No Dia Mundial do Rock, 13 de julho, inspire-se em barbudos das bandas famosas como Dave Grohl, James Hetfield e Jared Leto para um visual rock n´roll. No próximo dia 13 de julho é comemorado o Dia Mundial do Rock. E para completar, esse ano o Rock in Rio chega à sua 18º edição. E os roqueiros precisam estar em dia com o visual para encarar essa maratona. O estilo dos roqueiros diz muito sobre eles. Três nomes importantes do rock, que inclusive já pisaram no palco mais importante do Rock in Rio, são exemplos de homens que dizem muito com o seu visual: Dave Grohl, vocalista do Foo Fighters, James Hetfield, líder do Metallica, e Jared Leto, que comanda a banda 30 Seconds to Mars.
Além do estilo musical, o que eles têm em comum? Suas barbas estilosas que inspiram fãs e amantes do visual. Falamos com Wesley Troiano, criador e diretor técnico da Macho-Lândia, marca de produtos para homens, que nos falou um pouco sobre cada um, além de dar dicas preciosas para quem usa, ou quer aderir, ao visual destes ídolos.
Dave Grohl: ele tem uma barba escura com cavanhaque mais acentuado, que transmite um ar de seriedade. Este tipo de visual funciona em homens com o rosto triangular e necessita de cuidados a cada 15 dias, pelo menos.
Cuidados e produtos: No seu caso, é legal fazer uma esfoliação na barba e pele para eliminar as células mortas, impurezas e resíduos que ficam presos na barba. Use shampoo e condicionar que sejam para o seu tipo de barba e cabelo. Nesse caso indicamos a linha fórmula 72 que contém pigmentos naturais para revitalizar o brilho natural da cor dos cabelos e do pelo. Além disso, é importante que o homem comece a usar sempre um óleo específico para sua barba e cabelo, que pode ser usado até quatro vezes ao dia. Temos o Conexão Oil e o Balm Time Lizz, primeiro creme sem enxague para barba, cabelo e bigode, que ajudam neste tratamento.
Ele já usa um estilo “mais agressivo”, deixando um ar de irreverência, com o bigode raspado e o queixo bem alongado. É uma versão de barba que funciona bem para quem tem o rosto em formato quadrado.
Cuidados e produtos: Além dos cuidados com shampoo e condicionador voltados para o seu tipo, voltada para loiro médio com fios grisalhos, que visam fazer a higienização, cuidar de todos os pelos, além de dar um “up” nos fios grisalhos, deixando-os com o tom prateado. Nunca esquecer de usar um bom óleo para manter os fios hidratados e o efeito de uma barba mais macia.
Jared Leto: ele tem uma barba mais cerrada, sem acabamento e pelos loiros escuros, o que dá um aspecto mais sereno. O estilo dele funciona bem para homens com rosto oval e necessita de cuidados bem específicos.
Cuidados e produtos: São necessários produtos específicos para a cor dos fios da barba e cabelo. O indicado é o Shampoo e Bálsamo com a Fórmula 76, que são cuidados específicos para pelos e cabelos loiros. Além de ter sempre no kit obrigatório de todos nós: óleos e outros produtos que ajudam na manutenção da barba e cabelo nossos de cada dia.
- O que eu acho legal é que não somos nós que escolhemos a barba, e sim ela nos escolhe. Na questão de qual estilo de barba daria certo para qual tipo de rosto, o melhor é saber o que você quer transmitir com a sua barba! Os roqueiros fazem isso, respeitam o estilo próprio de sua barba, é claro, que com os seus devidos cuidados, mas não ficam delineando o contorno. Eles deixam de uma forma bem natura e original. Por isso, são referência de estilo quando esse é o assunto. Isso é Rock and Roll! – finaliza Wesley.
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segunda-feira, 10 de julho de 2017
sexta-feira, 9 de setembro de 2016
CAPA: Paulo Ricardo de volta para novas rotações com CD, show e TV
O cantor Paulo Ricardo guarda para sempre em seu DNA roqueiro a fama e as realizações da banda RPM. Foram revoluções por minuto literalmente que deixaram marcas no público brasileiro e no artista. Talvez por essa memória afetiva e o talento de Paulo comprovado em inúmeros sucessos faça com que ele nunca perca seu espaço cativo. E Paulo sabe se reinventar. Tanto que aos seus 53 anos continua jovem e com vontade de fazer muito mais. Prova disso é que ele está de volta com novo disco, novo show, participou de mais uma temporada do Superstar e se tornou pai novamente. Prova que ele segue com todo o gás para novas revoluções, sejam na música ou na vida pessoal.
Recentemente você foi pai novamente. Paulo Ricardo, o pai, como é? Quais as dificuldades e medos na educação dos seus filhos? E quais sonhos deseja para eles? Adoro crianças, e sempre procurei preservar minha criança interna. Sou um pai babão e meus filhos me dão uma alegria e uma energia imensas. Educação é tudo, mas a escola é responsável por apenas 20% da formação das crianças, os outros 80% vêm de casa. Procuro estar sempre calmo e amoroso e mesmo as broncas são dadas com muito carinho. Quero se sejam felizes, que se sintam amados e seguros. O resto é com eles e seus próprios sonhos.
Quem é esse “novo eu” do Paulo Ricardo? É como um carro: a gente faz algumas mudanças no design, algumas evoluções tecnológicas, mas procura manter os elementos clássicos, com os quais o público se identifica.
Depois de 10 anos sem lançar um disco solo, chegou ao público o “Novo Álbum”. E o que esperar desse trabalho? O que ele traz de diferente do que estamos acostumados? É a busca da essência, do refinamento da linguagem, da excelência. É a experiência aliada à curiosidade, à condição de fazer coisas que sempre quis fazer, de um modo diferente. Gravamos como os Beatles e os Stones, ao vivo no estúdio. Sempre fui um fã do soul e do blues, do gospel, e nesse trabalho consegui transitar por esse território, sem perder os toques de eletrônica que sempre marcaram meu estilo.
Mesmo depois de muito tempo e de projetos solos, o seu nome ainda está muito vinculado ao RPM, ao “olhar 43”. Como se sente em relação a isso? A gente costuma brincar que toda banda tem o seu "Satisfaction", seu grande hit. O nosso é "Olhar 43". E o RPM continua em atividade, paralelo à minha carreira solo. Tudo em perfeita harmonia. É o melhor dos mundos.
O que costuma assistir e quais suas preferências no mundo audiovisual? Vivemos a maior crise da história do Brasil, então tenho estado constantemente ligado ao noticiário. Confesso que estou atrasado em relação aos muitos filmes que gostaria de assistir. Também procuro estar em dia com o que acontece no mundo da música, dos videoclipes e festivais, e das artes plásticas, da computação gráfica e das novas mídias. Estamos no meio de uma revolução tecnológica e não podemos nos dar ao luxo de perder o passo das mudanças radicais e interessantíssimas que estão acontecendo à nossa volta, em todas as áreas. Tudo pode mudar a qualquer momento e as coisas perdem a relevância num piscar de olhos. É preciso estar atento e forte!
Ainda sobre TV, conta um pouco da experiência no “Superstar”. Qual o peso de avaliar os músicos? É uma honra e uma enorme responsabilidade. São profissionais de enorme talento e estamos ali pra ajudar. Todos ali são vencedores.
A presença de músicos consagrados julgando músicos “buscando seu lugar ao sol” pode trazer um nervosismo que atrapalhe a apresentação? Considera isso na hora de julgar? Sim, penso muito no que vou falar para que, mesmo elogioso, o comentário seja consistente e acrescente algo à trajetória da banda, buscando referências, contextualizando as apresentações. Além disso, hoje, com a internet, as coisas repercutem muito e qualquer erro assume proporções catastróficas. É um perigo! Sem falar nos "haters" e nos fãs histéricos, que não admitem críticas aos seus "ídolos".
