ENTREVISTAS

Mais do que um ator, um cidadão, um homem ciente do seu papel de homem no trabalho e na sociedade. É essa a impressão que se tem ao conhecer um pouco mais do ator Max Fercondini. Com muita simpatia e simplicidade Max nos recebeu para esse papo muito legal que vai de sustentabilidade, prendas domésticas, fotografia, aviação.... e claro, TV! Sim, não podíamos deixar passar em branco a sintonia e admiração que ele nutre pela amada Amanda Richeter, que brilhantemente clicou Max nessa matéria da MENSCH. Max Fercondini, um cara típico bom moço que todo mundo quer como colega de trabalho, amigo de mesa de bar (moderadamente) ou simplesmente para um bom papo.

O que mais te marcou nesses anos todos de apresentação do Globo Ecologia? Este é o meu terceiro ano na apresentação do Globo Ecologia. Eu aprendo muito com o programa, pois faço questão de participar de todas as etapas: discussão de pautas, leitura dos roteiros e muitas vezes acompanho a edição na pós-produção. Dentre as coisas que eu mais gosto, está o compromisso em comunicar um tema tão fascinante e conectado com o cotidiano da vida das pessoas, por mais distante que possa parecer. Hoje, por exemplo, sabemos bem da grande interferência que os centros urbanos têm no micro clima de uma região. De fato, apresentar o Globo Ecologia é um espaço onde posso exercer uma função especial com responsabilidade social.

Essa experiência com o Globo Ecologia fez mudar algo em você em relação ao meio-ambiente e à sustentabilidade? Sim. Acredito que, a partir do momento em que se tem acesso à informação, todas as pessoas começam a fazer escolhas mais conscientes, inclusive com relação ao meio ambiente. Isso em mim é muito forte e, por conta de uma série de programas sobre consumo sustentável que fizemos na temporada do ano passado do Globo Ecologia, comecei a ter mais responsabilidade na hora de escolher meus produtos. Isso vai desde a escolha por produtos mais duráveis, até os que agridem menos o meio ambiente e minha própria saúde. Mesmo assim, ainda acho que a sociedade está muito distante de uma relação ambientalmente mais sustentável. Acredito que o avanço da tecnologia será muito importante no aprimoramento dos processos produtivos, obtenção de energia limpa e renovável e processamento e inertização dos resíduos que não podem ser reutilizados ou reciclados. Pode-se dizer que sou um otimista que acredita na ciência!

Em uma das cenas de "Morde & Assopra" seu personagem sugere a 
Melissa, interpretada por Marisol Ribeiro, que fiquem juntos uma vez que estão sozinhos e sentem carinho um pelo outro. Na vida real você acha que só carinho pode construir uma boa relação e o amor pode surgir com o tempo?
Acho que o amor se constrói com o tempo. Amor à primeira vista é paixão, desejo e admiração ou outra coisa mais imediata. Só mesmo conhecendo a outra pessoa para se ter algo verdadeiramente próximo ao amor. A plenitude do amor, na minha opinião, é conhecido como altruísmo - mesmo dentro de uma relação amorosa. Para se conhecer profundamente a outra pessoa e poder dizer "eu te amo", às vezes, leva-se um ano ou mais, dependendo da intensidade da relação e das intenções de ambos.


Ainda em "Morde & Assopra" seu personagem viveu no começo da novela um romance com uma moça comprometida por quem estava completamente apaixonado. Vale tudo por amor? Eu acho essa história inicial do meu personagem um verdadeiro absurdo. As coisas foram atropeladas pelos dois personagens. Ambos se precipitaram e acabaram se comprometendo antes de ter o poder de escolha. Talvez, por serem jovens. O sentimento imaturo é assim, não mede as conseqüências. É preciso lembrar que a personagem feminina em questão, estava comprometida para se casar com um homem por meio de um acordo/contrato chamado de "miai", que é característico da cultura que estava sendo retratada na novela - cultura japonesa. Portanto, neste caso, o amor tinha uma barreira cultural bem delicada para ser vencida. Sou totalmente contra esses arranjos amorosos. Não existe coisa mais ultrapassada do que isso. Aliás, existe. A submissão da mulher em países árabes. Mas isso é outra história...
Você e seu irmão trocam muitas idéias sobre suas carreiras? Como
é a relação de vocês?
Sempre nos apoiamos muito. Ele decidiu ser ator quando eu já estava morando no Rio e com minha carreira "acontecendo" a todo vapor. Ele se esforçou muito para chegar aonde chegou e hoje tem um bom contrato com a TV Record. Acho que, se estivéssemos na mesma emissora as coisas seriam um pouco mais próximas e fáceis para ambos, mas acho ótimo ele estar conquistando seu espaço.


Como foi a experiência de gravar com índios para a novela portuguesa "Laços de Sangue" ainda mais trazendo de volta às telas o personagem Dr. Ricardo de "Viver a Vida"? Isso foi muito inusitado pra mim. Pois, foi um pedido da TV Globo para que eu pudesse reviver o Dr. Ricardo na novela portuguesa. A novela "Viver a Vida" estava fazendo um grande sucesso em Portugal e seria algo interessante ter um personagem da trama do Manoel Carlos transitando por uma novela do país irmão. Na verdade, essa participação aconteceu somente no primeiro capítulo, mas foi algo que me deixou muito orgulhoso.
Você começou a atuar muito cedo, tendo hoje mais de 10 anos de carreira antes mesmo dos 30 anos, consegue se ver fazendo outra coisa que não seja atuar? Algumas pessoas me perguntam isso. Estou muito feliz fazendo o que faço e com a repercussão do meu trabalho, tanto na Globo quanto junto ao público. De fato, tenho uma carreira ímpar do ponto de vista de escolhas e oportunidades. Mas, com certeza, eu me vejo fazendo outras coisas. Tenho hobbies que poderiam muito bem se tornar minha atividade profissional. O primeiro deles é a aviação. Sou completamente apaixonado e aficionado por aviões e pela rotina de estar sempre num lugar diferente no Brasil ou no mundo. Certamente, me dedicaria a isso como profissão. O outro hobby até está ligado a minha profissão, que é cinema e fotografia. Se não fosse ator, eu estaria - profissionalmente - atrás das câmeras. Digo dessa forma, pois tenho o hábito de pegar a minha Canon 7D e sair por aí fotografando. A melhor experiência fotográfica que tive foi em um safári na África junto com minha namorada. Ali, eu pude me realizar como fotógrafo amador, fazendo fotos e vídeos incríveis em alta definição dos mais incríveis animais africanos. Facilidade esta graças à excelente tecnologia da nova geração de câmeras.
Você tem um "quê" de bom moço, é mesmo um rapaz que toda sogra adoraria ter como genro? Pior que é justamente isso que muitas mães, que vêm a me conhecer, falam! (risos) Sei lá, não invisto nessa imagem de bom moço, mas acho que ela reflete nos meus trabalhos, personagens e escolhas profissionais. Muitas vezes, eu quis fazer algo que ficasse longe desse estigma, para variar um pouco, mas ainda sim me consideravam um bom moço. Por sorte, essa qualidade é respeitável e eu não tenho que me esconder por isso. (risos)
Como você definiria Amanda Richter? Que qualidades ela tem que você admira numa mulher? Ahhh,... Sou muito suspeito para falar dela, pois somos um casal em muita sintonia. Ela é tudo que eu admiro numa mulher e mais um pouco! Esse mais um pouco eu não posso falar! (risos). Mas, de verdade, vivemos uma relação de muito companheirismo, até mesmo atípico para nossa geração. A Amanda tem 21 anos e eu completo 26 no dia primeiro de setembro. Ambos somos maduros e encaramos com muito respeito o momento do outro e as SAUDÁVEIS diferenças. A Amanda é divertida, alto astral, dedicada e delicada, carinhosa... Enfim, posso ficar horas tecendo elogios a ela. (risos).

Soubemos que você adora aviação e tem até brevê, coisas não lá muito comuns. Gosta do diferente? Como é isso? A aviação, isso sim pra mim é algo que quis conquistar em minha vida. Acho que a aviação não é para todos, infelizmente, por causa do elevado custo das horas de vôo e taxas aéreas. Gosto de poder decolar do aeroporto de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro e sobrevoar esta cidade tão visualmente maravilhosa. A Amanda sempre me acompanha nestes vôos. Dar esse prazer a ela é algo que me faz ser diferente. Sob este aspecto, gosto de ser diferente, sim.
E você também vai na onda dos homens que curtem ir pra cozinha fazer um bom jantar para os amigos e/ou um jantar íntimo pra namorada? Sempre! Amanda e eu combinamos muito na cozinha e gostamos de exercitar a prática de servir, a nós mesmos e também os amigos. Cozinhamos mais pra nós mesmos do que para os amigos. Mas gostamos de receber com "prato cheio" quem nos visita. Gostamos de degustar e SABER sobre vinhos e uvas também. Minha atual casa conta com uma cozinha americana que nós desenhamos para integrar os ambientes e, assim, podemos preparar as refeições interagindo com quem estamos recebendo. Gosto muito de preparar pratos com camarões. Amanda adora todo tipo de risoto.

Com relação à vaidade, como você lida com isso? Chega a usar algum produto ou é daqueles que esquece até de usar protetor solar na praia? Sou daqueles que se esquece do protetor solar, sim. Uma vergonha, mas tenho que admitir. Quem me faz cuidar mais da pele é a Amanda. Como nas gravações das novelas usamos muitas vezes maquiagem, quando chego em casa tenho o costume de usar os produtos de limpeza da Amanda. Quanto à vaidade na hora de me vestir, não sou chato, mas acabo procurando as melhores marcas, apesar de ser bem básico.
O que um homem não pode perder nunca e que qualidades deve buscar sempre? Acho que nunca devemos nos corromper para conquistar qualquer um dos nossos objetivos. A corrupção dos valores familiares e sociais são as maiores aberrações que estamos vivendo atualmente. E isso não é uma exclusividade dos homens, mas, aparentemente, as mulheres são mais honestas nos seus sentimentos e valores. Quanto ao que não devemos perder, acho que o cavalheirismo e a educação. São qualidades que sempre serão valorizadas pelas mulheres, por mais igualitária que seja a sociedade entre os gêneros.

Homens e mulheres são muito diferentes. Concorda? Que qualidades femininas você mais admira e que defeito você menos gosta?
Concordo e acho as diferenças saudáveis, complementares e essenciais. Gosto de mulheres femininas. Admiro a delicadeza do sexo oposto ao meu e, por vezes, a dependência por ajuda masculina. Gosto de poder ser útil à mulher em questões específicas, como consertar alguma coisa, carregar peso e ser coerente! (risos). Mas não dispenso a incoerência feminina sobre coisas abstratas e românticas. É um alento para minha racionalidade extrema, por exemplo.


Que "programa de homem" você mais curte: jogar bola com os amigos (ou ir pro campo), passar algumas horas no bar com a galera tomando vários chopes ou assistir Fórmula 1 no domingo pela manhã cedinho? Sou mais do bar com amigos. Gosto de beber, moderadamente. Já tive minha fase, mas agora, para maneirar na bebedeira, adotei o limite de um chopp ou cerveja por hora. E não vale contar todas as horas do dia e resumi-las no tempo em que se passa no bar! (risos) Dessa forma, acredito ser mais justo com meu corpo e mente, sem deixar de degustar um bom "suco de cevada" gelado com os amigos! (mais risos)

Dizem que a lealdade masculina é de dar inveja às mulheres. Você
concorda que a amizade masculina é mais sincera?
Concordo e pratico. Acho que os homens conseguem implicar menos uns com os outros do que as mulheres entre si. Respeitamos mais as diferenças e até mesmo as qualidades e vantagens que nossos amigos possam ter. Um exemplo disso, acho que competimos menos com um amigo por mulheres bonitas, mesmo sabendo que o amigo faz mais sucesso com as mulheres em baladas. É claro que as exceções fogem a regra, mas, no geral, homem é mais leal, sim.
Fotos: Amanda Richter
Agradecimentos: May Biolli – Ponto3 Comunicação
Agradecimento especial a Max Fercondini



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Quando se fala que vocação é algo que se nasce com ela, o ator Sergio Marone não foge à regra. Pois desde muito cedo o seu teu talento e desenvoltura para a arte de representar chamava atenção. Ao longo de mais de dez anos de carreira dedicados com muito empenho e profissionalismo, Sergio Marone foi somando personagens e elogios a cada novo trabalho. Seja como mocinho ou vilão, Sergio cativa o público pelo seu carisma e simplicidade com que se dedica a cada novo trabalho. O talento e a dedicação que ele mesmo também nutre por outros artistas, como no caso do arquiteto Oscar Niemeyer, de quem é fã. Foi por isso que Sergio Marone escolheu como cenário desse ensaio as obras do grande mestre, mas é, sobretudo fã de Oscar, o homem, e mostra que assim como o idealista centenário que se inspira nas curvas da natureza para criar suas obras, ele é um admirador da alma humana. E sem fazer projeções para o futuro, Sergio Marone vive intensamente o presente e tem a liberdade como religião.

Que espécie de garoto você era na infância - introvertido, extrovertido, tímido...? Sempre fui extrovertido e popular no colégio (risos). Fiz o Dante Alighieri, narrador do personagem na adaptação da "Divina Comedia" do meu colégio (Dante Alighieri) num festival intercolegial de teatro. A peça ficou melhor do que esperávamos para um espetáculo amador, as pessoas nos cumprimentavam emocionadas. Foi engraçado. (risos)

O seu personagem em "Morde & Assopra" é totalmente dominado pela mãe, o que leva um homem a essa relação de dependência materna? Acho que essa adoração que todo homem tem pela mãe é natural, mas acredito que no caso do Marcos seja patológico, (risos). Apesar de amar a mulher ele idolatra a mãe e seu estilo sovina de vida (risos). E por ser o único homem da casa se sente obrigado a estar ao lado dela, protegendo-a até a morte. Ela faz chantagem emocional com ele. Mas ele é do bem. Bobo mas do bem. (risos) 

Você estreou em novelas como o paranormal Santhiago de "Estrela-Guia", você acredita em paranormalidade? É espiritualista? Como lida com a religião? Apesar de católico não pratico. Sou livre de religião e tenho a liberdade como religião.

Em "O Clone" que está sendo reprisada agora você interpretou o Cecéu, jovem de classe alta que se envolve com drogas mas consegue sair antes de se viciar de fato. Em sua opinião o que faz alguém se envolver profundamente com drogas e o que faz conseguir se livrar delas antes de perder o controle? Tantos podem ser os fatores... Falta de carinho e amor verdadeiro, ou de uma boa educação e de oportunidades... E pra sair dessa a pessoa tem que querer, e ser ajudada/assistida pelo governo, pela família e pelos verdadeiros amigos.

Onde está o maior exercício da atuação, no teatro ou na TV? Adoro fazer tudo, principalmente cinema, mas no teatro somos os donos da cena. Se eu mexer o dedo do meu pé, o público vai olhar pra ele.

Já chegou aonde queria na sua carreira ou ainda há muito mais por vir? Espero sempre que haverá mais por vir ou então estarei morto enquanto artista.





A impossibilidade de ser anônimo é o lado ruim do sucesso? Um dos exercícios mais importantes do ator é observar o outro. O fato de não ser anônimo às vezes atrapalha. Porque as pessoas podem perder a espontaneidade. Acho interessante uma mulher inteligente, bem humorada, charmosa... Quando a mulher não se gosta, geralmente fica desinteressante.
O que faz uma mulher ser considerada interessante por você? E a desinteressante? Acho interessante uma mulher inteligente, bem humorada, charmosa... Quando a mulher não se gosta, geralmente fica desinteressante.

Em se tratando de relacionamento, diferença de idade importa? Tem preferência por mulheres mais velhas? O que te fascina nesse tipo de relacionamento? Acho que a diferença de idade não importa e até desaparece num relacionamento em que há admiração, afeto e tesão mútuos.


Pelo que já saiu na imprensa, você já teve muitas namoradas. Alguma dificuldade em acabar relacionamentos? Existe uma forma de se sair bem? Todo término de relacionamento amoroso é difícil e deve acontecer com carinho e respeito. Mas acredito que o amor não acaba se transforma. Como diz Nelson Rodrigues: "Todo amor é eterno. Se acaba, não era amor"

Foi difícil chegar aos 30 anos em forma? Como cuida da aparência? Por ser muito grande sempre tive que ter um corpo saudável, os músculos devidamente exercitados... Caso contrário não conseguiria me manter em pé. (risos) Então a prática de exercício constante sempre foi uma condição sem a qual não me sinto bem e consequentemente me mantém em forma. Nado, corro, faço boxe, musculação... Nunca foi fácil! (risos)

O que você não faria pelo seu trabalho? E que papel você recusaria fazer? Não me recusaria a fazer um papel específico porque acredito que, em se tratando de seres humanos, somos capazes de tudo, das coisas mais fantásticas e maravilhosas até a mais sórdida. Mas sou contra esses laboratórios onde as pessoas apanham, comem terra.

Na sua opinião, o que é que os homens odeiam nas mulheres? E como conviver com isso? Acho que os homens em geral odeiam mulheres que falam muito (risos). Filtrar os pensamentos já é um passo pra conviver melhor com isso.

Sexo casual é algo comum para os homens, só que hoje em dia as mulheres também praticam sem culpa. As mais novas então começam cada vez mais cedo e tem muito mais malícia. Alguma vez isso já te assustou? Alguma experiência que pudesse nos contar? Acho saudável a mulher lidar bem com sexo casual quando se é solteira, mas discordo que as meninas estão cheias de malícia desde cedo, não generalizaria dessa forma.

Seja camarada com nossos leitores e nos passe algumas dicas de sedução que você considera infalíveis. Acho importante chegar sempre de mansinho quase como quem não quer ser nada, (risos) ou talvez apenas ser amigo... E o papo e as afinidades e as trocas de olhares se encarregam do resto.

Como você imagina sua vida daqui uns cinco anos? Sou de pensar no presente e viver o agora, prospecto algumas coisas pro futuro, lanço pro Universo, mas não me imagino daqui uns cinco anos.



“Tenho pesquisado muito sobre Oscar Niemeyer. Todos sabem que é um dos maiores mestres da arquitetura mundial, um grande artista, que se inspirou na beleza e sensualidade das curvas da natureza e das mulheres pra compor um conjunto de obras arquitetônicas que não só enchem os olhos, mas também acolhem tão bem o humano e suas necessidades.
O que pouco se fala é do ser humano Oscar, que vem antes de Oscar Niemeyer. Um grande homem que luta ha 104 anos, pelo ser humano, pela importância da educação, da leitura, pela difusão de conhecimento, pela democracia. Oscar percebe nas coisas aparentemente ínfimas da natureza, uma beleza que as tornam incomensuráveis, e nos faz enxergar isso através de sua arte deslumbrante. Por isso Oscar é um ser humano fantástico, um "merchand" da natureza e das coisas belas que ela nos proporciona. Um homem inteligente, sensível e com plena compreensão do que é ser humano.”
Sergio Marone

Idealização: Marco Antonio Ferraz
Fotos: Kadu Niemeyer
Coordenação: Márcia Dornelles – MD PRODUÇÕES
www.mdproducoes.com
Styling: Priscila Leal
Sergio veste look total HUGO BOSS
Locação: Caminho Niemeyer

CAPASergio veste camisa DIOR
Beauty: Eliane Medeiros
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Luis Crispino é um daqueles caras que se tem como referencial na fotografia de bom gosto, estilo e sofisticação. Seja um retrato de nu, um editorial de moda ou uma campanha publicitária, sempre o resultado é uma sofisticação que vem da simplicidade. Simplicidade em olhar, perceber e sentir a fotografia. O que resulta, claro, em grandes e marcantes imagens. Com a simplicidade de sempre, tive mais uma vez o prazer de conversar com esse grande fotógrafo e pessoa elogiada por todos que trabalham com ele. O resultado desse papo vocês conferem aqui nessa entrevista. Um pouco mais do grande fotógrafo Luis Crispino...

Começando pelo começo... Como foi seu início de carreira? Desde sempre pensou em ser fotógrafo? Comecei da maneira que eu considero a mais adequada, até hoje: como assistente de um fotografo que eu admirava – e admiro até hoje – muito, o Miro. Antes disso, havia freqüentado alguns cursos técnicos, mas a formação mesmo foi trabalhando e aprendendo que a teoria, na prática, é outra...
O que torna um fotógrafo bom de verdade? Parece óbvio, mas não é: gostar de fotografia. E boas doses dedicação, persistência e mais um tanto de teimosia.

A moda é a porta de entrada para a grande maioria dos fotógrafos?Não necessariamente. Basta lembrar de nomes como Mário Cravo Neto, Cristiano Mascaro, Claudio Edinger, Andreas Heininger, Tucá Reines, aqui no Brasil, ou, pelo mundo, Annie Leibovitz, Philiph Lorca diCorsia, Cindy Sherman (que não gosta de ser rotulada como “fotógrafa”...), Sally Mann, Jock Sturges, Miroslav Tichý... A lista é enorme.

Qual a importância que o Miro teve na sua carreira profissional? É realmente difícil medir a influencia de um fotografo excepcional com o Miro na carreira de alguém. Para mim, foi “o” mestre e segue sendo minha maior referencia no que toca qualidade e entrega profissional. Ele é simplesmente "hors concours".

Você acha que concursos, como o "Menina Fantástica", do qual você foi jurado, são um bom caminho para descobrir novos talentos pra moda?Eventualmente. De tempos em tempos eles revelam alguns grandes talentos. Gisele Bündchen, a sensacional Gisele, a über model, por exemplo, foi revelada no "The Look of The Year" da Elite Models, embora não tenha sido a primeira colocada…

A fotografia é também um hobby para você? Não é um hobby, é muito mais uma maneira de falar, escrever. Faço por gosto, não existe distinção entre o que é “trabalho” e o que é “prazer”. Admito, é um privilégio que poucas pessoas podem usufruir...

Quem rende mais prazer e quem rende mais dinheiro entre a fotografia de moda e a publicidade? Dinheiro, em termos absolutos, vem quase sempre da publicidade. Agora, dizer que o prazer está sempre do outro “lado”, na fotografia de moda, é um raciocínio um tanto quanto simplista, maniqueísta.


O que um jovem aspirante à fotógrafo não deve fazer? Pensar em lucro imediato. Acredite, a  recompensa é sempre proporcional à qualidade. 


No seu dia-a-dia você é ligado em moda, de tanto que lida com isso de forma profissional? Escolhe a própria roupa? Não. Gosto do básico, do prático e duradouro. Escolho assim. Sou meio maníaco e não gosto de muitas cores e detesto logos e etiquetas visíveis.

Você faz algum tipo de interferência na produção de uma foto? Na maioria das vezes. Mas sempre partindo do principio de que estou bem assessorado por profissionais da maior competência. No caso de editoriais, principalmente, acredito que as editoras sabem o que querem e o que precisam. O que não impede que eu eventualmente venha a opinar sobre determinado acessório ou detalhe da maquiagem, do cabelo...  

Fora moda, que estilo mais te desperta interesse na fotografia? Adoro retratos. Adoro fotografar gente. Nua. Vestida. De corpo inteiro. Close. Velha. Nova. Gente, tanto faz.

Mesmo trabalhando, fotógrafo e modelo continuam sendo homem e mulher. Já rolou algum clima "estranho" durante um ensaio ao longo desses anos de carreira? 
Sinceramente, esta é a ultima preocupação que me ocorre durante um trabalho. A idéia não é seduzir ninguém, no sentido literal, durante as fotos. Fazer uma boa foto demanda muita concentração. Não sobra espaço para isso. É claro que existe um movimento de “conquistar” quem está sendo fotografada, mas que é muito mais complexo do que a simples sedução, é mais uma “troca” que começa e termina ali, durante as fotos.   


Qual sua forma para deixar uma mulher à vontade para posar nua?Continuando, tem que acontecer uma certa forma de conquista... a minha abordagem é sempre a de garantir a cumplicidade com a modelo. É fundamental que ela tenha a certeza absoluta de que eu estou fazendo tudo para que ela fique o mais deslumbrante possível, alem até das suas próprias expectativas.

Ao longo desses anos de carreira, o nu pra você ficou banal? O que mudou ao seu modo de ver ao longo desses anos de profissão? O nu nunca será “banal”. Erotizações a parte, pode ser visto como a forma mais visceral de retrato.

Na fotografia o que pode acabar com uma foto: uma luz mal estudada, um ângulo mal escolhido ou uma idéia mal concebida?Tudo junto... e separado.

Vivendo também como fotógrafo de celebridades e belas mulheres, a fidelidade é algo difícil de se manter? Como você se protege da infidelidade? Não encontro nenhuma dificuldade em ser casado e ser fotógrafo... uma condição excepcional contribui para isso: Tenho uma mulher sensacional em todos os sentidos, que compreende perfeitamente a minha dinâmica profissional e que consegue ser uma das principais influências e grande incentivadora do meu trabalho.


Sobre seus desejos na fotografia... Que mulher você gostaria de fotografar nua? Que celebridade e que lugar você ainda não fotografou?Não seria muito gentil nomear alguém, certo? São tantas as mulheres que eu adoraria ter a oportunidade de fotografar... São tantos os retratos que eu gostaria de fazer... e o mundo tem tantos lugares fascinantes para se conhecer. Aqui cabe bem aquele famoso lugar comum: “a minha melhor foto será a próxima”



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Razão e sensibilidade poderia ser claramente o subtítulo para definir bem a carreira do diretor José Alvarenga Jr. O apuro técnico e a realidade das cenas que compõe uma gravação e a sensibilidade que toca e emociona são características claras quando se observa a gama de trabalhos executados, com maestria, de Alvarenga. Seja num filme dos Trapalhões ou num seriado denso como Mulher, ou numa comédia dramática do filme/seriado Divã. Em cada um dos seus trabalhos um cuidado em se obter o melhor. Seja do drama à comédia. Seu mais recente sucesso vem das telas com Cilada.Com. Mas Alvarenga vai além de tudo isso, da sua paixão pelo Botafogo à realização com seus filhos. Razão e sensibilidade andam de mãos dadas na vida e na carreira desse grande diretor.

01 - No Brasil é muito comum diretores de cinema iniciarem suas carreiras na publicidade. Por que? O mercado de publicidade é mais amplo que o de cinema. O Brasil produz poucos filmes e filmar no Brasil é muito caro. Já o mercado publicitário é mais dinâmico e precisa de novidades o tempo todo.

02 – No que difere o trabalho do diretor ao dirigir para cinema, TV e publicidade? Na publicidade o diretor trabalha para um cliente que tem um produto, e este produto é o protagonista. Na televisão o diretor trabalha com personagens, mas conta suas estórias  com urgência, já que esse programa vai ao ar poucos dias depois. No cinema o diretor depura mais a sua narrativa, pois tem mais tempo para realizá-la. Pra mim que transito nas três áreas cada uma é apaixonante e me proporciona desafios.

03 – Até onde o diretor interfere na obra, seja num filme publicitário, numa série, novela ou filme cinematográfico, há um limite ou como diretor ele pode tudo? A interferência é total, pois essa é a personalidade artística do diretor. Ao invés de usar a palavra interferência eu prefiro usar a palavra parceria. Na minha opinião a inteligência de compreender todas as parcerias envolvidas numa obra é o que faz essa obra ser especial. Pra mim é claro que muitas cabeças pensam melhor que uma.

04 – Como foi isso de prever que seu time do coração, o Botafogo, ia ser campeão carioca de 2010 através de um adesivo no filme “A Princesa Xuxa e os Trapalhões”? Algum dia gostaria de “dirigir” o Botafogo? (risos)
Foi uma feliz coincidência. Quando eu fiz aquele filme em 1988, o Botafogo, uma de minhas grandes paixões,estava há vinte anos sem ganhar um titulo.Como eu era muito zoado por isso e já não agüentava mais tanta gozação,imaginei que no futuro ,que era a época em que se passava o filme,eu estaria livre de tanta zoação.Em 2010,vinte e dois anos depois daquela brincadeira, por incrível que pareça o botafogo foi campeão.Para muitos botafoguenses virei profeta!!!


05- Você é responsável por diversos filmes dos Trapalhões, é divertido dirigir essa galera, há muitos momentos de descontração pela temática e principalmente, pelas palhaçadas do Renato Aragão? Era sempre divertido sim. Os caras eram tudo de bom. Eu fiz cinco filmes dos trapalhões. Na época eu não tinha filhos, mas imaginava que estava fazendo os filmes pros meus filhos assistirem no “FUTURO”. Há 1 ano atrás mostrei os filmes em DVD pros  meus três filhos. Eles riram muito e me emocionei com as risadas deles por saber que há  26 atrás  eu tinha tomado as decisões certas.

06 – O filme "Cilada.com" está batendo recordes e chegando a 2 milhões de espectadores nas salas de cinema. Você esperava por tudo isso? O que tem significado pra você? A gente já esperava chegar aos dois milhões sim. Durante 2 anos trabalhamos duro nesse roteiro lapidando cada piada para essas piadas pudessem levar o publico as gargalhadas. Fazer um público gargalhar não é fácil. Na maioria das comedias  você ri, mas não gargalha. No CILADA.COM todas as situações cômicas são originais e não piadas requentadas. Criar uma piada cinematográfica é difícil e nos exige muito, pois o publico quer experimentar coisas novas sempre.

07 - Bruno Mazzeo com certeza é um bom motivo para assistir ao "Cilada.com". Além dele o que você aponta como sendo a grande razão para esse sucesso? 
O “Cilada.com” é uma comedia maiúscula. É um super show de rock do riso.

08 – Você dirigiu muitas séries de comédia, rir é mesmo o melhor remédio?Rir é sinal de saúde mental. O riso aproxima as pessoas, é agregador. Acredito também que usando o riso como veiculo para as idéias, você atravessa preconceitos e coloca as pessoas em outros lugares que elas normalmente não estariam ou até evitariam.

09 - Uma das maiores séries de sucesso da Globo, dentro da comédia, sem dúvida é "Os Normais". A que se deve esse sucesso além do perfeito casamento entre texto, atores e direção? Até porque já tivemos a mesma composição de sucesso e o resultado não foi tão significativo?  Os Normais eram tudo o que as pessoas precisavam viver no inicio dos anos 2000. As pessoas já esperavam  de algum jeito por aquilo. Falar de transgressão, de sexualidades, de doideras com tanto bom gosto e inteligência era raro na dramaturgia Brasileira. Lá fora já rolava FRIENDS, SEIFELD, MAD ABOUT YOU e aqui só tínhamos o bom SAI DE BAIXO que era um formato já testado na FAMILIA TRAPO. Os Normais junto com a Grande família instauram de vez os SITCONS  na TELEVISÃO BRASILEIRA.

10 - Existe um padrão ou algo em comum (além de todos serem de Fernanda Young e Alexandre Machado) entre "Os Aspones", "Minha Nada Mole Vida", "Separação?!" e mais recentemente "Macho Men"? Padrão não há. Eu, o Alexandre Machado e a Fernanda Young temos uma necessidade visceral de renovação e de sair do lugar comum. O que nos une é o desejo de realizar seriados inteligentes, engraçados e que sejam desafiadores para nós mesmos.

11 - "Força Tarefa" vai para sua 3a temporada e é sua primeira série de ação, com um tom mais pesado. Era um desejo seu sai um pouco da comédia e pegar um trabalho mais denso? Como está encarando essa volta da série? Eu sou apaixonado por cinema e series de todos os gêneros. Fiz comedias de sucesso, mas também dirigi dramas de qualidade como o seriado MULHER. Fazer séries policiais também mexe com as minhas curiosidades artísticas. Eu faço o que eu gosto de ver. O “Força Tarefa” é um trabalho  de alto nível e que pouco a pouco vai formando um  publico que já tem orgulho de acompanhar um seriado policial Brasileiro. Pro ano que vem pretendo levar meu olhar para outras paisagens e  vou me envolver num projeto de suspense e terror. 


12 - Você acredita que na mesma proporção que o Brasil exporta e influencia no mercado internacional de novelas, os EUA estão influenciando a maneira de fazer seriado? Sempre foi assim. Os seriados Americanos conquistaram o mundo há mais de 70 anos. Quando eu era menino eu consumia vorazmente JENIE É UM GENIO, A FEITICEIRA, KOJAK, BONANZA, RIM TIMTIM, KUNG FU, ETC... . O nosso desafio é entender as nossas identidades culturais e misturá-las com a qualidade técnica tão presente nos seriados americanos.

13 - Curte algum seriado americano? Qual? O que tem de especial pra te agradar? Curto muito SOUTH PARK pela irresponsabilidade artística e na vida que muitas vezes nos faz falta. Curto também Mad Men porque me faz refletir sobre um passado não tão distante  onde varias idéias foram plantadas e que hoje colhendo os frutos dessas idéias, percebemos que os frutos são amargos.

14 – De todos os personagens que você já dirigiu e ajudou a criar tem algum que você se identifica ou gostaria de interpretar por uma vez que fosse? Eu me identifiquei  muito com o  personagem que o SELTOM Melo fez nos Aspones. Um cara que como todos nós cria um mini reino pra se sentir Rei  de si mesmo.

15 – "Macho Men" seria mais uma crítica ao mundo do homem machão ou uma crítica ao mundo "afetado" do gay? Macho Man é o espaço vivo e debochado entre esses dois mundos.

16 - Dirigir o seriado "Divã" ajudou a entender melhor as mulheres? O que nem divã salva no universo feminino? Divã foi um mergulho meu pelo universo feminino. Mais do que entender as mulheres, o que é impossível, eu quis ficar o mais próximo possível desse universo para curti-lo. Divã foi a realização de uma paixão pela personagem Mercedes tão brilhantemente interpretado pela LILIA CABRAL.

17 - Costuma-se dizer que o cinema brasileiro é uma promessa...será que ela já não passou dessa fase e hoje podemos dizer que ele é uma realidade? Todo o ano o cinema Brasileiro apresenta Blockbosters. Essa cinematografia brasileira é cada vez mais plural e está consolidando pouco a pouco um publico que vai se sentindo atraído pelo nosso cinema. É muito entusiasmante perceber que não seremos soterrados pelo hegemônico e atraente cinema americano.

18 - O que você ainda não fez na TV e no cinema que gostaria de realizar? O que seria uma satisfação pessoal? Todos os meus trabalhos me geraram uma satisfação pessoal enorme, aliás, é por isso que os realizo. Certamente há uma quantidade infinita de mundos que ainda quero explorar artisticamente tanto no cinema quanto na TV. É essa curiosidade  que é a minha maior motivação.


Por Ande Porto e Nadezhda Bezerra
Fotos Arquivo pessoal / Divulgação / Reprodução


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Por trás daquela imagem forte, de machão que pega todas, machista... que seus personagens ajudaram a construir está um cara simples, brincalhão, bem casado e ciente do poder de fogo das mulheres. Oscar Magrini já interpretou esses tipos todos aí, mas como o próprio fala nessa entrevista, ele é bem diferente de seus personagens. Seu bom humor conquista a todos e mostra que um ator para ter sucesso vai muito além do seu talento, precisa acima de tudo ter humildade. O talento e o carisma de Magrini já foram vastamente comprovados em filmes para o cinema, peças de teatro e programas de TV. Preste a voltar à telinha, Oscar Magrini se dispôs a encarar guerreiros de capa e espada num belo castelo medieval. Cenário perfeito para um ícone do universo masculino. Onde hombridade e cavalheirismo nunca combinaram tão bem em meio a armaduras de aço e espadas de guerra. Nessa batalha entre homens e mulheres que vem sendo travada a tempos, Magrini se curva diante delas, e afirma que “afinal quem canta, ganha e leva não é o homem e sim a mulher.” Com muita honra apresentamos a você um cara digno de todos os personagens e todos os aplausos, Oscar Magrini!

  
Oscar, como foi o início da carreira? Já sabia que queria atuar? Que dificuldades enfrentou? O inicio da minha carreira foi muito tranquilo, eu morava em Santos/SP, minha terra natal, onde quis começar a trabalhar como modelo e sabia que seria por pouco tempo pois tinha outro emprego, em uma academia de ginástica. Sou formado em Educação Física pela FEFIS de Santos em 1982. Em 85 comecei como modelo e no final de 89 fiz um teste para uma peça de teatro profissional, "UMA ILHA PARA TRÊS" com direção de Gianni Rato onde estreei profissionalmente em 1990. Em 1991 fiz meu primeiro longa, PERFUME DE GARDENIA, de Guilherme de Almeida Prado e em 1992 minha primeira novela "DEUS NOS ACUDA", de Silvio de Abreu e dai em diante, graças ao bom Deus, não parei mais e já são 21 anos de carreira com, 25 novelas, 11 longas, 14 peças de teatro e mais seriados, mini-series e curtas.


O que você tem visto de bom no cinema brasileiro? Você acha que a produção nacional de cinema esta avançando? Tenho visto muitos filmes bons nacionais, a indústria cinematográfica hoje em dia esta cada vez melhor em todos os sentidos, inclusive em relação ao incentivo federal com a lei do audiovisual e a lei Rouanet. Ainda pode melhorar e muito, pois estamos fazendo muito bonito aqui e lá fora, visto - O Quatrilho, Central do Brasil, (indicação de melhor atriz, Fernanda Montenegro), Cidade de Deus (maravilhoso), Carandiru (que participei) Tropa de Elite I e II e mais recentemente Divã e Cilada que assisti e gostei. Muito bom também O Assalto ao Banco Central. Temos atores muito talentosos, roteiristas e historias para contar, fora a criatividade do brasileiro que é fora de série, (risos)!! Então estamos muito bem e caminhando para melhor.


Você está casado com (a ex-atriz) Matilde Mastrangi há muitos anos. Algo até raro no meio artístico. Todo mundo costuma perguntar qual o segredo de um casamento feliz e duradouro, a MENSCH gostaria de saber o que faz um casamento não dá certo, em sua opinião. Graças a Deus sou casado há 21 anos, Matilde é minha mulher, amiga, minha companheira idônea... Muito compreensiva, conversamos muito, cedemos um pouco, cada um de seu jeito, e muito diálogo, conversa é tudo para se compreender e respeito mútuo e muito amor... Uma plantinha tem que ser regada de pouco em pouco, senão seca ou morre afogada, se não tiver isso... Com certeza um casamento afunda, não tem lastro nenhum.

Já, já na casa dos 50 e ainda um galã que arranca suspiros da ala feminina. É muito assediado por fãs mais afoitas? Como lida com isso? Não tenho o menor problema com isso, acho maravilhoso o reconhecimento do público é um carinho ao qual eu tenho o maior prazer de atender. Quanto as mais afoitas,  tiro de letra. Quando fiz o Ralph, do “Rei do Gado” era pior, um cafetão, que batia em mulheres, elas ficavam enlouquecidas, (risos)!!! Agora está um pouco mais calmo (risos)!!!!
Você já levou o personagem para casa? Nunca levei o personagem pra casa, sei diferenciar muito bem uma coisa de outra e para mim não tem como confundir... Meus personagens são completamente diferentes de mim.

Em todo esse tempo de carreira nunca pensou em dirigir, escrever? Em dirigir, sim; uma peça de teatro ou até mesmo novela, mas vamos deixando como está por enquanto. Em escrever, não. Penso muito quando leio, em montar um roteiro, para um curta ou um longa, dá uma vontade... Mas vontade é uma coisa que dá e passa...

Acha que a TV pode influenciar alguém? A TV dita a moda no Brasil, seja nos trejeitos, nas manias, cria gírias, muda o comportamento das pessoas, é mania nacional. Já foi muito mais, mas hoje em dia, com tantas outras opções, corre-corre, trabalho, internet e outros afazeres  já não se assiste tanta TV como antigamente. O povo tem mais acesso as TVs, depois cinema e sobrando tempo e dinheiro, infelizmente vem o teatro...somo um povo de cultura televisiva principalmente.

Seu próximo trabalho na TV será a série "As Brasileiras", como será esse projeto? Conta um pouco pra gente... Começo gravar em agosto. “As Brasileiras” é um seriado com direção geral de Daniel Filho. Sei pouco, pois vamos ainda ter reunião do elenco, e me foi pedido para não falar nada sobre o seriado, por isso peço desculpas por não me aprofundar, mas será ótimo com certeza.
É um pai ciumento? Como é a relação com sua filha? Minha filha fez 20 anos de idade, é uma filha maravilhosa que Deus nos deu para cuidar. Isabella tem um pouco de mim e da Matilde, mas é muito na dela. Faz Nutrição em uma universidade Federal e nunca tivemos nenhum problema com ela, sempre conversamos muito, saímos bastante, é minha companheira de viagens, cinema e teatro, procuro estar sempre presente apesar da minha agenda corrida. Ela sempre entendeu a minha profissão e me apóia muito, é uma filha sensacional... Agora em relação a eu ser ciumento... Cara, não é fácil, mas sempre conversamos com  ela  desde pequena e Isabella é muito adulta e na hora certa aparecerá um rapaz que a faça feliz, mas por enquanto tem os estudos e mestrado, muito cedo ainda...

Como você enfrenta uma crítica ou um comentário sobre você? Toda critica é bem vinda se construtiva. Tenho muito que aprender e mesmo com 21 anos de carreira, sempre estou estudando e aprendendo, trocando idéias e informações, agora se criticam porque não tem o que falar, se é na maldade, eu não ligo que se mordam, eu faço o meu trabalho e pronto.


Você tem fama de machão, já interpretou vários tipos assim... Hoje em dia dá pra ser machão sem ser machista? Pelo meu tipo físico faço muitos personagens machões, fortes, homens de pegada, sabem que não tem erro, eu faço e faço muito bem. Como também já fiz uma peça de Benedito Rui Barbosa, com direção do Jose Wilker, onde eu fazia um personagem gay, "Picasso" que era um mordomo maravilhoso. Quem viu não acreditava como eu era capaz de fazer aquele personagem, nem o próprio Benedito achava que eu era capaz (risos). Imagina, tirei de letra, um sucesso sem ser caricato, quem não me conhecia achava que eu era mesmo gay e não o personagem, muito legal, esse é o trabalho do ator, fingir, ser profissional ao ponto de confundir o publico. E se souber levar, pode ser Machão sem ser machista sim, porque machista não está com nada...o homem tem que saber tratar uma mulher, porque no final das contas, quem canta, ganha e leva não é o homem e sim a mulher, porque é ela quem quer, quem se deixa cantar e se deixa levar...é ou não é????

