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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

TEATRO: No incrível mundo de Wolf Maya


Ator consagrado e diretor renomado, Wolf Maya construiu uma carreira invejada e que serve de referência para muitos profissionais da dramaturgia. Seja por seu talento, seja pelo seu profissionalismo, Wolf virou uma marca que todo ator iniciante quer ter em sua carreira e todo ator consagrado que ter por perto. Wolf respira arte, dramaturgia e cultura. Não é à toa que já lançou teatro, dirigiu inúmeras novelas, já atuou e ainda tenta repassar todo esse conhecimento para os alunos de sua escola. Atualmente Wolf está com uma peça dirigida por ele que traz como protagonista a amiga e grande atriz Nathalia Timberg. Entre um intervalo e outro da peça (e suas outras inúmeras tarefas), a MENSCH conversou um pouco com ele para entender um pouco de como tudo funciona no seu ritmo acelerado.

Wolf, depois de dois anos finalmente agora em janeiro tivemos a inauguração do teatro Nathalia Timberg. A triz deu alguns depoimento expressando sua alegria e satisfação com tudo isso. E para você, o que esse teatro representa? Está realizado? E por que Nathalia Timberg? O que ela significa para você? Estamos muito felizes com a criação do Teatro Nathalia Timberg. Nathalia e eu somos amigos e parceiros de longa data e sempre tivemos esse sonho. Criar um teatro com todos os recursos como esse, nos dias de hoje, é uma atitude heroica. Mas estamos recompensados com os aplausos que recebemos todas as noites do público que se encanta com esse novo espaço que o Rio de Janeiro ganhou e que se emociona com a beleza do espetáculo “33 Variações”.


Como nasceu essa relação de amizade, profissão e admiração? Nossa amizade e admiração vem de muito tempo. Fomos sócios, somos compadres e grandes amigos. Praticamente estreei em teatro com a Nathalia (fazendo um filho em “Longa Jornada Noite adentro”) e continuamos trabalhando juntos em teatro e televisão por todos esses anos. É mais que natural que meu teatro tivesse seu nome, e sua presença na peça de estreia. Temos planos de encenar grandes textos nesse teatro que deve se tornar referência de espaço moderno e equipado com alta tecnologia, apto a receber qualquer montagem de teatro, música ou dança nos dias de hoje.

E para celebrar isso tudo uma peça dirigida por você e encenada por ela. Por que a escolha dessa peça para esse reencontro de vocês e abertura do teatro? “33 Variações” esteve em cartaz na Broadway em 2007/2008, estrelada por Jane Fonda e foi grande sucesso. É um belíssimo texto onde uma pesquisadora desenvolve seu estudo a procura de entender porque Beethoven dedicou seu talento a compor 33 brilhantes variações a partir de um tema banal composto por um músico insignificante. Beethoven criou uma obra prima a partir do nada. E tudo isso é vivido na peça por 8 atores, um coral de cantores e uma das maiores pianistas clássicas do Brasil, Clara Sverner. Não haveria espetáculo melhor para abrir o Teatro Nathalia Timberg.

Essa é a terceira vez que você dirige uma peça com Nathalia. Como é a relação de vocês dos ensaios até chegar na estreia? Que particularidades você guarda como diretor e que ela guarda como atriz? Somos cúmplices e apaixonados pela Arte. Somos incansáveis a procura do melhor para nosso público, nossa época. Isso sempre nos aproximou e hoje nos tornaria quase um só. Nos completamos em nossas diferenças e nos aproximamos em nosso amor pelo teatro.

Inaugurar um teatro é como colocar um filho no mundo? O que o teatro o traz? Nos dias de hoje, inaugurar um teatro - quando tantos estão se fechando, se transformando em algum tipo de igreja ou em auditórios descaracterizados - é uma atitude quase suicida. Se o Brasil já vai tão mal em tudo, imagina no Teatro com um foco mais artístico e menos comercial, com um grande número de atores em cena, cenários ricos e música erudita e de qualidade. Não é só colocar um filho no mundo, é criar uma família à serviço da arte.

Você sempre investindo na arte e cultura como abertura de teatro, escola de atores... Como você avalia a arte e a cultura no cenário nacional atual? Está mais fácil ou difícil que há tempos atrás? O Teatro Nathalia Timberg é meu terceiro teatro e o maior e mais qualificado de todos. Criei o Café Pequeno (150 lugares) no Leblon nos anos 90. O Teatro Nair Bello (250 lugares) no Shopping Frei Caneca em São Paulo no início de 2000 e agora o Nathalia Timberg (400 lugares) no Rio de Janeiro. Todos sempre atendendo às minhas escolas de atores em SP e RJ. Meus alunos estudam e se abrigam nos teatros desde o início de sua formação artística e isso os aprimora e estimula. Habitualmente, encenam peças em todos os espaços cênicos que criamos. Sem dúvida, nosso cenário político econômico atual dificulta a realização de um projeto artístico cultural como o nosso, mas somos resistentes e criativos e não desistiremos jamais.


Sempre vimos atores e diretores chamando as pessoas para irem ao teatro. O brasileiro não tinha (ou tem) costume de ir ao teatro. Mas ao mesmo tempo temos visto muitas peças com lotação esgotada. Isso do brasileiro não gostar de teatro e preferir cinema, por exemplo, está mudando? Ou ainda existe muita resistência? O brasileiro gosta de teatro e se não o frequenta mais é por falta de condições ou facilidades, jamais por desinteresse. Estamos abrindo um espaço novo, na Barra da Tijuca, um bairro sem muita tradição teatral e temos nos surpreendido com a frequência do público jovem que se encanta com a modernidade da peça e do mais idoso reencontrando um grande texto teatral, um grande elenco, a grande atriz Nathalia Timberg e o conforto de uma bela casa de espetáculos.

Falando em sua escola de teatro, como você avalia quem realmente tem talento? Existe um vestibular de acesso com três dias de avaliações aplicadas por quase dez professores de teatro, voz, corpo, cultura contemporânea, etc. São aproximadamente 400 a 500 inscritos para apenas 150 vagas e dessa forma avaliamos e estabelecemos quem já se mostra apto e decidido a estudar, quem já tem algum talento e vontade de aprimorar, e aqueles que procuram essa profissão por vaidade, carência ou falta do que fazer. Percebe-se facilmente quem pode e quer crescer e se profissionalizar e nos orgulha. Eles são os eleitos.

O que te dá mais tesão em fazer, atuar ou dirigir? Atuar é mágico, exaustivo, estimulante. O palco (ou o set) são espaços de fé, sem limites de emoção, de vida. Ao dirigir me desapego de mim, do ator, e se ele acontece é para ajudar a esclarecer o que eu quero e para quem eu dirijo. É contar uma história toda. Com todos os olhares que podem recair sobre ela. Em detalhes, em coral. Uma tradução particular do que o autor escreveu. Eu adoro dirigir. Agora um novo espaço é escrever. Roteiros, cenas, histórias... o que me vier a cabeça. Não sei como vou realizar tudo isso que me estimula ainda sendo dono de dois teatros e duas escolas e estando à frente de tudo.

Algum conselho para quem pretende se inscrever em uma escola de atores e pretende viver disso? Pense bem se é isso que você quer; Procure as melhores parcerias (escolas/grupos) e troque sempre com todos. Viva para valer essa sua vontade; Controle a vaidade e o retorno do aplauso fácil; Resista às dificuldades e decepções porque elas virão; Não desista nunca, se é isso mesmo o que você quer.



