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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

FOTOGRAFIA: Helmut Newton- o mais influente e polêmico fotógrafo do século XX

No Dia Mundial da Fotografia, vamos falar de um dos maiores mestres da fotografia. Alguns artistas conseguem se consagrar pela sua arte e se tornam um ícone, uma referência. É o caso do famoso fotógrafo alemão Helmut Newton. Nascido em Berlim em 1920, naturalizou-se australiano e ganhou fama com seu estudo com belas fotos de nu feminino. Filho de uma americana com uma judeu-alemão, logo aos 12 anos comprou sua primeira câmera e trabalho com a fotógrafa alemã Yva Else Neulander em 1936. Dois anos depois fugiu da Alemanha para escapar da perseguição nazista aos judeus, mudando-se para o Chile. Posteriormente mudando novamente, dessa vez para a China, onde passou um tempo trabalhando para um jornal em Singapura.

Até que a guarda britânica o prendeu e o enviou para a Austrália. Sempre interessado em fotografia, Helmut Newton terminou trabalhando no exército australiano durante a Segunda Guerra Mundial. Após esse período de guerras, abriu seu estúdio fotográfico em 1946 e começou a trabalhar com moda. A exibição de "New Visions in Photography", realizada no Hotel Federal em Collins Street, foi provavelmente o primeiro vislumbre da "nova objetividade fotográfica" na Austrália. E foi o início de grandes parcerias até quando deixou a Austrália rumo a Londres, em 1957, onde abriu um novo estúdio, juntamente com seu parceiro judeu-alemão Henry Talbot, batizado de "Helmut Newton e Henry Talbot".




Em Londres se consagrou definitivamente como grande fotógrafo de moda, o que lhe rendeu um editorial de moda para a Vogue Australiana e assinou um contrato de 12 meses com a edição britânica da conceituada revista. Ao fim do contrato, foi para Paris onde trabalhou na revista Vogue francesa e alemã, onde permaneceu até 1961. Newton cada vez mais solicitado, começou a fotografar também para a revista Harper´s Bazzar.

Com um estilo próprio e marcante, onde suas fotos tem uma marca forte no erotismo com doses de fetichismo e sado-masoquismo. Porém nunca sem perder a classe. Suas fotos são sofisticadas, retrata muito a burguesia aristocrata onde belas e ricas mulheres se liberam em suas fantasias sexuais mais loucas. Em geral as fotos são em p&b e tem todo o clima noir do cinema europeu. Diferente de fotógrafos como Herb Ritts, onde suas fotos traduzem uma simplicidade na produção, se dedicando ao corpo plasticamente perfeito e nu, as fotos de Helmut Newton são ricas em detalhes de produção e requinte. Tudo é muito rico e traz uma atitude, muitas vezes insinuante.


Com a fama de mestre da fotografia erótica-chic, Newton fotografou grandes celebridades como Catherine Deneuve, Madonna, Cindy Crawford, Charlotte Rampling e Elizabeth Taylor. Suas fotos ganharam o mundo e estamparam as capas e editoriais de moda nas principais revista do mundo e lançou vários livros de fotografias.
Nos anos 80, Newton pode expor mais seu tom erótico e disparou suas lentes sobre o tema lançando uma série de fotos intitulada de Big Nudes, série que marcou o auge de seu estilo erótico-urbano, sustentado com excelentes habilidades técnicas. Período em que também trabalhou em retratos e criações fantásticas. Foi nessa mesma fase que Newton fez alguns dos trabalhos mais marcantes na revista Playboy. Como o ensaio com a atriz Nastassia Kinski em 1983, que teve algumas fotos vendidas em leilões pela Bonhams, em 2002, por US$ 21.075 e pela Christies, em dezembro de 2003 por US$ 26.290.

Helmut Newton passou os últimos dias de sua vida entre Monte Carlo e Los Angeles, morreu em 2004 num acidente de automóvel na Califórnia. Foi cremado e suas cinzas estão num cemitério em Berlim. Mas o mestre da fotografia continua vivo, pois inspirou e inspira diversos fotógrafos no mundo inteiro. Sua carreira e obras estão disponíveis no site oficial.