As mídias sociais vêm dando espaço e voz a um número cada vez maior de pessoas (muitas despreparadas para certos assuntos), além de promover muita exposição. Como lida com esse espaço tão democrático e por vezes anárquico? Pra falar a verdade, não dou muita importância. Há muitos "fakes", compra de “likes”, etc. É uma democracia relativa. Às vezes é muito barulho por nada. É como disse Umberto Eco, "na internet o imbecil pode falar sobre tudo que não sabe".
O Brasil anda carente de rock de verdade? Você, como incentivador dele, como vê a cena atual, tomada de sertanejo e funk? O que temos de novo (bom) nesse cenário? Sim, o rock está em baixa. Mas o SuperStar vem fazendo um grande trabalho na descoberta de novas bandas. Mas estou sempre atento, adoro música pop e todo gênero tem algo de bom pra mostrar. O tempo é o fiel da balança. Quem tem qualidade, fica.
Como foi fotografar no centro de SP, no meio do povo, e tocar com o povo na rua...? Adoro o centro, adoro andar pelas ruas, estar em contato com o público e descobrir belezas arquitetônicas ocultas pelo descaso e a pobreza das grandes cidades. O Angelo (o fotógrafo) é um grande artista, amigo de longa data e é sempre um prazer trabalhar com ele e sua equipe. Foi divertidíssimo!
O que podemos esperar do “Novo Show” e o que mais vem por aí? É o melhor momento de minha carreira, uma super produção e uma super banda. Além do “Novo Álbum”, faço todos os sucessos do RPM e da carreira solo, além de homenagear Cazuza, Renato Russo e David Bowie. É uma grande viagem!
Fotos Angelo Pastorello
Realização Ju Hirschmann
Estilo Renata Tamelini
Beleza Renata Rubiniak
CRÉDITOS
Etiqueta Negra (21) 3152-6700 / M.Pollo (62) 3277-9977 / CSN (11) 3141-0990 / Aramis (11) 3611-5141 / HighStil (11) 3595-8591 / Agradecimentos especiais: Cantor Willian Lee - Bar Salve Jorge - Largo São Bento (11) 3107-0123
Recentemente você foi pai novamente. Paulo Ricardo, o pai, como é? Quais as dificuldades e medos na educação dos seus filhos? E quais sonhos deseja para eles? Adoro crianças, e sempre procurei preservar minha criança interna. Sou um pai babão e meus filhos me dão uma alegria e uma energia imensas. Educação é tudo, mas a escola é responsável por apenas 20% da formação das crianças, os outros 80% vêm de casa. Procuro estar sempre calmo e amoroso e mesmo as broncas são dadas com muito carinho. Quero se sejam felizes, que se sintam amados e seguros. O resto é com eles e seus próprios sonhos.
Quem é esse “novo eu” do Paulo Ricardo? É como um carro: a gente faz algumas mudanças no design, algumas evoluções tecnológicas, mas procura manter os elementos clássicos, com os quais o público se identifica.Depois de 10 anos sem lançar um disco solo, chegou ao público o “Novo Álbum”. E o que esperar desse trabalho? O que ele traz de diferente do que estamos acostumados? É a busca da essência, do refinamento da linguagem, da excelência. É a experiência aliada à curiosidade, à condição de fazer coisas que sempre quis fazer, de um modo diferente. Gravamos como os Beatles e os Stones, ao vivo no estúdio. Sempre fui um fã do soul e do blues, do gospel, e nesse trabalho consegui transitar por esse território, sem perder os toques de eletrônica que sempre marcaram meu estilo.
Mesmo depois de muito tempo e de projetos solos, o seu nome ainda está muito vinculado ao RPM, ao “olhar 43”. Como se sente em relação a isso? A gente costuma brincar que toda banda tem o seu "Satisfaction", seu grande hit. O nosso é "Olhar 43". E o RPM continua em atividade, paralelo à minha carreira solo. Tudo em perfeita harmonia. É o melhor dos mundos.
O que costuma assistir e quais suas preferências no mundo audiovisual? Vivemos a maior crise da história do Brasil, então tenho estado constantemente ligado ao noticiário. Confesso que estou atrasado em relação aos muitos filmes que gostaria de assistir. Também procuro estar em dia com o que acontece no mundo da música, dos videoclipes e festivais, e das artes plásticas, da computação gráfica e das novas mídias. Estamos no meio de uma revolução tecnológica e não podemos nos dar ao luxo de perder o passo das mudanças radicais e interessantíssimas que estão acontecendo à nossa volta, em todas as áreas. Tudo pode mudar a qualquer momento e as coisas perdem a relevância num piscar de olhos. É preciso estar atento e forte!
Ainda sobre TV, conta um pouco da experiência no “Superstar”. Qual o peso de avaliar os músicos? É uma honra e uma enorme responsabilidade. São profissionais de enorme talento e estamos ali pra ajudar. Todos ali são vencedores.
A presença de músicos consagrados julgando músicos “buscando seu lugar ao sol” pode trazer um nervosismo que atrapalhe a apresentação? Considera isso na hora de julgar? Sim, penso muito no que vou falar para que, mesmo elogioso, o comentário seja consistente e acrescente algo à trajetória da banda, buscando referências, contextualizando as apresentações. Além disso, hoje, com a internet, as coisas repercutem muito e qualquer erro assume proporções catastróficas. É um perigo! Sem falar nos "haters" e nos fãs histéricos, que não admitem críticas aos seus "ídolos".
As mídias sociais vêm dando espaço e voz a um número cada vez maior de pessoas (muitas despreparadas para certos assuntos), além de promover muita exposição. Como lida com esse espaço tão democrático e por vezes anárquico? Pra falar a verdade, não dou muita importância. Há muitos "fakes", compra de “likes”, etc. É uma democracia relativa. Às vezes é muito barulho por nada. É como disse Umberto Eco, "na internet o imbecil pode falar sobre tudo que não sabe".
O Brasil anda carente de rock de verdade? Você, como incentivador dele, como vê a cena atual, tomada de sertanejo e funk? O que temos de novo (bom) nesse cenário? Sim, o rock está em baixa. Mas o SuperStar vem fazendo um grande trabalho na descoberta de novas bandas. Mas estou sempre atento, adoro música pop e todo gênero tem algo de bom pra mostrar. O tempo é o fiel da balança. Quem tem qualidade, fica.
Como foi fotografar no centro de SP, no meio do povo, e tocar com o povo na rua...? Adoro o centro, adoro andar pelas ruas, estar em contato com o público e descobrir belezas arquitetônicas ocultas pelo descaso e a pobreza das grandes cidades. O Angelo (o fotógrafo) é um grande artista, amigo de longa data e é sempre um prazer trabalhar com ele e sua equipe. Foi divertidíssimo!
O que podemos esperar do “Novo Show” e o que mais vem por aí? É o melhor momento de minha carreira, uma super produção e uma super banda. Além do “Novo Álbum”, faço todos os sucessos do RPM e da carreira solo, além de homenagear Cazuza, Renato Russo e David Bowie. É uma grande viagem!
