Mostrando postagens com marcador vinho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador vinho. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

BEBIDA: O novo "must go" em Paris

A França é um dos maiores produtores e consumidores de vinho do mundo. Essa bebida milenar está no DNA dos franceses e quem viaja a Paris não pode deixar de mergulhar nesse universo. Mas, mesmo os enófilos mais experientes, podem se sentir perdidos em meio a tantas apelações, regiões, cortes e  terrois. Afinal, sem falar o idioma, como escolher um bom vinho francês?

Essas dúvidas podem ser esclarecidas e, surpreendentemente, por uma sommelière brasileira em Paris! Ela é uma jornalista que, depois de dez anos de profissão, decidiu trocar a caneta pelo saca-rolhas. Em 2013, Ana Carolina Dani se formou no programa Métiers du Vin et Management da escola Cordon Bleu em Paris, uma das mais conceituadas escolas de gastronomia do mundo. Hoje ela é sommelière, inscrita na Associação de Sommeliers de Paris e responsável pela venda de vinhos e contato com os clientes brasileiros das Caves Legrand, uma das mais tradicionais, prestigiosas e completas da cidade luz.

A Legrand se tornou um must go em Paris. Um local aconchegante e requintado dentro de uma das mais belas galerias de Paris, a Galerie Vivienne. Com o piso em mosaico e teto de vidro que datam de 1823, essa galeria é tombada pelo patrimonio histórico. Somente a arquitetura e o ambiente já valem a visita! A casa, inaugurada em 1880, oferece mais de 5 mil rótulos de 360 produtores, incluindo desde os maiores crus franceses, até vinhos raros de pequenos produtores. As garrafas compradas na loja também podem ser degustadas, sem nenhum acréscimo, no Comptoir, o agradável bar e restaurante da Legrand.


CURSOS E DEGUSTAÇÃO

Os cursos em português da Legrand começaram em maio deste ano e fazem parte de uma estratégia mais ampla que tem como foco o mercado e clientes brasileiros. Com certeza uma saborosa oportunidade de ter esta experiência diferenciada na cultura dos vinhos franceses.

A programação propõe três módulos, com duração de 3 horas cada um. O curso principal é dedicado aos Grandes Crus e inclui os melhores vinhos de regiões célebres, como Margaux, em Bordeaux, Gevrey-Chambertin, na Borgonha, ou, ainda, Côte Rotie, na região do Rhône.

Já o módulo Vins de Vignerons, tem foco em vinhos com estilo e personalidade próprios, elaborados por pequenos produtores, com ótimo custo benefício. A terceira opção, apresenta os maiores vinhos brancos franceses das regiões como a Alsácia, o Loire ou a Borgonha.

Durante a degustação, Ana Carolina aborda os principais aspectos dos métodos de vinificação em tinto e brancos, explica o conceito do tão famoso  terroir e mostra como fazer uma análise visual, olfativa e gustativa da bebida. Ela também dá detalhes sobre as principais regiões produtoras e ensina como ler o rótulo de um vinho francês. A degustação é feita com seis vinhos, um menu harmonizado, que inclui patês, terrines, fois gras, frios, queijos, pães e sobremesa. 

Nada mais convidativo que estar em Paris e poder aprofundar os conhecimentos, descobrir mais sobre os vinhos e, o melhor, em português! A experiência na Legrand é sem dúvida uma noite inesquecível, não só pelos deliciosos vinhos, mas pelo ambiente completo que Ana Carolina proporciona, uma imersão sem igual nesta cultura fascinante! Os cursos são oferecidos o ano todo, uma vez por semana. Reservas podem ser feitas no site da Legrand (www.caves.legrand.com). Et voilà! Santé!

terça-feira, 18 de agosto de 2015

BEBIDA: Susana Balbo, pioneira na arte da enologia lança novos rótulos da Argentina para o mundo

Houve um tempo em que a vitivinicultura era um setor dominado amplamente pelos homens. Porém, por volta da década de 70, uma argentina começou a mudar a história da enologia não só do nosso país ‘hermano,’ tomado pelo esplendor da Cordilheira dos Andes, mas seu legado ecoou internacionalmente. Ou seja, a perspectiva de como o mercado enxerga hoje as mulheres na produção de vinhos tem muito a ver com a história de vida e obra de Suzana Balbo.

