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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

DESTINO: Uma aventura pelos Balcãs, da Croácia até a Sérvia

Palco recente de um dos piores conflitos da atualidade a região dos Balcãs se abre novamente aos turistas em um roteiro que combina paisagens maravilhosas e experiências inesquecíveis.

Comecei minha cruzada pelos Balcãs inesperadamente por Dubrovnik no sul da Croácia. Por conta de problemas com o visto Sérvio tive que entrar pela Croácia e resolver minha situação na embaixada em Podegorica, capital de Montenegro, antes de entrar na Sérvia. Os transtornos da viagem foram rapidamente compensados pela beleza da cidade. Dubrovnik é seguramente uma das cidades mais bonitas que eu já estive. Toda fortificada e localizada na beira do mar esmeralda croata a cidade guarda uma aula de história em suas vielas medievais. Dar a volta na antiga muralha é um dos grandes atrativos da cidade e é difícil fazer o percurso sem tirar uma centena de fotos. No final da tarde a melhor pedida é subir de teleférico para a parte mais alta da cidade onde fica as ruínas de uma antiga fortaleza hoje símbolo da resistência da cidade no bombardeio de 1991. Além das marcas da guerra o forte tem hoje uma exposição interessante sobre os dias de guerra. O tom da apresentação expondo a versão croata dos fatos mostra como as feridas da guerra recente continuam abertas. Aproveite a vista maravilhosa do local e o por do sol no mar com a cidade antiga de fundo.
De Dubrovnik segui em carro rumo ao sul a Montenegro. Para quem vêm da Croácia as paisagens mais incríveis da costa de Montenegro estão próximas a fronteira. O litoral abre como um fiorde ao sul do país revelando praias maravilhosas e cidades históricas pitorescas. A primeira delas é Perast que além de um vilarejo medieval bem preservado tem duas pequenas ilhas com antigos mosteiros. A vista do alto da torre da igreja é maravilhosa e o passeio fica completo com um almoço de frutos do mar a beira mar. Seguindo pela estrada a próxima cidade que vale uma visita com pernoite é Kotor. Aqui encontrei uns amigos e com a ajuda de uma agencia de viagens na praça principal alugamos um apartamento dentro da cidade antiga. Kotor tem como atrativo além da vila medieval cercada por muros uma fortaleza militar que sobe 2 km morro acima dando a cidade uma linha extra de muralha. A subida até a fortaleza é dura e tem que ser feita no final da tarde com o sol mais baixo. O esforço é compensado com o visual maravilhoso da cidade e do Fiorde. À noite Kotor ferve no verão com vários pequenos bares em suas ruelas e becos.

No dia seguinte seguimos viagem pela costa de Montenegro até Budva que seria nossa base para explorar a costa desse belo país. Budva tem um bonito centro histórico também com sua cidade murada, mas predomina no cenário a cidade moderna e a praia de Becici com bons resorts para quem quer curtir uns dias de praia no mar Adriático. O balneário é bastante turístico com grande parte dos turistas vindo da Sérvia para passar o verão. Por conta disso a cidade tem uma vida noturna interessante, mas já foi bem descaracterizada pelo turismo de massa. 

Após alguns dias de praia curtindo o belo litoral Montenegrino subimos a serra rumo à fronteira com a Sérvia. O trajeto até Belgrado não é longo em distancia (cerca de 500 km), mas as pequenas estradas que atravessam as montanhas tornam a viagem lenta e demorada. O visual no caminho é espetacular principalmente cruzando as altas montanhas que dividem os dois países. Se prepare para encarar uma fila de até 4 horas para passar pela imigração Sérvia. Doze horas depois que deixamos Budva chegávamos ao povoado de Guca no interior da Sérvia onde ficaríamos alguns dias para o tradicional festival de trompetas que acontece todos os anos em Agosto. Por uma semana bandas de
trompetas de todo o país e até internacionais vem a esse pequeno vilarejo competir no festival.
A festa reúne milhares de pessoas que transformam Guca em uma versão Sérvia do Festival de Woodstock com pessoas acampando em todo o espaço disponível nos pastos ao redor da cidade. Através da agencia oficial do evento (guca.com) nos hospedamos em uma casa de uma família local que logo nos recebeu com uma tradicional dose de Raki e o café forte no estilo turco. As ruas estavam lotadas de barracas que vendiam o tradicional porco e carneiro no rolete, bandeiras e camisetas nacionalistas Servias e todo o tipo de souvenir da festa. Por todos os lados bandas desfilavam tocando para qualquer grupo que abanasse alguma nota de Dinar Sérvio. A folia se concentra na arena onde as bandas que estão competindo se apresentam, na rua principal da cidade vários bares e restaurantes ficam lotados. Outro ponto de concentração é a praça da vitória que tem uma estátua de um trompetista. Como manda a tradição todos escalam a estátua para tirar uma foto de preferência abanando a bandeira Sérvia. Para curtir bem o festival apreenda duas palavras essenciais em Sérvio: Pivo (cerveja em Sérvio) vai ser usada ao longo de toda a tarde e a noite, e Voda (água em Sérvio) será essencial para a sua sobrevivência na manhã seguinte.

