sexta-feira, 11 de agosto de 2017

CAPA: As mil faces do humor por Marco Luque


Você certamente já ouviu falar de personagens como o motoboy Jackson Faive, o taxista Silas Simplesmente, a diarista Mary Help, que sempre estão marcando presença no “Altas Horas”. O “ser humaninho” por trás desses (dentre outros) é Marco Luque. Um cara multifunção, ator, dublador, humorista e locutor, que desperta o bom e tradicional palhaço que existe dentro de nós e deixa a vida mais leve. Se você não lembra, Marco surgiu para o grande público lá no CQC, mas antes e depois desse “divisor de águas”, ele fez e faz muita coisa. Sobre o que vem por aí, dois filmes e novo personagem na “Escolinha do Professor Raimundo”. Ex-tímido, hoje em dia deixa muita gente tímida diante de suas piadas, mas cada vez conquistando mais espaço e fãs. Assim como nós!

Marco, no meio de tanta notícia negativa hoje em dia no Brasil onde tirar inspiração para fazer rir? O humor, além de oferecer entretenimento, diversão e alegria, promove reflexão e debate sobre assuntos importantes para a sociedade, que muitas vezes nós não paramos para pensar ou analisar. Esses temas também servem de inspiração para nós.


Como dizem, é realmente mais difícil fazer rir do que chorar? O melhor sem dúvidas é chorar de rir...(risos) Concordo, o melhor é chorar de rir e fico muito contente quando acontece isso nos meus shows. É difícil fazer as pessoas rirem, mas procuro ter um repertório amplo, assim consigo atingir diferentes estilos de público. Além disso, minhas piadas são inspiradas no cotidiano das pessoas, então elas se identificam e o riso surge solto.

O que te faz rir e o que te tira do sério? Fazer as pessoas rirem, me faz feliz. Além, é claro, da minha família. E o que mais me deixa de mau humor é a falta de sensibilidade e preocupação das pessoas com as outras. Não vejo mais aquele respeito, aquele sentimento de empatia e solidariedade. Hoje isso é muito raro, infelizmente.

Você parece ser hiperativo... Desde criança já se percebia isso? Desde pequeno eu gostava de fazer brincadeiras. Na época de colégio, às vezes, a professora separava um tempo ao final de cada aula para que eu pudesse fazer imitações para os meus colegas de classe. Fazer as pessoas rirem sempre foi algo que gostei de fazer.

Como você era quando criança e adolescente? Algum dos seus personagens traz um pouco dessa época? Eu era muito tímido e usava o humor pra me aproximar da turma, nesta época eu ainda não pensava em criar personagens.

Quando percebeu que fazer humor era o caminho para a realização profissional? Na verdade, sempre tive essa ligação com o humor e, aos poucos, no teatro, fui desenvolvendo melhor esse lado em mim. Mas como disse acima, desde a época da escola fazia imitações e adorava ver a galera gargalhando.

Mais do que atuar, fazer humor é ter uma sensibilidade e um jogo de cintura maior. Onde não errar o ponto? Particularmente, procuro nunca fazer piadas que soem ofensivas. O meu entretenimento é mais voltado para toda a família, por isso, me policio mais nas piadas para tentar não errar.






O que o CQC significou para você e como chegou até lá? Eu tenho gratidão. Passei por muita coisa até chegar no CQC, estudei muito com preparadores de elenco, como a Fátima Toledo, fiz peças dramáticas, e entrei no grupo do “Terça Insana”, idealizado pela atriz e diretora Grace Gianoukas. Neste espetáculo, nasceram personagens como o motoboy Jackson Faive, o taxista Silas Simplesmente, a diarista Mary Help, entre outros. Aos poucos, com muito trabalho, outros convites foram surgindo, entre eles para integrar a equipe do CQC, em 2010. Tudo que passei até hoje me fez crescer profissionalmente e me proporcionaram ótimos aprendizados, com o CQC foi assim. Foram oito anos de programa, em que aprendi muito como pessoa e como profissional. O CQC trouxe um diferencial para a TV ao abordar temas políticos e sociais muito importantes de uma forma branda.