AGRADECIMENTOS
Drica Donato (produção executiva) / Igor Marinho (assistente) 

quinta-feira, 21 de abril de 2016

ENTREVISTA: Nando Pradho, um dos maiores atores de musicais no Brasil faz sucesso dentro e fora dos palcos

Ator, cantor, tv e teatro fazem parte desse artista. Desde de muito cedo Nando Pradho, já despertava sua veia artística e a prova é que hoje ele é considerado um dos maiores atores nacionais de musicais. Seguindo a positiva onda das peças musicais, trazendo um pouco da Broadway para nossa realidade em famosos espetáculos como O Fantasma da Ópera, Miss Saigon e Jekyll & Hyde, Nando tem dado o que falar a cada novo projeto. Fora isso atualmente está na TV, em um programa voltado para crianças, e prepara o lançamento de seu primeiro disco solo agora para maio. Ou seja, Nando Pradho é um verdadeiro “showman” nacional. Conheça um pouco mais desse grande artista e fique atento em seus próximos trabalhos.

O que veio primeiro para você, a música ou o trabalho de ator? Quais as dificuldades e “facilidades” de cada um? Sou músico desde os 8 anos. Aos 17, era vocalista de uma banda e resolvi estudar teatro pra melhorar como intérprete na função de cantor mesmo. Não imaginava virar ator. Porém, quando a banda acabou, um amigo me levou pra assistir o musical Rent. Foi quando me deparei com uma linguagem que unia duas paixões em um único trabalho. Resolvi naquela noite que faria isso da vida.

Como você se realiza através da música? O ponto máximo da realização artística é o momento em que nasce uma canção que exprime exatamente como me sinto. Imagino que seja o mais próximo do que sente uma mãe que acaba de ter um filho, pois ali ganho um companheiro que amo e me acompanhará para sempre.

E através da atuação, TV, teatro, cinema... Onde se sente mais confortável? Estar confortável depende muito do diretor, independentemente do veículo. Eu me coloco à disposição do diretor e não me sinto com esse peso nas costas. É como se eu fosse a guitarra e ele o guitarrista. Só preciso ser um bom instrumento e confiar nele. Estou completamente apaixonado pela rotina da TV e pretendo ter a mesma segurança que alcancei nos palcos. “Morei” praticamente dentro de teatros em que fazíamos sete apresentações por semana, durante 15 anos. Não tive contato com cinema ainda, mas, com um bom diretor e um roteiro desafiador, deve ser uma experiência única. 
  
Fazer um musical é a forma perfeita para unir seus dois universos? Com certeza. Mas para juntar essas duas formas de arte exige técnica. Não é tão simples fazer essa união. Se torna uma terceira coisa, não só uma somada à outra. Acredito nas escolas de teatro musical, mas acho que a prática é o melhor dos mestres para se chegar a essa Terceira coisa.


Você já fez “A Bela e a Fera”, “Chicago”, “O Fantasma da Ópera”, “Miss Saigon” e “Jekyll & Hyde — O Médico e o Monstro”. Grandes clássicos da Broadway. Como foi participar disso tudo? Foi mágico, principalmente sendo dirigido pelos melhores do mundo nessa linguagem. Das nove produções que participei, seis foram estrangeiras. Tanto contato com a maneira diferente de pensar e trabalhar deles foi realmente muito enriquecedor. A disciplina que me acompanha desde então devo a isso.  

Qual musical você deseja muito poder participar ou trazer para o Brasil? Sinceramente, adoraria remontar “O Médico e o Monstro”, pois foi a única produção que ficou apenas três meses em cartaz. Como protagonista, eu era exigido ao limite vocalmente, fisicamente e como ator. Ficou um gostinho de quero “muito” mais!

Você acha que os musicais são uma forma de atrair mais público para o teatro? Como sente esse feedback por parte do público? Não há como negar o aumento expressivo de público nos teatros e o número de teatros construídos desde o início dessa leva de montagens que se iniciou em 1999. Talvez o teatro sem música tenha perdido espaço e investimento por conta disso, o que é triste. Assim como muitos músicos perderam seus espaços de shows para os comediantes de stand-up. O público se mostra apaixonado, sem dúvida, mas sempre que tenho contato, procuro passar que o teatro de texto, a música ao vivo e o circo são os nossos principais alimentos de inspiração.


Viver de arte no Brasil ainda é um grande desafio. Quais seriam as saídas para melhorar esse panorama? O que dificulta mais? A falta de respeito pela profissão e a falta de investimento, principalmente fora de São Paulo, são os maiores obstáculos. Respeito e investimento mudariam esse panorama.

O que você acha desses programas de TV como The Voice e Superstar, que revelam novos talentos musicais? É realmente uma grande ajuda para cantores ou apenas uma vitrine temporária? São imensas vitrines para novos talentos, porém poucos permanecem em evidência. Acredito que seja devido à falta de produção criativa. Quem teve essa oportunidade nos anos 1960, com os grandes festivais, e permanece até hoje são verdadeiras usinas criativas, e não excepcionais cantores. É muito bom ouvir uma boa voz, mas nada se compara a uma canção que te emocione pela obra.

Como é trabalhar para o público infantil em “Cúmplices de um Resgate” (SBT)? Está sendo maravilhoso. Crianças são fãs muito ativos. Com mais de 225 mil seguidores, constantemente tenho de estar presente respondendo a perguntas e em contato com elas. É muito divertido.

Quando não está trabalhando o que curte ler, ver e ouvir? Jeffrey Archer é meu escritor de cabeceira e atualmente estou lendo “O Voo do Corvo”, tenho ouvido bastante Caetano, John Mayer e um compositor português chamado Miguel Araujo, e assistindo à série Homeland.

Quais os próximos passos? Em maio lanço meu primeiro CD solo, “Paleta de Sons”, começo a fazer shows e quando acabar a novela adoraria estar em um novo desafio na TV.



Make e hair @falksm 
Agradecomento especial @albertossf 
Moda @malenarusso

sexta-feira, 8 de maio de 2015

CAPA: André Dias chama atenção por sua interpretação de Olavo Bilac no teatro

Graças a um excesso de timidez, os palcos e as telonas ganharam um grande artista, André Dias, que atualmente está em cartaz com o espetáculo Bilac vê estrelas. A MENSCH foi conversar com o ator e diretor e descobriu mais coisas além da vontade de estrear na TV.

Além da formação em Artes Cênicas você tem formação em Teoria e Percepção Musical, essas duas formações já visavam uma carreira em musicais ou foi acontecendo naturalmente? Foi um caminho natural. Fui buscando qualificação de acordo com as exigências do mercado profissionalmente.

Conta pra gente como foi a descoberta artística e a decisão de seguir essa carreira. Comecei a fazer aulas de teatro para vencer minha timidez e descobri minha verdadeira vocação. Quando vejo que mais de 20 anos se passaram e eu não parei de trabalhar, percebo que foi o teatro que me escolheu.

O gênero musical vem crescendo e lotando cada vez mais os teatros, a que se deve isso em sua opinião? Primeiro ao nível de excelência que os profissionais atingiram neste gênero; e segundo pela facilidade com que as plateias absorvem a música como elemento dramatúrgico. Não há quem não se emocione com uma bela melodia.

Atuar e dirigir, quais os maiores desafios de um e de outro? A responsabilidade de um diretor é enorme. Todas as decisões, em todos os âmbitos da produção passam pelo seu crivo de aprovação. A decisão errada pode lhe custar muito caro. Mas o trabalho do diretor termina na estreia, quando o do ator está apenas começando. Como ator quero crescer a cada espetáculo e que o melhor dia seja o último. Como diretor quero oferecer sempre um espetáculo de qualidade, calcado na figura do ator e oferecer ao elenco um estreia segura.

