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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

CAPA: Bruno Cabrerizo conquista o público e a crítica com sua estreia na TV como protagonista em "Tempo de Amar"


A trajetória do ator Bruno Cabrerizo é belo exemplo de que as coisas só acontecem quando tem que acontecer. Por mais que se persista em determinada coisa, é preciso tempo para que tudo aconteça. Ele começou como jogador de futebol, passou uns bons anos jogando em diversos clubes, inclusive o Botafogo, foi para a Itália para trabalhar como modelo, terminou virando apresentador de TV e ator. Nas várias voltas que o mundo dá, ano passado ele voltou para o Brasil como protagonista em uma novela da Globo (Tempo de Amar). Mas entre frustrações e sucessos, Bruno manteve a cabeça centrada nos seus objetivos e hoje, com a visibilidade que a TV proporciona, mantém seus pés no chão, assim como na época de jogador de futebol. “Busco até hoje um sonho, porque a gente não para nunca de sonhar, mas nada vem por acaso”, conclui Bruno. E o futuro? À Deus pertence! Bruno segue construindo suas histórias entre Brasil, Itália e Portugal. Aguarde cenas dos próximos capítulos. Enquanto isso, leia essa entrevista que está muito legal.

Bruno como foi essa virada de profissional de jogador de futebol para ator? Era algo que você planejava ou aconteceu? Na Itália eu decidi parar de jogar eu fiz alguns trabalhos até entender que eu precisava de tempo para fazer minha formação como ator e um trabalho que eu ganhasse mais. Um amigo modelo insistiu e na época eu comecei a trabalhar como modelo e as coisas foram dando certo, acho que quando é pra ser acontece, era o meu destino. Foi muito intenso, trabalhei bastante e foi o que me fez chegar ao programa “Dança com as Estrelas” na Itália.

Ainda hoje bate uma bolinha? Sente falta dos campos e dessa etapa da vida ou já passou? Ainda hoje eu bato a minha bolinha, jogo a minha pelada. Agora na reta final da novela está mais complicado, estou sem tempo para fazer exercício físico, só estou estudando. Mas sempre que eu posso eu jogo bola e futevôlei na praia. Não sinto falta dos campos e sim do que tem ao redor, dos colegas, das conversas, o dia-a-dia com o pessoal. Foi uma etapa da minha vida que me formou como homem, não sinto falta nenhuma, principalmente dos treinamentos que são muito pesados. Eu sou o que eu sou hoje graças ao que eu vivi no mundo do esporte, mas já passou tanto tempo que eu já quase vejo de fora, como se fosse uma outra vida e outra pessoa.

No Brasil você jogou por mais de 2 anos no Botafogo. Passou por outros times, inclusive internacionais, e ao longo da carreira foram ao todo 10 anos. Como surgiu a paixão por futebol e como foi esse período? A paixão pelo futebol começou na escola, com 7 anos. Comecei a fazer a escolinha e desenvolver a paixão pelo esporte em geral, eu sempre pratiquei vários. Comecei a me dedicar no futebol, fiz a categoria de base no Botafogo, fiquei 2 anos e meio lá, depois fui jogar no time do Zico aonde me profissionalizei e assim foi.




O quanto Zico te influenciou e te ajudou nesse período? O que ele representa para você hoje em dia? O Zico foi a pessoa que me viu com 17 anos e me deu meu primeiro contrato profissional, então ele já era um ídolo e passou a ser o presidente do clube que eu jogava. Ele sempre foi muito presente e eu conheço a família toda dele, seus filhos são meus amigos, joguei com o filho mais velho dele no Japão. Ele me influenciou porque eu fui jogar no time de um ídolo. Uma pessoa incrível, além de ter sido um grande jogador e ter uma família linda. Mais que o presidente do clube ele era uma referência pra mim como homem, pessoa e atleta. 

Nesse período na Itália você participou de programas de TV, como o “Dança dos Famosos” de lá, novela e foi apresentador. Como se sentia sendo um brasileiro de sucesso na TV italiana? Fiz a “Dança com as Estrelas”, minha primeira novela foi lá, também trabalhei como apresentador. Enfim, o início da minha carreira foi na Itália. Eu me sentia muito bem, o italiano, em geral, adora o Brasil e abrem-se muitas portas. Os Italianos adoram o carnaval, o Rio, praia, a nossa língua, o sotaque, então me ajudou e me deixou tranquilo para trabalhar e aprender com as pessoas. Eu tenho muito carinho pelo início da carreira, foi difícil, porque é complicado trabalhar com a sua segunda língua, tive que aprender ainda mais e foi um aprendizado incrível tudo que eu passei lá, guardo com muito carinho.

Ninguém pode negar de que você não é um cara versátil. Jogador de futebol, modelo, apresentador, ator... Sempre teve esse multitalento para várias coisas? A questão do multitalento eu fui descobrindo depois, são coisas que eu não aprendi, eu simplesmente tinha e desenvolvi conforme a necessidade do momento. Na verdade como eu vim do mundo do esporte o meu multitalento era a capacidade de me adaptar a vários esportes completamente diferentes (natação, judô, vôlei, futebol, basquete, tênis...) No mundo artístico eu fui descobrindo essas várias facetas que ainda estou aprimorando e aprendendo a cada dia.


Você é um cara hiperativo? Não sou um cara hiperativo, na verdade sou preguiçoso, mas quando eu estou trabalhando eu sou frenético. Amo o que eu faço e gosto de estar sempre atento, ligado e dou meu máximo sempre. Se isso é ser hiperativo, no trabalho posso dizer que sim.

E como a Globo chegou até você (ou você até ela)? Como veio esse convite para estrear em novelas brasileiras e ainda mais como protagonista? Depois do meu início de carreira na Itália e minha passagem por Portugal onde também trabalhei bastante e sou muito grato. Ao canal (TVI) que me abriu as portas, apostou em mim e deu certo. Até que apareceu a chamada do Jayme, um convite que eu não esperava. Era pra fazer um filme com ele chamado “O Avental Rosa” e depois do filme ele me convidou para ser o protagonista da novela. Eu achei até estranho, meio surreal, né? Uma pessoa que ficou 12 anos fora do país, de repente volta ao Brasil trabalhando como protagonista de uma novela da Globo, mas se chegou nesse momento era pra ser. Eu sou muito fatalista neste sentido, se a oportunidade apareceu eu agarrei e vim. 

Já na reta final de “Tempo de Amar” que avaliação você faz de tudo isso? Atuar em novela brasileira tem um gostinho especial? Minha avaliação agora na reta final, faltando 3 semanas para acabarem as gravações, é completamente positiva, a novela é um sucesso, começou com o pé direito desde o início, tudo funcionou, a equipe toda trabalha numa sinergia e numa tranquilidade interna muito grande e isso faz com que as coisas funcionem. Quando uma novela é sucesso é graças a muitos fatores e a nossa foi exatamente assim, a união, o querer trabalhar em prol de uma coisa, não tem briga, não tem vaidade. Esse é o grande balanço final que eu faço, extremamente positivo. Atuar numa novela brasileira claro que tem um gosto especial porque é meu país de origem, minha pátria e nada melhor do que trabalhar em casa.

Com isso você acha que foi como cruzar a linha de chegada depois de uma grande maratona? Chegou onde queria? Quando me perguntam como é fazer uma novela e como protagonista eu digo que é uma maratona, o ritmo é forte, você tem que estar bem. O volume de trabalho é grande e é como cruzar a linha de cruzada depois da corrida, cansativo, mas vale a pena todo o esforço porque o trabalho foi bem feito. Cruzando essa linha de chegada vivo e inteiro com o plus que é ter feito uma novela de sucesso. Deu tudo certo, minha primeira novela no Brasil, era exatamente aonde eu queria estar. Feliz é pouco, estou completamente realizado. 