Curioso que, ainda jovem, Balbo almejava estudar física nuclear, mas os pais naquele momento consideraram uma escolha muito arrojada para uma moça. Assim também era a enologia, mas em se tratando de formações tradicionais era mais aceitável que a filha se interessasse por uvas, o manejo e as nuances da produção vitivinífera, do que por fórmulas mirabolantes de energia nuclear. 

Sua primeira experiência profissional foi um divisor de águas. Tratava-se de uma bodega na província de Salta, nordeste do país, dedicada entre outras à variedade Torrontes, que dominava 75% da área do vinhedo. Vale destacar que a variedade era na época comumente usada apenas como aromatizante em assemblages, devido à pectina. E como sua fermentação era feita em lagares (grandes toneis) havia um excesso de oxigenação e os vinhos acabavam por serem pouco equilibrados e amargos.


Mas o que parecia impossível foi viabilizado na prática. Pelas mão de Balbo, a Torrontes ganhou vida própria e foi popularizada como vinho varietal. “Em 1981, apliquei enzimas canadenses em uvas similares a Torrontes que temos hoje. Foi uma revolução naquele momento que vivíamos. Consegui produzir um vinho que rompia com tudo o que se conhecia a respeito da Torrontes. Senti que poderia fazer algo bastante distinto e fora do tradicional neste âmbito. E assim foi”, admite a enóloga.

Desde então, Balbo segue experimentando. Sua assinatura vai além dos seus gostos e sensibilidade. Ganha força a cada safra da sua vinícola Dominio Del Plata, nos parreirais na cidade de Agrelo, região de Luján de Cuyo, Mendonza. Cada vindima traz novas possibilidades de enxergar as etapas do processo. 
São famosos alguns dos experimentos utilizados na produção de vinhos como os ‘uevos’ – cubas feitas de cimento especial para a fermentação. 

Sem esquecer das barricas semi-abertas, ‘la capilla', que guardam as melhores safras de Pinot Noir. Este equipamento confere maior sabor frutado ao vinho e concentração de tanino no momento da fermentação. “Cada vinho significa algo em minha vida”, reconhece. “Todas as etapas de produção são essenciais, mas acho que o blend é a parte mais criativa da bodega. É onde me identifico”.  

TORRONTES 
A Torrontes é uma variedade fruto do cruzamento das uvas Moscatel de Alexandria e da uva rosada Crios de Chila (também conhecida como la missioneira) – ambas trazidas à Argentina pelas missões jusuítas.  

Confira em detalhes os rótulos lançados no Brasil: 




----------------------------------------------------------------------------------------

Serviço:
Para todo o Brasil: 
Cantu Importadora
www.cantuimportadora.com.br 
Telefone: (11) 2144-4455

Em Pernambuco:
Cantu Distribuidora 
Endereço: Ceasa - BR 101 Sul, Km 70, Loja B, Galpão D, Curado, Recife.
Telefone: (81) 3252-1965

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

BEBIDA: JOSKO GRAVNER: VINHO PURO NASCIDO NO NORTE DA ITÁLIA

Nas minhas emocionantes viagens pelo 'Velho Mundo', na incessante busca pelas 'Vinícolas Especiais', fui ao Norte da Itália, bem na fronteira com a Eslovênia (na região do Friuli-Venezia-Giulia) para visitar e me emocionar, pela segunda vez com o precursor dos chamados 'Oranges Wines': Josko Gravner – considerado um dos viticultores mais importantes do mundo atualmente. 