"Deveríamos olhar demoradamente para nós próprios antes de pensarmos em julgar os outros". Você concorda com essa frase de Moliére? Molierie sempre foi um homem à frente do seu tempo, tanto que essa peça que eu faço há um ano e meio, e estréio agora em Agosto no Rio de Janeiro ( Teatro dos Grandes Atores, na Barra da Tijuca), fala sobre amor, traição, ciúme e mulheres, e apesar de ter 35 anos, é atualíssima...e desde essa época ou melhor desde sempre, o homem só pensa em si mesmo, de levar vantagem em tudo e nunca pensar no próximo, é por isso que o mundo esta do jeito que está, infelizmente uma merda. Poderia estar muito melhor se o homem não pensasse tanto em si próprio e sim mais nos outros, se preocupasse com quem está a seu lado, falo isso sem demagogia pois é a pura verdade, somos mesquinhos, só olhamos para o nosso umbigo, cagando para os outros, só pensando em se dar bem....esse é o mal do mundo...infelizmente.

Na sua atual peça, "Escola de Mulheres", seu personagem tem medo de ser corneado e praticamente guarda a mulher em casa. O que você acha que faz uma mulher trair? Como os homens podem realmente se precaver disso sem entrar na paranóia que o personagem entra? Olha, pra mim a traição acontece em todos os sentidos, seja no pensar em alguém, no olhar alguém, no desejar alguém ou no sair com outra pessoa estando junto de alguém... Se você está com a pessoa amada, não tem porque trair conversa-se entra em acordo e sai fora do relacionamento, não tem porque machucar a pessoa que está com você, pra que??? É mais honesto acabar o relacionamento e partir para outra, homem que desconfia da mulher é porque já aprontou muito e tem medo de que ela venha a fazer o mesmo... ou como diz aquele velho deitado...de pagar na mesma moeda...

O que já te fez enfiar o Pé na Jaca*? Sei lá...enfiar o pé na jaca é o mesmo que "chutar o pau da barraca com os dois pés, (risos)!!! acho que nunca fiz realmente isso, sempre fui controlado e seguro a onda, acho que sempre soube como enfiar o pé na jaca!!!!!! pra no final não me dar mal.

Deus nos acuda*. De que? desses corruptos, safados, políticos, homens do poder que só pensam neles mesmos e estão cagando pra todo mundo...que Deus nos acuda de tudo isso, Senhor...

Como foi fazer esse ensaio no Instituto Ricardo Brennad? Já tinha ouvido falar? O que mais te chamou atenção, as armaduras ou as obras de arte?  Adorei fazer o ensaio fotográfico no Instituto Ricardo Brennand. É maravilhoso e tive uma grata surpresa, vocês, André em especial, tiveram muito bom gosto em escolher a locação, é um lugar deslumbrante, eu fiquei  impressionado com o que vi e desculpe pela minha ignorância, não sabia que existia um lugar como esse aqui no Brasil. Lugar parecido, só nos museus da Europa e na América. Acredito que muita gente nesse Brasil de meu Deus, não conheça esse lugar e olha que ficamos pouco tempo, com tanto corre-corre, pois o dia não ajudou em nadaaaaa, chovendo direto o que foi uma pena, e só conheci um pouquinho do que era tudo aquilo, com certeza quero voltar e apreciar com mais detalhes, sem pressa, como um visitante mesmo,...que coleção maravilhosa, tem de tudo muiiiittttooooo, uma riqueza sem igual, fiquei fascinado e adoro antiguidades, armas, armaduras. André, quero ser convidado para ir novamente, não se esqueça.... o meu muito obrigado, adorei a todos, o carinho com que me receberam e me alimentaram (risos)!!!! Grande almoço, o meu muito obrigado e até uma próxima, valeuuuuuuuuuuuu!!!!!!!!!!!



Por André Porto e Nadezhda Bezerra
Fotos: Newman Homrich
Assistente de fotografia: Wagner Damásio
Make up: Isnaldo Braga
Modelo: Luciana Magalhães
Locação: Cristiane Maria




AGRADECIMENTOS
Local: Instituto Ricardo Brennandwww.institutoricardobrennand.org.br/
Roupas: Dona Santa/Santo Homemwww.donasanta.com.br
Make up: Isnaldo Braga Beleza & Consultoriawww.isnaldobraga.com.br



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Mais do que profissão, algumas carreiras são a realização de sonhos e  paixões. Algumas pessoas conseguem atrelar à sua profissão uma vontade de fazer mais e melhor que resulta num trabalho admirável e sem limites. Pode ser como ator, cantor, chefe de cozinha... ou como capoeirista. É o caso do nosso entrevistado dessa semana, Beto Simas através da arte da capoeira ganhou o mundo e por tabela a fama de um homem centrado, com princípios morais admiráveis e um profissionalismo admirável. Perto de completar 50 anos e morando nos EUA a muitos anos, Beto continua o mesmo cara simples que os amigos conhecem. Pai exemplar de três garotos, que seguem com orgulho os passos do pai, Beto viajou o mundo com sua missão de modificar as pessoas através da capoeira. E foi com essa simplicidade e atenção que Beto Simas nos recebeu para esse ensaio exclusivo e essa ótima entrevista. Conheça um pouco do “Mestre Boneco” e siga seus passos.


Hoje você vive mais nos EUA do que no Brasil. Como foi essa abertura e a recepção de poder mostrar a arte da capoeira numa cultura diferente da nossa? Hoje vivo entre os EUA e o Brasil, e ainda tenho que viajar para quase todos os quatro cantos do mundo, pois tenho professores espalhados por diversos países. A Capoeira é uma arte única, onde ela encontra adeptos por sua forma ampla de ser. Se a pessoa gosta de luta ela tem essa parte de luta, se a pessoa gosta de dança ela tem a parte de dança, se gosta de música, ritmo, cultura, etc.

Você costuma dizer que quer melhorar o mundo com a capoeira. De que forma você acha que poderia contribuir dessa maneira através da capoeira? Espalhar a capoeira pelo mundo é uma missão? Quando falo que a capoeira é uma ferramenta de transformação é por que tenho vivenciado isso todo o tempo. Tenho vários exemplos aqui e nos EUA, além de ter um exemplo recente, onde tivemos a oportunidade de produzir um documentário de capoeira pelo mundo e em Israel colocamos os Árabes e os Judeus jogando , cantando, batendo palmas, sorrindo e se abraçando através da capoeira. Por isso é que tenho a convicção que essa arte é uma poderosa ferramenta de transformação, só precisa que as lideranças tenham essa consciência e mentalidade! E essa, agora é minha luta! 



Quais os benefícios que a capoeira traz para o corpo e para a alma? A capoeira é uma atividade que trabalha, proporcionalmente com o seu corpo. Além de trabalhar sua mente e também coordenação, ritmo, musicalidade, lateralidade, explosão, flexibilidade, etc. 

Como a capoeira ajudou a atriz Hally Barry na atuação de Mulher-Gato? Quando fui procurado pela produção do filme, o diretor queria que ela tivesse uma movimentação em relação à luta diferente. Aí fizemos um trabalho especifico e intenso para que ela pudesse realizar nas cenas uma plasticidade maior, uma desenvoltura mais "felina" nas cenas de luta...

Seu filho de coração, o Bruno, atua hoje na mesma novela que você já atuou, Malhação, dá orgulho? É sempre bom ver os filhos se encaminhando na vida, se descobrindo na profissão. Brunão é o meu filho mais velho costumo dizer que troquei mais fraldas dele do que dos outros e é verdade... Com certeza da muito orgulho, sei que ele vai prosperar muito como ator, espero que nunca perca a humildade e a consciência de que sempre estamos aprendendo.

Você costuma dizer que você é PAIdrasto de Bruno diante do carinho e amor que nutre por ele. Consegue explicar como nasceu esse sentimento? PAIdrasto tive que falar para vocês, mais me considero PAI, pois entrei na vida dele quando ele tinha apenas um ano e pouco... O sentimento é de amor incondicional que um pai sente por seu filho...


Que conselhos você daria a outros homens que estão começando a viver uma relação como essa de padrasto e enteado? Acho que a grande virtude é o amor, todos temos defeitos, todos nos cometemos erros, mas o amor tem que ser maior... A relação tem que ser aberta na conversa, talvez se eu tivesse que dar um conselho para quem esta entrando em uma relação como essa, falaria para sempre procurarem ser amigo, para poder ter uma cumplicidade maior com seus filhos...

O que a capoeira te ensinou e ainda ensina que você usa na educação dos seus filhos e no dia-a-dia da família? A capoeira é uma arte impar, é o meu centro, minha paixão eterna, me levou aos quatro cantos do planeta, me ensinou a ser humilde, verdadeiro, respeitador, forte, valente, sensível, romântico e lutar sempre pelos nossos sonhos... “O capoeirista é um artista, um atleta, um jogador e um poeta...” (Dias Gomes)

Por que Mestre Boneco?Por que na década de 70 não tinha muitos branquinhos com cabelos lisos jogando capoeira, então olharam pra mim e me falaram Boneco ai ficou...


A capoeira era uma luta que os negros disfarçaram de dança para poderem praticá-la sem gerar problemas com polícias e senhores de escravos. Hoje, como classificar a capoeira? Acho que a capoeira é a história de nosso país, passou por varias fases, onde teve que se adaptar, mas sobreviveu a todas, agora ela esta em um processo expansão e com uma missão muito importante, a de TRANSFORMAR... 

Você sente falta da vida de ator? Largaria a capoeira pela carreira de ator? Sinto falta sim, mas jamais vou largar a capoeira, pois ela já faz parte de minha vida, mesmo que um dia eu venha a para, ela já está em minhas veias, em minhas entranhas, esse e um casamento que não tem separação!!! É eterno!!! 
  

Perto dos 50 anos, totalmente em forma e ainda arrancando suspiros femininos nos quatros cantos do mundo... Isso te envaidece? Claro que é bom ouvir isso, quem não gosta de ouvir elogios, mas sempre fui pé no chão em relação a isso, nunca malhei para ficar com o corpo sarado, sempre treinei muita capoeira e era só isso que importava, o corpo veio do treinamento, acho que treinei tanto que ainda estou comum pouco de credito, (risos)...


Ou seja, a malhação e o cuidado com o corpo traz benefícios que vão da saúde ao bem-estar. Qual o segredo? Como é sua rotina de exercícios?Sempre fui uma pessoa de atividade física, sempre nadei muito, corria na praia, jogava futebol de praia, sempre gostei de me exercitar. Nunca tive nenhuma dieta, não sou a pessoa certa para falar de alimentação, como de tudo, não tenho restrições, lógico que, hoje em dia procuro não comer muita fritura, mas não e nada radical como também muita fruta, legume. Sou tranquilo em relação à alimentação, acho até que deveria ser mais disciplinado!

Você já pensou em algum uso medicinal para a capoeira? A capoeira não só transforma, mas como também cura... Tem um amigo meu que desenvolve um trabalho de capoeira para terceira idade muito bacana. Os "velhinhos" meio que nascem de novo... E uma loucura! Isso é só um pequeno aspecto de como ela pode atuar em varias frentes...

Como relação ao futuro, o que você espera dele e o que você esperar fazer nele? Quais seus planos? Pretendo voltar a ficar baseado aqui no Brasil e viajar para fora. Pois agora estou fazendo ao contrário estou baseado lá e venho bastante pra cá! Tenho vários projetos que estão em andamento tanto aqui quanto lá fora. Pretendo está tocando todos eles...


Texto: André Porto e Nadezhda Bezerra

FICHA TÉCNICA:
Fotógrafo:
Wagner Carvalho
Assistente de fotografia: Miqueli Lima
Produção: MD PRODUÇÕES 
www.mdprodcuoes.com
Co–produção: Grooming: Dan Marques
Local: Instituto Cultural Cravo Albin
Urca - Rio de Janeiro – Brasil

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Não basta apenas ter talento, é preciso ter oportunidade. A hora certa nem sempre acontece logo em alguns casos. No caso do nosso entrevistado Rodrigo Andrade, o que era um sonho louco aos olhos dos incrédulos, tornou-se uma realidade cada vez mais forte. O cara simples do interior que adorava música e vivia o universo do circo através do seu pai, sonhava em chegar lá, ir mais alto. Rodrigo sempre sonhou mais alto, e no auge dos seus 27 anos ele finalmente pode dizer que chegou ao topo. Agora sua segunda missão será manter-se, talento e oportunidade isso ele tem. Como o próprio “Golias” diz, quer dizer, o próprio Rodrigo diz, “o homem é do tamanho dos seus sonhos”. Sendo assim, sucesso meu caro gigante!

01 - Rodrigo, você teve sua grande chance na TV na novela "Caras e Bocas", e agora veio "Insensato Coração". Qual foi o caminho percorrido até esse momento? Foi no momento certo? O Caminho percorrido foi de muito trabalho, estudo e dedicação. Eu creio que sim, tudo no seu tempo. Acho que o Eduardo veio em um momento que eu estava preparado para dar vida a ele, a repercussão e a critica está muito legal e fico muito feliz por isso.
02 – Seu personagem em "Insensato Coração" começou devagar e foi ganhando destaque a partir do momento que se descobre homossexual e passa a viver a angústia em se aceitar ou não como tal. Que lição você tira disso? É um assunto tão delicado, acho que o Eduardo esta ai para mostrar que não é opção ser gay. Ele mostra que é um cara de caráter, honesto e trabalhador que se pudesse escolher com certeza não escolheria ser gay, ele sabe que existe muito preconceito no mundo, que vai ser um choque para a família e se fosse opção não seria a escolha dele. Mas ele chegou num momento que pra ser feliz ele não poderia se esconder mais e nem mentir ser quem não é. Creio que grande parte dos gays vive esse dilema antes de “sair do armário” a felicidade ou e esconderijo... O Eduardo escolheu a felicidade. Eu concordo com ele!

03 - O que é mais realização e doação, cantar ou atuar? O que te dá mais prazer? Não sei dizer o que me dá mais prazer, sou um artista que une as duas artes. Quando vou estudar uma cena sempre estudo com a música, procuro dar uma melodia no texto para deixá-lo bom e não ficar reto, monocórdio. Já na música quando estou cantando eu preciso viver aquilo que diz na música para dar humanidade e não ser mais um no mercado...

04 - "Seja você quem for, seja qual for a posição social que você tenha na vida, a mais alta ou a mais baixa, tenha sempre como meta muita força, muita determinação e sempre faça tudo com muito amor e com muita fé em Deus, que um dia você chega lá. De alguma maneira você chega lá." Que importância tem essa frase de Ayrton Senna na sua vida? Só de ler essa frase me fez passar um filme em minha cabeça, me emociona e é até difícil explicar... Bom vou resumir essa frase com outra: “O Homem é do tamanho dos seus sonhos” (Fernando Pessoa) sou um cara que nasceu em Altinópolis-Sp, uma cidade com pouco mais de 15 mil habitantes, em uma família de classe média baixa no interior de São Paulo. Um dia eu disse que ia ser um ator da Globo e me chamaram de maluco... Sou só um cara que sonha muito, e sonha alto!

05 –  Sua adolescência foi dividida entre Franca, no interior de São Paulo e o Pantanal Matogrossense. No que essa mistura interferiu na pessoa que você é hoje? Experiência de vida. Sempre aproveitei muito em todos os lugares que passei e acho isso muito importante. Se hoje eu pegar uma personagem que é um peão bruto, rústico (que é o personagem quem mais tenho vontade de fazer) eu faria muito bem porque é uma realidade que vivi.
06 - A família do seu pai era circense, isso se traduzia em brincadeiras divertidas na sua infância? E influenciou na sua carreira como ator?Com certeza absoluta!!! Meu pai é um ”palhaço“ até hoje, brincávamos muito e isso influenciou não só na minha carreira como na minha personalidade. A arte já está no DNA, mas creio que através do meu pai veio a comédia, adoro fazer personagens cômicos.
07 – Sua lista de atividades é intensa: modelo, cantor, compositor e ator. Elas se complementam ou para viver cada uma intensamente deve abrir mão das outras? No meu caso uma complementa a outra, como disse na resposta anterior uma fortalece a outra.

08 – A música é herança do seu avô materno que cantava em dupla sertaneja? Meu avô me deu um violão quando eu tinha 13/14 anos, sempre gostei muito e fui aprendendo sozinho mesmo. Sou apaixonado por música, louco e não vivo sem ela!

09 – É cedo para um rótulo de galã? Está preparado para se tornar um?As pessoas me rotularam com galã, sai muita coisa na mídia eu acho engraçado e fico orgulhoso afinal é muito bom ouvir “Rodrigo Andrade o galã da Rede Globo” (risos). Mas sei que beleza não dura pra sempre... prefiro construir minha carreira no talento.
10 – O que mais pode sabotar a carreira de um ator, a vaidade ou o excesso de segurança? Hum... Boa pergunta... Vou ser sincero, conheço algumas pessoas que tem muita vaidade e excesso de segurança, no entanto tem uma grande carreira. Acho que isso acaba atingindo com o tempo mais o lado pessoal do que o profissional. Mas quando pega o lado pessoal... É bem mais complicado. 

11 – Como São Miguel Arcanjo entrou na sua vida? Um senhor amigo da minha família de Minas Gerais é muito devoto (José Alberto) ele me contou a historia do Anjo uns 12 anos atrás e eu adorei. Depois de uns tempos ele me deu um anel de São Miguel. Hoje é um amuleto pra mim representa muita coisa.

12 – Que qualidades você espera encontrar no seu ideal de mulher? E quais as qualidades que um homem deve preservar? Primeiro lugar tem que ter bom humor e uma TPM leve (risos), já sofri muito com isso... Já o Homem tem que ter Hombridade!

13 - Qual o "programa de homem" ideal para você? Como por exemplo, encher a cara com os amigos no boteco, ir pra uma partida de futebol ou passar horas jogando algum game eletrônico? O que faz sua cabeça?
Em primeiro lugar ir pescar no meio do Pantanal ou da floresta amazônica. Depois o futebol sagrado de toda semana com os amigos né (risos)!?


14 - O quanto você é vaidoso? Limpeza de pela e protetor solar diário fazem parte da sua rotina? O quanto isso te afeta? Deveria, mas infelizmente não... É vergonhoso porque todas as pessoas devem usar protetor solar todo dia. Ainda vou fazer isso virar rotina em minha vida! (risos)

15 - Em matéria de moda, qual seu estilo? Consegue se virar só na hora de escolher uma roupa para um determinado evento ou ainda fica em dúvida? Me viro sozinho, mas se me sentir inseguro recorro a minha equipe de assessoria de imprensa que me dá uma forca!


16 - Que hábitos, desejos e medos você acha que faz parte do universo masculino (e seu) hoje em dia? Hábitos: Jogar futebol com os amigos toda semana. Desejos: Estar sempre trabalhando com o que amo. Medos: De depender dos outros.


Fotógrafo: Sergio Santoian
Stylist: Valeria Lastres
Make: Edilson Ferreira
Agradecimentos: Talita Vaccaro – (
www.camilalamoglia.com)
Rodrigo Andrade veste: Camisa / Calça: Foxton. Sapatos: acervo pessoal
Agradecimento especial a Rodrigo Andrade


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Conversar com o fotógrafo Rodrigo Lopes sobre fotografia é covardia, o cara não é só mais um apaixonado por fotografia, o cara é completamente viciado! Mas isso é tão bom, que resulta em belíssimos registros de beleza como ele mesmo cita aqui nessa entrevista. Pra Rodrigo a busca é pelo belo. E ele consegue com maestria. Maestria essa que serviu para os 15 anos que atuou como professor, E foi através da fotografia que Rodrigo Lopes descobriu pessoas, a música e a importância do nu. Se perguntar o que ele mais gosta de fazer fora fotografar vai ser difícil pra ele “Fotografar… ah, não vale! Gosto de estudar, estar com minha família – minhas filhas lindas e minha mulher." Enfim, um homem realizado com seu ofício, aliás, realizado com seu desejo e sua paixão Parabéns ao Rodrigo e boa leitura aos leitores.

Você foi Professor por 15 anos. Aprendia tanto quanto ensinava? Pensa em voltar ou isso ficou pra trás? Acho que ficou pra trás. Foram 15 anos maravilhosos onde eu acho que aprendi tanto quanto ensinei. Hoje os compromissos do dia a dia não comportam a dedicação necessária pra dar aulas com competência. Dar aula tem que ser com o coração. Você só consegue estimular o outro com a sua paixão!

Aconteceu de você olhar para algum de seus alunos e ver que ali tinha um grande Fotógrafo e a coisa acontecer de fato? Várias vezes. Entre ex-assistentes e ex-alunos cito três: Pino Gomes (hoje morando e trabalhando entre Nova Iorque e Suíça), Marcelo Correa e Tarso Ghelli. Três grandes profissionais de olhares e paixões muito especiais.


O que faz Felipe Taborda? Um grande parceiro? Felipe Taborda é um Designer carioca e foi das pessoas que primeiro acreditou em mim. O conheci fazendo um retrato seu para Revista Capricho. E logo adiante iniciamos uma longa parceria profissional. Basta dizer que um dos primeiros trabalhos que ele me deu foi fotografar o Tim Maia! Depois da quinta tentativa, consegui ir até a casa dele e fiz a foto pra capa do disco “Romântico”. Dali em diante foram mais de 50 cartazes, capas de CD, capas de livros, cartazes para cinema e dos mais diversos projetos culturais – o supra-sumo da fotografia de conceito – sempre vendo meu trabalho em destaque, valorizado. Fizemos juntos um dos grandes trabalhos no cenário da Arte Contemporânea brasileira: o livro sobre Artur Bispo do Rosário onde tive a oportunidade de fotografar - e conhecer - metade do acervo de mais de 800 obras do Bispo. A seu convite participei do Projeto “A imagem do som”, onde 80 artistas visuais interpretavam 80 músicas de um determinado compositor. O projeto durou oito anos e homenageou grandes nomes da MPB, do Pop Rock e do Samba.

Participar desse projeto te aproximou mais da música ou a música foi que te aproximou da fotografia? É engraçado você perguntar isso. Sempre tive uma relação muito forte com a música e também escrevia quando mais jovem. No momento que comecei a fotografar estranhamente parei de escrever e fui gradativamente encontrando outro espaço pra música, quase me afastando dela. Uma linguagem se sobrepondo a outra. O Projeto me ensinou a interpretar visualmente letra e música e me trouxe de volta ao contato com a música.
Qual a realização em ser Fotógrafo? O que mais te fascina neste universo? Sou um Ser essencialmente visual. Não saberia viver de outra forma.  A expressão através da imagem é como o ar: preciso dela pra viver! Tem dias que acordo mal humorado, de mal com a vida e basta começar a fotografar (especialmente se for algo onde haja espaço criativo) pra que meu humor se transforme e eu volte ao melhor dos meus sorrisos. Sabe chocolate pra mulher em TPM? Pois é: é o efeito de fotografar pra mim!


O que você busca realizar em uma foto? Beleza. Meu objetivo é conseguir o belo.  É meu objetivo também captar algo além, especialmente fotografando pessoas. Acredito que as pessoas tem frestas como as de uma porta entreaberta, onde se pode ver o melhor delas. Meu estilo de fotografar é deixar meus personagens fluírem. Não gosto de engessar quem está do outro lado. Algumas vezes faço como o personagem Thomas do Blow–up (filme do Antonioni) que provoca suas modelos pra conseguir tirar delas mais emoção.  Não sou “Geração Blow-up”, mas gostaria de ter sido!
No que difere produzir uma foto para um editorial de moda, publicidade ou, por exemplo, uma foto para uma exposição? São três situações bem distintas. Em Publicidade tudo vem pré-determinado e dificilmente você tem espaço pra criar. É um layout a ser seguido. Em Moda o espaço é bem maior. Em geral há um aprofundamento no conceito da coleção e o fotógrafo participa de forma mais efetiva na preparação do shooting. Escolha de locação, modelos e profissionais envolvidos, como maquiador/cabeleireiro, produtor de arte e de figurino.
E por fim, fotografar pra uma exposição é algo completamente seu! Por mais que exista um tema ou que seja uma exposição coletiva, é você quem deve estar ali.  Tenho trabalhos pessoais que são uma válvula de escape ao trabalho do dia a dia, que em geral vem amarrado e com direção e destino pré-definidos. São séries que vão do engraçado (sanduíches noturnos) aos temas delicados como a nudez e o fetiche. Tenho paixão por Polaróides, processo que acabou há uns três anos atrás com o fim da fabricação dos filmes e que está retornando aos poucos com o Impossible Project – grupo de ex-funcionários da Polaroid que se propuseram a fabricar novamente os filmes.

Você participou de uma exposição onde uma série de nus sugeriam formas de ossos. De onde surgiu essa idéia? Isso causou alguma polêmica? Ossos remetem a nossa vulnerabilidade, a morte. O nu remete ao oposto: criação, vida. A idéia era suscitar essa contradição. Aquele momento da minha vida era de morte e renascimento. E ainda, a busca pelo Belo. São imagens de beleza formal.

Quem é seu grande ídolo na fotografia? Estaria mais pra um Henri Cartier Breson ou um Herb Ritts? Poderia citar vários nomes aqui, mas nesse momento o nome que mais me inspira é Nick Night. Mais próximo do Herb Ritts do que do Bresson. Ainda assim, num certo sentido, tenho algo de Bresson dentro de mim. Como falei há pouco, procuro as frestas entreabertas nos meus personagens. E isso é totalmente Bressoniano. Ao mesmo tempo gosto de fantasiar, como o Nick Night, e inventar outros universos.


Você tem um acervo de 9000 fotos de pés femininos. Isso é um fetiche por pés femininos ou por fotos de pés femininos? É claro que é um fetiche por pés femininos! Fotografar foi a melhor forma de curtir esse fetiche! No inicio me detinha em pés que eu achava bonitos. Com o tempo, o trabalho foi tomando um caráter mais catalográfico, um estudo da tipologia dos pés femininos. Li de Freud a Valerie Steele e tudo que diz respeito a pés femininos me interessa. Descobri autores na grande literatura, cineastas, gente de todos os tipos, fissurados por pés femininos, homens e mulheres. Meu sonho é editar esse trabalho em forma de livro e exposição e poder agradecer a todas as queridas que emprestaram gentilmente seus pezinhos.

O que mais, no corpo feminino, atrai o seu olhar fotográfico? Tirando os pés? Os olhos, a boca e cabelos ruivos. Na verdade acho que a parte superior do corpo feminino é capaz de contar uma história! Já estive frente a frente com mulheres lindíssimas e absolutamente insossas! E outras nem tão belas assim, mas com um "twist" que as tornava absolutamente irresistíveis. E em geral esse "twist" estava na expressão dos olhos e da boca!


Os índios acreditavam que a fotografia roubava a alma da pessoa fotografada. De certa forma dá para aprender sobre a alma humana através da fotografia? Já aconteceu de algum trabalho te levar à reflexão sobre como são as pessoas? Com um pouco de sensibilidade pode-se perceber um milhão de coisas fotografando uma pessoa. Mas é preciso estar ligado, estabelecer uma conexão com seu personagem. O dia a dia nem sempre te permite isso. Há pessoas que se entregam mais. Outras tem mais dificuldade em se colocar nas mãos do fotógrafo. Fotografar alguém exige uma disponibilidade mutua e num certo sentido acho que isso pode significar não roubar, mas talvez integrar almas.

Ao fotografar famosos, o que é mais comum encontrar: o tipo vaidoso; o que se acha a estrela ou o inseguro? E como lidar com tudo isso? Ser famoso inclui as coisas boas como o reconhecimento do seu trabalho por um grande público, ser admirado e querido, mas também ser cobrado por tudo isso.  Diria que há todos os tipos de famosos porque acima de qualquer coisa são pessoas como eu e você, com alegrias e tristezas, momentos bons e ruins também. Muitos inseguros, muitos seguros de si, alguns vaidosos e algumas estrelas.
O quanto você é adepto de programas como o Photoshop e quando você não admite? Qual o limite para retoques numa foto? Existe? Nasci na fotografia de filme onde o resultado era obtido no momento em que se fotografava, sem muito espaço pra consertos pós. Talvez por isso, uso o Photoshop como uma ferramenta para dar acabamento ao material que produzo. Poucos sabem, mas no universo da fotografia profissional habitualmente usamos o formato RAW como padrão. Este formato exige ajustes em um programa de edição antes de ser considerada imagem final.  Acredito que o retoque serve para representar na imagem estática nossa percepção da imagem em movimento. Explico: na imagem em movimento a percepção que se tem de detalhes é extremamente menor que a percepção dos mesmos numa imagem estática.  É justo então aproximar um do outro especialmente em se tratando de figuras publicas.

Como você está se relacionando com as novas mídias? Blog, Twiter, Facebook, de que forma isso atinge seu trabalho? Tento estar sempre acompanhando tudo, mas obviamente não consigo! Tenho Facebook, Twiter, Flickr, Blog, mas se eu me detivesse em atualizar tudo o tempo todo, não faria outra coisa! Meu site está completamente desatualizado porque sinto que estar presente nestas mídias é mais imediato e mais eficaz!
Curto muito o Facebook que me propiciou reencontros impensáveis antes da era digital e onde descobri meu atual vicio fotográfico: o Instagram! Ele tem a espontaneidade de uma Polaroid e as mais diversas possibilidades de interferência na foto, como num laboratório fotográfico ou bem mais que isso. E agora comecei a imprimir meus Instagrams e montar um painel. Muito empolgado! Sigam-me @rodrigolopes

Qual seu próximo trabalho e qual gostaria que fosse o próximo? Como e com quem seria? Projetos para o futuro? Meu próximo trabalho provavelmente é a nova campanha da Mercatto, com a Mariana Rios, uma Mineirinha de Araxá, cidade do meu pai, uma graça de pessoa! E o pessoal da marca, uma equipe deliciosa de trabalhar! Com quem eu gostaria de trabalhar? Ih, a lista é longa! Se eu mencionar nomes vou deixar de fora pessoas muito amadas. Mas pra não deixar sem resposta aqui vai: uma editorial pra revista francesa Jalouse, com Carol Trentini ruiva em São Petesburgo! (humpfh!).
Agora falando sério: estou estudando Direção de Fotografia para Cinema. E está sendo uma descoberta! Há uma convergência entre a fotografia e a imagem em movimento – cinema e vídeo – e acredito que este seja um caminho inexorável para boa parte de nós fotógrafos.  Meu sonho no momento é realizar um curta metragem baseado em “Marie das Sombras” um conto fantástico que minha filha escreveu!

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O cara meio que chegou de mansinho pelas águas do Araguaia, na novela global das 18h que acabou meses atrás, e conquistou a mulherada (dentro e fora das telas). Mas e quem é esse cara? Quem é esse tal de Raphael Viana? Para saber um pouco mais sobre esse ator da novíssima aldeia global fomos conhecer um pouco dele. E para nossa surpresa, o “estreante” ator tem um vasto currículo com muitas passagens pelo teatro, muita dedicação nos estudos e total determinação do que quer alcançar. Seu profissionalismo tem se sobressaído em relação ao seu tipo físico que faz sucesso com as mulheres. Para alguns Raphael pode já ter chegado lá, mas ele quer (e pode!) muito mais. Conheça um pouco desse cara simples e muito realizado com a profissão. E quem sabe, sua dedicação o leve a ser o grande vencedor do quadro “Dança dos Famosos” do Faustão! Garra o cara tem!!

Raphael, você tem vários cursos e workshops em artes cênicas, o estudo é o caminho para se tornar um bom ator, para se firmar? O estudo é a base de qualquer profissão. A estrada do ator é construída não só pelo estudo mais pela prática do oficio, é uma profissão muito disputada e muitas vezes o mercado não abre espaço para mostrar o seu trabalho, o trabalho em companhia (faço parte da Companhia de Teatro íntimo), me deu a pratica constante e mais experiência.

Pra você o que um ator precisa ter para ser considerado um grande ator? Quem são seus referenciais? Trabalho, trabalho e mais trabalho. Acompanho a carreira de alguns atores: Wagner Moura, Selton Melo, Ricardo Blat entre outros.
 
Você tem 27 anos, um currículo teatral que não é pra qualquer um, duas novelas (mais a participação especial em Passione), entrando pra terceira e é considerado um dos novos galãs da TV...está quase lá onde você sonhou ou ainda é só o começo de tudo? Tenho muita coisa para fazer ainda, sei exatamente ao quero chegar com a minha profissão e o número de pessoas que quero atingir com o meu trabalho, ainda tem muito suor pela frente.

Com a fama vem o assédio... Te incomodaria uma mulher querer sexo só por conta da sua fama? Por que? Como lida com isso? É frustrante pensar que o interesse esteja vinculado a "fama", ao mesmo tempo sei que a "fama" se tornou um grande afrodisíaco. Se o interesse estiver somente aí, eu estou fora.


Nem todo mundo está preparando pra lidar com a fama, seus ônus e bônus, como você encara? Após 10 anos de trabalho no teatro, você enxerga de outra maneira o real oficio do ator, a grande exposição dos veículos de massa é ótimo para o alcance do seu trabalho e para futuras parcerias. O mundo que querem te vender a partir da sua "fama" é fragil e não é verdadeiro, o erro é acreditar que você é um ser especial por ocupar "esse lugar". As suas escolhas vão determinar o seu caminho.

Em recente entrevista você falou que gosta de mulher que te deixa nervoso. Por que? O que te atrai numa mulher assim? Gosto de mulher que me tira do eixo, que me coloca em suspensão. Quando volto a ser o menino tímido buscando palavras é sinal que saí da zona de conforto e estou conectado ao meu estado bruto.

O que é mais difícil de lidar em uma mulher e o que é mais admirável?
Alterações de humor e fragilidade emocional são duas armas perigosas para uma relação. É admirável a capacidade de doação, carregar um bebe na barriga não é pra qualquer uma.


Recentemente você encenou a peça "Usufruto - Um dueto ou duelo?" ao lado da atriz Lúcia Veríssimo, na qual um homem mais jovem se envolve com uma mulher mais velha. Você encararia um relacionamento assim? Diferença de idade importa até que ponto num relacionamento? Encararia, não vejo problema nenhum na idade. Um sentimento verdadeiro supera essa e outras barreiras.

Qual a diferença entre uma mulher que toma atitude e a que se oferece? Qual afugenta um homem?
A oferecida entrega na bandeja, a de atitude te mostra caminhos. A oferecida acaba com o encanto da conquista.


Você já fez novela na Record e vai para a sua segunda na Globo (Morde & Assopra), emissora líder no segmento reconhecida em todo o mundo, isso te assusta, envaidece ou te faz ter certeza do caminho que  você escolheu? O mais importante é exercer o seu oficio, se ele é feito pra mil pessoas muito bom se é para milhões, melhor ainda. A qualidade artística da rede Globo é fora do comum. Poder exercer o seu trabalho lá é ótimo, pois você tem uma série de ferramentas técnicas a seu favor.



E falando em "Morde & Assopra", como será seu personagem na novela? Faço Dr. Tadeu um oncologista que vai cuidar do tratamento do Rafa (Henry Fiuka), filho do Ícaro (Mateus Solano).

Como você está encarando a “Dança dos Famosos”, diversão ou desafio? Um grande desafio, nunca fiz dança e essa possibilidade está sendo uma delicia, dançar faz um bem absurdo pro corpo e transforma o seu astral na hora.


Você curte esportes como longboard e escalada. O que mais curte  praticar para manter a forma? Alguma dica?Muay thai, corrida na areia e musculação duas vezes na semana.

Você que iniciou sua carreira como modelo deve ser um pouco ligado em moda. Concorda? Qual seu estilo? É vaidoso? Iniciei na carreira de ator e caminhei pela moda e publicidade. Gosto de moda, mas não sigo tendências, nem sei falar sobre isso. Sigo meu olhar, o que me agrada eu uso. Sou básico e despojado. Não sou vaidoso.

Quais as qualidades que um homem deve preservar e buscar? Caráter, generosidade e a busca constante pelo autoconhecimento.

Qual a importância da família e amizades verdadeiras pra você? A rede de proteção para os tombos da vida e a mola propulsora para saltos cada vez mais altos.


Agradecimento: Vanessa e Natasha Stein – MR Montenegro e Raman
Agradecimento especial a Raphael Viana

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O Sergio Kamalakian é um jovem empresário, de descendência armênia, que está à frente de uma das maiores marcas do país. E não é que a MENSCH ficou curiosa para saber um pouco mais sobre a sua historia; desde como tudo começou, as suas campanhas ousadas, algumas delas fruto de parcerias com ícones como Terry Richardson, além da sua visão sobre o mercado e seus gostos pessoais. Nessa entrevista, poderemos ver a ascensão de um negocio criado por um jovem e tocado por jovens. O que nos dá a impressão que às vezes as idéias mais inusitadas e um foco diferenciado sobre um determinado segmento, podem ser o caminho para o sucesso, que além de render muitas risadas, pode gerar altas cifras. Vale também frisar que esta marca se espalhou pelo Brasil e já esteve associada a gigantes como Land Rover, Copag, Jameson, Stella Artois, C&A entre outras, e mantém atualmente parceria com a vodka Belvedere do grupo Moët Hennessy. Então, aproveite a leitura e seja bem vindo ao mundo divertido e corporativo de Sergio K.


Hoje a marca que leva o seu nome é uma das mais requisitadas do país, e o fato de você ser tão jovem, desperta uma curiosidade: Como a sua carreira começou? Nunca tinha trabalhado com moda antes da Sergio K. Trabalhava com o meu pai no ramo de eventos e comecei a minha carreira com uma loja de sapatos. Eu sou de origem Armênia e os armênios têm uma tradição com a venda de sapatos. Foi aí que comecei fazendo sapatos feitos à mão, no Brasil e na Argentina. Vendia apenas para meus amigos, depois novos clientes viraram meus amigos e fui criando uma grande rede. Pela proximidade com todos, fui percebendo a necessidade deles, o que desejavam e o que faltava no mercado de moda. Foi um processo lançar a Sergio K em 2004, com uma loja na Oscar Freire. A história com os sapatos deu tão certo que partir para roupas e acessórios foi uma conseqüência.

Pelo fato de sua marca ter começado a ser usada pelos formadores de opinião de São Paulo, você acredita que este público inesperadamente acabou dando credibilidade a sua marca e conseqüentemente tornando-a mais conhecida? Com certeza, esse foi o aval que faltava. O meio da moda, como estilistas e jornalistas, tiveram, no início, preconceito por eu ser jovem e de família rica. Para este público meu negócio não passava de uma brincadeira de playboy. Tudo pra mim sempre foi mais caro - desde o costureiro até o marceneiro cobravam pelo sobrenome e pela idade.

Acredito que as camisas pólos com frases engraçadas são algumas das peças mais procuradas da marca, tanto que é comum vermos vários famosos usando. Como surgiu a idéia de colocar um pouco de humor nas roupas? Sou bem humorado no dia a dia, é algo legítimo, natural e sensorial. Apenas faço o que gostaria de usar.

Você já se arrependeu de ter colocado alguma frase em uma camiseta? Me arrependi é de não ter colocado frases com nomes de 3 políticos nojentos.

Pode-se encontrar a marca Sergio K nos melhores shoppings do Rio de Janeiro e São Paulo, além da loja na Rua Oscar Freire. Existe algum projeto de abrir novas lojas pelo país? Além de São Paulo e Rio de Janeiro, a marca também está presente em Campinas, Brasília, Alphaville e em 130 multimarcas espalhadas pelo Brasil. Temos outras cidades em negociação e novidades virão em breve.
A loja online tem sido bem divulgada e comentada, você acredita que é um segmento que está crescendo no Brasil? A moda está cada vez mais consagrada no comércio eletrônico brasileiro. A cada dia, surgem novos facilitadores para o consumidor comprar sem medo de errar no modelo, cor ou tamanho como, por exemplo, recursos multimídias como vídeos e realidade aumentada. Acredito que estamos em um bom momento para o e-commerce, mas ainda tem muito espaço para o brasileiro comprar peças de vestuário pela internet. O sucesso da loja online da Sergio K se deve grande parte pelo bom desempenho da marca nas redes sociais, os usuários trocam informações e colaboram na divulgação da loja.

O que não entraria de forma alguma no seu guarda roupa ou na sua loja? Pochete e bolsa capanga.

As suas roupas seguem algum estilo? E a que perfil de homem elas pretendem atender? Minhas roupas têm um estilo clássico repaginado, uma mistura do clássico com o despojado. Fazemos roupas para homens de bem com a vida, ousados, que gostem de um look bacana. A marca tem muito do que eu sou e do meu estilo. Tudo o que eu não usaria eu não coloco para vender. Posso dizer que temos clientes de 2 a 70 anos – a linha Sergio K Bambini, para crianças, foi lançada em 2006.

As suas campanhas sempre são inusitadas, que apelam para algum desejo masculino, o que só fez com que a marca ficasse com uma identidade única. Quem está por trás de tudo isso? Somos uma equipe bastante jovem (o mais velho da criação sou eu com 28 anos). Conversamos o dia todo, damos risada, assistimos a coisas engraçadas e inusitadas na internet, estamos sempre conectados a tudo o que acontece à nossa volta. Tudo isso ajuda no processo de criação, que não tem uma hora exata para acontecer, é natural, sensorial e por isso dá certo. Às vezes deixo meu diretor Marcelo Seba meio louco, mas acho que ele é mais audacioso que eu, por isso as campanhas sempre são um sucesso.

O que podemos esperar da próxima campanha? Das campanhas com Terry Richardson podemos esperar sempre algo inusitado e polêmico. As últimas fotos foram feitas com o Jon Kortajarena no apartamento da Narcisa Tamborindeguy, no Edifício Chopin, e com certeza vão dar o que falar.

Como são criadas as coleções e como você faz para se atualizar com o cenário da moda mundial? Nosso trabalho tem como regra buscar referências nas ruas, na internet e em viagens situações que rendam boas risadas. Também não deixamos de aproveitar os acontecimentos que são atuais e causam burburinho para lançar os produtos.

Mesmo com todas as dificuldades do país e a concorrência com as marcas internacionais, a Sergio K está em constante ascensão, como você driblou estas barreiras? Com a combinação de variedade, bom preço e qualidade. Entregamos sempre um pouco a mais do que cobramos, o famoso “chorinho”.

O que corre mais no sangue do Sergio Luiz Kamalakian Savone, um estilista inovador ou um empresário empreendedor? Um empresário estilista, inovador e empreendedor, que acredita no que os outros deixaram de acreditar.

Como você definiria o mercado de moda masculina no Brasil e no mundo? O mercado masculino está crescendo a passos largos no Brasil. Isso mostra que os brasileiros estão mais vaidosos e interessados pelo o que está acontecendo no mundo da moda. Hoje eles já não têm mais receio de entrar em uma loja sozinhos e escolher o que os veste bem. O número de publicações voltadas ao público masculino vem aumentando nos últimos anos e isso é mais um reflexo que os homens estão ligados no mundo fashion. As roupas masculinas cada vez mais arrojadas e tecnológicas representam o lifestyle do homem moderno. O brasileiro é sensual, alegre e caloroso e vem assimilando melhor cortes slim, cores vibrantes e saindo do mundo bege, khaki e gelo.