Depois da minha primeira noite fui desesperado por uma água logo que acordei e os sinais que fiz me renderam uma “Pivô” quente logo de manhã. Outra dica fundamental é que vegetarianos devem passar longe de Guca. As refeições variam de porco e carneiro à kebabs e linguiças. O único vegetal que passou pelos nossos pratos quando alguém pediu uma salada foi um pouco de repolho. Eu presenciei o desespero de um casal holandês que com muito custo conseguiu em uma das barracas que o churrasqueiro prepara-se um peito de frango grelhado que antes de ir para dentro do pão foi batizado com o molhinho do leitão assado. Curta a música e a alegria das ruas com os simpáticos locais. São poucos os estrangeiros que chegam a Guca então é comum que os locais ofereçam Raki ou Pivo aos turistas em gesto de confraternização.
Terminado o fim de semana de festa seguimos para Belgrado. A hoje alegre capital da Sérvia é testemunha da história de muitas guerras envolvendo o país. Da fortaleza medieval que marca seu centro históricos aos prédios em ruínas bombardeados pela Otan em 98 a cidade pode ser facilmente conhecida a pé. Além dos atrativos diurnos Belgrado guarda o melhor para a noite. Com o tamanho de Campinas Belgrado surpreende com uma vida noturna de dar inveja a qualquer metrópole. No verão grande parte dos restaurantes, bares e casas noturnas se concentram na beira do Rio Danúbio em balsas flutuantes.

Comece com um jantar na cidade histórica de Zenum que fica a 18 km de Belgrado e foi no passado o limite do império Austro-Hungaro enquanto Belgrado estava sob o domínio Otomano. A cidade histórica bem preservada tem ótimos restaurantes à beira do rio. Depois da meia noite siga para as balsas em frente ao antigo Hotel Iugoslavia que fica nas proximidades. Invista em uma visita ao Blay Watch que mistura música pop internacional com shows de cantores Sérvios que empolgam os locais. Por conta da vida noturna vale ficar na cidade pelo menos quatro dias. Procure pelo Hotel Mr President, um excelente hotel butique com ótimo custo benefício. Além dos quartos confortáveis o hotel oferece internet, jantar e ligações internacionais grátis.

Terminamos nossa aventura nos Balcãs em Belgrado com a certeza que voltaríamos para conhecer a Bósnia, Macêdonia e o restante da Croácia. Seguramente a região tem assunto para meses de viagem e muitas matérias.

Texto e fotos: Fernando Russo
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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

ROTEIRO: Uma parada no tempo: vivendo Paraty

A primeira coisa que vem à cabeça quando se chega ao Centro Histórico da charmosa Paraty, no litoral sul do Rio de Janeiro, é: a vida parou no tempo. No melhor sentido. E é bem isso mesmo. É considerado pela Unesco como o conjunto arquitetônico colonial mais harmonioso e também Patrimônio Nacional tombado pelo IPHAN. Mais recentemente, a Unesco ainda reconheceu a cidade como uma das mais criativas do Brasil, passando a integrar a Rede de Cidades Criativas da ONU para a Educação por conta da sua gastronomia. Vejam só: nem só de praias, lindas por sinal, vive a bucólica Paraty. 

Se sua passagem por lá for curta, anota umas dicas must do, tem coisa que não dá para deixar de lado. O conjunto de praias de Trindade, a meia hora do Centro, é parada obrigatória para repor a melanina e limpar a vista com aquela paisagem estonteante de mar e montanha que só o Rio te dá de presente. Vale um dia inteirinho sob o sol. 

Dispense o salto alto e as sandálias de plataforma. Viver plenamente Paraty implica também em se despojar e entrar no tempo que corre mais devagar naquelas bandas. Todo o centrinho é feito de ruas com pedras agigantadas, desniveladas, conhecidas como pé de moleque. É prudente abusar das Havaianas e rasteiras. Leve a câmera fotográfica e perca umas boas horas fotografando o casario colorido que é marca registrada do conjunto arquitetônico colonial, com fachadas que são herança da maçonaria. Com sorte, em dias de lua cheia, você consegue presenciar algumas ruas sendo invadidas pela maré. É um belo espetáculo para turista nenhum botar defeito. 
Ateliês, lojinhas e muitos restaurantes hoje ocupam a maioria das casas históricas. A Casa da Cultura é o epicentro de muitos dos eventos artísticos. Paraty carrega fortes influências portuguesas, sobretudo no quesito religioso, e, somente no centro, há 4 igrejas, cada uma dedicada a diferentes camadas da população, à época: senhoras integrantes da nobreza, escravos, homens pardos e libertos. Até os dias de hoje, as celebrações católicas integram o calendário oficial do município. Não dispense um dos inúmeros passeios de barco pelo conjunto de ilhas da região. Barcos partem o dia inteiro do porto, que fica a alguns passos do Centro Histórico. 



ROTEIRO GASTRONÔMICO

Não há dieta que resista aos encontros frequentes com os tradicionais carrinhos de guloseimas parados em várias ruas de Paraty. Vendedores anunciam cocada, bolo de mandioca, quindins e outras tantas “gordices”, que caem na medida com um cafezinho coado. Aliás, quando o assunto é gastronomia, o lugar não decepciona. São tantas as opções, para todos os bolsos, que é difícil escolher. Mas uma curiosidade antiga me levou direto ao Banana da Terra, restaurante de cozinha brasileira pilotado pela chef Ana Bueno. E se valer uma dica, não deixe de conhecer a casa. Natural de Paraty, Ana é uma figura delicada, das mais talentosas da gastronomia brasileira. Um jantar em sua casa é um presente para se dar. Das lembranças gustativas mais marcantes é a barriga de porco com purê de abacaxi e farofinha crocante, e a combinação de indescritível simplicidade de doce de abóbora caseiro com doce e sorvete de coco, uma verdadeira poesia para o paladar. 