Num vilarejo chamado Oslávia, um povoado de cerca de 700 habitantes, Oslavje, em Esloveno, Josko possui maravilhosos vinhedos com 15 hectares e mais de um século de história com produção limitada de cerca de 25 a 30 mil garrafas, ele me explica pausadamente todo o respeito, cuidado extremo e imenso amor pela terra. Josko criou um ecossistema para seus vinhedos, que se encontram cercados de bosque nativo, plantou árvores frutíferas, fez um pequeno remanso onde se reproduzem peixes e chegam pássaros, recriando assim um perfeito equilíbrio e um terroir onde a intervenção do homem é mínima. O microclima, a pequena colina de 450m e o tipo de solo chamado Ponca (camadas de arenito e marnas de origem eoceni) predispõem a terra ao cultivo da videira, especialmente da Ribolla Gialla (italiano) Rebula (esloveno) casta que em Oslavia tem literalmente raízes há cerca de mil anos. Em 2012, ele decidiu extirpar todas as castas internacionais (Sauvignon Blanc, Riesling itálico, Chardonnay e Pinot Gris) ali cultivadas para deixar naquela terra só as variedades autóctones: Ribolla Gialla e Pignolo, a boa terra reconhece seus próprios “filhos”.


Josko Gravner em 2001, em um gesto de extrema coragem, abandonou a vitivinicultura tradicional moderna que geralmente visam mais os interesses comerciais à qualidade, decidindo voltar às origens da 'Vitis Vinifera'. Em várias viagens a Geórgia, berço da vitivinicultura mundial, ele trouxe as suas famosas ânforas de terracota, essenciais na produção artesanal dos seus vinhos. "As ânforas funcionam para o vinho como um amplificador para a música”. Assim sendo Gravner reescreve a história e cria paradoxalmente um novo (antigo) modo de vinificação. 


Josko faz a sua Ribolla com somente 1/2 kilo de uva por planta, vindimiadas muito tarde as uvas já estão muito maduras e quase sempre foram atacadas pela Botrytes cinerea ou “mofo nobre”, fungo que agrega características especiais a uva dando mais complexidade e longevidade ao vinho. A Ribolla Gialla é uma uva riquíssima em acidez, a brilhante cor âmbar é obtida após uma longa maceração das uvas nas ânforas (em torno de seis a sete meses) extraindo assim o máximo das cascas para só depois passarem ao amadurecimento em grandes barris de madeira.  Usando na vinificação somente leveduras selvagens, mínimo de sulfitos e nenhuma química de síntese nos seus vinhedos. A atenção ao biológico ou orgânico é a nova tendência mundial não só falando em vinhos, mas em toda a cadeia alimentar. 

O “Ouro de Gravner” só é engarrafado a cada sete anos, "antes disso, o vinho ainda é uma criança", explica ele. O produtor nos conta ainda que nos anos 60, quando ele e o seu pai iam até a adega para a prova dos vinhos a serem engarrafados:  Sauvignon Blanc, Chardonnay e Pinot Gris, chegando a vez da Ribolla Gialla o rosto do seu pai se iluminava em um imenso sorriso, confirmando que esse varietal tinha nascido para aquela terra. "Fazer um bom vinho é intuição, terroir e o mínimo possível de intervenções. Em 1997, decidi complicar a minha vida, segui meu coração e meu instinto, os vinhos que fiz até aquele momento me ensinaram os limites da enologia moderna. O limite das modas.", descreve.


"Não gosto da definição de “vinho natural”, para mim é retórico, um vinho tem que ser natural.  É implícito que o vinho é um fruto da natureza e não da indústria, transformado pela mão do homem, para conseguir esse resultado é preciso seguir um rigoroso processo baseado na simplicidade e na história. Estou muito atento ao vinho que faço, a única química usada no meu vinhedo são pequenas doses de cobre e enxofre, que os romanos já utilizavam há dois mil anos, procuro nunca “ofender” nem a terra, nem a uva”, detalha. 

Minha emocionante viagem ao “Mundo encantado de Oslávia” chega ao fim com a degustação maravilhosa de Ribolla Gialla Anfora 2005/2006 numa espécie de caneca especialmente criada por Josko para respeitar o modo antigo de beber vinhos. Segue a degustação técnica organoléptica, onde encontrar os Vinhos de Josko Gravner e agora resta a você, caro(a) leitor(a), o desejo e a curiosidade de degustar o néctar de Gravner!