Fotos Angelo Pastorello
Realização Ju Hirschmann
Estilo Renata Tamelini
Beleza Renata Rubiniak
CRÉDITOS
Etiqueta Negra (21) 3152-6700 / M.Pollo (62) 3277-9977 / CSN (11) 3141-0990 / Aramis (11) 3611-5141 / HighStil (11) 3595-8591 / Agradecimentos especiais: Cantor Willian Lee - Bar Salve Jorge - Largo São Bento (11) 3107-0123
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
CAPA: Paulo Ricardo de volta com mil rotações por minuto
O libriano e carioca Paulo tinha somente cinco anos quando uma professora sugeriu aos seus pais que o levassem a um programa de talentos mirins na Rede Globo de Televisão. Ela não sabia – nem muito menos ele ou os pais – que aquele seria o prólogo de uma brilhante carreira sobre os palcos. Ainda que o pequeno Paulo não tenha se lançado então no universo da fama, aquele foi um ponto marcante para desvendar os rumos que sua vida viria a tomar. Hoje, o maduro e consagrado cantor Paulo Ricardo admite que a música nasceu com ele, estando à espreita desde sempre, e tendo vindo à tona naquele programa de talentos mirins pela primeira vez.
Questionado sobre desde quando se sente ligado à arte que já não mais se dissocia de sua figura, ele responde com a voz rouca que arrebata suspiros das fãs: “desde sempre, desde que eu consigo me lembrar.” Dos primeiros projetos artísticos, iniciados oficialmente aos dezesseis anos de idade, Paulo extrai uma carga de experiências que dita suas decisões presentes e futuras. Passeia pela própria linha do tempo com a desenvoltura de um esgrimista e a passionalidade de um astro do rock. Volta à emblemática década de oitenta sem grilhões ou melancolia, no papel de um visitante que já morou naquela casa e conhece a posição exata de cada um dos móveis. Na abóbada estrelada de sua carreira, aqueles anos são imortais. “Comecei a compor após meu encontro com o [Luiz] Schiavon, em 1978, depois de tentativas frustradas de compor bandinhas de rock juvenis”, recorda, “e da nossa parceria, surgiu meu primeiro projeto propriamente dito, um grupo chamado AURA, do qual nasceu o RPM.”
Antes de se tornar o principal ícone da meteórica ascensão do Revoluções Por Minuto, Paulo havia trabalhado como crítico de rock, redigindo colunas em revistas estrangeiras e opinando sobre as produções recentes do universo cultural no qual se envolveria até os ossos num futuro bem próximo. Nesse contexto, sabia que o apelo estético e a sensualidade dos integrantes de uma banda do gênero eram fundamentais à popularização de seu trabalho. “Para mim, o apelo do componente sexual é responsável por metade do sucesso do componente rock’n’roll”, sintetiza sem culpa. Afinal, culpado de que? “A fagulha desse sentimento existia desde Mick Jagger, James Morrison, porque a sexualidade é fundamental ao rock”, explica. Segundo Paulo, a ideia comum aos que formavam o RPM era a de desempenhar uma performance atraente, sem que esta estivesse necessariamente ligada aos conceitos clássicos da beleza apolínea. Ele credita muito da sensualidade que é associada à sua figura aos efeitos inerentes da própria música sobre seu público, como se a magia do rock enfeitiçasse os que assistiam aos seus espetáculos e o tornasse um símbolo sexual sem precedentes, dado o clímax proporcionado pelo som produzido ali. “Nunca tivemos problema com a associação da nossa imagem à nossa produção musical, afinal, somos da geração MTV, não somos artistas de rádio”, compara, “era necessário que a nossa imagem se fizesse presente e fosse marcante.” Quanto ao título de galã, dispara com a tranquilidade do viajante que já não se deslumbra com o primeiro sol poente da jornada: “Óbvio que é melhor ser visto como belo, mas isso nunca foi prioridade.”
“UMA SINTONIA MÁGICA”
"Desde a primeira música do primeiro ensaio, houve uma sintonia mágica entre nós", define Paulo Ricardo ao recordar-se dos primeiros encontros com a formação original do RPM. Maktub, estava escrito: na continuidade da vida, à frente daquela intuição de que todos os caminhos se abririam para seus projetos, eles, de fato, se abriram. A banda, alavancada em 1983, está no hall das mais bem sucedidas do rock nacional, tendo quebrado todos os recordes da indústria fonográfica brasileira, contabilizando mais de cinco milhões de discos vendidos no auge da carreira em conjunto.
“Nos anos oitenta, trabalhávamos muito, vivíamos intensamente, freneticamente, vivenciando o dia a dia de um grupo de artistas em evidência, com todos os seus contras e suas vantagens”, explica Paulo, que recorda nitidamente as explosões de fanatismo que o fizeram correr às pressas por ruas, avenidas e shopping centers, driblando os rompantes de excesso de entusiasmo das fãs. Ao final das primeiras temporadas e durante o primeiro hiato após turnês, é que foi possível perceber a dimensão do sucesso e o alcance do efeito RPM. “A consciência de que havíamos nos tornado um fenômeno pop adolescente veio somente quando tivemos uma pausa para analisar o panorama em que estávamos enquadrados”, confessa. Naquela fase, Paulo Ricardo, assim como seus parceiros de banda, respirava, transpirava e se alimentava da energia disposta em torno do Revoluções Por Minuto.
“FOI IMATURIDADE”
Quando perguntado sobre por que o grupo foi dissolvido muito antes do esperado pelo seu público, o astro admite: “Estávamos grudados há muito tempo, sem brechas sequer para uma respirada, para tocarmos nossos projetos solos, cuidarmos das nossas coisas mais individuais. Acabamos querendo encaixar todos os planos particulares em um projeto conjunto, o que provocou inúmeras divergências. Hoje vejo que deveríamos ter dado um tempo e, em seguida, retomado o RPM. Na época, nos faltou essa visão. Tudo era muito intenso e não nos permitimos digerir as mudanças todas. Mas a separação definitiva não precisava ter acontecido. Foi imaturidade.”
Para Paulo Ricardo, o primeiro rompimento com o RPM foi, de longe, o mais difícil. Depois dele, porém, veio o amadurecimento. A vida seguiu, como sempre há de fazer, e os ex-componentes do Revoluções Por Minuto seguiram com ela. Em 2002 e em 2004, juntos, gravaram algumas faixas inéditas em parceria com a MTV. “Deu muito certo, mas logo voltamos a divergir”, conta o intérprete. Até que, anos mais tarde, foram procurados pela Rede Globo e convidados a gravar uma edição do especial Por Toda a Minha Vida. “Ali, finalmente, percebemos que já havíamos explorado todas as nossas possibilidades individuais e satisfeito todos os nossos anseios particulares; já havíamos dado vazão aos nossos talentos pessoais e sentimos que o RPM era algo de proporções gigantescas, que merecia mais do nosso tempo e dedicação”, diz. “Tomamos consciência de que ninguém seria prisioneiro da banda, e que poderíamos, ao mesmo tempo, retomar nosso grupo e dar continuidade às carreiras solo”, completa Paulo.
“NOSSO MELHOR MOMENTO”
Como a maturidade ensina que a vista do retrovisor jamais deve merecer tanta atenção quanto à paisagem no para-brisa dianteiro, Paulo Ricardo declara com segurança: “Estamos em nosso melhor momento.” E sobre as idas e vindas do RPM, explica que os rompimentos sempre foram artísticos, jamais pessoais. “Nós temos história, intimidade, maturidade e respeito uns pelos outros e pelo legado da banda”, fala como quem, sem querer, termina por entregar a receita da longevidade em qualquer relacionamento. E acresce a ela um ingrediente fundamental: a valorização do presente. A sabedoria de viver o agora, por maior ou mais forte – e justa - que seja a nostalgia em relação aos momentos passados.
