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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

HOMEM NA COZINHA: Uma sobremesa para ganhar o avental

A MENSCH veio coma proposta de bolar algo com mais estilo... Uau! Que motivo melhor eu poderia ter para escrever uma receita especial? Fiquei quebrando a cabeça com o que cozinhar, até que me deu um estalo e me pareceu um tanto óbvio: o prato que me deu o avental para entrar no Masterchef, claro! Já adianto: esse prato não é lá "tão" saudável como haveria de se esperar baseado no meu discurso da última edição. Mas por outro lado, acho importante relembrar que um estilo de vida saudável também envolve aquelas “jacadas” esporádicas, como eu havia comentado naquela edição.

Pronto! Agora que já fiz minha defesa, vamos ao prato: Brigadeiro com coulis de framboesa (coulis é nome bonito que damos para uma calda mais espessa), tuile de laranja (tuile também, é apenas um biscoito fininho que normalmente tem formato de telha, por isso o nome) e chantilly de cachaça. Demorei um bom tempo pensando nessa sobremesa antes de me colocar a prova dos jurados. E, por mais de uma semana, eu sentia falta de algo amarrando o prato em termos de sabor. O chantilly puro não acrescentava absolutamente nada ao prato e eu queria trazer algum apelo brasileiro sem gerar complexidade. 

Pensei em muitas coisas, nada me agradava. Até que já cansado de pensar, resolvi jogar cachaça no chantilly! Aí nem preciso dizer, né?! Sucesso absoluto, que me rendeu o sim dos três chefs, com direito a um "Muito bem balanceado" do Fogaça, um "Seu prato me leva de volta para minha época de criança" do Jacquin e um "Seu prato está perfeito!" da Paola.

Uma coisa que gosto nessa receita é que não necessariamente você precisa fazer tudo, e ainda assim ter um doce gostoso. Por exemplo, apenas o brigadeiro com o coulis, ou a tuille sozinha, ou até usar o chantilly para acompanhar outros doces como um mousse de maracujá. Mas é claro, o que faz dessa receita especial, é a combinação de todos os elementos. Agora quero que vocês também façam e espero de coração que compartilhem a opinião dos chefs.



PARA O BRIGADEIRO
1 lata de leite condensado
2 colheres de sopa de cacau em pó 100% (escolham cacau de boa qualidade, ele que vai dar o sabor do seu brigadeiro junto com o doce do leite condensado).
*Se tiver dificuldade para achar o cacau, pode substituir por 6 a 8 colheres de sopa de raspas de chocolate 70%.
1/2 colher de sopa de manteiga extra

PARA O COULIS DE FRAMBOESA
2 xícaras de chá de framboesas congeladas

PARA A TUILE DE LARANJA
1 clara de ovo
75g de açúcar de confeiteiro
35g de farinha de trigo
60g de manteiga extra (em temperatura ambiente, ou pode colocar um pouco no micro-ondas para amolecer)
Raspas de 1/2 laranja

PARA O CHANTILLY DE CACHAÇA
1 xícara de creme de leite fresco (procure sempre o que tiver a maior quantidade de gordura na tabela nutricional)
2 colheres de chá de açúcar de confeiteiro 
1 e 1/2 colher de chá de cachaça de boa qualidade

Passo 1: Brigadeiro
Junte os ingredientes numa panela e leve ao fogo baixo mexendo sem parar, até que o brigadeiro desgrude do fundo da panela, de forma que você consiga ver metade do fundo da panela enquanto estiver mexendo. Leve à geladeira para esfriar.

Passo 2: Tuile de laranja
Pré-aqueça o forno a 180 graus.
Junte a farinha, o açúcar, a manteiga e as raspas de laranja e misture bem até que fique empelotado, quase como uma farofa. Bata a clara em neve na batedeira ou com um mixer de mão multiuso que tenha a hélice do fouet (aquela própria para bater ovo). Aos poucos, acrescente a clara em neve à massa até ficar homogênea. 

Forre uma fôrma com papel manteiga e unte bem com manteiga. Espalhe uma camada bem fina da massa na fôrma e leve ao forno por cerca de 10 minutos (provavelmente você terá que fazer umas 2 fornadas para o total da massa). É importante monitorar o ponto da tuile, pois queima muito rápido. Queremos que fique dourada.

Passo 3: Coulis de framboesa
Bata as framboesas congeladas no liquidificador ou em um mixer, até virar uma calda grossa. Se as framboesas estiverem muito congeladas, coloque por 30 segundos no micro-ondas para conseguir bater.

Passo 4: Chantilly de cachaça
Bata o creme de leite e o açúcar na batedeira. Quando sentir que está quase no ponto de chantilly, acrescente a cachaça e bata mais um pouco até chegar ao ponto.

