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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

CRÔNICAS & INDAGAÇÕES: Malhação ou O Dia em que a ginástica me tornou uma pessoa melhor

Depois dos 30, sabemos todos, a barriga cresce, a bunda entra, as pernas afinam e o pinto continua funcionando que é uma beleza, por que, algum problema? Mas enfim, para aqueles que não têm condições financeiras de compensar a irreversível degradação física com um carro conversível, resta apenas iniciar uma luta eterna e desigual contra a natureza, através de uma combinação de dietas irresponsáveis, exercícios físicos extenuantes e pactos com entidades demoníacas. Como é um tanto impraticável manter, alimentar, limpar e sacrificar cabras a Belzebu em uma quitinete, decidi que entrar em uma academia talvez fosse uma maneira digna de cuidar um pouco mais da aparência. Afinal de contas, o Verão já está aí, o Carnaval vem logo depois e quando a gente menos espera, a recepcionista já está chamando nosso nome na sala de espera do proctologista. Depois de quase 10 anos sem pisar em uma academia, eu estava um tanto apreensivo e tinha sérias dúvidas acerca da minha capacidade de adaptação àquele ambiente. Conheci o instrutor, que foi me explicando como as coisas funcionavam no local.

- Véi, é o seguinte: praticamente só tem homem nessa merda. Parece alistamento, um bando de macho suado malhando sem parar. E eles fedem. É a dieta de proteína e o excesso de anabolizante. Sai pela pele, sabe? Por via das dúvidas, é melhor você trazer sua própria água. Não confie no bebedouro e não aceite nenhum líquido que lhe ofereçam. Você pode acordar no dia seguinte com suas partes íntimas do tamanho de um plâncton. Vai por mim.

- Hmm. Ok. Vou me lembrar disso. Posso... posso começar?

- Vai lá, meu filho. Qualquer dúvida, me procure. Eu vou estar naquele canto, rodeado pelas únicas mulheres do recinto.

Fui seguindo a ficha, que indicava quais máquinas usar e os exercícios que eu deveria realizar, em uma ordem específica. Os alto-falantes despejavam música eletrônica em um volume ensurdecedor. Homens gigantescos passeavam de um lado para o outro, aparentemente utilizando todas as máquinas ao mesmo tempo. Um deles era tão grande que os outros frequentadores usavam o bíceps suado dele como espelho para corrigir postura. Outros já chegavam para malhar devidamente besuntados, como se estivessem prontos para uma rodada de luta greco-romana ou acabassem de cumprir um turno fritando coxinha. Entravam no ambiente deslizando, socialmente lubrificados e brilhantes. Rapidamente, aprendi que um estranho contrato social se operava ali. Havia uma hierarquia, baseada nas dimensões do tórax e na quantidade de peso levantado. Recém-chegado, encontrava-me não na base da cadeia alimentar, mas fora dela, um elemento estranho incapaz de ser ao menos notado pelas outras pessoas.

Depois de alguns minutos de exercício solitário, uma moça bonita se aproximou. Com um sorriso, apontou para uma maromba semelhante a um eixo de caminhão que estava solta no chão emborrachado e perguntou se eu a estava usando. Devolvi o sorriso e esclareci que não, eu estava usando outro peso. Ingenuamente, ergui o ridículo halter colorido em minha mão, pouco mais pesado do que um celular e certamente reservado para crianças de colo, idosos operados e pacientes em coma. O sorriso dela deformou-se em uma expressão muito semelhante à de uma pessoa que acaba de encontrar algo viscoso na sola do sapato. Afastou-se sem mais uma palavra, levando a enorme maromba com uma mão só. Reuniu-se com algumas amigas e começaram a falar e soltar sonoras gargalhadas, enquanto olhavam em minha direção com um misto de pena e divertimento. No intervalo entre uma música e outra, pude distinguir algumas palavras, como “virgem”, “tabaco leso” e “pinto pequeno”, mas pode ter sido apenas a minha imaginação. Passei para o supino horizontal, deitando de costas em um acolchoado que cheirava a azedo. As últimas repetições levavam meus braços a tremer perigosamente. De repente, escutei uma voz masculina sussurrando próxima demais do meu ouvido.

