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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

CAPA: Os novos desafios de Marcello Novaes dentro e fora da TV

Ele já foi Raí e Max, dois personagens inesquecíveis da teledramaturgia brasileira. É pai de dois adolescentes a quem se refere com muito amor, admiração e respeito. E não para por aí! Marcello Novaes mostra seu talento a cada novo trabalho e como um vinho está cada vez melhor, fruto de uma vida com prática de esportes, boa alimentação e, sobretudo boa relação com as pessoas, sejam amigos, ex-mulheres e colegas de trabalho. Conheça um pouco mais dessa cara alto astral e cheio de coisas pra contar.

Desde pequeno você já se apresentava pra família, ser ator sempre foi sua vontade ou até chegar a seu primeiro papel outras profissões despertaram seu interesse? Comecei a fazer teatro bem jovem porque era muito tímido e muito introspectivo. Do teatro as coisas foram acontecendo e hoje já são 27 anos de profissão. Se eu não fosse ator com certeza seria engenheiro civil ou marceneiro. Tenho uma oficina em casa, desenho móveis como hobby, adoro trabalhos manuais, toco obras na minha casa e no meu sitio com muito prazer. Aliás, sou louco por uma ferramenta (risos).

Sua estreia na TV foi em 88 com a novela “Vale Tudo”, uma novela que marcou a história da televisão. Como você chegou até ela e como repercutiu para você? Como disse eu já fazia teatro. Dos palcos fiz testes para a TV e passei para minha primeira novela que foi Vale Tudo.

Ainda sobre “Vale Tudo”, que segundo o próprio autor, o Gilberto Braga, discutia se valia a pena ou não ser honesto no Brasil. Vale? Sempre vale a pena ser honesto. Acredito na lei do universo, o que se planta se colhe. É assim que educo meus filhos e foi assim que sempre levei minha vida. A honestidade é primordial.

Em 94 Raí e Babalu, personagens de “Quatro por Quatro”, conquistam os telespectadores e marca não só a sua carreira e a de Letícia Spiller, como leva o amor de vocês para fora da tela. Até onde fazer par romântico gera o “risco” de se apaixonar de verdade? Isso só aconteceu uma vez na minha vida em 27 anos de carreira. Na verdade, quando estamos em um trabalho, principalmente uma novela, trabalhamos de 9h às 21h, de segunda a sábado com as mesmas pessoas em uma rotina intensa. A gente acaba ficando mais tempo com a equipe do que em casa com a família. Acaba se tornando natural, se você está solteiro, que relações acabem acontecendo, não necessariamente entre pares românticos, mas entre pessoas da equipe. É muito tempo junto, dividindo as mesmas questões, se vendo o tempo inteiro. 

Em 2000 você estreou em “O Clone” como o segurança Xande, cuja namorada era uma dependente química. Viver de perto, mesmo que na ficção, a realidade dura da dependência química te trouxe algum tipo de reflexão, aprendizado? Com filhos adolescentes como lida com esse assunto? Lá em casa esse papo é, e sempre foi aberto. Tenho 2 filhos homens, falamos de drogas como falamos de qualquer outra questão. Não os crio com tabus, falo das minhas experiências, do que aprendi com a vida e com tudo que já vivenciei mesmo que através amigos. Busco mostrar a mais pura realidade e o preço que se paga por certas escolhas.


2012 Max surge como um grande vilão das telenovelas e carimba com maestria sua qualidade e versatilidade artística. Como foi a construção desse personagem e vivê-lo durante a novela? Vivi intensamente o Max durante 10 meses da minha vida, gravava o dia todo, tinha 20 cenas por dia, chegava em casa e a minha coach já estava me esperando para passar os textos do dia seguinte. Foi um processo intenso, mas valeu muito a pena profissionalmente. Trabalhei o Max psicologicamente para entendê-lo e depois procurei referências para não fazê-lo de forma clichê, eu não queria um malandro sem alma, eu quis fazê-lo humano acima de tudo. O figurino, o texto e a direção ajudavam muito a me transportar facilmente para o mundo dele.

Qual a sensação de ter sido “odiado” e ao mesmo tempo admirado pelo público por conta de Max, em Avenida Brasil? Esse realmente é um dos marcos da sua carreira? De fato sim, é um marco como foi o Raí. Costumo dizer que um ator recebe um personagem desses de presente de 10 em 10 anos no máximo. Fui sortudo. Eu quase não saia na época de Avenida Brasil. Quando chegava o domingo, meu único dia de folga, eu queria dormir, descansar, desconectar mesmo, então eu senti pouco essa resposta das ruas. Mas lembro-me de receber mais carinho e afago do que raiva nas ruas. Ele e a Carminha eram amados apesar das maldades.

