terça-feira, 30 de abril de 2013

SAÚDE & NUTRIÇÃO: Os suplementos alimentares realmente funcionam?

Você já entrou em alguma loja especializada em venda de suplementos alimentares? Se já entrou deve ter saído com uma sensação de que agora realmente iria alcançar seus resultados. O vendedor tinha tudo que você sempre desejou ao alcance do seu cartão de crédito. Suplementos emagrecedores (os médicos que tratam da obesidade deveriam ser apresentados aos milagrosos termogênicos), "formadores de massa MUSCULAR", pré e pós-treinos, tudo ali, em um só lugar. Pois é, talvez você ainda não tenha se dado conta que como a indústria da moda, da tecnologia, automobilística entre outras, existe uma "MEGAINDÚSTRIA" dos suplementos alimentares. Essa indústria descobriu que você não tem paciência e disposição para se dedicar a um treino INTENSO e com MUDANÇAS consistentes em seus hábitos comportamentais, e estimula a procura do produto MÁGICO.

A nossa preguiça e o desejo de atingir nossos sonhos com o menor esforço possível, abre o espaço ideal para que as empresas alcancem lucros bilionários. Estima-se que as cifras giraram em torno de US$ 46 bilhões em 2001, no mercado mundial. Tais empresas usam diversos artifícios para ganhar credibilidade diante do mercado, dos quais podemos destacar: interpretação parcial de pesquisas sérias, uso indevido do nome de universidades renomadas, manipulação de dados (geralmente em estudos patrocinados), supervalorização de resultados, estudos que comprovam ações apenas em animais (veja mais detalhes AQUI). Contudo a melhor das estratégias ainda é a dos testemunhos, onde casos de sucessos surpreendentes surgem cada vez que algo novo aparece no mercado. Não podemos negar que um efeito importante na obtenção de supostos resultados se chama EFEITO PLACEBO (veja vídeo abaixo). Simples de explicar: quando estamos convencidos que tal suplemento funciona e investimos nele, nos sentimos mais motivados e começamos a comer melhor, treinar mais e a mudar nosso comportamento, conseguindo mais resultados, mesmo que o suplemento não tenha influenciado diretamente ou tenha apenas uma parcela mínima disso. Isso não é ruim, se você não faz questão em jogar fora algumas centenas de reais, além do risco de contaminação em alguns produtos.



É fato que treinar numa intensidade alta, trocar frituras, doces e álcool por várias refeições equilibradas ao longo do dia, durante um tempo relativamente longo não é fácil, mas essa ainda é a melhor opção para se alcançar o objetivo consistente. Falando nisso, qual o seu objetivo? Qual o prazo você se deu para alcançá-lo? Essas perguntas devem fazer parte do seu planejamento pessoal com atividade física, e o ajudarão no fator motivação. Gostaríamos que houvesse uma pílula ou pó mágico, mas infelizmente, estudiosos sérios e independentes não conseguem listar meia dúzia de suplementos que realmente funcionam. Por fim, se você quer algo que funcione agende uma consulte com um (a) nutricionista e procure um profissional de educação física, até agora essa é a fórmula mais confiável que podemos lhe indicar. 

SUPLEMENTOS QUE FUNCIONAM - PARTE I: CREATINA

São poucos os suplementos esportivos que realmente funcionam, mesmo assim a megaindústria, por trás da atividade física e os modismos, inundam as prateleiras de lojas especializadas. Dos poucos que possuem comprovação, o ácido a-metil guanadino acético, mais conhecido como creatina, provavelmente é um dos mais estudados. A creatina é produzida em nosso organismo a partir de outros aminoácidos, e suas necessidades diárias são supridas através de uma dieta que contenha carne vermelha e peixes. Sua suplementação promove aumentos na força e massa muscular bem descritos na literatura, mas grande parte de seus usuários ou interessados em utilizá-la se vêem cheios de questionamentos a respeito do seu funcionamento, possíveis riscos e posologia.

Com base nos estudos, ainda não há consenso sobre todas as vias que a creatina utiliza para promover os resultados, mas é fundamental que haja a combinação com o treinamento de força. Este deverá ter um acréscimo de volume (quantidade de exercícios ou séries), pois foi demonstrado que um grupo avaliado que usava suplemento sem aumento do volume de treino, sendo capazes de suportar maiores cargas, não apresentou melhores resultados quando comparados a o grupo que realizou o mesmo treinamento sem uso da creatina. Homens e mulheres não apresentam diferenças nas concentrações musculares deste composto, e verificou-se que a ingestão combinada a uma solução de 100 g de carboidrato facilita em até 10% sua captação. Com relação à segurança importantes entidades, como o Comitê Olímpico Internacional (COI) e o conceituado Americam College Sports Medicine (ACSM) atestam a segurança da creatina, pois não foram encontrados prejuízo à função renal, com uso correto. Indivíduos com problemas pré-existentes não devem ser estimulados ao consumo, até que mais estudos atestem segurança nessas condições. 

Selecionamos, dentro de uma revisão de 43 estudos, o que apresentou melhor resultado nas mudanças corporais e aumento de massa magra. Os indivíduos utilizavam 0,1 gramas por quilo de peso/dia durante 10 semanas, dispensando a fase de “saturação” (tomar uma maior quantidade de creatina na 1ª semana a fim de gerar uma maior adaptação). Este estudo é mais um que comprova que a fase de “saturação” pode ser ignorada. Para sucesso da creatina, outras recomendações são necessárias, a saber: alternar ciclos de 3 meses, seguidos de 1 mês de descanso como uma maneira de preservar o organismo, aumentar o consumo de água e evitar bebidas com cafeína, já que estudos mostraram a supressão dos efeitos ergogênicos quando ingeridos com café e bebidas a base de cola, como alguns refrigerantes.

Queremos registrar que os indivíduos que desejam usar suplementos esportivos devem submeter-se a um exame de saúde, feito por um médico, seguido de uma consulta com um nutricionista, de preferência com especialização em esporte. Estes avaliarão a sua condição clínica e prescreverão, caso achem conveniente, a creatina ou qualquer outro suplemento.  É importante observar os rótulos dos suplementos que contém um “mix” de substâncias, já que sua grande maioria contém creatina. A não observância pode causar uma superdosagem que pode ser prejudicial, além de impedir o “descanso” orgânico recomendado. Podemos concluir que a creatina é um ótimo suplemento esportivo, é seguro e responde bem ao que se propõe: aumentar a massa muscular e força. 

*Anderson Santos é Educador Físico e personal da Mais Atividade Física. (www.maisatividadefisica.com)

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segunda-feira, 29 de abril de 2013

BEBIDA: Os whiskys mais caros e exóticos do mundo

O universo das bebidas é vasto, e para cada uma delas inúmeras possibilidades de cominações de ingredientes e formas de se chegar a um produto cada vez mais bem acabado. E em muitos casos, uma bebida única tornando-a rara e cara. E essa exclusividade tem um preço. Quem em geral é bem alto. No caso dos whiskys sabemos que a mistura de blends e regiões resultam em várias derivações da mesma bebida. Em muitos casos algumas foram homenagens feitas a pessoas importantes para uma região ou destilaria. Selecionamos algumas das marcas mais exóticas e caras em matéria de whisky, algumas que provavelmente só veremos em fotos mesmo por conta do seu preço e raridade.