- E aí, meu querido? Tá a fim de um toque aqui atrás?

Com meus braços lutando para não derrubar a barra sobre a minha própria laringe, meu corpo entrou automaticamente em posição de defesa, cerrando minhas nádegas de forma a oferecer o máximo de proteção à minha retaguarda. Nem mesmo um alfinete conseguiria invadir meu espaço íntimo.

- Um...um toque? Atrás? Não, cara, eu...eu acho que eu não...

- Besteira. Já vi que você é dos que precisa de um de vez em quando. Lá vai, heim? Se prepare.

- Não...não! Pelo amor de Deus! Deixa eu...deixa eu pelo menos ligar pra minha mãe e...

- Agora! Huuuuuuuuuuuuuuuuuu!

- Gaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!

Em um esforço sobre-humano, ergui a barra de ferro até a altura dos suportes. Achei que a adrenalina gerada pela perspectiva de ser violado por um halterofilista anônimo havia me dotado temporariamente de uma força não natural. Na verdade, um frequentador aleatório da academia, ao perceber que eu não teria condições de terminar minha série sem sofrer um acidente fatal, havia oferecido ajuda e era ele quem segurava o peso sobre a minha testa.
Em um misto de constrangimento e alívio, verifiquei que “dar um toque” é uma gíria comum no ambiente das academias e que a minha pureza continuava intacta. Ainda trêmulo, decidi voltar para casa, concluindo que o dinheiro investido na mensalidade da academia teria sido melhor empregado em um livro de auto-ajuda que me fizesse aceitar meu corpo da forma que Deus me deu e do jeito que eu o vinha tratando nos últimos 15 anos. Conformado, fiz as pazes com a minha barriga e decidi me tornar escritor.


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domingo, 14 de agosto de 2011

Assim Pensam os Homens: "Licença Paternidade", Por Christiano Cochrane



Tenho vivido nos últimos três meses os melhores momentos de minha vida!  Dia 13 de maio chegou ao mundo a Valentina e junto com as noites mal dormidas, trouxe muita felicidade e encantamento!  Passei os oito meses que antecederam o nascimento dela (demora um mês para descobrirmos a gravidez, né!) lendo e me preparando muito para a tarefa de ser pai e isso ajudou muito, mas muitas coisas a gente só descobre fazendo mesmo.  O que mais ouvi de pais e mães – aliás não faltam pitacos durante a gravidez – foi “prepare-se para passar dois meses sem dormir”. 

O que ninguém me disse foi “prepare-se para muita dor nas costas”! A falta de sono é gerenciável. Às vezes, na madrugada, a Dani e eu tentamos empurrar para o outro “arrota e troca a fralda você dessa vez, pleeeease”, mas saindo da cama e olhando pro rostinho da nossa filha, o sono passa rapidinho. O que machuca é ficar curvado 90% do tempo, seja para ninar no berço, seja para dar a mamadeira e ficar olhando pro rostinho dela. A gente sabe que as posturas não são boas, mas não se pensa em poupar o pescoço ou a lombar quando aqueles olhões estão nos mirando. Daí o corpinho vem e me avisa que tenho quase 40...

Esse não foi o único ensinamento. Cada dia aprendo uma coisa nova e tenho uma chance de melhorar como pessoa desde que me tornei pai. Quando a Dani estava grávida já troquei de carro por um mais familiar, com mais espaço e menos motor; já comecei a andar mais calmo no trânsito e perceber mais as imprudências dos outros. Mas só depois que peguei minha filha nos braços, comecei de fato a andar no limite de velocidade. Continuo apaixonado por motores e cavalos de força, mas semana passada viajei do Rio a São Paulo no limite de velocidade o caminho todo. 13km/l com o carro completamente carregado e um baú preso ao rack! Olha minha filha me apontando no caminho certo. 

Quem sabe essa seria uma boa campanha de conscientização no trânsito: “Vire Pai”!!(risos) Acho que isso é mais um exemplo da sapiência da natureza.  Os filhos nos trazem maturidade para que em seguida possamos ser melhores pais. Desaceleramos  e nos acalmamos para poder educar e transmitir segurança e calma para nossos filhos. Nesses últimos meses acho que me tornei uma pessoa melhor. Estou mais amoroso com minha mãe e me tornei um marido melhor. Aliás, depois de ver o sacrifício, a força e a dedicação que tem uma mãe, passei a respeitar ainda mais as mulheres. Que trabalho de amor!!  Que ralação!  Só posso mesmo dar o melhor de mim e tentar facilitar um pouco a vida dessa guerreira que é minha mulher!