Cantar, dançar, interpretar, tudo junto ao mesmo tempo, dá um certo nervosismo? (risos) Entrar em cena dá nervoso sempre pra fazer qualquer coisa, (risos)


Como foi a experiência no filme sobre Chico Xavier? Cinema é uma experiência indescritível. Tive o privilégio de contracenar com Nelson Xavier e Angelo Antônio, com os quais aprendi muito. Daniel Filho me ensinou a fazer cinema e trabalhar com a câmera. Tenho um enorme sentimento de gratidão por todos os membros desta equipe.

E a semelhança entre você e o espírito Emmanuel, que você interpretou no filme? Como lida com isso, destino, coincidência...? Na verdade nunca se viu o rosto de Emmanuel. Existem esboços desenhados do rosto dele e a partir destes esboços foi criado um estudo de profundidade e sombreamento pela maquiadora do filme Rose Verçosa, a fim de criar esta semelhança.

Como você vê o espiritismo? Algo mudou depois do filme? Parte da minha família é Espírita. Tenho profundo respeito por todas as religiões, mas sou um homem de natureza mais cética. Fazer parte deste filme, num papel tão polêmico, foi e é, até hoje uma honra. O artista se aperfeiçoa e muda a cada trabalho. Com Emmanuel não foi diferente. 

Você escreve ou já pensou em escrever, para compor mais uma atividade ao seu vasto mix de talentos? Sim. Gosto muito de escrever e roteirizar shows. Em breve teremos novidades (risos). 

Agora você vive Olavo Bilac, como está sendo essa experiência e o seu “encontro” com um dos grandes nomes de nossa poesia? É um privilégio pra qualquer ator ter uma papel de protagonista escrito especialmente pra você. Bilac já fazia parte da minha vida pois meu pai, José Delton Moreira Dias (1938-2012) era fã ardoroso do poeta. Ganhei um presente de Ruy Castro Heloísa Seixas e Julia Romeu e espero estar a altura dele.

O espetáculo apresenta ficção e realidade, misturando grandes nomes da literatura brasileira, conta pra gente um pouco dessa construção, dos bastidores antes da estreia. O espetáculo é uma obra de ficção, baseada em personagens e fatos históricos. João Fonseca propôs uma direção divertida, baseada na comédia física, então tive liberdade pra fazer uma composição bem detalhada, quase farsesca. Busquei referências no cinema mudo, em especial em BUSTER KEATON e procurei criar uma dualidade entre personalidade retraída e tímida do homem Olavo e o ego inflado do artista Bilac.

E quando não está nos palcos, onde a gente te encontra? Quais seus hábitos de lazer? No mar, (risos). Amo a praia e o mar. Apesar de gostar muito da noite e da madrugada, não sou muito de baladas e boates. Sou muito caseiro, até porque é de madrugada que eu tenho meus arroubos criativos para escrever, dirigir e compor meu personagens.


O que você curte ler, ver e ouvir? Sou fã de Aldous Huxley. Adoro as biografias que Ruy Castro escreve. Gosto das séries americanas e inglesas pois são verdadeiras aulas de roteiro. Já pra música sou muito eclético. Ouço de tudo, samba, MPB, pop, mas o jazz é o que eu mais ouço. Em especial as cantoras negras como Dinah Washington, Nina Simone, Billie Holliday.

Quais os próximos passos? TV? Tô louco pra fazer televisão! Nunca Fiz.  A Televisão é um veículo poderoso que pode ser muito cruel. Começar com o papel errado pode arruinar quase 25 anos de carreira no teatro. Sei que a hora está chegando e que o papel certo vai aparecer quando eu menos esperar. A vida do ator é assim.


FOTOS FILIPE LISBOA
DIREÇÃO DE PRODUÇAO MARCIA DORNELLES
STYLING XICO GONÇALVES

ANDRE DIAS VESTE: LOOK 1 - calça jeans Convicto, camiseta marinho Base Jeans, 
camisa xadrez azul Acostamento; LOOK 2 - calça jeans Convicto, camiseta preta Ogochi, camiseta tie dye cinza Base; LOOK 3 - calça jeans Convicto, camisa branca Acostamento, jaqueta jeans Acostamento; LOOK 4 - calça jeans Convicto, camisa branca Acostamento.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

CULTURA: TEATRO MUSICAL MADE IN BRASIL

O Brasil é hoje o terceiro maior produtor de musicais do mundo. Por um lado, com a grande quantidade de produções, tornou-se comum ler ou ouvir por aí a frase "a Broadway é aqui". Por outro, algumas pessoas ainda acreditam que exista uma longa trajetória a ser seguida para que cheguemos ao nível alcançado lá fora. Entre certos, errados e extremistas, eis que se abrem as cortinas para a história e a realidade do teatro musical feito no Brasil.

Provavelmente dada a nossa raiz de "país colônia", uma semente estrangeira precisava ser apresentada, plantada em terras brasileiras para que, mais tarde, depois de desenvolvida e cultivada pelo cenário social, político, econômico e cultural do nosso país, essa mesma semente pudesse se tornar um jardim nacional. Assim tem sido com o Teatro Musical Brasileiro. É impossível negar que grande parte dessa história tenha sido construída a partir de influências externas. Ainda assim, ao analisar de perto essa mesma trajetória, torna-se claro que a exportação se tornou e se torna sempre um aprendizado, e que o Brasil ruma ao cultivo de uma produção com jeitinho brasileiro.

1°ATO

A primeira semente veio em meados do século XIX: As Operetas, um tipo de Ópera mais curta e de temas mais leves e divertidos, uma espécie de teatro musicado no qual se alternava canto e fala. O gênero, importado da Europa (principalmente da Itália e da França), tinha suas obras originais adaptadas por autores brasileiros que traduziam e adaptavam o texto (libreto), enquanto mantinham a estrutura musical (partitura), até que, com a experiência, apareceram nossos próprios compositores, bem como as primeiras operetas nacionais. Acompanhando esse desenvolvimento, ainda no século XIX, o público brasileiro recebeu uma segunda influência: O Teatro de Revista. De origem Francesa, derivado do Vaudeville (ou Teatro de Variedades), e trazido por imigrantes portugueses. O Teatro de Revista despontou com esquetes e números musicais, críticas sociais e políticas, o uso do cômico, da sensualidade feminina, e de um apelo bastante popular. 

Cheio de atrativos para o grande público, o gênero, que mais tarde colocou Carmen Miranda em evidência, passou por três fases distintas. Na primeira, a cada ano eram apresentadas Revistas (como ficaram conhecidas as peças) comentando de forma crítica e caricata os principais fatos do ano anterior, dando destaque para o texto, e com uma orquestra de cordas que acompanhava o coro. Já na segunda fase, que aconteceu durante as décadas de 20 e 30, as peças passaram a se utilizar ainda mais da sensualidade, chegando a explorar a nudez feminina, e a orquestra deu lugar a uma banda de jazz, com influências de ritmos americanos. Ainda assim, foi nessa mesma fase que o samba ganhou espaço nos palcos do Teatro de Revista, e atores e atrizes começaram a se destacar por suas vozes e interpretações. Existia um maior equilíbrio entre a importância dada ao texto e a forma de encená-lo, equilíbrio entre os números musicais e fantasiosos, entre a comédia e a crítica política. Por fim, quase em meados do século XX, as apresentações tornaram-se verdadeiros espetáculos, carregados de elementos fantásticos, grandes coreografias, cenários e figurinos  inspirados nos grandes musicais da Broadway e nos shows dos cassinos de Las Vegas. Mas foi também nessa ultima fase que as Revistas se tornaram mais apelativas, perderam público para a televisão, grande novidade da época, esbarraram em proibições feitas pela censura, e acabaram caindo em decadência. 