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sexta-feira, 26 de abril de 2013

ENTREVISTA: Miguel Thiré, o protagonista da nova série do GNT, Copa Hotel, acelerando em novos projetos


Enquanto os outros meninos brincavam no play ele aprontava no palco do Tablado. Criado no teatro Miguel Thiré é hoje um artista versátil que vai do ator ao diretor desempenhando com maestria a função que lhe couber. Protagonista da nova série da GNT Copa Hotel que estreou em 22 de abril, Miguel acredita que a força pode estar na maleabilidade e que respirar pode ser a chave contra intolerância. Conheça um pouco mais desse jovem e já veterano ator de teatro, TV, cinema e o que vier.

Aos 10 anos você já estava no Tablado iniciando a sua carreira. Como se encantou pela arte já tão criança? Venho de família de atores, diretores e produtores, cresci nas coxias dos teatros e bastidores da televisão. No entanto, quando me perguntavam o que eu queria ser quando crescer, nunca respondi que queria ser ator. Na verdade, não tinha a mais vaga ideia. O Tablado tem a propriedade de encantar a alma de quem lá pisa. Parece forçado dizer, mas é. Lá você tem o primeiro contato com todas as funções do teatro, de uma forma muito solta e envolvente. O ator do Tablado sai com muito respeito e amor pelo palco. Juntado tudo isso com a bagagem da minha família... deu nisso!

O palco é sua casa? Sim. Mas posso dizer que me sinto em casa atuando independente do veículo. É comum dizer que o teatro é a casa do ator, que lá estamos mais em contato direto com o espectador, fazendo uma apresentação única e (se Deus quiser) viva e pulsante. Mas também vivo grandes momentos fazendo cinema e televisão. É de um enorme prazer fazer parte da grande máquina, que é um set de filmagem. Existe ainda uma vantagem de quando se atua para uma câmera: poder assistir dias ou anos depois, distanciadamente.

Você participou de "Sansão e Dalila", umas das séries bíblicas da Record. Na história, Sansão é um homem de força física descomunal que por fim é traído pela delicada Dalila. O que pra você, torna uma pessoa forte? Não sei bem dizer sobre o termo “força”, pois acredito que uma pessoa pode ser forte muitas vezes aceitando suas fraquezas, sendo maleável. Só sei que admiro mesmo as pessoas que tem mais vontade de acertar do que medo de errar! Para mim, são essas as pessoas que vão mais longe. 


O que seria pra você uma paixão proibida? Uma novela que fiz em 2006 na Band! (risos). Acho que não existem proibições para a paixão. Para realizá-la talvez!

Como lida com a beleza, a vaidade, o olhar dos outros sobre você? Não sou muito vaidoso. Não no lugar comum. Não tenho nenhum cuidado diário com o visual, não me preocupo com roupa, cabelo e etc. Cheguei a ser solto demais, agora estou um pouquinho melhor. Percebo minha vaidade na imagem que eu passo como artista, como ator. Quero que todos gostem de mim, como pessoa e como artista, o que é impossível! Isso por vezes pode ser uma prisão.

Você já foi dirigido pela grande Bibi Ferreira. Como foi a relação durante as peças? Foi uma das pessoas com quem mais aprendi até hoje. Foram três peças e inúmeros ensinamentos. Um deles repito sempre: "O ator tem que dormir". Com isso ela não se referia somente ao descanso, mas ao tempo que se leva para assimilar as coisas. Como em qualquer oficio, o ator precisa de tempo para absorver o que se aprende. Você discute sobre uma passagem do personagem e acha que entendeu, mas muitas vezes só vai entender mesmo indo pra casa, dormindo, voltando no dia seguinte.

"O Homem travesseiro", peça de 2012 , que recebeu o Prêmio APTR 2013 em 3 categorias, incluindo melhor direção e melhor espetáculo, trata entre outros assuntos sobre a intolerância. Será esse o mal da atualidade? Um deles com certeza. Não acredito que as coisas possam se resumir assim, mas acredito no sábio que disse: um grande percentual dos problemas de convivência entre humanos, se resolveria com respiração. Se respirássemos melhor, seríamos muito mais tolerantes e melhores na arte de viver.

Depois de muito atuar no teatro você também passou a dirigir. Qual a diferença entre esses dois papéis: diretor e ator? São papéis, profissões muito diferentes. Um é o maestro, que rege a orquestra, e o outro é o músico, que de fato põe a mão na massa, é a linha de frente. Costumo dizer que os dois existem dentro de mim, e o difícil é um não atrapalhar o trabalho do outro. Quando ator, uma das piores coisas é deixar o diretor que existe dentro de mim tagarelar na minha cabeça.



Pegando carona no nome de dois trabalhos de destaque seu, “O Cara” e “O que você gostaria que ficasse”, me diz, o que você faz para que uma mulher te ache O Cara, e de tudo o que você já viveu, o que gostaria que ficasse? Essas são duas peças de criação e direção minha, títulos cheios de símbolos, mas  responder sobre isso é bem difícil! Não sei o que fazer para alguém me achar “o cara”, mas espero que esse dia nunca chegue, porque não será uma verdade. Quanto as coisas que eu gostaria que ficassem, são muitas é claro, mas escolhendo uma agora seria todos os quadros de Van Gogh.

Fala um pouco pra gente sobre a série Copa Hotel onde você é o protagonista. Copa Hotel conta a história de Fred, um carioca que retorna a cidade depois de 15 anos fora do país, para a missa de sétimo dia do pai. De herança ele recebe o COPA HOTEL. Se trata de um hotel decadente em Copacabana, que já teve seus tempos áureos nas décadas de 70 e 80. Fred, para a surpresa de todos e de si próprio, decide ficar e cuidar desse hotel. A série fala de como se pode ser estrangeiro na sua própria cidade natal, e de como um olhar inglês revela as características especificas de convivência nesse Rio de Janeiro pré-olímpico, o jeitinho brasileiro. Uma cidade de calor humano, incomum para um inglês. A enorme decadência e péssima frequência do hotel, o calor comportamental das mulheres que o abordam ao longo da série, são os temperos da trama.

E nas horas de lazer, o que costuma fazer pra se divertir e relaxar? Gosto de aproveitar o Rio com minha namorada e amigos, uma pedalada, ir à praia (agora por vezes em Copacabana, redescobri Copa!!) e coisas do gênero.

Algum arrependimento? O de não ter ficado por mais tempo estudando quando morei na Inglaterra. Durei um ano lá por achar que esse era o tempo máximo sem que as pessoas me esquecessem profissionalmente por aqui. Deveria ter estudado mais minha profissão por lá.

O que mais te dá satisfação? Estar em cena.