São vários os produtos da marca que foge do vestuário, como perfumes e até camisinhas, o que mais vem por aí? Tudo que tenha a ver com o universo de cliente Sergio K.

Se fosse convidar uma personalidade para usar uma camiseta Sergio K; quem seria? E o Qual frase estaria estampada na camiseta dela? Desculpe, impublicável (risos)!


Texto: André Lima
Fotos ensaio: Felipe Russo (www.feliperusso.com)
Fotos produtos: Divulgação
Agradecimento: Márcia Artacho – Index Assessoria
Agradecimento especial a Sergio K
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A idéia de que sempre podemos mudar à cada novo desafio que recebemos seja na vida particular ou no trabalho, é algo que termina nos movendo a ser cada vez melhor e despertando sobre novas possibilidades. Foi o que aconteceu com o apresentador Felipe Solari ao encarar o desafio no programa Legendários (da Record) e sua nova função, que terminou sendo social, ao tratar sobre o tema sustentabilidade. Felipe que sempre trabalho com música e bandas de diversos tipos quando era apresentador da MTV, descobriu que além de apresentador ele poderia cumprir uma função social ao falar sobre o tema sustentabilidade. Conversamos com ele para entender como tudo isso aconteceu e saber o que cada um de nós podemos fazer para contribuir, afinal é um desafio para todos nós. Ah claro, ainda falamos de conquistas, música sertaneja e sua paixão pelas mulheres.


Ator, apresentador, DJ...o que mais você faz que a gente não sabe e você vai revelar agora para os leitores da MENSCH? Quando não estou  azendo nada do que foi citado acima, estou praticando algum esporte, tentando viajar para algum lugar bem anormal ou fazendo Ativismo Ambiental, são ocupações de lazer... Ah, e aos Domingos não sou nada disso.

Um apresentador também representa ou isto é somente para o ator? Apresentador representa sim, acho fundamental. Mas todo apresentador é conhecido pelo seu próprio nome (menos o Ratinho, (risos) e por isso não pode exagerar nessa atuação, se não o grande publico percebe no olhar. Um bom apresentador é aquele cara que é carismático de verdade, no dia a dia. Mas eu já tive que entrar ao vivo com meu pai na UTI. Foi uma hora e meia de sorrisos e alegrias, mas eu estava destruído por dentro. Tive que representar, mas isso é um "fardo" que todo artista carrega.


Como começou esse seu trabalho pela sustentabilidade, foi o trabalho que te levou a isso ou já existia em você essa vontade e interesse? Existia vontade, existia interesse, mas era tudo no sofá de casa. O que o trabalho fez foi me levar no "olho do furacão", me sacudir e dizer: "Viu Felipe? Está vendo como o bicho tá pegando?” Depois de dormir duas noites na floresta com o IBAMA combatendo o Incêndio Florestal, invadir os esgotos de São Paulo e correr 20 km como coletor de lixo, ser voluntário ajudando as vitimas das enchentes do Nordeste e chegar de barco até a plataforma de petróleo que explodiu nos EUA, você não consegue mais ficar indiferente e pensa: "como perdi tempo no meu sofá". Ativismo pra mim, hoje em dia, não é mais trabalho, é opção mesmo.


O que você entende por sustentabilidade e do que estaria disposto a abrir mão em nome do meio ambiente? Sustentabilidade não é só meio ambiente ou natureza, sustentabilidade e o conceito "Comunidade" estão muito próximos. Temos que sustentabilizar nossas leis, nossos sistema penitenciário, nossa política. Sustentabilidade é um ciclo de ida e volta quase como uma reciclagem. Você pratica o bem aqui, pra receber de volta lá na frente de outra maneira.

Tendo infra-estrutura, respeito e segurança, é mais fácil abrir mão do seu carro e ir de bicicleta trabalhar. Mas entendo que o perigo de um motorista bêbado irresponsável passar por cima do ciclista bonzinho e responsável, é grande. É ai que eu falo de sustentabilidade. Em Amsterdã, os carros param pra bicicleta passar. Lá tem fila nos lixos recicláveis de rua para as pessoas jogarem cada coisa no seu lugar. E o melhor de tudo é que ninguém está sendo obrigado a fazer isso ou usando o papinho do "EcoChato".

Qual o limite entre um cidadão ambientalmente responsável e um ecofreak? Não podemos ser radicais... É como eu disse, sabemos que não é fácil largar seu carro, comer soja, não usar embalagens de plástico, não gastar luz, tomar um banho de 3 minutos e plantar arvores. Aliás, também não podemos achar que é isso que vai salvar o Mundo. O que vai salvar o Mundo é uma mudança maior, de pensamento e comportamento. A tecnologia avançou, mas quem disse que foi pro bem? As máquinas de perfurar solo e desmatar florestas estão cada vez melhores e mais modernas. Isso sim é Freak!


O Brasil está muito atrasado, tanto em projetos práticos como na conscientização das pessoas, em relação à sustentabilidade em relação à outros países? Sim, MUITO atrasado. Mas acredito na mudança, embora a televisão sensacionalista das seis da tarde me dificulte essa esperança. As pessoas se matando por nada e eu querendo que joguem o lixo no lixo... Me sinto o Dom Quixote contra os moinhos de vento, mas Dom Quixote fez sua parte, e eu também vou fazer.

O que cada um pode fazer em prol da sustentabilidade? Digo coisas simples que não requerem grandes esforços, que podem ser feitas em casa e/ou no trabalho?As pessoas podem se unir e praticar a Sustentabilidade de maneira divertida. Combinar com a galera do escritório e ficar sem comer carne na segunda (Movimento criado por Paul McCartney #MeatFreeMonday), fazer rodízios de carona entre a galera, fazer festas sem uso de plástico... Enfim, pode ser divertido.

O que mudou em você depois que começou a trabalhar com a divulgação da sustentabilidade? Como você se via antes e se vê agora como cidadão e a sustentabilidade?Vejo-me mudado. Entendo melhor onde estão os erros e acertos, mas isso também aconteceu quando falei cinco anos de música na MTV. Eu podia ver melhor quais bandas eram boas ou ruins e por quê. O tema pode sempre mudar: música, sustentabilidade... O importante é sempre evoluir, aprender. Não estou evoluindo para mostrar aos outros, estou evoluindo porque me faz bem.

O que é ser um legendário? Nossa, é muita coisa! Mas basicamente é trabalhar firme e representar uma galera que vê na gente um grupo bacana e divertido.


Marcos Mion, chefe, colega de trabalho, amigo ou tudo isso junto? Como é a relação de vocês? Tudo isso junto. Ele deu o meu primeiro emprego há 10 anos, me abriu portas... É carinho de irmão e responsabilidade de profissional. Nunca misturamos.

Você dirigiu a turnê "Se for para ser feliz" em comemoração aos 40 anos da dupla Chitãozinho e Xororó. Como foi encarar essa grande responsabilidade e qual a ligação que você tem com a música sertaneja? Conheço toda a família por causa da MTV (acústicos, VMBs, etc.). Nessa turnê dos 40 anos, eles queriam algo mais moderno e me fizeram o convite. Não tem como dizer não a um convite dos reis Chitãozinho e Xororó, sou fã. O projeto ficou muito legal. Conseguimos fazer uma mistura do moderno com a raiz sertaneja. Além do prazer de trabalhar pessoalmente com a dupla, aprendi mais do que dirigi.


Entre uma reportagem e outra dá pra fazer um pouco de turismo quando você viaja pelo “Legendários”? Minhas viagens são sempre "roubadas"... Não tem hotel bom, não tem distância curta, não tem horários justos. Já viajei de monomotor no Monte Roraima, dormi no chão da Floresta, fizemos muitos quilômetros a pé, de barco e van. Mas a oportunidade de chegar a lugares totalmente difíceis e pouco explorados é a melhor coisa do trabalho. Ainda mais pra quem cresceu na megalópole.

O que te leva a se interessar por uma mulher, engajamento ambiental, inteligência, beleza ou simpatia? Tem que ter senso de humor, entender os nossos horários malucos e ser companheira. Inteligência é fundamental, também.

O que é mais difícil de lidar numa mulher e qual o principal característica que os homens deveriam aprender com elas? O mais difícil é lidar com aqueles momentos que os homens não têm e muitas vezes não entendem. Mas elas são fundamentais, e é uma mulher que vai carregar, heroicamente, meu filho por nove meses! Incríveis! Sou apaixonado por elas.


No futuro você pretende ser mais ou ter mais? O que você quer pro futuro? Quero qualidade, não quantidade.

Texto: André Porto e Nadezhda Bezerra
Fotos: Felipe Russo (www.feliperusso.com)
Tratamento de imagem: Jorge Souza
Agradecimento: Caroline Medeiros – Ponto 3
Agradecimento especial a Felipe Solari

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Para algumas pessoas ter na genética a vêia artística de pais como Elis Regina e César Camargo Mariano pode ser uma carga muito grande que talvez resulte no comodismo, já que tudo isso seria o suficiente para se lançar ao sucesso. Mas para o cantor Pedro Mariano, a música é muito mais que algo genético ou de sobrenome, a música é a filosofia de vida dele. A música é o talento dele. A genética não garante o sucesso, mas o talento sim. E ao longo de sua carreira de sucessos Pedro foi se descobrindo cada vez mais capaz do seu potencial e fazendo parcerias (e amigos) de sucesso que resultaram em indicações ao Grammy, reconhecimento musical que o leva ao o sucesso incondicional. Aliás, Incondicional é o nome do seu mais recente cd, o 7o de sua carreira, agora com selo próprio. Conheça um pouco mais desse grande artista e vire fã!

A música sempre esteve presente em sua vida, chegou a pensar em ser outra coisa que não fosse ligado à música? Existiu essa possibilidade? Tirando a fase de criança, nunca pensei em outra coisa. Na fase de adolescente sempre me perguntava qual faculdade eu faria e na época não existia (como hoje) faculdades de música no Brasil, então como ninguém ficava satisfeito com a opção em ser músico, acabava dizendo que faria Arquitetura, mas esse plano nunca saiu do papel. Essa história rendeu o boato que dura até hoje de que eu queria ser arquiteto… Nunca passou pela minha cabeça! Não deu tempo!

Em 1995 você participou do cd do seu irmão "João Marcello Boscoli & Cia." ao lado de amigos como Wilson Simoninha e Claudio Zoli. Aquele foi um ensaio para sua carreira solo? Como foi participar daquele projeto? Na verdade eu já estava em processo de consolidação do formato de carreira solo, porque já havia um tempo eu saíra da minha banda, a Confraria, e fazia shows em pequenos bares da Vila Madalena como artista solo. Depois desta fase veio a homenagem que eu e o João fizemos para minha mãe. Isso foi o que realmente possibilitou a entrada em uma gravadora, criando a chance de fazer parte deste projeto junto com todos estes nomes. Esse disco foi muito importante para aliviar a pressão que existia para que eu gravasse logo o meu disco, o que depois de toda a repercussão da homenagem à minha mãe, era o que eu menos queria. Era importante que a poeira assentasse, e aí sim decidir qual melhor caminho.

O que os "Artistas Reunidos" (Max de Castro, Wilson Simoninha, Jairzinho Oliveira, Luciana Mello, Daniel Carlomagno e João Marcelo) tem mais em comum fora a música e a herança musical genética?
Acho que muitas coisas, além do universo musical. Tenho muita afinidade pessoal com a família do Jair. Vivo na casa dele, nossas filhas vivem brincando, assim como com a Luciana também. Mas todos nos relacionamos com muita freqüência e amizade, mas a grande verdade é que a música nos rodeia e nos norteia.

Quem é Elis Regina pra você?
A maior cantora que eu já vi em ação.

Fora o gosto pela música o que você herdou da sua mãe e do seu pai? Meu pai sempre me disse que minha forma de me relacionar com as canções que escolho é muito parecida com a da minha mãe. Que meu temperamento por muitas vezes também lembra o dela, apesar de me achar bem mais manso que ela! Sou muito organizado no trabalho, gosto de palco e de me preparar para meus compromissos com relativa antecedência, o que é mais parecido com meu pai. Mas sou bem menos preocupado que ele, passo pelos preparativos relativamente relaxado. Talvez porque confie muito na minha equipe. Sou mais de observar do que falar, o que é bem mais meu pai. Talvez seja isso… ou não!!

Em 2003 você fez uma parceria com seu pai César Camargo Mariano no CD "Piano e Voz", e no CD "Voz no Ouvido" o César participou como produtor juntamente com Otávio de Moraes. Esses trabalhos em conjunto refletem uma afinidade musical entre pai e filho ou é apenas resultado de uma parceria comercial?
Muito mais que isso, é uma parceria profissional entre dois colegas de trabalho que têm muita admiração um pelo outro. Sou fã do trabalho dele, e o fato de conhecê-lo muito bem me deixa honrado saber que fiz por merecer a parceria dele, que é muito criterioso e junta seu nome com qualquer um. Além de não ser paternalista nem nepotista.

Que comparação você faria entre "Intuição", "Piano e Voz" e o mais recente "Incondicional"? É muito difícil pra eu fazer esse tipo de comparação, são momentos diferentes com propostas diferentes. Mas todos eles têm um papel muito grande na minha formação, e quando os ouço sinto nitidamente a transformação que o cantor sofreu ao longo do processo. Sou muito auto-crítico e gosto de sentar e fazer esse tipo de exercício. Sabendo como cada disco foi feito, suas circunstâncias e tudo mais que envolve uma produção, consigo ver como me saí em cada um deles. Isso me traz a bagagem que preciso para uma nova empreitada.

"Incondicional". Por que este nome para a sua turnê?
O nome é o mesmo do disco, e o nome do disco veio quando buscava um nome que me desse uma sensação de eternidade, mas não no sentido soberbo da palavra, mas sim de algo que fosse como o amor, que como disse o Vinícius de Moraes: "Que seja eterno enquanto dure." Partindo desse raciocínio cheguei à palavra "incondicional" que reflete o meu relacionamento em particular com esse disco. Depois de toda a novela que foi para conseguir liberar esse disco, cinco anos aguardando o momento de poder ir para a estrada com ele, acabei desenvolvendo uma relação diferente com essas músicas. Daí meus sentimentos incondicionais por ele.


Em uma das suas músicas você fala "simplesmente posso esquecer"...o que você não consegue esquecer ou perdoar? Falta de respeito, acho que não dá mesmo!

Cantar, ouvir aplausos no final, você consegue descrever a emoção do artista diante de sua platéia?
Só que passa por isso sabe o que é essa sensação. Não existe nada paralelo que se possa comparar!

Você chegou a ser indicado várias vezes ao Grammy, inclusive como "Melhor Disco Pop Brasileiro". Você esperava por essas indicações? O mercado latino é uma boa saída para músicos brasileiros que desejam divulgar seus trabalhos?
Não esperava as indicações, e foi muito gostoso. Hoje com a internet é possível afirmar que as fronteira foram derrubadas, porque é comum eu receber notícias de que meu disco foi parar em algum canto da Europa pelas mãos de algum fã e de repente aquele país pode ser um mercado em potencial, sem que você tenha feito quase nada! Tudo isso é muito louco!!

Com "Incondicional" você lança seu próprio selo, Nau. Era algo desejado há muito tempo? Esse cd tem um gostinho especial por conta disso?
Era algo que inevitavelmente aconteceria. Dentro de uma gravadora as coisas mudaram muito e, talvez para que esteja começando agora, tudo seja normal, mas para que é da minha geração, as coisas estavam um pouco desconfortáveis. Não me via mais dentro deste cenário, e além do mais sempre tive minha equipe trabalhando minha imagem, mesmo quando estava em gravadora, e acho que aquele espaço dentro da companhia deveria ser ocupado por algum artista novo, que precise de todo aquele aporte. Minha carreira fluindo como ela vem fluindo, é bem plausível seguir a vida em um selo próprio. E sim, o gosto é especial.

Você começou o ano abrindo a temporada no Tom Jazz cantando além de outras coisas, músicas de outros artistas, dá nervosismo cantar música de amigos, ainda mais com eles assistindo? Confesso que cantar músicas inéditas para o público é bem mais difícil, mas totalmente confortável não é!

Você se sente realizado como artista? O que você espera do futuro?
Sim, sem dúvida! Agora o futuro só depende de minhas ações, e procuro ser muito honesto comigo e com meu público. O próximo passo é sempre difícil, mas o fato de conhecer bem os que me acompanham, me dá uma certa dose de confiança. Mas o que eu sei, com certeza é que sempre buscarei novidades, não quero ficar vivendo de conquistas já feitas, quero sempre conquistar mais.

O que a maturidade está te trazendo de bom?
A calma! Um bem precioso na minha profissão!

O que você gosta de ouvir para relaxar?
Nada!! Se colocar música, começo a trabalhar!! O silêncio é maravilhoso!!

Texto: André Porto e Nadezhda Bezerra
Fotos: Divulgação
Agradecimento: Patrícia Fano
Agradecimento especial a Pedro Mariano

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A simplicidade com que Giovane Gávio encara vitórias, medalhas, fama e realização profissional é algo tão incrível e ao mesmo tempo coerente que nos pega de surpresa. Como ele mesmo fala nessa entrevista, ele é apenas um profissional do esporte, assim como poderia ter outra profissão que também a faria da melhor forma possível. Isso infelizmente é um caso raro, mas demonstra o grande ser humano que ele é que vai muito além do atleta famoso. Atualmente técnico da seleção do SESI-SP, campeã da Superliga Brasileira de Voleibol em 2011, pais de quatro filhos, poeta nas horas vagas, Giovane é merecedor de medalhas dentro e fora das quadras.

O que o vôlei ensinou aquele garoto de 12 anos que perpetuou por toda sua vida como jogador e homem maduro? Me ensinou muito. O esporte é importante na formação do jovem, da criança, ajuda a socializar, ajuda a moldar a personalidade, te ensina a conviver em grupo. O vôlei me fez crescer, amadurecer, me deu alegrias, me ajudou a conquistar muitas coisas, além de medalhas, e sou muito grato a tudo o que esse esporte maravilhoso fez por mim, por tudo o que ele me ofereceu. Hoje meus dois filhos mais velhos (Gianmarco e Giulia) jogam vôlei. Se vão seguir ou não, não sei, é algo que vai depender deles, não coloco pressão alguma, mas fico feliz de ver que estão no meio do esporte. Incentivo, apoio e vou sempre estar ao lado deles.


Quando foi que você se encantou com o vôlei e decidiu: é isso que quero fazer! Eu fazia judô e foi vendo a minha irmã Giseli que comecei a me interessar pelo vôlei. Os meus pais sempre me incentivaram muito a praticar esportes, experimentei o vôlei e me apaixonei. Entrei em quadra para não sair mais.

Por que a final das Olimpíadas de Barcelona foi o jogo da sua vida?
Foi uma partida marcante para mim. Lembro bem de tudo o que aconteceu naquela partida, lembro muito dos dias que passamos em Barcelona, de cada momento daquela conquista. Aquela vitória sobre a Holanda foi a coroação de um trabalho bem feito por uma equipe, jogadores, comissão técnica, confederação, e que nos deu uma medalha de ouro que mudou a história da modalidade. Quando aquele saque do Marcelo Negrão passou pelos holandeses, sem defesa, o nosso sonho virou realidade. E ninguém queria acordar daquele sonho.

Foram mais de 30 partidas em jogos olímpicos, bicampeonato olímpico e diversas medalhas olímpicas. Qual o momento mais marcante de tudo isso? Todas as conquistas foram marcantes. Cada uma à sua maneira, porque cada uma marcou um momento da minha carreira. Não teve uma medalha, um título que eu possa escolher como o mais importante, muitos foram marcantes, as medalhas de ouro olímpicas, aquele saque no Campeonato Mundial, cada Liga Mundial, enfim, guardo com muito carinho os momentos que vivi com a camisa do Brasil, desde a primeira convocação à minha despedida.

Você se sente um atleta e um homem plenamente realizado? O que você almeja mais? Sim. Como atleta eu conquistei tudo, fui muito além do que eu poderia imaginar. Tive a oportunidade de jogar com os melhores jogadores, de trabalhar com os melhores treinadores, de vestir a camisa do Brasil e ajudar a Seleção Brasileira a conquistar títulos importantes, aprendi muito e levo isso comigo para a minha vida, não apenas como técnico, mas como homem. Hoje sou treinador, estou começando uma nova carreira e estudando para estar cada vez mais bem preparado, para ser cada vez melhor na minha profissão, na minha função de técnico.

Competir é mesmo o mais importante OU isso é discurso de perdedor?
É claro que todo mundo quer vencer. Mas só um vence, só um atleta, só uma equipe, só um país. Mas, para saber vencer, é preciso saber perder, é preciso saber competir, entender a essência do esporte. Ninguém é imbatível, ninguém é invencível, não existe isso no esporte. As vitórias são fruto de um trabalho bem feito e até mesmo aquele que é derrotado, muitas vezes, precisa ser enaltecido. O atleta precisa entender o sentido da competição, precisa saber o que é o respeito com o adversário, e precisa demonstrar isso, porque ele é espelho para jovens e crianças, precisa dar bons exemplos. Um bom perdedor é mais digno do que um mau vencedor.

O que é mais fácil, conquistar uma medalha ou a mulher que se quer para uma vida inteira? Nada é fácil. Tudo exige dedicação e paixão. Claro, são conquistas diferentes, uma medalha marca o atleta, traz uma felicidade e uma realização que marcam a sua carreira. Conquistar o amor de uma mulher é especial, é para uma vida inteira, e é uma conquista diária, como um namoro que precisa ser vivido intensamente e renovado a cada dia.

E o que é mais difícil, bloquear um ataque do adversário ou as fãs mais ousadas? Bloquear os adversários sempre foi muito difícil. Enfrentei muitos grandes atacantes e também muitos excelentes bloqueadores, os melhores do mundo, pelos clubes e pela Seleção Brasileira. Mas as fãs eu nunca bloqueei, sempre tratei a todas e a todos com carinho, porque o fã é aquela pessoa que te admira e isso é um reconhecimento ao seu trabalho. Seja um autógrafo, um sorriso, uma foto, um aperto de mãos, o fã é aquele que te recompensa.

Chegar aos 40 anos pesou um pouco para um atleta? O que faz para manter a vitalidade de 20 anos atrás? Não. Não tenho essa vaidade de idade. Sempre aproveitei muito cada momento da minha vida, e a idade traz não apenas cabelos brancos, que eu ainda não tenho, mas traz maturidade, experiência, sabedoria. E acredito muito nisso. Todo mundo envelhece, o segredo está em saber envelhecer, saber aproveitar a vida e o que ela oferece de melhor. A idade física é algo que não se pode mudar, a diferença está na cabeça, é preciso respeitar o corpo, ter cuidados com a saúde, uma vida regrada e aproveitar cada momento.

Por que demorou tanto para fazer uma tatuagem que era um desejo antigo? Receio de algum preconceito? Não, nenhum preconceito. Tem gente que não gosta, tem gente que gosta tanto que tem dezenas, às vezes tem partes inteiras do corpo tatuadas. Acho a tatuagem algo bastante pessoal, quando alguém resolve fazer, os motivos são os mais variados, e isso se reflete na escolha do desenho, do que será escrito, de uma imagem.

Priscila é a sua maior inspiração? Priscila é uma das maiores inspirações da minha vida. Não apenas ela, mas meus filhos, minha família, é sempre pensando neles que eu vou atrás dos meus objetivos, que me dedico todos os dias como marido, pai, filho e profissional do vôlei.

Giovane poeta, como isso se deu? Tem planos de publicar algo?
Já tive planos de escrever um livro de poesias. Escrevi alguns poemas, um ficou mais famoso, que foi o que falava da Seleção Brasileira, é algo que gosto. Quem sabe, um dia ainda me dedico mais e publico um livro?

E como é ser pai de quatro crianças? O que a paternidade te trouxe? Ser pai é maravilhoso. E eu sou pai quatro vezes. Amo meus filhos, aproveito muito o convívio ao lado deles, um tempo que é e sempre foi mais curto do que eu queria, por causa dos treinos, dos jogos e das viagens. Mas procuro curtir ao máximo as folgas para estar perto deles, acompanhar o desenvolvimento, o crescimento, ser um pai o mais presente possível. Ser pai é uma sensação maravilhosa, o homem amadurece muito quando nasce um filho, passa a ver a vida por um ângulo diferente, traz uma enorme responsabilidade que se transforma em um amor difícil de descrever pela criança. Um filho marca o nascimento de uma nova família.

O mineirinho é mesmo um "come-quieto"? O mineiro é pacato, trabalhador, de boa paz e gosta das coisas certas. Isso de come-quieto é engraçado, é uma velha expressão e, até onde eu sei, tem a ver com o jeito caseiro, familiar, com a simplicidade do mineiro. Se for isso mesmo, eu sou um 'come-quieto', sim.
Em suas palestras o que você tenta passar de mais importante é a sua experiência como atleta dentro do universo esportivo ou o que o esporte te ensinou como ser humano?
Um pouco de cada coisa. Tento passar um pouco da minha experiência, do que vivi no esporte, de como o vôlei me ajudou a vencer na vida, a me formar como homem e como atleta profissional. Muitas pessoas tem curiosidade de saber como é a vida de atleta, como foi minha carreira, alguns me enxergam como ídolo e tem as curiosidades mais diferentes. Sou uma pessoa como outra qualquer, escolhi jogar vôlei, mas poderia ter sido médico, engenheiro, ator, poderia ter seguido outro caminho. O sucesso e o reconhecimento não tem a ver com a profissão que se escolhe, se o lixeiro não fizer bem o seu serviço, a cidade vai estar suja, e ele tem uma importância enorme no nosso dia-a-dia. Se o médico não estiver atualizado, não for competente, a nossa saúde fica prejudicada. Se o professor não for bem preparado para ensinar, nosso futuro estará comprometido. Todos nós somos importantes, todos precisamos fazer o nosso melhor, isso tem a ver com dedicação, com vontade, com profissionalismo. Se hoje eu tenho o respeito das pessoas, não é só porque fui um bom jogador, isso tem a ver com a minha conduta também. Para se viver em grupo é preciso que o respeito venha em primeiro lugar. É assim no esporte, é assim na sociedade, na vida.

O que foi (e é) mais importante para você dentro de um trabalho em equipe, a disciplina, o coleguismo ou o comprometimento?
Acho que tudo isso é importante. Não existe grupo forte sem isso, sem liderança, sem união e sem dedicação. No esporte coletivo todos são importantes, cada um tem sua função e o entendimento e o respeito das individualidades é que fazem um coletivo forte.

O vôlei te trouxe dois grandes amigos, Paulão e Tande. Como você explica essa fidelidade nas amizades masculinas que os homens em geral nutrem e as mulheres invejam? Fiz grandes amigos no vôlei. Tande então é quase que um irmão, nos conhecemos há mais de 20 anos, Paulão também é um grande amigo. Não sei se as mulheres invejam, mas eu prezo muito minhas amizades, as amizades verdadeiras que tenho. Algumas pessoas acabam virando quase que parte da família, tamanha a afinidade e o prazer do convívio. Me sinto um cara de sorte por ter muitos bons amigos.

Qual a maior virtude que um homem deve ter? Caráter. Independente de classe social, de profissão, acima de tudo, o homem precisa ter caráter. E caráter tem a ver com honestidade, com hombridade, com respeito e com educação.



Texto: André Porto e Nadezhda Bezerra
Fotos: Roberto Lima, Divulgação
Capa: Roberto Lima / Tratamento de imagem: Jorge Souza
Agradecimentos: Samy Vaisman - MPC Rio Comunicação & Marketing
Giovane veste Remo Fenut - www.remofenut.com.br
Agradecimento especial a Giovane Gávio

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Um homem realizado. É o que poderíamos dizer de Márcio Garcia? Com uma bela família, uma carreira consolidada como ator e apresentador, uma imagem sólida no meio publicitário, saúde e muitos amigos. Falta algo? Teoricamente não. Mas como o que move o mundo e o ser humano é o desejo de se superar e sempre encontrar um novo desafio que nos dê o prazer da vitória, Márcio foi à luta atrás de novos desafios e realizações. E foi com a garra de quem estava começando agora na vida profissional, que ele tem se dedicado ao cinema.

E como não há nada que sendo feito com dedicação e profissionalismo não resulte em sucesso. Foi nisso que resultou a excelência profissional de Márcio Garcia no mundo do cinema, premiado internacionalmente, eleito um dos novos diretores revelação em festivais internacionais e agora em produção do seu segundo longa metragem. Como o próprio Márcio fala nessa entrevista exclusiva, ele é um contador de histórias. E foi com atenção, simpatia e a humildade (que prega a seus filhos) que Márcio nos recebeu para falar um pouco dessa nova fase profissional. Nosso muito obrigado a ele e muito sucesso.

Apresentador da MTV, da Globo, Record, ator, dublador e mais recentemente produtor e diretor de cinema, incluindo aí  uma produção internacional. É pouco ou quer mais?
Acho que está Ok. Apesar de o trabalho ser grande não posso negar que estou feliz e vivendo uma boa fase profissional. Como sempre procuro gostar mais daquilo que estou fazendo por isso hoje estou totalmente focado no projeto “Open Road” e o vivo intensamente como se nunca tivesse feito outra coisa na vida. Acho que este é o segredo para quem quer fazer muitas coisas; saber a hora de focar em apenas uma!

De tudo o que você faz o que acredita fazer melhor? Eu procuro dar o máximo em todo o trabalho que faço. Foi assim na minha primeira novela que rendeu muitos frutos, foi assim na minha última que não deu tão certo... Sou um cara de fé! Acredito que tudo pode dar certo, mas, aprendi que o resultado não depende só de uma pessoa. Respondendo a você, acho que farei melhor aquilo que der a sorte de fazer cercado do maior numero de pessoas competentes possível
Com todo esse empenho pro cinema vai ter espaço pra TV esse ano?  Tenho um projeto secreto pra TV, realmente não posso falar mas acho que será incrível. Sobre a novela do Agnaldo acho que não poderei fazer. Estou com um problema no meu joelho e devo operar em breve. E o personagem é um atleta... que precisa estar apto a fazer coisas que não estou. Já estou sem joga meu futvoley há meses...realmente esta caindo a ficha... sou um jovem de 41 anos. (risos) Tenho que me cuidar de verdade...


Quais os planos para MGP Produções? No momento estamos dedicados ao Open Road, pois a produção é 50% nossa. Temos outros projetos pro cinema como a versão longa metragem de "Predileção" e outro longa em parceria com Uri Singer, meu sócio nos projetos internacionais, The Brazilian que trará grandes atores americanos. Alem disso temos uma grande parceria com a Red Bull.
 
Como foi o resultado final de "Amor por Acaso" (Bad & Breakfast)? Teve boa aceitação? Rendeu como esperado? Foi OK... Acho que podia ter sido melhor. Fazer um filme em 18 dias é meio complicado. Tínhamos que fazer quase 50 takes por dia...apesar de ser um filme simples e despretensioso... o tempo foi muito curto... tivemos que correr demais... Não foi exatamente como o esperado mas até que ficou fofo.
É difícil um filme brasileiro, com "pitadas" americanas, fazer sucesso no exterior? Eu não diria que se trata de um filme brasileiro pois noventa por cento do texto é em inglês. Hoje o Brasil esta muito na moda por aqui. Existe uma aceitação muito grande. Mas o americano realmente tem dificuldade com legenda, não foi acostumado a isso. E claro que a cultura é bem diferente. Mas no caso de “Bed e Breakfast” acho que isto não pesou no mercado internacional mas sim no Brasil, Pois acho ainda mais difícil os brasileiros rirem das piadas americanas do que vice e versa.
Como estão os preparativos para “Opend Road”? Escalação de atores... é verdade sobre a participação de Cleo Pires e Ronaldinho? Estamos bem adiantados. Não conseguimos fechar com a Cleo, nossa protagonista é a Camilla Belle. Ronaldo é co-produtor e fará uma participação em uma seqüência. Já estamos fazendo leituras com Andy Garcia, Camilla e Juliette Lewis. Nosso protagonista não esta confirmado!
Esse novo filme te trará algum outro desafio? Você já sente alguma diferença significativa de "Bad & Breakfast" para "Open Read"? Acho que todo novo projeto é um desafio. Desta vez temos uma equipe um pouco mais experiente. Nosso DP (diretor de fotografia) é Jonathan Hall que fez Avatar, nosso PD (produtor de arte) é Shawn caroll de "Boys don't Cry", e temos o tempo que o filme demanda de fato. Acho que somando isso há um pouco mais de experiência e ao roteiro de Julia Camara que considero incrível, teremos um grande filme. 
Vejo que você está muito empolgado com cinema. O que está gostando mais dessa nova fase como diretor?  Sou um contador de histórias nato. Tenho uma visão estética de tudo que eu leio. Adoro cinema e penso que os desafios como diretor são vários; saber se aquela história vale a pena ser contada, saber se você sabe como contá-la, se você consegue colocar a história que você quer contar na tela; e encontrar as pessoas certas para fazer tudo isso acontecer. isso é empolgante? Eu acho!
Em 2009 você ganhou alguns prêmios internacionais como o Excellance in Acting no LABRFF (Los Angeles Brazilian Film Festival), foi premiado no Newport International Film Festival como Best Up and Coming Director e foi indicado para o festival de Vail e de Cleveland da Academy Award Director. Você esperava tudo isso? Como você encarou esse reconhecimento internacional? Sinceramente não. Primeiro por ser um filme do gênero que não tem muito a ver com festivais. Ficou realmente como eu queria, mas eu não esperava.
O que Andrea, sua esposa, te trouxe que você não tinha conquistado antes? Ah meus três filhos...! Andrea é uma super mulher, super mãe, sou fã incondicional dela. Andrea é demais, grande profissional, batalhadora...
Suas melhores produções são seus filhos? Com certeza! Eles são tudo pra mim. São dois meninos e uma menina.
Prestes há completar 41 anos, porém com o mesmo ar jovial de quando apareceu na TV pela primeira vez. Foi complicada a chegada aos 40? Como você encarou (ou encara)? 41 pesa mais que 40. De 39 pra 40 não fez muita diferença, mas 41 eu acho que sim. A idade te traz mais serenidade para fazer as coisas. Hoje em dia tenho muito mais calma e paciência. Você canaliza melhor sua energia. Quando se é jovem quer se fazer tudo logo, rápido, sem pensar muito.  Com mais idade você aprende a não desperdiçar energia sem uma boa razão.
Sempre que pode você é visto praticando esportes na praia com os amigos. O que mais você faz para manter a forma? Eu malho em casa. Como estou com problemas no joelho, estou sem poder jogar meu futevolei há tempos. Mas a Dra. Andrea Santa Rosa cuida de mim, da minha alimentação... E te garanto alimentação saudável faz toda diferença.
Até que ponto você é vaidoso? Que hábitos você adquiriu ao longo do tempo neste sentido? Sou pouco vaidoso. A Andrea pega no meu pé e me deu uns conselhos um pouco (risos). Por mim só usava camiseta, uma calça jeans e chinelo... mas não rola... Protetor solar, e claro, "Head & Shouders"! (risos)
Que valores você cultiva que vieram de herança da sua criação? Amor, amizade e confiança... Li um livro, depois que meu primeiro filho nasceu; “Pais Brilhantes, Professores Fascinantes”, de Augusto Cury, recomendo até pra pais experientes. Humildade é fundamental na educação, saber pedir desculpas. O ser humano tende a não assumir que erra. É muito importante os pais demonstrarem não só a verdade mas suas falhas e erros pros filhos, é um exemplo fundamental. Estou sempre perto deles. Sou de colocar pra dormir, faço questão de pegar ou deixar na escola. Sei que este tempo voa e quando se vê...eles já não são mais crianças.


Assista o vído com o making of do ensaio:


Texto - André Porto e Nadezhda Bezerra
Fotografia - Wagner Carvalho
Assistentes de Fotografia - Alexandre de Paula e Ricardo Perri
Imagens - Ricardo Perri
Edição - Wagner Carvalho (www.wagnercarvalhophotographer.com.br )
Assessoria - Dudi Cotrim
Coordenação de Produção - MD Produções (
www.mdproducoes.com)
Produção/Estilo - Vanessa Cordeiro
Make-up - Suzana Caneca - Maison du Maquillage
Agradecimentos – Armani Exchange

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A fotografia tem como resultado, além de “congelar” momento incríveis da vida, revelar grandes fotógrafos. Foi essa paixão pela fotografia que fez Fabrízio Fasano Jr. largar a publicidade em busca de algo que o fizesse sentir-se realizado. Vindo de uma família de sobrenome forte, que representa sofisticação e bom gosto, suas fotos não poderiam ser diferentes. Imagens lúdicas, sonhos e realidades pairam pelas obras desse fotógrafo sensível e determinado. Da sua paixão pelos cavalos até Fernando de Noronha, conheça um pouco desse talentoso, e realizado, homem.

Fabrízio, você é herdeiro de um grupo da área gastronômica e de hotelaria, e trocou os negócios da família e a carreira publicitária pela fotografia. Foi essa base sólida que te fez ter coragem para arriscar em outro campo ou sempre foi um desejo seu? O que te motivou a partir para isso? Minha família trabalha com gastronomia, um ramo que, diferente de empreiteiros ou mineradores, não se constrói impérios. Mas temos a sorte de sermos reconhecidos por nosso trabalho. Desde 1990 sai do grupo, trabalhei com publicidade e desde 2003 me dedico à fotografia, uma grande paixão.




A paixão por cavalos foi um fator decisivo? Como é juntar as duas paixões fotografia e cavalos nessa realização pessoal? É possível que sim. Ao fotografar os cavalos me senti desafiado novamente pela fotografia. Eles ajudaram a reviver uma paixão. Mas hoje minha relação com os cavalos se transformou apenas em um hobbie.

Hotéis e restaurantes estão no DNA da sua família. Como a fotografia conquistou você? Eu sempre gostei de fotografia. Mas, me lembro que aos 14 anos o interesse se intensificou. Voltava de viagens com quase 50 rolos de filmes.

O que você busca com suas fotos?
Busco despertar emoções.

O fotógrafo é um homem mais sensível? Difícil dizer que um fotógrafo é mais sensível que um médico, um arquiteto. A Sensibilidade se revela quando realizamos bem a nossa arte.

Seu primeiro livro chamava-se "Duas Paixões", e retratava cavalos, se ele fosse chamado Três Paixões, qual seria a temática?
Incluiria o tênis.

E na fotografia, você é um grande observador de paisagens ou de pessoas? Depende da fase. Já me interessei pelos dois temas, e hoje estou numa fase lúdica.

Como é a relação com seu pai e irmãos? Qual a importância da família para você? Meus filhos e minha mulher são minhas prioridades, e mantenho com meus pais e irmãos uma relação excelente. Amor dos pais pelos filhos não tem nada mais forte.

Que valores você cultiva que foram adquiridos dos seus pais e que você se preocupa em repassar para seus filhos?
A valorização da família e da igualdade social, independentemente da conta bancária.


Como está a exposição atual? Fale-nos um pouco dela pra quem ainda não a viu.  Esta exposição surgiu a partir de uma experiência que estava fazendo com uma câmera de bolso. A imagem, além de me surpreender gerou inquietações que me fizeram elaborar o conceito da exposição “Observador”.

Na primeira imagem que fiz, aparecia o busto de homem. Pequeno diante da paisagem. Comecei a me questionar sobre como somos pequenos diante do universo, e a pensar sobre o que se passava pela cabeça daquele homem que aparecia pequeno, na imagem. Para quem for visitar a exposição eu deixo um convite para que também se transforme em um “Observador”.

Naquela sequência de fotos onde aparece uma cabeça gigante com uma imagem (projetada?!) nela e um homem a observando. Como foi feito isso? Alguma técnica especial. Essas imagens têm algum significado? Foi feita uma projeção de imagens em cima das figuras. Elas significam sonhos. Sabe quando você acorda e lembra-se de ter tido sonhos que você não consegue compreender?! São imagens que me vêem à cabeça.

As fotos do Rio de Janeiro em p&b são fantásticas. Você conseguiu registrar cenas impressionantes da cidade maravilhosa. O RJ exerce em você algum fascínio especial? Na realidade sempre fui muito distante do Rio. Até que abrimos um hotel no Rio e comecei a freqüentar mais o Rio. Fui descobrindo a cidade. Fiz algumas fotos dentro do mar e ficaram bem legais... Com uma máquina simples. Hoje em dia com a tecnologia, muita coisa fica mais fácil de fazer. O que vai diferenciar um grande fotógrafo é sua sensibilidade em ver as coisas. O Rio é uma cidade maravilhosa.

Observando essa amostra de fotos suas com esses dois extremos entre o P&B e as cores fortes e saturadas, é uma característica sua como fotógrafo ou um momento específico? Tudo que é colorido meu é forte. Tenho observado as coisas por aí e tudo estava muito escuro. Resolvi fazer algo mais alegre.  


Você que já viajou muito, que lugar te fascina mais fotograficamente falando? Onde você rende melhor? Existe isso?
Olha é uma coisa muito impressionante, pois já viajei muito, mas a 20 anos atrás fui à Fernando de Noronha e achei incrível aquele lugar. Já fui três vezes. Mas não tem lugar mais belo em matéria de praia. Quero voltar lá em breve para fotografar com o jeito Fabrízio Fasano de ver.

O que você espera pro futuro? Quais os projetos para 2011? Espero continuar fotografando, e já tenho vários projetos em andamento. Um sobre Ovos, ainda em fase de execução e um sobre carros estrelas de cinema. Esta exposição se chamará “Movie Stars” e duas imagens já poderão foram vistas na SP-Arte/2011, que  aconteceu entre 12 e 15 de maio, no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, no Stand da Mônica Figueiras Galeria de Arte, onde está hoje a exposição “Observador”.


Texto: André Porto e Nadezhda Bezerra
Fotos: Fabrízio Fasano Jr, Divulgação (fotos com família)
Foto de capa: Angelo Pastorello
Agradecimentos: Patrícia Alves e Angelo Pastorello
Agradecimento especial a Fabrizio Fasano Jr.