Ainda sobre a carreira, você está estreando um novo trabalho na TV com a série de Glória Perez. O que podemos esperar desse novo trabalho? É a primeira série em 4k da rede globo, é quase como fazer cinema, o processo de produção e edição é demorado e minucioso. A série está ficando incrível, o enredo é muito bom, são poucos atores e uma história densa. Acho que o público vai curtir. Meu personagem é um investigador de polícia, que junto com a personagem da Luana Piovani desvenda os passos de um serial killer, vivido pelo Bruninho Gagliasso.

Você é basicamente um ator de TV. Isso te incomoda em algum momento? Foi escolha sua ou as oportunidades que foram surgindo que te levaram a isso? De forma alguma. Minha carreira foi toda baseada nas oportunidades que fui recebendo e nas minhas escolhas pessoais. Acabei de ganhar um prêmio no festival de Paulínia, por um longa que fiz ano passado, “Casa Grande”. Realizei 3 projetos no cinema, esse foi o maior deles e esse prêmio me deu a certeza que meu caminho está certo. Tenho buscado construir um escopo para meus trabalhos como ator. Um me ajuda no outro. É assim que eu sigo. Minha base, minha escola foi o teatro, devo meu método a ele, mas a minha experiência vem da TV e sou muito grato a ela.


E nos intervalos entre um trabalho e outro o que gosta de fazer como forma de lazer? Quando tenho um tempo livre corro para descansar no meu sitio em Teresópolis. Lá é meu refúgio, meu paraíso. Telefone e internet não pegam. Tenho horta, pomar, galinheiro, meus cachorros, uma cachoeira e uma cozinheira maravilhosa. Não preciso de mais nada além daquilo.

Aos 52 anos, você tem um físico de fazer inveja a muito adolescente por aí. Que estilo de vida leva para causar suspiros nas moças? (risos) Eu sempre gostei muito de praticar esportes. Sou faixa marrom de jiu-jitsu, jogo vôlei de praia, tênis, corro na areia e de vez em quando ainda me arrisco nas ondas. Tenho uma alimentação saudável, treino pelo menos 2 vezes na semana e não tenho tendência a engordar. Eu diria que minha forma física é um resultado de tudo isso junto.

A idade em algum momento incomodou? Sua relação com o espelho é tranquila? Nunca me incomodou, estou de bem com o espelho. Está tudo certo, graças a Deus.

Você sempre foi ligado a esportes como vôlei de praia e surf. O que o esporte te proporciona? Criei meus filhos no esporte e fui criado nele também. O esporte traz disciplina, foco, tranquilidade, competitividade. Além de fazer muito bem a saúde, é uma válvula de escape, e um lugar de igualdades, onde não tem cor nem classe social que o faz melhor e sim o talento para aquele esporte que o faz se destacar. Isso é incrível!

Com o surf, qual sua relação com o mar? Onde ele te leva? O surf já foi uma febre na minha vida quando adolescente, meu primeiro salário na vida veio de um trabalho de shaper de pranchas quando eu tinha 15 anos. Hoje ele é a febre dos meus filhos. O mar me acalma, me limpa, me deixa renovado. Dar um mergulho no mar cura qualquer angustia.

Diogo e Pedro. Como é sua relação com eles e o que eles representam na sua vida? São os verdadeiros amores da minha vida, eles moram comigo e são meus grandes amigos. A gente se respeita, se admira e se ama muito. Tenho uma imensa gratidão pelos filhos que tenho. Eles são uns caras muito especiais e muito do bem.

Dois casamentos, alguns namoros... Ainda deseja construir uma relação sólida até o fim da vida ou é do time que acha utópico “até que a morte os separe”? Eu acredito que tudo dura um tempo, esse tempo pode ser 60 dias, 6 meses ou 60 anos, não importa, tudo tem seu tempo para durar.  Eu acredito no amor e nas relações. Sempre fui de namorar muitos anos, me casei duas vezes, fiquei 8 anos com a mãe do Diogo e 4 anos com a Letícia, mãe do Pedro. Depois tive um relacionamento de 5 anos e agora estou namorando há 9 meses, depois de ficar quase 6 anos solteiro, sem engrenar nenhum relacionamento por mais de 3 meses. Acho que eu precisei desse tempo para mim, para me conhecer e me entender com um ser humano só. Foi bem importante.

Costuma pensar em um tipo ideal de companheira? Ou como diria Vinícius “a vida é a arte do encontro” e isso basta? Eu sei exatamente o que não quero em um relacionamento, o que não me atrai em uma mulher, mas um tipo ideal seria negligente da minha parte apontar. As mulheres de um modo geral são interessantíssimas, cada uma a sua forma, eu admiro o humor nas mulheres inteligentes e também acredito no amor quando não o estamos procurando. 