O Thai Brasil é outra casa para incluir no roteiro. Com pegada tailandesa, o restaurante carrega o colorido dos ingredientes do país que inspira a casa. Opções de curry e sopas apimentadas são minhas sugestões para curtir um jantar exótico. Mas se o seu negócio for mesmo exclusividade, procure por Yara Roberts, uma chef viajante que, junto ao marido fotógrafo, abre a própria casa para cozinhar para pequenos grupos de turistas. É o projeto Academia de Cozinha e Outros Prazeres, em que ela propõe menu degustação harmonizado, com receitas brasileiras e ingredientes da região. De cortesia, o conviva ainda se deleita com as histórias de viagem do casal que corre o mundo. 

A Fazenda Bananal, fora do centrinho de Paraty, é um ótimo passeio tanto para crianças quanto para adultos. Lá, se conhece um pouco a história da Estrada Real, cujo casarão colonial é datado de 1846, e se tem contato com culturas agrícolas sustentáveis. Um descolado restaurante foi agregado à estrutura original, servindo cozinha autoral, explorando os ingredientes cultivados na própria horta. 

A produção de cachaça é tradicionalíssima naquelas paragens, portanto, os alambiques viram pontos de visitação curiosos. A Paratiana é uma das produtoras locais mais prestigiadas e sustenta premiações importantes. É possível visitar as instalações gratuitamente. Mas é impossível sair de lá sem arrematar alguns rótulos da branquinha e um dos doces e geleias caseiras vendidos na lojinha do local. 


quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

DESTINO: América do Sul sobre rodas - Com um pé na estrada e muitas histórias para contar

Se viajar é viver, então por que não viver viajando? Foi com esse pensamento que decidimos iniciar nossas aventuras pelo mundo! Nós sempre tivemos vontade de conhecer mais a cultura dos nossos hermanos, sua gastronomia e as belas paisagens do sul do continente. Por isso, quando surgiu a ideia dessa temporada de viagens internacionais, concluímos que explorar a América do Sul, passando por Uruguai, Argentina, Chile, Peru, Equador e Colômbia, poderia ser uma grande experiência e um novo passo para nós.

Como não teríamos orçamento para levar uma equipe conosco, o jeito era encarar sozinhos a missão de gravar dez episódios para a televisão brasileira. Isso nos obrigaria a fazer o trabalho de pelo menos oito pessoas, além de nos desdobrarmos para cruzar os 21 mil quilômetros no continente! A preparação para enfrentar o novo desafio foi de apenas 3 meses, já que queríamos aproveitar a chegada do verão no Hemisfério Sul. Nesse curto espaço de tempo, fizemos a pré-produção de tudo que precisaríamos e fomos obrigados a estipular um cronograma de gravação apertado para cumprir. O roteiro foi planejado em cima das pautas escolhidas em cada país, e a definição da rota foi fundamental para ganharmos as estradas! A verdade é que a gente não tinha a menor ideia do que ia encontrar pela frente.

No decorrer dos 180 dias consecutivos, ajudamos a escavar um dinossauro de 90 milhões de anos, escalamos um dos vulcões mais ativos da América do Sul, visitamos povos que vivem em ilhas flutuantes no Lago Titicaca, praias paradisíacas no Pacífico, geleiras, florestas e muito mais! Foi uma viagem extraordinária, e por termos apenas um ao outro para contar e compartilhar tantas descobertas, nossa relação como casal ficou ainda mais fortalecida.

Como nem tudo são flores, imprevistos acontecem. Mesmo com tudo planejado, nós passamos por algumas situações complicadas, como quando acabamos com as pastilhas dos freios na descida da Cordilheira dos Andes e ficamos atolados com o motorhome em uma estrada de cinzas vulcânicas na Argentina.
Conheça alguns trechos história.

PORQUE AMÉRICA DO SUL

Nós já havíamos realizado uma primeira expedição voando em um monomotor pelo Brasil e queríamos expandir nossas fronteiras e conhecer mais do sul do continente. Foi então que pensamos em fazer uma grande viagem pelos países da América do Sul e gravar a segunda temporada da série para a TV Globo. Nós tivemos apenas três meses de pré-produção e planejamento, foi tudo muito rápido, mas conseguimos fazer toda a pesquisa das pautas, entrar em contato com os entrevistados e definir a nossa rota.

POR VEZES OS ASSUNTOS NOS ESCOLHEM

Nós fizemos uma grande pesquisa sobre os temas interessantes que poderíamos abordar em cada país e região. Tentávamos sempre encontrar duas pautas por país para diversificar os assuntos e diminuir o tempo de deslocamento de uma locação a outra. Mas muita coisa interessante que surgia na rota também virava pauta, como, por exemplo, os bosques petrificados de Sarmiento, com árvores de 65 milhões de anos!





APRENDENDO E LIDANDO COM DIFICULDADES

A primeira dificuldade foi o idioma espanhol, pois saímos daqui falando um "portunhol" improvisado. Fomos, a cada dia, nos aprimorando na língua e no final da expedição estávamos supercontentes por termos conseguido aprender a falar fluentemente o espanhol. A outra dificuldade que tínhamos no decorrer da viagem, era de encontrar campings para pernoitar com o motorhome em algumas localidades não tão turísticas. A América do Sul ainda não tem tanta infraestrutura para este tipo de turismo, mas isso tem um lado bom. A experiência acaba sendo mais íntima e selvagem em diversos lugares, já que essas regiões foram menos exploradas.

DEPOIS DO ESFORÇO, A RECOMPENSA 

Uma das experiências mais marcantes que tivemos durante a viagem, foi quando escalamos o Vulcão Villarrica, na cidade de Pucón, no Chile. Esse é um dos vulcões mais ativos da América do Sul e foram cinco horas caminhando para chegar até o topo da cratera. Este foi o maior exemplo de superação que nós tivemos de passar durante a viagem. Ao longo do percurso, quase desistimos por diversas vezes, pois o trajeto realmente exige muito preparo. Apesar de todo o cansaço, e com muito esforço, conseguimos completar a missão e chegar ao cume do imponente vulcão.