Aqui entramos em outro assunto: tempo com o bebê! As mães, merecida e necessariamente, têm agora seis meses de licença maternidade, enquanto os pais passaram a ter quinze dias. Tenho o privilégio de uma agenda folgada e de não estar gravando nada, então tenho sido pai em tempo integral, ou como alguns costumam dizer um “pãe”! Acho uma injustiça com os bebês, os papais e as mamães!!  Puerpério é coisa séria e merece cuidado especial. Todo aquele cuidado que temos com nossas mulheres durante a gravidez começam a desaparecer quando nascem os filhos. É como se disséssemos “agora que pariu seu trabalho foi cumprido e o bebê é o que importa”. De fato bebês são frágeis, carentes e necessitam de nossa constante atenção, mas esquecer as mães é SACANAGEM! 

Assim que minha filha nasceu acompanhei o pediatra com ela até o outro lado da sala de parto para colocá-la naquele aquecedor e fazer os primeiros testes, cortar o cordão umbilical, etc. Assim que vi minha filha em ordem, comecei a andar em direção à minha mulher – ainda aberta e COMPLETAMENTE abandonada a não ser pelos médicos que costuravam-na de dentro para fora – e ouvi de alguém “não vai ficar com a bebê”?! A voz parecia indignada e recebeu com a mesma indignação minha resposta “vou dar atenção à minha mulher”!! 

Na emoção do momento todo mundo deixa a mãe sozinha e esquece que ela acabou de passar por uma experiência intensa. Minha mulher estava super assustada e não conseguia ver nada por sobre aquele pano azul.  Fui até ela e disse “nossa filha é linda”!  Segurei a mão dela e esperei um pouco até poder trazer Valentina pra ela. Toda aquela resistência durante a gravidez, toda aquela força durante o parto, dão lugar a muita insegurança e fragilidade.  Nas semanas – ou meses – que seguem o nascimento, os hormônios fazem uma fuzarca com o corpo e a cabeça das mães.  Acho injusto que elas tenham que cuidar sozinhas de um bebê quando mal podem cuidar de si mesmas. 

Aleitamento materno é comprovadamente importante e apesar das mães não serem feitas de Lalique, seus corpos agem como tal e qualquer destempero, angústia, cansaço, podem fazer parar a produção de tão importante começo para nossos filhos. Aqui fica meu recado para os pais menos sortudos que eu: aproveitem esses primeiros meses sem sono!  Só posso imaginar a dificuldade de trabalhar o dia todo e chegar em casa para dar banho, trocar fraldas e acordar no meio da noite para dar complemento e arrotar. Brincar com seus filhos é legal e vocês terão muito tempo para isso, mas essa relação que ganhamos na lida diária desses primeiros meses é impagável e irrecuperável.  Exijam que as mães esperem vocês chegarem para dar o banho. 

Peçam para trocar as fraldas de cocô! Quando minha filha deu a primeira risada para mim foi numa dessas trocas de fraldas fedidinhas. Esse cheirinho ruim só me traz boas memórias e troco 95% das fraldas da minha filha. Dani e eu optamos por não ter babá nesses primeiro meses (sei que isso não é possível para todos), porque estamos nos conhecendo – Valentina como novo membro da família e nós dois como pais – e não queremos ninguém no meio desta dança. Se a coisa apertar, tem sempre minha mãe ou minha sogra para dar uma mãozinha.

Que maravilha poder ser pai nessa era de auto-descobrimento, nesse tempo em que percebe-se um movimento para melhorar o planeta e nossos relacionamentos.  Vivemos a idade da informação e nunca foi tão abundante a quantidade de recursos e conhecimento para uma melhor criação de nossos filhos. Muita luz, calma e sabedoria na sua trajetória paterna.  Feliz Dia dos Pais!!