COPA HOTEL
Estreia: 22 de abril
Exibição: segunda-feira, às 22h30, no GNT

Fotos Sergio Santoin Stylist Valeria Stefani 

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quinta-feira, 25 de abril de 2013

MOTOR: Acionem seus motores, começou a Nordeste Motor Show que reúne empresas e aficionados pelo mundo dos motores


Abram bem os ouvidos, o barulho vem dos motores de mais de cem marcas expositoras do Nordeste Motor Show – Salão Internacional de Veículos de Duas Rodas, Quatro Rodas e Náutico que acontece entre os dias 25 e 28 de abril no Centro de Convenções de Pernambuco. O grande evento, que é promovido pela Reed Exhibitions Alcantara Machado, multinacional responsável também pelo Salão de Automóvel de São Paulo, chega pela primeira vez ao Recife e promete muitas atrações e novidades para os mais de 50.000 visitantes esperados. 


O pavilhão de eventos, uma área de mais 25 mil m², está repleto de máquinas que fazem o coração de qualquer homem bater em ritmo acelerado. Entre fabricantes e varejistas, grandes nomes estão presentes como: GM, Citröen, Jac Motors, BMW, Yamaha, Honda, Pirelli, Bravax, Mobil, Ford, Chevrolet e Volkswagen. E ainda no setor náutico podemos encontrar os principais estaleiros e empresas: Ecomariner, Royal Mariner, Fibrasmar, Shark Boats e Colunna Yatches. 

Não é à toa que a feira aporta pela primeira vez no Nordeste. Afinal, essa região é hoje o terceiro mercado consumidor de automóveis do Brasil com perspectivas de crescimento de 3,5% a 4,5% em 2013. E não é difícil entender por quê. Quando perguntado aos milhares de visitantes na feira qual a preferência entre carro e mulher, a resposta foi unanime (mulheres tampem os ouvidos): carro, lógico. Parece que o sucesso está garantido. 

Atrações

Para o público não ficar apenas com água na boca ao ver os motores desligados, o Nordeste Motor Show promove diariamente shows de acrobacias, motocross e Freestyle. As pessoas vão ao delírio ao ver tão de perto saltos e acrobacias de moto impulsionadas por motores superpotentes, capitaneado pelo piloto Jorge Negretti e Fábio Rolim, líder do grupo Força e Ação. São ao todo cinquenta manobras radicais em meio a um show pirotécnico e efeitos especiais. 




As montadoras Volkswagen, Citröen e Jac Motors vão oferecer test drive para o público conhecer os lançamentos e gerar interação e experiência com a marca. Para Duas Rodas, o test drive fica por conta da Honda e Yamaha. E mais: O projeto Moto Amiga vai disponibilizar cursos gratuitos de direção defensiva em parceria com o DETRAN, afinal, em um evento que estimula o mercado de motocicletas, conscientização é uma parte que não pode ser esquecida. 



Informações:
25 a 26 de abril – 16h-22h
27 e 28 de abril – 15h-22h
Ingressos na bilheteria: Inteira R$ 20/ Meia R$ 10
Mais informações: www.nordestemotorshow.com.br
Realização: Reed Exhibitions Alcantara Machado




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sexta-feira, 19 de abril de 2013

ESTRELA: Bárbara Borges, talentosa, sexy e linda!


Nossa segunda mulher na capa da MENSCH é bárbara, Bárbara Borges! Mas não falamos das curvas, do olhar, da sensualidade ou da beleza.  Falamos da mulher decidida, sincera, capaz de rever conceitos, de perceber o lado bom de tudo e aceitar as dificuldades como uma forma de aprendizado. Falamos da mulher apaixonada que vive o amor em plenitude, da atriz talentosa que se entrega aos personagens com a intensidade que se entrega à vida. Da mulher que não tem medo de escolhas, que ousa, arrisca e brilha. Falamos de Bárbara Borges.

Ser Paquita já era uma vontade de seguir carreira artística ou somente viver aquela febre do momento sem pensar pra frente? Fui uma menina cheia de sonhos, entre eles estavam os sonhos de ser atriz e ser Paquita. Porém, um independente do outro. Cresci assistindo o "Xou da Xuxa" e, como muitas meninas da minha geração, queriam ser Paquita, pra estar perto da Xuxa e fazer parte do mundo dela! Ser Paquita foi a realização de um sonho de infância!



Mesmo com experiência em TV e teatro você decidiu fazer faculdade de Artes Cênicas. Por quê? Em 1999 eu saí do grupo de Paquitas porque havia passado no teste para a peça "A Lista", do Oswaldo Montenegro. Logo no início, na fase de ensaio, eu ainda conciliava os ensaios da peça com as gravações dos programas e compromissos de Paquita, mas foi uma loucura! Percebi que precisava me dedicar ao novo sonho...uma nova porta se abria e eu era "crua", tinha limitações por falta de conhecimento. Era necessário estudar, ter mais conhecimento sobre o ofício do ator. E foi então, que ainda fazendo a peça, eu comecei a estudar teatro e fiz a faculdade de artes cênicas. Eu estudava teatro quando passei a ser chamada para testes na Globo, até que em 2000, passei no teste para a minha 1ª novela "Porto dos Milagres". Em 2001 acabei a faculdade com uma peça de encerramento chamada "Handbag", de Mark Ravenhill.

Que dificuldades você enfrentou no início de carreira como atriz e o que faria diferente se pudesse voltar no tempo? Não faria nada de diferente. Tenho boas recordações do meu início de carreira como atriz. Tudo foi válido, até mesmo as dificuldades! No geral, as pessoas pensam que o papel do ator é muito fácil, basta ler o texto e decorar, mas eu tinha consciência que ser atriz era muito mais do que isso. Sempre vi a arte de atuar como um ofício sério de estudo e observação. Atuar é transcender seus limites, se reinventar. E conseguir isso é trabalhoso, porém, sem sombra de dúvidas, muito prazeroso! Eu sempre fui uma curiosa por natureza, tenho sede de aprender e isso contribuiu para o meu amadurecimento e crescimento profissional. Dificuldades eu vou encontrar sempre. E isso é bom porque não me paralisa, não me acomoda!

Depois de um longo período na Globo você foi para a Record. Sentiu muita diferença do estilo de trabalho? Com foi essa “mudança de canal”?
Eu não estava escalada em nenhum projeto da Globo e tinha uma ótima proposta de trabalho na Record. Foi uma mudança natural e tranquila! Eu queria trabalhar!! A Record me proporcionou meu primeiro trabalho com comédia, e de uma importância ímpar na minha carreira com a personagem Elvira, em "Bela, a feia".

Atualmente você está interpretando a periguete Diva Paranhos, de Balacobaco, da Record, como está sendo fazer a Diva e existe algo de você nela? A Diva não é propriamente uma “periguete”. Tem um pouco também, mas é uma vilã atrapalhada, engraçada. Eu penso que meu papel de atriz é servir à personagem. Tanto a caracterização quanto o trabalho interno são únicos. O que eu "empresto" pra personagem é meu corpo, e a cada personagem eu gosto de mudar o visual de acordo com as características de cada uma. Não há um traço de semelhança entre a Diva e eu. Nossas energias são bem distintas!