“Quando somos jovens, vemos esse universo da fama como algo mágico. Administrar a liberdade e o sucesso é, portanto, a coisa mais difícil. Depois do estrelado, nós aprendemos o que não fazer. Adquirimos a tranquilidade de entender que temos um trabalho que exige o mesmo que outro trabalho qualquer: a entrega, conta. “Passar a fazer sucesso é muito mais fácil do que manter-se assim. Passado o encantamento de se tornar parte do hall de celebridades, é possível entender que ali é o patamar de grandes profissionais, o que aumenta as responsabilidades, cobranças e necessidade constante de auto superação”, explica, “e, no fim de tudo, se vê que nós não somos movidos pelo sucesso, dinheiro ou fama, mas pelo prazer subjetivo de gravar uma música e apresentá-la em um show, com toda a sensação de encantamento que isso produz. “De acordo com Paulo Ricardo, essa paixão, esse encantamento é que motivam bandas antigas a se manterem na ativa”. Algumas delas já são tão míticas que não precisam de mais contratos ou mais prestígio. Elas permanecem atuando porque é aquilo que desejam, é aquilo que mantém seus integrantes em movimento, sentindo-se vivos, sentindo-se plenos.
“PARA FAZER O QUE EU GOSTO”
Para quem acompanhou todo o desenrolar da carreira artística de Paulo Ricardo, é possível perceber a transição natural do gênero roqueiro a um estilo mais romântico. Passadas décadas desde a formação do AURA e o surgimento do RPM, o rock e o romance se misturam e se complementam nas produções mais recentes do astro. Qual a diferença entre o Paulo Ricardo solo e o vocalista do Revoluções? “O RPM é uma banda de personalidade forte. Eu e o Schiavon temos uma parceria forte, antiga e muito boa. Muitas das composições que faço para nosso repertório são fruto dos estímulos que tenho dessa banda, do seu significado, de seu apelo. Na carreira solo, me sinto à vontade para fazer o que eu gosto. Aproveito para interpretar e criar minhas próprias coisas.”
Para o futuro, os planos são inúmeros, generosos e consistentes. Porém comedidos, sensatos. Com o nascimento do filho mais novo, seu primeiro rapaz, o astro não pretende preencher a agenda com suas viagens e turnês habituais. “Vamos terminar, Toquinho e eu, o DVD que estamos produzindo sobre as obras do Vinícius de Morais. Paralelo a isso, vou concluir, junto com o RPM, um CD que gostaríamos de lançar ainda este ano. Uma das faixas deste álbum será Primavera Tropical, que compusemos durante as manifestações político-ideológicas que eclodiram no país ano passado”, lista.
“NÃO QUERO SER DISSECADO”
Longe dos holofotes da fama, Paulo Ricardo é caseiro, dedicado à família. Gosta mesmo é da intimidade. Quando perguntado se existem lados seus que os fãs desconhecem, ele diz desejar que sim. “Eu gosto de pensar que existem vários lados meus que as pessoas não conhecem”, confessa, “porque fico bastante entediado com essa exploração da cultura de celebridade, não quero ser dissecado. E não por que eu tenha algo a esconder, mas porque acho cafona alguém se expor até o último nível.” Para ele, o mistério é fundamental. O ícone da persona envolvida numa aura enigmática faz parte do encanto. “Até mesmo entre um casal, certa dose de mistério é sempre necessária.”
E falando em casais, Paulo não mede palavras para declarar seu amor à atual esposa, Gabriela. Perguntar a ele o que o conquista numa mulher é levá-lo a citar a esposa e enumerar todas as suas qualidades e aptidões. O cantor reforça que não há – nem deve haver – um modelo de mulher perfeita, mas sentimentos em intensidades variáveis e com buscas distintas. “Tudo o que eu buscava, encontrei na Gabriela”, sintetiza, “ela é bondosa, tranquila, serena e dotada de uma intuição poderosíssima.” Perguntado se ela é tão caseira quanto ele, um Paulo apaixonado se desmancha: “Ela é a minha paz.” Sim, Gabriela é caseira, serena, calma. Para ele, o equilíbrio perfeito para suas ansiedades e impulsos de eterno roqueiro. Voltar para casa e desacelerar o ritmo frenético que a vida artística exige é uma preciosidade sem precedentes na vida do músico. Na contramão de uma cultura da estética pela estética e da superficialidade vigente nas relações humanas, que ele mesmo diz observar com mais frequência do que gostaria; Paulo faz questão de destacar a inteligência daquela que se tornou sua grande musa. “Gabriela é uma publicitária inteligentíssima, com sexto e sétimo sentidos. Ela tem uma enorme elegância, social e espiritualmente”, arremata.
“NÃO TENHO SAUDADE DE NADA”
Além de não deixar de ouvir o que a banda e seus parceiros musicais têm produzido, Paulo Ricardo se empenha em acompanhar as produções de todos os grupos que se relacionam ao estilo do RPM e ao seu próprio estilo. “Ouço os clássicos, como Eric Clapton, e também o que há de novo”, diz, “ouço rádio para me manter informado do que anda sendo produzido na MPB, mas a internet pulverizou toda a indústria fonográfica em cenas simultâneas e democráticas. Não existe mais uma única cena musical. São várias, que se misturam ao mesmo tempo.” Para completar a lista, volta sempre aos épicos hits dos Beatles: “Cada vez que os ouço, eu entendo mais um pouco sobre por que eles eram e serão sempre os mestres.”
Beatlemaníaco assumido, inclusive, orgulha-se de ostentar no currículo uma autorização pessoal da Yoko Ono para sua regravação da emblemática canção Imagine, de John Lennon. Classifica a façanha como uma honra difícil de descrever em palavras, visto que, historicamente, Yoko jamais havia dado sua autorização a algo semelhante. “Numa entrevista exclusiva que ela concordou em me conceder”, conta Paulo, “perguntei por que havia dado seu aval à minha regravação. Ela disse que gostou de ter percebido que eu não tinha a intenção de copiar Lennon, mas fazer minha própria versão daquele clássico.”
Sobre a comparação entre o RPM e os Beatles, que veio à tona no auge da estrondosa carreira do grupo, o vocalista desconversa e credita a metáfora a um ponto de vista inserido em contexto determinado. “Temos que entender o contexto e a forma como isso foi colocado. Nós não fomos comparados [aos Beatles] pela sua obra e influência, porque eles são incomparáveis, mas pela histeria das fãs. A simetria foi mais no sentido da euforia, de uma coisa nova, causando frisson”, explica.
E quando inquerido sobre essa nostalgia interminável deixada pelos icônicos anos oitenta, Paulo Ricardo declara sem pesos: “Eu não tenho saudade de nada. Vivi intensamente e, hoje, sou uma pessoa muito focada no presente e no futuro.” Dada a quantidade de vezes que já foi questionado sobre o tema, confessa ter uma lista mental dos itens que transformaram os anos oitenta em uma década imortal: o momento político da época, a revolução tecnológica trazida pelos sintetizadores, a revolução visual capitaneada pela MTV e seus clipes, a revolução do punk e a revolução da liberdade sexual. “Tudo isso, somado, imprimiu na sociedade um momento inesquecível, alegre, descontraído, livre, cercado de mudanças e revoluções.”
E de revoluções, nós sabemos, ele entende bem: dotado de um timbre rouco que deu voz a toda uma geração, Paulo Ricardo conviveu com as dores e delícias de ascender do anonimato ao apogeu em pleno auge do sentimento de invencibilidade típico da juventude. Foi também jovem, emblemático, icônico, invencível. As revoluções, em seu legado, virão sempre acompanhadas de um adendo: por minuto. As revoluções, em sua história, serão para sempre.