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Aproveitamos nos intervalos do ensaio fotográfico exclusivo da MENSCH, para conversar um pouco com o modelo Rodrigo Galvani e conhecer um pouco mais sobre ele e sua trajetória como modelo. Um bate papo que rendeu boas histórias.
Rodrigo, como foi seu início de carreira? Que dificuldades encontrou? Quando tinha 15 anos de idade, estava em um shopping no Brasil, com minha mãe e fomos parados por um “olheiro” de uma agência e me fez o convite, mas na época sinceramente não acreditava muito neste mercado (risos). Depois disto tive outros projetos no mercado de comércio exterior, e praticamente esqueci a moda. Mas como diz o velho ditado: (se seu destino já está traçado, basta querer acreditar e lutar por ele). Aos 25 anos fui para Miami (Florida) atuar no segmento do mercado financeiro, e certo dia fui ao “Bal Harbour Shops", e quem estava lá? (risos) Novamente um “olheiro”, mas desta vez de uma agência Ford Europe. Recebi um novo convite para a moda... Ai pensei, comigo mesmo... “agora tenho que ir” (risos), e ai tudo começou... Deixei em segundo plano o mercado financeiro, e me dediquei ao mercado de moda. Sobre dificuldades, me considero um privilegiado, confesso que não tive muitas dificuldades, Deus foi muito camarada comigo (risos), abrindo portas e mais portas.
Quanto tempo você morou fora? Foi difícil a adaptação? Morei fora do Brasil por sete anos, ou seja, entre Miami, NY e Milão.  A dificuldade de adaptação foi maior nos USA, já em Milão não muito, por que venho de uma família Italiana, e me adaptei muito fácil lá, principalmente no quesito alimentação. Mas confesso que a noite nova-iorquina é show.  Ainda com toda vivência lá fora, nada como o nosso Brasil (risos). 
Qual o limite da vaidade para o homem? Existe? O que você já fez pela vaidade? Acho que tudo na vida tem seu limite, seja vaidade, seja ciúme, seja no amor... Tudo que é demais não é bacana.  Temos que ter a dosagem certa para não nos tornarmos escravos desta vaidade. Eu me considero um homem vaidoso, que se cuida da melhor forma possível, mas sempre dentro de um limite.
Cuido da minha pele, faço academia. Não existe mais aquele mito que cuidar da pele, usar um creme para o rosto ou um protetor solar, “são coisas de mulher”. Isto para mim nunca existiu. Infelizmente existe um pouco de preconceito sobre este assunto, mas estamos evoluindo. 
O trabalho como modelo te fez ficar mais ligado em moda e tendências ou é algo que você se liga apenas quando está trabalhando? Muito mais ligado, eu sempre gostei de me vestir bem, porem quando entrei no mercado da moda, com certeza fiquei muito mais antenado às tendências, alias sempre achei  que a moda é você quem faz, resta você ter o equilíbrio e o bom senso!  
Que conselho você dar a seus amigos, e aos leitores, em relação ao visual e forma de vestir? Preste sempre atenção ao local que você esta indo. O tipo de vestimenta adequada para o local, ficar sempre ligado em sites, e dicas de grandes estilistas que temos neste Brasil maravilhoso!
Pra você qual maior pecado que um homem não pode cometer em matéria de estilo e moda? A moda é você mesmo quem faz, pelo menos é este meu pensamento. Estar na moda e não ter estilo não combina! O homem não pode cometer o “pecado” de não ter estilo, um homem elegante não é aquele que apenas está na  moda, e sim e aquele que tem estilo e se comporta como um cavalheiro sempre! Acho que o homem que tem estas características nunca irá cometer “pecados” em matéria de moda e estilo!
E na hora da paquera, o que você repara mais na mulher? Qual seu estilo? Eu sou um eterno apaixonado (risos), apesar de estar ligado diretamente a moda, nem sempre reparo 100% neste quesito em uma mulher. Mas sim na elegância, no comportamento, na forma de agir, acho que mulher é mulher. E tenho uma frase comigo, que sempre digo “Todas as mulheres são um diamante bruto, resta você lapidá-la com carinho, amor e respeito”.
O que faz para relaxar? Possui algum hobby? Sim tenho alguns, quando me sobra tempo, pratico Pólo Eqüestre, gosto também de jogar Golf, e gosto de pilotar aeronave. No decorrer da minha carreira acabei me apaixonando por Aeronaves e acabei virando piloto, uma coisa que me relaxa muito e subir no meu carro, e pegar estrada ouvir uma boa música. Isto me deixa em Paz, me faz pensar na vida. 
Que qualidades um homem deve cultivar? Caráter, educação, respeito às mulheres, e o mais importante de tudo, que sem isto você não chega a lugar algum, HUMILDADE. Sou um pouco das antigas ainda, sou daquele homem que abre a porta para uma mulher entrar, liga para dar um bom dia, uma boa noite, acho que hoje os homens perderam um pouco deste modo de tratar uma mulher. Sem generalizar! (risos) 
O que é mais difícil de lidar numa mulher e o que é apaixonante? O que e mais difícil de lidar em uma mulher (risos), acho que pela minha profissão, é  o ciúmes.  No mais como  disse anteriormente, sou um homem apaixonado pelas mulheres de um modo geral, especialmente as elegantes e femininas. 
Como funciona seu contato com este público feminino e pessoas que acompanham sua carreira? Pelo Facebook: Rodrigo Galvani, pelo Twitter:  @rodrigogalvani e a minha assessora que cuida da minha carreira e da minha agenda, Márcia Dornelles - MD PRODUÇÕES
Contatos: (21) 7831-5598 / 9984-6020
Site www.rodrigogalvani.com.br  (sempre atualizamos informações do meus trabalhos.)
Foi um prazer falar com a MENSCH!  Beijos e Abraços.


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A simpatia e bom humor de Mouhamed Harfouch fazem dele um cara querido por todos e premiado por seus trabalhos que transmitem justamente o espírito do cara gente boa que é. Um carioca de origem síria que tem uma enorme satisfação e realização pessoal pelo seu ofício que é a atuação. Seja no teatro ou na TV, Mouhamed tem um jeito natural e descontraído de interpretar personagens carismáticos. Seja um personagem infantil ou um caricato, como o que interpreta agora, o Farid, Tufik e Said, na novela da Globo das 18hs, "Cordel Encantado", todos são admirados e conquistam o público e a crítica. Conheça um pouco mais desse carioca de nome diferente e talento sem igual.

01 – Mouhamed Harfouch, com um nome desses já sofreu alguma saia justa em viagens internacionais?! Não. Nunca!  Mas quando quis ir para a Disney, minha namorada e sua mãe tiveram visto de 10 anos e eu de seis meses... achei curioso. Mas isso foi antes do 11 de setembro, agora acho que serão seis dias. Brincadeiras a parte, sempre fui bem tratado em viagens internacionais. Não tenho do que reclamar.
02 – Você é brasileiro de origem síria, como vê os conflitos no Oriente Médio? Nenhuma espécie de radicalização ou intolerância pode resolver qualquer conflito seja aqui ou lá. Sou a favor sempre da liberdade de expressão e da democracia. Estamos vivendo um momento especial onde os regimes autoritários terão que aprender a repensar o dialogo com seus povos ou enfrentarão cada vês mais dificuldades.

03 – Com uma bela história no teatro, ir para a TV é uma ordem natural ou era um objetivo? Não sei... acho que é uma ordem natural para o ator abrir portas com seu trabalho. Acredito no teatro como a melhor vitrine para mostrar possibilidades e potenciais. Nunca gostei de colocar DVD em baixo dos braços e correr atrás de portas na televisão. Embora, reconheça que, às vezes, seja preciso. Mas hoje, vejo a TV com produtores muito interessados em descobrir novos profissionais e o teatro é uma grande janela! E claro, que a TV potencializa o seu trabalho de uma maneira impressionante! Te dá um alcance de comunicação incrível! É muito prazeroso quando podemos conciliar ambos. 

04 – Você já recebeu prêmios no Teatro, está em busca disso na TV ou eles são apenas conseqüência de um trabalho bem feito? Na verdade, recebi um prêmio só. De melhor ator num festival internacional de teatro. Mas fazia parte da Cia. Pop de Teatro Clássico, onde tivemos vários trabalhos premiados. Bom, acho que não devemos trabalhar buscando prêmios. Isso é uma conseqüência realmente. É claro que é muito prazeroso ter seu trabalho reconhecido. Mas já vi muitos grandes trabalhos que não foram premiados e que até hoje me inspiram. Isso é tudo muito relativo. Acredito no crescimento do aprendizado diário. Se no caminho for premiado, melhor ainda!   

05 – Clara Machado foi um das grandes autoras de livros e peças infantis e deu nome ao prêmio que você conquistou. Como você lida com crianças? Na verdade fiz uma peça chamada "A menina que perdeu o gato enquanto dançava o frevo na terça-feira de carnaval" que ganhou o prêmio Maria Clara Machado na categoria preparação corporal. Era um espetáculo dificílimo porque a gente fazia da cintura para cima, um boneco mamulengo e da cintura pra baixo a gente dançava frevo. Isso ao mesmo tempo! Um negócio de doido! Amo criança e acho que o teatro infantil é o melhor caminho para formar novas platéias. Faço parte do CBTIJ,  (Centro Brasileiro de teatro para a infância e juventude) que há anos vem realizando um trabalho muito sério na valorização do teatro infantil. A nossa grande mestra Maria Clara Machado sabia dessa importância e o seu legado é a maior prova disso! Um dos meus primeiros trabalhos na TV, foi como o Romeu no programa "Teca na TV", do canal Futura. Fiz durante duas temporadas e amei trabalhar pra elas e com elas! Criança é instinto, intuição, curiosidade e verdade! Eu nunca paro de alimentar a minha criança interior, isso é fundamental no meu processo criativo. 


06 – Carioca, você está estrelando uma novela ambientada no Nordeste, cujo título tem a ver com uma das expressões da cultura nordestina que é o Cordel. O que você conhece desse tipo de literatura? Em 2001, fiz o espetáculo "Auto do Novilho Furtado" de Ariano Suassuna. Durante a minha preparação entrei em contato com a literatura de Cordel, seus poemas, versos e xilogravuras. O que sempre me encantou é a forma artesanal, rústica e poética com que os cordelistas espalham sua cultura através dessa arte. Agora em “Cordel Encantado" estou tendo a oportunidade de revisitar esse Nordeste tão rico que sempre foi celeiro de grandes artistas!  

07 – Você e Emanuelle Araújo são muito amigos. Como é contracenar com ela em “Cordel Encantado”? Eu e Emanuelle estreamos juntos em novelas. Foi em "Pé na Jaca" de Carlos Lombardi em 2006.  E curiosidade: Essa é a minha terceira novela e a terceira novela em que trabalhamos juntos! Ou seja, só fiz novela junto com a Manu, o que me dá uma imensa satisfação! Ela é uma atriz maravilhosa, intensa, criativa, que gosta do processo de construção de personagens. Nos falamos sempre, trocamos muitas idéias sobre nossos papéis, sobre a novela, enfim, sobre tudo! Está sendo muito especial estarmos juntos neste trabalho tão lindo que é "Cordel Encantado"!
08 – Pelo jeito seu personagem em “Cordel Encantado” é um mulherengo bem engraçado. Farid tem algo de você? O Farid é um personagem maravilhoso, um presente para qualquer ator! Um artista que faz de tudo para manter suas três mulheres!  Ele ama intensamente essas mulheres e não pode viver sem elas, daí vem sua comicidade que aumenta na proporção em que o cerco vai se fechando e o perigo de ser pego fica iminente. Ele usa três nomes diferentes, um pra cada mulher: Farid, Tufik e Said! É um cara simpático, do bem, elegante e bom de papo! Se o Farid tem algo comigo? Sim, mas não na poligamia! (Risos) Bom, sou descendente de sírio, portanto, fazer o Farid me faz mergulhar na minha origem e isso é muito bacana! Além disso, essa personagem tem uma alegria de viver que eu também tenho. 

09 – A comédia sempre foi sua área preferida? Onde se sente mais à vontade, na comédia ou no drama? Fiz muito mais comédia do que drama. E isso por si só já me deixa numa posição mais confortável fazendo comédias. Mas acho que a região do conforto para o ator é sempre muito perigosa. O desconforto nos traz crescimento. Por isso quero exercitar o drama, para não atrofiar. Mas, sem obsessão, sem crise. Nada do tipo, agora quero ser conhecido como um ator dramático, sabe? Na minha carreira, fiz personagens que eram sérios e não se inclinavam nem para um lado, nem para o outro. Como era o caso do Almeidinha em "Cama de Gato", onde pude conhecer a Thelma e a Duca! Foi fazendo esse papel que fui convidado por elas para fazer Cordel. Olha, mas adoro fazer comédia. Sou do tipo que acredita que a menor distância entre duas pessoas é uma boa risada! 
10 – Qual a parte mais gratificante de ser ator e qual a pior parte? Qual o ônus e o bônus da profissão? A parte mais gratificante, sem dúvida, é o poder de dialogar com as pessoas. Saber que o seu trabalho toca alguém em algum ponto. Seja até mesmo incomodando. Ajudando no processo de transformação, amadurecimento ou no simples entretenimento. Isso é muito valioso, e o carinho que a gente recebe seja na rua, ou na saída do teatro é um belo exemplo disso. Acho que esse é o maior bônus dessa profissão sem dúvida. O ônus pode ser encontrado na dificuldade de ser artista e levar esse projeto adiante. Vi muitos grandes colegas ficando pelo caminho por falta de oportunidade. O mercado ainda é pequeno pra tanta gente talentosa que esse Brasil produz! Mas está melhorando... 

11 - Você usa de técnicas artísticas na hora da conquista ou somente o charme natural? Segundo Augusto Boal, usamos a arte até fazendo sinal para um ônibus parar. Logo, não poderia deixar de lado a arte na hora da conquista. Mas, acho que a uso de forma inconsciente e isso poderia ser considerado um charme natural, né? (risos) 

12 - Como você cuida do corpo e da mente? Procuro me exercitar diariamente. Faço academia e adoro umas boas partidas de futevôlei nos finais de semana. Pra mente, boas leituras sempre são grandes soluções. Mas confesso que tenho andado disposto a entrar numa aula de meditação ou Yoga. Acho que o segredo tá em equilibrar a mente cada vez mais.


13 - Você acha que hoje em dia tem se dado muito valor ao sucesso profissional para definir quem somos realmente? Acho que sempre houve um pouco disso. É claro que se pensarmos que a maior parte das nossas vidas passamos no trabalho, uma realização profissional tem um peso muito grande. Mas isso é muito subjetivo. Pois realização não necessariamente está ligada a palavra sucesso. Pelo menos não esse "sucesso" idealizado pela grande maioria. O que é o sucesso pra um pode não representar o mesmo para outro.  Na minha profissão isso se dá de uma forma engraçada. Se o ator não faz televisão muitos acham que ele é desempregado. Por várias vezes quando me perguntavam qual era a minha profissão e eu respondia ator, muitas vezes ouvia: Como se nunca te vi em novela? É engraçado isso não é? Acredito que o sucesso profissional chega mais rápido quando sabemos quem somos e o que queremos para as nossas vidas.

14 - Na sua opinião, qual o principal defeito das mulheres? E dos homens em relação às mulheres? Se importar com os detalhes! E o maior defeito dos homens é não acreditar que os detalhes fazem a maior diferença!

15 - Qual seu momento "válvula de escape", que você precisa ter para relaxar e ter que enfrentar mais um dia de trabalho e rotina? Me divertir! Seja namorando, seja na companhia de amigos, seja lendo um bom livro, fazendo uma viagem, vendo um bom filme ou jogando uma boa partida de futevôlei. Algo que me faça desprender dos problemas para depois encará-los com mais frescor. 

16 - O que faz ou já fez você meter o “Pé na Jaca”?  Quem me fez meter o “Pé na Jaca” foi o produtor Luciano Rabelo, que me indicou para fazer a novela do Carlos Lombardi que tinha esse mesmo nome! (risos) A ele devo muito!



Entrevista: André Porto e Nadezhda Bezerra
Fotos: Rodrigo Lopes
Agradecimento: Bia Serra - Montenegro & Raman
Agradecimento especial a Mouhamed Harfouch

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O desejo de mudar somado a uma boa história pra contar, taí uma junção que pode render um belo sucesso de público. Foi o que aconteceu quando o diretor de comerciais publicitários Marcus Baldini resolveu que era hora de realizar um desejo antigo, ser diretor de cinema. Claro que não bastava só isso, é preciso talento pra contar uma história e forma corajosa e fiel sem ultrapassar os limites do bom gosto. E a polêmica Bruna Surfistinha terminou parando nas telas de cinema e sendo elevado a filme mais visto do ano até agora. O talento de Marcus ainda cativou a atriz Deborah Secco que sem pudores se despiu de rótulos e encarou juntamente nesse projeto de sucesso. Começando com o pé direito, Marcus tem garra e talento pra muito mais. O mundo da propaganda pode até perder um grande diretor de comerciais de sucesso, mas o cinema nacional com certeza ganhará um grande diretor de filmes capaz de arrastar multidões com ótimas histórias pra contar. Assim como essa entrevista.

Quando decidiu prestar vestibular pra Rádio e TV na ECA, o seu objetivo já era chegar ao cinema? Na verdade eu sempre quis fazer cinema. E na época achava o cinema nacional muito fraco, queria fazer algo. E o curso de Rádio e TV seria o caminho mais fácil para chegar até isso. Inclusive no ano em que cursei, foi numa turma que começou a juntar os cursos de cinema com rádio. E foi perfeito.
O que é mais difícil em um filme: conseguir um bom elenco ou uma boa verba? O mais difícil é ter certeza do seu projeto, é ter certeza em relação a seu filme. Ter um projeto legal. No meu caso foi difícil por que todo mundo tem um certo preconceito a figura da “garota de programa”, e isso cria uma rejeição muito grande. Isso dificultou para captação de verba. Os atores não, eles vieram de acordo com a construção do filme. Foi mais fácil, foi decorrente do processo.
Que significado tem pra você a célebre frase de Glauber Rocha: “Uma câmera na mão e uma idéia na cabeça”? Essa frase é símbolo de uma geração, vem de uma liberdade estética mais autoral. Mais livre em função da arte, tipo colocar a câmera com leveza, como se fosse uma caneta. Passa uma forma mais lírica, passar uma idéia de fábula, e não uma linguagem documental.
O mercado publicitário atual está mais interessado a fazer campanhas que ganhem prêmios ou que vendam produtos? É difícil ter os dois? O que acontece hoje é que as mídias estão muito divididas. Tenho visto muita coisa legal na web, coisas muito mais legais para a internet que tem um descompromisso maior. Bem, a Nextel é um bom exemplo disso. Recentemente fiz um comercial para eles com Neymar e o pai. É mais divertido e interessante. Mas não sei avaliar o retorno. Isso é mais com o departamento de marketing. Mas um bom comercial tem que vender o produto. Agora conseguir vender o produto de forma inteligente, que mexa com as pessoas, é outra coisa. (risos)
Trabalha na MTV é tão legal e descontraído como parece? O meu trabalho na MTV foi muito feliz, num momento em que a MTV era mais descompromissada com audiência e mais focada em clipes. Era mais vanguardista. Um momento interessante. O meu trabalho era de fazer as chamadas, não participava dos programas, mas fiz muitos amigos lá. Foi o meu primeiro contato com o audiovisual que tive. Mas era legal por que me vi ali tendo acesso ao arquivo da fitoteca da MTV, e quando tinha uma folga, corria pra lá. Imagina eu ali com acesso a todos os vídeo clipes na época....
Programa de TV, publicidade, cinema... O que mais tem a ver com você? Eu acho que a linguagem que mais fala comigo é o cinema. Hoje ta difícil separar, a dramaturgia faz mais parte da publicidade. É essa linguagem que curto. Tanto que algum tempo atrás fiz a série “Natali” e mais recentemente a série “Pré-Amar” da HBO. Tenho vontade de trabalhar com dramaturgia, fazer cinema, séries de TV...
Quais campanhas te marcaram pessoal e profissionalmente? Aquelas que você tem orgulho de ter participado? Uma campanha da Kazin que fizemos, com um velhinho que pilotava uma moto... E eu ficava imaginando onde colocar o velhinho, ele empinando a moto... Na época inclusive ele deu entrevista para programas de esportes radicais. Muito bom. Outro filme que curto, foi da Grandene, com participação de atores e artistas... Teve também um cromo da HBO para a série “Aline”, que mais... uma campanha de bombom Garoto, Surreal...
Você acha que o cinema hoje está influenciando muito a forma de se fazer publicidade ou a publicidade que está influenciando o cinema? As duas coisas têm referências mútuas. Agora mesmo que voltei a trabalhar com propaganda, é um trabalho que envolve atores, direção de atores, referências de cinema.
Por que fazer um filme sobre Bruna Surfistinha? Então, eu estava no momento da minha inquietude, me sentindo limitado. Desde que comecei a fazer propaganda eu queria fazer cinema. A publicidade foi a porta de entrada. Não sou do tipo de diretor que senta e sai escrevendo um roteiro. E eu precisava de uma história pra contar. E Bruna surgiu nesse momento (2006). Li o livro e me interessei pela história. Eu achei que a personagem era muito interessante. Tinha uma ausência de culpa e um certo veneno nessa garota.
Pode-se dizer que Bruna Surfistinha é um divisor de águas na sua carreira? Ah foi! Do ponto de vista cinematográfico, não foi para mim só um lançamento de um filme, foi um debut no cinema. Um encontro comigo mesmo. Uma constatação do meu trabalho.
Foi muito difícil convencer Deborah Secco a se expor daquele jeito tão natural e provocante? Que argumentos você usou? A Deborah nunca foi um problema. Ela achou interessante a forma de contar a história dessa garota. Ela teve muita sintonia desde o começo. A Deborah realmente se dedicou, mergulhou na personagem. Até pelo histórico dela de personagens provocantes. Ela queria se desatrelar das outras personagens. Colocou-se de outra forma. Ela tinha uma vontade de fazer e não se preocupar em exibi-la de forma sensual. Não precisei pedir nada. Fizemos o filme sem limitações, depois fomos editando. As cenas de sexo são para contar a história. Já era um lado muito forte da personagem, não precisava mostrar além. Eu queria contar a história.
O filme já chegou à marca dos dois milhões de expectadores em todo o Brasil. Você esperava por isso? Eu sabia que existia um interesse muito grande para ver o filme por parte do público. E a gente já sabia do interesse da mídia. Mas eu tinha uma grande dúvida se seria bem recebido. Tenho satisfação pelo filme. Não tinha medida. Só esperava que as pessoas gostassem dele.
A que se deve esse sucesso todo? Qual é o doce veneno do escorpião? Eu acho que à história. As pessoas já tinham uma idéia pré-concebida. Ninguém vai ao cinema sem ser ter ouvido falar nele, de quem é a Bruna, de quem é Deborah Secco... A surpresa positiva que as pessoas tem, é um lado positivo da história é que as pessoas se deparam com o drama, a reflexão que o filme traz. Aí está o sucesso. E por que também todo mundo vê como foi feito com muita verdade, sinceridade por parte de toda a equipe.
Por que correr é fonte de inspiração pra você? Correr é meu yoga, meu mantra. Você vai correndo e extravasando tudo, sua cabeça vai se esvaziando. É uma forma de me comunicar com o presente. Quando estou com a cabeça muito cheia, muito tenso, corro pra desatar os nós, ter idéias...
E o que te inspira daqui por diante? Eu tenho um projeto novo, o “Sonho Verde”. Que é a história de um playboy da zona sul de São Paulo que sai de férias e cai num garimpo de esmeraldas. Lá ele tem que se virar para sobreviver naquele ambiente. É o primeiro projeto que eu estou escrevendo (o argumento), por que a história vem depois, o roteiro.
Se cinema e publicidade é seu trabalho, o que seria seu hobby? O que curte fazer pra relaxar? Pois é complicado por que na minha profissão tudo está interligado de alguma forma. Quando chego em casa não consigo olhar a TV. Então pra relaxar eu curto a corrida... Cozinhar e ler. São as três maneiras que relaxo, quando não estou curtindo com minha filha.

Por: André Porto e Nadezhda Bezerra
Fotos: Divulgação
Agradecimentos: Daniela Bassit e Caroline Medeiros (
www.pontotres.com.br )
Agradecimento especial a Marcus Baldini


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Com um sobrenome que já vem marcando o cenário gastronômico por três gerações, o chef francês Claude Troisgros traz em sua bagagem muitas histórias e experiências de vida. Ingredientes que fazem dessa receita, que é a trajetória de Claude Troisgros, uma receita de sucesso que já passou por diversas cidades, como Nova York, Milão, Paris, Londres e já há algum tempo, São Paulo e Rio de Janeiro. Pois Claude é mais um aventureiro, digamos assim, que veio desbravar terras brasileiras pelas mãos do amigo Gaston Lenotre, que há 30 anos, e terminou se apaixonando pelo que encontrou. Da vasta gastronomia brasileira ao povo que o acolheu e se rendeu a seus temperos e misturas. Formado pela Escola de Hotelaria Thonon Les Bains, Claude Troisgros chegou abriu vários restaurantes e tornou-se consultor de tantos outros. Da "Nouvelle cuisine" e seus programas no canal GNT, conversamos com para entender um pouco mais da sua trajetória e sua paixão pela culinária.

O que o seu avô Jean-Baptiste, quis dizer com a frase "a capacidade de harmonizar os tesouros da terra"?  E saber usar e valorizar os produtos que a nossa terra nos oferece.

Quem ensinamentos você trás até hoje que vieram de seu avô e seu pai?  O respeito ao produto e a simplicidade na cozinha assim como na vida.

Como foi a decisão de vir para o Brasil trabalhar no Le Pré Catalan?
Um certo dia eu estava trabalhando na cozinha do restaurante da família na França e um chef (Gaston Lenotre) amigo de meu pai chegou e perguntou quem queria ir com ele para trabalhar no Brasil. Nessa época ele ia inaugurar o Le Pre Catelan no Rio. Fui o primeiro a levantar a mão. Meu contrato era de dois anos, mas nunca mais voltei.

Você conquistou sua esposa pelo estômago?  A conquista de uma mulher será sempre pelo amor, mas reconheço que cozinhar bem ajuda.


Apresentar um programa de TV foi um grande desafio ou é mais fácil do que acertar o gosto do cliente?  Nada é fácil. A conquista não é pelo gosto, mas pelo carisma que você passa ao telespectador... Pelo sentimento de troca também. O desafio é grande das duas maneiras.

No programa "Que Marravilha" do GNT você ensina as pessoas a cozinhar, mas o que você aprende com elas?  Acho que aprendo mais do que ensino. Entrar na casa e na vida das pessoas é uma grande escola de vida. Na cozinha, sempre aparece alguma técnica mais caseira que de alguma forma vai me ajudar muito a ser, mais simples na minha maneira de cozinhar.

Como o Brasil é muito diversificado de cultura graças à sua colonização, e por conseqüência culinária, que iguarias mais inusitadas você só conheceu aqui?  Continuo descobrindo muita coisa. O Brasil é rico em produtos. Agora o muçuã (tartaruga pequena) de Belém do Para, é iguaria brasileira de tirar o fôlego.


Conhece a culinária brasileira fora do eixo RJ-SP? Por exemplo, a comida no Nordeste, que mistura frutos do mar, frutas e raízes.  Conheço bem a culinária de todo Brasil, viajo muito e sempre quero conhecer mercados, restaurantes e especialidades de cada região. Na Bahia comi moqueca com camarão pescado no rio, colocado na panela ainda vivo, com cacau tirado do pé na hora. Incrível.   

Qual o segredo pra essa mistura culinária entre França e Brasil dá tão certo?  A técnica Francesa é que dá base a culinária em geral e os produtos exóticos Brasileiros dão um tom de novos sabores... Dá certo??? Sim, com competência e sabedoria...

Em se tratando de Brasil, o que é uma “marravilha” para você?
Essa diversidade de cultura e tradição que faz o povo Brasileiro tão feliz.


Qual o seu prato e sua sobremesa favoritos? Por quê? Jabá com jerimum, por que sabe casar com elegância o doce e o salgado. Bala de cupuaçu com chocolate é outro exemplo de casamento perfeito.

O sobrenome Troisgros vem associado à cozinha de alto gabarito a três gerações sempre inovando. Criar pratos inusitados tinha também um gostinho revolucionário para sua família? Existia também uma vontade de mudar costumes?  Não, existe vontade de criar sem interferir na tradição, existe essa vontade de ir para frente, de evoluir, de descobrir, de fazer a nossa profissão uma profissão de arte.

A revolução que a Nouvelle cuisine causou na época ainda existe de alguma forma? A cozinha francesa continua se reinventando hoje em dia? Tudo começou com a Nouvelle cuisine e ela abriu o caminho para as outras... O próprio Ferran Adria fala isso... A França sempre se reinventa e temos hoje em dia jovens chefs de competência que impulsionam a culinária francesa, voltando a uma cozinha de bistrô, mas usando a técnicas modernas...

Por que a Nouvelle cuisine até hoje é motivo de polêmica? Não acho que ela seja polemica... Ela só foi criticada nos anos 1980 por que como toda moda teve exagero (grandes pratos, pequenas porções, preços altos e principalmente chefs sem bases), mas o melhor da Nouvelle cuisine ficou e abriu caminho para outros estilos de cozinha como a Fusion e a molecular.

Qual o melhor prêmio que um Chef pode ganhar? O reconhecimento dos clientes e muitos anos de sucesso.

Uma ajudinha para os leitores da MENSCH... Qual a receita infalível para impressionar uma mulher na cozinha? Rosas, vela, Champagne, e muito Amor de acompanhamento... Agora para a minha mulher, um ovo mexido com caviar, a tira do sério.


Texto: André Porto e Nadezhda Bezerra
Fotos: Kiko Ferrite, GNT, Divulgação
Agradecimentos: Denise Barros (Db Plus – Assessoria de Imprensa)
Agradecimento especial ao Chef Claude Troisgros
Site do programa: http://gnt.globo.com/quemarravilha/


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Largar uma carreira tão tradicional do universo masculino como a engenharia pela culinária pode ser algo de encarar, mas não foi o caso do chef André Falcão, que transitou de uma para outra sem dilemas ou críticas. O pernambucano André Falcão, que sempre foi um admirador da culinária de bom gosto, começou sua jornada estudando na Pensilvânia, depois se aperfeiçoou por São Paulo até voltar {as suas origens e ser reconhecido com uma revelação pelo júri do Guia da Veja com uma das promessas da culinária local. Com simplicidade e simpatia, André foi aos poucos conquistando o gosto, e o paladar, de júris, empresários e público em geral. Hoje, dono do seu próprio restaurante (o La Pasta Galleria) se dedica a aperfeiçoar essa paixão e mostrar que ele estava certíssimo quando trocou a engenharia pela cozinha. Afinal, o mercado perdeu mais um engenheiro para ganha um grande chef.

André, como foi essa decisão de largar a Engenharia Civil e se dedicar à culinária? Essa atitude repercutiu como perante família e amigos?
Posso dizer que a decisão até foi fácil naquele momento, pois eu já gostava muito de ficar em frente ao fogão, e saber que poderia me dedicar exclusivamente a isso foi muito bom. Na verdade minha mãe foi a primeira pessoa a saber da minha escolha, e ela achou muito legal pois Recife estava passando por uma fase de descoberta da gastronomia e dos seus profissionais.

Que influências e experiências a sua passagem pela Pensilvânia (EUA), Escola de Harrysburg e a especialização em Chef de Cozinha Internacional em São Paulo te trouxeram?
Nos Estados Unidos além é claro da experiência técnica que recebi na escola, pelos restaurantes que passei aprendi o que eu acho de extrema importância, pude aprender a dar valor às menores coisas que acontecem dentro de uma cozinha, ou seja, desde lavar os pratos, o chão, tirar o lixo e a valorizar todos aqueles que estão ali para fazer daquele momento um momento único. Já em São Paulo, pude aperfeiçoar meus conhecimentos de forma mais aprofundada, dando mais ênfase na cozinha Italiana e é claro melhorando o que eu achava meus pontos mais fracos.

Em pouco tempo, mais precisamente em 2008, você foi eleito o Chef Revelação do Ano pelo júri do Guia da Veja Recife. Foi uma surpresa para você? O que isso representou?
Não só para mim, mas para muita gente, pois o Prêmio nunca havia acontecido antes em Recife e naquele momento foi um sonho realizado que jamais esquecerei.
É claro que quando você ganha qualquer prêmio, inclusive a Veja, você passa a ser mais valorizado como profissional e a ter mais notoriedade.

No início da carreira como chef foi difícil provar que você não era só um cara boa pinta "brincando" de chef? É claro que isso aconteceu e que para mim foi muito importante poder mostrar que antes de qualquer coisa tenho qualidades e que poderia ser um grande profissional dentro da minha área.

Você acha que as mulheres se interessam mais por um bom chef de cozinha do que por um engenheiro? Existe uma certa sedução pelo homem chef de cozinha? Não sei se isso acontece. Existe uma certa sedução quando o homem entra na cozinha e faz aquele jantar romântico com vinho independentemente se seja ou não chef de cozinha, mas é claro que quando você já entende do negócio então já é mais fácil.

O que você aprimorou como profissional da área depois que passou de cliente de restaurantes para chef de sua própria cozinha? Ficou mais crítico? Passei a conhecer melhor a área financeira e administrativa, é claro que ficamos um pouco mais críticos, mas isso é claro não me impede de continuar freqüentando lugares que sei que os métodos de trabalhos não são tão adequados.

Sua cozinha é basicamente italiana não é isso? Quando e como a cozinha italiana te conquistou? Por que a cozinha italiana? Minha Cozinha á basicamente italiana. Mesmo não possuindo antepassados italianos, eu sempre me identifiquei com a cultura e a gastronomia do país da bota, e quando comecei a trabalhar ainda nos Estados Unidos a maioria dos restaurantes eram Italianos.

Pra você o que é mais importante no preparo de um prato, os ingredientes, a receita ou a mão de quem vai preparar? O ingrediente com certeza é o fator mais importante, seguido é claro pela mão de quem faz e depois pela receita.

O público recifense tem um paladar próprio? Comparando com o público do Sul você percebe muitas diferenças? Nosso Brasil é muito grande, e com isso há uma diferença não só entre Nordeste e Sul, mas também entre Norte e Centro-Oeste.


Que influências você recebeu de outros chefs? Quem são seus ídolos na cozinha? Nós sempre estamos aprendendo algo, independente de nível de profissional que nos encontramos. Tenho vários ídolos, posso listar alguns: César Santos (PE), Alex Atala (SP), André Saburó (PE), Massimo Bottura (IT). 

O que é mais difícil, manter um restaurante ou agradar uma mulher?
Ambos são difíceis, mais a mulher é mais.

O que você gosta de comer? Onde você costuma ir para comer bem? Como de tudo, desde a galinha à cabidela do “Bar do Luna” no Ipsep, como a carne de Sol do “Oficina do Sabor” em Olinda.

E quando não está na cozinha, o que você faz para relaxar? O que te dar prazer fora cozinhar? Gosto de ir a praia, andar no calçadão. Uma boa massa ou então um risoto.

Que dicas você daria a nossos leitores que não tem muita prática na cozinha e gostariam de fazer um jantar bacana para impressionar uma garota num primeiro encontro? Procure um livro de receitas interessante, ou então entre em contato comigo pelo meu site que podemos ajudá-lo.

Qual a receita da Semana Santa?
Um bacalhau cozido em Molho de Tomate Pelado, com Legumes e alguns cogumelos.


Texto: André Porto
Fotos: Dante Barros, Andréa Rêgo Barros
Agradecimentos: Carol Prestello
Agradecimento especial a André Falcão
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Com uma trajetória de superação e vitórias, a vida do atleta Fernando Scherer podia muito bem figurar como um livro de auto-ajuda. Pois foi através de problemas de saúde que a natação chegou até ele e o transformou num homem que aprendeu a lidar com seus problemas e superar seus limites. Campeão olímpico consagrado, nem tudo foi fácil ao longo da sua carreira. Porém foi necessário para construir o grande homem que se tornou Fernando Scherer. Hoje, empresário, casado com a bela dançarina Sheila Mello, que conheceu em mais um desafio da sua vida, o reality show A Fazenda, Fernando procura passar para as pessoas em suas palestras exemplos de superação e palavras de incentivo. Incentivo esse que dedica ao patrocinar crianças de todo o Brasil pela a natação. Enfim, um campeão dentro e fora das competições, porém sem nunca desistir de sonhar e correr, ou melhor, nadar.

Você começou na natação aos 14 anos por conta de problemas respiratórios, mas se não fosse assim qual profissão você teria seguido, faz idéia?
Não faço idéia, pois foi à natação que me levou a tudo o que tenho hoje: a Hammerhead (empresa de material de natação), a Record como comentarista de natação, as palestras motivacionais (que são baseadas em minha experiência no esporte) e minha academia. Tudo veio através deste caminho... Não poderia ser outra coisa senão nadador.

Qual sua reação ao ouvir pela primeira vez seus amigos te chamando de Xuxa? Porque Xuxa?
Eu não gostei (risos)... Tinha apenas nove anos e foi por isso que o apelido pegou, porque eu não gostei. Tinha cabelos compridos e loiros até o ombro, coisa que hoje parece ser impossível, mas é verdade e era realidade na época! Mas pegou mesmo e eu tenho maior orgulho em ter este apelido, ainda mais depois de ter conhecido a minha madrinha em 1996. Nós chegamos a gravar um comercial lado a lado, foi muito bacana. Tanto Fernando como Xuxa fazem parte da minha pessoa.

Treinar nos EUA foi fundamental para sua carreira?
Não foi. Eu fui bi-campeão mundial e medalhista olímpico em Atlanta treinando em Florianópolis, com Carlos Camargo e no clube Doze de Agosto. Ir aos EUA foi uma opção boa na época (em 1998), por ter mais privacidade, mudar a rotina e assim buscar novas motivações e inspiração.  Foi muito útil e me trouxe resultados maravilhosos, como ser número 1 do mundo nos 50 e 100 m naquele ano (98), mas não foi fundamental. 

2000, um sonho que não aconteceu? 
Nossa! Foi de pesadelo ao maior dos sonhos! Torci o pé, rompi três ligamentos e pelos médicos estaria fora das Olimpíadas, pois tudo aconteceu apenas a quatro semanas dos Jogos. Mas consegui ir e me superar, apesar das dificuldades físicas e da dor. E acabei realizando o sonho de qualquer atleta: representar seu país numa Olimpíada e ganhar uma medalha, mesmo estando lesionado e manco. Em vez da frustração por não ter competido em nível normal, pela lesão, sei que fui muito abençoado por ter conseguido não só participar, mas me tornar medalhista. Sou sim muito agradecido a Deus por isso.

2003, a realização?
Vejo mais como o fim de um ciclo vitorioso, porque eu vinha de muitas lesões após 2000, por culpa dos ligamentos, e elas acabaram afetando meu rendimento. Foi um ano complicado, pois havia treinado pra uma prova, os 50m borboleta, e há menos de um mês do Pan cancelaram esta prova. Fiquei sem chão, chorei e fiquei muito preocupado com isso, pois não havia treinado só para os 50m, na qual eu levei o tri-campeonato Pan Americano. Não digo que foi o momento de realização mais importante, mas todas as vitórias, todos os momentos em que alcancei meus objetivos, chamo de momentos de realização.
 

Por que expor-se em um reality show, dinheiro? Fama? Curiosidade?
Graças a Deus fiz a escolha certa. Estava em um momento certo da minha vida em que buscava novos desafios e lá encontrei vários. O principal: como ser e buscar o melhor que há em mim, e mostrar o verdadeiro Fernando, que ninguém conhecia. O brincalhão, moleque, divertido, amigo e apaixonado pela vida. E agora apaixonado pela Sheila Mello Scherer.

Nós temos que arriscar na vida sem ter medo e foi isso que fiz. Temos sim é que ter medo de ter medo. Sou muito agradecido a Record que me acolheu, me proporcionou esta maravilhosa experiência e conhecer a minha esposa. E ainda ser contratado como comentarista da natação, para o próximo Pan e para as próximas Olimpíadas, competições que a Record vai ser emissora oficial e exclusiva para o Brasil. Vou fazer o que gosto e o que sei fazer de melhor, falar e viver a natação ao vivo e a cores. A “Fazenda” foi um grande prêmio na minha vida. Não fui em busca de dinheiro, fama e muito menos por curiosidade. Fui em busca de ser feliz e me achei.

Qual sua melhor definição sobre Sheila Mello? 
Minha esposa.

Foram as suas famosas braçadas que conquistaram Sheila?
Tenho certeza que não, porque dei muitas braçadas e quase morri na praia (risos). 

Você já fez fotos sensuais para a revista NOVA, é sempre convidado para desfiles de moda e está sempre bem vestido. Isso tudo é reflexo de um homem vaidoso? Como você lida com a vaidade?
Sou vaidoso, me irrito com as rugas e adoro me cuidar. Eu me sinto bem me arrumando e uso até mesmo maquiagem se for preciso pra corrigir alguma olheira, não tenho vergonha disso, pois vivo da minha imagem até hoje. Gosto de fazer aquilo que me faça feliz. A minha vida gira em torno de felicidade, quero ser feliz e fazer quem estiver ao meu redor se sentir da mesma forma.

Aos 21 anos você foi considerado o Esportista Brasileiro do Ano (1995). O que isso significou para você na época. Mexeu com sua vaidade ou te puxou mais cobrança?
Falando a verdade nada me passou pela cabeça. Claro que este tipo de premiação me deixa orgulhoso, melhor atleta do Brasil, mas todos os atletas têm seu mérito. O atleta busca performance, isso nos engrandece, gera cobrança. O título de melhor atleta só veio porque eu tive de vencer tudo naquele ano: além do Pan, ser campeão mundial. A cobrança vem aí, o resto é conseqüência. Em 1998 fui considerado o melhor nadador do mundo, tenho orgulho disso também, mas sempre mantive os pés no chão, porque a vaidade no esporte não pode ter lugar. Se você se deixar levar ou acreditar que é superior por estas premiações você já era. Sempre haverá alguém mais novo ou treinando tanto quanto você, por isso eu sempre procurei dar tudo de mim sabendo que amanhã é um novo dia.

Dentre outros prêmios você conquistou 7 medalhas de ouro em jogos Pan-Americanos e 2 medalhas de bronze em Olimpíadas. Você se sente um atleta realizado? 
Um ser humano realizado. Tenho uma filha formidável, uma esposa maravilhosa e sinto que sempre dou o melhor de mim em tudo que faço, podendo errar, mas buscando ser o mais correto e justo. Tento ser amigo, fiel e companheiro. A natação perto da família fica muito pequeno, mas certamente fui realizado como atleta, foi o esporte que me proporcionou tudo. Mas a família deu um significado que faltava no meu coração. Um filho vale mais que todas as medalhas de ouro que conquistei.