Sonho, persistência, determinação... Como avalia isso tudo vendo sua trajetória? Acredito que nem tudo saiu como o planejado e muitas coisas foram surgindo do acaso. Cada um tem sua trajetória, na minha sempre tive sonho, persistência, determinação, graças ao futebol porque se você não tem você não segue a diante. Eu trouxe tudo isso para o mundo artístico e as coisas foram acontecendo de maneira natural, mas eu não acho que as coisas surgem do acaso, existe muito trabalho, muita determinação, muito foco. Cada um traça a sua carreira e as coisas vão acontecendo, o universo vai conspirando a favor, ou não, de acordo com o que você faz no seu dia a dia. Busco até hoje um sonho, porque a gente não para nunca de sonhar, mas nada vem por acaso. Não acho que existe sorte, a sorte bate na porta de quem trabalha, se está lá é porque algo aconteceu para a pessoa estar lá, ela fez por onde. Assim foi comigo e provavelmente é o caso da maioria das pessoas que fazem trabalhos super concorridos, de forma geral. Pode até chamar de sorte, mas as pessoas chegam lá por causa de muito trabalho, persistência e determinação.

Você era um cara vaidoso ou ficou depois de trabalhar como modelo? Como é sua relação com a vaidade? Até onde vai? Nunca fui um cara vaidoso, aliás quando eu comecei a trabalhar como modelo eu namorava uma italiana que cuidava de mim ao ponto de comprar roupa para eu me vestir melhor. Eu cheguei completamente alienado com a moda, misturava as cores como se nada fosse e melhorei só com o tempo. A minha vida na Europa me deu um up grade no quesito style. Hoje eu cuido de mim. Mas o essencial e mínimo, não vou ao extremo porque me cansa e porque sou preguiçoso também.


Com a exposição que a TV proporciona algo mudou em sua rotina? Como encara essa “fama” de protagonista da Globo? Era pior ou melhor do que esperava? (risos) A minha rotina mudou pelo fato de estar trabalhando muito, não pela exposição em si, porque eu não tenho tempo de fazer muita coisa. Eu acordo e o máximo que eu faço é tomar café da manhã numa padaria aqui perto. Depois vou trabalhar e volto pra casa. Eu sou a mesma pessoa, tento fazer as mesmas coisas, mas é claro que tenho mais atenção para certas coisas. Eu não dou esse peso para o protagonista, acho que é uma nomenclatura, mas eu nem me sinto como tal, não ligo muito pra isso. Se é melhor ou pior depende do ponto de vista, depende do que eu estou fazendo. Claro que as vezes eu quero ficar mais tranquilo e sou reconhecido estudando em algum lugar público, o que é natural e eu encaro super bem, faz parte do nosso trabalho. Faz parte do pacote da carreira e é positivo né, significa que a novela está bombando e o feedback do público é positivo.

Em relação às mulheres, qual a diferença das italianas para a brasileira nesse quesito de assédio? Existe? Com relação as italianas, o italiano na verdade é latino, então tanto as brasileiras quanto as italianas são mulheres quentes. Eu vejo poucas diferenças, tirando a língua, é claro. Não consigo lembrar de nenhum assédio nem nada grave ou absurdo que tenha acontecido comigo.

Quando está de folga das gravações o que te distrai? É mais do dia ou noite? Quando estou de folga eu tento descansar, vou à praia quando consigo, tento jogar meu futevôlei ou uma corrida, algo para me exercitar fisicamente e volto pra casa pra estudar. Mas eu prefiro o dia, geralmente eu estudo a noite, é o horário que funciona melhor pra mim e meu corpo já se adaptou a essa rotina. Estudo até às 2h ou 3h da manhã, quase todos os dias.

Encerrando “Tempo de Amar” o que vem por aí? Algum novo projeto? Tenho algumas propostas quando acabar a novela e estou aguardando ainda algumas posições para entender o que eu vou fazer. Volto para a Itália para passar férias com meus filhos e aguardo para saber se meu destino é continuar aqui ou trabalhar em Portugal. Mas ainda não tenho certeza para falar. 


Fotos Sergio Baia
Produção Executiva Márcia Dornelles
Stylist Marlon Portugal
Beleza Vivi Gonzo e Bruno Marinho

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

CAPA: Nelson Freitas, sério ou engraçado, sempre um grande talento


Tendo o humor como ferramenta de trabalho “arma” com os percalços do cotidiano, o ator Nelson Freitas segue levando sua vida com alto astral e traçando uma carreira de sucessos. A receita tem dado certo até mesmo quando ele se depara com um personagem mais carrancudo como o Bernardo na novela das seis da Globo “Tempo de Amar”. Para quem pensava que essa era a primeira de Nelson engana-se, o cara já tem uma larga experiência no assunto. Sempre um cara bom de papo, a entrevista rendeu e ficamos mais fãs dele. Não é à toa que essa é sua 2ª capa por aqui. Que venha mais! 

Estávamos sempre acostumados em vê-lo em papéis cômicos, mas atualmente você está com o Bernardo em “Tempo de Amar”, que é um cara muito sério. Você também chega a achar estranho? No começo acho que houve um estranhamento por parte do público e inevitavelmente meu também. Estava mais acostumado a fazer cinco, seis papeis diferentes por dia. Agora a gente mantém uma personagem e o que é curioso numa novela é que você não tem o arco da personagem como em uma obra fechada. A novela é um novelo e está sempre se desenrolando, então isso é de alguma forma desafiador.

Tem algo da sua personalidade nele ou é realmente algo bem distante de você? O Bernardo é um bom vivant e isso não tem nada a ver com a minha personalidade, apesar de eu ser uma pessoa extrovertida, alegre, brincalhona, a minha vida sempre foi de trabalho muito duro e de muita dedicação. Mas por outro lado, apesar dele ser uma pessoa séria, que era como se portavam os chefes de família daquela época, ele também tem uma faceta de humor que agora eu e Débora Evelyn estamos sutilmente desenvolvendo com o casal Bernardo e Alzira.

É mais fácil ou difícil quando um personagem é muito distante da sua realidade? O desafio é maior? Quando a personagem tem uma personalidade parecida com a sua, a gente tem condições de emprestar algumas coisas que podem funcionar. Mas quando eu comecei a minha carreira, eu assisti algumas vezes uma peça chamada “Artaud”, com Rubens Corrêa, e uma frase muito interessante que ele dizia era “o ator tem que morrer”. Eu custei a entender, mas na verdade a gente tem que aniquilar um pouco da nossa personalidade para conseguir criar uma outra. No ano passado eu fiz “Uísque com água”, do Bukowski, e foi pauleira... é sombrio depressivo e não dá pra ficar na forma, sempre no limite do fundo do poço. Deu um trabalho danado, mas foi altamente recompensante, talvez a melhor coisa que já fiz.

Realmente fazer rir é mais difícil do que fazer chorar? Essa máxima é muito verdadeira, é mais fácil fazer chorar do que rir porque se você se depara com uma situação delicada, emocionante, você acaba embarcando. Se você vê uma pessoa chorando, já te move de alguma forma. O fazer rir realmente é uma ciência. Eu acredito que esse movimento que nós estamos passando de uns 10 anos para cá, com advento de internet, TV a cabo, etc, o humor sofreu grandes transformações. Nós tivemos uma exposição muito maior, o humor é mais valorizado. Dentre dez peças publicitárias, sete ou oito são com o viés do humor. Os humoristas ganharam mais espaço e isso fez com que muitos comediantes aparecessem no mercado. Mas geralmente as pessoas acham que é muito fácil fazer rir.  Só porque você distrai ou diverte uma turma na mesa de bar, no escritório, na escola, já se acha um comediante. E o buraco é muito mais embaixo. A ciência do fazer rir é muito elaborada e não há como ensinar a fazer humor. A gente pode aprender a técnica, mas a entrega é de cada um. 

 Passamos muito tempo acostumado com sua imagem em programas de humor e muita gente pode até pensar que essa é sua 1ª novela, mas você tem um longo histórico de novelas. E aí, como é fazer novela? Isso é bem lembrado. A memória do brasileiro às vezes é um pouco curta, principalmente em um ofício tão efêmero quanto a arte dramática. Eu estou completando 30 anos de carreira, comecei em 1987 com a peça “Nossa senhora das flores”, de Jean Jenet. O fato é que novela tem um tempo diferente, como eu disse anteriormente, a gente não tem condição de prever para que lado o seu personagem vai e isso fica muito por conta do núcleo que você está alocado. Às vezes uma novela começa de um jeito a ao desenrolar do novelo se move em outra direção, e isso é fascinante. No caso de “Tempo de Amar” é o que está acontecendo com a família Guedes da Fontoura. Eu, Deborah Evelyn, Barbara França, Maicon Rodrigues e Valquíria Ribeiro, estamos performando sempre na busca do crescimento do núcleo. 