Fotos: Angelo Pastorello, Produção e estilo: Ju Hirschmann, Direção de arte: Celso Ieiri, Beleza: Renata Rubiniak, Assistente de beleza: Bruno Freitas, Assistente de Set: Claite Rodrigues, Assistente de foto: Daniel de Jesus, Agradecimentos: Retrô Hair (11) 3100-1680 - Agradecimento especial Mônica Silveira.
Paulo Ricardo veste: Terno risca de giz, terno branco, suspensório e sapato bicolor: Minha Avó Tinha (11) 3801.4124, Terno preto, camisa branca e gravata: Etiqueta Negra (11) 3152.6700, Camisa preta e Blazer vinho: Aramis (11) 3081.2214. Ela: Pulseira: Prado (11) 2337.9025, Brincos: Lázara Design (31) 3488.6889 e Letícia Sarabia (45) 3029.1022, Gola de pele: TNG (11) 4689.9313, Camisa Branca: Highstil (11) 3611.5575, Gravata borboleta e Suspensório: Minha Avó Tinha (11) 3801.4124, Casaco preto com gola de pele: Pernambucanas 0800-724.9200, Sapatos Carmen Steffens: (11) 30632283, Calças: Marui Akamine (11) 99369.4738, Vestido: Chita 0800 645.5570, Chapéu: Acessorize (11) 3061.5136.
Questionado sobre desde quando se sente ligado à arte que já não mais se dissocia de sua figura, ele responde com a voz rouca que arrebata suspiros das fãs: “desde sempre, desde que eu consigo me lembrar.” Dos primeiros projetos artísticos, iniciados oficialmente aos dezesseis anos de idade, Paulo extrai uma carga de experiências que dita suas decisões presentes e futuras. Passeia pela própria linha do tempo com a desenvoltura de um esgrimista e a passionalidade de um astro do rock. Volta à emblemática década de oitenta sem grilhões ou melancolia, no papel de um visitante que já morou naquela casa e conhece a posição exata de cada um dos móveis. Na abóbada estrelada de sua carreira, aqueles anos são imortais. “Comecei a compor após meu encontro com o [Luiz] Schiavon, em 1978, depois de tentativas frustradas de compor bandinhas de rock juvenis”, recorda, “e da nossa parceria, surgiu meu primeiro projeto propriamente dito, um grupo chamado AURA, do qual nasceu o RPM.”
Antes de se tornar o principal ícone da meteórica ascensão do Revoluções Por Minuto, Paulo havia trabalhado como crítico de rock, redigindo colunas em revistas estrangeiras e opinando sobre as produções recentes do universo cultural no qual se envolveria até os ossos num futuro bem próximo. Nesse contexto, sabia que o apelo estético e a sensualidade dos integrantes de uma banda do gênero eram fundamentais à popularização de seu trabalho. “Para mim, o apelo do componente sexual é responsável por metade do sucesso do componente rock’n’roll”, sintetiza sem culpa. Afinal, culpado de que? “A fagulha desse sentimento existia desde Mick Jagger, James Morrison, porque a sexualidade é fundamental ao rock”, explica. Segundo Paulo, a ideia comum aos que formavam o RPM era a de desempenhar uma performance atraente, sem que esta estivesse necessariamente ligada aos conceitos clássicos da beleza apolínea. Ele credita muito da sensualidade que é associada à sua figura aos efeitos inerentes da própria música sobre seu público, como se a magia do rock enfeitiçasse os que assistiam aos seus espetáculos e o tornasse um símbolo sexual sem precedentes, dado o clímax proporcionado pelo som produzido ali. “Nunca tivemos problema com a associação da nossa imagem à nossa produção musical, afinal, somos da geração MTV, não somos artistas de rádio”, compara, “era necessário que a nossa imagem se fizesse presente e fosse marcante.” Quanto ao título de galã, dispara com a tranquilidade do viajante que já não se deslumbra com o primeiro sol poente da jornada: “Óbvio que é melhor ser visto como belo, mas isso nunca foi prioridade.”
“UMA SINTONIA MÁGICA”
"Desde a primeira música do primeiro ensaio, houve uma sintonia mágica entre nós", define Paulo Ricardo ao recordar-se dos primeiros encontros com a formação original do RPM. Maktub, estava escrito: na continuidade da vida, à frente daquela intuição de que todos os caminhos se abririam para seus projetos, eles, de fato, se abriram. A banda, alavancada em 1983, está no hall das mais bem sucedidas do rock nacional, tendo quebrado todos os recordes da indústria fonográfica brasileira, contabilizando mais de cinco milhões de discos vendidos no auge da carreira em conjunto.
“Nos anos oitenta, trabalhávamos muito, vivíamos intensamente, freneticamente, vivenciando o dia a dia de um grupo de artistas em evidência, com todos os seus contras e suas vantagens”, explica Paulo, que recorda nitidamente as explosões de fanatismo que o fizeram correr às pressas por ruas, avenidas e shopping centers, driblando os rompantes de excesso de entusiasmo das fãs. Ao final das primeiras temporadas e durante o primeiro hiato após turnês, é que foi possível perceber a dimensão do sucesso e o alcance do efeito RPM. “A consciência de que havíamos nos tornado um fenômeno pop adolescente veio somente quando tivemos uma pausa para analisar o panorama em que estávamos enquadrados”, confessa. Naquela fase, Paulo Ricardo, assim como seus parceiros de banda, respirava, transpirava e se alimentava da energia disposta em torno do Revoluções Por Minuto.
“FOI IMATURIDADE”
Quando perguntado sobre por que o grupo foi dissolvido muito antes do esperado pelo seu público, o astro admite: “Estávamos grudados há muito tempo, sem brechas sequer para uma respirada, para tocarmos nossos projetos solos, cuidarmos das nossas coisas mais individuais. Acabamos querendo encaixar todos os planos particulares em um projeto conjunto, o que provocou inúmeras divergências. Hoje vejo que deveríamos ter dado um tempo e, em seguida, retomado o RPM. Na época, nos faltou essa visão. Tudo era muito intenso e não nos permitimos digerir as mudanças todas. Mas a separação definitiva não precisava ter acontecido. Foi imaturidade.”
Para Paulo Ricardo, o primeiro rompimento com o RPM foi, de longe, o mais difícil. Depois dele, porém, veio o amadurecimento. A vida seguiu, como sempre há de fazer, e os ex-componentes do Revoluções Por Minuto seguiram com ela. Em 2002 e em 2004, juntos, gravaram algumas faixas inéditas em parceria com a MTV. “Deu muito certo, mas logo voltamos a divergir”, conta o intérprete. Até que, anos mais tarde, foram procurados pela Rede Globo e convidados a gravar uma edição do especial Por Toda a Minha Vida. “Ali, finalmente, percebemos que já havíamos explorado todas as nossas possibilidades individuais e satisfeito todos os nossos anseios particulares; já havíamos dado vazão aos nossos talentos pessoais e sentimos que o RPM era algo de proporções gigantescas, que merecia mais do nosso tempo e dedicação”, diz. “Tomamos consciência de que ninguém seria prisioneiro da banda, e que poderíamos, ao mesmo tempo, retomar nosso grupo e dar continuidade às carreiras solo”, completa Paulo.
“NOSSO MELHOR MOMENTO”
Como a maturidade ensina que a vista do retrovisor jamais deve merecer tanta atenção quanto à paisagem no para-brisa dianteiro, Paulo Ricardo declara com segurança: “Estamos em nosso melhor momento.” E sobre as idas e vindas do RPM, explica que os rompimentos sempre foram artísticos, jamais pessoais. “Nós temos história, intimidade, maturidade e respeito uns pelos outros e pelo legado da banda”, fala como quem, sem querer, termina por entregar a receita da longevidade em qualquer relacionamento. E acresce a ela um ingrediente fundamental: a valorização do presente. A sabedoria de viver o agora, por maior ou mais forte – e justa - que seja a nostalgia em relação aos momentos passados.