Todos sabem o quanto um atleta esportivo deve ter perseverança, dedicação e viver para o esporte por grande parte da trajetória. O que foi mais difícil de agüentar e que lições para a vida você tirou disso tudo?
Todos teremos momentos difíceis, dúvidas em relação ao nosso sonho, mas um homem sem sonho é como um céu sem estrelas. Precisamos sonhar e acreditar, persistir, lutar, trabalhar duro pra que nossos sonhos e objetivos aconteçam, nunca desistir deles. Minha palestra é exatamente sobre esse assunto... posso falar aqui por uma hora...sonhem e lutem por eles, continuo sonhando e batalhando.

Que conselho(s) você daria a quem está se dedicando a carreira esportiva? 
Nunca aceitem um não, acreditem em vocês, todos somos capazes. Eu fui, sou e vocês também são capazes de chegar lá.

Segurar a onda e não cair nos braços das mulheres antes dos treinos e competições também foi uma barra difícil de segurar? 
Não me lembro de nada disso... Houve outras mulheres??? (risos) Como sou casado hoje, não me lembro bem desta parte, mas caso tenha acontecido algo, nunca atrapalhou (risos).

Além de trabalhar na sua empresa de roupas e material para natação, você também participa de um projeto que patrocina crianças pelo Brasil. Como é esse trabalho?  
Queria fazer um trabalho para desenvolver o esporte e junto com a empresa, decidi patrocinar crianças de 10 a 16 anos, em todo o Brasil, entregando todo material de natação necessário para prática do esporte. Chegamos a 2000 crianças. Tento retribuir ao esporte um pouco do que ganhei com ele, ajudando há desenvolver um pouco o que me fez ser quem sou. Tudo o que sei, devo a natação. Sou muito grato ao esporte.


Quais serão seus próximos desafios de agora em diante? O que você almeja? 
São vários projetos, motivar as pessoas com as palestras e com a Record conseguir divulgar o esporte, no momento estou com um quadro no programa “Esporte Fantástico” com o quadro “Gigantes da Água” ao lado de César Cielo (ver vídeo abaixo). E fazer tudo isso de uma forma leve, alegre e verdadeira - como sou no meu dia a dia.



Texto: André Porto e Nadezhda Bezerra
Fotos: Divulgação
Agradecimento: Danielle Carvalho - D&D Assessoria de Comunicação
Agradecimento especial a Fernando Scherer ( http://www.fernandoscherer.com.br/ )


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A relação Brasil e Portugal sempre rendeu resultados positivos. Que o diga o ator Ricardo Pereira, nosso entrevistado da semana, que depois de idas e vindas fixou residência aqui no Rio de Janeiro e assumiu sua paixão pela nova terrinha. Porém Ricardo não abre mão de suas raízes, ao lado da sua amada Francisca, Ricardo é do tipo que vai pra cozinha fazer um tradicional bacalhau com natas e ouvir um bom fado, sem nunca perder notícias da terrinha. No Brasil se diz realizado e muito feliz. Orgulhoso dos carinhos dos fãs, Ricardo preserva a sua simplicidade e atenção diante do público, colegas de trabalho e toda a mídia. Afinal, segundo ele nos relatou, faz parte da sua profissão. Muito atencioso e falante Ricardo respondeu às nossas perguntas, inclusive com sotaque de um bom carioca que se tornou. A Ricardo o nosso agradecimento e parabéns por cultivar tão bons costumes e virtudes.

Português com coração brasileiro? O que te fascina no Brasil?
Ah o que não me fascina nesse país?! Acredito que a beleza, o povo, a alegria do povo brasileiro. Essa energia é contagiante. Eu adoro essa beleza e alegria do povo.

O que te fez conquistar o público brasileiro?
Não faço idéia. Eu sempre procuro me entregar em tudo que faço, e também o fato de ser disponível, viver, ser alegre. As pessoas enxergam verdade em mim, elas aceitam a minha verdade. A aceitação é muito grande, é muito carinho comigo. É algo que até me deixa surpreso. Mas tudo isso porque sempre sou verdadeiro e estou sempre disponível.
Você é bem versátil. Já apresentou programa em Portugal, cantou tema de novela, fez filme e até fez fotos sensuais para uma campanha em defesa da natureza. Algo mais em vista?
Cara, eu gosto de desafios. De me sentir realizado. Gosto de fazer coisas diferentes, que me dêem prazer em fazer, viver. Sou apaixonado por experimentar. Gosto do que faço tudo isso é minha vida. Quero poder realizar tudo que tenho vontade. Quero no futuro poder olhar para trás e me sentir realizado com tudo que fiz.

Ao fixar residência no Rio o que você trouxe dos costumes portugueses para se manter fiel às suas origens?
A gente sempre acaba trazendo né? E eu também gosto de manter contato com minha terra. Gosto de preparar um prato, tomar uma taça de vinho tinto todos os dias, ouvir um pouco de fado, de assistir o jornal de Portugal. Isso tudo me mantém conectado à minha terra.

A culinária portuguesa é rica e os doces são divinos. Você se arrisca na cozinha?
Sim! Me arrisco num bacalhau do Brás, bacalhau com natas. Eu adoro cozinhar. Aprendi muito com minha vózinha, minha mãezinha, que sempre foram muito boas na cozinha.
Pretende "perder" ainda mais o seu sotaque para fazer papéis de personagens brasileiros? Tenho que perder mais, mas isso porque o papel exige. Depende muito da característica do personagem. Posso adquirir de volta o sotaque. Acabo fazendo vários sotaques, falo inglês com sotaque britânico, ou falar inglês com sotaque americano, espanhol com sotaque português. O ator tem que ter versatilidade, o trabalho é que vai contar que tipo de sotaque devo ter. - Você está até com sotaque de carioca...! Pois é, pra você ver como é.

Você considera o seu respaldo na TV brasileira uma porta aberta para outros talentos do seu país?
Mas antes de mim já teve muita gente, muitos amigos meus já fizeram sucesso aqui no Brasil. Talvez a grande diferença seja que eu fiquei, fixei residência aqui e as pessoas se acostumaram comigo aqui. As pessoas me consideram até um brasileiro já. Acho essa troca cultural fundamental e deve ser cada vez mais preservada. É o que se ver no mundo cada vez mais, essa troca.
Fama, mídia e fãs. Como você lida com tudo isso? Ator trabalha com o público. Tem que entender que isso faz parte do nosso trabalho, estar preparado. Tiro fotos com fãs, atendo a imprensa sempre que solicitado, respondo a todos dentro do que pedem. Lido numa boa. Respeito o trabalho dos outros, assim como respeitam o meu.

O que a Francisca fez que te conquistou ao ponto de te levar para o altar? Que qualidades você admira numa mulher?
Uma mulher divertida, inteligente, sorridente e com espírito esportivo. E a Francisca é tudo isso. Eu sempre soube que queria casar, construir família, e o destino tratou de nossas vidas se cruzarem e estamos casados, felizes. Essa alegria da Francisca me conquistou e me faz feliz.

Alguns de seus romances antes da sua história com a Francisca,  renderiam um bom Fado?
Bem, não... Acho que o Fado são memórias, boas lembranças de vida. Memórias de relacionamentos, namoradas, amigos, parceiros. São responsáveis pela tua formação como pessoa. Memórias para aprender, ensinar, trocar...

Em Portugal você estrelou 14 produções televisivas e 12 filmes. No Brasil você está em sua quarta novela e assinou um contrato fixo na maior rede brasileira, a Rede Globo. Como você vê sua carreira ao longo desses mais de 10 anos? O contrato da Globo é o resultado de todo esse trabalho?
Estou indo pra 5ª novela, antes fiz uma na Record. Estou muito feliz, trabalhando com pessoas diferentes, tanto aqui como em Portugal. Pessoas que me ensinam muito e me ajudaram a ser quem sou como ator. Tive ótimas oportunidades de trabalhar no teatro, no cinema. Sinto muito orgulho. Sinto muito carinho por parte da Globo. E não tem como eu não me sentir feliz, a Rede Globo é a 4ª maior emissora do mundo. Espero que esse contrato seja o primeiro de muitos. Acredito que vim para o Brasil no momento certo.

Existe diferença entre fazer sucesso em Portugal e sucesso no Brasil? O que cada lugar acrescentou a você?
Em Portugal o sucesso é para 10 milhões de pessoas, é o meu povo, minha terra. Aqui no Brasil são 200 milhões de pessoas, pessoas que me acolheram, que acreditam no meu trabalho. São coisas totalmente diferentes. Aqui o valor da novela é algo cultural, as pessoas param pra ver, estão sempre disponíveis. Amo esse país, esse trabalho. O Brasil vive um momento muito positivo. E estou vivendo tudo isso.


Você também faz muitos trabalhos como modelo fotográfico, como você lida coma moda? Trabalhar como modelo te ajudou em algo neste sentido?
Comecei desde cedo, aos 14 anos, a trabalhar com moda. Com a moda tive oportunidade de viajar o mundo todo, conhecer vários lugares e pessoas interessantes. Ainda hoje trabalho como modelo, por ser uma pessoa conhecida, as pessoas terminam me chamando. Foi super importante para minha formação ter começado a trabalhar com moda.

Com essas mulheres moderninhas, que vão à caça, que são cada vez mais independentes... Fica difícil pro homem atual se situar nesse novo panorama?
Eu acho que as mulheres hoje estão mais independentes, tem seu papel mais definido na sociedade. Tanto quanto o homem, com os mesmos direitos. Eu apoio elas sempre, sou super a favor delas serem mais independentes. Por muitos anos os homens brincaram com as mulheres, agora chegou a vez delas brincarem com os homens.

Você acha que o sucesso profissional ou o caráter define o homem?
O sucesso profissional é o resultado do caráter de um homem. O caráter define quem somos, e reflete no nosso sucesso.


Texto: André Porto e Nadezhda Bezerra
Capa: Angelo Pastorello ( www.angelopastorello.com.br )
Fotos: Angelo Pastorello, Divulgação
Agradecimentos: Júlia Esteves – Twogether
Agradecimento especial a Ricardo Pereira


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Pela longa trajetória de trabalho de Cláudio Lins, ele teria no mínimo 10 anos a mais que seus 38 anos diante de tantos trabalhos em peças de teatro, novelas, musicais, trabalhos esporádicos como diretor e apresentador. Trabalho e dedicação são o combustível que faz de Cláudio um cara que vive se aprimorando em tudo que faz, seja atuando ou cantando, o seu talento somado a simplicidade de ser fazem dele um profissional exemplar. Se seu talento foi herdado da genética dos seus pais Lucinha e Ivan Lins, ou mesmo despertado ao longo do passar dos anos. O que sabemos ao certo é que a música e a atuação sempre estiveram presentes em sua vida. Com muita disponibilidade e atenção Cláudio nos recebeu para responder as nossas perguntas no intuito de sabermos, e até aprendermos, com esse grande homem e profissional que é um pouco mais sobre sua vida.

Vamos começar pelo início... Quando criança você estudou piano, participou de peças infantis, e já maior estudou teoria musical. A que você deve esse interesse pela música? Foi algo instintivo? Influência familiar?
Acho que a influência dos meus pais aconteceu naturalmente, como acontece por exemplo numa família de médicos. Desde muito pequeno eu gostava de sentar ao piano com meu pai. E uma das brincadeiras de infância era ligar um gravador K7 e ficar inventando música. Me lembro de uma em que eu citava todos os super-heróis que conhecia!

Atuar e cantar, isso vem da mistura do seu pai ser cantor e sua mãe atriz?
Talvez... Mas acho que essa puxada pra atuação aconteceu mais por influência do meu padrasto, Claudio Tovar. Foi ele que, junto com minha mãe, produziu a primeira peça em que eu participei, aos 11 anos: o musical "Sapatinho de Cristal". Era uma produção familiar: tinha uma música do meu pai, e meus irmãos também participavam.

Você faz a linha multimídia: fez peça, televisão, direção de teatro e de musical e ainda canta. Como consegue fazer tudo e tudo bem feito?
Bom, música e teatro eu pude estudar... o resto vem como desdobramentos. Mas não me considero efetivamente um diretor... Apenas posso dirigir eventualmente.

Quais dos seus personagens de TV tinham mais de você?
Pergunta difícil... O Bruno, de "História de amor", tocava piano como eu, mas era bonzinho demais! O Rodrigo, de "Perdidos de amor", já tinha uma personalidade bem parecida com a minha... mas era empresário no setor de siderurgia!!! Em "Chiquinha Gonzaga", a minha personagem tinha acabado de chegar de Portugal, e eu também! Já o francês Claude, de "Uma rosa com amor"... bom, o Claude não tinha nada a ver comigo!

Você atuou por várias emissoras diferentes. Considera isso uma experiência importante para a expertise do ator? É um bom exercício de liberdade profissional?
Sem dúvida a passagem por várias emissoras me fez conhecer as diferentes realidades na TV brasileira. E me fez aprender que não há nada mais importante que o profissionalismo. O julgamento do trabalho de ator tende a ser subjetivo: uns gostam, outros não. Mas o seu profissionalismo é algo sólido, palpável. Se você é um bom profissional, você é reconhecido por isso, e ninguém pode tirar isso de você.

Sua passagem pelo teatro é marcada pela diversidade de temas e diretores, da "Visita da Senhora Velha" (1993) à "Ópera do Malandro" (2003). O quando dessas experiências teatrais trouxeram para você como artista? Tem algo que veio diretamente do teatro e influenciou você?
É no palco que eu me sinto em casa. Tenho contato com ele desde muito novo. Mas acho que a diversidade de temas e estilos é normal na carreira do ator brasileiro. Além disso, eu próprio tenho um gosto diversificado: posso me emocionar tanto com o teatrão do Jorge Takla quanto com um texto do Nick Silver montado pelo Felipe Hirsh. Mas tem algo que o teatro - e só o teatro - me ensinou: não tenho medo do erro, pois o erro não existe!

Que atores e autores você mais admira e tem como exemplo?
Uau! Essa resposta poderia ocupar uma página inteira... Mas vou aproveitar pra falar da turma nova. No teatro, os autores Julia Spadacini, Rodrigo Nogueira, Jô Bilac. Na televisão, Tiago Santiago, João Emanuel Carneiro, Fernanda Young. E tiro o chapéu pros colegas Paola Oliveira e Eriberto Leão, os mocinhos de "Insensato Coração". Fazer os mocinhos pode ser muito ingrato, mas eles estão arrasando.

Você será protagonista da nova novela do SBT, “Amor e Revolução”, que se passa durante a ditadura militar. Nossa presidente, Dilma Roussef, foi uma personagem de destaque na luta contra a repressão, como você encara isso?
Acho incrível essa sincronia entre a ficção e a realidade. Apesar de a novela se passar na década de 60, ela está mais atual do que nunca. Quem poderia imaginar que teríamos uma presidente ex-guerrilheira? E ainda tem toda a polêmica em torna da Comissão Nacional da Verdade, que pretende esclarecer os crimes cometidos durante a ditadura militar. Por esses e outros motivos, acredito que a novela será um sucesso.

Ainda sobre o seu personagem, ele um militar que é contra a ditadura e se envolve com uma líder do movimento estudantil gerando todo um conflito entre familiares e uma história de “amor impossível” à moda do Romeu e Julieta. Essa ainda é a receita para grandes folhetins? O amor impossível?
Acho que essa é umas das receitas, talvez a mais tradicional. E que deve perdurar ainda por muito tempo. Mas em "A Favorita", por exemplo, o João Emanuel Carneiro nos mostrou uma nova maneira de se fazer novela, mais dinâmica, sem grandes apelações sentimentais, e que deu muito certo. Nos mostrou que a teledramaturgia brasileira ainda pode evoluir e se reinventar.

Em 2010, você fez projetos em parceria com seu pai e sua mãe, pretende repetir a dose este ano?
Estou compondo algumas canções com o meu pai, coisa que fizemos raramente ao longo da nossa vida. Está sendo muito legal. E temos um projeto de participarmos da programação de uma rádio digital. Com a minha mãe já fica mais difícil, pois estou no SBT e ela está na próxima novela da Record. Mas nada é impossível...

Você canta e atua, isso ajuda na hora da conquista?
Não tenho idéia!!! Sempre fui um conquistador meio desligado, daqueles que não percebe quando tem alguém a fim. E como sou casado, aí é que não me ligo mesmo!

Na música "Ciúme" você fala de coisas que deveriam ser feitas e não são porque o a alma de palhaço do “personagem” abre um abraço na volta da mulher amada. Você perdoaria uma traição?
Depende das circunstâncias da traição. Se ela acontecer, espero que seja feita com o máximo de respeito, e que eu não fique sabendo. Mas posso ser flexível e conciliador, se a pessoa ainda for interessante pra mim!

Você é um homem vaidoso? Quando a vaidade bate? Como lida com isso?
Acho que tenho uma vaidade controlada, sem exageros. Mas como lido com a minha imagem, tomo meus cuidados. Pratico esportes, uso protetor solar, gosto de me vestir bem, essas coisas... nada de botox, silicone e lipo!
Quais seus desejos e medos quando pensa no futuro próximo?
Num futuro próximo, tenho que terminar a novela, e não é pouca coisa! Mas os meus maiores desejos são os de realizar minhas aspirações profissionais. Fazer cinema, produzir as peças que eu amo, gravar meus discos. O meu maior medo é não conseguir realizar tudo o que eu quero. Mas quando penso que grandes artistas faleceram e deixaram projetos incompletos, sinto um alívio e penso: "bom, a vida é assim mesmo... não vou realizar tudo, então vou fazer o que puder". 

Que valores você mais cultiva e que qualidades persegue?
O respeito ao próximo e a noção de que não devemos transferir pro outro as nossas responsabilidades são os valores que eu mais cultivo. E a qualidade que mais persigo é a disciplina: sempre tive facilidade pra aprender as coisas, desde o tempo da escola, então não tinha muita disciplina pra estudar. Resultado: não aprendi a ter disciplina. E no dia-a-dia, ela me faz falta.

O que é fundamental para sua qualidade de vida?
Disciplina, ora!!! HAHAHAHA!!! 


Entrevista: André Porto e Nadezhda Bezerra
Fotos: Robert Schwenck
Revisão: Dulce Porto
Agradecimento: Bia Serra - Montenegro & Raman
Agradecimento especial à Cláudio Lins


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Com uma carreira consolidada de mais de 20 anos de sucesso, o cantor Seal é um homem plenamente realizado. Que vive de sua paixão pela música, descoberta quando criança, e nutre uma perfeita sintonia familiar ao lado de sua bela esposa, a modelo Heidi Klum, e seus dois filhos. Que os define como seu eixo em sua vida. As raízes nigerianas e brasileiras fizeram de Seal um cantor aberto a novas culturas e apaixonado pelo Brasil. Nessa entrevista EXCLUSIVA para MENSCH, Seal demonstra como a simplicidade pode ser o caminho mais fácil para o sucesso, realizações e amor pleno em celebrar a vida cantando e cativando multidões. Está aí talvez o segredo do seu carisma e sucesso com o público, que mais uma vez lotou casas de shows por onde passou com sua nova turnê. Aqui na MENSCH não seria diferente, nos conquistou e nos levará a cantar suas clássicas e novas canções. Com vocês, Seal!


Seal, você se formou em arquitetura e trabalhou em diversos empregos diferentes até ser cantor. Como foi esse começo até você conseguir ser cantor?
Sim, você está correto. Estudei arquitetura embora que não tenha terminado minha graduação. Acho que eu seria igual a muitas pessoas; o caminho para tornar sua paixão uma carreira muitas vezes não é tão simples. Mas desde que descobri minha voz, ainda criança, que eu sabia que eu queria música para minha carreira.

A sua infância com pais separados e um relacionamento delicado entre você e seu pai tornou você um pai melhor? Você é o pai para seus que gostaria de ter tido?
Eu acho que a minha experiência de vida tem me feito um pai melhor. Queria garantir que meus filhos não tivessem que passar pelos desafios que tive de enfrentar.

Você e sua esposa Heidi Klum renovam a cada ano os votos matrimoniais e celebram com festas e momentos íntimos entre vocês. Isso demonstra o valor e o amor que você tem por sua família. Quais são esses valores? O que tudo isso significa para você?
Certo, eu e minha esposa renovamos nossos votos todo ano. Convidamos um pequeno grupo de amigos mais próximos e fazemos uma festa realmente grande. Gostamos de celebrar nosso amor e a família que criamos. Minha mulher e meus filhos significam tudo para mim, tudo gira em torno desse amor.

O reality show sobre a Lifetime, Love´s Divine, foi uma forma de mostrar para o público como ser uma família feliz? Não teve medo da exposição?
Love´s Divine não é um “reality show” de TV  sobre Heidi e eu. É totalmente o contrário. Meu objetivo e o de Heidi é dar a outros casais a oportunidade de renovar seus votos de casamento, como fazemos todos os anos. Muitos de nossos amigos e familiares têm dito que estão fazendo a mesma coisa e têm afirmado que o programa de TV é justamente isso. Com certeza não somos conselheiros matrimoniais, mas estamos dando a essas pessoas com histórias incríveis, e que muitas vezes tão difícil de contar, a oportunidade de rever seus casamentos e renovar o amor que sentem um pelo outro.

Em 1998 você deixou claro a sua preocupação com as relações humanas com canções como “Human Being”, “Lost My Faith” entre outras. Essas preocupações ainda existem? Como se manifestam?
O mundo é um lugar em constante mudança, como os acontecimentos mais recentes têm provado. Eu acho que isso é saudável desde que nos levam a questionamentos e obviamente me levam a expressar todas as minhas emoções.

Ser filho de pais nigerianos e neto de brasileiro teve alguma influência na sua música?
Acho que sim. Amo a música brasileira, verdadeiramente, amo. A música aqui tem muita alma, energia e paixão, e eu quero me deixar influenciar hoje e muito mais no futuro.

A que você deve o sucesso de “Killer” que atingiu mais de 5 milhões de cópias em 1990?
É uma pergunta difícil de responder do meu ponto de vista. Às vezes as coisas simplesmente acontecem.

Em 2003 você voltou a gravar depois de um período de cinco anos sem lançar novas canções. Qual o motivo desta pausa?
Acredito que quando você não tem nada a dizer, não diga.


Qual sua maior realização como cantor e qual seu desejo a ser alcançado?
Ainda estar fazendo o que mais amo depois de 20 anos como um artista que ainda grava. Longevidade é o maior desafio.

Você está com 47 anos e muito bem fisicamente. O que faz para manter-se em forma e saudável?
Ah, você é muito amável, muito obrigado. Mas não tenho nenhum truque secreto! Apenas faço o bom e antigo exercício e uma alimentação saudável.

A sua primeira vez no Brasil aconteceu em 1992 no Hollywood rock. Que boas lembranças você traz deste show?
Lembro bem daquele show porque cai quando estava entrando no palco! Nada mais tenho que não sejam boas lembranças do Brasil em geral. Amo esse país. Estou determinado em aprender português logo, logo.

Qual a expectativa de voltar a cantar no Brasil?
Estou muito excitado com a oportunidade de cantar no Brasil novamente. Já fizemos alguns shows por aqui que foram incríveis e estou com as mesmas expectativas em relação aos outros, cheios de pessoas bonitas que têm como objetivo dançar e se divertir.

O que os fãs do Brasil podem esperar desse show? Dê um recado aos leitores da MENSCH.
Eles se divertirão! Quando canto não gosto de pensar em mim e em minha banda como coisas separadas da platéia; é uma experiência para todos nós desfrutarmos juntos. Amo cantar aqui e espero que todos aproveitem os shows tanto quanto eu desejo que eles curtam!



Texto: André Porto e Nadezhda Bezerra
Tradução: Dulce Porto
Agradecimentos: Ric Salmon
Fotos: Divulgação, Steve Huff (fotos dos shows)
Site Oficial: http://www.seal.com/


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"O dono da história"! Esse poderia muito bem ser o título dessa entrevista com o ator, jornalista e locutor Otaviano Costa. Um homem invejável, não só pelo fato de ser casado com a bela Flávia Alessandra, mas por ter construído uma história de sucessos e realizações, onde cada papel que teve o prazer de viver, lhe rendeu mais do que sucesso, mais felizes momentos. Felizes momentos relatados aqui por esse cara que além de tudo segue à risca o ditado de que rir é sempre o melhor remédio. Dos momentos como radialista à atuação em novelas, a cada novo trabalho uma nova realização. Assim como o recente papel, oficial, de ser pai. Experiência que ele compartilha tão harmoniosamente com Flávia e sua querida enteada, que juntos formam o que podemos chamar de família daquelas de propaganda de margarina. Otaviano é tudo isso e mais um pouco, afinal a partir da próxima segunda iremos conhecer um Otaviano diferente, usando saias e batom, em mais um desafio em sua carreira repleta de realizações. À Otaviano o nosso obrigado e aos leitores, uma ótima leitura!

01 - Como foi seu início profissional? Veio pela atuação ou apresentação de programas de rádio/TV?
Foi em rádio (Jovem Pan FM/SP), como locutor e imitador. Mas logo parti para TV, como ator, trabalhando na "Escolinha do Golias", no SBT. Onde contracenava com o Norton Nascimento e outros atores da época. Depois disto, entrei na MTV e minha vida seguiu mesclando a interpretação com a atuação até hoje.

02 - Apresentar ou atuar. Onde Você se sente mais à vontade?
Eu amo fazer as duas coisas. Energias motivacionais incríveis! Sou comunicador e ator por natureza! Mas são processos distintos. Apresentar sou eu com o botão de "liga/desliga" acionado. Estou pronto instantaneamente. O tempo todo. Não há medida. É solto e amplo. O microfone em minhas mãos é quase uma extensão do meu corpo. Agora, atuar é uma viagem. Literalmente. Uma viagem de sentimentos, esforços físicos, composições, limites e fronteiras, que muitas vezes somos obrigados a ultrapassar e ousar. O risco é maior, mas é isto que me move. A cara a tapa o tempo todo. Eu amo dar vida e a vida aos personagens.

03 - Que boas lembranças você guarda da época de apresentador na MTV e na Rede Record?
São mais de 20 anos de carreira e acharia injusto destacar uma ou outra emissora desta minha história profissional. Cada uma delas foi muito importante. Por exemplo, a BAND, onde apresentei tantos programas (especialmente o O+ "Ó positivo"), transmissões de carnavais, shows e eventos como os réveillons. Como não citar o SBT, onde comecei em TV e trabalhei como ator no programa da Angélica e na novela “Éramos seis” (1994)? E a Globo? Minha passagem como repórter e ator pelo Domingão do Faustão, (entre 1997 e 1999) e já duas novelas (Caras e Bocas e Morde e Assopra)? Na Record (2001 a 2004) apresentei vários programas e atuei na novela "Amor e intrigas" (2007). E a MTV? Pô! Foi demais! Se for falar de lembranças, prefiro falar de todas. 

04 – Você saiu de Cuiabá, sua terra natal,  por conta do esporte mas acabou enveredando para o mundo artístico, como foi isso?
Eu estava indo para o treino no Banespa (onde jogava) em São Paulo e ao sair de casa, me deparei com uma promoção da Jovem Pan FM em frente ao prédio onde a rádio ficava. Me deu um "tilt", faltei o treino, fui até o andar da rádio e fiquei na porta fazendo imitações. Umas duas horas seguidas, até que uma hora enchi o saco da galera de lá e um cara me puxou pra dentro e me colocou num estúdio. Pediu para um produtor gravar minhas imitações. Dois dias depois, me chamaram e comecei a trabalhar como locutor nas madrugas e ganhei um programa que se chamava "Pandemônio". Não acreditei! Cara de pau e tanto! Meu primeiro emprego. Valeu, mas tomei bronca e "banco" do técnico. 

05 – A vertente do humor sempre esteve presente em você?
Sim, tem mais a ver com meu jeito de ser. Adoro pessoas divertidas e inteligentes ao meu redor. Risada é cachaça. Adoro me embebedar delas. A Flávia também tem este DNA. E brinco que nosso relacionamento, foi "bom humor a primeira vista". Mas profissionalmente, não quero ficar preso a um caminho dramatúrgico somente. Quero sempre desafios e novos caminhos. Imagino milhares de personagens que amaria fazer. Das últimas três novelas, fiz um personagem de drama e dois de comédias. Por enquanto o equilíbrio está bom.    


06 – Você é casado com Flávia Alessandra, uma das mulheres mais bonitas e desejadas da TV brasileira. Como você lida com isso?
A pessoa com que eu me casei e eu amo, é a que vive na minha casa. Esta sim é a mais bonita, desejada, inteligente, bem humorada do meu mundo. Quando a conheci, confesso que não sabia de sua projeção e carreira ao todo. Já juntos, me interessei a conhecer mais e aí sim, a entendi completamente e passei a admirá-la ainda mais. 

07 - Ainda falando de Flávia... Ela chegou a estrelar duas capas de PLAYBOY, e na época muitos questionamentos sobre ciúmes ou inseguranças em relação a isso. Você acha que é algo que incomoda mais aos outros do que a você? Existe um pouco de machismo e puritanismo velado nesses questionamentos? Como você vê essas duas questões?
Na primeira Playboy, ainda como namorado dela, não me senti no direito de sequer, emitir alguma opinião a respeito. Achava que não cabia a mim e ela estava muito feliz com toda a história. E ela me surpreendeu de cara, me convidando para participar da escolha das fotos. Achei aquilo, um elo de confiança e cumplicidade muito forte. Ficaram lindas as fotos. No segundo ensaio, já como marido, conversamos mais. Nunca disse para ela não fazer. Mas sempre perguntava se ela tinha certeza que queria aquilo. Se sim, teria meu apoio. Senti ciúmes obviamente. Sou homem pô! E desta vez, era a minha mulher e não mais minha namorada de pouco tempo. No fundo eu também fiquei inseguro, mas não queria a deixar em dúvidas. Se eu tivesse dito "não faça", eu sei que ela não faria. Não por uma questão de falta de personalidade, mas sim por absoluta cumplicidade com meus sentimentos. Mas ela estava muito feliz, radiante, por isto me senti na obrigação de vê-la como mulher, mais uma vez, realizada. Participei das escolhas das fotos e ficaram incríveis novamente! Flávia é linda!

08 – Alguns homens resistem a se envolverem com mulheres com filhos de outros relacionamentos, em algum momento isso pesou na sua história com a Flávia Alessandra?
Sim! Especialmente no planejamento de um casamento tão rápido (casamos em menos de seis meses juntos). A Giulia era parte fundamental daquela nossa decisão. Pensamos e agimos da maneira mais adequada possível, para que não a deixássemos chateada, com medo, dúvidas ou até ciúmes da minha chegada na vida delas. Mas deixo claro, que esta situação em nada, absolutamente nada, pesou ou mexeu em minha decisão de casar com a Flávia. Giulia é uma menina incrível e eu me apaixonei por ela imediatamente também. Fui até honrado com o convite de hoje, além de ser seu padrasto, ser também seu padrinho. Eu adoro esta garota!

09 – Qual a emoção de ser pai?
Vou usar o refrão da música do QUEEN: "It's a kind of magic". É um tipo de magia única. Absolutamente maravilhosa. Eu rio, choro, brinco, me perco no olhar dela. Me vejo, vejo ela. Vejo minha família. Nada mais me interessa quando estou com ela. A Olívia (graças a Deus!) herdou nosso bom humor. Acorda com um sorriso no rosto. E mais, essa menina sorri com o olhar. É encantadora! Acho que ela me hipnotiza todas as vezes que eu olho pra ela. (risos)  

10 – Todos os investimentos agora são pra carreira de ator ou há espaço para projetos como apresentador?
Há espaço para tudo. Minha mente e coração são escancarados. Eu sou um artista que adoro me envolver em projetos e caminhos expressivos diferenciados. Não consigo me imaginar focado a um universo somente. Estou fazendo músicas, em parceria e produção de Juliano Cortuah, que serão divulgadas em junho pelo MySpace. Tenho um projeto e argumento com foco no público jovem e da internet que será produzido pela Academia de filmes, com um longa, uma série de TV e várias ações de transmídia. Apresento dezenas de eventos corporativos pelo Brasil todo. Estou na novela "Morde e assopra" na TV Globo. E devo fazer uma peça logo após o fim da novela. Ufa,. Há espaço? 

11 – Como será viver uma mulher na próxima novela da Globo, Morde & Assopra?
Divertidíssimo! O personagem é um machão e ele só se disfarça de mulher, por absoluta falta de opção. Sob pressão da Augusta (Cissa Guimarães), que é uma de suas ex-mulheres, ele não consegue fugir da situação e agora terá que enfrentar o salto alto, os cílios, peruca, unhas feitas e etc... Walcyr Carrasco está inspiradíssimo e as cenas prometem ser uma farra! Tomara que o público goste. 

12 – Sobre fugir da ex-mulher para não pagar pensão... Qual seria o pior pecado que um ex-marido pode cometer, não pagar pensão ou se negar a passar o final de semana com o(s) filho(s) dessa relação que não existe mais?
Acho que se chegar a este ponto, o pior pecado foi ter tido o filho. 

13 - Muito se cobra do tratamento do homem em relação à mulher. Mas e qual seria pra você a pior atitude de uma mulher em relação ao homem numa relação. O que ela faz que detona a relação?
A traição. Por ambos os lados. Se isto acontece, a relação perde a principal estrutura de sua base: confiança.

14 - Seu casamento com Flávia Alessandra parece ser de perfeita sintonia e com muito bom humor. Seria esse o "segredo" para se manter um bom relacionamento?
É claro que o bom humor para mim é fundamental. Mas o amor para mim é a eterna busca de vários sentimentos e virtudes, que o casal desenvolve com o tempo e aprende a construir para um relacionamento. O sexo, respeito, admiração e cumplicidade também estão nesta receita. 

15 - Com a aproximação dos 40 chegando, algo te incomoda em relação à idade? Como manter sempre esse ar de garotão que você costuma transparecer?
Olha, eu não sofro da "Síndrome de Peter Pan", mas eu não consigo me ver, sentir e imaginar com a idade que estou. Eu acho que sem querer, exercito minha alma de moleque, para que ela se equilibre com a boa maturidade que veio com o tempo. Música, bom humor, amor, esporte, filhos, vinhos... 40? Eu? Vamos lá então! Nunca me senti melhor! Meu espírito jovem me guia eternamente! 

16 - Costuma pensar muito em relação ao futuro? Quais seus medos e desejos quando pensa no futuro?
O futuro é o agora. Não tenho medo ou grandes preocupações. Só peço a Deus que nos dê saúde, especialmente para as nossas crianças. Não posso me preocupar! Olho para o lado e penso: "Sou feliz, tenho saúde, uma linda família, faço o que amo e construí uma história". Que mais eu quero? O que mais posso querer?




Texto: André Porto / Nadezhda Bezerra
Capa/Ensaio: Renata Xavier ( www.renataxavier.com.br )
Fotos: arquivo pessoal
Agradecimentos: Rafael Barcellos
FR Produções Artísticas
www.frproducoes.com.br


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Para quem não conhece, este é Armin Van Buuren, um holandês que é considerado o mais popular e o melhor DJ do mundo. Suas produções musicais influenciam grande parte dos DJs do planeta, assim como, ditam as regras do cenário musical eletrônico.

Tudo começou no início dos anos 90, quando Armin comprou um turntables (uma espécie de toca disco com plataforma giratória) e com pouco tempo já havia dominado o aparelho criando seu próprio estilo. Aos 14 anos, começou a tocar como hobby em sua cidade numa casa noturna chamada Nexus em Leiden, Holanda.

Em 1995, foi quando Armin, ainda estudante de direito, transformou o studio do seu quarto  em um profissional. Nesta época, foram criados os primeiros sucessos de sua carreira, como "Touch Me" e "Communication", músicas que são consideradas um clássico do trance music.

TOUCH ME


Desde então, surgiram os contratos com as grandes gravadoras e apresentações com superproduções para multidões. No ano de 2002, foi eleito o quarto melhor DJ do mundo pela conceituada revista DJ Magazine, no ano seguinte, ficou em terceiro lugar, e assim permaneceu durante três anos. Em 2006, ficou com a medalha de prata, ficando atrás do DJ alemão Paul Van Dyk. Entretanto, no ano de 2007, com 30 anos de idade, Armin conquistou o título de numero 1 do mundo, e mantém a liderança até hoje.

Além das suas apresentações, o que torna este DJ tão próximo do público é o fato dele possuir um programa de rádio semanal, o State of Trance, transmitindo Sets ao vivo para mais de quarenta países. No Brasil, você poderá escutá-lo pela rádio Energia 97 FM, isto só mostra a força deste estilo musical que está se popularizando cada vez mais.

Além do seu som espetacular, Armin em suas apresentações parece está em completa sintonia com seu público, impressionante como ele consegue adivinhar exatamente o que os fãs estão esperando ouvir, que sempre se surpreendem com inovações e surpresas. Vale a pena frisar também, a qualidade das produções, é só observar um pouco do evento “Armin only”, são efeitos jamais vistos, com participações de cantores, violinistas, guitarristas, dançarinas e etc.  

ARMIN ONLY (MONTAGEM ABERTURA)





TRAILLER



Armin recebeu 7.500 pessoas no evento Burn Reality em Recife, e talvez tenha batido o recorde de público no Nordeste para um evento de música eletrônica.

Quanto ao estilo musical, Armin deixa um recado para os produtores de musica iniciantes; "Não seja prisioneiro do seu próprio estilo". Afirma que busca produzir algo "Liberal, eufórico, enaltecedor, melódico e energético".  Alguém ainda dúvida que ele consegue isto?

O que impressiona também é como o número 1 do mundo, é um cara simples, talvez tanto carisma tenha lhe ajudado a chegar nesta posição, quando questionado sobre qual seria sua inspiração musical, ele não pensa duas vezes e afirma: " Qualquer coisa boa!". Assim, começa nossa entrevista exclusiva com este grande nome da musica mundial, que sirva de oportunidade para conhecê-lo um pouco mais.

Você já tem experiência de tocar aqui no Brasil, principalmente no período do Carnaval, qual a sensação que o publico te passa
O público do Brasil é muito intenso, com uma vibe muito positiva. Desde a primeira vez que vim ao Brasil, em 2002/2003, eu sempre fui muito bem recebido. O calor humano brasileiro é uma característica única. Quando eu estive aqui ano passado, a sensação foi justamente essa. Não esperava um público que fosse tão apaixonado pela música.

O projeto Armin Only Mirage, em Beirute, foi uma das maiores produções que já vimos, é uma tendência das apresentações se tornarem mais “teatrais”, ou é coisa exclusiva para o numero 1 do mundo?
A idéia do Armin Only Mirage surgiu a partir de uma conversa entre eu, e o pessoal da Alda Events (grupo que organiza todas as celebrações da gravadora Armada, tanto o ASOT como Armin Only, Armada Night, etc). As performances do Armin Only são longas e com um grupo enorme envolvido. O nome “Armin Only” não significa que todo o trabalho e dedicação é feito e voltado apenas para mim. Os cantores, como Christian Burns, Nadia Ali, Susana, e Ana Criado, fazem parte das apresentações. Assim como a banda do meu irmão, dançarinos, e todas as pessoas que trabalham no backstage para que cada detalhe funcione perfeitamente. O projeto durou meses de preparação e planejamento, onde o mérito é de todos os artistas que fazem parte do álbum Mirage, mais a equipe por trás da produção do Armin Only.

Tirando musica eletrônica, o que você ouve?
Escuto de tudo. Desde música clássica e trilhas sonoras até bandas de Rock e Pop Rock.

Quais são os seus produtores de música favoritos na atualidade?
Atualmente existem muitos produtores novos que ganharam destaque pela qualidade de suas produções e remixes, como Arty, Mat Zo, DNS Project e Arctic Moon.
Como você definiria State of the trance?
Muitas pessoas acreditam que o fato do programa ser chamado “A State Of Trance”, isso quer dizer que tudo o que você vai ouvir será Trance (O gênero musical). Quem acompanha meu trabalho, sabe que meus sets e o próprio ASOT incluem não só músicas de Trance, mas também de Progressive Trance, Progressive House. O significado “State Of Trance” é em relação à sensação que a música pode trazer, independente do gênero ao qual ela pertença. É o êxtase, a sensação de fazer parte da música e ser transportado por ela. Estado de transe, literalmente.

Qual o recado que você deixa aos apaixonados por trance no Recife?
Gostaria de agradecer a todos vocês pelo amor e apoio, não só ao Trance, mas a música eletrônica em si. Obrigado por prestigiarem o meu trabalho e de todos os outros DJs e produtores. Estou feliz de estar de volta e espero ver todos vocês na quinta-feira.

SUCESSOS

Texto e entrevista: André Lima
Agradecimentos: Luiz Henrique Vasconcelos, Juliana Cavalcanti e Eduardo Emereciano (Produtores)
Agradecimento especial: Luiz Guilherme Vasconcelos
Fotos: Divulgação
Fonte: Revista DJ Magazine


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Um cara simples e gente boa seria uma boa definição sobre nosso entrevistado dessa semana. Mas Diogo Nogueira é muito mais que isso. Pai dedicado, filho honrado e um sambista de primeira linha. Sambista com a alma da Portela e súdito do ídolo e pai João Nogueira. Criado no meio de muitas mulheres (ele tem três irmãs), Diogo logo cedo aprendeu as manhas e segredos que encantam a alma feminina. Talvez por isso saiba tão bem cantar a alma feminina assim como também domina uma bola e se espalha no mar, onde costuma relaxar surfando com os amigos. Um cara simples assim é o que você vai encontrar ao conhecer um pouco mais desse talentoso cantor ao ler essa gostosa entrevista. E para embalar a leitura, uma dica, leia ouvindo a música "Sou eu", que ele canta juntamente com Ivan Lins e Chico Buarque.

Que valores você traz até hoje do seu pai? O que representa João Nogueira para Diogo Nogueira?
Meu pai é uma grande referência na minha vida e na minha carreira. Aprendi com ele a ser correto, ter humildade, a estar sempre de bem com a vida. São ensinamentos que procuro pôr em prática em tudo o que faço.

Cantar as músicas de seu pai, o compositor João Nogueira, tem sabor especial?
Com certeza! Tenho outras influências musicais, mas meu pai é a principal delas, pois desde pequeno aprendi muito com ele. Sou fã do João Nogueira e das obras dele.

Que poder a música "Poder da Criação" exerce sobre você? Qual a importância dela na sua vida?
É um dos maiores clássicos da música popular brasileira e mais uma da safra de maravilhosas canções feitas pela dupla Paulo Cesar Pinheiro e João Nogueira. Sempre tive uma admiração especial por essa canção e a gravei pela primeira vez no DVD de 40 anos da minha querida Beth Carvalho, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Essa gravação abriu muitas portas na minha carreira.