Era um ciclo que se fechava, enquanto um novo se abria, pois não tardou muito para que os próprios musicais da Broadway de fato chegassem aqui. Em 1962, foi a vez de “Minha Querida Lady” (do original My Fair Lady). O musical havia sido um grande sucesso na Broadway e já estava em cartaz há anos. Mesma direção, figurinos e cenários originais, que já haviam viajado para diversos países, naquele ano desembarcavam no Rio de Janeiro. Era a famosa produção ‘enlatada’ (quando tudo é igual a produção estrangeira), com uma pequena grande diferença: letras versionadas para o português e um elenco de atores brasileiros, que contava com ninguém menos que Bibi Ferreira e Paulo Autran. A montagem brasileira seguiu a tradição de sucesso da peça, foi feita a gravação de um LP com as canções versionadas, e uma segunda temporada seguiu para São Paulo, após 400 apresentações em território carioca. Como consequência, não tardou para a chegada das próximas montagens. Em 1966, Bibi protagonizou o espetáculo "Alô Dolly" (Hello Dolly!). Em 1969, Sônia Braga, Antonio Fagundes, Ney Latorraca, dentre outros se despiam em Hair. E em 1972, foi a vez de "O Homem de La Mancha" (Man of La Mancha), novamente com Bibi e Paulo Autran, cujas versões foram feitas por Ruy Guerra e Chico Buarque de Holanda.

Aqui aparece um nome bastante interessante dessa história. Paralelamente ao sucesso dos musicais estrangeiros, o mesmo Chico Buarque encabeçava uma vertente de produções autorais e 100% nacionais. Chico escreveu quatro peças musicais, entre 1967 e 1978: Roda Viva, Calabar, Gota D’Água e Ópera do Malandro. Em meio a Ditadura Militar brasileira, sua obra tinha um forte questionamento social, enredo brasileiro, cutucava as escolhas políticas da época, criticava a abertura do país para o estrangeiro, e enfrentava os olhos atentos da censura. Quase que oposto aos musicais da Broadway que estrearam no Brasil até então, o foco principal não era o de embalar a plateia, mas sim refletir e questionar o momento do país, algo que apenas uma montagem nacional poderia fazer. Outro fato curioso é que Bibi Ferreira foi a estrela de Gota D’Água, aparecendo em cena como uma moradora da comunidade, sem maquiagem e despojada, causando um grande impacto na plateia, tão acostumada a vê-la bem produzida nos musicais.

Seguindo as duas vertentes que se desenvolviam, em 1983, do lado das produções musicais nacionais, Bibi Ferreira voltava aos palcos com Piaf – A Vida de uma Estrela, arrebatando espectadores e críticos com sua brilhante interpretação da cantora francesa. Do lado das importações, estreava em São Paulo a montagem de A Chorus Line, que lançou o nome de Claudia Raia (na época com 16 anos). Sobre A Chorus Line, vale destacar um comentário do coreógrafo americano Roy Smith. Responsável por ensinar aos atores brasileiros as coreografias do espetáculo, ele disse que os brasileiros não tinham a técnica dos dançarinos americanos e europeus, mas eram dotados de uma enorme vontade de aprender o que, segundo ele, era a única coisa necessária para se fazer um grande espetáculo. Verdade seja dita, a vontade e a energia dos atores brasileiros era algo que até hoje surpreende os diretores ‘gringos’, mas por muito tempo pecamos pela falta de estrutura e profissionalização. A história musical foi sendo escrita um pouco no embalo de tudo que vinha acontecendo no Brasil, com fases que pipocavam e se desenvolviam de acordo com os limites e embates existentes. Existia a falta de teatros com infraestrutura para comportar grandes espetáculos, um local apropriado para a orquestra, não existiam leis de incentivo que ajudassem a financiar projetos de grande porte, sempre muito caros, além da falta de profissionais realmente preparados ou familiarizados com esse mercado. Nada disso impediu que o Teatro Musical acontecesse por aqui, nas suas mais diversas formas, como foi visto. Porém esse entrave também não permitia que se fosse muito além. Espetáculos continuaram sendo montados. Musicais baseados em personalidades consagradas da musica brasileira, algumas adaptações da Broadway,... Mas foi em 2001 que o cenário realmente começou a se reaquecer e mudar.

Com a reforma do antigo Teatro Cine-Paramount, que custou 12 milhões de reais, abriu-se em São Paulo o primeiro local realmente apto a receber produções mais modernas e com o porte dos espetáculos da Broadway, o então chamado Teatro Abril. O musical estreante foi ‘Les Miserábles’, com investimento inicial de 3,5 milhões, produção no padrão ‘enlatado’, e uma equipe de mais ou menos 150 pessoas, composta por atores, técnicos, camareiras, peruqueiras, equipe de iluminação, de som, dentre outros. Todos os números envolvidos com a produção eram inéditos no Brasil, colocando-a em outro patamar, inclusive salarial, o que atraiu a atenção do público e de profissionais da área. Como resultado: 11 meses em cartaz e mais de 350 mil espectadores. O sucesso da empreitada foi suficiente para que a roda não parasse mais de rodar, e assim vieram novas montagens, novos produtores, novos teatros e assim continua até hoje. O cenário brasileiro que a antes contava com apenas uma grande produção a cada alguns anos, evoluiu a ponto de hoje termos capacidade para quatro ou cinco grandes produções simultâneas apenas em São Paulo, e outras quatro no Rio de Janeiro, cidades que, até hoje, concentram os grandes musicais, que se tornaram um atrativo turístico para pessoas de outros lugares do país.



2° ATO

Não há dúvidas de que o Teatro Musical Brasileiro está passando por uma de suas melhores fases. E acredito que essa estabilidade e o atual crescimento do gênero, estão sedimentando finalmente a especialização e a profissionalização do mesmo. Antes era muito comum encontrar elencos com cantores profissionais que também atuavam, bailarinas formadas que também eram afinadas, ou então um técnico que já havia trabalhado em outras peças, mas nunca com o sistema ou a tecnologia por trás dos grandes cenários. Era raro encontrar pessoas que haviam realmente dedicado seus estudos e formações ao Teatro Musical, o que também não seria possível, já que há não muito tempo atrás, não existiam cursos específicos dessa área.

Ao contrário dos EUA, por exemplo, em que as crianças já entram em contato com esse universo desde a escola, e aonde existe uma série de cursos superiores e pós-graduações focadas no Teatro Musical (tanto para atores, quanto para toda a parte técnica), aqui no Brasil isso ainda é muito recente. Podemos encontrar um excelente professor de canto. Uma ótima professora de dança. Uma respeitada escola de teatro. Mas ao procurar algo que unifique tudo isso, de forma realmente integrada, tornam-se escassas as opções. Mesmo assim, voltando ao comentário de Roy Smith, o que não falta ao brasileiro é vontade, o que se torna aparente a cada nova audição, em que podemos encontrar cada vez mais pessoas, e profissionais cada vez mais preparados, independente das dificuldades da área. A vida dessas pessoas não é fácil. Estamos falando da busca pelo domínio de três áreas diferentes. O canto, a dança e a atuação. E como já foi mencionado, não basta dominá-las separadamente. É preciso que seja tudo uma coisa só, fluída. O espectador precisa acreditar que é tudo natural, fácil, do contrário irá sair da fantasia e começar a se questionar: “Por que eles estão dançando?”, ou “Por que ele parou de falar e começou a cantar?”, “Ninguém faz isso na vida real!”.