Mais diferente que a Diva só mesmo a Jennifer, que era um personagem lésbico. Sofreu algum preconceito na época? A Jennifer foi um divisor de águas na minha carreira. Foi um trabalho com um peso dramático muito grande, pois tratava de um assunto ainda muito polêmico: o homossexualismo. Em pleno século XXI e ainda um tabu? Sim! No início era como trabalhar na corda bamba. Em outras novelas houve tentativas frustradas de se falar sobre o homossexualismo pela rejeição do público, mas tivemos uma agradável surpresa por parte do público e da crítica, e o que poderia ser um problema, não foi! Pelo contrário, foi tão bem desenvolvido pelo Aguinaldo Silva e dirigido pelo Wolf Maya e os outros diretores, que até mesmo adoção de crianças pelo casal homossexual foi falado, e Jennifer e Leo (Mylla Christie) adotaram uma criança no final da novela. Eu não sofri nenhum preconceito, mas é claro que na época algumas pessoas confundiram e acharam que eu também era lésbica! (risos)!! Mas isso acontece com todos os personagens e é normal esse tipo de confusão por parte do público!! Essa confusão nunca me incomodou e eu ainda acho graça disso! (risos)! É sempre um bom sinal!


Você posou 2 vezes para a Playboy. A primeira aos 26 anos e a segunda com quase 30. O que mudou no seu corpo e na sua cabeça entre um ensaio e outro? E por que os fez? Tudo muda o tempo todo! E o meu objetivo é que essa mudança seja sempre pra melhor! A primeira proposta que tive da Playboy foi em 2001, com a Luiza de "Porto dos Milagres", mas naquele momento o ensaio com a Playboy estava fora de cogitação! Eu assumo, já falei "nunca vou posar nua", e aprendi, em 2005, que não se deve falar "nunca" porque a vida é uma caixinha de surpresas e a gente não sabe como será o amanhã!!! Em 2005, com 26 anos, decidi fazer o ensaio pra Playboy depois de muita conversa com a minha família. Sempre fui mais recatada, pudica, e paradoxalmente fui criada por uma mãe que enxerga a nudez de forma natural e bela, e ainda escolhi ser atriz. Aprendi com o oficio de atriz a me libertar de preconceitos e minhas próprias limitações, mas sem dúvida, minha mãe me deu um "empurrãozinho"! O corpo humano é mesmo naturalmente belo! Não é a toa que a nudez sempre esteve presente ao longo da história das artes plásticas! Não sou hipócrita, o dinheiro que ganhei foi ótimo e teve sua importância na minha decisão, mas não foi o dinheiro pelo dinheiro! Eu me dispus a fazer um ensaio artístico de qualidade e bom gosto, e me senti muito confortável e segura com a equipe que trabalhei em 2005 e em 2009. Hoje tenho 2 ensaios bem diferentes um do outro, em que as personagens da época eram marcantes e mexiam com a fantasia das pessoas (Jenifer e Elvira).

Você é uma mulher bonita e sabe disso. Como encara a sua beleza? É muito vaidosa? Você se acha sensual? Eu me enxergo diferente de uns tempos pra cá. A minha vaidade reconhece, sem neuroses, a minha pele, o meu corpo, e os meus 34 anos. Envelhecer é a lei mais natural da vida e eu quero viver muito, portanto vou envelhecer, saudavelmente, me cuidando!! Hoje eu tenho uma boa relação comigo mesma: mais madura, com menos cobranças, e não me acho bonita todos os dias! E quanto a sensualidade, não acho que eu seja sensual, mas acredito que em alguns trabalhos o personagem que faço pode mexer com a fantasia das pessoas.

Fora da TV você é admirada pela sua simpatia, beleza e humildade. Você concorda com seus admiradores? Obrigada!! Só posso agradecer pelos elogios!


Foram essas qualidades que conquistaram Pedro Delfino? E que qualidades o Pedro tem que te conquistou? Não tenho como falar por ele. O que posso afirmar é que nós tivemos um encontro de almas. É muito profundo o sentimento. A gente diz que agora estamos mais uma vez juntos depois de séculos! E a sensação é essa! Para o amor não há explicações, simplesmente é!

Que estilo o homem precisa ter para chamar sua atenção? Não existe um estilo específico que eu goste mais. Gosto de ser surpreendida. Às vezes a aparência passa uma informação errada do interior da pessoa. Pro bem ou pro mal. É o interior, o conteúdo, o caráter que me fascina!



O que os homens ainda não sabem sobre as mulheres? E o que as mulheres deveriam aprender com os homens? Os homens sabem muito das mulheres e vice-versa! Não há nada que não se tenha lido, visto, vivido! E também há muito que se aprender com os homens, e homens com as mulheres!! Mas ambos estão mal acostumados a apenas reclamar e se aborrecer! Entender e respeitar que somos sexos opostos, e que isso vai além de aspectos físicos e genéticos, já é uma forma de aprender com o outro e tornar a convivência muito melhor!!



+ Perguntas e fotos inéditas em nossa edição impressa.


Fotos Rodrigo Lopes Direção Criativa e Produção Márcia Dornelles (www.mdproducoes.com) Beauty Pâmella Swinka - Agradecimentos Moikana (wwww.moikana.com.br) Maria Valentina (www.mariavalentina.com.br) 




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quinta-feira, 18 de abril de 2013

TEATRO: Matadores – O Pernambucano Gustavo Falcão e o Cearense Daniel Dias se “enfrentam” na arena


Em uma tourada quem ganha a sua atenção, o Touro ou Toureiro? O que pensa sobre este tipo de esporte-espetáculo? O que você imagina acontecer na arena? E o que você pode levar para a vida sobre esta arte já em fins de não mais existir? Ao se deparar com o texto do venezuelano Rodolfo Santana essas e outras reflexões vem à tona a partir de um diálogo travado entre Florentino, o touro e El Niño, o toureiro. Em meio a um espetáculo já decadente os dois travam uma batalha filosófica sobre o papel de cada um, suas crenças e as razões que os levaram até ali.

A peça, encenada com maestria pelos atores Daniel Dias e Gustavo Falcão, mostra touro e toureiro vendo uma realidade desconhecida por ambos se descortinar frente a seus olhos, desconstruindo tudo o que os levou até ali. Considerando-se protagonistas de uma grande arte o embate ideológico se dá pelos valores transmitidos a cada um e a importância que a tauromaquia tem nos dias atuais. A peça teve estreia nacional no Recife em setembro de 2012, passou por Fortaleza e atualmente está em cartaz no Rio de Janeiro.