“Tempo de Amar” tem um acabamento todo especial e refinado de época. Isso dá um gostinho especial? Foi um tiro certo. A novela é realmente um primor, em todos os quesitos, figurino, maquiagem, iluminação, cenários... A direção do Jayme Monjardim é extremamente delicada e competente e os textos do Tide (como a gente chama o Aycides Nogueira) e toda sua equipe são brilhantes, bem de acordo com a proposta de um folhetim adocicado, adequado para o horário. A equipe toda é angelical e tudo flui com prazer e alegria.

Você passou um bom tempo no Zorra Total, hoje em dia o programa está bem diferente, assim como o humor. Que analise você fez desse humor atual? Tá mais difícil fazer humor sem ser taxado disso ou daquilo? Realmente é muito delicado para os humoristas porque esse politicamente correto é muito bem vindo em relação a muita coisa que precisava ser revista, e isso aguça nossa inteligência, o que é muito bom. O Zorra Total, no qual eu estive desde o começo, já disse isso em outras entrevistas, poderia ser considerado um patrimônio histórico cultural brasileiro, porque esse humor de bordão é muito nosso, em nenhum outro país existe. A Itália já fez alguma coisa, Portugal também, mas essa coisa mesmo é muito nacional. O programa tem um público alvo definido e eu acredito que essa transformação do Zorra tenha sido positiva. A gente pôde trazer um pouco mais de inteligência para a televisão e para os programas de humor de uma maneira geral. Nós somos oriundos do bobo da corte, que era pinçado da plebe pela sociedade para animar o rei e a rainha. Ele tinha carta branca para brincar, zombar de todo mundo que ele ouvia. Mas sobretudo ele tinha que ser inteligente, porque caso contrário ele não voltava para a plebe e era simplesmente degolado porque sabia de muitas intrigas palacianas. Então essa parábola, vamos assim dizer, ela se repete nos tempos de hoje. O Chico Anysio tem uma frase muito propícia para isso que é “Fale o que quiser... mas seja engraçado, porque senão você é degolado”.


A democratização das redes sociais aproximou mais o público por um lado, mas por outro criou muitos “especialistas” sobre tudo e mais um pouco. Como lida com isso? Essa onda que a internet provocou na nossa vida, na vida da população mundial, é um verdadeiro tsunami. Eu acredito que a gente esteja vivendo a idade das trevas ainda no quesito das possibilidades da internet e das redes sociais. Isso tudo tem o lado bom e o lado ruim, pessoas que são muito solitárias nas grandes cidades, podem interagir de uma, mas criando personalidades muitas vezes falsas ou inexistentes. Cada um tem o seu jornal ou a sua televisão própria e de graça, então é um fenômeno muito curioso e atinge a todos nós. Porque quando uma pessoa se torna pública, o que ela fala, o que ela externa, está sempre sobre o julgo das outras pessoas. Não sei o que fazemos com esse lixo digital sendo produzido a larga abarrotando as nuvens...

O que te tira o humor? Haters, política atual, jeitinho brasileiro ou hit chiclete, o que é pior? Jeitinho brasileiro e política atual são primos-irmãos. Só vamos ter mudanças quando tivermos uma geração agraciada com educação de qualidade. Até lá qualquer um que entrar será só mais do mesmo...

Chegando em casa depois de um dia de trabalho e pegando um belo trânsito dá pra manter o humor? Alguma receita? Eu só ando de moto (risos). Não sei se há uma receita, mas aprendi que se você coloca um pequeno sorriso nos lábios, essa conformação musculo-facial manda a informação para o cérebro que está tudo bem... Em um minuto você bloqueou os estímulos negativos “venenosos” e sua atitude muda. É uma pequena auto-sabotagem... Do bem.

Você está com 55 anos e mantêm um jeito de garotão de bem com a vida. É isso mesmo? Como faz para manter? Eu nunca parei para pensar que eu tenho jeito de garotão, mas é interessante pensar em como as pessoas te veem. Acho até engraçado, mas como eu disse anteriormente, é uma alegria que eu trago dentro de mim, uma compulsão por fazer com que os ambientes que eu passo sejam sempre mais tranquilos, mais alegres. É também uma defesa que eu desenvolvi. Quando há algum constrangimento ou saia justa, eu saco logo do viés do humor. 


O que te distrai no dia a dia? Algum hobby ou esporte para relaxar? Bom, eu trabalho muito, mesmo nas minhas horas vagas a gente continua trabalhando, de uma forma ou de outra, mas fora o tempo que a gente passa com a cara enfiada nos smartphones da vida, eu gosto muito de ler, de andar de bicicleta, de ir à academia, me exercitar, jogar futebol, apesar de ser péssimo jogador (risos). Mas por outro lado gosto muito também de dormir, então no tempo que eu tenho de folga, se eu puder me alongar num sofazinho e tirar um cochilo, eu não tenho dúvidas (risos).

É um cara vaidoso? Até que ponto? Sou vaidoso sim, sobretudo pela minha profissão. É importante que a gente esteja bem, com a cara boa, bem vestido para sempre ter uma imagem bacana, mas nada tão forte que me leve para uma sala de cirurgia, pelo menos por enquanto.

Que qualidade feminina mais admira? As mulheres são incríveis. Elas têm qualidades inimagináveis, mas dentre elas acho que a que mais me chama atenção é a capacidade que elas têm de pensar em várias coisas ao mesmo tempo, ouvir, traduzir, cuidar de tudo.

Depois da novela o que vem por aí? Esse ano de 2018 eu pretendo dar um pouco mais de chance ao canto e estou planejando subir ao palco com uma orquestra muito talentosa de Curitiba chamada Big Time Orquestra, que são uns meninos super performáticos. Estamos pensando em trazer os clássicos nacionais e internacionais em um grande show, claro que sempre com uma pegada de humor, na levada do espetáculo “Nelson Freitas e vocês”, que em 2017 completou 10 anos. Espero que gostem!


Fotógrafo Alle Vidal
Produção de moda Bruna Franklin
Make Diego Nardes
Cabelo Lucas Souza

Look 1: Calça: Levis, camisa: DLT, tênis: Verty, Look 2: Calça e blazer: Docthos, camisa: Ricardo Almeida, sapato: Dien, Look 3: Calça: Foxton, camisa: acervo, pessoal, tênis: Ellus, Look 4: Blazer: Ricardo Almeida, camisa: Poggio, calça: Damyller

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

CAPA: Mouhamed Harfouch cheio de atitude na TV, nos palcos, cinema e nessa matéria

O ator Mouhamed Harfouch é daquele tipo de ator que tanto mais ele se descobre como ator mais ficamos vidrados no trabalho dele e aguardando o próximo passo. Mouhamed vai da comédia ao drama, do infantil ao musical com naturalidade e sempre se reinventando. Se na TV ele se mostra em casa, nos palcos ele está em terreno fértil. E é nos palcos que sua veia musical surge mais forte em espetáculos que relevam outras facetas. Isso sem falar do cinema, onde esse ano ele estreia nas talonas com mais um tipo diferente e divertido. E no meio disso tudo encontramos um Mouhamed pai, amigo e tranquilão com o que a vida lhe traz de bom. Não é à toa que aqui está ele em mais uma capa da MENSCH e um ótimo papo entre velhos amigos.