Acho que esse é um dos grandes encantos do Teatro Musical. A forma como, quando bem feito, une as três formas de arte em uma coisa só, tudo em prol de uma só história, de proporcionar uma experiência única e arrebatadora àqueles que estão assistindo. Mas essa também é a grande dificuldade, pois ao colocar três áreas diferentes no palco, sem contar a parte visual, geram-se três informações e caminhos distintos de atingir o espectador, que devem estar alinhados em prol de um mesmo objetivo. Mais do que a fala, a dança, ou a música, o âmago do Teatro Musical são os sentimentos que estão por trás de tudo isso, e para que ocorra uma troca verdadeira entre o ator e você, que se sentou na cadeira, é preciso um grande domínio daquilo que se está fazendo no palco, por parte de todos os envolvidos. Não à toa, a busca por ser um artista completo, bem como a rotina dos profissionais da área, não é nada leve. As peças são ensaiadas, em média por dois meses, com ensaios de até dez horas por dia, seis vezes por semana. Após a estreia, costumasse fazer até seis sessões semanais. Uma na quinta à noite, uma na sexta, duas sábado e duas domingo. Esse número varia, podendo ser menor, mas podendo ser maior também. A duração de um grande musical costuma ser de três horas: 1h45 destinadas ao primeiro ato, um intervalo de 15 minutos, e então mais uma hora para o segundo ato. Todo dia é preciso chegar mais cedo ao teatro: possíveis ensaios, substituições, aquecimento corporal e vocal, maquiagem, colocação de figurinos, perucas, microfone. E no resto da semana é preciso se cuidar, cuidar do corpo, estudar canto. Alguns fazem outras faculdades, cursos, aulas de dança, outros trabalhos, são de outras cidades. A cada fim de temporada é preciso correr atrás de outro musical, de outra audição. Não é um trabalho para qualquer um. 

Mas acredito que a história tem mostrado que é para nós. O gênero vem se firmando porque existe mercado, porque agrada ao público, interessa, diverte, emociona, e porque agrada aos artistas, que hoje têm batalhado por seu lugar. É difícil, mas existe uma grande recompensa para aqueles que fazem o que amam. Existe uma satisfação pessoal a cada conquista. Existe o reconhecimento de bons profissionais. Existe um desenvolvimento intelectual e humano. Existe um carinho daqueles que prestigiam o Teatro Musical. Ainda não chegamos à maturidade do segmento. Muito ainda está sendo exportado, copiado, modificado, melhorado. Muitos são os erros cometidos, sejam eles técnicos ou artísticos. Mas também muitos têm sido os acertos, e maior é o conhecimento. Estamos colhendo o resultado de um longo aprendizado que agora lança luz sob nosso Teatro Musical Brasileiro, independente do formato, seja ele de musicais ‘enlatados’, que ganham identidade própria com nossos artistas, seja em obras estrangeiras, com direção, concepções, ou coreografias feitas aqui, ou nas produções 100% nacionais. 

É um novo capítulo sendo escrito. As sementes foram plantadas. É hora de cultivar o jardim.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

TEATRO: Matadores – O Pernambucano Gustavo Falcão e o Cearense Daniel Dias se “enfrentam” na arena


Em uma tourada quem ganha a sua atenção, o Touro ou Toureiro? O que pensa sobre este tipo de esporte-espetáculo? O que você imagina acontecer na arena? E o que você pode levar para a vida sobre esta arte já em fins de não mais existir? Ao se deparar com o texto do venezuelano Rodolfo Santana essas e outras reflexões vem à tona a partir de um diálogo travado entre Florentino, o touro e El Niño, o toureiro. Em meio a um espetáculo já decadente os dois travam uma batalha filosófica sobre o papel de cada um, suas crenças e as razões que os levaram até ali.

A peça, encenada com maestria pelos atores Daniel Dias e Gustavo Falcão, mostra touro e toureiro vendo uma realidade desconhecida por ambos se descortinar frente a seus olhos, desconstruindo tudo o que os levou até ali. Considerando-se protagonistas de uma grande arte o embate ideológico se dá pelos valores transmitidos a cada um e a importância que a tauromaquia tem nos dias atuais. A peça teve estreia nacional no Recife em setembro de 2012, passou por Fortaleza e atualmente está em cartaz no Rio de Janeiro.

Rodolfo Santana

Nascido em Caracas em outubro de 1944, Rodolfo Santana tem grande prestígio no seu país e mundo afora tratando em seus textos de aspectos insólitos e reveladores da sociedade e do homem moderno. Autor de mais de 118 obras, entre peças de teatro, roteiros para cinema e televisão Rodolfo participava ativamente da formação e incentivo a novos atores com conferências em universidades e outras mobilizações.


O encontro

Foi em um sebo, que Daniel Dias encontrou, quase que por acaso, o premiado texto de Rodolfo Santana, Mirando al tenido. Encantando desde a primeira pela história de dois personagens que passaram a vida acreditando em uma arte que já não mais existe. Como o livro, pelo desgaste do tempo, apresentava algumas páginas ilegíveis Daniel acabou entrando em contato com o próprio Rodolfo Santana que além de curioso pelo interesse do ator e autor brasileiro pelo texto e também bastante entusiasmado com a possibilidade de vê-lo transformado em peça. Infelizmente Rodolfo veio a falecer próximo a estreia da peça, mas se vivo estivesse, sem dúvida alguma ficaria feliz e orgulhoso do resultado. 

“A vitória, aqui, é apenas uma questão de ponto de vista. A tauromaquia não passa de um pano de fundo de cores dramáticas para tocar em temas profundos e pertinentes.” (Daniel Dias)





A Tauromaquia

A palavra tauromaquia vem do grego tauromachia e significa combate com touros, mostrando o quanto esta arte é antiga. A maior praça de touros do mundo é a "Plaza de Toros México" localizada na cidade do México e a maior praça europeia é a "Plaza de Toros de las Ventas", em Madrid. Durante muito tempo o espetáculo atraiu multidões e a arte de combater touros era passada de geração em geração levando famílias inteiras as arenas.


Com o tempo, começou-se  a questionar o esporte e sobre a crueldade humana sob o animal e as touradas foram se extinguindo. A tourada é dividida em três “terços” com objetivos bem definidos, o espetáculo acontece no final da tarde e o público pode comprar seus ingressos nos tendidos de sol ou tendidos de som. No primeiro terço, a “Sorte de Verônicas”, o toureiro e seus auxiliares (a quadrilha) estão armados apenas do capote, um grande pano colorido – geralmente amarelo e fúcsia. O touro, de raça feroz e treinado para a luta, é atraído pelos movimentos do toureiro – chamados de passes. Os mais conhecidos são: a Verônica, o Molinete e Chicuelina. Eles também ajudam a conhecer o temperamento e a forma de ataque do animal.

No “Terço de Varas”, surge o picador. Sobre um cavalo, vendado e protegido com uma manta grossa, o picador traz uma lança que tem na sua extremidade uma lâmina cortante, em forma de “T”. Ele deve dar três estocadas numa região acima do pescoço do animal, deixando-o lento e fazendo-o baixar o pescoço. Depois dele, vem os banderilheiros, que tem a função de enfrentar o touro cara a cara e, num movimento rápido e leve, cravar três pares de bandarilhas, com arpões nas pontas, no dorso do animal. As bandarilhas tem um sistema que permite que elas se quebrem, pra não atrapalhar o toureiro e seus enfeites tem a função de escoar o sangue do touro. O toureiro pode dispensar os ajudantes e optar por ele mesmo cravar as bandarilhas.