Assista esse documentário sobre a exposição "SUMO", livro que foi lançado para comemorar os 79 anos de Newton, que aconteceu em Paris: 




RECONHECIMENTO - A princesa Carolina do Mônaco lhe presenteou, em nome do seu principado, com a “Chevalier des Arts, Lettres et Sciences”. 1996 foi a vez do Ministério da Cultura Francês lhe atribuir o “Commandeur de l’Ordre des Arts et des Lettres”. Uma carreira cheia de sucessos e de fama.


quarta-feira, 23 de julho de 2014

PERFIL: O grande mestre Ariano Suassuna

Pernambucano da Paraíba, Ariano Suassuna é um dos grandes escritores e dramaturgos brasileiros tendo várias de suas obras levadas para o teatro, TV e cinema. Homenageado pelo Galo da Madrugada esse ano, Ariano e suas histórias são cheias da riqueza do sertão, misturando realidade e fantasia de um jeito único com personagens inesquecíveis como os eternos João Grilo e Chicó do Auto da Compadecida.

DA PARAÍBA A PERNAMBUCO

Era 16 de junho de 1927, em João Pessoa. Nascia naquele dia Ariano Suassuna, um dos grandes escritores, poeta e dramaturgo brasileiro. Filho de político, mudou-se para o sertão quando o pai deixou o governo. Ariano era então apresentado ao mundo que seria contado em suas histórias. Por questões políticas o pai foi assassinado durante a Revolução de 1930 e a família se mudou para Taperoá. Foi lá que Ariano começou os seus estudos e conheceu o teatro de mamulengos e os desafios de viola.

Todo esse universo da improvisação, da falta de luxo, mas com abundância de criatividade e improvisação foi servindo de inspiração e moldando as características literárias e dramatúrgicas de Ariano. Em 1942 Recife recebe Ariano. O escritor fez faculdade de Direito e foi lá que conheceu Hermilo Borba Filho com quem fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco. Em 1947 escreveu sua primeira peça Uma Mulher Vestida de Sol e a partir daí não tinha mais volta, Ariano era o homem das letras, das histórias que percorreriam o mundo.

Chegou a formar-se em Direito e a atuar na área, contudo a veia de escritor falou mais alto e depois de viver um tempo entre as duas carreiras, a advocacia foi deixada. Por conta de problemas de saúde chegou a voltar a Taperóa, onde inclusive escreveu e montou a peça Torturas de um Coração em 1951. De volta ao Recife no ano seguinte deu prosseguimento a carreira literária. Junto com Hermilo Borba Filho fundou o Teatro Popular do Nordeste e montou várias peças. Chegou a lecionar a disciplina de Estética na UFPE e em 1970 deu início ao Movimento Armorial.

O MOVIMENTO ARMORIAL

O Movimento Armorial nasce com o objetivo de valorizar a cultura popular nordestina com a pretensão da realização de uma arte erudita a partir de raízes populares. Junto com um grupo de artistas e escritores e o apoio do Departamento de Extensão Cultural da Pró-Reitoria para Assuntos Comunitários da Universidade Federal de Pernambuco, Ariano Suassuna inspirou e dirigiu o movimento que foi oficialmente lançado em 18 de outubro de 1970.

Segundo o movimento a cultura brasileira de raiz, a genuína seria resultado dos processos imigratórios sofridos pelo nosso país desde sua colonização, misturando a cultura indígena já existente, dos portugueses e demais povos que aqui chegaram e se instalaram. Dessa forma a Arte Armorial assume uma formação técnica europeia (erudita) com base na tradição nacional. A grande marca desta corrente é a sintetização de elementos e figura culturais nordestinas com as obras clássicas da literatura universal, o que é um traço marcante na obra de Ariano. O Movimento é também uma resposta ao considerado domínio massivo da cultura dos Estados Unidos.