Mouhamed da estreia na TV em 1993 até hoje com Malhação hoje em dia, que avaliação faz da carreira? Rapaz, passa rápido esse negócio de tempo né? (risos) Acho que o que me trouxe até aqui foi a vontade. Disciplina também, vocação talvez, mas sem dúvida, a vontade em contar novas histórias, a vontade de me comunicar com o público, a vontade de assumir um novo desafio a cada nova plateia, a cada nova história, essa vontade que me norteia até hoje e que me incendeia quando me deparo com a oportunidade de me jogar no desconhecido. Essa vontade que me faz continuar tendo um olhar curioso e por isso quando vejo que já são mais de 25 anos de profissão, parece que o tempo não passou. Não tive na família um exemplo de ator, não tive essa orientação da profissão por parte de uma escola. Fui meio descobrindo na porrada, fazendo, errando e acertando. Esse chamado para ser ator despertou muito cedo em mim, meus pais não deram muita corda, nunca me impediram de nada, mas tive que ter muita certeza e vontade em seguir esse caminho que não é nada fácil. Pensando assim, curto e rápido: Escolhi ser artista no Brasil, vivo da minha profissão e ainda sou reconhecido por isso. Acho que estou no lucro. 

Sobre Malhação, como está sendo participar pela segunda vez? Na verdade, considero esta a primeira. Da outra vez, foi uma participação relâmpago como um produtor musical de uma banda da novela. Algo que durou apenas 2 capítulos. Já nesta temporada, me deparo com um coletivo tão rico de talentos jovens, veteranos, uma equipe de igual valor e com um texto do Cao Hamburger tão inteligente quanto sensível, moderno e falando de educação com propriedade...algo tão necessário. Soma-se a isso a direção precisa do Paulinho Silvestrini, que tem esse talento em contrariar o óbvio e uma sutileza cinematográfica. De quebra, tenho a oportunidade de dar vida a este personagem ético, íntegro, romântico, idealista, sonhador, levemente atrapalhado, um personagem o qual me inspirei no universo de Woody Allen, valorizando a educação, e sobretudo a figura desse agente transformador chamado professor, é algo que enche de orgulho. Ainda mais nesse momento tão carente do Brasil em ética e valores. 



Você traz uma veia cômica e uma mais dramática, que já vimos em trabalhos como "Cordel Encantado" e "Verdades Secretas". Em algum desses universos você se sente mais em casa? Em "Cordel Encantado", novela no qual interpretei o barbeiro itinerante e mulherengo, libanês chamado de turco. Revisando cada trabalho tenho a certeza de que sempre procuro não chapar o personagem com esse rótulo apenas de cômico ou dramático. Tal qual na vida, todo personagem tem oscilações e camadas. Lógico que há tintas mais fortes de uma coisa ou de outra, mas acho tão rico quando no meio disso se abre a possibilidade de darmos uma dimensão maior e transitarmos assim, entre ambos os gêneros. Como o Palhaço que faz rir, mas nunca se descola da sua tristeza. Acho isso tão humano. 

O que é mais difícil, drama ou comédia? Mais difícil é encontrar uma boa oportunidade de contar, bem contado, uma história sendo num gênero ou em outro. Falo isso porque a cada personagem nos deparamos numa oportunidade real de realizar este casamento. E são tantas variáveis, tantas sinergias, tantas escolhas qua passam não só pela nossa mão, mas na dos criadores, dos diretores, e até do público em comprar ou não o que entregamos. Quando todos os astros convergem, chegamos no Olimpo. (risos) E aí, é delicioso estar num lugar ou no outro, na comédia ou na drama. 

No teatro você possui tantos trabalhos, ou mais, que na TV. Foi algo planejado ou foi surgindo? Como o teatro surgiu na sua vida e como ele te toca? Engraçado, por que comecei no teatro, mas despertado de certa forma pela TV. Minha família não tinha o hábito de me levar ao teatro. Eu ia mais a Cinema. Foi vendo novelas que me recordo do impacto de ver personagens icônicos e intérpretes como Fernanda Montenegro, Lima Duarte, Marília Pera, Armando Bógus, Raul Cortes, Osmar Prado, Ney Latorraca, que ainda criança tive vontade de fazer aquilo que eles faziam. Essa vontade me acompanhou até assistir a uma peça, através da professora de Português da minha escola, para ver no teatro Casagrande a primeira montagem de "Confissões de Adolescente". Lembro que num determinado momento da peça uma das atrizes veio e fez um número de plateia comigo, me bateu aquela adrenalina de estar na cena e aquilo me tocou. Saí de lá certo que precisava estar no palco. Foi preciso só um pouco mais de coragem e a ajuda da minha tia Beth que levou até a porta do teatro Arena para fazer um teste e entrar num curso. Desde então, não parei mais. Fui sendo levado pelos personagens, pelas oportunidades, errando e acertando, ora no teatro, ora na TV, um pouco menos, mas ainda sim no Cinema, mas sempre com fome dessa adrenalina de estar na cena. 



Já no musical você cantava e dançava. Isso se torna um desafio maior e mais prazeroso? Como foi a experiência? Essa pergunta exemplifica bem isso. Nunca pensei, me imaginei, ou sonhei em fazer Musicais. Aliás, para ser sincero, tinha até certo receio do gênero. Sempre me achei um ET neste universo. Sempre amei música. Sou afilhado do Guinga, violonista, cresci querendo aprender a tocar violão. Sempre gostei de compor. Mas nunca me pensei num teatro Musical. Mas, quando vem uma boa história para contar, quando aparece um desafio, não penso em mais nada que não seja: Tenho que me jogar nisso. Ou tudo ou nada, foi uma das maiores loucuras da minha vida e claro um dos maiores desafios. Protagonizar um Musical da Broadway, sem ter uma história ou preparo para este gênero, cantando 13 músicas no total, e ainda com partitura corporal, emocional, em 3 horas de espetáculo, era algo insano. Mas minha vontade era proporcional ao desafio. E lá fui eu guiado pelo Tadeu Aguiar, tão louco quanto eu, que acreditou que o personagem era meu. E assim foi. Venci o medo de cantar, de ficar pelado e de pude contar a linda história de superação de um pai através do amor pelo seu filho. A montagem foi um grande sucesso e me rendeu uma indicação de melhor ator em São Paulo. Uma experiência rica que me abriu um novo horizonte.

E agora em 2018 você estreia nos cinemas com o filme "Uma pitada de sorte". O que podemos esperar desse novo trabalho? Sim!! É um filme muito divertido em que faço par romântico com a personagem da Fabiana Karla. Foi uma oportunidade linda de reencontrar essa grande amiga. Já trabalhamos juntos no teatro e na TV, faltava o cinema. (risos) Faço o Lugão, um tipo bronco, um taxista que sonha em ter uma academia de musculação e é fanático por carros e pelos seus bíceps. (risos) Inclusive ele conversa com eles. Um personagem complexo, interessante e rico dentro de um filme muito divertido. Foi um enorme prazer!

Pra você qual a maior função do ator? Encontrar a sua verdade e a verdade de cada papel. O público sempre compra aquilo que é verdadeiro. 

Você acha que o ator deve se manifestar publicamente sobre política, futebol e religião? Não por moda, não para posar bem na foto ou acompanhar tendências, não para parecer isto ou aquilo, mas sempre que estiver dentro da sua verdade fazer isto. Dentro da sua convicção, seja ela qual for. 



Como lida com redes sociais e as críticas? As críticas fazem parte do jogo. Tenho mais medo dos elogios exagerados do que das críticas. Ambos devem ser escutados com cautela, mas é indispensável seguir em frente, sem supervalorizar nem um nem outro. Já as redes sociais são importantes, mas me metem medo por outro lado. Viramos, todos, nosso personal Papparazi. (risos) E mais ainda, isto virou uma ferramenta de trabalho. Vejo muita dedicação empregada nisso. Não critico, tento até dialogar saudavelmente com essa realidade. É inegável que é uma vitrine, cabe a cada um saber o que quer mostrar. Mas quando vira uma egolatria me incomoda. Sinto que hoje estamos virando pouco a pouco zumbis submersos entre likes, stalkers e afins...o tempo fica ainda mais apertado, são muitas redes, muitos grupos, muitas manifestações, mas pouco tempo para o nosso silêncio. 

Você parece ser um cara tranquilo. O que te tira do sério? O que não dá pra suportar? Desonestidade, corrupção, descaso público, essa corrupção generalizada que já está tão enraizada que não nos choca mais. E é aí, que mora o perigo. A banalização por parte de quem corrompe e a banalização dos corrompidos. Chega de malandros, chega de espertos, chega de tanta vantagem...tenho orgulho de ser otário. Afinal, somos ou não somos todos palhaços?