LAR, DOCE LAR POR ONDE FOR

Nossa primeira viagem de motorhome foi pela Nova Zelândia e foi uma experiência inesquecível. O motorhome é ao mesmo tempo o meio de transporte, o “hotel” e o restaurante, já que ele reúne todas as necessidades básicas de uma viagem. Você escolhe onde irá dormir, almoçar e jantar e, por vezes, os lugares podem ser bem pitorescos e fora do circuito turístico. Esse estilo de viagem mudou o nosso conceito de turismo e de vida. Durante a expedição percebemos como algumas “necessidades” de uma cidade grande se tornam desnecessárias no dia a dia e nós aprendemos a viver com muito menos do que o habitual.

AR, TERRA...EM BREVE MAR

Depois de voar pelo céus do Brasil e cruzar as estradas da América do Sul por terra, é hora de desbravar o mar! Já estamos trabalhando no planejamento da terceira temporada da série para fecharmos a trilogia: ar, terra e mar. 


VAI. SONHOS SE REALIZAM NO MOVIMENTO

Uma dica muito importante é definir a data de partida, parece que quando definimos uma meta, as coisas convergem para a realização do objetivo. Uma segunda dica que sempre damos, é não desistir dos seus sonhos. Às vezes pode demorar, pode parecer muito difícil, mas com força de vontade e dedicação as coisas acontecem.

LER TAMBÉM É VIAJAR

Enfim, são tantas aventuras que, além da série na TV, resolvemos lançar o livro "América do Sul Sobre Rodas", onde mostramos nossas dicas da viagem, o roteiro completo que percorremos, as histórias inéditas e as diversas fotos dessa incrível jornada que fizemos pelo sul do continente. 


terça-feira, 12 de dezembro de 2017

VIAGEM: Você viaja ou vai viajar sozinho? Veja algumas dicas de como tirar de letra na chegada, hospedagem e atrações turísticas

Para quem não está acostumado, viajar sozinho pode parecer um desafio ou até mesmo algo, desculpem o clichê, solitário demais. A primeira imagem que vem à cabeça é sobre como é possível passar dez dias ou mais sem ter alguém para conversar, dividir a experiência ou até mesmo tirar fotos suas naqueles lugares marcantes. No entanto viajar sozinho pode abrir portas para caminhos que nunca seriam possíveis de alcançar durante o convívio social de uma viagem com amigos ou à casal. Pode se tornar um processo de reflexão, de encontrar a si mesmo de uma maneira ímpar. É, principalmente, a chance que se tem para interagir com o lugar em que está de uma maneira mais direta, muitas vezes quase que como os moradores locais.


A viagem pode começar desde o momento de se decidir para onde ir. Neste momento olha-se para os lados e ao invés de debater com alguém qual lugar se vai, percebe-se que a escolha depende apenas de si. Isso pode representar uma chance de se conhecer locais fora do trivial - EUA, Europa, Chile e Argentina - ou até mesmo ir para lugares já bem conhecidos, mas aproveitando para conhecer aquele beco cheio de bares e restaurantes que você viu quando estava naquele ônibus de sightseeing, mas não teve chance de parar para não atrasar o roteiro dos amigos.

A primeira opção é quase sempre feita de surpresas constantes desde os primeiros momentos:

1. Dificuldade de se chegar: muitas vezes tem-se que se sujeitar a passar muitas horas dentro de aviões e aeroportos. E não se fala de 7 a 8 horas de avião, mas de pelo menos 15 a 20 horas, entre aviões, salas de embarque e despachos de bagagens (principalmente nos EUA). No entanto este momento são perfeitos para se aproveitar e adiantar a leitura daquele livro que está encostado no criado mudo, ao lado da cama. Outra característica é que geralmente essas conexões são feitas em grandes hubs aéreos, aeroportos enormes onde pessoas do mundo todo estão chegando e partindo (Heathrow, JFK, Los Angeles, Beijing e muitos outros). Por isso são momentos incríveis para se observar pessoas diferentes com seus costumes peculiares em um mesmo lugar.

2. Hospedagem: muitas pessoas procuram locais para se hospedar por indicação direta de amigos. No entanto quando não temos informações de conhecidos sobre o local escolhido muitas vezes não se sabe por onde começar a procurar. Mesmo sendo uma boa fonte de consulta, nem todos confiam em dicas de sites de reservas de hotéis como o Booking.com. Por isso uma das melhores dicas é albergues. A rede de  Albergues da Juventude da Hosteling International (www.hihostels.com) e também da YHA - Reino Unido (www.yha.co.uk) são fontes confiáveis de qualidade na hospedagem. Além de sempre estarem bem conservados, Albergues da Juventude filiados a estes programas são locais perfeitos para se conhecer pessoas de todas as partes do mundo. E não deve-se pensar que há apenas quartos para seis ou mais pessoas, com aquele banheiro coletivo no final do corredor, hoje muitos albergues já oferecem opção de quartos duplos com banheiro privativo. E dependendo do quanto se gasta, é como se hospedar em uma pousada de charme (ou hotel design), mas ainda assim pela metade do preço.