2007 e 2008 os enredos que você compôs para a Portela receberam nota máxima de todos os jurados e ainda em 2008 você foi indicado ao Grammy Latino de cantor revelação. O que te deixou mais realizado e mais confiante do seu talento?
Fico muito agradecido pelo fato de, em tão pouco tempo de carreira, já receber tantos reconhecimentos, inclusive nos sambas enredos que compus com meus parceiros. Me considero privilegiado. Acho que ainda tenho um longo caminho a percorrer, mas fico feliz que os resultados já estejam aparecendo. Como diz o meu segundo CD, “Tô fazendo a minha parte”...

Por que a Portela?
Sou Portela desde que nasci. Já estava escrito. A primeira vez que entrei na quadra da Portela, no colo do meu pai, comecei a chorar e, meio emocionado, meu pai falou: “Você está chorando porque já é um portelense”. De lá pra cá, o amor só aumentou.

Samba ou futebol? O que pesa mais?
Futebol e samba sempre andaram juntos. Me sinto realizado como cantor, com a carreira que eu escolhi. Mas, sempre que eu posso, jogo uma “pelada” com os amigos.

Você foge um pouco do estereótipo da imagem que se tem de sambistas em geral, possui várias tatoos, tem um porte de galã da novela das 21h e um visual mais clean... É uma forma de mostrar que o samba não é apenas um produto da cultura de massa, e pode ser "consumido" pela elite pseudo-intelectual sem pré-conceitos?
Gosto de cuidar de mim, de estar bem vestido, de me sentir bem. Procuro não pensar se isso vai agradar um grupo ou desagradar outro. Penso nos meus fãs. Atualmente, trabalho com alguns profissionais que me ajudam a compor o meu visual, que varia de acordo com o tipo de show e evento que estou fazendo.

Quando o malandro Diogo Nogueira se torna o tímido Diogo, e quando acontece o contrário?
Na verdade, não existe isso. Sou um cara normal, profissional e antenado, quando é preciso. Fico na minha, quase sempre. Na minha casa, em família, sou um cara bem tranquilo.

Ser o único filho homem entre três irmãs te trouxe mais pontos positivos que dor de cabeça? Que dicas elas te passaram?
Sempre me dei bem com minhas irmãs, que são grandes amigas. Conversávamos sobre tudo. Como elas eram mais velhas e eu o caçula, pude aprender com elas muitas coisas da vida.

A isso se deve o seu sucesso com as mulheres?
Desde pequeno convivi com muitas amigas das minhas irmãs, que me paparicavam muito. Fico muito feliz com o respeito e o carinho que as minhas fãs têm comigo e com o meu trabalho. Lido de uma maneira muito boa e tranquila com elas e com as mulheres em geral.

Mesmo fazendo sucesso com a ala feminina, logo cedo você começou a namorar, teve filhos e casou. Você é um homem-família?
Adoro curtir a minha família, minha casa... Sempre que tenho tempo, gosto muito de ir à praia, brincar com meus filhos e de jogar futebol com os amigos.

A mulherada hoje tá pegando muito pesado na hora da paquera, nessas horas é qual a melhor estratégia?
Levar sempre numa boa, mostrando os limites. Sou um cara casado e sei separar as coisas.

Qual o segredo para compor bons sambas?
A composição vem da inspiração, que pode estar nas coisas do dia-a-dia, na natureza. Acho que não existe uma fórmula. O importante é ter amor e dedicação naquilo que se faz. Como diz a música “Poder da Criação”, “ninguém faz samba só porque prefere, força nenhuma no mundo interfere, sobre o poder da criação”...

O que você costuma ouvir além de samba?
Gosto de ouvir música boa. Desde Chico Buarque a Pitty, passando por João Gilberto, Maria Rita, Marcelo D2 e Barão Vermelho.

Sambar torna um homem sexy aos olhos femininos?
Acredito que as mulheres gostem de homens que dançam e que sambam. Como dizia Dorival Caymmi: “Quem não gosta de samba bom sujeito não é. É ruim da cabeça ou doente do pé”.

Como está esse seu novo show? O que o público que não conhece ainda pode esperar por ele?
Estou viajando por todo o Brasil, de Norte a Sul, divulgando o meu novo CD e DVD, “Sou Eu”. A receptividade tem sido ótima. Sempre buscamos fazer apresentações especiais em cada cidade. Conto com uma super banda que me acompanha e também com um casal de dançarinos da Cia de Dança do Carlinhos de Jesus. Quem ainda não viu, vai conferir alguns sucessos da minha carreira, clássicos do samba e, é claro, músicas inéditas que estão no novo disco.


Texto: André Porto e Nadezhda Bezerra
Foto: Rodrigo Lopes 
Produção: Christina Boller
Make/Hair: Edson Morales
Agradecimento especial à Lola Nicolas (Diretora de Redação\Diário do Grande ABC), que gentilmente nos cedeu a foto para capa.






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Um visionário e um grande romântico. É como poderíamos definir a personalidade do artista plástico Francisco Brennand. O homem que soube ver o mundo com formas ousadas e criativas, estudou direito, morou por um tempo na Europa, estudou arte e descobriu sua própria arte. Uma arte, que muitas vezes paira pelo erótico-romântico, aflorou com toda sua forma numa antiga usina em ruínas e hoje é um refúgio para arte e o artista Brennand. Um patrimônio nacional da arte contemporânea no alto dos seus 80 e poucos anos. Que continua nos brindando com obras e respostas como essas aqui.

Com quantos anos você começou a se interessar por arte?
Desde muito cedo me deixava impressionar pelas gravuras de Gustave Doré na Bíblia Sagrada e nas aventuras de Don Quixote de la Mancha. Lembro também das gravuras coloridas da História Natural, de Buffon e, igualmente, das inúmeras gravuras e fotografias na Revue des deux Monde, que minha avó assinava diretamente de Paris. Depois os próprios quadros na parede, uma vez que meu pai era um colecionador de porcelanas e também de pinturas a óleo.

Como sua família reagiu quando você comunicou que não queria cursar Direito e sim Artes?
De acordo com a primeira resposta fica patente que foi uma reação favorável, pelo menos da parte de meu pai que era um homem de fina sensibilidade. Ele inclusive  tocava piano e lia Balzac no original.

Como era o seu convívio com artistas como Abelardo da Hora e Álvaro Amorim,e qual foi a influência deles no seu trabalho?
O jovem artista Abelardo da Hora trabalhou na Cerâmica São João da Várzea como escultor e modelador a convite de meu pai, Ricardo Lacerda de Almeida Brennand. É evidente que com o seu convívio e, sobretudo, pelas conversas sobre arte em geral, Abelardo teve uma certa influência sobre mim, embora, na época, o meu interesse maior fosse a pintura a óleo e não a escultura e muito menos a cerâmica.

O velho pintor Álvaro Amorim, a quem foi entregue vários quadros para restauração provenientes da velha coleção de João Perretti, adquirida pelo meu pai, teve uma influência decisiva na minha futura carreira, pois ele e seus colegas fundadores da Escola de Belas Artes, os pintores Mário Nunes e Murilo La Greca, foram os meus verdadeiros iniciadores no mundo da pintura a óleo.

O que você sentiu quando ganhou seu primeiro prêmio no Salão do Museu do Estado, em 1947?
No ano de 1947, eu havia completado 20 anos e pela primeira vez participei de uma exposição pública no Salão do Museu do Estado de Pernambuco e posso assegurar que, uma vez detentor do primeiro prêmio, fato que voltou a se repetir no ano de 1948, não só o primeiro prêmio como também uma menção honrosa, me considerei um pintor desde que competi inclusive com vários de meus mestres e outros conhecidos artistas de Pernambuco.

O que mudou ou foi acrescentado no seu processo criativo após sua temporada na Europa?
Quando embarquei para a Europa, em fevereiro de 1949, eu já tinha um conhecimento muito grande sobre arte em geral, não só de pintura como também de literatura e música. Eu havia conhecido o pintor Cícero Dias numa de suas exposições realizadas em Recife, na Faculdade de Direito, no ano de 1948, e ele me foi muito útil nos seus conselhos e diferentes contatos em Paris. Essa minha permanência caracterizou-se, sobretudo, por uma época de estudo intensivo sobre técnicas de pintura e freqüência em museus e galerias. Voltei a repetir uma nova viagem a Paris, em 1951, para concluir os meus estudos sobre pintura e a Itália, em 1952, para estudar cerâmica.

Porque você escolheu as ruínas da Cerâmica São João da Várzea para instalar seu ateliê?
Lembro ter encontrado a velha cerâmica São João em ruínas. Inclusive, cabe salientar que não havia necessidade de um anteprojeto, pois as antigas paredes já indicavam aquilo que devia ser refeito: as ruínas balizavam tudo. Portanto, toda e qualquer idéia chegava à medida do trabalho em progressão. Talvez por isso eu providenciei chamar o lugar de “oficina”, baseado na origem da palavra “ofício” (officium, em latim) que quer dizer “trabalho”; local de trabalho, evitando o francesismo atelier. Ao mesmo tempo há a idéia de uma comunidade, à maneira das coletividades de ofício medievais e renascentistas, onde o mestre e os discípulos trabalhavam em conjunto, a serviço de um só desígnio.

Qual a sensação de caminhar pela cidade e observar suas várias obras?
A sensação é a de que esses diferentes trabalhos uma vez colocados nos seus lugares definitivos passam a pertencer a uma coletividade e, portanto, desperta um sentimento de afastamento progressivo, o que de certo modo é benéfico pois você pode olhá-los com maior independência. Como se fosse a obra de um outro.

O que você acha da opinião popular que vê muito erotismo nas suas obras?
A opinião popular sobre as minhas esculturas é totalmente distorcida. Elas não são propriamente eróticas, embora carreguem em si uma pesada carga sexual, uma vez que se reportam ao grande enigma do Universo, isto é, a REPRODUÇÃO da imagem. As coisas são eternas porque se reproduzem. As próprias estrelas nascem, vivem e morrem. Todo o Universo é uma história de um imenso desejo. Todavia, reconheço que na minha pintura existem fortes componentes eróticos.

Você já realizou todos os seus sonhos ou acha que ainda pode fazer mais pelas artes?
Acredito que nenhum artista, num determinado momento de sua vida, possa ter a sensação de haver terminado o seu trabalho como se dissesse: “Nada mais há a fazer”.


Texto: Jamahe Lima
Fotos: Arquivo Brennand, Tuca Reinés,
Juan Esteves, Osvaldo Barreto, Nivaldo Almeida
Agradecimento: Cristiane Dantas
Site oficial: www.brennand.com.br


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O talento de alguns homens de sucesso muitas vezes tem o poder de revolucionar uma estética e as fantasias que habitam a mente das pessoas. E foi com um pincel na mão e um enorme talento que o ilustrador Benício revolucionou o conceito de pin-ups aqui no Brasil trazendo a volúpia e a sedução da mulher brasileira numa estética que surgiu no mundo desde a época da II Guerra Mundial. Benício teve, e tem, o poder de recriar grandes divas do cinema nacional e internacional. Como ele mesmo diz nessa entrevista, ele teve as mulheres que sempre admirou. E não satisfeito por recriar um mundo de sonhos para a ala masculina, Benício ao longo dos anos de carreira ainda alimentou sonhos de crianças, como os cartazes clássicos dos Trapalhões, fez parte da história do cinema nacional com pinturas para filmes clássicos como Dona Flor e Seus Dois Maridos, e ainda recriou produtos e sonhos para peças publicitárias, livros, produtos e mais recentemente, lançou essa semana o primeiro livro de pinturas, o "Sex & Crime". Para conhecer um pouco mais desse gênio do pincel e tinta, fomos conversar com ele. O resultado não poderia ser outro, um grande presente para os olhos. Leia e fique fã desse grande artista.

Com 16 anos, os moleques da sua idade brincando e você desenhando profissionalmente. Como foi isso? A maturidade chegou mais cedo pra você?
Fui uma criança muito calma. Desde cedo desenhar foi meu principal entretenimento.

Arquitetura, publicidade, cinema, pin-up. Onde você se encontra melhor?
Desenhar pin-ups sempre foi uma grande alegria para mim, talvez a maior.

Alguma emoção diferente por fazer os cartazes dos Trapalhões?
Desenhar os 30 (trinta) cartazes dos filmes dos Trapalhões foi uma grande alegria para mim, com a oportunidade de fazer um trabalho continuo tentando manter uma unidade entre eles.

Você eternizou em seus traços várias divas do passado, como Marilyn Monroe e a brasileiríssima Sônia Braga. Há alguma diva hoje em dia que você gostaria de desenhar?
Sempre consegui desenhar as mulheres que tive vontade. “Desenhar não ofende,” não é?


Sexo e crime sempre rendem uma boa ilustração?
Sexo e crime fazem parte muito marcante do imaginário das pessoas. Por isso sempre chamam muito a atenção quando estão evidenciados nos desenhos.

O que você ainda não ilustrou, mas adoraria fazê-lo?
Sinceramente não tenho frustrações quanto a isto. Acho que já desenhei tudo que quis.

Qual o conselho para quem quer se tornar um ilustrador profissional?
Muita dedicação, persistência e paciência, pois a excelência do trabalho só vem com o tempo.

Qual de suas ilustrações tem mais de você? Aquela que você olha e diz: minha alma está aqui.
Cada ilustração que faço tem muito de mim, Não existe uma especifica para caracterizar o que pede.


Já usou seus traços para conquistar alguém?
Conquistei a mulher da minha vida, com quem vivi 52 anos, através da minha arte.

Você ilustrou um livro do escritor Xico Sá, Chabadabadá. É mais fácil ou mais complicado criar em cima de um roteiro, uma história que já existe?
De maneira geral, meu trabalho sempre foi feito baseado em roteiros, scripts, etc.

Os avanços tecnológicos te trouxeram mais ferramentas ou menos trabalho?
O desenvolvimento da tecnologia só veio facilitar o trabalho, ainda que eu não utilize totalmente os recursos que ela me oferece. Sou ainda adepto do pincel.


Como é o mercado atual de um ilustrador aqui no Brasil? Existe um reconhecimento por parte de empresas, marcas e leitores?
Os clientes ainda estão meio deslumbrados com a rapidez do computador. Custam a aceitar os prazos que os métodos tradicionais podem oferecer. Mas acredito que a qualidade de um bom trabalho supera qualquer “novidade” tecnológica.

Você dirige sua própria carreira nunca precisou de empresários. Alguma dificuldade por conta disto?
Sempre tive a sorte de contar com excelentes companheiros de empreitada. Acho que é resultado do critério que sempre adotei com relação ao cumprimento dos compromissos assumidos com meus clientes.

As antigas pin-ups da época da II Guerra influenciaram você de alguma forma?
Na época da II guerra, com dez ou doze anos, ainda não me deixava influenciar muito pelo sex-appeal das pin-ups da época.

Quais são seus ilustradores atuais preferidos? Por que?
Minha formação profissional vem da influência dos ilustradores americanos (Austin Briggs, Jonh Witcomb, Al Parker, Bob Peak), sem esquecer o “papa Norman Rokwell”. Dos atuais, gosto muito do estilo do Brad Holland.

Esse seu recente livro lançado, “Sex & Crime”, é uma realização pessoal, mas o que ele representa pra você? Virão outros?
Representa a realização de um sonho antigo e a resposta às muitas cobranças do pessoal por um livro meu só de ilustração. Como o editor planejou, deverão ser publicados outros volumes abrangendo outros aspectos da minha ilustração.








Texto: André Porto e Nadezhda Bezerra
Ilustrações e fotos: Divulgação Benício
Agradecimentos: - Mandacaru Design ( http://www.mandacarudesign.com/ )
-  Reference Press ( www.referencepress.com )

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Uma fotografia de qualidade não requer só um bom equipamento, requer acima de tudo muita sensibilidade e bom gosto para revelar ao mundo momentos, pessoas e objetos que muitas vezes o olhar comum não identifica facilmente. E fotografar com maestria se destacando num meio disputado da fotografia de arte se faz necessário acima de tudo criatividade. É o que pudemos constatar ao admirar o trabalho do fotógrafo Angelo Pastorello, que com muita criatividade e elegância extrai belíssimas imagens da sua forma de olhar por trás das lentes de suas câmeras. Com suas técnicas apuradas e olhos sensíveis Pastorello tem se destacado aqui e no exterior, seja com fotos simples de uma viagem ao Chile à um ensaio sofisticado para um editorial de moda, de um nú para revista ou um portrait, a marca da elegância e bom gosto está registrada junto à fotos. Angelo, um homem tão simples quanto eficiente no que faz se mostra nessa entrevista um cara comum querendo criar e realçar a beleza das coisas de forma marcante. Pra quem curte fotografia, um prato cheio. Pra quem simplesmente gosta de admirar belas imagens, nada melhor que essa entrevista-portfólio.


Angelo como e com que importância a fotografia entrou em sua vida e se tornou a sua profissão?
Quando eu estava na oitava série eu fiz um breve curso de fotografia na escola, neste curso eu me interessei muito pelo laboratório fotográfico. Passei então a fotografar para revelar e ampliar minhas fotos. Um ano mais tarde eu ganhei dos meus pais um Ampliador Durst e montei um pequeno laboratório no banheiro da casa da minha casa. Durante muito tempo meu interesse era só pelo laboratório, que até hoje eu uso muito para os meus trabalhos autorais.

Alguns anos depois eu comecei a me interessar pelo "Ato Fotográfico", pensar em um ensaio com tema, conceito e unidade, a partir dos 18 anos eu fui trabalhar no laboratório da Fuji Filmes do Brasil, no ano seguinte eu fui ser assistente, neste período fiz alguns freelas  p/ a Vogue fotografando a coluna social e alguns retratos. Depois passei a fotografar editorial de Arquitetura e Decoração para a revista Casa Cláudia, o que me deu bastante agilidade em relação a iluminação, dois anos mais tarde eu fiz um Portfólio só com modelos e portraits...e não parei mais.



Qual a marca dos seus trabalhos? Existe algo que só você faz como fotógrafo?
Eu prefiro que as pessoas falem sobre o meu trabalho, o que elas vêem e sentem nas minhas fotos!! O grande "desafio" para a maioria dos fotógrafos é ter esta "marca", uma "assinatura", que não é a técnica simplesmente, mas o conceito, o olhar. Isso é um "debate" amplo, pois conceito, olhar, originalidade são "conceitos" subjetivos. Técnica é importante saber e podemos estudar, até para podermos "desprezar"!!! Sensibilidade, "intuição empírica" e senso geométrico  é mais  difícil , são muitos fatores que vão compor cada fotógrafo.
     
Em relação ao meu trabalho, uma característica forte é a minha preocupação com volumes e dimensões, através de uma iluminação elaborada, enquadramento e direção quando eu fotografo pessoas. Em trabalhos profissionais onde eu tenho um briefing, um layout, eu "tento" incorporar estas características "técnicas". Em trabalhos autorais, desde a concepção até a execução, a responsabilidade é totalmente minha. Da escolha do 'tema", como "olhar" este tema, escolha da câmera, filmes, como vou revelar estes filmes, como vou ampliar, em que tipo de papel...enfim, todos os detalhes. Nestes casos acredito que minha maneira de olhar e resolver este olhar esteticamente fique mais evidente.   

Você uma vez citou que fotografar um nu para exposição te dava mais liberdade. Por quê? O que diferencia de um nu para uma revista?
Porque no trabalho autoral eu sou o responsável por tudo, portanto tenho liberdade total, a proposta é minha para mim mesmo! Quando eu fotografo para uma revista eu divido esta responsabilidade com uma equipe, com a direção de arte da revista, com a produção, com o make e na maioria das vezes eu sigo um briefing e o "estilo" da revista. Isto não significa que é melhor ou pior, apenas que é um trabalho de equipe.
     
Uma foto não é "melhor" ou "pior" por ter sido feita para uma exposição em Museu ou para uma revista. Muitas fotos que foram publicadas em revistas poderiam estar expostas num museu....e muitas exposições não poderiam estar publicadas em nenhuma revista !!!


Você lembra qual foi a primeira mulher nua que você fotografou? E quem estava mais nervoso, você ou ela?
Eu lembro sim, foi na praia de Trindade estado do RJ, com certeza eu estava mais "ansioso" do que ela. Fiz alguns filmes, depois no meu laboratório enquanto os filmes ainda estavam lavando eu vi alguns fotogramas e fiquei muito feliz com o resultado, a partir daí eu comecei a fotografar modelos fazer vários ensaios e "substituindo as fotos de Still e Decoração por fotos de gente. Nesta época eu já pesquisava filmes Infrared, e comecei a incorporar estes filmes em fotos com gente, isto ajudou a me dar um estilo nos contrastes e texturas das fotos com modelo.

O que é mais "fácil", dominar a técnica da fotografia ou desenvolver o olhar para a foto?
Técnica você aprende, pode estudar... Eu acho que com a "revolução" digital é preciso estudar mais ainda, principalmente a interpretação da luz, e não "cair" na mesmice dos tratamentos digitais, que estão transformando a fotografia em ilustração. O olhar, embora mais complexo e subjetivo, também podemos estudar, olhar é o que somos, pensamos, vivemos e tudo que nos formou. Mas com certeza você desenvolve sim o olhar, até o último momento da vida. Para quem se interessar, algumas sugestões de leitura: “A Imagem  de Jacques Aumont; “O Ato Fotográfico” de Philippe Dubois, “Realidades e Ficções na Trama Fotográfica” de Boris Kossoy.



Pin hole é uma das técnicas mais antigas da fotografia qual o prazer de ainda usá-la?

Existem várias técnicas fotográficas, o Pin Hole é literalmente um furo em uma caixa escura, este furo que faz a função de uma lente com um determinado diafragma. Não existem regulagens, nem de foco, nem de diafragmas e nem velocidade... E algumas câmeras nem visor para o enquadramento possuem. Eu tenho um ensaio de São Paulo, feito com um Pin Hole Scope que usa filme 120 mm e resulta um negativo de 6x18cm, os filmes podem ser cor ou P&B, os resultados trazem surpresas em relação as perspectivas, pois esta câmera não tem visor, o enquadramento é "imaginário". Um dos prazeres é você usar uma técnica "tosca" e básica na formação de uma imagem, é o "descompromisso", pois a idéia é o que importa, o "defeito" se torna "efeito"...

Você já desistiu de uma sessão de fotos ou não rendeu como esperava por conta da modelo ser chata ou implicante demais?
Nunca desisti, mas já tive este problema algumas vezes por a modelo ser inexperiente, por a modelo ser arrogante, com retratos de políticos e às vezes por gente da equipe ser chata. Embora o fotógrafo tenha a prerrogativa de tomar a decisão de acabar com os problemas encerrando a sessão. O mais importante é ter a "diplomacia" de terminar o trabalho, brigar e se desentender é prejuízo para todos. Ninguém é mais importante do que ninguém, nem modelo, nem produtor, nem maquiador, nem diretor de arte, nem Fotógrafo.
Existe mulher que é melhor ao vivo do que na foto?
Sim, várias mulheres são melhores ao vivo do que na foto, assim como o contrário também é verdade... Mesmo com produção, luz bacana e bom make, existem vários fatores que influem no resultado de uma foto, fotogenia, expressão corporal, charme, olhar, tudo isso parece óbvio, mas tudo isso combinado resulta na característica de cada mulher, também tem a interação entre fotógrafo e modelo, empatia, admiração. Uma modelo que pra mim não "funcionou”, pode ter um trabalho maravilho com outro fotógrafo e vice-versa. Foto é "ilusão", desejo, às vezes esta mulher "virtual" se faz real, na maioria das vezes não!

Moda ou publicidade, o que te dá mais prazer em fazer?
Nos trabalhos de editorial de moda eu tenho mais "liberdade”, em publicidade existe mais o "seguir" layout, alguns trabalhos de moda como catálogos também são mais "engessados”... Os que me dão mais prazer são os trabalhos que, independente do que são ou para onde são, eu tenho uma sintonia, em outras palavras, me agrada a proposta estética.


Já aconteceu de te chamarem para fotografar uma modelo que você não dava nada por ela e o resultado sai perfeito? Por que isso acontece?
Muitas vezes, em publicidade, em editoriais, patálogos e muitos portraits. Embora Fotografia não seja uma "caixinha de surpresas" surpresas acontecem! São vários motivos, maquiagem e cabelo, produção e iluminação, que "transformam" a modelo do ponto vista estético, se isso é melhor ou pior, é uma discussão subjetiva, mas o que acontece também, e muito, é a "transformação" da "atitude' da modelo, da interpretação, da maneira como ela se coloca diante da câmera, de como ela incorpora aquele momento, do charme, do olhar, de se sentir segura, da empatia... estas características da personalidade da modelo mais a produção, maquiagem e cabelo e toda a parte fotográfica, somadas a uma fotogenia, que num primeiro momento nós não identificamos, resulta numa foto excelente. Muitas vezes ao olhar uma pessoa diante de nós, que nos parece "comum" , ao ver esta pessoa fotografada nos "surpreendemos" com o excelente resultado. Quando se trata de modelo profissional, o que importa para mim é como ela  fotografa e  não com ela é ao vivo.

Você fez sua estreia na revista PLAYBOY ano passado com a capa da repórter Mônica Apor. Como foi esse trabalho? Ter sido para PLAYBOY teve outro peso?
Na verdade eu já havia feito outros trabalhos para a PLAYBOY. Há 18 anos eu fotografei as finalistas de um concurso... 10 anos depois eu fiz dois ensaios, um em SP e outro na Argentina, ambos segundo ensaio. Também há uns dois ou três anos eu fiz uma moda masculina com movimentos em studio. Fotografar a Mônica foi muito bacana, pois eu já tinha feito três ensaios com ela e existia uma admiração mútua. Ensaio de capa para a PLAYBOY tem um sabor especial sim, trata-se de uma marca mundial e um sucesso editorial, é uma revista vista e lida por pessoas de diversas áreas, isso é muito bom, pois a visibilidade é maior.

Qual o trabalho que você mais tem orgulho de ter feito, seja por realização pessoal ou profissional?
São vários, autorais e comerciais, e eu não saberia eleger o melhor, mas vou citar um trabalho recente autoral que eu comecei a fazer há exatamente dois anos e continuo fazendo, chamado: "Cenas de São Paulo", são fotos do Mercado Municipal, Aeroporto de Congonhas, Estação da Luz e os Carros Alegóricos do Carnaval. As fotos foram feitas com uma Câmera Pin Hole Scope 120 mm, onde eu uso filmes coloridos e P&B, as ampliações tem 180x60cm e uma proporção de 1/3. Cinco destas fotos estão no acervo do Museu de Arte Contemporânea de Cuba, Casa de Las Américas. Este trabalho continua e em breve vou fazer uma exposição em São Paulo.

Que dicas você daria ao leitor MENSCH que está iniciando no universo da fotografia?
Não se forma um profissional em pouco tempo, em área nenhuma, e em fotografia também. A "revolução" digital trouxe uma facilidade e uma "democratização" da imagem fotográfica, o acesso a câmeras é mais fácil, a fotografia migrou para telas de iPod, iPad, celulares e computadores. Barateando todo o processo e nivelando as imagens em resoluções baixas que "enganam" os olhos quando vistas "virtualmente" nestas telas. Por outro lado existe uma "banalização" da fotografia, sem critério nenhum. Vejo pessoas se dizerem fotógrafos sem ter idéia do que é Luz e sem ter os pré-requisitos básicos da fotografia. Aprendem um básico de photoshop e se intitulam fotógrafos.
     
A dica é: estudem!! Procure um curso, sejam assistentes de profissionais com história, leiam muito, se informem cronologicamente, história da fotografia, estudem fotógrafos de diversas áreas, para os digitais, entendam o que é, e como funciona um Fotodiodo (pixel), aprendam a fotometrar e a interpretar a luz , estudem Zone Sistem, amplie suas imagens em papeis fotográficos, e principalmente, não se ache importante!!
Em que lugar do ranking está a fotografia brasileira (moda e publicidade) em relação ao resto do mundo?
Não tenho esta resposta e nem sei se existe um ranking. Se existir um ranking, sinceramente não acho isso importante. Infelizmente nossas referências ainda são importadas, principalmente em moda, mas acho que estamos melhorando.
 
Fotografia é um hobby para muitas pessoas. Então qual seria o seu (ou seus) hobby?
No começo meu hobby eram minhas fotos autorais e meu laboratório, hoje isso se incorporou ao profissional. Então, estou sem um hobby. Mas a música é muito importante.

Quem é Angelo Pastorello sem a câmera fotográfica?
Um observador...


Foto capa: Angelo Pastorello (auto-retrato inédito)
Site oficial: www.angelopastorello.com.br
Texto: André Porto e Nadezhda Bezerra
Agradecimentos: Patrícia Alves


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A história desse grande artista começou logo quando criança quando recebeu uma flauta de presente. Flauta essa que faria toda a diferença em sua vida. O homem emotivo descobriu que seu talento ai além da flauta e se ampliava na música. Música essa que o levou a trabalhar num dos programas de maior audiência nacional ao lado de um ícone da TV brasileira, Jô Soares. Lá Derico pode mostrar para todo o público o talento que seus pais apostaram e seus amigos admiravam. Um homem família, digamos assim, Derico é muito mais que flauta, humor na TV e música para todos. É um homem que encontrou a forma de viver de dividir tantas coisas essenciais o prazer de viver. Com vocês o nosso querido Derico, "o assessor para assuntos aleatórios" mais famoso do Brasil.

Você começou na música aos cinco anos com a flauta. Isso foi um desejo seu ou uma influência dos seus pais?
Venho de uma família de músicos, todos pianistas. Quando nasci, minha mãe resolveu que eu não tocaria piano, então me deu uma flauta doce para começar meus estudos. Comecei, gostei e por aí fiquei!


A música na sua vida é profissão ou hobby?
Profissão. Meus hobbies são cuidar do meu Dodge Charger r/t 1974, fazer um churrasco, jogar uma sinuca...!


O que significa a Escola de Música Artlivre pra você e sua
família e quais os planos para este ano?

A “Artlivre” foi um sonho realizado pelos meus pais em 1983. Saímos de nossa casa, fomos morar separados, eu e meu irmão num quartinho e meus pais na casa da minha avó! Foi duro, mas deu certo! Hoje, com 02 unidades, mais de 300 alunos, temos uma tarefa árdua e muito gratificante, que é dar a oportunidade de estudo de música a crianças e jovens, além de realizar sonhos de adultos que gostam de música, mas nunca tinham estudado antes. É muito bacana!


Qual o seu grande ídolo na música?
Não tenho isso. Minha grande incentivadora foi e continua sendo minha mãe! E meu amigo Ed Côrtes!

Como foi sua entrada no Jô Soares e o que mudou na sua carreira com isso?Fui convidado a gravar um programa 21 anos atrás, ainda no SBT. Fui, gravei... O Jô gostou de mim, da minha maneira de ser, do meu visual... Me contratou! A TV é uma janela para o mundo muito maior do que a gente pode imaginar! Difícil é se controlar! Eu não me iludo não! Quando eu sair da mídia, ninguém mais vai se lembrar de mim! Por isso trabalho duro para estruturar minha vida profissional da melhor maneira possível, com muita responsabilidade e respeito. Talvez aí, mesmo sem a mídia, consiga continuar!

Qual o maior mico que Jô já te fez pagar no programa?
Foram vários... Já fui depilado, já lutei vale-tudo com Rodrigo Minotauro, cantei paródia vestido de Carmem Miranda, Ney Matogrosso, Lisa Minelli, Raul Seixas, Alcione, Cauby Peixoto (tá tudo no youtube!), já comi minhoca, gambá, rato, besouro, grilo... Mas não considero nenhum um "mico"! Foram experiências magníficas!

Como é a relação com Jô e os outros colegas do sexteto? Existe uma relação de amizade ou é só profissional?Existe uma amizade profissional! O Chiquinho Oliveira é meu amigo há muito tempo, nossas famílias se confraternizam. É diferente! Com o Jô tenho uma relação de respeito e admiração muito forte, e acredito que a recíproca seja verdadeira!


No Programa do Jô, você também atua como “Assessor para Assuntos Aleatórios”... Já aconteceu muitas vezes de você não ter a mínima idéia do que responder?
Nunca fui gravar sabendo o que vai acontecer, se vou ou não participar mais ativamente, se o Jô vai ou não perguntar alguma coisa pra mim... É tudo na hora! Sempre foi assim! E acho que é isso que dá forma e alegria às minhas participações. Mas nunca disse "não sei!"...


Qual seria o assunto mais aleatório sobre o universo feminino que te deixaria sem resposta?
Se depois do ponto G vem o ponto H!

Você já se relacionou com alguma mulher que no final percebeu que ela apenas queria ficar com o Derico da TV? Como lidar com isso?Sou casado com minha esposa há 23 anos. Quando entrei para o programa já era casado. Nunca me relacionei com outra mulher depois disso. Então, não sei te responder, mas se tivesse um relacionamento com alguma pessoa que quisesse me usar, não deixaria jamais que isso acontecesse. Nem amigo, nem colega, nem vizinho...


Em geral os homens demoram mais a se envolver num relacionamento do que a mulher, mas quando se envolvem é pra valer. Você acredita que isso dificulte mais no fim de uma relação?
Não! Uma relação se constrói a dois e se destrói também a dois!

Essa diferença entre homens serem mais racionais e mulheres mais emocionais atrapalha até que ponto numa relação?Eu, pra ser sincero, sou extremamente emocional. E minha mulher é extremamente racional! E, por incrível que possa parecer, não atrapalha em nada! Se nós dois fôssemos emocionais, o cachimbo já tinha caído há muito tempo!

Casamento é uma instituição falida nos dias de hoje ou estamos no processo de resgate de valores mais tradicionais?
Falo muito para meus filhos sobre como lidar com uma vida a dois. Não necessariamente casados no papel, com cerimônia e coisa e tal, mas uma vida de responsabilidades divididas, de amores divididos, de sonhos divididos, de expectativas divididas. Você precisa achar a pessoa certa para dividir tantas coisas essenciais... E isso é uma das maiores dificuldades da vida moderna, achar um espaço na sua vida para essa procura!

Já usou a música para conquistar uma mulher?
Minha esposa era minha aluna de flauta... Preciso dizer mais alguma coisa?

Flauta ou saxofone?
Flauta, sempre!

Bossa, blues, jazz ou MPB, qual a trilha perfeita para uma noite especial?
Uma orquídea! Daí, meu amigo, qualquer música vai bem!



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Apresentador, ator, produtor e esportista por adrenalina, Christiano Cochrane é um cara que personifica a título de ser um homem contemporâneo. Contemporâneo e inquieto, com garra pra fazer sempre mais e melhor. Seja como marido parceiro de todas as horas da atriz Daniele Valente, seja como precursor de um programa voltado para o público masculino. Chris, como é chamado, é um homem moderno que traz consigo valores tradicionais, como o da família.  E por falar em família, fora tudo isso, um outro desafio sempre o cercou, ser filho da famosa jornalista e apresentadora Marília Gabriela, que o faz ter que se superar sempre e mostrar que tem luz própria. É isso que confirmamos nessa entrevista muito franca e gostosa de ler.
 
Você se formou em administração enquanto morava nos EUA, e foi trabalhar na TV como produtor, apresentador e ator. O seu negócio é TV e não tem quem mude isso? O meu negócio é entretenimento e não tem ninguém que mude isso! Descobri que preciso fazer outras coisas (negócios, produções, etc) para ganhar dinheiro, mas se fosse herdeiro ou tivesse acertado na loteria, nem pensaria em outra coisa.

Como foi a experiência de apresentar um programa voltado para o público masculino? Como foi a aceitação? Foi incrível!! O “Contemporâneo” foi – e ainda é – o único programa do gênero no Brasil. Pintaram outras tentativas, mas ninguém acertou a fórmula como nós fizemos.  Era um barato, porque o programa era para homens, mas as mulheres de todas as idades também curtiam. A aceitação foi incrível! Até hoje as pessoas vêem me perguntar “Quanto volta ao ar o seu programa”? Fazem isso TODOS os dias, sem exagero. Já faz quase quatro anos que o “Contemporâneo” acabou e as pessoas tratam como se tivesse prestes a estrear nova temporada.

Durante o programa, muitas vezes você se colocou como espectador, como homem consumidor? O que o Contemporâneo teve a ver com você?
Tudo. Ali tinha um pouco de tudo para todos os homens. Qual de nós não consome produtos, cultura, saúde?  Muitas reportagens tentavam enquadrar o “Contemporâneo” como programa para metrossexuais. Bobagem! Era um programa feito para todos os homens: o machão, o sensível, o estudioso, o tarado, o metrossexual, o heterossexual, o homossexual. Era um programa legitimamente democrático e cumpria bem sua função.

Ao longo desse tempo de programa o que deu pra você perceber em relação aos homens e às mulheres, quais os principais medos e anseios de cada um? Acho que o grande medo das pessoas é a solidão.  A gente pode esmiuçar muito e dizer que as mulheres são curiosas por natureza, os homens estão se descobrindo neste milênio tão feminino, mas a verdade é que se a gente analisar bem a fundo, o nosso grande medo é a solidão – não somente se tratando de relacionamentos, mas no sentido mais amplo da palavra.

Voltaria a fazer um programa naqueles moldes? A fórmula seria atual ainda ou o público mudou um pouco hoje? Claro que voltaria! A fórmula é super atual, porque já era muito vanguardista quando estreou. Ouso dizer que faria sucesso na TV aberta.

Que experiências você levou do tempo de produtor do “Domingão do Faustão” para o “Contemporâneo”? Produção é um trabalho duro, que exige mais que competência, exige tesão do produtor. Conheço gente como eu, que produzia como porta de entrada para a TV, mas os melhores produtores com os quais trabalhei, eram gente que curtia produzir!  Produtor que não quer ficar frente às câmeras, que é produtor de carreira. Agora, acho que se todos os apresentadores trabalhassem pelo menos um ano como produtores, teríamos muito menos “estrelas” e apresentadores muito mais eficientes por aí...  Como produtor você aprende como a TV realmente funciona. No “Contemporâneo” eu sabia  quais eram as limitações e as capacidades dos produtores, então nunca pedia mais/mais rápido do que eram capazes, mas também não me contentava com menos/mais devagar do sabia ser possível.


[vídeo de um dos programas apresentado por Christiano, no caso esse traz uma entrevista com Sabrina Sato e uma matéria sobre ternos]

Para você o que mudou no papel do homem e da mulher na sociedade hoje em dia em relação a 20, 30 anos atrás? Ao passo que a mulher tem passado as ultimas três décadas conquistando o que lhe era de direito, o homem tem passado as últimas décadas percebendo que seu papel mudou e agora está perdido tentando descobrir qual o seu papel. Estamos menos necessários para as mulheres de acordo com os moldes antigos, mas a nova mulher, que trabalha muito, ganha muito, ocupa cargos antes do homem, agora tem a necessidade de parceiros mais disponíveis, mais presentes do que nunca.  Isso para nossa engenharia genética/evolutiva é muito difícil, é um trabalho em andamento, porque nos somos mais dispersos, impetuosos.

Quando Christiano é um homem machista e quando é um homem sensível? Sou sensível a maior parte do tempo, mesmo no meu (às vezes) jeito truculento de agir. Me sinto meio machista vez ou outra quando vejo uma mulher pilotando um carro muito bem, ou fazendo um esporte tipicamente masculino muito bem. Acho graça de mim mesmo quando isso acontece – e se eu não perceber, a Dani me sacaneia na hora! Com a chegada da minha filhinha, acho que isso vai acabar de vez, pois quero que ela faça tudo que eu faço: correr de moto, velejar de kite, lutar Jiu-Jitsu, etc. Lá vem minha filhota para me ensinar muita coisa.

Ser filho de Marília Gabriela abre mais portas ou atrai mais cobranças? Abre a mesma quantidade que fecha. Por ter crescido literalmente dentro de estúdios de televisão, conheço muita gente. Minha mãe tem muitos amigos e as pessoas sempre me recebem, mas ninguém quer botar o seu na reta e arriscar ser acusado de favoritismo. Sempre que começo QUALQUER trabalho metade das pessoas ficam de bico, começam fofoquinha (eu sempre fico sabendo). Tenho que fazer tudo duplamente bem para as pessoas entenderem que não estou ali de favor. Minha mãe NUNCA conseguiu um emprego pra mim – e olha que ela tentou... Já levei muito mais não do que sim, mas isso só faz as conquistas ficaram tanto mais saborosas.
 

As pessoas tendem a achar que apresentar um programa de viagens é o trabalho perfeito, pois se conhece vários lugares. É verdade? Foi assim quando você apresentou o “Brasil é Aqui” no GNT?Trabalho mais duro que já tive! Partíamos para viagens de vinte dias, onde gravávamos das 5/6 da manhã até as 9/10 da noite, subindo e descendo montanhas, fazendo a mesma trilha N vezes, debaixo de um calor insuportável, etc.  Daí comíamos (muitas vezes mal), dormíamos (muitas vezes mal) e dia seguinte tudo de novo.  TV a cabo tem um budget SUPER restrito, então a gente tinha que tirar leite de pedra. No vídeo tudo fica lindo e parece divertido, esse é nosso trabalho e essa seria a experiência de um viajante a lazer, mas pra fazer aquilo ficar legal no vídeo, é duuuuro!
Você já saltou de pára-quedas, praticou rapel, kitesurf... adrenalina te motiva? Não. O pára-quedismo eu curtia depois daqueles segundos iniciais de frio na barriga, quando parece que a gente está voando de verdade.  O kite, por incrível que pareça, é muito relaxante, não traz muita adrenalina. É mais uma coisa de estar sozinho com o mar, você, a prancha e a pipa. A única coisa que traz adrenalina e eu gosto é a moto velocidade. A adrenalina precisa ficar sob controle, pois chego ao final das retas a 300 km/h, então tem que ter controle absoluto dos braços, pernas e nervos! Mas é muito divertido quando estamos num pega por uma posição.
Estar à frente de um programa de TV te deixa mais vaidoso? Como você lida com a vaidade? Não. Fiquei muito menos vaidoso depois do “Contemporâneo”.  Acho que minha auto estima melhorou,  então passei a me preocupar menos com o que visto, com a aparência.  Minha mulher me vê pronto pra sair de casa quase sempre com uma de duas bermudas BEM velhas que uso, uma das minhas camisetas brancas Hering (que ela tem que jogar fora de vez em quando, senão vou usando com o sovaco amarelo mesmo) e meus chinelos e diz “esse é o homem Contemporâneo”?! (risos)
O segredo de um bom relacionamento é sempre a cumplicidade, ser casado com Daniela Valente, que também é do meio televisão, proporciona isso com mais intensidade? O meio em comum facilita o entendimento do que a gente faz, então não pinta grilo com agenda esquisita, etc. Mas meu negócio com a Dani é muito mais profundo que isso. Se eu passar a trabalhar num escritório das 9 às 5 amanhã, ou se ela resolver que quer fazer faculdade de psicologia, nossa cumplicidade não mudará nem um pouco. Afinal, cumplicidade não é isso, é ser parceiro independente das circunstâncias?