Rodolfo Santana

Nascido em Caracas em outubro de 1944, Rodolfo Santana tem grande prestígio no seu país e mundo afora tratando em seus textos de aspectos insólitos e reveladores da sociedade e do homem moderno. Autor de mais de 118 obras, entre peças de teatro, roteiros para cinema e televisão Rodolfo participava ativamente da formação e incentivo a novos atores com conferências em universidades e outras mobilizações.


O encontro

Foi em um sebo, que Daniel Dias encontrou, quase que por acaso, o premiado texto de Rodolfo Santana, Mirando al tenido. Encantando desde a primeira pela história de dois personagens que passaram a vida acreditando em uma arte que já não mais existe. Como o livro, pelo desgaste do tempo, apresentava algumas páginas ilegíveis Daniel acabou entrando em contato com o próprio Rodolfo Santana que além de curioso pelo interesse do ator e autor brasileiro pelo texto e também bastante entusiasmado com a possibilidade de vê-lo transformado em peça. Infelizmente Rodolfo veio a falecer próximo a estreia da peça, mas se vivo estivesse, sem dúvida alguma ficaria feliz e orgulhoso do resultado. 

“A vitória, aqui, é apenas uma questão de ponto de vista. A tauromaquia não passa de um pano de fundo de cores dramáticas para tocar em temas profundos e pertinentes.” (Daniel Dias)





A Tauromaquia

A palavra tauromaquia vem do grego tauromachia e significa combate com touros, mostrando o quanto esta arte é antiga. A maior praça de touros do mundo é a "Plaza de Toros México" localizada na cidade do México e a maior praça europeia é a "Plaza de Toros de las Ventas", em Madrid. Durante muito tempo o espetáculo atraiu multidões e a arte de combater touros era passada de geração em geração levando famílias inteiras as arenas.


Com o tempo, começou-se  a questionar o esporte e sobre a crueldade humana sob o animal e as touradas foram se extinguindo. A tourada é dividida em três “terços” com objetivos bem definidos, o espetáculo acontece no final da tarde e o público pode comprar seus ingressos nos tendidos de sol ou tendidos de som. No primeiro terço, a “Sorte de Verônicas”, o toureiro e seus auxiliares (a quadrilha) estão armados apenas do capote, um grande pano colorido – geralmente amarelo e fúcsia. O touro, de raça feroz e treinado para a luta, é atraído pelos movimentos do toureiro – chamados de passes. Os mais conhecidos são: a Verônica, o Molinete e Chicuelina. Eles também ajudam a conhecer o temperamento e a forma de ataque do animal.

No “Terço de Varas”, surge o picador. Sobre um cavalo, vendado e protegido com uma manta grossa, o picador traz uma lança que tem na sua extremidade uma lâmina cortante, em forma de “T”. Ele deve dar três estocadas numa região acima do pescoço do animal, deixando-o lento e fazendo-o baixar o pescoço. Depois dele, vem os banderilheiros, que tem a função de enfrentar o touro cara a cara e, num movimento rápido e leve, cravar três pares de bandarilhas, com arpões nas pontas, no dorso do animal. As bandarilhas tem um sistema que permite que elas se quebrem, pra não atrapalhar o toureiro e seus enfeites tem a função de escoar o sangue do touro. O toureiro pode dispensar os ajudantes e optar por ele mesmo cravar as bandarilhas.

No último terço, a “Sorte de Matar”, o toureiro encara o touro com a muleta, o famoso pano vermelho, montado num bastão de madeira. Eles vão se aproximando mais e mais até que o animal fique numa posição adequada para a estocada final. Com uma espada, o toureiro deve atingir uma região especifica do pescoço do animal – conhecido como “olho das agulhas” – provocando a sua morte imediata. Se ele falhar, será utilizado um punhal para sacrificar definitivamente o touro. O júri determina se o toureiro merece o prêmio máximo: as orelhas e a cauda do animal. O público pode, também, pedir o indulto do animal. Neste caso, ele não é sacrificado, suas feridas são tratadas e ele é solto no campo e torna-se reprodutor. Mas isso é raro. Normalmente, os touros mortos tem sua carne vendida em açougues.



DANIEL DIAS

Além de atuar você é Diretor Teatral e ainda escreve. Como se dá seu processo criativo? Cada novo trabalho é uma nova viagem. São novas questões, novos enfoques, novos companheiros, novas dores, novas paixões. E, por isso, não existe um roteiro único, um manual. Há processos mais físicos, outros mais psicológicos. E cada elemento mínimo pode determinar novos caminhos e possibilidades. Em qualquer posição que eu esteja (atuando, dirigindo, escrevendo), eu busco me alimentar do máximo de informações e referências. Eu me cerco de dados, músicas, fotos, filmes, livros... Tudo que me remeta àquele universo que estou moldando interna e externamente. Mas é fundamental saber o que se quer dizer com aquele trabalho, que temas queremos tocar, que mensagem queremos transmitir.

Desde 2008 você assumiu a administração do Teatro João Caetano, o mais antigo palco do Estado do Rio. Agora além de ator, autor, diretor também é gestor! Como dá conta? Quais as dificuldades e quais os bônus? Normalmente, não planejo muito os meus passos, mas tenho a sorte de ir me deparando com alguns desafios muito especiais. Com o João Caetano foi assim. Acho que foi consequência da minha trajetória nos palcos, onde estamos acostumados a lidar com dificuldades e limites de todos os tipos, com criatividade e espírito de equipe, às vezes sem grandes recursos.

Nunca me vi como gestor de um equipamento cultural, muito menos de um dos mais antigos e tradicionais palcos do Brasil, cuja herança se confunde com a própria trajetória das artes no Brasil. Mas ele não é só isso, é preciso conciliar sua vocação para grandes espetáculos com as limitações e a realidade de um equipamento público. No dia a dia tenho que lidar com grandes estrelas, com o espectador anônimo e com o funcionário da limpeza, com a mesma atenção e a mesma dedicação.

O começo foi bem mais difícil e foi necessário me afastar dos palcos mais do que eu gostaria, mas, felizmente, com o tempo, a dinâmica vai se estabelecendo naturalmente e a equipe maravilhosa que o teatro possui foi conhecendo meu jeito de ser e administrar. Hoje posso me afastar um pouco mais, como um filho que você vai deixando caminhar com os próprios pés. Isso me possibilitou conciliar melhor os dois lados: o artista e o gestor. Mas minha agenda ainda é muito definida pela programação do teatro, é inevitável.


Gustavo Falcão, Danilo Gomes, Daniel Dias e o diretor Herson Capri
Em uma entrevista você disse "não há prazer maior do que saber que estou formando o público de teatro do futuro". Considera essa a sua missão? Quando conseguimos conciliar um processo artístico com a possibilidade de formação de uma consciência crítica, de transformação da realidade e de crescimento do ser humano, é aí que a arte atinge o seu objetivo maior. E quando o teatro se comunica com os jovens, essa experiência é ainda mais profunda. Eu escrevi uma peça em 1998 que era apresentada em escolas, chamava-se "A Terra é Azul". Recentemente, reencontrei um ator amigo meu, que assistiu à peça quando era estudante, em Fortaleza e ele comentou como a peça marcou a vida dele e de vários outros colegas, que mais tarde se dedicaram ao teatro e hoje são profissionais premiados e reconhecidos. É muito gratificante escutar isso. E, claro, sou fruto de muitas outras influências, também, que me formaram na juventude.