“Quando somos jovens, vemos esse universo da fama como algo mágico. Administrar a liberdade e o sucesso é, portanto, a coisa mais difícil. Depois do estrelado, nós aprendemos o que não fazer. Adquirimos a tranquilidade de entender que temos um trabalho que exige o mesmo que outro trabalho qualquer: a entrega, conta. “Passar a fazer sucesso é muito mais fácil do que manter-se assim. Passado o encantamento de se tornar parte do hall de celebridades, é possível entender que ali é o patamar de grandes profissionais, o que aumenta as responsabilidades, cobranças e necessidade constante de auto superação”, explica, “e, no fim de tudo, se vê que nós não somos movidos pelo sucesso, dinheiro ou fama, mas pelo prazer subjetivo de gravar uma música e apresentá-la em um show, com toda a sensação de encantamento que isso produz. “De acordo com Paulo Ricardo, essa paixão, esse encantamento é que motivam bandas antigas a se manterem na ativa”. Algumas delas já são tão míticas que não precisam de mais contratos ou mais prestígio. Elas permanecem atuando porque é aquilo que desejam, é aquilo que mantém seus integrantes em movimento, sentindo-se vivos, sentindo-se plenos.
“PARA FAZER O QUE EU GOSTO”
Para quem acompanhou todo o desenrolar da carreira artística de Paulo Ricardo, é possível perceber a transição natural do gênero roqueiro a um estilo mais romântico. Passadas décadas desde a formação do AURA e o surgimento do RPM, o rock e o romance se misturam e se complementam nas produções mais recentes do astro. Qual a diferença entre o Paulo Ricardo solo e o vocalista do Revoluções? “O RPM é uma banda de personalidade forte. Eu e o Schiavon temos uma parceria forte, antiga e muito boa. Muitas das composições que faço para nosso repertório são fruto dos estímulos que tenho dessa banda, do seu significado, de seu apelo. Na carreira solo, me sinto à vontade para fazer o que eu gosto. Aproveito para interpretar e criar minhas próprias coisas.”
Para o futuro, os planos são inúmeros, generosos e consistentes. Porém comedidos, sensatos. Com o nascimento do filho mais novo, seu primeiro rapaz, o astro não pretende preencher a agenda com suas viagens e turnês habituais. “Vamos terminar, Toquinho e eu, o DVD que estamos produzindo sobre as obras do Vinícius de Morais. Paralelo a isso, vou concluir, junto com o RPM, um CD que gostaríamos de lançar ainda este ano. Uma das faixas deste álbum será Primavera Tropical, que compusemos durante as manifestações político-ideológicas que eclodiram no país ano passado”, lista.
“NÃO QUERO SER DISSECADO”
Longe dos holofotes da fama, Paulo Ricardo é caseiro, dedicado à família. Gosta mesmo é da intimidade. Quando perguntado se existem lados seus que os fãs desconhecem, ele diz desejar que sim. “Eu gosto de pensar que existem vários lados meus que as pessoas não conhecem”, confessa, “porque fico bastante entediado com essa exploração da cultura de celebridade, não quero ser dissecado. E não por que eu tenha algo a esconder, mas porque acho cafona alguém se expor até o último nível.” Para ele, o mistério é fundamental. O ícone da persona envolvida numa aura enigmática faz parte do encanto. “Até mesmo entre um casal, certa dose de mistério é sempre necessária.”
E falando em casais, Paulo não mede palavras para declarar seu amor à atual esposa, Gabriela. Perguntar a ele o que o conquista numa mulher é levá-lo a citar a esposa e enumerar todas as suas qualidades e aptidões. O cantor reforça que não há – nem deve haver – um modelo de mulher perfeita, mas sentimentos em intensidades variáveis e com buscas distintas. “Tudo o que eu buscava, encontrei na Gabriela”, sintetiza, “ela é bondosa, tranquila, serena e dotada de uma intuição poderosíssima.” Perguntado se ela é tão caseira quanto ele, um Paulo apaixonado se desmancha: “Ela é a minha paz.” Sim, Gabriela é caseira, serena, calma. Para ele, o equilíbrio perfeito para suas ansiedades e impulsos de eterno roqueiro. Voltar para casa e desacelerar o ritmo frenético que a vida artística exige é uma preciosidade sem precedentes na vida do músico. Na contramão de uma cultura da estética pela estética e da superficialidade vigente nas relações humanas, que ele mesmo diz observar com mais frequência do que gostaria; Paulo faz questão de destacar a inteligência daquela que se tornou sua grande musa. “Gabriela é uma publicitária inteligentíssima, com sexto e sétimo sentidos. Ela tem uma enorme elegância, social e espiritualmente”, arremata.“NÃO TENHO SAUDADE DE NADA”
Além de não deixar de ouvir o que a banda e seus parceiros musicais têm produzido, Paulo Ricardo se empenha em acompanhar as produções de todos os grupos que se relacionam ao estilo do RPM e ao seu próprio estilo. “Ouço os clássicos, como Eric Clapton, e também o que há de novo”, diz, “ouço rádio para me manter informado do que anda sendo produzido na MPB, mas a internet pulverizou toda a indústria fonográfica em cenas simultâneas e democráticas. Não existe mais uma única cena musical. São várias, que se misturam ao mesmo tempo.” Para completar a lista, volta sempre aos épicos hits dos Beatles: “Cada vez que os ouço, eu entendo mais um pouco sobre por que eles eram e serão sempre os mestres.”
Beatlemaníaco assumido, inclusive, orgulha-se de ostentar no currículo uma autorização pessoal da Yoko Ono para sua regravação da emblemática canção Imagine, de John Lennon. Classifica a façanha como uma honra difícil de descrever em palavras, visto que, historicamente, Yoko jamais havia dado sua autorização a algo semelhante. “Numa entrevista exclusiva que ela concordou em me conceder”, conta Paulo, “perguntei por que havia dado seu aval à minha regravação. Ela disse que gostou de ter percebido que eu não tinha a intenção de copiar Lennon, mas fazer minha própria versão daquele clássico.”
Sobre a comparação entre o RPM e os Beatles, que veio à tona no auge da estrondosa carreira do grupo, o vocalista desconversa e credita a metáfora a um ponto de vista inserido em contexto determinado. “Temos que entender o contexto e a forma como isso foi colocado. Nós não fomos comparados [aos Beatles] pela sua obra e influência, porque eles são incomparáveis, mas pela histeria das fãs. A simetria foi mais no sentido da euforia, de uma coisa nova, causando frisson”, explica.
E quando inquerido sobre essa nostalgia interminável deixada pelos icônicos anos oitenta, Paulo Ricardo declara sem pesos: “Eu não tenho saudade de nada. Vivi intensamente e, hoje, sou uma pessoa muito focada no presente e no futuro.” Dada a quantidade de vezes que já foi questionado sobre o tema, confessa ter uma lista mental dos itens que transformaram os anos oitenta em uma década imortal: o momento político da época, a revolução tecnológica trazida pelos sintetizadores, a revolução visual capitaneada pela MTV e seus clipes, a revolução do punk e a revolução da liberdade sexual. “Tudo isso, somado, imprimiu na sociedade um momento inesquecível, alegre, descontraído, livre, cercado de mudanças e revoluções.”