Como é Mouhamed no papel de pai? Qual o maior desafio? É o meu maior papel. Hoje, minha vida são eles. Tudo é para eles e com eles. Quando viajam e me encontro só, fico até desnorteado. Sem saber o que fazer com tanto tempo livre. (risos) O maior desafio é, sem dúvida, educar. 

O que te distrai nas horas vagas? O violão, a música. Voltei a fazer aulas de violão e de canto. A música é uma terapia. Minha Yoga. Compor, minha válvula de escape... O lugar onde despejo minhas impressões e sentimentos. Minha solidão e meu silêncio. 

Se não fosse ator o que faria com prazer? Música. Mas sendo sincero, penso um pouco como Augusto Boal, somos todos atores. Todos fazemos teatro. Uns se sabem atores, outros não. Mas ele está lá presente. Acho que seja lá o que fizesse na minha vida, tentaria realizar com arte. Faz parte de nós.


sábado, 30 de dezembro de 2017

CAPA: Alok - O DJ número 1 do Brasil é o som da nossa festa

Um cara tranquilo, grato pela sua trajetória e que sabe valorizar bem a raiz brasileira. Esta é a imagem que temos do DJ Alok, goiano de 26 anos que predomina nas playlists internacionais de quem curte uma boa música eletrônica atualmente. Eleito este ano pela Forbes Brasil uma das pessoas com menos de 30 anos mais influentes do país, ele não se gaba do sucesso em si. “Isso é consequência de um sonho. Mas, na verdade, minha maior vontade era ver a música eletrônica ir além do que estamos acostumados, limitada às baladas”, comenta, satisfeito. Um dos nomes mais respeitados da cena eletrônica brasileira, Alok acumula prêmios e indicações, como “Melhor DJ do Brasil” pela revista britânica DJ Magazine, em 2015, “Top 25 do Mundo” em 2016, na mesma publicação. 

Outra curiosidade é que ele também é idealizador da gravadora UP Club Records e da Artist Factory, empresa responsável por gerenciar artisticamente nomes do segmento de música eletrônica. Sua base familiar já dava um preview de que, em algum momento, seria dado o start para a carreira de DJ. E o ingresso dele na área, conta, ocorreu de maneira extremamente espontânea. Não havia como ser diferente: seus pais, Ekanta Jake e Juarez Achkar - conhecidos no meio como Ekanta e Swarup -, estão na vanguarda do gêneropsy trance no Brasil e idealizaram o Universo Paralello, célebre festival de e-music que ocorre anualmente na Bahia.

Apesar de Goiás ser considerado berço da música sertaneja, o acolhimento do público com o brazilian bass, que é como batizou a house music, Alok revela que não teve qualquer dificuldade para ganhar espaço como artista na localidade. “A receptividade foi melhor impossível. Ainda mais pelo fato de eu ser goiano, né? Há um depósito extra de sentimentos que facilitou o processo”, orgulha-se. Embora costume fazer nacionais e internacionais com frequência, o também produtor musical não dispensa uma boa relaxada em Alto Paraíso (GO), lugar onde já morou na infância e com o qual revela manter uma forte ligação espiritual. Entre as celebridades brasileiras que curte dar aquela “espiada” nos stories está o humorista piauiense Whinderson Nunes. A seguir, conheça melhor quem é, o que faz e do que gosta o DJ Alok.


Hoje em dia, o cenário de música eletrônica mundial tem um público bastante exigente, concorda? De que país vem o tipo de som que você mais curte? Música boa não tem nacionalidade e varia muito de artista a artista. Eu curto o trabalho de diversos profissionais de países aleatórios, inclusive há produtores competentes em toda parte dentre eles vários do Brasil.

Para você, que características tem um bom DJ atualmente? Carisma, criatividade, técnica e paixão pelo que faz, deixando sucesso e dinheiro como consequência de toda a dedicação.

Como você se atualiza das tendências mundiais de e-music? Os aplicativos de música sempre me mantiveram bem atualizado em relação a isso. As playlists contribuem bastante me deixando a par em primeira mão.

Que outros gêneros de música, além de brazilian bass, predominam na sua playlist predileta? Ultimamente ando bem eclético com influências do rap ao rock, do techno ao trap... Não me privo de ouvir música boa, seja ela qual for.

As redes sociais têm um papel muito grande na divulgação de qualquer projeto ou pessoa hoje em dia. Como você lida com isso? Que story no Instagram você não perde por nada? Virou alicerce já... Sempre fui muito ativo em todas as plataformas como forma de me manter mais próximo do público. Por conta do tempo eu tenho me envolvido de maneira reduzida mas sempre ativo. Quanto às histórias, eu curto acompanhar Whinderson sempre, ele é fora da curva.


Isso traz uma certa “intimidade” com o público. Como você lida com o assédio dos fãs? É tranquilo. Às vezes a gente tem um pouco da privacidade limitada, mas nada que não dê pra administrar. Quanto ao contato, eu gosto e retribuo sempre. Admiro eles e o carinho deles por mim. Sou muito grato sempre e isso me motiva, me move.

Com que frequência você viaja para o exterior para se apresentar? E que apresentação mais marcou? Depende muito, mas normalmente saio do Brasil por volta de 10 ou 15 vezes ao ano. Sobre a apresentação que mais marcou eu destaco o Tomorrowland da Bélgica, Lollapalooza Argentina e a última turnê na China.

Essa rotina puxada te deixa tempo livre? O que curte para relaxar? A gente sempre arruma uma forma de esfriar a cabeça e relaxar em algumas das nossas viagens mas nada se compara a ir para Alto Paraíso (GO), lá é pra mim o melhor lugar pra se relaxar. Tenho uma conexão muito forte com a Chapada dos Veadeiros.

Percebemos que você é um cara vaidoso, cuida da imagem do corpo. Do que você não abre mão e até onde vai a vaidade? Eu passei a me cuidar mais depois dessa ascensão mas não é uma prioridade, prefiro dar atenção antes ao meu espírito etc. Em relação a vaidade, não largo a academia e boa alimentação por nada. Sempre acho uma forma de treinar entre um show e outro.

No meio de tantas opções, o que uma mulher precisa ter para chamar sua atenção? Autenticidade, carisma e humildade. Se interessar por assuntos que envolvam autoconhecimento e que se sintam parte da diferença para uma sociedade com futuro melhor.

Conte-nos suas três maiores inspirações. Meu pai, minha mãe e pessoas que necessitam de algum tipo de ajuda sempre, na qual acabo criando um vínculo e aprendendo muito com eles. Tenho várias fontes de inspirações.



PINGUE-PONGUE
Quando menos é mais: em poucas palavras, pode-se conhecer uma pessoa, apenas pelas preferências. Neste breve pingue-pongue, o DJ Alok mostra um pouco de si. Confira:

Criolo ou Daft Punk? Criolo.
Hambúrguer vegano ou maminha suculenta? Vegano.
Sonhar junto com alguém ou sozinho? Com alguém.
Para acampar: praia ou serra? Serra.
Água de coco ou whisky 18 anos? Coco.
Piano ou violão? Piano.
Telefonema ou Whatsapp? Telefonema.
Villa Mix ou Tomorrowland? Villa Mix
Dia ou noite? Noite.
Voltar no tempo ou espiar o futuro? Espiar o futuro.


FOTOS GABRIEL WICKBOLD
PRODUÇÃO JU HIRSCHMANN  /  RHELDEN
BELEZA PAULO ÁVILA

ALOK veste: Look 1 - Camisa ELLUS (11-3061.2900), camiseta Youcom (11-3587.6696), acessórios Algo Mais (19-3701.2905); Look 2 - Camisa Água de Coco, óculos acervo pessoal; Look 3 - Jaqueta Tropical Wear (11-4781.4294), camiseta Youcom, acessórios Algo Mais  

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

CAPA: Rodrigo Fagundes comemora a virada na carreira com o sucesso de Nelito em "Pega Pega"

O alto astral do ator Rodrigo Fagundes é contagiante e reflete em seus personagens. Depois de uma consolidada carreira no humorístico Zorra Total, Rodrigo encarou o novo desafio de fazer uma novela e aí veio Nelito de “Pega Pega” e ele foi pego de jeito pelo ritmo de estar diariamente na TV e se apaixonou. O sucesso de Nelito com o público, colegas de trabalho e a crítica é resultado também do carisma que esse grande “menino” traz no seu jeito de encarar a vida. “Se pudesse, seria criança o tempo todo”, comentou ele durante a entrevista. Não é à toa que ele está aqui, nos conquistou com seu talento e seu jeito simples de quem quer apenas levar a vida numa boa e com bom humor.