Você está no segundo casamento... que lições você traz de positivo da primeira experiência? Que não podemos mudar as pessoas.  Minha ex era muito diferente de mim, de outra cultura, outro país (não que isso não dê certo pra muita gente) e queria muito que eu fosse outra pessoa, acho que eu também queria isso dela.  Tem que gostar do outro como ele é.  A gente evolui, mas não muda completamente. Com a Dani já expus toda a minha vida de cara, pra não ter surpresas. Nós não temos segredo algum e isso nos fortaleceu muito. Sabemos que gostamos um do outro como somos.
E ser um futuro papai, já te afeta de alguma forma? Tem se preparado para esse novo papel? Putz, estou completamente bobo! Quero comprar tudo que é cor-de-rosa por aí! A Dani até diz “menina pode usar outras cores, tá”! rs rs rs  Não tive irmã, então é tudo novo pra mim. Comprei vários livros e tenho estudado muito. Vamos fazer aquele curso para pais e estamos nos divertido escolhendo as coisas pro quartinho dela. Quero tentar não ser paranóico, mas tá difícil...  Fiquei um mês estudando os carrinhos e cadeirinhas antes de comprar e agora vamos trocar de carro para ter Isofix (que prende a cadeirinha melhor)...  Acho que faz parte de ser pai de primeira viagem. Parece que no segundo filho a gente alivia...



Por falar em papel, você já atuou em duas novelas e três filmes. Como foi a experiência de atuar? Se descobriu ator de vez? Nas novelas fiz participações pequenas, mas filmes já fiz quatro, dois deles com papéis principais. Sou apresentador por experiência, mas sou ator formado; estudei três anos profissionalizantes, mais vários cursos livres.  A curva de aprendizado de um ator é muito mais longa.  Um bom ator nunca deixa de aprender, evoluir. É um prazer bem diferente da apresentação. O prazer de fazer um filme é menos imediato que fazer um programa de TV. Às vezes é um prazer agridoce também. Você passa semanas, ou meses, se preparando e quando faz se diverte.  Daí quando vê aquilo na tela muito tempo se passou e aquela cena que você gostou de fazer, fica envergonhado de assistir, ao passo que coisas que nem tinha notado, ficam muito legais.  Não é à toa que atores são tão inseguros. Estamos sempre sob alguma lente analítica – nossa ou dos outros...
O que Christiano quer desse novo ano? Quero muito ver nosso país melhorar.  Gostaria que a Valentina conhecesse um mundo mais bonito, com menos briga, mais gente generosa. Acho até que existe um movimento universal neste sentido e gostaria de vê-lo cada vez mais forte.  Quero ser um bom pai e continuar melhorando como companheiro pra Dani, que só me traz alegria, evolução e amor. 


Capa:
Foto: Rodrigo Lopes
Tratamento de Imagem: Jorge Souza
Agradecimento: Bia Serra - Montenegro & Raman
Entrevista: André Porto e Nadezhda Bezerra
Revisão: Dulce Porto


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Ser consagrado um grande profissional não basta apenas ser graduado nas melhores universidades e ter os maior número de prêmios. Requer acima de tudo coisas básicas como carisma, simplicidade, humildade e saber ouvir o próximo. São essas características todas que fazem do jornalista Edson Rossi um dos maiores profissionais do mercado editorial nacional. Elogiado por diretores e leitores, Rossi tem feito uma trajetória de sucesso por onde passa. Entre novos amigos (e admiradores) e novos projetos, como a atual direção da revista Riders, Rossi é um dos nosso eleitos como exemplo de homem MENSCH. Acompanhe nossa conversa com esse cara admirável e também vire fã.

Edson, você está formado em jornalismo há mais de 24 anos, já trabalhou como assessor de imprensa trabalhou em jornal, revista feminina, lecionou... Resume um pouco pra nós esse seu início de carreira.
Nasci em Santo André (18/3/1966) e me formei em jornalismo em 1987, pela Metodista. Um ano antes (1986), aos 20 anos, comecei a trabalhar na área como estagiário da assessoria de imprensa da Secretaria de Economia e Planejamento do Estado de São Paulo. O secretário era o José Serra, logo substituído pelo Clovis Carvalho. O governador era o Orestes Quércia. Mas eu era o último da assessoria, não tinha nenhuma ligação política ali. Fiquei um ano na assessoria. Aí fiz o Curso Abril de Jornalismo, na virada de 1987 para 1988. Fui da revista Placar (88-90), do Jornal Diário do Grande ABC (90-97), do Jornal de Economia DCI (93-94), editor de projetos especiais da revista Caras (97-00), redator chefe da Ação Games (00-01) e dafeminina Elle (01-03), diretor de redação das revistas Contigo! (03-06) e da Vip (06-07). Saí da Abril em 2008 e lancei a revista Fut! (do Jornal Lance, em 2008), estive diretor de conteúdo do portal Terra (08-10). Aí cheguei à Riders, no meio do ano passado.

Você uma vez criticou a mídia eletrônica por não conseguir ser isenta dos interesses públicos/políticos, já que depende de concessões públicas. Ano passado na campanha política à Presidência a imprensa foi acusada de falar demais chegando a incomodar o governo. Você ainda concorda com seu depoimento anterior?
O que penso é que TVs e rádios são concessões públicas e evidentemente seus concessionários podem relutar antes de criticar uma instituição de estado. Afinal, por menor que seja a probabilidade, existe o risco de a concessão ser tomada. Mas mais que a concessão ser tomada ou não, critico a qualidade. A gente não pode imaginar que toda emissora de TV do país é a Globo que vemos no Rio ou em São Paulo, uma máquina profissional. A maioria não é assim. Há inúmeras retransmissoras locais, com programação local, na mão de políticos. Nem todas são ruins, claro, e tem umas com excelente serviço, mas não acho exatamente saudável tanto político dono de meios de comunicação. Sobre as críticas à imprensa no processo eleitoral, me parece natural. É do DNA de quem ocupa cargo público reclamar da imprensa. Reclamar pode, censurar não pode. Parto do princípio de que se estão reclamando da imprensa é que a imprensa está incomodando, e isso é o papel principal dela.


A imprensa de hoje está caminhando para uma independência maior? Está mais fiel aos seus princípios jornalísticos de informar à população a verdade dos fatos?
Hummmm... Esta resposta pede umas 12 horas de conversa, metade num bar. Sou professor de jornalismo há 14 anos e uma das minhas aulas iniciais é falar sobre o que é verdade factual e verdade absoluta. Sobre a diferença delas. Para mim, a qualidade da imprensa é cíclica, melhora e piora. Mas ao longo de uma observação histórica, ao longo de anos, eu acredito que ela esteja melhor do que estava. Não sou saudosista, ou um tipo de velhote que fica repetindo que tudo antes era melhor. Com relação à independência, a web ampliou muito esse debate e as possibilidades de um jornalismo mais independente - e nem vou falar de wikileaks.

Você trabalhou em revistas para públicos variados, do feminino ao masculino, do jovem ao adulto. O que essas experiências tão opostas acrescentaram, ou mudaram, no profissional que você é hoje?Fundamentalmente aprendi três coisas. A) Não importa qual o seu público, ele merece o maior respeito. B) A cadeira do outro não tem
menos espinhos que a sua. C) A ser uma pessoa menos intolerante e menos preconceituosa.


Existe muita diferença em comandar uma revista feminina como a Elle e uma revista masculina, como foi o caso da VIP na Editora Abril e a Riders hoje em dia? É mais fácil fazer revista para homens?É mais difícil fazer revista para homens, porque o mercado de revistas femininas - com ressalvas, claro - é um mercado mais maduro, mais profissional, mais consistente. Desde que nasceram as revistas essencialmente masculinas, no fim do século 19, elas se baseiam na fórmula humor+mulher+serviço. Com exceções de sempre, a revista masculina é baseada na fórmula outdoor (as pautas falam do que fazer fora de casa) e as femininas são baseadas na pauta indoor (são pensadas para deixar a mulher em casa). As femininas, no entanto, mudaram (e continuam mudando) mais, segmentando mais. As maiores revistas do Brasil em receita publicitária e circulação são femininas, e não masculinas. Isso diz muito.

Por falar em Editora Abril, você trabalhou lá por oito anos até ser demitido em 2007 de surpresa. Ficou algum ressentimento? Faria algo diferente?

Na verdade, no fim de 2007 eu fui desligado do cargo de diretor de
redação da Vip, onde estava havia quase dois anos. Mas continuei na Abril por mais um ano, antes de sair (a pedido) para dirigir o Terra. Por favor, só digo isso para contar como foi, não tenho vergonha de demissão. Já tive três profissões (em engenharia, dando aula, como jornalista) e já fui demitido nas três. Por isso, nenhum ressentimento em relação à Abril. Pelo contrário. É uma das maiores escolas de revistas do mundo, lugar em que o lema fazer benfeito (ficou horrível escrever benfeito com a nova ortografia) vem acima e antes de tudo.


Depois dessa experiência toda em uma das maiores editoras brasileiras, você foi trabalhar numa editora menor. Dá pra fazer um trabalho de qualidade independentemente do porte da editora? Quais os principais pontos contra e a favor?
Dá para fazer de um bistrô o melhor restaurante do mundo? Ou dá para fazer de um bistrô um grande restaurante? Tem gente que responderá sim, tem gente que responderá não. Eu sou dos que
responderá sim. Mas é claro que uma máquina poderosa tende a ajudar. Eu diria que uma revista nota seis numa editora grande tende a se dar melhor que uma revista nota nove numa editora pequena.

A favor, numa grande editora, está a máquina: produzir, distribuir,
vender (em banca e publicidade), tudo isso funciona melhor em um lugar maior. Mas tem o outro lado. Numa editora menor, a favor está o fato, por exemplo, de que consigo aplicar técnicas de edição que poucas editoras grandes têm tempo de conhecer, adotar, incluir na máquina (por ser muito grande).


Como você vê o panorama editorial das revistas masculinas nacional atualmente?
Fiquei empolgado com o lançamento de Alfa e estou ansioso com o da
GQ. Espero que ambas possam ser feitas com qualidade para que o
mercado avance. Estamos muito atrás.



Nos últimos anos novas publicações surgiram para esse tipo de público. O mercado tem reagido bem mesmo com os avanços da internet?
Se houver conteúdo inteligente e de qualidade não há o que temer. Agora, se a fórmula for piadas rasteiras + mulheres sem graça, ou mulheres rasteiras + piadas sem graça, ganha a internet. Além disso, dá para fazer conteúdo de qualidade, com técnicas de edição de revista, na web. Vocês são exemplo disso. Fazer revista é um jeito, não uma mídia (offline x online). E não podemos tirar da equação os aplicativos. Tablets têm a portabilidade que até aqui só as revistas tinham. Então, fazer no papel terá de ser enxergado de outra forma, terá de ser incorporado a esse fazer do mundo dos tablets



Hoje você está no comando da Riders, uma revista masculina para amantes de motos. Como está sendo essa nova experiência? Como surgiu o convite?
Surgiu em junho. Comecei em julho e minha conversa inicial com o Alfredo Nastari (publisher e dono da Nastari Editores, que edita Riders no Brasil) foi fazer o lançamento da versão brasileira. Gostei da proposta, da revista e da possibilidade de lançar algo de altíssima qualidade. É bom fazer coisas com pauta criativa, gramatura boa. (risos) Hoje fazemos uma revista que trabalha técnicas avançadas de edição. Praticamente não temos quebra de parágrafo entre as colunas – e nunca quebramos parágrafos entre as páginas. Isso cria harmonias, um “nível inicial de leitura” que mistura design, percepção, conforto... E isso é só um exemplo. Temos regras avançadas também para textos e fotos, coisas que somente ficam na percepção do leitor, mas que ajudam a deixar a revista benfeita.





Quais os grandes atrativos e diferenciais da Riders? Qual o perfil da revista?
De certo modo, Riders está para as motos de alta cilindrada como a
Trip está para o surfe. Não dizemos que é uma revista de moto. É uma revista de estilo, uma masculina.

O público de Riders é masculino, com 28 anos ou mais, que se relaciona com o universo das motocicletas de alta cilindrada. É um cara bem resolvido, que curte o consumo, mas com estilo, assim como se preocupa com o consumo responsável; um cara que busca a felicidade profissional, mas sabe que acima disso estão sua família e seus amigos...

Todo esse pacote é envolto com um design inovador em nosso mercado. Toda edição temos fotos diferenciadas. Nossa moda também está um ponto ou mais acima do nível médio de informação. Não damos o conjuntinho padrão do que vestir damos uma foto de um cara de bermuda estampada com um blazer estilosíssimo de linho com um cadarço amarrado na manga. É uma informação mais refinada, não é manual, do tipo A + B e vá para a rua.

Muitas vezes dizemos para o cara que está com a pauta fotográfica ou de texto: faça o que quiser, voe, e o cara não voa. A gente vive reclamando de revistas que não dão espaço para a criatividade, para o fazer diferente, e quando essa liberdade aparece a gente faz o by the book. Esse é o nosso desafio: saber criar com a liberdade que Riders traz sem que seja algo inconsequente, sem que seja o criar por criar. Queremos o diferente sem perder a função maior de uma revista: informar e entreter. Isso vale para toda a revista, todas as seções.

Você curte motos? O que curte fora jornalismo?Estou na base da linha de corte da Riders: há cinco anos tenho uma Shadow (600cc) com pintura personalizada. É minha primeira – e até aqui única – moto. Curto muito, mas curto mais gastronomia e viagens (acabo de voltar da Síria). Curto mais literatura (livros de reportagens, em especial). Curto o Palmeiras (mais do que deveria, eu acho).



Soube que você partiu para o jornalismo para ficar mais próximo do cinema, outra grande paixão. O que você mais gosta em cinema, de ver e fazer pelo cinema?
Já fui bem mais consumidor de cinema. Só para disparar uma metralhadora diria que adoro Sergio Leone, Michael Hanecke (“Funny Games” e “Cachê” me impressionaram), Barbara Stanwick, Gary Oldman, “M, o Vampiro de Dusseldorf”, cinema francês, mas não do iraniano... Fernando Meirelles é para mim um divisor de águas. Não gosto de comédias. Em geral, acho o humor nosso (e aqui nem falo de cinema) muito ruim para tamanha pretensão. E para qualquer pessoa sempre recomendo “12 Homens e uma Sentença” (que não é western, claro) e "O Bom, O Mau e O Feio" (que é western spaghetti, claro).



Você continua lecionando? Como mantém essa troca de informação e experiências que o bom jornalismo e redator-chefe requerem?
Dou aulas há 14 anos. Como não fico lá falando da minha vida, sou forçado a preparar as aulas. Logo, sou obrigado a estudar. Isso faz com que obrigatoriamente veja mais coisas do que a maior parte das pessoas que só está na redação.


Por falar nisso, que livros você está lendo e que livros
indicaria nos dias de hoje?

Acabei “Uma História dos Povos Árabes”, de Albert Hourani, e estou terminando “Como Fazer Inimigos e Alienar Pessoas”, de Toby Young, jornalista inglês que conta suas experiências na redação da Vanity Fair. Indicações não tão recentes, mas vale garimpar e achar, além de “O Reino e o Poder”: a) “Gostaríamos de Informá-los de que Amanhã Seremos Mortos com Nossas Famílias”, de Philip Gourevitch, sobre o genocídio em Ruanda; b) “No Coração do Mar”, de Nathaniel Philbrick, sobre o naufrágio do barco que inspirou Moby Dick; e c) “O Estranho Caso do Cachorro Morto”, romance escrito pelo olhar de um menino autista, de Mark Haddon.

O que é mais difícil entender a cabeça de uma mulher ou agradar a um leitor?
Agradar um leitor.




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Nosso entrevistado dessa semana veio do Crato (CE) e se debandou mundo a fora conquistando mulheres, leitores e acima de tudo, formando um cara sensível, mesmo por trás da couraça criada para manter a imagem de cabra da peste, muito inteligente e sempre com ótimas tiradas. Tiradas essas captadas de suas experiências e das experiências alheias. Estamos falando do jornalista, escritor, cronista e eterno apaixonado pelas mulheres, Xico Sá. Um cara com lábia capaz de seduzir as mulheres e servir de exemplo para os homens. Com alguns livros escritos, participações no cinema e programas esportivos, Xico Sá agora se desafia no confronto cara a cara com as mulheres do programa Saia Justa (GNT). Entre um tempinho e outro, arrumou espaço para responder às nossas perguntas e nos dar um banho de simpatia, inteligência e acima de tudo, modos de macho. Com vocês, nosso "macho-jurubeba" (como ele se auto-denomina), Xico Sá:

Vamos lá pro início de tudo... como foi seu início como jornalista? E o escritor, como surgiu?
O sonho era ser escritor, mas como viver desse ofício no Brasil? Ai fiz o caminho tradicional de muitos que tem o mesmo desejo: acabei caindo nas redações para ganhar um troco. Hoje consigo conciliar os dois mundos, na boa, sem maiores queixas.  

Cariri (ou Crato?), Recife, São Paulo, como lugares tão diferentes influenciam Xico Sá?
Cada um tem a sua importância. Do Crato e arredores, na região do Cariri, vêm os cheiros e aventuras de infância; do Recife a educação sentimental e a formação boemia, literária e profissional; São Paulo junta todos esses universos e me enriquece com seus paraísos, augustas e consolações.  

Você praticamente virou um "filósofo" quando se trata da relação homem x mulher hoje em dia. De onde veio essa, digamos, vocação para entender essa relação complicada? Experiências pessoais? Observação sobre casos mais próximos?
Filosofo nada rapaz, só dou os meus pitacos como cronista de costumes. Aprendi muito com a minha própria tragicomédia, as minhas dores, infortúnios e pés na bunda. É da minha própria experiência, e alguma dose de literatura e cachaça, que vem essa tal filosofia. As minhas fontes também ajudam principalmente os garçons, velhos e bons narradores de historias amorosas, barracos, traições e outros crimes passionais.

TV, jornal, internet... você atua neste 3 meios, o que cada um tem de mais fascinante?
Sou um gutenberguiano, um cara que adora e veio do mundo das impressões no papel, seja no jornal, na revista ou no livro. Apenas transfiro essa experiência e tesão de escrever para os blogs, sites, redes sociais etc. A TV é uma brincadeira de um homem feio tentando assustar os lares doces lares – não sou desse ramo, apenas levo a graça do cronista para dizer as minhas besteiras sobre qualquer assunto, seja futebol, seja a dita tragicomédia das relações.

Jornalista, escritor, roteirista e parceiro musical do Mundo Livre S/A. Como dar conta de tantas atividades?
Sapo não pula por boniteza, sapo pula por necessidade. Gosto muito dessa máxima pescada por Guimaraes Rosa nos Sertões das Minas Gerais. É o meu mantra da viração, de fazer de tudo ao mesmo tempo mesmo agora.

Você fez uma “ponta” em O Cheiro do Ralo, tem pretensão de atuar mais vezes?
Fiz ponta em vários filmes de amigos, sou uma espécie de Wilson Grei dessa nova safra de filmes, é o que digo tirando onda. Não, pretensão zero como ator. Sou péssimo. É tanto que nos filmes que participo normalmente estou no papel de mim mesmo, como no “Crime Delicado”, do Beto Brant, no qual faço um vagabundo da noite que aconselha travestis.  

Xico, as mulheres hoje em dia estão mais independentes que nunca. Outro dia uma amiga minha comentou que homem fica assustado com mulher inteligente e muito independente. Pra você por que isso acontece?
Sim, ela está certíssima. Esse é o mote do meu livro “Chabadabadá –aventuras e desventuras do macho perdido e da fêmea que se acha”(editora Record). O homem nunca esteve tão frouxo e medroso.

As mulheres estão indo à caça hoje em dia, vão atrás do melhor homem. E os homens viraram as presas. Você acha que elas estão indo atrás de amores platônicos ou fodas homéricas?
Eles querem tudo ao mesmo tempo: amores e fodas homéricas. Melhor: amores que comecem com fodas homéricas e assim prossigam. Eu dou a maior força, não me sinto tão mal assim no papel de presa. Que venham! 

A verdadeira amizade entre homens é algo invejado pelas mulheres. Causando até ataques de ciúmes em algumas. Por que, em geral, as mulheres não conseguem ter esse nível de amizade que os homens cultivam? Como se explica isso?
É o nosso faroeste é bem mais civilizado, apesar de uns tiroteios que também saem do nosso controle. A competição entre as moças é mais pauleira. A começar pela paranoia: do corpo em forma, da roupa, da maquiagem, do cabelo. Do cabelo nem se fala, é uma guerra particularíssima.

O que as mulheres têm de aprender sobre o comportamento dos homens?
Acho que não tem que aprender nada com os perdedores. Nós dançamos machões, contrariando um velho livro do genial Norman Muiler.

Um recente post da Mensch na coluna “Crônicas e Indagações Femininas” foram inspiradas em uma citação sua na revista Marie Claire: “Mulher boa pra casar é aquele que já transou muito e ainda assim escolheu ficar comigo”. Isso é coisa de um homem “não machista” ou de um homem “que se garante”?
É coisa do meu repertório de experiências amorosas. Normalmente a mulher que já teve várias histórias, a destemida guerreira, a poderosa, é a melhor companhia em uma nova aventura de amor e convivência. Estou dentro, sempre.

Como é a sua relação com as mulheres? Por que elas gostam tanto de Xico Sá (segundo jornais e revistas)?
Não sei se gostam tanto assim como dizem, mas eu busco isso o tempo inteiro, com a minha devoção a elas, meu ajoelhamento diário no milho amoroso. É por essa causa que vivo. Também tem o lado de conselheiro, sou um bom ouvinte, paciente, adoro essas narrativas e procuro tirar delas algum ensinamento.

E esse fetiche por pés, vem desde cedo? O que mais te encanta em relação às mulheres?
Fetiche antigo. O amor começa pelos pés, disso não tenho duvidas.

Seu último livro, Chabadabadá, tinha um formato diferenciado, fora dos padrões, o que gerou muitos comentários. Como foi a receptividade desse livro afinal? Saiu exatamente como imaginado?
O livro segue um formato parecido com o “Modos de Macho & Modinhas de Fêmea”, também editado pela Record (está na 4ª edição), a minha primeira coletânea de contos e crônicas tratando do mesmo assunto: a tragicomédia dos relacionamentos. O “Chabadabadá” tem um luxo à parte, pois foi ilustrado com desenhos do Benício, grande artista dos anúncios publicitários, dos livros de pulp fiction e dos cartazes de cinema – principalmente da fase de ouro da pornochanchada.  

Você realmente cultiva esse jeito "truculento" e "candango" que alguns veículos comentam, ou isso já faz parte de um marketing pessoal?
Eu tiro um pouco de onda sobre isso, é tanto que sempre falo rindo, nunca com pregações ou discursos sérios. É apenas para contrapor o macho-jurubeba, o homem à moda antiga, com os costumes modernos do metrossexualismo.

O que você curte fazer quando está com tempo livre?
Tomar uma cerveja na praia com os amigos ou em companhia de um bom livro. Cinema também sempre vai bem. Sem se falar na vagabundagem eterna pelos bares, sou um flaneur profissional.


Livros de Xico Sá:

- "Chabadabadá - aventuras e desventuras do macho perdido e da fêmea que se acha" – Editora Record
- “Modos de macho & Modinhas de fêmea” - Editora Record
- “Divina Comédia da Fama” - Editora Objetiva
- “Nova Geografia da Fome” - Editora Tempo d´Imagem
- “Paixão Roxa” - Editora Pirata
- “Catecismo de Devoções, Intimidades & Pornografias" - Editora do Bispo
- “Ser um cão vadio aos pés de uma mulher-abismo" - Editora Fina Flor
- "Caballeros Solitários rumo ao sol poente" - Editora do Bispo
- "La mujer és un gluebo da muerte - noubellita sangrenta de amor a quemmaropa - Editora Yiyi Jambo - Asunción, Paraguay.
- "Tripa de cadela & outras fábulas bêbadas" (contos) - Editora Dulcinéia Catadora, São Paulo, Brasil



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A dupla de cariocas, FELGUK, tem sido considerada um dos maiores nomes da e-music nacional, com um som de estilo próprio, atingiram logo repercussão internacional, que ocasionou, inclusive, parcerias com artistas consagrados, como a rainha do pop Madonna, assim, os colocando no seleto grupo de top DJs e produtores de música, como Benny Benassi e Paul Oakenfold. O projeto de Gustavo Rozenthal e Felipe Lozinsky possui um gênero próprio, sempre recebendo uma resposta calorosa do público, com produções graves e ao mesmo tempo melódicas, o que levaram a correr o mundo em países como Estados Unidos, Canadá e México. A MENSCH interessada em boa música resolveu fazer uma entrevista exclusiva com a dupla, para saber mais sobre o som que está circulando o Brasil e o mundo.
Porque a dupla chama-se FELGUK?Felguk é uma junção dos nossos nomes Felipe e Gustavo.
Quando surgiu a paixão pela profissão de DJ? Quais são as suas influências de vocês? 
Sempre gostamos de música eletrônica e também de tecnologia, sintetizadores, programas de edição de áudio, etc. Gostávamos dessas coisas e o resto aconteceu naturalmente. Tudo nos influencia de alguma forma, gostamos muito de rock, de pop, de diversos estilos de música eletrônica e com certeza tudo o que ouvimos influencia de alguma maneira nosso trabalho.
Que estilo que vocês preferem seguir?
A gente não se prende a isso, nosso estilo base foi o electro - house, mas sempre misturamos com outros elementos, nossa última música tem guitarras, 2nite tem um vocal de rap muito bom, outras já tem uma pegada mais pop que a gente curte bastante, as possibilidades são infinitas, não faz sentido se limitar a um estilo.
Como foi ter sido considerado a sensação de 2010, quando vocês estouraram?
2010 foi importante pois pudemos tocar em muito mais lugares, nosso trabalho pode ser conhecido por muitas pessoas novas, mas não consideramos que estouramos em algum momento. Desde o início a gente vem produzindo, fazendo nosso trabalho com seriedade e dedicação, a partir daí as coisas foram acontecendo gradativamente...
Vocês têm pouco tempo de carreira, porém já tocaram em vários locais, qual local foi inesquecível?
Em julho nossa música 2nite foi tema do maior festival de música eletrônica dos Estados Unidos, o Eletric Daisy Carnival, em Los Angeles. Fomos convidados para tocar lá e foi incrível, o festival é enorme com público total de 200.000 pessoas... Foi demais!
Qual diferencial que vocês acreditam ter em relação aos outros DJs?
Acreditamos que ter produzido nossas próprias músicas desde o começo, com um estilo próprio tenha nos diferenciado. A gente sempre buscou ter uma linha própria, ingredientes marcantes que façam as pessoas ouvirem e saberem que aquele som é nosso.
O que é fundamental para ter uma boa vibe com o público?
Tem que estar ali por que gosta mesmo daquilo, não importa onde, nem pra quantas pessoas, tem que estar em sintonia. No nosso caso a interação é o ingrediente principal, é uma troca, não da pra ficar só tocando sem “conversar” com o público.
Vocês gravaram "Celebration" de Madonna pro recente CD dela. Como foi criar para Madonna?
Foi tudo muito profissional, mas foi uma experiência e tanto que alavancou muito nossa carreira. Era um grande desafio, mas todos ficaram muito satisfeitos com o resultado. Não tem como negar que ser convidado para trabalhar com um artista desse porte é muito gratificante.

Surgiu algum outro trabalho internacional decorrente desse trabalho com Madonna? 
Depois de ter remixado pra Madonna a gente teve muita exposição, dentro e fora do Brasil, mas não foi um fato isolado, a gente já vinha fazendo um trabalho que estava cada vez mais conhecido e depois dela continuamos lançando nossas próprias músicas… Tudo isso junto fez com que a gente tocasse mais vezes fora do Brasil e recebesse outros convites como remixar o David Guetta.
É difícil se permanecer no top nessa área? Como vocês pretendem se manter?
É difícil se manter no auge, por isso acreditamos que ainda não estamos nele. Estamos sempre em ascensão buscando crescer mais. A gente busca se manter produzindo sempre coisas novas, buscando inovar sempre na apresentação. Não da pra ficar parado, nada iria acontecer se a gente ficasse tocando a música da Madonna para sempre.
Quais os novos projetos? O quem tem de novo vindo por aí?
Estamos começando o projeto do nosso 1º disco, que deve sair agora em 2011. Já temos algumas coisas, mas ainda está bem no início. O que vem por aí são muitos shows, a gente gosta muito da Estrada e nossa agenda nos enche de orgulho. Tocar em cidades e países que a gente ainda não foi é o que mais queremos fazer daqui pra frente.
Video "Side by Side":

Texto: André Lima

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Para quem mora em Recife, sua cidade natal, o nome João Marinho é sinônimo de alto astral, festa badaladas e vitaminas Sundown (marca que representa aqui no Brasil). Mas por trás dessa imagem de empresário e bon-vivant que sabe curtir a vida, existe um homem de sorriso fácil, simples e com muito estilo. Digamos que o "estilo João Marinho de viver", que como ele mesmo se auto-avalia: "uma pessoa equilibrada e feliz". Motivos para isso não lhe faltam, filhos muito bem criados, mulheres queridas ao seu redor e uma legião de súditos amigos por perto. Mas quem é o cara por trás dessa imagem? Isso iremos descobrir (um pouco) com essa entrevista exclusiva. Ilustrada por fotos do ensaio feito pelo competente fotógrafo Newman Homrich, que retratou o sério empresário João e os despojado Marinho ao lado de uma de suas obras de arte, uma bicicleta anos 50 comprada a alguns anos.

João, qual sua formação? Como foram suas primeiras experiências profissionais?
Tive a sorte de estudar na Escola Parque, uma escola que revolucionou o ensino em Pernambuco, pois tinha uma forma de ensinar diferente das escolas tradicionais, o que me ajudou muito a ter uma cabeça mais aberta e menos preconceituosa sobre assuntos polêmicos. Fiz também um ano de intercâmbio na Inglaterra. Quando voltei ao Brasil, entrei na Universidade Federal de Pernambuco, mas infelizmente não concluí por conta do trabalho. Comecei a trabalhar com meu pai em uma revenda de tratores, fui vendedor, passei pela gerência comercial e logo após, diretoria comercial. E durante todo esse meu crescimento na revenda de tratores, fiz muitos cursos dos mais variados. 

Como empresário bem sucedido que é você soube agarrar as oportunidades no momento em que elas apareceram. Que dica você daria a quem busca esse sucesso profissional?
Ser focado e procurar receber a maior quantidade de informações a respeito de novos negócios que possam estar acontecendo ao seu redor. 
Sendo distribuidor de vitaminas naturais e da marca Sundown aqui no Brasil, você diria que o brasileiro está cada vez mais se preocupando com a saúde e por conseqüência consumindo mais vitaminas? É equiparável com o consumidor americano (fanático em vitaminas)?
Como a nossa economia está cada vez mais consolidada, por conseqüência, as pessoas estão vivendo melhor e isto inclui um maior cuidado com a saúde. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde se concentram a maior parte das nossas vendas isto é muito evidente. Pena que não acontece o mesmo no Nordeste. Mesmo assim os números de consumo de vitaminas no Brasil são infinitamente inferiores aos números americanos. Para se ter uma idéia o que vendemos no Brasil em um ano é o equivalente a produção diária da fabrica da Sundown nos Estados Unidos.

A Sundown veio decorrente de uma preocupação pessoal e com relação à saúde e bem-estar? Além das vitaminas, o que você faz para se manter saudável?
As vitaminas vieram como negócio e posteriormente foi que comecei a me interessar pelo assunto. Hoje sou consumidor diário, mas também faço musculação e me alimento da melhor forma possível.


E a tal crise dos 40? Márcio Garcia em entrevista com Marília Gabriela comentou que para ele é só matemática, apenas um número, e que o tempo passa. Como você vê isso?
Gostei dessa de Márcio Garcia!!! Nunca me senti tão bem em toda minha vida. Acho que o tempo pode ser tratado de uma forma inteligente, saber lidar com ele. Ele passa para todos, é inevitável.

Você sempre adorou uma festa, curte baladas aqui e fora do país, viveu o auge das boates nos anos 80 e 90... Como você vê a noite hoje?
Infelizmente a noite ficou diferente. Antigamente era uma coisa mais charmosa, mais "noir", hoje em dia as boates são gigantes, por melhor que sejam não tem o charme de antigamente, não tem tanto glamour, mas também não quer dizer que eu não goste. Adoro fazer festas e convidar as pessoas que gosto para nos divertirmos juntos e termos boas histórias para contarmos mais na frente.
Ser pai de dois filhos adolescentes, hoje em dia, sabendo de tudo que rola nas baladas, te preocupa? Como você lida com isso?
Me preocupa muito mas acredito ter educado bem os meus filhos. Confio neles e acho que vão saber lidar com essa realidade.


A liberação feminina atual, onde as mulheres vão à caça, inibe alguns homens acostumados a serem os caçadores?
É engraçado o assédio feminino. No começo da noite enquanto sóbrias são bem discretas, mas depois de tomarem algumas caipiroscas se soltam e literalmente partem para o ataque. Não vejo nada de anormal, pois somos todos seres humanos, homens e mulheres, com os mesmos desejos e vontades.






A que você atribui essa fama de conquistador? As palavras certas no momento certo e amassos competentes ou a um conteúdo proporcional à "embalagem"?
Acho que todo mundo tem o seu lado conquistador. Acredito que uma fórmula que funciona bem é ter um pouco de cada uma dessas coisas a quais você se referiu.

O que tem mais peso para você, a sua vaidade ou o seu desempenho? (de modo geral)
O equilíbrio entre os dois dá um bom resultado.

O que elas ainda não descobriram sobre os homens na hora da conquista?
Que muitas vezes para o homem, a conquista é só por uma noite.

Quais os anseios masculinos de hoje e quais as maiores dúvidas?
Acho que o maior anseio do homem hoje é o de encontrar a mulher certa para formar sua família e a maior dúvida é se essa certa mulher realmente o ama.




Como um turista incansável que é qual a experiência mais inesquecível que você viveu em alguma das viagens que fez?
Fazer um safári de balão na África do Sul. Tínhamos que acordar super cedo, mesmo sem saber se o tempo daria condições para o vôo de balão. Mas sem dúvida valeu, foi uma experiência inesquecível. Você observar do alto os animais soltos na floresta... experiência única.

Quem são seus ídolos e que exemplo você quer deixar para seus filhos?
Meu maior ídolo é o meu pai e espero ser o mesmo para os meus filhos.

Como é o trabalho social feito na Fundação Maria Helena Marinho?
Hoje temos cerca de 150 crianças carentes, que passam o dia em meio a cursos de dança, fotografia, música, entre outros. Todos relacionados a atividades artísticas. Entrem no site que vocês vão gostar http://www.espacomariahelenamarinho.com.br/

O que você chamaria de um reveillon perfeito? Quais as melhores festas?
O reveillon perfeito é você estar junto das pessoas que ama em um lugar lindo. Durante oito anos consecutivos, passo em Fernando de Noronha, na festa da Pousada Zé Maria, mas ano passado pela primeira vez passei no Rio de Janeiro e fui numa festa muito legal na cobertura do hotel Fasano. Esse ano voltarei a passar o reveillon em Fernando de Noronha ao lado dos amigos.

Quando você pensa sobre o futuro, quais seus medos e desejos?
Não penso muito no futuro. Sou uma pessoa que vive intensamente o presente.

Qual a melhor definição de João Marinho?
Uma pessoa equilibrada e feliz.




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Que mistérios esconde a mente de um homem de idéia tão criativas e surpreendentes? Em se tratando do roteirista e diretor João Falcão, nenhum. Com muita simplicidade e nenhum estrelismo, João Falcão conquista atores, diretores e o grande público simplesmente pela sua arte de entreter e pensar. Sempre com textos que todos imaginam pensar e com atos que marcam suas obras, João Falcão é além de tudo um grande romântico, romântico pelas suas raízes, pelas suas idéias, mas principalmente por seu grande amor, Adriana Falcão. Conversamos com esse homem simples e mente sofisticada, e o resultado você confere logo abaixo.

 
João, seu começo de carreira foi escrevendo, atuando....? Como foi seu início?
Comecei fazendo música. Meu sonho era ser um popstar. Na época da faculdade descobri o Teatro. Eu e uns amigos batalhamos os direitos de uma peça e quando conseguimos, cada um ficou dizendo o personagem que gostaria de fazer. Eu disse que queria dirigir e todos acharam ótimo porque significava menos um a disputar papel.
O que foi ou pode ser pior, o preconceito contra o nordestino que se destaca no sul ou a falta de reconhecimento e incentivo na sua região? Você enfrentou isso?
O melhor seria se pudéssemos viver do nosso talento na nossa região. Bastaria para anular as duas hipóteses.

Você viveu parte da sua vida numa usina de cana no interior de Pernambuco. Quanto desse período da sua vida influenciou no homem e no profissional que você é?
Sou o que sou, porque sou de lá. Sou muito o garoto da Usina Tiúma.

Pra você existe alguma diferença entre escrever para a TV, para o teatro ou para o cinema? Alguma preferência?
O tempo de sedução faz diferença. No teatro o público te dá mais tempo para a conquista, no cinema também. A TV é um veículo frenético, o controle remoto pode é implacável. São jogos bem diferentes, igualmente prazerosos.

O Auto da Compadecida talvez seja uma de suas obras de maior sucesso do grande público. A que você deve esse sucesso todo? Esperava que fosse ter essa grande receptividade?
O Auto é um fenômeno. Não esperava o sucesso que foi.

Por que Chicó desperta tanto o interesse feminino?
Talvez por possuir o charme do safado desprotegido. 

É mais engraçado escrever sobre o universo masculino ou o universo feminino? Tem diferença?
O ser humano é muito engraçado, somos uns patetas, homens e mulheres.

Quem é o sexo frágil, homens ou mulheres?
Ainda penso como no tempo em que escrevi a série. Acho que o homem é o sexo frágil.
Essa sua "parceria" com Guel Arraes é resultado dos mesmos desejos criativos, das mesmas oportunidades ou de laços regionais de amizade?
Sem dúvida, dos mesmos desejos criativos.

Você acha que A Máquina funcionou melhor no teatro que no cinema?
Adoro o filme. Revi semana passada e gostei mais do que já gostava. Mas com a peça acho que cheguei mais perto de onde pretendia.

Adriana Falcão. O que esse nome lhe inspira?
Amor.

A Dona da História nos coloca em contato com os “como teria sido se” que sempre norteiam nossas vidas. As escolhas que temos de fazer e as conseqüências que vem delas. O que faz você pensar “como teria sido se...”?
Eu penso isso o tempo todo. Acho que vem daí minha criação.

 
Com a peça "A Máquina" você revelou 4 grandes talentos, Wagner Moura, Lázaro Ramos, Bruno Garcia e Gustavo Falcão. Como foi que se deram esses encontros?
Wagner, Lázaro e Vladimir Brichta conheci na Bahia enquanto montava A Ver Estrelas. Conheço Bruno, desde que ele tinha uns catorze anos, em Recife, mas ele não fez a peça, porque ia ser pai e precisava curtir o momento. Gustavo Falcão é meu sobrinho, mas só o conheci como ator quando estava buscando alguém para substituir o Bruno.

"Seu coração disse pra sua cabeça, vá, e sua cabeça disse pra sua coragem, vou, e sua coragem respondeu, vou nada, mas sua boca não ouviu e beijou." Quando a impulsividade romântica toma conta de um homem, que normalmente é mais racional que emocional?  
Quando esse homem deseja chacoalhar um pouco a sua vida.

Sua mais nova obra da TV, a série Clandestinos, de onde partiu a idéia inícial? Foi difícil adaptar do teatro pra TV?
Desde que vim pro Rio pela primeira vez, há muitos anos, vi e vivi histórias que me inspiraram algo que ainda não se chamava Clandestinos.




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Christian Gaul é o tipo do fotógrafo, digamos, "desglamourizado". Um grande profissional que não se deslumbra com o meio onde circula, cheio de celebridades e personalidades. Um cara que simplesmente tem a fotografia na veia e a paixão pela vida, muito mais que pelas coisas. Com seu jeito simples e uma inteligência que lhe é peculiar, Christian respondeu às nossas perguntas com jeito de quem recebe um amigo sentado no chão da sala com vista pro mar. Esse é o jeito simples, e sofisticado ao mesmo tempo, de um dos grandes fotógrafos nacionais.

Você é formado em Literatura e Economia, e terminou virando fotógrafo. Como foi isso?
É aquele velha historia.. Quando eu era garoto, não sabia realmente o que eu gostaria de fazer. Meu pai era formado em economia e parecia ter uma vida feliz. Economia é um bom mix de humanas com exatas, requer conhecimento de muitas áreas. Então imaginei, na época, estar fazendo uma escolha sensata. A literatura alemã, faculdade na qual também me formei, veio justamente com a vontade de me aproximar do que eu entendia como arte ou artístico - foi uma necessidade de dar mais vazão a minha criatividade. Precisava ver mais disso, sim falar que cumprir a faculdade de literatura me ajudou também a manter viva o que já fora minha língua materna - o alemão.



Soube que você conheceu J. R. Duran na época em que morava em NY  e ficaram amigos. Teve alguma influência de Duran na sua carreira?  Como é a relação de vocês hoje em dia?
Não ficamos amigos, só dei umas escovadas nele em jogos de squash... rs rs rs. Foi assim, meu pai arrumou um trabalho em NY e fomos todos - meu irmão, minha mãe, meu pai e eu- morar lá. Morávamos em Scarsdale. Ai, certo dia meu pai falou: "Sabe aquele fotografo da PLAYBOY, o JR Duran? Vai chegar aqui em casa hoje.." Eu não sei como meu pai trombou com o Duran, mas o fato é que ele apareceu e marcamos de jogar squash. Eu não tava nem um pouco ligado em fotografia. Queria é fazer esporte e Duran foi meu "freguês".  Eu tinha 16 anos... tem tempo. Mas lembro que não perguntei nada de fotografia pra ele e lembro de ter uma imagem dele ser um sujeito bacana.  Infelizmente, depois dessa época, encontrei pouco com ele, mas tenho uma admiração enorme por seu trabalho, pelo jeitão que ouço falar dele por ai. Deve ser um cara ótimo de tomar um chopp.