Serviço:  Decanter Importadora de Vinhos Finos. Blumenau - SC Atendimento Geral: 47 3326-0111 Fone: 47 3038-8875 www.decanter.com.br

-------------------------------------------------------------------------------------
Ana Paula é formada em Sommelière pela AIS associação italiana Sommelier. Jurada da guia Vini Buoni d'italia. 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

BEBIDA: VADIO, O VINHO PORTUGUÊS DA BAIRRADA E SEU ESTILO CLÁSSICO

Entre todas as regiões vitiviníferas portuguesas a Bairrada talvez esteja entre as menos reconhecidas – frente a outras cujos vinhos se popularizaram, como os do Douro e do Alentejo. É lá na DOC Bairrada, na aldeia da Poutena, que o jovem enólogo português Luiz Patrão apostou numa casta tradicional e também pouco conhecida do brasileiro, a Baga, e hoje produz nas terras da família um dos vinhos portugueses mais interessantes dos últimos tempos: o Vadio. Este ilustre desconhecido é feito a partir de um estilo clássico, respeitando a autenticidade da região e o caráter das castas. 

Como o Vadio tem origem num vinhedo muito antigo – com cerca de 80 anos – produz apenas 1.800 garrafas. Além de simpático, o nome que surgiu por acaso, segundo Patrão, traz alguns traços determinantes do vinho: “liberdade, aventura, vontade de arriscar e de explorar, condimentado ainda com alguma dose de imaturidade e irreverência. É este o espírito dos meus vinhos e do trabalho que desenvolvo na Bairrada, e o nome Vadio encaixa na perfeição”, define.

Na verdade, o projeto nascido a princípio de um único rótulo, ganhou corpo e hoje virou uma pequena família. Além do tinto mais básico, temos o Grande Vadio Tinto – produzido apenas em safras excepcionais, o Vadio branco e o Espumante Vadio Champenoise.  Cem por cento Baga, o Vadio tinto é elegante e tem grande complexidade aromática, expressando bem o potencial da casta. O Vadio Branco, com excelente acidez para acompanhar gastronomia, é elaborado com Cercial (fermentado em inox) e Bical (fermentado em barrica usada). Já o agradável Espumante é feito a partir de método tradicional com as castas Bical, Cercial e Baga (está em menor porcentagem).


Enólogo desde 2004 da Herdade do Esporão, uma das maiores de Portugal, Patrão faz parte do movimento Young Winemakers, formado por seis jovens enólogos que trabalham com vinhos autorais em Portugal.  “O projeto começou porque desde o início tive vontade de fazer um vinho na minha região Natal. Depois porque enquanto estudava, ouvia constantemente opiniões depreciativas relativamente à Baga, que é uva típica da região da Bairrada e encarei como um desafio”, explicou.

“Querer ter o seu próprio vinho acho que está no sangue de qualquer enólogo. O Esporão apoiou desde o início. Além disso havia um grande suporte familiar, que é o meu Pai. As nossas vinhas são o jardim dele. Eu limito-me a tentar não estragar as uvas que ele me dá”, brinca o jovem produtor.




segunda-feira, 9 de junho de 2014

BEBIDA: Vinho Tinto, a Ramos Pinto e a sua tradição na garrafa

O vinho do Porto é uma bebida forjada pelo tempo, suntuosa, cuja essência remete ao enorme prazer que sentimos ao degustá-la tão despretensiosamente, seja como aperitivo ou após uma bela refeição. Ao contrário do que imagina o senso comum, ele tem origem na região do Douro, em Portugal, e não na cidade do Porto. Embora a Meca do vinho do Porto seja o distrito de Vila Nova de Gaia, na margem oposta ao Porto, a belíssima paisagem impressiona menos que a concentração de bodegas ali estão representadas e suas verdadeiras preciosidades: barricas de carvalho empilhadas nos porões há séculos. 

Assim, fomos parar nas caves da Casa Ramos Pinto, na ativa desde 1880. Interessante descobrir que o seu fundador, Adriano Ramos Pinto, apostou no Brasil como mercado consumidor quando ninguém olhava para o país. Logo, a história de sucesso da bodega confunde-se com a história do vinho do Porto no Brasil, sendo nós os maiores apreciadores do seu produto desde o início do século XX. De lá para cá, a bodega oferece seu mix de vinhos a 85 países e fatura por ano mais de 1 milhão de euros por ano – uma potência, com produtos competitivos e de bom custo benefício em relação à qualidade. 