3. O que fazer e atrações: Aqui se encontra o mesmo problema do tópico anterior. Quando se decide qual o local a ser visitado, geralmente a escolha foi baseada em locais e/ou atrações que chamaram a atenção e cativaram o interesse. No entanto muitos se perguntam sobre o que fazer nos outros dias? Há mais opções? A melhor dica é procurar por blogs de viagem, eles sempre tratam não apenas dos roteiros comuns de viagem, mas também de roteiros mais exóticos. O blog Viaje na Viagem (www.viajenaviagem.com) possui inclusive um tópico com sugestões básicas sobre como viajar solo.

VOLTANDO AO DESTINO

A segunda opção, de viajar para locais que já conhecemos, sofre de um problema logo ao se começar a planejar na viagem: vale a pena ir novamente para um lugar que já visitado ou deve-se aproveitar e conhecer lugares novos? Sim, vale muito! Todo lugar interessante que se conhece sempre guarda alguma surpresa, seja aquele restaurante que só os locais frequentam, aquele parque não muito falado ou até mesmo a própria vida cotidiana dos moradores. Para poder aproveitar bem a viagem sem a sensação de déjà vu, há algumas dicas básicas:


1. Chegar: como já se foi uma vez, a segunda é sempre mais fácil. No entanto, caso o roteiro inclua mais de um local, por que ao invés de se usar o tradicional avião de uma cidade para outra, não se usa um transporte não muito comum aos Brasileiros? Dez entre dez pessoas sempre indicam o trem como o transporte ideal entre cidades na Europa. Além da facilidade de embarque e desembarque e conforto (as poltronas são mais largas que as de aviões), ganhamos tempo também no fato de algumas vezes evitarmos passar pelas checagens de fronteiras. O mesmo vale para aluguel de carro, apesar de que nem todas as cidades históricas serem preparadas para este tipo de transporte (estacionamentos são sempre difíceis de encontrar, principalmente em cidades históricas). Procure também levar o mínimo de bagagem nestes casos, isso facilita o deslocamento e evita perda de tempo em despacho.

2. Hospedagem: agora que a cidade já é bem conhecida, porque não alugar um apartamento ao invés de ficar em um hotel tradicional? Essa opção, cada vez mais comum nas grandes metrópoles do mundo, tem se tornado uma tendência cada vez mais segura. Hoje sites especializados oferecem total suporte para aluguel de apartamento, flats e até mesmo dormitórios em casas de famílias (essa opção é conhecida por Bed and Breakfast, bastante comum no Reino Unido). O mais conhecido atualmente é o AirBnB (www.airbnb.com). Uma dica de antemão: locação de apartamentos e quartos na cidade de Nova Iorque é proibido por lei, é direito exclusivo de hotéis e pousadas registradas (mais informações aqui: http://travel.usatoday.com/destinations/dispatches/post/2010/06/new-york-considers-ban-on-vacation-rentals/98153/1).


3. O que fazer e atrações: sair do comum, do tradicional é sempre difícil quando não se tem opções previamente escolhidas. A melhor maneira de começar é procurando dicas de moradores e isso pode ser feito em páginas na Web dedicadas às cidades, principalmente no Facebook. Deve-se também considerar tour locais, tais como aqueles com guias para se andar a pé ou de bicicleta determinado bairro ou região. Geralmente esses passeios são bastante frequentados até mesmo por moradores. Em pubs e bares, procure sempre se relacionar com frequentadores e bartenders, para isso procure sentar no balcão ou mesas para várias pessoas, ao invés de procurar por mesas exclusivas. Isso facilita a interação com os locais e uma boa conversa sempre rende novas dicas. Em aeroportos e estações de trem as pessoas sempre podem ser mais facilmente abordadas para uma conversa. No entanto fique atento caso aquela pessoa esteja com os dois fones nos ouvidos, isso pode ser um sinal claro de “não perturbe”. Caso a pessoa pretende passar mais de um mês em um local, pode-se aproveitar e engatar um curso para aprender (ou aperfeiçoar) a língua local. É garantia de socialização certa.

Para finalizar lembre-se: viajar sozinho é uma chance ímpar para aprender não apenas sobre os locais que se deseja conhecer, mas também sobre si mesmo.



 Links que podem ajudar na elaboração do roteiro: 

http://solotravelerblog.com
Blog sobre viagens solos, um dos mais conhecidos da Web. Além de dicas sobre atrações e épocas ideias para se visitar determinados locais, o blog disponibiliza verdadeiros manuais.

http://www.viajenaviagem.com/seu-estilo/solo/
Ricardo Freire sempre tem dicas expertas sobre qualquer tipo de viagem.

Sites oficiais dos locais que se pretende ir, como por exemplo: o www.visitbritain.com

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

DIÁRIO DE BORDO: Dallas beyond the "buyers club"

Durante viagem para o Canadá fiz uma escala em Dallas. Naquela oportunidade tive menos de 24 horas para "conhecê-la", mas suas características me deixaram com aquela vontade de "quero mais"!  O aeroporto fica na pequena cidade de Fort Worth a cerca de 40 minutos de distância, mas não subestimem: trata-se do hub da empresa aérea American Airlines, e surpreende pelo tamanho e variedade de lojas. Sem dúvida é daqueles aeroportos que - no retorno - gostamos de chegar com alguma antecedência para um "last look"! Por fim, fui impactado pelo banner a seguir com a imagem que bem caracteriza o Texas no imaginário coletivo: terra de pastos, gados e cowboys!



Era agosto, no auge do verão texano! Segui então para o hotel, localizado no centro da cidade. No caminho passei por Adisson - que acolhe muitas industrias e escritórios corporativos. Alguns shoppings gigantescos com grandes marcas podem ser avistados a beira da rodovia principal, dentre os quais o “Galleria". Os galpões se fundem aos viadutos e, ao longe, surgem esboços de arranha céus e torres. Hospedei-me (e super indico) no charmoso Joule Hotel (www.thejouledallas.com) onde, logo na entrada, me deparei com a imensa escultura de um globo ocular no páteo.