Depois do sucesso de Patrick chegou Nelito e conquistou o público. Acho que seria difícil se desvencilhar do Patrick por ele ter sido muito popular? Difícil não, porque eles são de temperaturas diferentes. Encarei como um desafio e prezo pela humanidade do personagem. Nelito permite que eu experimente várias camadas de sentimentos. Tem sido muito estimulante contar essa história. E esse carinho e aceitação gigantescos do público é o meu combustível.

Foram quase 10 anos de "Zorra Total" e agora uma novela com personagem de destaque. O desafio foi grande? Tomou o gosto pela coisa? (risos) Tomei muito gosto. Sempre fui noveleiro e poder estar do outro lado com um personagem de tamanha relevância me faz querer estar sempre pronto para receber os rumos que ele vai tomar e experimentar nuances, sentimentos e, principalmente, uma troca com meus colegas e com nossos diretores. É um texto saboroso, inteligente e que coloca a comédia num lugar elegante e os dramas num alto nível que aguça a gente que faz e o público que ama nossa história a cada capítulo.

A rotina de novela é muito diferente de humorístico? O que foi mais difícil e agradável no processo? É muito puxado sim. São longas horas de trabalho e concentração. Mas estou tão mergulhado nesse trabalho que não sinto o tempo passar. Está sendo um encontro muito feliz e isso se reflete no resultado da novela que é sucesso desde o primeiro capítulo. A parte mais difícil está chegando agora, pois estamos a 1 mês do fim e já estou com meu coração apertado.

Qual o sucesso do carisma do Nelito? Por que ele é tão querido? Nelito é muito bem escrito. É um personagem tão lindo, que pensa no outro, que cuida, é altruísta e ao mesmo tempo é muito feliz com a vida que leva. Ele é realizado no trabalho, na família...sua vida é a irmã Antônia, Dr. Pedrinho e o Carioca Palace. Pra ele, isso é como ganhar na Mega Sena toda semana (risos). Acho que essa felicidade dele faz com que o público se aproxime de forma carinhosa e queria ter um amigo assim. É o que mais ouço nas ruas.


Aliás, você parece ser um cara muito querido fora da TV também. Acha que isso também ajuda? A que se deve esse carisma? Meus amigos e familiares dizem isso sim (risos)! Esse cuidado com o outro eu tenho sim e coloquei tudo no Nelito. Só não tenho o mesmo temperamento que ele. Acho que sou mais pavio curto na vida. Mas interpretá-lo tem sido um ótimo exercício também.

É meio clichê perguntar a um humorista se ele no dia a dia também é engraçado e bem-humorado. Mas como é o Rodrigo Fagundes fora das câmeras? Confesso que não sou engraçado o tempo todo. Juro. Claro que se estou num ambiente familiar sou bem palhaço, sim. Mas, na maioria das vezes, sou quieto, mas muito atentado quando estou com meus amigos e familiares. Não gosto de me comportar de acordo com a minha idade. Se pudesse, seria criança o tempo todo.

O que te tira do sério e o que te faz rir? Não suporto injustiça, abuso de poder, pessoas que querem te ganhar no grito. Não funciono assim. Já passei por isso e me arrepio só de lembrar. Procuro encontrar humor em tudo, até nas situações mais difíceis da vida. O humor salva e muito!



Acha que o bom-humor é imprescindível hoje em dia com nossa realidade tão dura? Aliás, você acha a realidade tão dura? Acho sim. Uma vez uma fã me disse que nós atores somos médicos de almas. Ela levou o marido dela que tinha uma doença terminal na nossa peça, SURTO (uma comédia deliciosa que fizemos por 12 anos ininterruptos) e, no final, nos abraçaram aos prantos dizendo que por 1:15 minutos eles se esqueceram de todas as dificuldades que estavam enfrentando e se divertiram conosco. Isso pra mim não tem preço!

O que e quem te inspira na vida e na profissão? Os seres humanos de forma geral me inspiram. Na vida e na profissão, quando conheço gente generosa, fico muito feliz. Ainda mais quando se trata de um ator de quem já sou fã. Em “PEGA PEGA”, tenho a sorte de trabalhar com um elenco assim. Nos bastidores, é só alegria e todos torcem um pelo outro. Marcos Caruso e Vanessa Giácomo, que são com quem mais contraceno, são de um valor inestimável. Poder trocar com as pessoas, aprender com elas, seja na vida ou no set, é dos maiores prazeres que tenho.



Seria outra coisa se não fosse ator? O que? Gosto muito de falar Inglês. Acho que adoraria ser professor do idioma.

Aliás, como despertou que era isso que você queria ser? E como foi o início? Eu era fascinado pelas obras de Monteiro Lobato, pelo “Sítio”. Quando ganhei da minha tia os livros dele, ficava horas viajando naquelas aventuras. O faz de conta, o lúdico e as aulas de história me encantam. Sou de Juiz de Fora e vim para o RJ fazer faculdade de publicidade na PUC, onde me formei e logo me matriculei na CAL para, finalmente, me encontrar e ter a certeza de que meu lugar no mundo está na interpretação.

Seria um grande desafio fazer um personagem dramático com um vilão? Todo personagem é um desafio. Brincar com a maldade na ficção seria um prato cheio pra mim. Poder botar pra fora todos os nossos monstros, tudo de brincadeira. Na teledramaturgia, geralmente é o vilão que move a trama, isso é muito divertido. Espero poder brincar de ser mau um dia.

Nas horas de folga o que te distrai? Um bom filme, séries, um bom livro, meus amigos e dormir.

Agora em janeiro encerra a novela "Pega Pega". Já tem planos para depois? O que vem em 2018? Quero voltar pro teatro com o meu espetáculo “O Incrível Segredo da Mulher Macaco”. É uma comédia inspirada nos filmes de Hitchcock e nos livros de Agatha Christie. A ideia é fazer uma temporada em São Paulo e uma pequena turnê depois.


sábado, 2 de dezembro de 2017

CAPA: Carlos Bonow de bem com a vida e com vários projetos para 2018

O ator Carlos Bonow já fez de tudo um pouco na TV, teatro e cinema. De peça infantil à novela religiosa, de musical à comédia. Para ele desafio bom é quando o personagem é próximo a seu jeito de ser. Interpretar outra pessoa sem levar traços pessoais é um desafio que o deixa animado. Inquieto, seja no oficio de ator ou na vida pessoal, Bonow não para quieto entre as suas mil atividades, do surfista ao paizão que pega na escola, 24 horas é pouco para esse cara. Cheio de projetos para o novo ano, Bonow parou para conversar conosco sobre um pouco de tudo e posou cheio de estilo para essa matéria.

Carlos, da sua estreia na TV na novela “Gente Fina’ (Globo, 1990) até Dancing Brasil (Record, 2017) já vão quase 30 anos de carreira. Que avaliação você faz dessa trajetória? Eu considero que a minha trajetória é muito bacana, com muitas aventuras. Tem o teatro que e é algo que me deu muita base, velocidade de raciocínio, me ajudou muito na comédia. E não posso deixar de falar das minhas campanhas publicitárias né? Eu durante uma determinada época eu fui um dos atores que mais fez comerciais no eixo Rio-São Paulo. Na verdade em “Gente Fina” foi mais uma figuração que eu fiz, em função de um ator que ia fazer uma participação mas ele faltou e ai eu fui catado no meio da rua. (risos) Eu estava passando pelo lugar onde iria ter gravação da novela, que era uma boate, e aí o produtor, o Gringo, que até hoje trabalha na Globo, me chamou, perguntou se eu queria fazer uma participação, etc. Eu fiquei meio desconfiado, como assim..., e acabei entrando. Mas eu não podia fazer participação com fala por que eu não tinha registro. Mas eu fiz como figurante e deu tudo certo. Aí eu fiquei um tempo pensando..., depois em 94 é que eu fui fazer uma peça profissional, “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, um sucesso no Villa Lobos, onde eu fiz o Hércules. Eu tive um grande professor, querido Evans de Brito, que foi tragicamente assassinado. Mas eu considero uma trajetória muito bacana. Com erros e acertos, assim como toda trajetória.