E de revoluções, nós sabemos, ele entende bem: dotado de um timbre rouco que deu voz a toda uma geração, Paulo Ricardo conviveu com as dores e delícias de ascender do anonimato ao apogeu em pleno auge do sentimento de invencibilidade típico da juventude. Foi também jovem, emblemático, icônico, invencível. As revoluções, em seu legado, virão sempre acompanhadas de um adendo: por minuto. As revoluções, em sua história, serão para sempre.
Fotos: Angelo Pastorello, Produção e estilo: Ju Hirschmann, Direção de arte: Celso Ieiri, Beleza: Renata Rubiniak, Assistente de beleza: Bruno Freitas, Assistente de Set: Claite Rodrigues, Assistente de foto: Daniel de Jesus, Agradecimentos: Retrô Hair (11) 3100-1680 - Agradecimento especial Mônica Silveira.
Paulo Ricardo veste: Terno risca de giz, terno branco, suspensório e sapato bicolor: Minha Avó Tinha (11) 3801.4124, Terno preto, camisa branca e gravata: Etiqueta Negra (11) 3152.6700, Camisa preta e Blazer vinho: Aramis (11) 3081.2214. Ela: Pulseira: Prado (11) 2337.9025, Brincos: Lázara Design (31) 3488.6889 e Letícia Sarabia (45) 3029.1022, Gola de pele: TNG (11) 4689.9313, Camisa Branca: Highstil (11) 3611.5575, Gravata borboleta e Suspensório: Minha Avó Tinha (11) 3801.4124, Casaco preto com gola de pele: Pernambucanas 0800-724.9200, Sapatos Carmen Steffens: (11) 30632283, Calças: Marui Akamine (11) 99369.4738, Vestido: Chita 0800 645.5570, Chapéu: Acessorize (11) 3061.5136.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
MÚSICA: AS PORTAS DE JIM - Uma análise sobre da trajetória do astro Jim Morrison.
A frase “Kawa Ton Aaimona Eaytoy" está escrita em grego e quer dizer “queime seu demônio interior”. Muito forte; hein? Além de ecoar na sua mente, saiba que ela está gravada na lápide de Jim Morrison. No mínimo, uma mensagem singular. Ou seria subliminar? Entre dúvidas, uma coisa é certa, o nome da banda veio do inglês William Blake, quando ele disse: "Se as portas da percepção forem abertas as coisas irão surgir como realmente são infinitas". E isso ficou no imaginário do Mr. Morrison. Não só isso.
Será que a Psicodélica musicada por eles surgiu a partir dessa citação ou acabou em sua lápide ou ainda está entre os fãs hoje? Talvez tudo junto; todavia, o que se tem certeza e te digo nesse parágrafo é que o rock psicodélico fez parte de uma revolução de costumes: na forma que se vestia, escrevia, os modelos de relacionamentos e as drogas; especificamente o alucinógeno LSD. Esse novo modelo de viver foi para os ensaios, shows, estúdios, com uma forma nova de usar e abusar dos instrumentos. Muitas das canções passavam fácil dos 7 minutos. Algo inconcebível poucos anos antes.
E no meio dessa orbe surge The Doors, criada em 1965, em Los Angeles, Califórnia (Ops, olha L. A. Woman aí), tendo como front-man Jim Morrison na voz, o fabuloso Ray Manzarek nos teclados, uma guitarra visceral de Robby Krieger; e, na bateria, John Densmore… Quebrando tudo e quebrando bem.
E nasceu bem. Ter fortes influências do Jazz e do Blues só poderia trazer um som visceral. Atípico pra época. Escute a nervosa “Roadhouse Blues” e me diga se estou errado. Claro, muito se deve também ao estilo performático de Jim, seja nos shows, dando entrevista ou no seu dia-a-dia. Mas também tiveram outros gêneros que influenciaram, como o Clássico e o Beatnik.
Escândalos eram imãs. Ele, o front-man “Das Portas”, comentou várias vezes ter sido possuído por espíritos de feiticeiros indígenas, após ter visto um sério acidente de carro onde vários índios vieram a óbito. E esse fato o influenciou sua vida profissional e pessoal, tanto que ele veio a se casar, num ritual pagão; onde, entre outras coisas, se bebeu sangue. Isso em 1970; e, com sua morte um ano depois, o que já era bem vendido virou sucesso. Até hoje as vendas em cima dos Doors é imensa, muito pela qualidade que o grupo empregou, muito também por esse outro lado de Jim que fascina muitos.
Oliver Stone acertou em cheio quando lançou em 1991 o belíssimo “The Doors”, tendo Val Kilmer incorporando Jim Morrison. Me perdoem o uso do “incorporando”, mas a atuação dele chega à excelência. E nesse filme os jovens puderam conhecer a banda. Os adultos puderam relembrar. E todos, conheceram um pouco mais (e melhor) do mix que formou a banda. Eles abusaram da ideologia “sexo, drogas e rock’n roll”.
The End.
Acompanhe a MENSCH no Twitter: @RevMensch, curta nossa página no Face e Instagram: RevMensch e baixe no iPad, é grátis: http://goo.gl/Ta1Qb
Será que a Psicodélica musicada por eles surgiu a partir dessa citação ou acabou em sua lápide ou ainda está entre os fãs hoje? Talvez tudo junto; todavia, o que se tem certeza e te digo nesse parágrafo é que o rock psicodélico fez parte de uma revolução de costumes: na forma que se vestia, escrevia, os modelos de relacionamentos e as drogas; especificamente o alucinógeno LSD. Esse novo modelo de viver foi para os ensaios, shows, estúdios, com uma forma nova de usar e abusar dos instrumentos. Muitas das canções passavam fácil dos 7 minutos. Algo inconcebível poucos anos antes.
E no meio dessa orbe surge The Doors, criada em 1965, em Los Angeles, Califórnia (Ops, olha L. A. Woman aí), tendo como front-man Jim Morrison na voz, o fabuloso Ray Manzarek nos teclados, uma guitarra visceral de Robby Krieger; e, na bateria, John Densmore… Quebrando tudo e quebrando bem.
E nasceu bem. Ter fortes influências do Jazz e do Blues só poderia trazer um som visceral. Atípico pra época. Escute a nervosa “Roadhouse Blues” e me diga se estou errado. Claro, muito se deve também ao estilo performático de Jim, seja nos shows, dando entrevista ou no seu dia-a-dia. Mas também tiveram outros gêneros que influenciaram, como o Clássico e o Beatnik.
Escândalos eram imãs. Ele, o front-man “Das Portas”, comentou várias vezes ter sido possuído por espíritos de feiticeiros indígenas, após ter visto um sério acidente de carro onde vários índios vieram a óbito. E esse fato o influenciou sua vida profissional e pessoal, tanto que ele veio a se casar, num ritual pagão; onde, entre outras coisas, se bebeu sangue. Isso em 1970; e, com sua morte um ano depois, o que já era bem vendido virou sucesso. Até hoje as vendas em cima dos Doors é imensa, muito pela qualidade que o grupo empregou, muito também por esse outro lado de Jim que fascina muitos.
Oliver Stone acertou em cheio quando lançou em 1991 o belíssimo “The Doors”, tendo Val Kilmer incorporando Jim Morrison. Me perdoem o uso do “incorporando”, mas a atuação dele chega à excelência. E nesse filme os jovens puderam conhecer a banda. Os adultos puderam relembrar. E todos, conheceram um pouco mais (e melhor) do mix que formou a banda. Eles abusaram da ideologia “sexo, drogas e rock’n roll”.
The End.