O que inveja nas mulheres e onde elas deveriam aprender com os homens? Invejo a capacidade de pensar e fazer várias coisas ao mesmo tempo que elas têm. Isso é insano de ver. Também invejo a ideia de gerar uma vida dentro de si. Deve ser algo realmente magico.

Felicidade é um conceito vago e muito pessoal, mas existem padrões de felicidade que muita gente acaba buscando sem pensar no que está fazendo e no final vive uma eterna frustração. Vivemos uma ditadura do “ser feliz a qualquer custo”, do “vencer na vida”? Vivemos buscando preencher as tais “caixinhas” da vida e deixá-las sempre alimentadas. A caixinha da família, a do amor, a do trabalho, a da saúde. Quando uma delas está vazia ou remexida, a gente automaticamente se desordena. Busco o tempo todo deixar de pensar dessa forma e aceitar o meu dia, como ele se apresenta para mim e vive-lo da forma mais bacana possível, senão eu piro.

As mídias sociais e a exposição de si mesmo, muitas vezes cria mundo de mentira e gente de mentira. O que pensa sobre isso, ainda mais como ator que muitas vezes vive uma exposição involuntária? Não tenho redes sociais, não uso nenhuma, isso não me pegou. 

Ao educar seus filhos, que valores você preza e que ensinamentos considera fundamentais? Busco mostrar para eles o poder da humildade, do foco, da generosidade, da paciência e da autoestima na vida da gente. Tenho uma relação maravilhosa de amizade com as mães deles, ensino que ainda as amo, mas de outra maneira e isso os deixa seguros. Eles presenciam respeito em casa, entre os pais. Isso é essencial.

Passadas as eleições, como você vê no nosso país? Não costumo me colocar ou tomar partido politicamente porque acho que sendo uma pessoa pública posso influenciar as pessoas e esse não é o meu papel. Meu papel é estimular todos a pensar no que seria bom para o nosso país. Eu penso que deveríamos começar investindo drasticamente na base de tudo que é a educação e a saúde públicas do Brasil. Deprimente nos deparar com os impostos caríssimos que pagamos e não termos esses serviços essenciais funcionando de forma digna.


FOTOS Drica Donato / MAKE-UP Hugo Regi / STYLIST Fábio Van Bogea

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

CAPA: Miguel Roncato, o ator de "Geração Brasil", mostra que juventude também ensina enquanto aprende

Bem jovem, mas com maturidade bem acima da idade e do tempo de carreira, Miguel Roncato um personagem bem contrário a si mesmo em Geração Brasil, novela das 19h na Rede Globo. Caseiro e esportista Miguel não é dado a muitas baladas, mas gosta de gente e nisso ele acertou na profissão. Com o pé no chão e a cabeça focada no que é bom e do bem, Miguel conversou com a MENSCH e trouxe grandes lições de vida para quem ainda tem muito o que viver e experimentar mostrando que a juventude também ensina enquanto aprende.

O que te trouxe do Sul para o Rio, além da vontade e garra de se tornar ator? Sempre sonhei em conhecer o mundo. Sair do Rio Grande do Sul era o primeiro passo, mas a carreira artística foi decisiva para a mudança de Estado. O mercado da atuação é centrado no eixo Rio/Sampa. Era inevitável que acabaria morando nesses dois lugares. Sou apaixonado pelo Rio e tenho belas lembranças dos três anos que passei em São Paulo.

Você estreou em uma novela de horário nobre na TV. Como tudo aconteceu e como encarou a responsabilidade? Passione foi a melhor fase da minha vida, sem dúvidas. Mesmo com pouco tempo de estudo, consegui a aprovação para viver o italiano Alfredo Matolli. Precisei mudar para o Rio durante as gravações e cá estou até hoje. O personagem foi um desafio de estreia na TV, mas estava muito bem acompanhado pela equipe da novela. Amparado por todos, foi mais fácil dar esse grande passo na minha carreira.

Já atuou com algum ator/atriz que admire e se espelhe? Sim. Por coincidência, foi na minha estreia em Passione. Era filho do Tony Ramos, sobrinho da Aracy Balabanian e neto da Fernanda Montenegro. Ufa! Chegava tremendo nas primeiras gravações, mas com o tempo fui acostumando com tudo isso. É uma rotina de muito trabalho e dedicação. Precisamos estar muito concentrados e atentos a tudo o que a história pede. O dia-a-dia nos exige bastante foco. Eles me proporcionaram isso.

Você venceu a 8ª edição do Dança dos Famosos. Quando recebeu o convite pra participar, imaginava que teria potencial para tanto? Aceitou de cara? Por quê? Não imaginava que seria tão maravilhoso participar do Dança. Aceitei de cara, estava muito tranquilo no começo. Queria me divertir, fazer a galera de casa se emocionar. Com o passar dos ritmos, a torcida foi aumentando e a pressão também. Mesmo assim, eu e a minha bailarina conseguimos manter uma energia bem positiva durante a competição, e isso, junto com o carinho de todo o Brasil, foi essencial para vencermos o quadro.