O que você tem do Toureiro? O meu personagem, El Niño, é um toureiro decadente, que ambiciona conquistar seu lugar através das touradas, para ele a grande arte. Ele se dedicou a vida inteira a uma arte que, aos poucos, está agonizando e ele não se dá conta. Talvez eu não seja tão ingênuo quanto ele, mas ainda acredito no teatro e luto por ele. 

GUSTAVO FALCÃO


Sair de Recife e vir para o Rio foi uma decisão estritamente profissional?
Permanecer no Rio após a temporada do espetáculo 'A Máquina', no ano de 2001, não foi propriamente uma decisão, já que aconteceu de certa forma por acaso. À época não havia feito um planejamento definido, no plano pessoal ou profissional, de me estabelecer em outra cidade ao final da temporada, imaginando portanto retornar para Recife por volta de junho, quando sairíamos de cartaz. Aconteceu (comigo e com os demais integrantes do elenco da peça) de ser convidado pra um trabalho, em televisão, que se iniciaria logo após o término da temporada. Interpretei o Faísca, na novela 'As Filhas da Mãe', do Silvio de Abreu, cuja direção coube a Jorge Fernando, que havia assistido à peça e me convidou para o papel. Outros trabalhos em cinema e teatro sucederam a este, e num processo natural, acabei me estabelecendo definitivamente no Rio. Hoje, tanto no plano profissional (trabalhos sucessivos como ator e a fundação do espaço cultural Lunático, além da produtora com que realizamos 'Matador') quanto no pessoal (casei com Juliana, que além de minha mulher se tornou também minha parceira na concepção e direção do espaço), minha vida está intrinsecamente ligada à cidade.

Como hoje, depois de tanto tempo, vê A Máquina? Que ligação tem com esta peça? A Máquina, pra mim, vai além da peça. Quando me refiro a ela estou dizendo de um acontecimento que se tornou um marco pessoal e profissional. Acompanhamos o nascimento do livro, a fonte original, a partir da mente e do coração de Adriana, enquanto a peça era concebida a partir dos fragmentos iniciais por João. Daí que nascemos Antonios para o palco - onde encontrei três grandes amigos, parceiros na arte e na vida, Wagner, Lázaro e Vladimir, trabalhando também com dois amigos e parceiros mais antigos, Felipe e Karina (também minha irmã). E quatro anos depois, um novo nascimento para a versão para o cinema (onde trabalhei com o maior homem de teatro que conheci, Paulo Autran). E todo esse movimento começou dias depois da grande perda que tive na vida, o falecimento de meu pai, e determinou uma transformação radical em minha trajetória - geográfica inclusive, me plantando no Rio. Tudo isso resume um evento daqueles que te marcam a vida num antes e depois, e te lança pra diante.


Fazer teatro precisa de coragem e ousadia? Antes precisa-se de vocação e paixão. Vocação pra alimentar o espírito nos momentos mais duros da carreira - que são muitos e fundamentais - e pra te manter com a cabeça erguida durante os longos momentos de incertezas e buscas inerentes aos processos criativos. E paixão, porque é paixão. Porque te ilumina a alma e mantém brilhante o olhar quando se sobe no palco, e porque te faz encarar qualquer percurso, por mais improvável que pareça, até que se faça o encontro com a platéia. Coragem e ousadia são muito bem vindos: a quem possui estes atributos pode-se intuir um artista especial.

O que você tem do Touro? Florentino fez aguçar em mim a relação com que o instinto e a intuição promovem a reflexão. A profunda sabedoria que o touro apresenta no espetáculo nasce, por paradoxal que pareça, do olhar inocente e sem pré concepções com que ele consegue enxergar o que passa ao seu redor. O que me soa familiar à natureza primordial da humanidade que temos em nós, mas que, por conta das desventuras por que inevitavelmente nos deparamos no decorrer da vida por vezes, escolhemos deixar adormecer. Há nele também certas características que, se não definiria como pontos de extrema identificação, evocam em mim beleza e admiração: a bela relação com a natureza, o equilíbrio entre a brutalidade e a gentileza e a capacidade de se maravilhar com algo relativamente comum.

Serviço:
Sexta a Domingo às 21h / 29 de março a 28 de abril
Teatro Municipal do Jockey
Rua Bartolomeu Mitre, 1100 (Entrada de pedestres)
Rua Mário Ribeiro, 410 (Entrada de automóveis)
Rio de Janeiro
Informações: 021 3114-1286
Para mais informações: www.matador.art.br



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quarta-feira, 17 de abril de 2013

FITNESS: Você treina ou "malha"? Mude de atitude e transforme-se!


São inúmeros os objetivos que levam uma pessoa a se matricular numa academia, mas dentre eles ainda podemos afirmar que a maioria busca mesmo melhorar sua aparência física. Na verdade, o interesse está ligado aos benefícios estéticos oriundos de um treino bem sucedido, já que são muitos os resultados em quem decidiu mudar de atitude e de comportamento. Há casos, e não são poucos, de uma real transformação a ponto de impressionar qualquer um que não tenha visto de perto todo o processo. Estes servem como motivação e despertam sonhos de mudança em boa parte dos insatisfeitos com seu corpo e que precisam de alguns empurrãozinhos para sair do sofá.

Antes de tudo, é preciso saber que mudar seu corpo a ponto de receber elogios exige muita determinação, empenho e renuncia de antigos hábitos. Podemos afirmar que é preciso uma reprogramação de suas atitudes e comportamentos. Resumindo: não é nada fácil! Se fosse veríamos muito menos pessoas se lamentando e preocupadas com isso. O fato é que existe um “preço” a ser pago para obtenção de melhorias estéticas importantes, principalmente se você se descuidou por um longo período de tempo.
Como ponto de partida para a transformação é necessário avaliar se você tem ido “malhar” ou treinar quando decide ir à academia. Alguns até dirão que isso é conversa fiada e que os dois termos representam a mesma coisa, porém lhes digo: Treinar envolve compromisso, meta, estar focado em um objetivo e disposto a se esforçar em busca dele, já “malhar” nem existe no dicionário formal. Se você já pratica o descrito acima e ainda diz que está indo “malhar”, chegou a hora de adotar esta nova terminologia.

Matriculou-se?! Não desista!


A taxa de desistência em grandes academias e centros esportivos beira os 50% por mês. Já imaginou isso?! Sem contar com a quantidade de matriculados e não frequentadores, e os que pagam caro para frequentar a sua modalidade preferida apenas 1 ou 2X por semana. Outra notícia nada boa é que muitos que superam a barreira da baixa frequência e do abandono e enchem as salas de musculação ou de ginástica não estão satisfeitas com seu corpo, mesmo após meses de mensalidade.

De quem é a culpa?