O Movimento Armorial engloba diversas expressões artísticas, como música, poesia, teatro, dança, pintura, xilogravura, escultura, cinema, tapeçaria, arquitetura e tantas outras existentes. Quanto ao nome do movimento ser Armorial, a explicação de Suassuna é que ele idealizou um sertão quase que medieval comparando os cangaceiros aos cavaleiros e os reis com os donos de fazenda. E como armorial é o nome que se dá ao livro de brasões e bandeiras de família, muito comum aos tempos medievais, Ariano achou que poderia transformar o substantivo em adjetivo para caracterizar a proposta cultural. Fazem parte do Movimento Armorial além do próprio Ariano Suassuna, Francisco Brennand, Raimundo Carrero, Gilvan Samico, entre outros, além de grupos como o Balé Armorial do Nordeste, a Orquestra Armorial de Câmara, a Orquestra Romançal e o Quinteto Armorial.

O POLÊMICO ARIANO

Além de talentoso, Ariano Suassuna também é polêmico. Defende duas ideias e tem respostas rápidas e diretas para quem fizer perguntas. As pelejas, como se diz no nordeste, são algumas e com alguns, mas a cultura americana é sem dúvida seu maior desafeto.

O movimento Mangue Beat, por exemplo, liderado pelo cantor e compositor (já falecido) Chico Science sofreu duras críticas de Ariano, justamente porque havia influência de sonoridades americanas como o punk, hip hop e funk. O que eles tinham em comum era a valorização da cultura local tanto que apesar das “desavenças de ideias” Ariano reconheceu que os jovens passaram a conhecer e valorizar mais o Maracatu a partir do Mangue Beat.

O chamado forró estilizado também recebeu críticas de Ariano, principalmente pelo palavreado utilizado e pela vulgarização da mulher.  Para ele as letras da músicas estimulam a violência e as relações banais. As críticas foram duras, alguns apoiaram outros não, mas assim é Ariano, ele não se poupa de opinar, mesmo que entre em discordância. A paixão pelo clube é declarada aos quatro ventos.

ÂNIMO E ESPERANÇA

Muito além de críticas e polêmicas, Ariano é um homem que acredita que as coisas e as pessoas podem mudar, tanto que suas histórias acontecem em um sertão de encantamento, com humor e doses de leveza não somente as coisas duras da seca e da pobreza. Em uma das tantas entrevistas que já deu Ariano disse “Ah, sou um encantado com a vida! Vou lhe dizer uma coisa, se antes de nascer tivessem me consultado, mesmo que tivesse a consciência que tenho hoje de como a vida pode ser dura, ainda preferiria viver cem vezes porque tenho essa paixão pela vida.”

Isso vem muito da educação de Ariano. Mesmo o pai tendo sido assassinado, a mãe, não cultivou nos filhos nenhum sentimento de vingança (tão comum no sertão) pelo contrário. Ariano já a descreveu como sendo uma mulher corajosa, mas também terna e meiga.

HOMENAGENS

Entre tantas homenagens, Ariano foi o tema do Galo da Madrugada este ano e esteve presente no Camarote oficial do bloco. Feliz com a homenagem e de ver a estética Armorial presente nos carros alegóricos e nas fantasias Ariano posou para fotos, conversou com alguns foliões e se mostrou bem recuperado do infarto que sofreu no ano passado, um susto que segundo ele, lhe mostrou ausência do medo da morte.





terça-feira, 1 de maio de 2012

HOMENAGEM: Ayrton Senna do Brasil e de todos nós‏



Ayrton Senna nasceu em São Paulo, e desde criança foi fascinado por carros. Ganhou seu primeiro kart, feito pelo seu próprio pai, o empresário Milton, com motor de cortar grama, aos 4 anos de idade. Sua habilidade com automóveis foi ganhando proporções maiores e aos 13 anos já competia pela primeira vez. Em 1977 ganhou o segundo lugar numa competição de kart, o que só fez dar o início à sua coleção de títulos nos anos seguintes. Em 1981 competiu na Europa, ganhando seu primeiro grande título no campeonato inglês de Fórmula Ford 1600. Em 1982, foi campeão europeu e britânico de Fórmula Ford 2000, pela equipe de Dennis Rushen. Nessa época adotou o nome de solteira da mãe, Senna, pois Silva é um nome bastante comum no Brasil.