Entre os seus diferenciais, a bodega se vangloria por possuir utilizar em seus vinhos uvas dos próprios vinhedos de diferentes quintas e investir sempre em inovação. Tudo isso se traduz em seus excelentes produtos, cada um com sua especificidade, como veremos adiante na prova de cinco diferentes rótulos standards apresentados. A convite da bodega encaramos a prova in loco, com ordem de notas realizada dos vinhos mais frutados para os mais amadeirados.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

BEBIDA: Vinhos Rosé, sofisticados e versátéis. Perfeito para o verão‏

Depois de ter falado do badalado vinho tinto, chegou a vez do rose. Aquele papo de que é vinho de mulher já passou. Com a chegada do verão, nada melhor para essas noites quentes um bom vinho rose. Que tem um sabor mais leve e um prazer refrescante. Além de agradar as mulheres, o que pode fazer com que você ganhe mais alguns pontinhos com elas. Afinal o vinho por si só já é uma grande arma de sedução e atiça a libido.

Sofisticados, complexos e versáteis, o vinho rose tem ganhado cada vez mais espaço e apreciadores. Grandes rótulos e produtores estão investindo cada vez mais nos rosé. O número de apreciadores cresceu, surgiram vinícolas em novas regiões e produtores clássicos se expandiram no mercado. Se as boas marcas ainda não são uma pechincha, a bebida ficou ao menos mais democrática. Os especialistas garantem que é possível degustar excelentes safras por até R$ 50. Sem prejuízo da sofisticação. Talvez seja o vinho mais social, digamos assim, ele tanto vai bem à beira da piscina num belo dia de sol quanto à noite durante um jantar romântico. Sem falar da harmonia com pratos variados.


Entre os anos de 1940 até 1970, o vinho rose era uma bebida despretensiosa que acompanhava muito bem as refeições em família. Porém, com o passar o tempo os produtores de vinho rose mudaram e não se adaptaram mais. Depois desse período o rose foi considerado de mal-gosto, chegando quase a desaparecer no início dos anos 90. Hoje em dia, o panorama é outro. E a volta desse estilo de vinho, traz uma deliciosa sensação de Savoir-Faire.

MAS O QUE É UM VINHO ROSÉ?
É feito de uvas tintas e tem tons variados que podem vir desde o alaranjado ao púrpura dependendo do tipo de uva e do tempo em que a bebida fica em contato com as cascas, que são retiradas antes de liberar todo o pigmento. São vinhos tranqüilos, ou seja, sem bolhas (com exceção do Champanhe). Das uvas mais usadas, as mais comuns são a Cabernet Sauvignon, a Grenache, a Pinot Noir e a Merlot. Ele agrega algumas qualidades dos brancos (ex.: acidez) com outras qualidades dos tintos (ex.: estrutura aromática). É um vinho bastante versátil, que combina com as altas temperaturas do verão brasileiro. Na boca ele se mostra fresco e ácido, bom equilíbrio com o álcool e com corpo médio (no máximo). Os taninos não são desejáveis e a temperatura de serviço deve ser próxima a dos vinhos brancos (12 graus).

PRODUÇÃO DO ROSÉ
Com a popularização do vinho rosé que deixou de ser a sombra dos outros vinhos, hoje em dia é difícil encontrar um país que não produza vinho rosé. Porém, o seu país de origem é a França, mais especificamente Provença ao sul da França. Ainda hoje considerada uma das principais regiões produtoras do rose. Além da França, países como Espanha, Portugal, Itália, Argentina, África do Sul, Nova Zelândia e Austrália tem produzido exemplares cada vez mais sofisticados. Aqui no Brasil a maioria dos rosé produzidos vem do Rio Grande do Sul.