Se você já frequenta a academia há algum tempo e vive a reclamar que os resultados não aparecem, questione-se ao sair de casa se você está indo dar o seu máximo, o seu 100%, se está comendo melhor, se melhorou a qualidade do seu sono. Dar o máximo nos seus treinos significa respeitar os intervalos entre as séries, entre os exercícios e as sessões, executá-los corretamente, desafiar-se com a progressão das cargas, compreendendo que não existe resultado ótimo com uma má alimentação e descanso inadequado. Para quem treina, dieta e descanso são uma extensão do treinamento. Você não age assim? Então provavelmente a responsabilidade de seus resultados não serem satisfatórios é sua!

Um bom profissional é fundamental!

Para que você alcance o seu objetivo, é importante que o Profissional de Educação Física deixe claro o tamanho do desafio e do comprometimento que você deve ter. Claro que isso não pode ser passado em sua totalidade no primeiro dia de academia, mas faz diferença uma boa orientação neste sentido. O quadro abaixo exemplifica algumas situações comportamentais que podem ser melhoradas com o auxilio do professor, demonstrando as diferenças clássicas nas atitudes de quem “malha” e quem treina.




Diversifique e siga em busca do seu objetivo.

Sabemos que algumas vezes a rotina de treino pode se tornar monótona, mas antes de sumir/desistir, imagine os resultados e a satisfação que terá quando atingir suas metas. Caso isso não seja suficiente, diversifique! Experimente aulas em grupo, natação, artes marciais, yoga, pilates, treinos de corridas, ciclismo indoor... Sim, a maioria destas atividades existe dentro de sua academia e podem fazê-lo melhorar. Comece procurando um bom profissional que o incentive, acompanhe seu progresso, reavalie e elabore a melhor estratégia para que o treino supere suas expectativas e prepare-se para os elogios!

Anderson Santos é Educador Físico e personal da Mais Atividade Física. (www.maisatividadefisica.com)


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terça-feira, 16 de abril de 2013

MUSA: Kaká Rafael, nossa "Garota do Lado" sabe viver a vida sem perder o sorriso no rosto

Nossa “Garota do Lado” (que é aquela vizinha, colega de trabalho ou de curso que você sempre admira mas que não é sai dos seus sonhos) da nossa mais nova edição impressa, Kaká Rafael cuida do corpo sem descuidar da mente. Estudante de Direito, a nossa musa tem uma vida agitada, mas sabe conciliar trabalho, estudo e lazer e ainda arrumou um tempinho pra posar pra gente. Sorte, sua hein, leitor? Kaká é daquelas mulheres que gostam de ser elogiadas, mas que prezam pelo respeito e pelo caráter na hora da conquista, por isso, ganhar essa gata não é tarefa fácil se você não passa de um Don Juan. Confira aqui fotos inéditas e o making of do ensaio produzido para nossa Garota do Lado, Kaká Rafael. 





O que gosta de fazer para relaxar e para se divertir? Para relaxar costumo passar algumas horas na academia. Isso me causa bem-estar e me deixa bastante relaxada. Para me divertir costumo sair para algum barzinho, praia, balada ou até mesmo para casa de amigos. Ao lado deles a diversão é garantida.

O que faz para manter o corpo em forma? Para manter a saúde do meu corpo, procuro alimentar-me de forma equilibrada. Nada de excessos. Também evito alimentos com gorduras saturadas, doces e refrigerantes. Além disso, faço caminhadas e freqüento a academia pelo menos 3 vezes por semana. 

Confira o making of:



Se quiser ver a matéria completa confira nossa edição impressa #5.


Kaká veste John John - www.johnjohn.com 
Make-up Maison Isnaldo Braga 
Design Hair Solange Viegas - www.isnaldobraga.com.br
Agradecimento: Beach Class Executive (locação) - www.nobilehoteis.com.br

sexta-feira, 12 de abril de 2013

ENTREVISTA: Alexandre Nero ainda mais talentoso e cheio de ideias


Alexandre Nero, ao mesmo tempo singular e plural, já foi nossa capa na versão eletrônica, mas ele tinha tanto ainda pra falar que veio parar nas páginas também da impressa. Ler Alexandre Nero é tão prazeroso quanto vê-lo atuar ou cantar. Então, vamos a ele. 
Só para relembrar ao público, como você despertou que atuar era seu maior desejo? Como descobriu o seu talento de interpretar outras pessoas? Se puder relembrar pra mim também seria útil (risos). Meu maior desejo, eu acho, é defender ideias que acredito, ou divagações, que vão se metamorfoseando diariamente, tentar expressá-las de maneira criativa e provocar algo nos outros. Isso pode ser feito de diversas formas. Atuar é uma delas. Me dá muito prazer, mas não só ela. Escrever me dá esse prazer, compor, cantar, tocar, pintar, dançar, politizar, debater, conversar, enfim, muitas formas, tamanhos e posições. Já tive até blog de quadrinhos, chamava "umore nero" (em italiano, humor negro). Era horrível, mas eu adorava (risos). Autoterapia pura. Em relação ao "talento" de interpretar outras pessoas, é uma dúvida perene que me cerca, e acho que deve ser assim com qualquer arte que eu venha desempenhar, pois a dúvida me faz buscar. Sou um cara curioso e gosto de aprender. Não sei de fato o que seja atuar, e duvido quem diz saber claramente, pois não se trata de interpretar outra pessoa, pois ali não existe outra pessoa, existe uma, mas com milhões de referências e possibilidades de ser quem quiser ser, ou estar.

Como se dá o processo de memorização dos textos? Alguma regra básica? Sempre vai depender de cada processo e dos profissionais envolvidos. Penso que existem textos que não precisam ser reproduzidos Ipsis litteris. Entendemos a linha de raciocínio, guardamos a base, e é dito de uma forma que o ator-personagem vista-o melhor. "Azeitamos" o texto. É o que acontece, na maioria das vezes, em novela, que se trabalha com a "urgência". Já outros textos precisam, ou deveriam ser ditos "tal e qual", e aí, obviamente depois de compreendê-los profundamente, o jeito é repetir, repetir, repetir exaustivamente. Esse é o meu processo. Chega um momento que não tem escapatória. É como se tocar um instrumento. Repetição, repetição, repetição puramente mecânica. Existe o primeiro momento intelectual, mas em algum momento teremos que passar pelo trabalho braçal. Pra mim o processo mais profundo, transformador, prazeroso e eficaz é quando nos tornamos co-autores do que é dito e feito ali, e quando o texto, depois de tantas discussões, leituras e ensaios, o apreendemos como que por osmose. Pode parecer estranho para um artista de palco, mas sempre tive muito mais prazer no processo de ensaio do que nas apresentações. 