Escultura “Big Eye” do artista Tony Tasset, com seus 30 metros de altura, tridimensional.
As ruas me lembraram “Gastown”, em Vancouver, num mix interessante de construções ultra modernas e redutos pitorescos que remetem a época da fundação da cidade (cerca 1841). Muitas praças, restaurantes e bares, em sua maioria especializados na culinária mexicana. Aliás, fica a dica aos que não gostam de pimenta e condimentos! Cervejas artesanais e drinks exclusivos podem ser saboreados a cada esquina.




O centro divide-se em regiões estratégicas: área financeira, igrejas e templos religiosos, prédios comerciais e um reduto especial chamado “Art District”, onde ficam os museus e muitas, mas muitas esculturas espalhadas por toda parte! Aos que curtem museus indico o Centro Nasher de esculturas e o “Dallas Contemporary”. Grafites inspiradores ocupam grandes murais e fachadas dos edifícios. Na paisagem externa, chama a atenção uma serie de gigantes metálicos em várias posições de um único personagem, o “Travelling Man”, criação de Brad Oldham. A seguir, alguns registros do simpático conterrâneo.





Atrás apenas de Houston e San Antonio, Dallas desponta como a terceira maior cidade do Texas, com mais de 6 milhões de habitantes. Cenário do trágico assassinato do presidente americano John F. Kennedy em 1963, a região do Dealey Plaza ainda e bastante visitada. Vidros espelhados dominam a fachada dos edifícios que geralmente trazem lojas ou pequenos “Malls" nos andares térreos. A cada reflexo… uma boa surpresa!




Encantos turísticos a parte, o meu alvo estava nas lojas de decoração e design, muito bem representadas ao longo da imponente McKinney Avenue com a presença de grandes nomes e marcas como Johathan Adler, Crate&Barrel, 4510 e Apple. A seguir compartilho algumas fotos que fiz no interior dessas lojas que ditam tendências. Dallas não e uma cidade estruturada para se andar a pé, mas num lapso de distração confesso ter caminhado cerca de 3 km por essa avenida com tantas possibilidades! 

Minha estada foi de apenas 5 dias, o suficiente para conhecer os principais pontos de interesse. Sem dúvida temos aqui uma alternativa tranquila, recheada de cultura, bem mais barata que outras localidades americanas e que oferece a mesma infraestrutura em termos de hospedagem, comércio e gastronomia. Essa viagem jamais poderia ser encerrada sem a subida no topo da "Reunion Tower”, de onde registrei um dos “skylines” mais impressionantes que já vi, emoldurado pelo pôr do sol. Moradores agradáveis, solícitos e muito bem humorados te aguardam nesse destino, sem dúvida, surpreendente! Até a próxima parada!

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

HOTÉIS & RESORTS: Fuja do frio rumo ao Caribe - Uma seleção de 9 resorts all-inclusive

Embora o inverno esteja quase no fim, as baixas temperaturas ainda estão "em alta" em grande parte do Brasil. Para quem quer tirar uma folga desse tempo frio e aproveitar o melhor do verão caribenho, fizemos uma seleção de resorts 4 e 5 estrelas da região com estadia all-inclusive, que vão proporcionar momentos de relax total com conforto e bem-estar de alto nível. Destinos como Punta Cana, Cancun, Jamaica e Costa Rica estão entre os mais desejados dentre os viajantes brasileiros. Cercados de praias paradisíacas, essas cidades também são cheias de história e recebem viajantes de todos os estilos. Afinal quem não sonha com o Caribe? E com mordomia ainda melhor.



CATEGORIA ADULTS ONLY

As praias caribenhas também são conhecidas por serem badaladas. O Breathless Punta Cana Resort & Spa aqui (5 estrelas) oferece muita diversão e festas non-stop para casais ou grupos de amigos. Além disso, o resort adults only oferece uma infraestrutura completa com oito piscinas, aulas de dança, música ao vivo, boate, espetáculos, cassino e atividades ao ar livre e entrada inclusa no Cassino.

Localizado à beira-mar, entre a Riviera Maya e Cancun, no México, o Breathless Riviera Cancun aqui (5 estrelas) é exclusivo para adultos. Com instalações luxuosas o resort oferece muito agito na Festa do Champanhe que acontece dentro de uma jacuzzi gigante, além de outros eventos com diversos DJ's dentro e fora do hotel. A diversão ao ar livre pode ser aproveitada em esportes aquáticos e as saborosas refeições em nove restaurantes temáticos.

Localizado em MoBay, na Jamaica, o Breathless aqui (5 estrelas) traz uma programação exclusiva para adultos. O resort cinco estrelas apresenta uma atmosfera chique e vibrante, festas e shows com grandes DJs, além de saborosos cardápios internacionais que vão desde pratos caribenhos até frutos do mar em 5 restaurantes temáticos e 5 charmosos bares para diversão.


CATEGORIA FAMILY

À beira da Praia El Cortecito, em Punta Cana, o Sunscape Bávaro Beach aqui (4 estrelas) oferece uma estrutura completa e atividades para todas as idades como: snorkeling, windsurf e caiaque. Os adultos podem desfrutar de bebidas premium, música ao vivo e pista de dança no Bar Starlight. Já o Core Zone e o Explorer's Club possuem programação o dia todo para crianças e adolescentes!
Com uma infraestrutura voltada para a família, o Sunscape Sabor Cozumel aqui (4 estrelas), localizado na Ilha de Cozumel, oferece aos seus hóspedes, além de um visual paradisíaco, duas piscinas, vôlei de praia, ping pong, quatro restaurantes, três bares e shows noturnos, e uma programação exclusiva para crianças e adolescentes.