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domingo, 12 de junho de 2011

ASSIM PENSAM OS HOMENS: "Simples Prazeres"

Não, nem tudo pode ser sobre os prazeres elaborados na vida. Se tivermos como exemplo a culinária: um chocolate Ferreiro Rocher é uma experiência estética magnífica. Sua apresentação é impecável (aquela pequena pepita dourada sobre um suporte de brigadeiro com um adesivo gracioso da marca no topo) passando para a degustação de texturas crocantes e macias de sabores perfeitos. Em contrapartida imagine um chocolate ao leite da Nestlé, com a embalagem simples e o sabor homogêneo do início ao fim, previsível e sem altos nem baixos.

Nenhum dos dois é melhos nem pior, assim como todos os outros prazeres da vida. E sim, isso se aplica aos momentos a dois.

Existe uma ideia latente (ou uma cobrança, quem sabe) em especial no início da relação de que cada momento de casal deve ser um grande evento, elaborado, pensado, especial! A roupa é uma produção, o horário é ideal, o programa é significativo e vai gerar memórias duradouras. O que esquecemos é o peso que colocamos sobre isso. Expectativas geradas trazem a possibilidade de desapontamentos, além do que essas produções elaboradas são cansativas.

Falo por mim quando digo (mas creio que não estou só ao dizer) que existe felicidade também na familiaridade. Programas repetidos, restaurantes revisitados, o cineminha no domingo à tarde, tudo isso me faz apreciar o que realmente importa: a minha companhia, afinal todo o resto eu já estou careca de conhecer, certo?

Compartilhar familiaridade aprofunda a relação e fortalece os laços de casal. Investir nisso pode ser muito bom, caso seja a proposta. O perigo é a mesmice, que vai chegar invariavelmente se o familiar for tudo o que existir. Como tudo o mais da vida, o equilíbrio é a chave do sucesso.

A barra de chocolate ao leite e o bombom de amêndoa recoberto de flocos crocantes se complementam e nós nos deliciamos com cada um exatamente por existir o outro.

domingo, 15 de maio de 2011

Assim Pensam os Homens: "A Semiótica da Sedução"

O processo de interação humana é muito complexo, pois se ocupa de pôr em contato universos profundamente diferentes que trazemos em nossas mentes. Complexo mesmo é que quando damos forma ao que dizemos adicionamos sentidos ou subtraímos significados, criando as diferenças de interpretação.

Por exemplo, (aliás, o exemplo que motivou esse texto): o processo do flerte. Nesse processo ambas as partes envolvidas lançam sinais para que a outra parte reaja. Um olhar, um sorriso, um movimento de cabeça que seja é capaz de comunicar histórias inteiras. Imagine a seguinte situação:

Um homem chega a um bar e a caminho da mesa de seus amigos vê uma moça de vestido de alça florido. Ao se sentar ele procura uma posição em que possa vê-la e ocasionalmente lhe dirige o olhar. Ao fazer contato visual ela abre um semi sorriso e desvia os olhos. Quando ele vai ao banheiro faz uma rota que passa perto da cadeira dela. Quando ela se levanta para ir ao banheiro fica ligeiramente de lado para ele enquanto arruma o vestido.

Sem proferir uma só palavra ambos criaram toda uma situação, em que a roupa dela chamava a atenção, atenção que ele dispensa a ela, sendo bem recebido por ela. Em um segundo momento as posturas corporais reforçam o que os sinais mais sutis insinuavam, dando-lhes maior substância, criando uma tensão. Num terceiro momento as intenções podem ser explicitadas por palavras, seja através de um "torpedo" pelo garçom, seja por um esbarrão na mesa para puxar assunto ou mesmo a abordagem direta (o que é mais raro).

Em qualquer caso, o que mais ajuda o andamento dos fatos é manter a coerência entre os sinais. Um fenômeno muito recorrente é quando os sinais se contradizem, mostrando interesse seguido de descaso em ciclos. Por vezes isso ocorre como estratégia para não "facilitar" o processo, resguardando o indivíduo e valorizando o seu passe. Tudo o que é mais difícil tem mais valor, mas se parecer difícil demais pode se tornar desestimulante...