Qual a sua formação em fotografia?
Tenho um "Minor degree" em fotografia. Nos “Estates” é assim: Você se forma com Major, a faculdade principal (no meu caso me formei em economia e literatura, como Major), e minor, uma faculdade secundaria, com um pouco de menos ênfase e tal. Depois de fazer esse "minor" de fotografia na NYU (Universidade de Nova Iorque), onde tive professores  absolutamente incríveis, sendo que o Josef Koudelka foi um deles (!), fui para a New England School of Photography em Boston, Massachussets,  por recomendação de outra grande fotografa amiga minha, a Ana Quintela. Os cursos lá eram extremamente técnicos, aprendi a relevar e  ampliar com destreza. Fazia um monte de viragens loucas em filme, torrava a química. Era divertido, mas depois de um ano (o curso era desenhado para 2 anos), comecei a "encher" um pouco. Dai, passei umas  ferias no Brasil e aconteceu o obvio - me apaixonei por uma carioca e  larguei tudo! Fui pro Rio e comecei a labuta - na fotografia!!! 


Quem você citaria como seus grandes mestres e "ídolos" na fotografia?
Josef Koudelka, Helmut Newton, Yousuf Karsch, Sally Mann, Cartier Bresson, Duane Michals, Jacques-Henri Lartigue, Ansel Adams, Edward Weston, William Claxton, Nan Goldin, Geraldo de Barros, Richard Avedon, Sebastião Salgado, Maureen Bisiliat, Robert Mapplethorpe, Andre Kertesz, Rodchenko, Diane Arbus, Robert Capa, Miguel Rio Branco.. São muitos.

Você já teve que administrar ciúmes de namoradas por conta de alguma modelo ou celebridade que estava fotografando?
Às vezes acontece, mas nada serio. No imaginário das pessoas tem esse negócio de achar que modelo e fotografo sempre dão uma trepada no camarim, entre um clic e outro. Não é assim. É profissional... Passo isso para quem eu fotografo e passo para quem estiver comigo.


Aliás, você é um dos fotógrafos mais requisitados para fotografar celebridades? Existe algum motivo especial?
Sou uma pessoa tranqüila no set, sem pressa, embora eu clique rápido, resolva rápido a imagem. Sou bem humorado. Procuro me divertir e quem está junto dá lá suas risadas também. Bom, acho que o maior motivo, porém, é que a celebridade acredita num bom resultado estético desse encontro. Acho q isso deve ser o principal.

Como você lida com as celebridades na hora de fazer um trabalho? Algum ataque de estrelismo?
Lido com respeito, mas não coloco em altar. Sinceramente, não me recordo agora de ataque de estrelismos. "Mala" tem em tudo que e lugar, e uma ou outra acaba virando celebridade, outras viram fotógrafos!

Pra você fotografar belas mulheres pra editorais de moda, campanhas publicitárias, mulheres nuas ou cantores para capas de cd, tem tudo o mesmo peso de satisfação? Onde você se realiza mais?
Mulheres nuas, pra mim é sempre um prazer de observar, independente do grau de beleza. Aliás, a beleza física, pra mim, já está em outro plano. Curto nudez, inclusive de homem. Acho pele uma coisa muito bonita. Gosto do nu, por que em ultima análise é o melhor retrato e adoro fazer retratos. Contar estórias fotográficas que componham um  retrato ou o retrato de uma situação é gostoso também - e a moda,  muitas vezes é isso pra mim. Gosto quando utilizo a moda como suporte para  contar outra coisa. Fotografo editoriais de moda como quem escreve uma crônica.

Qual trabalho faria você aceitar sem receber um tostão?
Fotografar o papa. Não sou religioso.

Em geral você tem como característica fotografar em estúdio. É uma preferência sua realmente ou questão de oportunidade?
Não me considero um fotógrafo com essa característica. Na verdade, até  venho fotografando um pouco mais em estúdio, mas diria que sou da rua,  de locação. Portanto, acaba sendo, de fato, uma questão de oportunidade. Gosto muito do estúdio. Gosto muito da "rua". Sou de gêmeos, entendeu?

Os seus trabalhos pairam por universos bem contrastantes, que vão do glamour dos ensaios sofisticados de moda à produções mais alternativas e simples na concepção como alguns ensaios para a TRIP e trabalhos com músicos. Como você consegue transitar em universos tão distintos?
É da minha natureza experimentar, diversificar. Sou assim. Houve um momento onde procurei traçar "a reta", mas não consigo. Gosto muito de muitas coisas e quero ser livre para ver, sentir, expor.

E para campanhas publicitárias, existe alguma técnica especial? Dá mais ou menos trabalho que um editorial de moda?
Dá mais trabalho porque você tem um diretor de arte no seu cangote querendo que você faça coisas. Às vezes coisas que você acha ruins, às vezes  essas diferenças de opiniões afloram no meu silêncio, mas toco pra  frente. Acho que fazer algo que você não acredita plenamente é difícil, mas levo na boa. A melhor técnica, além da boa técnica, é ser uma pessoa atenciosa no set, saber respeitar o cliente, não ser um chatuba que vem com uma idéia "nova" a cada 5 minutos - é saber proceder, trabalhar junto com a criação da agência. Já no editorial dá pra colocar mais a sua opinião. e isso é assim, suponho, porque se é bem menos remunerado por um editorial... 

Uma vez você comentou que freqüentou um campo de nudismo na Austrália e não usou sua câmera. Experiências como essa que tornam  o nu algo banal facilitaram para você como fotógrafo na hora de  fazer ensaios de nudez? Como lida com isso? 
Não sei se entendi bem a pergunta, mas o q rolou na Austrália é que "cai" de pára-quedas num dos encontros  anuais do Rainbow Community (encontro da comunidade hippie mundial). Foi mágico ver o que vi e não me senti a  vontade para deflorar com minha câmera tudo que via. Fiz alguns retratos, fotografei alguns cangurus selvagens pastando e correndo no meio da floresta. Mas tinha um universo todo lá para "captar". Logo no começo dessa temporada conheci um fotografo que vinha clicando essa turma há anos. Ele era um hippie nas horas vagas e durante o resto do tempo vivia de fotografia de casamento em Londres. Ele me mostrou as suas fotos e eu me emocionei muito.

Era um trabalho lindo e vertiginoso. Um trabalho de muita intimidade com as pessoas. Um trabalho de amizade, de amor. Realmente muito tocante e muito diferente de tudo que vi até hoje. Perguntei na época o que ele queria fazer com as imagens e ele disse que  nada o interessava alem de  poder distribuir as imagens para quem estava nelas. Ou seja, ele ia nos encontros fotografar, dar fotos para as pessoas que ele  fotografava e ficava lá curtindo isso. Enfim, não me senti no direito de fazer nada ali. Qualquer coisa estaria muito aquém do que eu vi com esse fotógrafo, que não me lembro o nome, cacete!!!! Ali despertou em mim, de maneira muito natural, o que depois descobri ser algo que Kertesz  divulgava no tempo dele: "respeite o material, respeite o sujeito,  respeite o assunto" ...ou algo assim. Hoje fotógrafo com isso na cabeça.


Você já morou em vários países, estudou literatura, já fotografou cavalos... o que você trás na sua bagagem pessoal que  você acrescentou na sua carreira como fotógrafo?
Na minha bagagem coloco sempre a sandália da humildade... rs rs aquela  do pânico mesmo - porque já fotografei cavalos, mas também já fotografei  porcos, vacas, ferro velho (tudo p uma revista de leilões) e já  fotografei coluna social também, que pra mim foi o pior! Brincadeiras a parte, sigo com os dizeres de Kertesz, sobre o respeito durante o exercício da nossa profissão. Na vida como um todo, vale o mesmo.

Deixando a fotografia de lado, o que você curte como hobby? Quais são suas outras paixões?
Gosto de andar de moto, enduro, meio do mato, trilha, gosto de acelerar, deitar a bichinha na curva. Aí, gosto de jogar tênis, frescobol. Minha paixão é por minha família. E gosto muito de não fazer nada tb.

Você se incomoda com o uso do photoshop nas suas fotos? Alguma  vez erraram a mão e você cancelou o trabalho?
Procuro me estressar cada vez menos. Já erraram, ainda erram - tanto pra cima quanto pra baixo. O photoshop não me incomoda quando bem usado. Estamos passando por uma fase louca nisso de apreciar a beleza. O padrão é cruel. Não vejo muita volta nisso.
Você convive com muitas mulheres, famosas ou anônimas, deve ouvir muitas histórias... Daí te pergunto, o que as mulheres ainda  não sabem sobre os homens (ou teimam em não saber)?
Acho q elas sabem muito mais sobre os homens do que os próprios homens.

O que tem mais peso para você, a sua vaidade ou o seu desempenho? (de modo geral)
Desempenho.

Qual seu próximo trabalho? E qual gostaria que fosse o próximo?
Fotografar Marina de La Riva para a S/N, do BOB. E gostaria de clicar o Papa.


Conheça um pouco mais do trabalho de Christian: www.chistiangaul.com



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Edson Aran é um cara simples de gostos sofisticados, até por conta da função que hoje exerce. Conhecido mais por ter o "emprego dos sonhos" ao comandar a famosa edição da PLAYBOY no Brasil, Aran vai muito além do que isso, e mostra nesse descontraído papo quem é (um pouco) o homem por trás do coelho da PLAYBOY. Um jornalista por vocação, um humorista por paixão e cartunista por dádiva.

Aran, seu começo foi pelos livros de humor, pelas revistas masculinas ou pelos traços dos cartuns?!
Foi tudo junto. Fiz o Curso Abril de Jornalismo e comecei a trabalhar como trainee na Contigo! mas ao mesmo tempo, já publicava meus cartuns no “Pasquim”. Já era o final do “Pasquim”, o jornal estava meio morto-vivo e publicava qualquer coisa, até os meus cartuns. Eu levei essa vida dupla durante muito tempo, trabalhando como jornalista e fazendo humor no paralelo. Fiz uma coluninha de humor na Istoé, escrevi na AZ (que era uma revista muito bacana de SP), enquanto continuava trabalhando na Contigo! Até que decidi que o humor era parte integrante do pacote e que não ia fazer jornada dupla, mas juntar as duas coisas numa carreira só. Mas isso só aconteceu de verdade quando entrei na VIP, na virada dos anos 90 para 2000.

Depois de passar por tantas revistas, hoje você está a 4 anos na direção da PLAYBOY. É muito complicado fazer revista masculina hoje em dia? Quais as maiores dificuldades?
A PLAYBOY é a maior revista masculina brasileira e a segunda maior PLAYBOY do mundo, atrás apenas da edição americana. Ou seja, não é fácil fazer a PLAYBOY, nunca foi e jamais será. Mas hoje o que mais pega é a pirataria na internet, que afeta dramaticamente as vendas. As fotos são roubadas todos os meses e os ladrões – sim, são todos ladrões, a palavra é essa – sabem que vão continuar impunes. A internet é um território selvagem e sem lei no mundo inteiro. Mas no Brasil, o país do jeitinho e da impunidade, a coisa é incontrolável. Este ano, a PLAYBOY está vendendo muito bem, obrigado, mas a circulação vem caindo dramaticamente nos últimos 10 anos. Vamos reverter a tendência em 2010 e esperamos manter o crescimento em 2011, mas jamais voltaremos ao patamar de vendas que tivemos em 2000, 2001. Se a Justiça brasileira não agir para defender os direitos autorais, muitas editoras - e até emissoras de rádio e TV - não conseguirão sobreviver no futuro.

Ser diretor de redação da PLAYBOY Brasil é o melhor emprego do mundo? Qual o ônus e o bônus disso tudo?
Eu me divirto muito, mas, obviamente, também tem o lado pedreira. Ao contrário do que acontece em todas as revistas do país, a capa da PLAYBOY é fruto de uma negociação financeira. Você não pode simplesmente escolher um assunto de dentro da revista e produzir uma capa, como acontece numa publicação “normal”. Eu brinco que um dia quero ser editor da “Vida Simples”. E aí o que vamos por na capa este mês? Uma torneira, uma folha seca ou um chinelo de dedo? Mas é piada, claro. Fazer a “Vida Simples” também não deve ser simples. Toda revista tem as suas complicações e a coisa só parece fácil para quem está de fora.

Você como cara antenado em tecnologia e como diretor de revista e escritor de livros, acha que livros e revistas estão com os dias contados, principalmente agora com o iPad?
Mais ou menos. A revista em papel não vai acabar, mas terá de mudar. As revistas do futuro serão mais bem impressas, terão papel melhor (com certificado ecológico) e muitos truques gráficos (dobraduras, recortes, essas coisas), que as tornem únicas, exclusivas e colecionáveis. No I-Pad, as revistas terão obrigatoriamente vídeos, músicas e animações. Ou seja, a experiência de leitura será completamente diferente nos dois meios, cada um com suas especificidades. O I-Pad não vai acabar com a versão impressa da revista, assim como a TV não acabou com o rádio e nem a internet acabou com a TV. Eu era cético em relação ao I-Pad, até que vi o aplicativo da DC Comics. Ler quadrinho no I-Pad é muito melhor do que no papel! Você pode ver um quadrinho por vez, a leitura vira quase uma animação! Minha coleção de quadrinhos, que é enorme, vai parar de crescer fisicamente quando eu tiver o meu I-Pad, pode ter certeza. Mas eu não vou abrir mão das edições em capa dura dos meus quadrinhos favoritos.  

Depois de sete livros lançados, como você se avalia como escritor? E como o mercado te recebe?
Na verdade, são cinco. Sei lá, não sou exatamente um escritor, mas, por enquanto, apenas um jornalista que escreve livros. Todos os meus livros foram bem recebidos pelos colegas. O “Conspirações”, que é o mais bem sucedido, vendeu mais de 20 mil cópias e está na terceira edição. Quer dizer, tem dado certo. No futuro, quem sabe, talvez eu vire escritor em tempo integral. Mas mesmo que isso aconteça, jamais abandonarei o jornalismo – vou dar um jeito de manter um pé na imprensa, seja escrevendo colunas, fazendo cartuns ou entrevistando pessoas, sei lá.

Seu mais recente livro, o "Delacroix Escapa das Chamas", é uma ficção científica cheia de figuras comuns das cidades grandes e fatos de telejornais misturado com muito humor. De onde vêm idéias como essa? É seu melhor livro?
É meu melhor livro sim. Pelo menos até eu escrever o próximo. Bem, todo escritor escreve sobre o que vê, o que o incomoda, o que ele conhece. O “Delacroix” é sobre São Paulo, sobre viver numa cidade em que as pessoas têm medo de andar na rua e por isso se isolam em condomínios fechados e shopping centers. Eu odeio shopping centers, esses malditos quadrados de cimento. O personagem do livro é um crítico de arte picareta chamado Wagner Krupa que, na tentativa de ser mais esperto que todo mundo, acaba se metendo num monte de confusões e quase sempre se dá mal. O livro é uma extrapolação do mundo de hoje, ou seja, um mundo dominado pelo terrorismo fundamentalista, pela corrupção, pela burocracia e, principalmente, pelo medo. Quer dizer, a idéia veio da própria cidade de São Paulo, onde eu vivo, que é, de fato, a personagem principal do romance.     

Em "Conspirações" você cita fatos que não querem que saibamos. Ele é todo baseado em mitos e lendas ou tem algo de real? O que não querem que saibamos, por exemplo?
Que um consórcio de alienígenas controla o mundo com a ajuda de organizações secretas como a maçonaria, a CIA, os homens de preto e o Priorado de Sião. É lenda? É real? Isso importa? Se alguém inventa uma conspiração é certamente por algum objetivo obscuro, certo? Se o objetivo é obscuro, então a invenção da conspiração falsa é sim si uma conspiração, não é? Ou seja, toda conspiração é verdadeira, inclusive as falsas. O segredo é descobrir quem está conspirando contra quem – e porquê.

Observando os títulos dos seus livros, dá pra ver que você curte além de humor, ficção científica e um terror mais trash, com zumbis e mortos-vivos. É sua preferência cinematográfica? Quais gêneros você curte no cinema?
Eu gosto de filme bom, então vejo tudo. Tenho uma boa DVDteca (DVDteca?), mas gosto muito de humor e filme B de um modo geral. Por quê? Porque o filme B muitas vezes pode ir muito mais longe do que o cinemão blockbuster, que tem que agradar todo mundo e, por isso mesmo, é mais burro e corre menos riscos. Eu não tenho dúvida, por exemplo, que “30 dias de noite” é muito melhor que “Eu sou a lenda”, só pra citar dois exemplos lançados no mesmo ano (2007). Ou que “Cloverfield” é melhor que “2012 (ambos de 2008). Agora, morto-vivo é outra história. Qualquer filme com morto-vivo é melhor do que qualquer filme que não tem morto-vivo. Por exemplo, esse filme do Arnaldo Jabor, “A Suprema Felicidade”, seria muito melhor com mortos-vivos. Até “Casablanca” seria melhor se tivesse mortos-vivos. Até a Trilogia do Chefão fica melhor com mortos-vivos. Qualquer filme fica melhor com mortos-vivos.

O escritor Edson Aran sofreu influências literárias de quem? Quais são seus autores preferidos?
De uma cacetada de gente. De todo mundo do “Pasquim”. Do Millôr Fernandes. Do Douglas Adams. Do Borges. Sei lá, muita gente. Já os autores preferidos costumam mudar, mas acho que dá pra dizer Jorge Luis Borges, Don De Lillo, Martin Amis e Alan Moore (que é, talvez, o maior escritor de quadrinhos de todos os tempos).

E seu traço rascunhado dos cartuns, veio de onde? Da época gloriosa do Pasquim?
Não propriamente do “Pasquim”, mas do Henfil. Meu traço é meio Henfil, meio Harvey Kurtzman (criador do “Mad” e escritor de Aninha Bonita e Gostosa), com umas pitadas leves de Jules Feiffer. Todos eles são ótimos desenhistas e têm um traço caligráfico, rápido, meio esboçado.  

No humor você prefere crítica política ou crítica social?
Escrevo sobre política no meu site (www.sitedoaran.com.br), mas acho toda essa gentalha um horror. Agora, não dá pra evitar: tem que falar.

Falando em política, você acha que a falta de referencial político é a razão para o desinteresse de parte da população por eleições como essas de agora?
Acho que é fruto do desinteresse pelos candidatos, um banana oposicionista e um poste governista. Além disso, o lulismo estimula a alienação. Quando o Lula desacredita a imprensa, desacredita a oposição e também a história pregressa do país, ele está, na verdade, sufocando o debate e desqualificando a crítica. Há um voto no lulismo que é ideológico, claro, mas há também o voto alienado, que raciocina na base do “deixa o pessoal ficar aí roubando, porque pelo menos o país está indo bem...” Agora, a culpa é da oposição, que passou os últimos oito anos escondida debaixo da mesa. Então agüenta. Política é uma coisa chata mesmo, daí o desinteresse geral pelo tema. Mas quem não se interessa por política acaba governado por quem se interessa. Esse é o problema. 

Vivemos uma época de imbecilismo (título de outro livro) por parte da mídia de massa? Ou já estivemos piores?
Nem pior, nem melhor. Toda época tem seus picos e seus vales. Como leitor, eu gostaria de encontrar leituras melhores nas bancas e nas livrarias. Mas está difícil.

Quais as qualidades essenciais de um homem hoje em dia?
E eu sei lá?! A pergunta é muito difícil.   

Hoje em dia o que é mais difícil para um homem superar, uma traição, uma separação ou uma má aplicação financeira?
Embora não tenha passado por isso, tenho a impressão de que é uma separação. A traição pode levar à separação, então acho que acaba sendo uma coisa só. Já a má aplicação financeira é decorrência da má gestão dos investimentos. Todo mundo que tem algum pra investir sabe que o negócio é diversificar.

As mulheres de hoje são independentes financeiramente, vão à caça com as amigas à noite e fazem sexo sem compromisso. Em alguns casos os papéis se inverteram. O homem perdeu o posto de provedor, caçador e condutor da situação. Você acha que isso tudo afetou o homem de que forma?
Afetou profundamente e continua a afetar. A mulher ganhou o direito de votar em 1932 (1932!) e o país já tem uma presidenta! As mulheres entraram no mercado de trabalho durante a Segunda Guerra Mundial, ou seja, praticamente ontem. As mudanças foram muito rápidas. O homem ainda está se encontrando e tentando se posicionar neste mundo novo. Vamos falar de cultura pop. Veja “Sex and the city”, por exemplo. São quatro mulheres fúteis que só pensam em comprar e trepar. Se a série fosse estrelada por quatro homens, seria considerada machista, chovinista e o cacete. Mas como é com quatro peruas, todo mundo acha chique. Veja “The Big Bang Theory”, por exemplo. Quem é o “macho alfa” da série? A garota! Os caras são uns bananas! Veja “Cougar Town”, que é a história de uma velha assanhada que fica correndo atrás de garotos. O que aconteceu com o mundo? Quando foi que o planeta ficou de cabeça pra baixo?! Como eu acredito em teorias conspiratórias, atribuo tudo a uma maligna conspiração feminista-viadista-internacional. E você ainda pergunta se isso afetou o homem? É claro que afetou! Você não está vendo como esta resposta foi afetada?

Está na moda famosas tirarem a roupa para livros e revistas de arte, e anônimas para books particulares. Você acha que as mulheres voltaram a tirar a roupa por razões libertárias? Por conta dessa independência e autoconfiança?
O mundo ficou muito conservador nos anos 80, basicamente por causa da disseminação da AIDS, mas também devido à chegada de vários direitistas ao poder no primeiro mundo (Reagan, Tatcher...etc), que acaba influenciando o resto do planeta. Isso somado ao “politicamente correto” e ao fundamentalismo religioso deu num mundo conservador, careta, chato. Mas toda onda conservadora traz, em sim, a semente da onda libertária, que naturalmente a segue. Acredito que estamos começando a viver os primeiros momentos de uma nova onda liberal (não no sentido econômico, de comportamento mesmo), daí as fotos de nudez voltarem às revistas de moda, que são lançadoras de tendência. Claro que minhas previsões podem estar totalmente erradas, mas ninguém vai se lembrar delas mesmo.  

"O homem comum fala, o sábio escuta, o tolo discute. Então o homem comum elege o tolo e o sábio não consegue arrumar emprego." Você se vê como o sábio, o tolo ou o homem comum?
Não sou tão esperto pra ser tolo e nem tão obtuso pra me considerar um sábio, então sobra o homem comum.



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Afinal o que é o sucesso? Para muitos é ser reconhecido na rua e ter seu nome estampado nas capas de revista. Para o músico e guitarrista da extinta banda RPM, Fernando Deluqui, sucesso é se descobrir feliz e completo com a vida que conquistou com a maturidade da vida. Sucesso para Fernando Deluqui é sua família e seus amigos. Sucesso para Deluqui foi ter passado pelo furação RPM, com altos e baixos e sobreviver a tudo isso de pé, honrado e pronto pra encarar uma nova fase. Conheça um pouco mais desse grande músico e uma grata pessoa.

Como você se descobriu guitarrista? Como foi seu início até chegar no RPM?
Com amigos tocando no Colégio São Luiz. Havia uma turma de músicos e fundamos um trio para tocar músicas de Jimi Hendrix e Johnny Winter. Mas lá eu ainda tocava o contra baixo elétrico. Com o tempo pude comprar uma Fender Stratocaster que é o modelo pelo qual me apaixonei e uso até hoje.

Proveta Negra. Esse nome tem a ver com as aulas de química do ginásio?
Sim, era o nome de uma pré-banda...rs...era mais uma tiração de sarro que fiz para um festival do mesmo colégio. Fomos expulsos do festival.

Qual cena foi inesquecível (positivamente) da época do RPM?
Há os mega show da Praça da Apoteose e Estádio do Palmeiras em São Paulo. Há outras imagens mas não sei o que aconteceu a onde, pois foram muitos momentos passados em pouco tempo. Você não conecta o acontecimento ao lugar verdadeiro onde aconteceu.


RPM. Uma banda que chegou a ser comparada com os Beatles tamanho o sucesso no Brasil. Como foi ou é ter feito parte dessa história? O que ficou disso tudo?
Ficou um grande aprendizado e uma plataforma para o meu trabalho solo, pois sempre se lembram de mim no RPM.

Como você vê o rock brasileiro atual? Mais comercial? Mais comprometimento com lucro do que com a idéia de revolucionar algo?
O rock, como outros estilos, vai evoluindo e criando novas ondas que seguem estéticas e maneirismos próprios. Acho que as novas bandas hap, emo ou sei lá o que, estão evoluindo e começando a apresentar bons frutos. Escutei uma boa música do NX Zero, conheci a rapaziada do Strike de quem eu gostava anteriormente e vi uma entrevista com a banda Restart que achei interessante. Creio que com trabalho vão crescer...

Nasi, Schiavon e Paulo Ricardo, quem são eles na sua vida?
O Nasi nunca mais vi, o Paulo Ricardo e Luiz Schiavon estão sempre na minha vida. É como uma ex mulher mãe de seus filhos. Quer queira ou não você vai ter um relacionamento até o fim da vida....rs...

Surf e música, qual o melhor de cada um?
O bem estar que os dois trazem, isso sem contar a grana do segundo...rs...

Eu estava lendo um texto que dizia que ser homem implica na capacidade de se reinventar, por determinação própria ou do destino. Como foi pra você o recomeçar?
Foi acontecendo tudo junto pois as contas não param. Quando a banda acabou fui para frente e aprendi a cantar rapidamente. Logo estava fazendo shows com repertório de Chuck Berry, The Rolling Stones e Jimi Hendrix. Essa coisa do rock´n roll. Depois me exilei num estúdio em Sampa para gravar o que seria o meu primeiro CD individual. Depois, para apresentar ao vivo esse CD foi muito difícil... percebi que o povo gosta mesmo é de músicas conhecidas. Acabei me especializando em reinventar clássicos do pop rock de Raul Seixas (toca Raul), Legião Urbana, Kiko Zambianchi e outros que estão à disposição em DOWNLOAD no site www.fernandodeluqui.com.br.

Rock, ondas, fãs, viagens como é viver isso tudo no auge da juventude?
É o sonho da tríade "sexo, drogas e rock´n roll" se realizando. Depois com o tempo você percebe que essa tríade não é perfeita... rs... Eu diria que o bem estar é o caminho para a felicidade.


Quem é Virgínia Carvalho para Fernando Deluqui?
A Vi, minha mulher, é um doce. Me colocou nos eixos da vida agradável. Quando a conheci eu estava buscando uma estabilidade da qual o tal bem estar de que estou falando fazia parte e ela me ensinou isso. Foi um redirecionamento que tornou minha vida muito, mas muito mais produtiva. Tudo em termos de gerenciamento de carreira, financeiro e documentos eu aprendi com ela. A mulher é dura nas contas pois é filha de seu Geraldo Carvalho que foi fiscal de rendas da Fazenda.  Não tente enganá-la em contratos...rs

Roqueiro faz mesmo muito sucesso entre a mulherada?
É como jogador de futebol ou qualquer outra pessoa que tenha alguma visibilidade... Tem mulher que não se agüenta na frente de famoso... é descarado mesmo...parece que se encostar no famoso vai ficar famosa também...rs...Se der então... rs

Como foi a experiência de tocar com os engenheiros?
Também foi muito agitado pois o CD "Simples de Coração" foi um sucesso e saímos em turnê pelo Brasil por mais de um ano. Além disso a banda estava em reformulação e as disputas por espaço dentro da mesma geraram episódios memoráveis. Mas eu estava cansando daquele modus operandi competitivo e logo, em 1996, abandonei o projeto para tentar conquistar minha liberdade através de uma banda própria. Deu certo.

Música nova, banda própria... como está a vida e a carreira hoje?
Acabo de lançar meu novo single "Eu só te quero do meu lado" que acaba de entrar no FM (Mitsubishi FM e 107,3 FMem São Paulo. É o início de uma parceria com Ray Z, um dos responsáveis pelo atual pop e rock gaúcho, tendo emplacado nas rádios de lá os últimos singles das bandas Bidê ou Balde e Nenhum de Nós. Todo mundo está gostando e quem quiser escutar é só acessar www.fernandodeluqui.com.br. A banda própria que é conhecida pelo meu nome mesmo (o show é anunciado assim: SHOW COM FERNANDO DELUQUI, GUITARRISTA DA BANDA RPM) vai bem obrigado.

Estamos tocando quase toda semana, com shows cheios e receptividade invariavelmente boa. Esse ano de 2010 foi o melhor para nós com a melhor média no que diz respeito ao número de shows. Misturo os sucessos da minha carreira solo (escute no www.fernandodeluqui.com.br) às inspiradas releituras do pop e do rock que faço com tanto carinho. Quem vai ao show percebe na hora que está assistindo uma apresentação bem cuidada. No dia 3 de dezembro faço show em São Paulo no Acústica SP (http://www.acusticasp.com/) que é uma casa muito bacana. Esse show promete pois estou num momento bom graças a todo o trabalho que agora vem sendo reconhecido. Também estou chamando meus amigos dos anos 80 e músicos da nova geração para tornar o show do dia 3 de dezembro mais rico.

Passado o furacão RPM, as desavenças, agora no comando da sua carreira, discos gravados e sua vida nos trilhos como sempre desejou... Agora você se sente feliz, realizado? Ainda falta algo?
Parece que sempre falta algo se você não se policia nesse sentido. Eu tento ser feliz com o que tenho e viver cada dia como se fosse o último pois é isso mesmo que está acontecendo. Logo não estaremos mais aqui na terra. Mas estou com quase 50 anos de idade e sinto muita energia comigo. Energia para continuar tocando por muitos anos ainda. Enquanto eu tiver saúde e família por perto estarei bem. 

Hoje, que valores você cultiva? Que qualidades você persegue? O que você quer do futuro?
Tento me relacionar com pessoas que me dão valor. Pessoas que gostam de mim como eu sou. Esse negócio de ir trabalhar e aguentar pití e conversa mole de gente autoritária não está com nada. Descobri que o stress é a principal causa de doenças graves com o câncer. Sei que tudo tem preço nessa vida, mas tento escolher caminhos que não vão me agredir. Caminhos dos quais não vou me arrepender de ter escolhido. Sempre que posso tento pegar as minhas ondinhas e aloçar com amigos e familiares que é o que me traz prazer. E a música sempre é bem vinda... rs...




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Conversamos com Kiko Nogueira , jornalista e editor da revista ALFA. Kiko falou sobre suas aventuras pelo universo editorial, viagens mundo a fora e a sua busca pelo melhor, sempre da melhor forma, tanto no universo profissional quanto pessoal.

Kiko, qual sua formação? Como foi seu início profissional?
Filho, irmão e cunhado de jornalistas. Comecei como assessor de imprensa da gravadora Continental. Depois fui pesquisador do Dedoc (Departamento de Documentação da Abril), repórter e editor da Veja São Paulo, diretor de redação da Viagem e Turismo e dos Guias Quatro Rodas e hoje diretor de redação da ALFA.

E seu início de trabalho com revistas? Como foi sair do Guia Quatro Rodas pra Viagem & Turismo?
Eu era redator-chefa da Viagem e Turismo, na verdade, e depois acumulei as duas direções. Foi uma experiência inesquecível.

E como foi essa experiência inesquecível?
Foi uma experiência legal de unir dois mundos que estavam, por força das circunstâncias, separados. A VT e o Guia nasceram um para o outro. Conheci todos os continentes e os países que queria. Acho que a VT deixou de ser uma revista burra de serviço para ser uma revista de grandes histórias de viagem, com bom serviço. O Guia foi humanizado e deixou de ser um diretório que parecia feito pela mesma calculadora desde os anos 60. Aí, quando cumpri esse ciclo, vim para a ALFA. E, pra dizer a verdade, eu não agüentava mais falar de Buenos Aires e Orlando.

A revista ALFA irá pra sua terceira edição agora em novembro, já dá pra avaliar como está a aceitação do público masculino e se o formato está o ideal para esse público?
So far, so good. Estamos fazendo o melhor possível. Com toda humildade, queria citar o John Lennon. Perguntaram pra ele qual a receita de sucesso dos Beatles. Ele disse que, se soubesse, seria empresário de bandas. Acho que, se eu soubesse o que dá certo, fundaria uma editora.

A ALFA tem um editorial mais consistente, com mais textos, mais leitura. O público brasileiro está preparado para ler?
Acho que as pessoas continuam querendo boas matérias, agora e sempre.

Qual seu maior desafio agora com a ALFA?
Fazer as melhores matérias a cada mês.

O que mais mudou no perfil do homem atual? São mais conservadores que os de 30 anos atrás?
O brasileiro mudou. Está mais tolerante, não mais conservador. Demos uma pesquisa na primeira edição que atestava isso em algumas frentes. O cara pensa diferente em matéria de religião, sexo, traição, roupas, cuidados pessoais etc. Mas o que dá para notar de maneira geral: o homem está cansado de se sentir culpado de ser homem. Acho que ALFA reflete isso.

Na primeira edição da ALFA uma matéria falava o que era ser homem hoje. Na sua opinião, o que é ser homem hoje?
Gosto de um provérbio inglês que define isso, na minha opinião: a man’s gotta do what a man’s gotta do. Um homem tem de fazer o que um homem tem de fazer. Ser homem, no mundo de hoje, é ser fiel a si mesmo.

Essa necessidade de ter mais do que precisamos vem da mídia ou vivemos num mundo cada vez mais capitalista onde o ter pesa mais que o ser?
O mundo ficou assim e não é por causa da mídia.

Ainda falando sobre consumo, os desejos de consumo dos homens hoje em dia continuam os mesmos? Ou seja, carros potentes de design arrojado continuam sendo o carro-chefe do sonho de consumo dos homens ainda hoje?
Eu não saberia falar pelos homens. Me parece que, hoje, sonhos de consumo são mais individuais que coletivos. Para uns, uma Ferrari, para outros uma Fender, para outros um baseado. Com exceção do iPhone e do iPad, que todo mundo tem e quem não tem, quer.

Recentemente uma pesquisa da Euromonitor de cosméticos para homens, mostrou um crescimento nesse mercado, apontando o Brasil como segundo colocado no ranking. O homem atual está assumindo sua vaidade?
Está. Estamos publicando uma pesquisa inédita no número 3 em que 75% dos homens dizem que são vaidosos e não vêem problema nisso.

Qual dos seguintes temas te interessaria mais numa revista? 1) Vinhos, 2) Ótimos restaurantes, 3) Brasileirão, 4) Carros
Brasileirão.

Quando não está trabalhando, o que faz pra relaxar? Ler a ALFA?
Jogo bola ou Wii com meus filhos.

O que as mulheres ainda não sabem (ou fingem que não sabem) sobre os homens?
Porque o controle da TV tem de ser nosso e isso é inegociável.

O que mais te assusta em relação ao futuro: a situação política do país ou alterações climáticas na atmosfera? 
A situação política da minha casa.

Se você não fosse jornalista, qual seria sua realização profissional mais desejada?
Baixista do Clash no lugar do Paul Simonon.


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Autor de belos ensaios, campanhas publicitárias de sucesso e uma variada quantidade de capas de badaladas revistas, Jairo Goldflus hoje é um exemplo não só na fotografia, mas ao amor e dedicação à seu maior prêmio, sua família. Pai orgulhoso e marido dedicado, Jairo ao longo de anos de carreira conquistou não só fãs da fotografia e editores de revistas como Elle,Vip, Playboy, Estilo, mas a admiração da atriz Gabriela Duarte, com quem tem uma bela filha. Pai coruja, se orgulha do seu principal retrato, o de sua própria filha. Entre lindas e famosas mulheres, atores renomados e marcas famosas, Jairo se mostra um cara simples e amante (e observador) da vida. Conheça um pouco desse grande profissional, Jairo Goldflus.
Começando pelo começo de tudo... de onde você é? Qual sua formação?Paulistano, 43 anos. Formado em Jornalismo

Quando e como você se tornou fotógrafo profissional?
Vivo de fotografia há uns 22 anos. Comecei tendo como herança uma Nikon FE que minha irmã não usava mais, desde então câmeras são minhas eternas companheiras.

Pra você fotografia sempre foi vista como arte, hobby ou uma forma de ganhar dinheiro, fazendo algo que gostava?
Começa como um hobby, ai você percebe que pode viver daquilo e creio que depois de muitos anos você já constrói um olhar para ser considerado arte, mas isto é bem questionável, o "fotógrafo artista", por isso não ligo muito para as fases, vou vivendo cada uma da forma mais vibrante que se possa viver. A grande vantagem da fotografia é que ela se renova ano após ano.

O mercado brasileiro hoje em dia está mais profissional em relação ao exterior? Existe grandes diferenças? Quais?
Creio que esta mais profissional do que no passado, mas existe um longo caminho a seguir. Acho que a grande diferença está na formação do próprio fotógrafo. Quando digo isto, falo de uma maneira mais erudita e natural. Algo de Percepção e sensibilidade. Vejo que os fotógrafos mais novos mudaram o foco do prazer da fotografia, estão muito apegados ao reconhecimento instantâneo. Uma vez, há uns 20 anos, fiz um workshop com Lucien Clergue, que foi um gênio da fotografia, e ele sugeriu que não pode ser chamado de fotógrafo o cidadão que não tem menos de 40 anos de observação fotográfica, concordo com ele! Eu sou calouro.

Existe diferença pra você entre fotografar para campanhas publicitárias, revistas e viagens? O prazer é o mesmo?
São prazeres diferentes, sempre digo que existem 3 motivos que fazem o fotógrafo executar um trabalho: Dinheiro, Portfolio e Amizade. Não existe ordem para esta seqüência, vai depender do momento e da necessidade.

Como lidar com o lado artístico e o comercial quando se fotografa para uma revista masculina ou de moda?Acho difícil chamar de artístico um trabalho que tem um briefing fotográfico. Todo fotógrafo deve acreditar na sua linguagem e não se flexibilizar ao extremo simplesmente para estar lá, eu penso: Se me chamaram é porque querem a minha linguagem. No Brasil existe a cultura do fotógrafo polivalente, aquele que faz tudo a médio prazo isso é determinante para ele cair no ostracismo.
Como você lida com a insegurança da modelo? Você percebe logo de cara e já imagina os limites com aquela estrela? Ou você tenta ultrapassar os limites dela?
Depois de um tempo você já tem uma técnica natural de transformar aquela situação em algo agradável, é o que eu chamo de "O dia da Noiva", tudo flui naturalmente, não tenho reparado este tipo de dificuldade.

Hoje em dia você acha que o photoshop é utilizado de forma exagerada? Você tem controle sobre isso nos seus trabalhos?Acho que agora esta havendo uma conscientização do mal uso do Photoshop, creio que as coisas estão melhorando conforme são testadas. Sou do tempo onde havia o risco de errar, existia um cuidado maior na captura da imagem, existiam limites e por isso dedicava-se muito nas alternativas de luz, filme revelações, e diria que existia muito mais prazer na conquista de uma linguagem. Tenho a impressão que nenhum fotógrafo que não passou por isso, sabe fazer uma pele de verdade... sem o efeito. Photoshop.
 


Como é seu grau de satisfação em relação aos seus trabalhos em geral?
Gosto de fotografar, o ato em si, a coisa do Showtime. O resultado é conseqüência. Gosto de ver um trabalho pronto, mas sinceramente acho que ele é o resultado de um dia bom ou ruim, gosto de lembrar de dias bons.


Muitas mulheres famosas se negam a posar nua para revistas como PLAYBOY, mas posam nuas para revistas de moda e livros de arte. Como você vê isso? Que tendência é essa?Revistas com a PLAYBOY, tem uma linguagem muita clara e definida, não dá para sair muito daquilo, as coisas precisam ser com aquela cara, aquele enquadramento, aquela seqüência. Acho que não se tem preconceito com o nu, mas elas tem vontade de fazer algo que saia do formato do nos comercial.
Você já fez ensaios com sua esposa, a atriz Gabriela Duarte, em poses sensuais e semi nua. Na hora de expor o trabalho, pinta algum ciúme? Existe um limite em relação a expor sua esposa?
Nenhum. Não tenho nenhum problema com isso.

Você é um homem que lida com várias mulheres bonitas, famosas num ambiente descolado e pretensiosamente liberal. Na sua vida particular, bate o Jairo homem-machão-conservador em algum momento?As pessoas fantasiam que nesses ambientes as pessoas são descoladas e liberais. Não tem nada disso. Todo mundo tem suas angustias, inseguranças e contas para pagar. Sou contra o excesso de glamorização da minha profissão. O fato de viver em um ambiente de gente bonita e descolada não quer dizer que vivemos a década de 70, onde todo mundo é lindo, muito louco e liberal. Não acreditem nessa mentira.

Pra você qual a maior dificuldade do homem hoje em dia? Afinal temos que ser profissional de destaque, pai, bom marido e amante, e ainda arrumar tempo pra sair pra tomar chopp com os amigos.
Tudo se torna fácil em comparação a responsabilidade de ser pai hoje em dia.

Qual seu momento "válvula de escape", que você precisa ter pra relaxar e enfrentar um novo dia de trabalho e vida conjugal?Antigamente trabalhava 7 dias por semana, sem hora para terminar. Hoje determinei limites. Não trabalho de finais de semana, preciso deste tempo para poder observar e viver a vida

O mercado da fotografia praticamente é dominado por homens. Se as mulheres são mais sensíveis, por que elas não se destacam no campo da fotografia?
Existem muitas fotógrafas de destaque hoje em dia. Acho que esta bem dividido

Por ser casado com uma atriz conhecida, de certa forma esse convívio mais próximo com as celebridades influenciou de alguma forma no seu trabalho?
Conheci minha mulher trabalhando, já trabalhava com pessoas conhecidas antes de casar. Não creio que mudou.

Você teve ou tem algum referencial masculino? No seu lado profissional e pessoal.Tenho admiração por inúmeras pessoas. Cada vez menos por pessoas públicas ou conhecidas, gente comum me fascina.


Se você estivesse numa praça com sua câmera na mão e flagrasse três momentos distintos como: - duas belas mulheres incríveis, - um ídolo num banco da praça comendo com a mão, - um acidente na rua. Você apontaria sua câmera pra onde?
Para as mulheres. O as outras opções, fotograficamente falando, não me interessam.

Que dicas você daria a quem está começando a fotografar?
Fotografe e observe a vida.

Dá pra citar algum trabalho que você tem o maior orgulho de ter feito? E qual ainda deseja realizar?
Odeio explicar fotografia. A imagem tem de ser auto explicativa, mesmo porque o que é relevante para um se torna banal para o outro, mas em geral as fotos que faço da minha filha são as que me dão mais orgulho. E desejo sempre me surpreender com a fotografia.

Conheça o site ficial de Jairo Goldflus:
http://www.jairo.com.br/

Um comentário:

  1. Otimo fotografo e reportagem muito bem elaboradas.

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