Você parece ter um jeito peculiar de expor suas opiniões, às vezes ácido, às vezes sarcástico, mas sempre perspicaz e com doses de humor. Concorda? (risos) Não falo inglês, mas falo acidez (risos). Eu tento falar com o "meu público". E quem é? Não sei, mas quero crer que sejam pessoas que entendem o que falo e onde pretendo chegar com o que digo e faço. Falar do sério brincando. Brincando seriamente. Usar o humor para mostrar o trágico, e o trágico para fazer humor. É pra ser agridoce. O mestre Domingos Oliveira me disse uma vez "você tem humor afiado. Não perca ele quando for falar das coisas". Humor é algo muito subjetivo. Pode ser engraçado pra um, e não pra outro. Aliás, virou moda agora que humor é só o que se faz rir. Não é! É importante que se diga que humor não comporta só "bom" humor. O "mau" humor é o seu complemento. Poesia não se faz somente falando de flores. É preciso meter a mão no esterco pra tirar palavras. Assim é com humor. Humor não é feito só pra gargalhar. Como poesia não é feita só pra ser linda e nem música só pra animar a festa. Tem vezes que não se ri, nem por isso deixa de ser humor. Nem toda rima é poesia, nem todo samba é pra dançar. Mania de falarem da arte apenas como algo belo, leve ou doce. Algo que serve apenas para "aliviar a vida dura". A arte deve também ser terrível quando solicitada. Quando o piá apronta, a mãe alerta: "Já tá fazendo arte!". É isso! "Mães" temem a arte, por que arte é desobediente, incomoda. A arte ataca! Arte não é cordeiro, arte é predador! O Artista é um deformador de opinião. 

Autoestima é tudo? Ou a opinião alheia tem lá sua importância? Autoestima, autocrítica e automóvel: É preciso manter os 3 calibrados pra se manter equilibrado. Pronto, é um "provérbio chinês" que acabei de inventar (risos). Minha autocrítica é cruel. Nenhum crítico  ainda conseguiu ser pior comigo do que eu mesmo (risos). Claro que é preciso ter autoestima o suficiente para não se importar o tempo todo com o que os outros dizem, pois muitos querem o seu fracasso. Mesmo quem o ama, às vezes, sem perceber e sem maldade, quer o seu fracasso. Mas é preciso ponderar vez ou outra. Ouvir os amigos, colegas, os mestres, pra depois filtrar e aplicar o que você tira disso, mas acima de tudo, ir onde você deseja ir.

Você passa uma imagem de que é muito seguro de si. Verdade? E o que te tira do eixo? Tudo fachada (risos). Eu sou tímido, mas me faço de sem-vergonha. Eu sou fofo, mas quero "manter minha fama de mau" (risos). Eu sou muito inseguro do que faço, e isso é muito importante pro meu ofício. Não trabalho com o que é exato. Eu falo do nada, do vazio. Tento explicar o inexplicável, ou melhor ainda, confundir ainda mais o explicável, por isso não posso ter certezas, aliás, costumo não me dar bem com pessoas que tem certeza das coisas, mas claro, preciso ter segurança o suficiente para expor o que acredito na minha arte. É como disse acima, equilíbrio, e não tenho nada de mestre zen, muito pelo contrário (risos). Já deu pra ver o que me tira do eixo. Meu ofício já é coisa suficiente para tirar dez vidas do eixo (risos). Na verdade sou ótimo na teoria de como viver bem, mas na prática... Estou mais pra bêbado que pra equilibrista (risos).


Você é do tipo que filosofa muito? Reflete sobre a vida, pessoas, coisas? Ou vai vivendo o momento sem pensar muito no depois? Essa entrevista já tá enorme... imagina se filosofo muito (risos). Mas, infelizmente pra mim, meus pensamentos filosóficos são de uma limitação intelectual gigantesca. Não fui, nem sou, um devorador de livros. Sou um feroz consumidor da sabedoria alheia. Todos os meus amigos são mais cultos, inteligentes e talentosos do que eu. Por hora sou um farsante, um plagiador, mediano, um medíocre, e às vezes, mesmo que muito esporadicamente, também consigo algo perto brilhante.

Falando em provocação... quando você quer provocar uma mulher, que armas usa? Jogar ela numa liquidação de sapatos sem cartão de crédito? (risos). Sedução é um jogo, por isso vai depender de cada situação. É xadrez sem vencedor ou perdedor. É xadrez. Tem vezes que acaba mesmo na cadeia (risos).

O que torna uma mulher encantadora aos seus olhos? Nada melhor que um sorriso doce, singelo e sincero... Uma boa bunda e peitos são legais também (risos)

O que não sabemos sobre as mulheres? Você já descobriu? O que sei delas é que a mulher é um ser humano do sexo feminino. Se distingue do homem por ter útero, óvulo, canal vaginal, vulva e seios proeminentes. Apresentam em suas células somáticas um número par de cromossomos do tipo XX, gostam de bolsas, sapatos, chocolate, homens que "tem pegada", dar risada, acreditam em pesquisas, leem "50 tons de cinza", sempre precisam perder uns 2 quilinhos, sonham em casar, ter filhos e se sentir protegidas. Esse é o pensamento do homem médio. É o que os homens quiseram e querem que elas pensem sobre elas mesmas, e o pior, eles conseguiram. Cabe a elas querer mudar isso, mas isso tem um preço. É alto e não se aceita cartão (risos). Salvo algumas raras exceções, as mulheres modernas continuam querendo homens antigos. É mais confortável. Ah, e sei também que elas vão odiar essa resposta (risos).

Por falar em Stênio, tem sido muito divertida a dobradinha com Giovanna Antonelli? Como você vê essa relação? É algo muito comum entre homens e mulheres separados? Primeiramente é fundamental que seja divertido para nós, e que sejam bons atores. Sem isso fica muito complicado. Depois disso ainda temos que contar com a sorte de muitos outros fatores, que não dependem exclusivamente de nós. Tenho tido sorte no que se refere a parcerias e dobradinhas na TV. Se é algo comum um ex-casal ter recaídas, brigar diariamente, e ainda preservar o carinho e atenção ímpar um com o outro? Acredito que não. O comum são só as brigas, que devem ser em decorrência às recaídas (risos). 

Depois de personagens tão diferentes, se sente satisfeito com a repercussão dos seus personagens? Tem se sentido realizado profissionalmente? Como disse, tenho tido sorte na TV. Tenho pego bons personagens, mas sempre esperamos ir além, transcender, ir para lugares ainda inabitados conscientemente por nós. Ainda falta muito pra que eu me sinta realizado como ator de uma maneira geral.

Quem é Alexandre Nero? Quem ele quer ser quando crescer? (risos) Alexandre Nero sou eu. Eu sou uma contradição (risos). Sou único. Contrariando a máxima, que deve ter sido inventada por alguma multinacional que despreza o afeto e só visa lucro. Para quem me ama eu sou insubstituível sim. É assim que as pessoas que amo são pra mim. Insubstituíveis. Com todos os seus defeitos, e 2 ou 3 qualidades (risos). Quem eu quero ser quando crescer? Aquele senhor gordo e velho, que não se importa em ser gordo e velho, e que fica sentado numa pracinha gritando com as crianças, passando rasteira nos jovens e jogando conversa dentro. 



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