Na TV você já fez de tudo um pouco, de humor à infantil, de drama à histórias religiosas. O que te desafia mais? O que seria sua área de conforto como ator? Olha, por incrível que pareça o que mais me desafia são personagens próximos a mim, próximos ao Bonow, ao meu jeito de ser. Esse é o que me tira da minha zona de conforto. A minha zona de conforto, por incrível que pareça é a parte mais “vilanesca”, vamos dizer assim, uma parte que eu possa... não vilão de maldade, mas o vilão de comédia demais, algo distante de mim. Aí é minha zona de conforto, por que é onde eu posso arriscar mais, onde eu me sinto mais seguro. Quando está mais próximo do meu universo, eu não me sinto tão desafiado. E quando eu não me sinto tão desafiado, eu... não que eu vá ter menos vontade, mas eu prefiro maiores desafios.

Falando em desafio a participação no “Dancing Brasil” foi um desafio muito grande? A dança era algo “familiar” na sua carreira? Como foi a participação? A dança era um desejo muito grande que eu tinha, de aprender a dançar profissionalmente..., tecnicamente falando. Eu fiz “Se eu Fosse Você 2”, em que eu tinha que fazer uma coreografia de dança, mas a gente ensaiou durante um mês, eu Tony (Ramos) e a Glorinha (Pires). Era algo simples. E quando você tem uma câmera, você para, volta... Acho que eu não errei muito durante as filmagens (risos). Eu fiz um musical, “Estúpido Cupido”, onde as coreografias não tinham o nível de exigência técnica tão grande, apesar de que estar protagonizando juntamente de Françoise Forton. Então o “Dancing” era algo realmente desafiador pra mim. Eu queria muito. Eu não sou muito de reality show, mas o “Dancing” era algo que eu olhava e que gostaria de fazer por que vou aprender e seria importante para minha profissão, já que eu tinha uma experiência grande de palco. Eu canto mas me falta a dança profissional. Portanto foi um desafio incrível que eu achei sensacional. Adorei ter participado.

Convite feito, convite aceito? Como você avalia um convite para um novo trabalho? Emissora, salário ou papel, o que pesa mais? Mais ou menos. Na televisão acaba que quando me ligam para alguma coisa é algo que eu vou gostar. Geralmente as pessoas já te conhecem e fazem convites que já sabem seu jeito de ser, do que você gosta, do que você não gosta. O teatro a gente recebe textos de vários tipos, então às vezes a gente recusa, às vezes a gente topa fazer, vamos adiante... E o cinema, que não é a coisa mais habitual, os convites que me foram feitos foram maravilhosos, só fiz filmes bons. Então cada convite é uma história. As emissoras hoje oferecem trabalhos maravilhosos, com grande qualidade artística, técnica e mão de obra. Então as emissoras estão cada vez melhores.



Dos seus papeis na TV o que foi mais marcante? Eu tive papéis que eu gostei demais, mas eu vou colocar o meu primeiro na teledramaturgia, que foi o Gastão de “O Quinto dos Infernos”. Personagem que foi muito importante para mim e o público passou a me conhecer melhor, os produtores de elenco, diretores, então isso foi muito bom. Agora não tem como eu não citar um trabalho que eu tive por mais de um ano, com meu querido mestre Chico Anysio em “Chico Total”, que foi a maior escola da minha vida. Esse foi fantástico. Acho que 1996, foi um ano de muito aprendizado, foi um ano incrível. Ao mestre com carinho, Chico Anysio o melhor do mundo!

Como você avalia esse formato de trabalhos por obra ao invés de longos contrato que as emissoras estão adotando hoje em dia? Essa questão dos contratos por obra é mais delicada né?! Para nós atores quando temos um contrato longo a gente consegue programar mais a nossa vida sem dúvida nenhuma. Por outro lado, quando a gente não tem acaba buscando outras formas. Eu nunca fui um cara acomodado, com contrato ou sem contrato eu sempre busquei fazer cinema, teatro... sem parar e cheguei a fazer quatro novelas com teatro ao mesmo tempo, que é uma loucura. Contratado ou não contratado eu vou estar sempre buscando me renovar, me reciclar e fazendo novas experiências.

No dia a dia como é o Carlos pai? E o que pensa deixar de herança para ele levar pro resto da vida? Bom herança pro meu filho são os valores né? Eu acho que o mais importante que a gente pode deixar para um filho são os valores. E isso engloba muita coisa. As pessoas falam muito em deixar um mundo melhor para os filhos. Mas eu acho importante a gente deixar filhos melhores para o mundo. Então se a gente der valores para nossas crianças o mundo vai melhorar sem dúvida nenhuma. Eu no dia-a-dia tento dedicar a parte da manhã ao meu filho, apesar de tantas atividades que eu faço, aí eu tento dividir, uma parte com ele, outra parte entre as minhas tarefas, que não são poucas. Eu o levo e busco na escola quase todos os dias. Eu tento organizar meu dia de acordo com o horário escolar dele para que eu possa estar junto, estar presente. Levar e buscar na escola é uma experiência inesquecível. Quanto mais vezes eu puder fazer isso melhor. Quando eu não posso meu pai me dá uma força. Mas e aí de noite eu tento ficar com ele, final de semana eu dou aula de teatro e ele está na minha turma. A gente tem um grupo Gratthus de teatro, eu e a Carla Araújo, onde a gente já realizou “O Pequeno Príncipe”, e eu fazia o aviador e a gente contracenava no palco. Então eu estou sempre com ele, sempre uma parceria... como ele já é um pequeno ator, ele já participa de várias coisas minhas, produções, processos. Então eu me dedico ao máximo a ele. Tudo que eu puder fazer por ele eu faço.

O que você busca como homem (cidadão)? Eu busco dignidade. E fazer a minha parte para que a gente possa construir um país melhor, um futuro melhor. Acho que a gente deve ter o dever de cidadão. O artista ele tem deveres, tem funções e obrigações à cumpri-las. Com uma voz ativa na política, na cultura, na educação, está tudo interligado. Onde eu puder usar a minha voz, a minha imagem como cidadão eu vou usar. Então eu espero, parece uma frase piegas e todo mundo acaba falando isso, mas eu espero sim justiça e igualdade para todo mundo.

E o que te tira do sério? A má educação. Ela pra mim é uma grande desgraça. Por que não adianta a pessoa ter cultura, não adianta a pessoa ter dinheiro, por que se ela não tiver educação, acabou!


Você sempre manteve o corpo em dia. Como é sua rotina de cuidados com o corpo e saúde? Eu mantenho o corpo em dia por que eu faço as coisas que eu gosto. Eu tento fazer um exercício por dia, ou correr na areia, ou surfar... eu tenho meu treinador, meu querido amigo Cláudio Baiano, com quem eu treino funcional várias vezes por semana. Então meu carro tem sempre uma mini academia, ou uma prancha de surf, ou um tênis... Tem a atividade de dança, por que depois do “Dancing Brasil” eu continuei fazendo dança na academia Ramalhos, que é onde a gente ensaiava o “Dancing”. Depois que eu saí do “Dancing” eu prometi para mim mesmo que eu ia continuar fazendo por que era meu objetivo aprender e é uma coisa que também me faz manter a forma. O meu mergulho no mar é super importante, com minha corrida na areia. Então faço coisas que me agradam. Eu não faço nada para manter a saúde que eu não gosto. Inclusive minha cervejinha. (risos)

É um cara vaidoso? Até que ponto? Eu não sou um cara exatamente vaidoso. Mas sim eu sou um cara que me cuido. Eu cuidando do meu corpo e da minha saúde, eu estou me cuidando. Eu agora que eu tenho uma parceria com a Racco, que tem produtos incríveis, eu estou começando a usar alguns produtos e que estou achando maravilhoso. Que ajudam a gente em determinados processos. Mas não me considero um cara vaidoso, cuido da minha saúde do meu corpo. E isso reflete na gente.