No último terço, a “Sorte de Matar”, o toureiro encara o touro com a muleta, o famoso pano vermelho, montado num bastão de madeira. Eles vão se aproximando mais e mais até que o animal fique numa posição adequada para a estocada final. Com uma espada, o toureiro deve atingir uma região especifica do pescoço do animal – conhecido como “olho das agulhas” – provocando a sua morte imediata. Se ele falhar, será utilizado um punhal para sacrificar definitivamente o touro. O júri determina se o toureiro merece o prêmio máximo: as orelhas e a cauda do animal. O público pode, também, pedir o indulto do animal. Neste caso, ele não é sacrificado, suas feridas são tratadas e ele é solto no campo e torna-se reprodutor. Mas isso é raro. Normalmente, os touros mortos tem sua carne vendida em açougues.



DANIEL DIAS

Além de atuar você é Diretor Teatral e ainda escreve. Como se dá seu processo criativo? Cada novo trabalho é uma nova viagem. São novas questões, novos enfoques, novos companheiros, novas dores, novas paixões. E, por isso, não existe um roteiro único, um manual. Há processos mais físicos, outros mais psicológicos. E cada elemento mínimo pode determinar novos caminhos e possibilidades. Em qualquer posição que eu esteja (atuando, dirigindo, escrevendo), eu busco me alimentar do máximo de informações e referências. Eu me cerco de dados, músicas, fotos, filmes, livros... Tudo que me remeta àquele universo que estou moldando interna e externamente. Mas é fundamental saber o que se quer dizer com aquele trabalho, que temas queremos tocar, que mensagem queremos transmitir.

Desde 2008 você assumiu a administração do Teatro João Caetano, o mais antigo palco do Estado do Rio. Agora além de ator, autor, diretor também é gestor! Como dá conta? Quais as dificuldades e quais os bônus? Normalmente, não planejo muito os meus passos, mas tenho a sorte de ir me deparando com alguns desafios muito especiais. Com o João Caetano foi assim. Acho que foi consequência da minha trajetória nos palcos, onde estamos acostumados a lidar com dificuldades e limites de todos os tipos, com criatividade e espírito de equipe, às vezes sem grandes recursos.

Nunca me vi como gestor de um equipamento cultural, muito menos de um dos mais antigos e tradicionais palcos do Brasil, cuja herança se confunde com a própria trajetória das artes no Brasil. Mas ele não é só isso, é preciso conciliar sua vocação para grandes espetáculos com as limitações e a realidade de um equipamento público. No dia a dia tenho que lidar com grandes estrelas, com o espectador anônimo e com o funcionário da limpeza, com a mesma atenção e a mesma dedicação.

O começo foi bem mais difícil e foi necessário me afastar dos palcos mais do que eu gostaria, mas, felizmente, com o tempo, a dinâmica vai se estabelecendo naturalmente e a equipe maravilhosa que o teatro possui foi conhecendo meu jeito de ser e administrar. Hoje posso me afastar um pouco mais, como um filho que você vai deixando caminhar com os próprios pés. Isso me possibilitou conciliar melhor os dois lados: o artista e o gestor. Mas minha agenda ainda é muito definida pela programação do teatro, é inevitável.


Gustavo Falcão, Danilo Gomes, Daniel Dias e o diretor Herson Capri
Em uma entrevista você disse "não há prazer maior do que saber que estou formando o público de teatro do futuro". Considera essa a sua missão? Quando conseguimos conciliar um processo artístico com a possibilidade de formação de uma consciência crítica, de transformação da realidade e de crescimento do ser humano, é aí que a arte atinge o seu objetivo maior. E quando o teatro se comunica com os jovens, essa experiência é ainda mais profunda. Eu escrevi uma peça em 1998 que era apresentada em escolas, chamava-se "A Terra é Azul". Recentemente, reencontrei um ator amigo meu, que assistiu à peça quando era estudante, em Fortaleza e ele comentou como a peça marcou a vida dele e de vários outros colegas, que mais tarde se dedicaram ao teatro e hoje são profissionais premiados e reconhecidos. É muito gratificante escutar isso. E, claro, sou fruto de muitas outras influências, também, que me formaram na juventude.

O que você tem do Toureiro? O meu personagem, El Niño, é um toureiro decadente, que ambiciona conquistar seu lugar através das touradas, para ele a grande arte. Ele se dedicou a vida inteira a uma arte que, aos poucos, está agonizando e ele não se dá conta. Talvez eu não seja tão ingênuo quanto ele, mas ainda acredito no teatro e luto por ele. 

GUSTAVO FALCÃO


Sair de Recife e vir para o Rio foi uma decisão estritamente profissional?
Permanecer no Rio após a temporada do espetáculo 'A Máquina', no ano de 2001, não foi propriamente uma decisão, já que aconteceu de certa forma por acaso. À época não havia feito um planejamento definido, no plano pessoal ou profissional, de me estabelecer em outra cidade ao final da temporada, imaginando portanto retornar para Recife por volta de junho, quando sairíamos de cartaz. Aconteceu (comigo e com os demais integrantes do elenco da peça) de ser convidado pra um trabalho, em televisão, que se iniciaria logo após o término da temporada. Interpretei o Faísca, na novela 'As Filhas da Mãe', do Silvio de Abreu, cuja direção coube a Jorge Fernando, que havia assistido à peça e me convidou para o papel. Outros trabalhos em cinema e teatro sucederam a este, e num processo natural, acabei me estabelecendo definitivamente no Rio. Hoje, tanto no plano profissional (trabalhos sucessivos como ator e a fundação do espaço cultural Lunático, além da produtora com que realizamos 'Matador') quanto no pessoal (casei com Juliana, que além de minha mulher se tornou também minha parceira na concepção e direção do espaço), minha vida está intrinsecamente ligada à cidade.

Como hoje, depois de tanto tempo, vê A Máquina? Que ligação tem com esta peça? A Máquina, pra mim, vai além da peça. Quando me refiro a ela estou dizendo de um acontecimento que se tornou um marco pessoal e profissional. Acompanhamos o nascimento do livro, a fonte original, a partir da mente e do coração de Adriana, enquanto a peça era concebida a partir dos fragmentos iniciais por João. Daí que nascemos Antonios para o palco - onde encontrei três grandes amigos, parceiros na arte e na vida, Wagner, Lázaro e Vladimir, trabalhando também com dois amigos e parceiros mais antigos, Felipe e Karina (também minha irmã). E quatro anos depois, um novo nascimento para a versão para o cinema (onde trabalhei com o maior homem de teatro que conheci, Paulo Autran). E todo esse movimento começou dias depois da grande perda que tive na vida, o falecimento de meu pai, e determinou uma transformação radical em minha trajetória - geográfica inclusive, me plantando no Rio. Tudo isso resume um evento daqueles que te marcam a vida num antes e depois, e te lança pra diante.


Fazer teatro precisa de coragem e ousadia? Antes precisa-se de vocação e paixão. Vocação pra alimentar o espírito nos momentos mais duros da carreira - que são muitos e fundamentais - e pra te manter com a cabeça erguida durante os longos momentos de incertezas e buscas inerentes aos processos criativos. E paixão, porque é paixão. Porque te ilumina a alma e mantém brilhante o olhar quando se sobe no palco, e porque te faz encarar qualquer percurso, por mais improvável que pareça, até que se faça o encontro com a platéia. Coragem e ousadia são muito bem vindos: a quem possui estes atributos pode-se intuir um artista especial.