Localizada no arquipélago das Grandes Antilhas, a Jamaica é uma das joias do Caribe. Em MoBay, como é chamada Montego Bay, a capital turística do país está o Sunscape Splash aqui (4 estrelas), que traz aos seus hóspedes uma estrutura completa para as férias em família. Além de uma programação dedicada para crianças e adolescentes o resort apresenta parque aquático Pirate's Paradise, com um navio pirata em tamanho real.


CATEGORIA RELAX

Um dos destinos mais paradisíacos da República Dominicana, Punta Cana, conta com 50 km de praias de areia branca e água azul turquesa. O pacote relax de seis noites no Dreams Palm Beach aqui (5 estrelas) oferece ao viajante uma hospedagem a beira-mar com diversas opções de atividades, entre elas um SPA e massagens, ótimo para quem quer relaxar.

O Dreams Sands Resort & Spa aqui (4 estrelas), em Cancun, fica à beira de uma exuberante praia do mar caribenho e Isla Mujeres com atividades como projeção de filmes na praia e aulas de: espanhol, dança caribenha, yoga, culinária e muito mais. O resort têm tratamentos corporais, massagens e terapias rejuvenescedoras, além de banheiras de hidromassagem e saunas seca e a vapor no Dreams SPA by Pevonia, mediantes a um custo a parte.

Situado na Playa El Jobo, na tranquila costa norte de Guanacaste, na Costa Rica, o Dreams Las Mareas aqui (5 estrelas) é cercado por praias sombreadas por palmeiras e a acomodação oferece uma linda vista para a montanha e grandes florestas. O resort conta com festas temáticas, atividades ao ar livre, aulas de culinária, preparação de cocktail, espanhol, yoga e dança, além de um SPA com diversos tratamentos.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

DESTINO: Uma aventura de carro pelo deserto da Namíbia

Localizado na Costa Oeste do continente africano, entre África do Sul e Angola, a Namíbia é um dos países com a menor densidade demográfica do mundo com apenas 2,2 habitantes por km², e grande parte de seu território é coberta por desertos e parques nacionais. 

Nossa viagem começa na capital em Windhoek quase nas vésperas do ano novo. A tranquila capital da Namíbia ainda guarda um pouco da influência dos colonizadores alemães que lá construíram uma bela catedral Luterana e alguns casarões que lembram vilarejos da Bavária. Outro legado deixado pelos alemães foi a fabricação de cervejas. A Windhoek Lager é sem dúvidas a melhor cerveja que já tomei na África.  Comemoramos a nossa chegada com uma bem gelada no bar da cobertura do hotel Hilton de onde se tem uma vista panorâmica do centro da cidade. O hotel é uma excelente base para conhecer o centro e funciona como porta de entrada e saída para muitos visitantes de passagem para as atrações do país.



Apesar de ter sido colônia Alemã, a Namíbia foi tomada pelos britânicos na primeira guerra mundial.  Os ingleses ficaram com as minas de diamante e logo anexaram a Namíbia ao território da África do Sul, do qual fez parte até a sua independência em 1990.  Por conta disso, o inglês ainda é uma das línguas oficiais da Namíbia junto com o Africâner e dialetos locais. Outro facilitador para o turista é que o dinheiro local chamado Namibian Dollar está atrelado ao Rand Sul-africano, que está disponível para compra aqui no Brasil e pode ser usado tranquilamente por toda a Namíbia.  Aproveitamos para conhecer a capital em nosso primeiro dia já que no dia seguinte seguiríamos para Walvis Bay no litoral. 

Comprei nossas passagens aéreas para Walvis Bay pelo site da Namibian Airways com meses de antecedência. Pretendíamos voar no dia 30 de dezembro e só havia um voo por dia. O plano B seria alugar um carro na capital e dirigir 650 quilômetros pelo deserto até a costa. Decidimos fazer o trajeto por terra somente na volta.  Embarcamos esperando um voo lotado, entretanto o novo Embraer da Namibian Airways tinha menos de dez passageiros a bordo. Pousamos no meio do deserto e desembarcamos em um pequeno aeroporto improvisado com terminais em tendas e containers. Um novo aeroporto está sendo construído em Walvis Bay


Na saída retiramos nosso carro e seguimos 50 quilômetros rumo ao litoral norte, direto para Swakopmund. Construída pelos alemães no século XIX, essa bela vila que ainda preserva seu patrimônio histórico é hoje o principal centro turístico da região e é também conhecida como a capital dos esportes radicais. A caminho de Swakopmund já se pode admirar um dos principais atrativos da região: as dunas gigantes do deserto que chegam até a praia. Nos instalamos em um simpático hotel a beira mar chamado Atlantic Beach Villas. Era um dos poucos disponíveis nos tradicionais sites de reservas online e a escolha não decepcionou. Tínhamos um amplo apartamento térreo com uma varanda com vista para a praia. Com uma visita a um supermercado nossa noite do ano novo já estaria garantida.



Em nosso primeiro dia começamos com a atração maior da cidade: o deserto. O acesso é restrito a carros e grande parte de sua extensão está dentro de um parque nacional. Sendo assim, nos juntamos ao Tommy Desert Tours para conhecer as dunas em um 4X4. No folheto do tour a promessa era um safari dos Little Five, ou “pequenos cinco”, fazendo uma paródia com os Big Five, que são os cinco grandes mamíferos que todos querem ver durante um safari na África. Guiados pelo próprio Tommy, descobrimos a diversidade de vida e a fragilidade do ecossistema do deserto. Muito além dos montes de areia vivem ali várias espécies de plantas e animais que conseguem sua água através da condensação da névoa úmida vinda do mar que encobre o céu por algumas horas todos os dias. 