E o que chama atenção nas mulheres? O que te encanta? Mulher tem que ser feminina. Tem que ser inteligente e tem que ter senso de humo. E claro, tem que atrair fisicamente. Não podemos ser hipócritas. (risos)

No tempo livre o que faz sua cabeça? No meu tempo livre eu não paro de pensar, criar projetos, ler algum texto, algum livro... E claro, se eu tenho algum tempo livre e meu filho tem o mesmo tempo que eu, a gente está junto, ele e minha esposa, estamos os três livres. Quando a gente pode tenta aproveitar ao máximo os três juntos

Planos para 2018? O que vem por aí? Eu tenho um projeto de teatro que eu estou montando aos poucos e já já todo mundo vai saber. O “Cinco Homens e um Segredo” deve continuar. O “Pequeno Príncipe”, que estávamos fazendo, pode ser que volte, se não voltar, outra produção do grupo Grattus, vai existir. A televisão eu estou sempre fazendo alguma coisa e no cinema também. Então eu não fico fazendo tantos planos, eu deixo que os planos apareçam. Eu os atraio e ele chegam. (risos) 


Fotos Marcio Farias
Beleza Karina Aletto
Styling Hugo Machado 
Asst de Styling Carolina Mariano
Asst de Fotografia Ricardo Nogueira

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

CAPA: Bruno Ferrari vive um ótimo momento na carreira na pele do romântico e idealista Vicente em “Tempo de Amar”

Pode não parecer, mas o ator Bruno Ferrari já possui 15 anos de carreira. Seu início na TV foi em Malhação, em 2002, e, de lá para cá, houveram muitas histórias contadas e vários personagens que cativaram o público, diretores e a crítica. Depois de seu início na Globo, ele passou 10 anos na Record onde viveu experiências que construíram o ator que ele é hoje. De volta à Globo em 2016, ele recebeu um dos personagens mais marcantes de sua carreira, o Xavier Almeida, em “Liberdade, Liberdade”. O personagem idealista terminou se tornando um marco em sua trajetória. Agora, depois de um trabalho expressivo no cinema, mais um personagem de época ganha vida através do talento de Bruno, o Vicente de “Tempo de Amar”. Tranquilo, dedicado e um pai atencioso, o ator segue traçando, dentro da carreira ou fora dela, um belo enredo para ele próprio. 

Bruno você começou sua carreira na TV na Globo, passou quase 10 anos fora e ano passado voltou com tudo. Como foi essa volta e o que essa experiência em outra emissora agregou para o ator que você é hoje? Na Globo reencontrei várias pessoas que já haviam trabalhado e que hoje se tornaram grandes profissionais. Diretores, atores, equipe técnica... Me senti muito amparado e bem recebido. Passei mais tempo na Record do que na Globo e lá tive a oportunidade de entender melhor o veículo, de me experimentar... Hoje estou mais maduro e tenho um filho. Tudo isso ajuda no meu crescimento, não só na vida pessoal como também na profissional. 

Você começou em Malhação mas foi com seu papel em Celebridade (2003) que você despontou de vez. Diria que foi ali seu start oficial? E Xavier Almeida de "Liberdade, Liberdade" foi um outro "marco" na sua carreira? Sem dúvida Xavier foi um "marco". Ele era um mocinho, mas sem os estereótipos de um mocinho. Era um idealista, revolucionário! Confesso que sempre gostei muito de fazer personagens de época, mas tenho muito carinho por todos os personagens que fiz. 

O que você pensa sobre as grandes emissoras agora trabalharem por obra? Dá mais liberdade? Insegurança? As duas coisas. Sem contrato, você tem a liberdade de trabalhar onde e quando quiser. Ano passado fiz uma série e dois filmes que, provavelmente, não faria se estivesse contratado. O mercado abriu muito de uns tempos pra cá! As séries estão chegando com muita força no Brasil. Eu diria que a desvantagem de não ter um contrato é não ter um salário mensal e isso causa uma certa insegurança, mas, depois de um tempo, a gente aprende a lidar. 

Ultimamente você tem trabalhado mais em produções de época. Isso é um desafio maior? Para você existe diferença de trabalhos de época ou contemporâneos? Sim, é mais difícil. Como disse, gosto muito de fazer trabalhos de época. Você tem que voltar para um tempo em que não viveu, aprender a forma de falar e estudar o contexto político e social daquele momento. Mas, quando coloco o figurino e chego na cidade cenográfica, tudo se encaixa.


Como está sendo interpretar o Vicente em "Tempo de Amar"? Vicente é grande. Brinco que quando crescer quero ser igual a ele. (Risos) Acho que é um dos personagens mais lindos que já fiz. E quando digo lindo, é pela poesia que existe nele. Vicente fala e exala amor. É um cara extremamente integro, de caráter, uma pessoa rara. Tem sido muito especial, mesmo!

Na trama ele nutre uma paixão sem ser correspondido. Que conselho daria ao Vicente? (risos) Meu conselho é que ele não desista. O Vicente gosta de desafios. Quando digo que ele é um personagem lindo, é porque ele passa por cima do seu orgulho, vaidade, de tudo, apenas para ficar perto dela. Isso é amor! Ele já chegou a um ponto em que não consegue mais se afastar da Maria Vitória. 

Algum limite e algo que almeja na profissão? Tanta coisa... Sinceramente, não saberia responder.  

Com a exposição da TV vem o assédio, inclusive virtual. Como você lida com tudo isso? Assédio nunca foi algo que me incomodou. Exponho minha vida particular dentro dos meus limites. O assédio virtual você só tem se buscar. Não sou ligado à tecnologia. A única rede social que tenho é o instagram porque sempre gostei de fotos. Acho divertido e, ao mesmo tempo, posso expor minhas opiniões.


Esse ano você esteve em Recife participando de uma produção histórica com foco educativo. Acha que esse tipo de produção deveria ser mais comum? Como foi participar? Não só acho como tenho certeza. É importante falarmos da nossa história para não cometermos os mesmos erros. O Brasil é um pais jovem, mas que tem histórias incríveis e que são simplesmente esquecidas ou escondidas. Precisamos saber o que os nossos antepassados viveram para entender como chegamos até aqui. Esse filme foi uma grata surpresa da qual tive o prazer de participar e a oportunidade de conhecer melhor a cultura do Recife. Eles tem artistas incríveis e histórias de luta que não temos ideia. É um povo muito forte! 

O que mais te desafia como ator? Como você vê a responsabilidade da profissão? Tudo é um desafio e não existe uma matemática. Uma cena, por exemplo, pode ser feita de inúmeras maneiras. O meu grande desafio é entrar em quem assiste, no telespectador. Acho que uma das principais funções do ator é fazer o outro refletir através de um personagem ou de uma história que esteja sendo contada.

Falando em responsabilidade, o que mudou com o nascimento do seu filho Antônio? Meu filho está me fazendo voltar a olhar a vida nos pequenos detalhes. Tudo é novo! Ele se interessa por coisas do cotidiano e que, ao longo da vida, não damos mais o valor necessário. Voltei a olhar a vida de maneira mais simples. Ele me deu mais coragem e serenidade para enfrentar a vida. 

O que te tira do sério hoje em dia? Não tem algo especifico que me tire do sério, sou um cara calmo. A pessoa precisa me provocar muito para ver irritado. 

E o que te distrai em momentos de folga? Meu filho tem sido o meu melhor momento de folga. Gosto muito de ficar em casa e saio pouco. Quando saio é para encontrar com amigos. 

O que espera para 2018? Espero um país melhor, com menos desigualdade, menos corrupção e mais tolerância. Me dói bastante ver, todos os dias, que tudo só piora. Precisamos de mais saúde, educação, respeito às diferenças e, principalmente, ao povo. Já estamos bastante cansados!