O que você tem do Touro? Florentino fez aguçar em mim a relação com que o instinto e a intuição promovem a reflexão. A profunda sabedoria que o touro apresenta no espetáculo nasce, por paradoxal que pareça, do olhar inocente e sem pré concepções com que ele consegue enxergar o que passa ao seu redor. O que me soa familiar à natureza primordial da humanidade que temos em nós, mas que, por conta das desventuras por que inevitavelmente nos deparamos no decorrer da vida por vezes, escolhemos deixar adormecer. Há nele também certas características que, se não definiria como pontos de extrema identificação, evocam em mim beleza e admiração: a bela relação com a natureza, o equilíbrio entre a brutalidade e a gentileza e a capacidade de se maravilhar com algo relativamente comum.

Serviço:
Sexta a Domingo às 21h / 29 de março a 28 de abril
Teatro Municipal do Jockey
Rua Bartolomeu Mitre, 1100 (Entrada de pedestres)
Rua Mário Ribeiro, 410 (Entrada de automóveis)
Rio de Janeiro
Informações: 021 3114-1286
Para mais informações: www.matador.art.br



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sexta-feira, 5 de abril de 2013

ENTREVISTA: Cacá Rosset, irreverente e talentoso dentro e fora dos palcos


A paixão pelo teatro é sem dúvida o que move o diretor e ator de teatro Cacá Rosset. E foi justamente essa paixão que o fez, juntamente com outros aficionados pela dramaturgia, criar sua própria companhia de teatro e ganhar o mundo num ofício tão antigo quanto a história do homem que é subir ao palco para contar uma história. Da fase mambembe até a consagração pela critica americana, ao dirigir uma peça de Shakesperare em NY, Cacá bateu um papo conosco para relatar alguns desses belos momentos até sua atual peça. Sobre o futuro? Muito teatro ainda, e uma “aposentadoria” inquieta, pois ele não consegue parar nem quando está dormindo!

Como surgiu a ideia de fundar o Ornitorrinco? O grupo foi fundado no final dos anos 70 por mim, Maria Alice Vergueiro e Luiz Galícia (já falecido), ligados à USP/SP. Maria Alice eu já conhecia desde os 11 anos. Na época ou você era “global” ou alternativo demais. Queríamos fazer de uma terceira forma. Algo com a nossa cara. Começamos a montar um espetáculo, modesto. Era tudo meio clandestino... Em um porão, informal, na base do boca a boca. Ao fim do espetáculo passávamos o chapéu. Não dava dinheiro. E às vezes até levavam o chapéu! (risso). Ao longo do tempo fomos ampliando nossos horizontes, se profissionalizando... Era bem aquela coisa ancestral do teatro, de viver viajando...


Você é se diria criativo ao extremo, ortodoxo, excêntrico ou alguém que sabe fazer as coisas de um jeito diferente sem medo de ousar? Eu acho que teatro é o que realmente eu gosto, tanto como ator como expectador. Ao contrário desse universo tecnológico em que vivemos de redes sociais, iPhones, iPads... o teatro é um dos poucos lugares no mundo, que é feito ao vivo. Sem cortes, sem lentes, sem transmissões. Acho que embora seja uma arte primitiva, ele relata as utopias humanas, onde se compartilha idéias, que acontece uma interação dos artistas com o público. O teatro vive da materialização dos sonhos. O teatro quem não viu, não verá. Não tem como “rebobinar”. Você pode até filmar, mas não é como o aqui e agora. É um castelo de areia com encontro marcado com o expectador, e todo dia vem uma onda e acaba tudo. O que sobra no corpo e na mente são as idéias, utopias, questionamentos... Isso é a função da arte. É o efeito transformador.

Você já recebeu inúmeros prêmios no Brasil e no Exterior, onde realizou diversos trabalhos. Você os buscou, eram objetivos seu ou foram simplesmente resultado de um trabalho bem feito? De fato foram resultado. Coisas que foram acontecendo decorrente do trabalho.



No final da década de 80 você estreou na TV Manchete o programa “Cadeira de Barbeiro”. Foi seu início na televisão e de lá pra cá muitas outras participações aconteceram como ator, apresentador, debatedor...gosta de experimentar diferentes situações, por em prática seus diversos talentos? É um inquieto? Olha, os trabalhos que fiz na TV sempre foram muito por acaso. Nunca investi na TV. Fiz programas esportivos, de entrevistas. Sempre estive presente durante a entressafra dos meus trabalhos no teatro. Eu diria que fazer TV sempre foi uma atividade secundária, mas nem por isso menos importante. Mas o teatro sempre foi minha preferência.

Os 30 anos do grupo Ornintorrinco foram comemorados com a peça A Megera Domada. Por que esta escolha? Nós do Ornintorrinco sempre tivemos uma ligação muito forte pelo Shakespeare. Nos anos 90 estreamos “Sonhos de Uma Noite de Verão”, que foi um sucesso de público e de crítica. Sempre foi um dos meus autores preferidos. A Megera Domada é a eterna guerra dos sexos. Divertida. Atinge todos os expectadores. Do mais sofisticado ao mais popular. Independente de idade, classe social. Um teatro verdadeiramente popular que consegue se comunicar com o amplo público.


Você dirigiu a atriz Marisa Tomei em Nova York. Pensava: “uau estou dirigindo uma atriz de Hollywood” ou não houve esse tipo de deslumbre? Foi uma coisa inesperada. Em 1993, logo depois que tinha estrelado “Sonhos de Uma Noite de Verão” em NY, fui convidado para dirigir “A Comédia dos Erros” numa montagem americana. Ela foi uma pessoa muito agradável. Muito profissional. Uma super produção. Na época saiu na revista TIME. Foi incrível trabalhar pela primeira vez com atores americanos. De maneira geral foi muito tranqüilo. Os atores e a estrutura toda é muito profissional. Quando fui dirigir, fui só o diretor. Dedicado apenas a só dirigir. Por que aqui no Brasil você termina fazendo um pouco de tudo né?! (risos)

Em 2001 você começou carreira de comentarista de futebol, foi pelo amor ao esporte ou para experimentar uma nova carreira? Como eu estava te falando, minha ligação com a TV foi sempre por acaso. Um dia (o apresentador) Milton Neves me ligou fazendo o convite para participar do programa dele. Fui, gostaram e me chamaram novamente. EU não estava em cartaz. O fato é que essa “brincadeira” durou 6 anos. Eu gosto muito de futebol, desde moleque. Não sou comentarista. Talvez que tenha funcionado seja justamente isso. Eu acabei fazendo um pouco um personagem de mim mesmo. (risos) Aquele torcedor apaixonado, que grita, vibra, xinga... de uma certa maneira como se comporta o torcedor.  Mas não tinha pretensão de ser comentarista.

O Corinthias para você é... Ah o Corinthias é uma possibilidade de ver o mundo colorido através de lentes alvi-rubras. (risos)

Comédia, drama, esporte, o que mais te move? Olha, eu não tenho nenhum hobby específico. O trabalho que eu faço é tão gratificante. Nunca senti necessidade de me dedicar a outras atividades. Não sinto uma divisão entre trabalho e laser. Não tenho horário para trabalho e horário para laser. Quando você está no processo criativo, você não tem isso. Qualquer hora é para trabalho, até no sonho eu posso ter idéias.