Não existe regra simples nem garantia de sucesso para nenhuma situação, até porque o que pode parecer muito claro para um dos lados pode ser um mistério para o outro. Vale sempre a máxima de "quem não arrisca não petisca", porque eventualmente será necessário se expor para ter sucesso nas intenções. Honestidade e clareza são fundamentais, mas a sutileza e mistério também... Cabe a cada um dosar e seguir seu estilo para se manter "na caça"!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Assim Pensam os Homens: "Dresscode da paquera"



Vivemos numa sociedade capitalista, e mais do que um sistema de trocas meramente financeiras isso molda a forma como agimos e nos organizamos. Não há como não misturarmos as coisas, e levamos o que é da vida para a ciência e trazemos do mercado para a vida afetiva. Nós nos vendemos para as pessoas e também as compramos o tempo todo.

Explicando melhor: nós vendemos (criamos uma imagem de nós mesmos que expomos para quem está ao nosso redor) e compramos (absorvemos as imagens que as pessoas projetam para nós). Me refiro em termos de compra e venda, pois são imagens criadas com o intuito de serem lançadas e elas tem seu valor também. É nisso que nos aproximamos do Marketing: o Marketing pessoal.

Utilizando essa analogia na vida sentimental (e por que não dizer sexual) podemos imaginar pessoas como seres que despertam a atenção, que despertam o desejo e que motivam ações (assim como produtos). Então vamos usar um pouco do que o Marketing ensina a nosso favor também, adaptando algumas regras e princípios de estratégia empresarial a nosso favor.

A coisa mais importante é a percepção da marca ser equivalente ao momento e aos interesses da empresa. Isso quer dizer para pessoas: fazer com que a sua aparência reflita e exponha seus interesses e sua realidade. Longe de se lançar em estereótipos de imagem pré-concebida (o “mauricinho”, o “yuppie”, o alternativo”) que venham de fora pra dentro, é sempre o processo inverso, de deixar algo de dentro aparecer do lado de fora.

Um ponto interessante é no que o marketing fala do “ciclo de vida” do produto. Ele é concebido, nasce, cresce, amadurece, declina e morre, assim como o ser humano (pois é do ser humano que vem essa analogia) e de acordo com o estágio em que a empresa deseja estar ela muda a sua imagem. Da mesma forma nós passamos pelas fases da vida e devemos ser honestos com nós mesmos, pois a imagem que passaremos demonstra nosso estágio e atrai quem se interessa por aquele estágio. A criação de uma imagem que não bate com a realidade do produto traz casos como o “tiozão” (que foca seu interesse num público que não se interessa pela sua faixa etária). Como dizem os americanos: say what you mean and mean what you say (diga o que pensa e haja de acordo com isso).

Então se você está se “vendendo muito barato” ou não atrai os olhares das pessoas que você gostaria de atrair, talvez precise repaginar a sua marca, não esquecendo nunca que a apresentação do produto é uma “justiça elogiosa” que se faz ao seu conteúdo. Ela nunca deve ferir a essência desse produto nem impedir a criação do estilo pessoal, sobretudo quando se trata de uma pessoa, suas convicções e valores. A beleza estética não se trata de futilidade, mas da busca pela melhor forma de externar algo, já que o essencial é invisível aos olhos.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Assim Pensam os Homens: "Ei, começou mais um ano!"



Já é 2011, e o mais engraçado é que depois da meia-noite tudo continuou como era antes. Teremos os mesmos pensamentos, os mesmos amigos, ou àqueles que se colocam como inimigos, o mesmo amor, o mesmo emprego, as mesmas dívidas, (emocionais ou financeiras); ou seja, ainda seremos as escolhas que fizemos ao longo da vida, a pessoa que construí­mos ao longo desse ano. A diferença, é uma linha tênue, que quando o relógio marcou 00:01h, do dia 01 de janeiro de 2011, começamos um ano novinho pela frente. Como um livro, esperando para ser escrito.

Neste livro, tentaremos começar a escrever o que ainda não tivemos força de vontade, coragem ou fé de fazer, como perdoarmos um erro ou sermos perdoados. Poderemos escrever o que quiser, dentre suas escolhas, importante fazer as melhores que puder, pois temos capacidade de amar o mundo todo. É sempre válido refletir, pois você verá que a vida não é tão pessimista, o mundo que é, e a armadilha é se apegar demais a ele.