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sexta-feira, 19 de novembro de 2010
MENSCH ENTREVISTA: Fernando Deluqui
Afinal o que é o sucesso? Para muitos é ser reconhecido na rua e ter seu nome estampado nas capas de revista. Para o músico e guitarrista da extinta banda RPM, Fernando Deluqui, sucesso é se descobrir feliz e completo com a vida que conquistou com a maturidade da vida. Sucesso para Fernando Deluqui é sua família e seus amigos. Sucesso para Deluqui foi ter passado pelo furação RPM, com altos e baixos e sobreviver a tudo isso de pé, honrado e pronto pra encarar uma nova fase. Conheça um pouco mais desse grande músico e uma grata pessoa.
Como você se descobriu guitarrista? Como foi seu início até chegar no RPM?
Com amigos tocando no Colégio São Luiz. Havia uma turma de músicos e fundamos um trio para tocar músicas de Jimi Hendrix e Johnny Winter. Mas lá eu ainda tocava o contra baixo elétrico. Com o tempo pude comprar uma Fender Stratocaster que é o modelo pelo qual me apaixonei e uso até hoje.
Proveta Negra. Esse nome tem a ver com as aulas de química do ginásio?
Sim, era o nome de uma pré-banda...rs...era mais uma tiração de sarro que fiz para um festival do mesmo colégio. Fomos expulsos do festival.
Há os mega show da Praça da Apoteose e Estádio do Palmeiras em São Paulo. Há outras imagens mas não sei o que aconteceu a onde, pois foram muitos momentos passados em pouco tempo. Você não conecta o acontecimento ao lugar verdadeiro onde aconteceu.
RPM. Uma banda que chegou a ser comparada com os Beatles tamanho o sucesso no Brasil. Como foi ou é ter feito parte dessa história? O que ficou disso tudo?
Ficou um grande aprendizado e uma plataforma para o meu trabalho solo, pois sempre se lembram de mim no RPM.
Como você vê o rock brasileiro atual? Mais comercial? Mais comprometimento com lucro do que com a idéia de revolucionar algo?
Como você vê o rock brasileiro atual? Mais comercial? Mais comprometimento com lucro do que com a idéia de revolucionar algo?
O rock, como outros estilos, vai evoluindo e criando novas ondas que seguem estéticas e maneirismos próprios. Acho que as novas bandas hap, emo ou sei lá o que, estão evoluindo e começando a apresentar bons frutos. Escutei uma boa música do NX Zero, conheci a rapaziada do Strike de quem eu gostava anteriormente e vi uma entrevista com a banda Restart que achei interessante. Creio que com trabalho vão crescer...
O Nasi nunca mais vi, o Paulo Ricardo e Luiz Schiavon estão sempre na minha vida. É como uma ex mulher mãe de seus filhos. Quer queira ou não você vai ter um relacionamento até o fim da vida....rs...
Surf e música, qual o melhor de cada um?
O bem estar que os dois trazem, isso sem contar a grana do segundo...rs...
O bem estar que os dois trazem, isso sem contar a grana do segundo...rs...
Eu estava lendo um texto que dizia que ser homem implica na capacidade de se reinventar, por determinação própria ou do destino. Como foi pra você o recomeçar?
Foi acontecendo tudo junto pois as contas não param. Quando a banda acabou fui para frente e aprendi a cantar rapidamente. Logo estava fazendo shows com repertório de Chuck Berry, The Rolling Stones e Jimi Hendrix. Essa coisa do rock´n roll. Depois me exilei num estúdio em Sampa para gravar o que seria o meu primeiro CD individual. Depois, para apresentar ao vivo esse CD foi muito difícil... percebi que o povo gosta mesmo é de músicas conhecidas. Acabei me especializando em reinventar clássicos do pop rock de Raul Seixas (toca Raul), Legião Urbana, Kiko Zambianchi e outros que estão à disposição em DOWNLOAD no site www.fernandodeluqui.com.br.
Rock, ondas, fãs, viagens como é viver isso tudo no auge da juventude?
É o sonho da tríade "sexo, drogas e rock´n roll" se realizando. Depois com o tempo você percebe que essa tríade não é perfeita... rs... Eu diria que o bem estar é o caminho para a felicidade.
A Vi, minha mulher, é um doce. Me colocou nos eixos da vida agradável. Quando a conheci eu estava buscando uma estabilidade da qual o tal bem estar de que estou falando fazia parte e ela me ensinou isso. Foi um redirecionamento que tornou minha vida muito, mas muito mais produtiva. Tudo em termos de gerenciamento de carreira, financeiro e documentos eu aprendi com ela. A mulher é dura nas contas pois é filha de seu Geraldo Carvalho que foi fiscal de rendas da Fazenda. Não tente enganá-la em contratos...rs
Roqueiro faz mesmo muito sucesso entre a mulherada?
É como jogador de futebol ou qualquer outra pessoa que tenha alguma visibilidade... Tem mulher que não se agüenta na frente de famoso... é descarado mesmo...parece que se encostar no famoso vai ficar famosa também...rs...Se der então... rs
Como foi a experiência de tocar com os engenheiros?
Também foi muito agitado pois o CD "Simples de Coração" foi um sucesso e saímos em turnê pelo Brasil por mais de um ano. Além disso a banda estava em reformulação e as disputas por espaço dentro da mesma geraram episódios memoráveis. Mas eu estava cansando daquele modus operandi competitivo e logo, em 1996, abandonei o projeto para tentar conquistar minha liberdade através de uma banda própria. Deu certo.
Música nova, banda própria... como está a vida e a carreira hoje?
Acabo de lançar meu novo single "Eu só te quero do meu lado" que acaba de entrar no FM (Mitsubishi FM e 107,3 FM) em São Paulo. É o início de uma parceria com Ray Z, um dos responsáveis pelo atual pop e rock gaúcho, tendo emplacado nas rádios de lá os últimos singles das bandas Bidê ou Balde e Nenhum de Nós. Todo mundo está gostando e quem quiser escutar é só acessar www.fernandodeluqui.com.br. A banda própria que é conhecida pelo meu nome mesmo (o show é anunciado assim: SHOW COM FERNANDO DELUQUI, GUITARRISTA DA BANDA RPM) vai bem obrigado.
Estamos tocando quase toda semana, com shows cheios e receptividade invariavelmente boa. Esse ano de 2010 foi o melhor para nós com a melhor média no que diz respeito ao número de shows. Misturo os sucessos da minha carreira solo (escute no www.fernandodeluqui.com.br) às inspiradas releituras do pop e do rock que faço com tanto carinho. Quem vai ao show percebe na hora que está assistindo uma apresentação bem cuidada. No dia 3 de dezembro faço show Passado o furacão RPM, as desavenças, agora no comando da sua carreira, discos gravados e sua vida nos trilhos como sempre desejou... Agora você se sente feliz, realizado? Ainda falta algo?
Parece que sempre falta algo se você não se policia nesse sentido. Eu tento ser feliz com o que tenho e viver cada dia como se fosse o último pois é isso mesmo que está acontecendo. Logo não estaremos mais aqui na terra. Mas estou com quase 50 anos de idade e sinto muita energia comigo. Energia para continuar tocando por muitos anos ainda. Enquanto eu tiver saúde e família por perto estarei bem.
Tento me relacionar com pessoas que me dão valor. Pessoas que gostam de mim como eu sou. Esse negócio de ir trabalhar e aguentar pití e conversa mole de gente autoritária não está com nada. Descobri que o stress é a principal causa de doenças graves com o câncer. Sei que tudo tem preço nessa vida, mas tento escolher caminhos que não vão me agredir. Caminhos dos quais não vou me arrepender de ter escolhido. Sempre que posso tento pegar as minhas ondinhas e aloçar com amigos e familiares que é o que me traz prazer. E a música sempre é bem vinda... rs...
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