Normalmente, os vinhos rosés são vinificados pelo método de maceração curta, ou seja, vinifica-se como os vinhos tintos, partindo-se de uvas tintas, deixando-se o mosto em contato com as uvas por um período mais curto de tempo (de 03 à 24 horas), dependendo da tonalidade de cor desejada pelo produtor. Cuida-se, apenas, para que a maceração não seja muito longa, estendendo-se até que se atinja a coloração desejada. As cascas são, então, retiradas do mosto. A partir daí, segue-se o ritual adotado para o vinho branco: o líquido vai para uma cuba de aço inoxidável, onde se obtém aromas frutados e frescos.

UVAS MAIS USADAS EM ROSÉS

Cabernet Sauvignon: Considerada a mais nobre e a mais famosa uva tinta do mundo, dona de uma cor intensa e de um alto teor de tanino. Seu cultivo, que iniciou-se no século 18 em Bordeaux, na França, espalha-se hoje por diferentes continentes, encontrando condições adequadas em terras da Itália, Espanha, Estados Unidos, Austrália, Brasil, Chile e Argentina.

Chardonnay: É a principal uva branca. Graças à facilidade de cultivo, resistência e produtividade, espalhou-se pelo mundo, sendo a base de vinhos brancos muito secos. É a uva do Chablis e produz vinhos excelentes na Borgonha, na França. É encontrada na Califórnia, Chile, Argentina e Brasil.

Grenache: Esse tipo é bastante viajada, sendo encontrada em diversas partes do mundo. Tem origem no sul do Rhône. Na Espanha, adquiriu a alcunha de Granacha. Também é bastante cultivada na Califórnia e na Austrália.

Merlot: Também presente nos vinhos de Bordeuax nos últimos séculos, atualmente é produzida também em diferentes regiões do mundo: Califórnia, Chile, Austrália, Argentina e no Brasil.

Pinot Noir: Plantada na Borgonha, onde também serve de base para a produção de champanhes, tem sido cultivada em outras regiões, obtendo resultados inferiores aos da terra natal.

VINHO BOM E BARATO

E para quem quer se tornar um bom enófilo, a ordem é uma só: experimentar. Fomos atrás de algumas sugestões de grandes distribuidores e fizemos uma pequena lista com rótulos para aqueles que pretendem se aventurar em novos sabores sem ter de fazer investimentos muito altos. Deixe o preconceito de lado e esqueça o estigma de que vinho bom é vinho caro. “Isso já não existe mais. E muita gente se surpreende, porque há muitas opções de qualidade no mercado com um custo razoável”, comenta Marly Maia, da Bordeaux Casa &Vinho.

Os campeões de vendas continuam sendo os rótulos vindos da Argentina e do Chile. Segundo Fernando Rodrigues, sócio da Gran Cru, as vinícolas desses países são os favoritos dos brasileiros porque produzem excelentes vinhos a preços acessíveis. “O novo mundo latino produz uma fruta que caiu no gosto do brasileiro, fácil de admirar. O vinho europeu é mais sutil e demanda um pouco mais de educação para o paladar e para o nariz. Por causa do Mercosul também, a importação é facilitada. Além disso, devido à proximidade, principalmente no caso dos argentinos, o transporte é mais barato”, explica o empresário. Para Gutto Assunção, sommelier da Vintage Vinhos, é necessário equilibrar o que você mais gosta com o que seu orçamento permite. “Não é o preço que diz se o vinho é bom, mas o seu gosto.”


Um brinde ao rose nesse verão de final de ano!


Fontes: Revista Playboy, Grand Cru, Guia do Vinho, VIP, Mundo do Vinho

Acompanhe a MENSCH também pelo Twitter: @RevMensch e baixe gratuitamente pelo iPad na App Store.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

BEBIDA: Vinho Tinto, a excelência e a tradição dos vinhos Ramos Pinto.



Um dos vinhos mais populares e consumidos, o vinho tinto é apreciado tanto por enólogos que param para avaliar sabores e safras, quanto por consumidores em geral que procuram um bom vinho para celebrar bons momentos. E a tradição do vinho tinto e do vinho do Porto em Portugal é algo que vem de geração em geração, apurando o sabor em busca do vinho perfeito. É dentro desse espírito que recebemos o enólogo de uma das mais tradicionais vinícolas européias, a Ramos Pinto, para sabermos um pouco sobre essa bebida clássica e um pouco da história dessa marca que se excede na fabricação de vinho tinto, vinho do Porto (principalmente).

