anos 1970, essa comédia policial, que estreia dia 2 junho, “Dois Caras Legais” (The Nice Guys), traz a dupla Russel Crowe (Noé) e Ryan Gosling (A Grande Aposta) no elenco, sob direção de Shane Black (Homem de Ferro 3). A trama começa quando Amelia (Margaret Qualley), filha de uma funcionária do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (Kim Basinger) é sequestrada. Ela então decide contratar Jackson Healy (Russell Crowe), detetive particular violento e ex-alcoólatra, para investigar o caso. Após ver que o trabalho é mais complicado do que o esperado, decide contar com a ajuda do medroso e atrapalhado detetive particular Holland March (Ryan Gosling). Ambos descobrem que o caso de Amelia e a morte de uma estrela pornô estão, de alguma maneira, relacionados. Eles então se deparam com uma conspiração chocante que atinge até os mais altos círculos do poder. Só pelo elenco e a volta de Kim Basinger às telonas já vale uma conferida no filme que promete muita ação e diversão. 

 Veja trailer:



LER: OS MACHÕES DANÇARAM 
(Crônicas de Amor & Sexo)

Por Erika Valença

Às vezes tenho a impressão que Xico Sá é de mentira. Juro. Ele é uma enciclopédia ambulante, cheia de tiradas geniais e humor apurado, quando o assunto é relacionamento. Mas sim, ele existe.  Devoto inveterado das mulheres, tece em seus textos, a realidade nua e crua da vida cotidiana. A prova viva disso tudo está nas livrarias, na sua mais recente publicação: “Os Machões Dançaram - Crônicas de Amor e Sexo em Tempos de Homens Vacilões”. A obra, além de ser um verdadeiro almanaque comportamental, apresenta de uma galeria de personagens criados e que ilustram as grandes transformações do homem. Logo de cara, na primeira parte denominada "Tipinhos de homem", Xico abre a leitura com um alerta para a mulherada, mostrando uma relação dos mais perigosos machos, como por exemplo, o Macunaemo (homem que tem a preguiça do Macunaíma e o mimimi de um roqueiro emo). No segundo momento - "Os quereres e malquereres das mulheres" -, é chagada da compreensão dos sentimentos. No terceiro capítulo - "Quando um homem ama uma mulher"-, é o momento em que, 'só um pé na bunda salva'. Na quarta, e última parte, - Estou num relacionamento "fala sério" - é a hora de falar e desvendar relacionamentos na era digital, de aplicativos, de redes sociais, enfim, de internet. Com esse livro, Xico fecha a trilogia de crônicas que revelam as mudanças de comportamento nas relações entre homens e mulheres do final do século XX até hoje. Anteriormente, ele publicou “Modos de Macho & Modinhas de Fêmea” (2003) e “Chabadabadá – Aventuras e Desventuras do Macho Perdido e da Fêmea Que Se Acha” (2010).


OUVIR: 
David Bowie – BlackStarO último álbum de estúdio de David Bowie produzido por Tony Visconti e o único que não estampa o rosto do artista é uma obra densa, complexa e ao mesmo tempo um presente de despedida para o seus fãs. Bowie é muito mais que um ícone que influenciou praticamente todo o mundo da indústria fonográfica. “Blackstar” traz um tom melancólico, mórbido e até mesmo bíblico como em “Lazarus”. Menções a morte e a sua doença são citados delicadamente sob versos lúdicos e referenciados em quase todas as músicas. Mesmo sendo um CD para poucos, uma estrela do nível de Bowie não poderia se despedir de forma mais integra deste planeta rumo ao espaço o qual ele tanto cultuou. Ouça clicando aqui

Jaloo - #1O primeiro álbum do paraense Jaloo saiu final do ano passado e é uma das coisas mais saborosas que o pop nacional ouviu em décadas. Com seu look cyber-indígena, Jaloo consegue transportar a sonoridade da sua música para os seus videoclipes e impregnar de imagens a sua música com letras leves e ao mesmo tempo serias, cotidianas e cheias de simbologia. Elogiado na gringa por artistas do naipe de Grimes, Jaloo faz um som moderno, fresco e leve, todo plastificado por uma camada de densidade e referencias que o artista carrega na sua bagagem que vai de Grace Jones a Bjork, passando por Fka Twigs até Secos e molhados. Ouça clicando aqui.

Rihanna – Anti O oitavo álbum de estúdio da cantora “Anti” saiu de graça no site Tidal. Bem diferente dos seus anteriores, “Anti” parece o álbum conceitual da artista e não veio recheado de hits pops com potencial de remixes e videoclipes como os seus fãs esperavam. O carro-chefe do álbum, é o reboladíssimo single "Work", com participação do rapper Drake, que já tem um videoclipe tão picante que foi inclusive censurado no próprio canal do Youtube da artista. Cantora. A capa do disco tem imagens do artista Roy Nachum, e o encarte uma poesia de Chloe Mitchell escrita em braile. Resta esperar que os singles e seus remixes tragam a energia pop de Rihanna de volta. Ouça clicando aqui

JUNKEBOX
Rita Lee – Box 21 Cd´s

Seja fã ou não de Rita Lee, essa caixa com todos os 20 álbuns da Maior Rockeira Brasileira (que na verdade é gringa) remasterizados digitalmente e com todo o material gráfico detalhadamente refeito, é um objeto não apenas de desejo, mais uma aula antropológica sobre o rock e o pop nacional. A caixa ainda acompanha um CD bônus com músicas que não fizeram parte de nenhum álbum de sua carreira como temas de novela, músicas para comerciais e filmes.