Falamos do passado, e sobre o presente, o que está aprontando agora? No momento estamos fazendo o Ornitorrinco Canta Brecht e Weill, na Casa de Francisca, nos Jardins (SP). Weill é um grande compositor alemão, trabalhou com Brecht, escreveu grandes peças no teatro musical. Sempre com sátira política, provocativo, sensual, como o espírito do cabaret alemão dos anos 20. As letras de Brecht tem isso, um lado um humor forte e uma crítica social, acidez, algo corrosivo, irônico. Basicamente um cabaret musical em cima da obra desses dois grandes artistas. Ficamos em cartaz em São Paulo, depois vamos à Porto Alegre e em julho ou agosto voltamos para uma temporada em SP.

E ao mesmo tempo estou programando “Agonia, Êxtase e Steve Jobs”, do americano Mike Daysey. Que é uma peça bem intensa sobre a tecnologia nas nossas vidas hoje em dia. O texto fala dessa escravidão da indústria da tecnologia na China, com condições precárias... É mais dramática. Estou produzindo a peça. Não tem uma data precisa ainda.

E os planos pro futuro? Acho que continuar fazendo teatro, as peças... Eu sempre trabalhei com minha própria companhia. De certa maneira eu sempre escolhi meus projetos. Não sou o que se chama de “diretor de aluguel”. De resto é ter uma velhice tranqüila. (risos)

E como foi fazer esse ensaio, com essa maquiagem que lembra o Coringa? Na verdade essa maquiagem e figurino eu uso no espetáculo, que é uma tradição do cabaret desde o século 19. Essa máscara branca faz parte do teatro. Marca registrada do cabaret alemão, francês... Quando Ângelo (fotógrafo) e Patrícia (da assessoria de imprensa) assistiram, quiseram fazer essa ligação. Mas pô, eu sou muito mais bonito que o Jack Nicholson, (risos), só que a conta bancária dele é maior que a minha! (risos)




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domingo, 31 de março de 2013

TEATRO: Fazenda Nova: uma paixão


Mais do que apresentar ao público a Paixão de Cristo, a Sociedade Teatral de Fazenda Nova é por si só uma história de paixão. Paixão pela arte, paixão pela terra, paixão pela paixão. O que hoje é o maior teatro ao ar livre do mundo, foi, lá atrás, um sonho. Este sonho que se transformou em realidade no brejo pernambucano há 46 anos faz gente de todo o Brasil e do mundo sonhar também e emocionar-se com a Paixão de Cristo e com a paixão da família Pacheco que faz tudo isso acontecer, ano após ano, geração há geração.

ERA UMA VEZ...

...Uma família que desde 1951 conduzia com esmero as encenações da Paixão de Cristo no brejo pernambucano até que um jornalista, de nome Plínio Pacheco encantou-se pelo teatro e por uma moça da família Mendonça que fazia parte dessa trupe, seu nome, Diva.  Que viria a ser sua diva e parceira de sonhos e realizações por toda a vida.


A encenação a cada ano atraia mais gente e a necessidade de profissionalizar-se foi ficando cada vez mais forte. Então dessa necessidade veio o segundo grande sonho: construir uma Nova Jerusalém, a cidade-teatro de Fazenda nova. Foram horas de estudos, dias pensando em como construir esse sonho, em como fazer Brejo da Madre de Deus se tornar um grande espaço ao ar livre para a encenação da Paixão de Cristo. E claro, onde fazer, onde construir.

Percorrendo diariamente tudo quanto foi área da região, Plínio, seu grande amigo Manuel Casé e Diva finalmente encontrar o local ideal. Resolvido tudo? Não, ainda não. Ao encontrar o terreno ideal o problema agora é ter a verba necessária para comprar.

ELES ACREDITARAM NO SONHO

A essa altura o sonho de Plínio já tocava o coração de muitos e então o amigo Alfredo de Oliveira trouxe para conhecê-lo o produtor teatral Paschoal Carlos Magno, pessoa de muito prestígio no Ministério da Cultura do governo de João Goulart. Através de Paschoal, Plínio e sua equipe conseguiram o investimento necessário para construção do teatro.

Outro que acreditou e apoiou o sonho de Plínio Pacheco foi Paula Guerra, na época Governador de Pernambuco. Através do seu apoio Plínio conseguiu construir uma escola no terreno do teatro e erguer as muralhas, começando pelo portão Damasco. Em 1967 foi a vez do governador Nilo Coelho se unir ao sonho de Plínio e através do seu apoio vários templos do teatro foram construídos. Hoje são 70 mil metros quadrados de muita história, encenações, paixões, e, sobretudo a fé de que sonhos sonhados juntos são sempre realizados.



OS ATORES E A ESTRUTURA

Em 2013 são 46 anos da encenação da Paixão de Cristo. A Paixão de Cristo existe desde 1951, e começou como uma simples manifestação religiosa de iniciativa do morador local Epaminondas Mendonça para depois, sob a responsabilidade de Plínio Pacheco se tornar uma dos maiores espetáculos ao ar livre do mundo.

Inicialmente encenada por atores e população local, o espetáculo foi ganhando fama e interesse de grandes patrocinadores como a Rede Globo, que além da cobertura da Paixão de Cristo vem cedendo seus atores para a Sociedade Teatral de Fazenda Nova.

O ator pernambucano José Pimentel encarnou o papel do Cristo por muitos anos, sendo em seguida substituído por atores globais como Thiago Lacerda, Fábio Assunção, Herson Capri entre outros. Em 2010, quando o ator Eriberto Leão precisou se ausentar do espetáculo quem subiu aos palcos foi o pernambucano José Barbosa e a partir de 2011, o posto de “Filho de Deus” é dele desde então.

A peça conta com cerca de 60 atores, 500 figurantes e outros 400 profissionais de montagem, suporte técnico e bastidores. Cenário, iluminação, som e as aproximadamente 800 peças de figurino e adereços fazem o espectador vibrar e se emocionar a cada ato.

O público diário chega a mais de 10 mil pessoas, vindas de toda a parte do Brasil e também de alguns outros países. A organização do evento é primorosa e apesar de tanta gente, todos podem caminhar tranquilos de uma cena a outra guiados por gente da equipe do teatro. Há cadeiras de rodas para cadeirantes e pessoas com dificuldade de locomoção, cadeiras para pessoas idosas na frente de cada palco, ambulância e profissionais preparados para qualquer tipo de ocorrência.



O ESPETÁCULO

O espetáculo retrata a Paixão de Cristo desde a profecia de Moisés e Elias até a ressurreição. Entre elas, temos ainda a tentação de Jesus no deserto, onde ele passou 40 dias, O Sermão da Montanha, a notícia da prisão de João Batista, a ida de Jesus ao Templo onde expulsa os mercadores e discute com os homens da lei; A decisão dos Sacerdotes de condenar Jesus, a traição de Judas por 30 moedas, a última Ceia, A prisão no Horto das Oliveiras, O bacanal de Herodes, O julgamento de Pôncio Pilatos, a Via Sacra, O tormento de Judas e seu suicídio e a crucificação.

Com produção de Robson Pachedo e direção de Carlos Reis e Lucio Lombardi, o espetáculo este ano conta com a participação dos atores Carlos Casagrande como Pilatos, Marcos Pasquim como Herodes, Carol Castro como Madalena e a pernambucana Luciana Lyra como Maria. E assim como em todos os anos, público, atores e equipe encerram o espetáculo como a sensação não só de dever cumprido, mas de mais uma vez prestar uma homenagem contando a mais popular das histórias deixando uma bela mensagem de amor ao próximo. 



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