Então comece o ano novo, cantando a música que quiser e com quem quiser, agradecendo por estar vivo e ter sempre a chance de recomeçar, sem falar das suas escolhas, pois certas ou não, elas são suas, e ninguém poderá questioná-las.

Agradecer aos amigos que fizermos este ano. A todos; que nos acompanham de muito tempo, aos que ligamos pouco, mas pensamos muito; aos que falamos todos os dias, aos que moram longe e não vemos quanto gostaríamos, aos que nos se seguram quando vamos cair e aos que damos a mão, quando pedem; aos que ganham e perdem e aos que me parecem fortes e aos que realmente são.

Importante, começar pelo menos tentando ser melhor, lembrando que às vezes para se chegar ao castelo é preciso nadar pela fossa. Quando o sol nascer, ame incondicionalmente, pois você e a humanidade precisa disto.Como disse uma vez tom Jobim, "Muita calma pra pensar, e ter tempo pra sonhar", 2011 é um presente, feliz ano novo.

domingo, 24 de outubro de 2010

ASSIM PENSAM OS HOMENS: “As dimensões do Prazer”


Estamos acostumados a ouvir que os homens se interessam pelo visual e as mulheres pelo interior, que os homens são adeptos da relação casual e as mulheres se apegam em qualquer relacionamento, e assim por diante. Essa é uma percepção social construída por muito tempo, mas que não é verdadeira. A base de tudo é a Estética.

O princípio do prazer (no sentido amplo da palavra) tem duas vertentes: a sensorial e a psicológica. O sensorial é o reino dos nossos sentidos, do corpo, e é estimulado pelo que atinge o corpo. Um sabor, um cheiro, um toque, vão despertar sensações que nos agradarão o paladar, o olfato, o tato, etc. Quando falamos da esfera sexual é a mesma coisa: determinadas posições, movimentos ou carícias vão despertar sensações nos sentidos que tragam sensações prazerosas.

O psicológico, por sua vez, é o domínio mental, do subjetivo e do incompreensível. Se refere a tudo aquilo que é particular de cada um, geralmente envolvendo coisas ocultas até para a própria pessoa. O prazer psicológico não vai ser despertado de uma forma direta e lógica, mas pelo que a situação evoca, como no caso do cheiro de café, quando tomamos um remédio bem ruim ou quando tomamos um milk shake de chocolate. Uma pessoa pode sofrer ao tomar o milk shake se estiver fazendo regime e isso o fizer sentir a quebra da sua proposta, pode sentir-se bem com o gosto ruim do remédio só de pensar que isso lhe fará bem como pode ter uma relação de amor e ódio com café por se lembrar da casa da vovó, por pensar no amarelo dos dentes, por ser sua bebida das madrugadas de trabalho, etc. A mente humana é impressionante.

Na esfera sexual o psicológico interfere na predisposição dessa pessoa frente ao ato. O simples fato de fazer as mesmas coisas com a mesma pessoa, mas num local diferente, por exemplo já muda completamente a experiência. Uma data comemorativa pode ter o mesmo efeito estimulante (ou brochante) de acordo com as sensações que evocará. O estímulo físico sensorial sempre é potencializado ou enfraquecido pelo psicológico.

Tudo isso para voltar ao início de pensar a diferença entre homens e mulheres em relacionamentos. O lance casual, o "ficar" ou a coisa de uma noite só tem a ver com o prazer sensorial, os estímulos daquele momento enquanto o relacionamento traz a construção de envolvimento e constrói cenários complexos. Se a gente entende que o homem fica no "pega e não se apega" e a mulher fica no romantismo do relacionamento estaremos negando uma parte importante de cada um, mas também podemos perceber que há uma tendência nos dois lados.

A sociedade ainda tenta educar as meninas para a idealização, para o romantismo, para a estabilidade, enquanto que a construção da figura masculina ainda se dá pela força de não se apegar, de ser o caçador, aquele sai em busca de algo. Há quem defenda que essas características nascem de diferenças inerentes aos gêneros mesmo, mas enquanto ninguém provar continuará sendo mera especulação.













Diego Rocha