O quanto se dedicou a competição e como mudou sua rotina nesse tempo? Eu respirava dança durante os quatro meses que a competição durou. Só pensava na coreografia, 24h por dia. Muito doido isso! O quadro envolve de uma maneira quem participa que é impossível não se dedicar de corpo e alma naquilo tudo. Exercitava muito nos ensaios, comia muito mais que o normal e bebia muita água. Estava sempre exausto, mas sempre querendo ensaiar para mostrar um bom resultado para nossa fiel torcida.

O que a dança te trouxe? Ainda faz parte da sua vida? Consciência corporal. A dança desenvolveu meu corpo e fez dele uma ótima ferramenta de trabalho para a minha profissão. O ator precisa, além de emocionalmente, estar fisicamente presente em cena. Saí da competição mais consciente do meu corpo. Sigo dançando na vida, sempre que possível. Mantenho contato com a bailarina que dançou comigo e a gente acaba marcando vários programas juntos. Ela foi, é e será especial.

E no dia a dia, pra se divertir, descansar, o que gosta de fazer? Sou muito caseiro. Adoro natação, nado em casa mesmo. Também gosto muito de séries, filmes, estou sempre acompanhando alguma coisa. Livros eu leio uns cinco ao mesmo tempo, acho cansativo ler só um de cada vez. Gosto de bike e estou reaprendendo skate. Com os amigos, gosto de um bom show, um jantar pra colocar conversa fora, essas coisas.



Em Geração Brasil, você interpreta Danilo, um jovem preguiçoso que quer enriquecer sem grandes esforços. Como você vê esse tipo de jovem? Abomino. Se existe uma característica que eu não gosto em uma pessoa é a incapacidade de escolher, decidir, agir, batalhar. A vida tá aí pra gente correr atrás do que quer. Existem os bons e maus caminhos, a diferença dar-se-á na consciência tranquila e satisfeita quando a recompensa chegar. O caminho mais trabalhoso é sempre mais prazeroso em longo prazo. Ainda mais aos jovens, com tanta energia pra gastar.

Como lida com a tecnologia e o mundo online? Acho maravilhosa a tecnologia. Obviamente, é preciso ser usada com bom senso, como absolutamente tudo na vida. O mundo online é envolvente. Possibilita que a gente encontre amigos/colegas/parentes afastados pelo tempo, troque informações com todos que desejarmos. Enfim, eu uso muito e adoro. Tenho várias redes sociais, e é através delas que eu me comunico com os fãs e acompanho a opinião deles a respeito do meu trabalho. Sinto um grande carinho por todos que me seguem e demostram apoio por tudo o que eu faço.

Jonas Marras saiu do Brasil para fazer carreira e fortuna. Acha que isso ainda é necessário ou nosso país tem condição de fazer muita gente atingir seus sonhos profissionais? Nosso país tem muito que crescer em termos de oportunidades, mas acredito que é possível fazer uma vida por aqui e realizar nossos sonhos ou pelo menos grande parte deles. Porém, é preciso bastante foco e determinação. Nada cai do céu e nada vem de graça. Plantar e colher no tempo certo. Tudo tem sua hora e seu lugar. Acredito nisso e num ser maior que nos guia e determina as “involuntariedades” da vida.

Qual o maior laboratório para você como ator? Trabalho com gente. Gosto de gente. E é essa gente que me inspira em todos os âmbitos para um trabalho. Seja no cinema, nos livros, na TV, nas ruas, nos jornais. O que me move é o comportamento humano. É nele que vem a base para os meus personagens. O laboratório é estar atento e sensível para captar os sinais mais singelos em nossa volta. Tudo pode ser importante. Costumo dizer que pode tudo, mas não pode qualquer coisa.



Lá na frente, quando já tiver anos e anos de carreira, como quer ser reconhecido pelo público? Quero ser lembrado como um artista que contou histórias, inspirou seres, confortou corações e moveu almas. Grande estrada até lá, mas trabalho pra isso. É lindo cruzarmos com pessoas nas ruas e elas relatarem que vivem fatos semelhantes aos nossos personagens, e esses mesmos personagens acabam auxiliando-as na solução de problemas da vida. Isso faz o ofício do ator valer a pena. Isso que me faz acordar de manhã.

FOTOS RODRIGO MARCONATTO 
EDIÇÃO RODRIGO MARCONATTO
STYLIST MARIANA VAZ 
MAKE UP RODRIGO MARCONATTO
PRODUÇÃO TERNOS / BLAZERS FABRIZIO ALLUR 
CAMISAS NVISION 
LOCAÇÃO RIO DE JANEIRO - PRAIA DE GRUMARI