Ao longo das competições Senna foi mostrando que não era apenas mais um cara bom de direção nas pistas de competição, ele era O Cara!  Ele foi o piloto brasileiro de Fórmula 1 três vezes campeão mundial nos anos de 1988, 1990 e 1991. Mas acima de tudo, Senna foi o campeão na preferência nacional. Seu carisma e simplicidade conquistaram milhões de brasileiros e fãs ao redor do mundo. E assim transformou as transmissões de Fórmula 1 em verdadeiros espetáculos.

 Sempre discreto e atencioso Senna mostrou que era apenas um cara comum levando sua emoção para as pistas de corrida e os lares de milhões de telespectadores que o tinham como ídolo e símbolo máximo do ideal do cara que chegou lá. Senna representava todas as classes. Senna agradava do patrão ao peão. E foi no meio dessa adoração toda que o mundo ficou perplexo diante da TV ao vê-lo sofrer o grave acidente que encerrou sua carreira e silenciou uma multidão.
 

Em 1 de maio de 1994 em Ímola, o sonho do brasileiro Senna se encerrava levando junto a alegria de seus fãs. Por mais injusto que possa parecer, a Fórmula 1 nunca mais teve a emoção e a empolgação da sua época. O ronco dos motores e o tremular da bandeira quadriculada perderam a força. Em seu lugar apenas o passar do vento e o olhar perdido no horizonte na lembrança daqueles tempos de emoção.

Talvez seja essa a razão que tenha levado a Ayrton Senna ser um cara tão especial, a emoção que ele carregava. Talvez Senna nem tenha tido a real noção da emoção que ele levava consigo ao arrancar com seu carro nas competições. Ou talvez fosse essa troca de energia entre ele e o telespectador, o fã, o torcedor, que o impulsionasse a ir sempre mais longe.

Hoje faz exatos 18 anos que o ídolo de todos se foi. Mas parece que foi ontem. Senna continua vivo. Vivo aqui na minha emoção, na sua lembrança e no tremular de cada bandeirada na reta final da Formula 1 ao longo desses 18 anos. Transformando Senna eterno para todos seus fãs

Ao mestre Senna com carinho.


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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

HOMENAGEM MENSCH: STEVE JOBS - Por que o mundo lamenta a perda de Steve Jobs?

Steve Jobs nasceu em San Francisco e foi dado para adoção afim de que pudesse ter uma vida melhor. Aos 17 anos entrou na universidade Reed College em Portland, Oregon e, depois de 6 meses, deixou a Faculdade por conta do elevado preço da mensalidade. Até aí nada muito diferente da vida de milhões de pessoas em todo o mundo.

Então o que o tornou tão especial?


Deixar a faculdade não implicou deixar os estudos, os sonhos e buscar fazer as coisas do jeito que ele acreditasse que deveriam ser. Foi em Palo Alto, cidade para onde se mudou aos 5 anos, que Jobs conheceu seu amigo e futuro sócio Steve Wozniak. Juntos eles criariam, em 1975, o primeiro computador da companhia, o Apple I, produzido na garagem dos pais de Steve Jobs. Estavam sendo dados os passos para o império que conhecemos hoje.

Antes da sua primeira invenção Jobs havia feito um curso de caligrafia, que segundo dizem, foi a chave inspiradora para a criação de computadores com interfaces gráficas. Após este curso Jobs viveu um ano na Índia e talvez venha daí toda a sua espiritualidade e humanidade.

Quem sabe essa humanidade mais a incrível habilidade de lidar e criar máquinas seja a justificativa para tamanha genialidade. Por que o mundo lamenta a morte de Jobs? Porque ele foi capaz de mudar a forma como lidamos com a tecnologia, de como nos comunicamos, porque ele foi capaz de entre tantas outras coisas, proferir um discurso como esse:



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