Mas o que fez a Ramos Pinto se tornar uma referência de qualidade em vinhos? A tradição da família começou com a fundação da Casa Ramos Pinto em 1880, por Adriano Ramos Pinto, através de uma estratégia inovadora e empreendedora para a época, graças à visão de mercado então adotada. Foi no início do século XX que a marca chegou ao Brasil e em pouco tempo se espalhou pela América do Sul. Paralelo a isso, a marca foi conquistando cada vez mais apreciadores de vinhos em Portugal e toda a Europa.

Sempre prezando pela qualidade, uma das características da Ramos Pinto foi investir na modernização de todo o processo, desde a fase de seleção, lotagem até o envelhecimento. Para melhor contar essa história de sucesso que já atravessou oito gerações, fomos conversar com o enólogo João Nicolau de Almeida, que entrou na empresa em 1976 e juntamente com José Ramos Pinto Rosas criou o projeto de seleção das cinco castas na região do Douro, o que resultou em excelentes Vinhos do Porto e de Mesa. Foi nas Quintas do Bom Retiro e dos Bons Ares que ergueram um dos mais modernos centros de vinificação da região. O reconhecimento veio tanto da aceitação do público quanto na forma de prêmios e reconhecimentos, como aconteceu em 1990, quando foi eleito melhor vinho de mesa, e em 1992, quando a Inglaterra o elegeu o melhor vinho ibérico.

Com 35 anos de vivência na área, um extraordinário conhecimento e profundas contribuições para a viticultura portuguesa e mundial, João Nicolau de Almeida chegou a ser considerado um dos enólogos mais influentes do mundo, tendo sido eleito "Man of The Year 1998" pela revista especializada "Wine & Spirits". Segundo João Nicolau "é uma alegria quando se percebe em cheiro e sabor que se conseguiu engarrafar o que a natureza lhe deu. E quando o vinho é bem reconhecido. É uma alegria ter conseguido dar personalidade ao vinho, uma constância ao longo dos anos, é ter o reconhecimento do público". "É preciso aprender com os erros. Gosto dos desafios".

Questionado sobre o futuro do vinho brasileiro, e em particular se ele conhecia o vinho do Vale do São Francisco (nos Estados da Bahia e Pernambuco), João Nicolau diz não ter muita experiência com vinho brasileiro. “Para se ter um grande vinho, tem que haver horas, haver uma técnica de maturação. Pode-se fazer vinhos bons com a maturação rápida, especialmente para vinhos do dia-a-dia. Ou um espumante, por exemplo. Em outros lugares do mundo, consegue-se duas safras e meia em média por ano”.

Tanta dedicação e apuro no cultivo das uvas e fabricação dos vinhos levaram João Nicolau a ser eleito Presidente da ADVID (Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense), Director da AEVP (Associação das Empresas de Vinho do Porto) e Copeiro Mor da Confraria do Vinho do Porto, além da função de administrador-delegado da Casa Ramos Pinto desde Março de 2001, e diretor de enologia. E uma das suas ações em prol da qualidade desse vinho foi ter conseguido a autorização para irrigação nessa sub-região, o que o trouxe para a viticultura do Douro Superior. "Foi autorizada com uma grande resistência, mas as pessoas viam as irrigações como uma forma de produzir mais. Não de qualidade. Então, através de estudos, chegamos à evolução da maturação. Antes os elementos qualitativos não passavam pelas uvas. Como não havia água, as videiras não amadureciam bem, e ficavam secas. Com a pressão condutora da água, pode-se manter a dose certa de água, melhorando a qualidade da cepa. Hoje você olha e percebe a diferença qualitativa da uva. E por consequência do vinho".