Apesar de nunca chover nessa região, a temperatura está sempre entre 10ºC e 20ºC em qualquer época do ano. De besouros a cobras e camaleões, Tommy mostra todos esses pequenos animais dando uma aula de biologia. Fora a aula, o visual é de tirar o fôlego. Do topo das dunas a paisagem é marcada pelo contraste do mar azul encontrando as areias multicoloridas do deserto. Após quatro quilômetros de dunas rumo ao interior, as areias dão lugar a uma planície desértica, e mais algumas dezenas de quilômetros adentro surgem rochas vulcânicas que mostram parte da crosta mais antiga da Terra em uma formação conhecida como a “face da lua”. A jornada além das dunas não está incluída no roteiro do Tommy, mas vale a viagem de uma hora no final da tarde para visitar esse cenário da “face da lua”, que já foi usado em alguns filmes de Hollywood.

Além dos passeios pelo deserto, vale conhecer também o cais de Walvis Bay e admirar a colônia de pelicanos na praia. É fácil tomar um barco no porto e visitar a colônia de focas nas águas geladas do oceano Atlântico sul, rico em vida marinha, que aliás é um prato cheio para os amantes de frutos do mar. Passamos três das noites mais disputadas do ano em total tranquilidade em Swakopmund.  No dia 2 de Janeiro decidimos cair na estrada e seguir rumo ao interior a caminho de Sossusvlei, uma das principais atrações da Namíbia. Nesse dia descobri meu primeiro erro de planejamento.  Todas as estradas da região apesar de largas e bem conservadas são de terra batida. Portanto ao alugar um carro escolha um veículo 4X4 e não um pequeno Polo como eu. Cruzamos o deserto por dezenas de quilômetros sem encontrar com um único carro, enquanto muitos dos meus amigos encaravam horas de congestionamento para voltar da praia após o ano novo no Brasil.


No primeiro dia viajamos cerca de 300 quilômetros até um hotel no deserto chamado Rostock Ritz que seria nossa base pelos próximos dois dias. Durante todo o trajeto não avistamos nenhum ponto de parada, nem um posto de gasolina sequer, apenas alguns banheiros públicos improvisados com um cercado de madeira e um buraco no chão. Nosso Polo aguentou bravamente o calor e a areia do deserto passando por paisagens deslumbrantes. Vez por outra atravessávamos leitos de rio secos que por nunca encherem não se fazia necessário construir pontes. Nesses leitos de rio algumas árvores e plantas crescem com a ajuda da água que corre pelo subterrâneo.

Chegamos ao Rostock Ritz e encontramos um verdadeiro oásis no meio do deserto. Com os chalés construídos no alto de uma colina em forma de iglus, a vista que se tem dos apartamentos é de tirar o folego. Sem qualquer luxo cada iglu tem uma cama de casal coberta por um mosquiteiro e um ventilador de teto que se move por energia eólica. A arquitetura do iglu deixa a temperatura interna bem agradável. Foi da nossa varanda que vi o céu mais estrelado da minha vida.  No dia seguinte partimos bem cedo para Sossusvlei, que ainda estava a quase quatro horas de viagem, na tentativa de chegar às dunas gigantes quando o sol não estivesse alto. No caminho vimos o espetáculo do nascer do sol cercado de manadas de zebras e antílopes no deserto. 



Quando entramos no parque nacional já chegava perto das 10h00. Deixamos nosso bravo Polo para trás e pegamos um veículo 4X4 do parque que nos levou até as dunas gigantes de Sossusvlei. A paisagem não podia ser mais maravilhosa. Dunas de mais de 300 metros e tons avermelhados contrastavam com lagos secos de tom amarelado e árvores de milhares de anos fossilizadas. O coração do parque era mais seco que qualquer outro local que atravessamos do deserto. Escalamos uma duna gigante sofrendo com o calor para ver o visual lá de cima, retornando para o carro uma hora depois já meio desidratados.



Na volta pretendíamos conhecer uma cidade chamada Solitaire que era anunciada por placas desde que deixamos o litoral e ficava no caminho de volta ao hotel. Seria uma parada perfeita para o almoço. Quando nos aproximávamos da cidade passamos por um posto de gasolina que era o único que vi no caminho todo. As placas nos confundiam. Não conseguíamos encontrar a tal cidade e já meio famintos decidimos voltar e parar no posto mesmo. Ao chegar, para a nossa surpresa, o posto de gasolina era Solitaire. A zona urbana da cidade era formada pelo posto, um restaurante, uma lanchonete, um pequeno mercado e uma borracharia. A placa de bem-vindo a Solitaire indicava que na cidade havia 92 habitantes. Provavelmente a grande maioria vive nas fazendas da região. Nos deliciamos com um bife de antílope antes de retornar ao hotel para a nossa última noite no deserto. No dia seguinte outros 300 quilômetros nos separavam da capital Windhoek, onde passaríamos a última noite antes de deixar o país. De volta ao hotel, admirando meu último pôr do sol na Namíbia, coloquei aquele simpático país entre os cinco mais bonitos que eu já tinha visitado em uma longa lista de 65 países. Agora quando me perguntam o que foi que eu mais gostei da Namíbia a resposta é simples: o silêncio, a simpatia e a simplicidade de um lugar maravilhoso.