Hoje em dia grande parte do elenco do CQC está na Globo. Isso de certa forma foi um reconhecimento do desempenho de vocês lá na época do CQC? O CQC foi muito importante na trajetória de todos nós, mas acredito também que foi resultado de muito trabalho realizado durante anos.

Fez amigos ou colegas de profissão? Como foi e é a relação entre vocês? Sim, até porque a gente acaba convivendo mais com as pessoas do trabalho, o Andreoli, por exemplo, é meu amigo e frequenta minha casa. Somos bem próximos até hoje, nos encontramos sempre nos bastidores e o clima de alegria e cumplicidade rola solto. É ótimo!



Ator, dublador, humorista, locutor... Onde se sente mais em casa? Ou tudo junto misturado? Gosto muito de aprender, é claro que o humor está enraizado em mim, tenho alma de palhaço, mas quando surge oportunidades novas fico feliz e, dependendo do trabalho, embarco de cabeça na experiência. Foi assim nos dois filmes que fiz e que devem estrear ainda esse ano, o “Talvez Uma História de Amor”, de Rodrigo Bernardo; e “O Homem Perfeito”, de Marcus Baldini. No segundo, contraceno ao lado de Luana Piovani, Juliana Paiva e Sergio Guizé. Adorei fazer cinema e estou ansioso para ver a reação do público.

O futebol ainda ocupa um espaço em sua vida? De que forma? Somente nas horas de lazer. Costumo jogar com os amigos e também em eventos beneficentes.

Como “pai” de tantos “filhos”, como Mustafary e Mary Help, tem algum que você tenha um carinho especial? E de onde vem a inspiração para cria-los? Todos têm o mesmo espaço e carinho na minha vida e no meu coração. Sou uma pessoa bastante observadora, gosto de reparar nas pessoas, em seus trejeitos, suas manias. Em um país onde diversas culturas convivem harmoniosamente como o nosso, é um prato cheio de inspiração para os meus personagens. Não existe povo mais inspirador do que o brasileiro.



O humor sempre ajudou na conquista? De certa forma, sim. Principalmente na adolescência, pois eu era muito tímido e contava com o humor para driblar a timidez, (risos).

A mulher ser bem humorada é um requisito básico para te conquistar? Eu já fui conquistado pela Flavia, minha esposa, (risos), mas o bom humor deve ser um requisito básico pra vida em geral, a vida sem humor fica triste.

Em breve você estreia na “Escolinha do Professor Raimundo”, que expectativa guarda sobre esse novo trabalho e personagem clássico da TV? É a melhor possível. Fiquei muito lisonjeado com o convite e é mais uma conquista importante para a minha carreira. Ter a oportunidade de interpretar o Nerso da Capitinga me deixa feliz e realizado. Sempre acompanhei a Escolinha, gostava de imitar os personagens, principalmente o Nerso. Só tive alguns dias para a preparação e ensaios, mas foquei em ver vídeos do Pedro Bismark, já que não tive contato com ele pessoalmente. Estou na expectativa de saber se ele achou boa ou não a minha atuação.





Fotos Jeff Segenreich ODMGT
Direção Criativa Octavio Duarte
Produção Executiva Márcia Dornelles
Beleza Vanessa Sena ODMGT
Stylist Rafa Menezes ODMGT
Retoucher Marcelo Kalfmanm ODMGT

Marco Luque veste: Look 1 - Tricot Zegna; Look 2 - Blazer YSL, calça Fideli, camisa Hugo Boss; Look 3 - Camisa manga longa Hugo Boss, tricot azul Zara, calça Ricardo Almeida; Look 4 - Camisa Murilo Lomas, calça Diesel, pulseira Rafa Menezes para Caterina; Look 5 - blazer preto, camisa branca e calça Fideli