Em 2010, o Douro Duas Quintas Reserva 2007, foi eleito o melhor vinho tinto da Europa, conquistando a Grande Medalha de Ouro. "Foi na Alemanha que tem uma credibilidade para vinhos. É sempre um marco ter um reconhecimento dessa qualidade”. Outros vinhos como o Ramos Pinto e alguns Reserva Especial, por demonstrarem longevidade entre os vinhos produzidos pela viticultura do Douro e  o Duas Quintas Reservas têm demonstrado  um grande potencial de envelhecimento, questionamos João Nicolau sobre como saber com que tempo, vinhos como esses devem ser consumidos. Ele nos respondeu: “Há alguns anos atrás, antes de entrar na moda, bebia-se vinhos já envelhecidos. Com as novas tecnologias pode-se beber vinhos velhos-novos com qualidade de envelhecido. Em algumas regiões  os vinhos envelhecem bem (80 castas). O Vinho do Porto envelhece espetacularmente bem. O vinho que envelhece bem é um vinho delicado, que desce bem. Até já existem concursos para  vinhos novos. O Quinta já participou.”

Ainda sobre o Vale do São Francisco, perguntamos sobre as técnicas de irrigação e dos dois e meio a três ciclos vegetativos por ano, se essas características podem interferir na qualidade dos vinhos produzidos na região. “Podem gerar um tipo de vinho diferente. Só depende do tipo de vinho que se quer. Se for bem feito, depende da tecnologia, pode resultar num vinho de qualidade. Mas não chegará a um Vinho do Porto. É importante observar onde estamos e aproveitar dessas diferenças de região para um vinho mais adequado”.

Como alguns países têm um tipo de uva que os distingue, como por exemplo, a Malbec, na Argentina; a Carmenère no Chile e a Tempranilho na Espanha seria a Touringa Nacional a uva típica de Portugal? Segundo João Nicolau, sim. “É uma casta portuguesa com mais de 80 anos. Portugal é um dos países mais ricos de variedades. Uma intensidade muito boa. Há um jogo enorme a se fazer dentre as variedades, tem que trabalhar bem. Eu diria que Touringa Nacional é a menos preguiçosa. Suas folhas captam a energia do sol na fotossíntese e demora mais tempo aberta, sendo assim, destaca-se ao longo do processo.” 

Um fator importante na produção de vinho atualmente, é que muitas vinícolas estão substituindo a tradicional rolha de cortiça por produtos similares de material sintético. Para João Nicolau, perde-se o charme. E ainda segundo ele “houve uma acomodação das empresas de cortiça, que terminaram sendo ultrapassadas pelas rolhas sintéticas. Isso na conservação do vinho novo não faz diferença. Agora se for um vinho para envelhecer, já não é tão adequado. Sou mais naturalista nesse aspecto. A rolha sintética não é ideal para envelhecer um vinho. A indústria precisa evoluir. Ela tem capacidade de melhorar nesse aspecto.”

Mas segundo João Nicolau, nem sempre o problema de engarrafamento é da rolha. Muitas vezes a forma de colocação da rolha é o problema. Por exemplo, se ela encaixar na diagonal, ou se as garras que seguram e introduzem a rolha na garrafa deixar alguma marca ou pressão, termina influenciando no engarrafamento.

Será que um vinho “quanto mais velho melhor?” Ainda sobre envelhecimento de vinho, questionamos sobre que tipo de vinho pode envelhecer. E João Nicolau nos respondeu que essa pergunta, eles também fazem. “Tem que ter em geral cor, que representa a intensidade do fruto, o tanino* que seca e não deixa passar o sabor do vinho. Tem que ter taninos que futuramente deixem passar o sabor. Taninos suaves. Até por que depois, não tem milagres.”

*Tanino - corresponde a um grupo de compostos fenólicos que têm como principal característica a afinidade em se ligar a cadeias de proteínas e precipitá-las. Nas uvas, os taninos encontram-se principalmente nas cascas, sementes e engaços. Assim como os açúcares da uva, eles também passam por um amadurecimento e, conforme atingem esta maturidade, perdem agressividade, tornando-se macios e sedosos.


Texto: André Porto
Consultoria: Anezio Lau
Fotos: Ramos Pinto, Divulgação
Agradecimento: João Nicolau de Almeida (Ramos Pinto)
Site oficial: www.ramospinto.pt