SUGESTÃO DE FINALIZAÇÃO
Com uma colher de chá, faça traços com o coulis de framboesa no centro do prato. Faça bolas com o brigadeiro e passe no cacau para cobri-las. Posicione três brigadeiros nas laterais dos traços. Quebre grosseiramente a tuile e espete duas lascas em cada brigadeiro. Por fim acrescente uma colher de chantilly na lateral do prato e quebre algumas migalhas de tuile pelo prato. Decore com algumas framboesas (pode ser as congeladas mesmo).

quarta-feira, 26 de julho de 2017

HOMEM NA COZINHA: A cozinha é para todos!

Antes de qualquer coisa, acho importante me apresentar: meu nome é Raphael, tenho 32 anos e sou de São Paulo. Minha formação é como publicitário e até pouco tempo atrás era responsável pela área de marketing de uma grande marca multinacional e apenas mais um apaixonado pela gastronomia. Para mim sempre pareceu muito distante fazer a transição da publicidade para a gastronomia, até que um dia levei a sério a sugestão feita por dezenas de amigos de me inscrever no reality Masterchef com o pensamento de "vamos ver no que vai dar". 

Deu que fui evoluindo etapa a etapa até eventualmente ser eliminado. Mas o mais importante foi que finalmente vi um motivo para largar tudo e ir em busca dessa paixão que me perseguia há tanto tempo. Sim, larguei a estabilidade de um emprego em uma grande multinacional para me arriscar na cozinha. E se agora você está pensando "esse cara é louco", fiquei tranquilo, já ouvi isso bastante, inclusive do trio de chefs mais famoso do Brasil.

Já faz um tempo que levo um estilo de vida bastante saudável desde a prática diária de CrossFit até uma alimentação balanceada, buscando sempre manter o equilíbrio que inclui aquelas jacadas esporádicas em meio a rotina da dieta, afinal ninguém é de ferro. 

Uma coisa que sempre me chamou atenção nesse universo de ser "saudável" foi o sofrimento e o alto índice de desistência dos que se aventuram nesse mundo. Não culpo ninguém pela dificuldade em seguir uma dieta, afinal elas sempre estão relacionadas a comidas sem graça, sem gosto, que parecem comida de hospital. 

Mas nessa minha nova jornada de cozinheiro amador quero mostrar a todos que é possível ser saudável e ainda assim ter um comida cheia de sabor, descomplicada e sem sofrimento. E a parte do "descomplicada" acho que talvez seja a mais importante aqui, porque já perdi a conta das inúmeras vezes que deixei de tentar cozinhar algo por olhar para a receita e já sentir aquela preguiça de tantos processos e ingredientes envolvidos. Quero compartilhar minhas experiências e dificuldades na cozinha que tenho certeza que são as mesmas de qualquer outro que se atreve a entrar cozinha, e acredite, por mais assustador que pareça, raramente é um bicho de sete cabeças.

Minha ideia aqui é poder mostrar receitas e dicas que tragam enraizadas na comida esses 3 pilares: descomplicada, saudável e saborosa. De modo que seja delicioso levar um estilo de vida saudável e que prove que qualquer um pode cozinhar! 


FILET CHATEAUBRIAND 

COM REDUÇÃO DE BALSÂMICO, CEBOLAS CARAMELIZADAS E PURÊ DE COUVE FLOR COM AVELAS. VAMOS PRECISAR DE:

Rendimento: 4 porções
Tempo de preparo:  40 minutos

PARA A CARNE
4 files chateaubriand (se preferir pode usar 8 medalhões de file mignon, o chateaubriand nada mais é que um medalhão bem alto)
Fio de azeite para untar a frigideira
Sal e pimenta do reino a gosto

PARA O MOLHO
100ml de aceto balsâmico  
1 colher de sopa de mel

PARA AS CEBOLAS
4 cebolas aperitivos ou 2 cebolas normais
2 colheres de chá de manteiga ghee (pode usar a normal também)
Sal a gosto

PARA O PURÊ 
1 couve flor (cerca de 300g)
1 dente de alho
1 colher de sopa de manteiga ghee
Sal e pimenta a gosto
40g de avelas grosseiramente trituradas
Salsinha picada para temperar

Para facilitar vou dividir o processo em 4 passos, mas fique a vontade para fazer mais de um passo ao mesmo tempo.

PASSO 1 - PURÊ DE COUVE FLOR
Remova o talo do miolo e as folhas da couve flor quebrando o resto em pequenos floretes. Coloque-os numa panela junto com o dente de alho e cubra com água. Ferva por cerca de 8-10 minutos até que os floretes estejam macios ao espetar um garfo. Escoe a água, reservando um pouco para caso seja necessário deixar o purê mais liquido. Coloque no processador (liquidificador ou mixer também utilizados) a couve flor com o alho, a manteiga, sal e pimenta, e bata até obter a consistências de purê, se achar muito espesso bata mais com um pouco da água reservada até obter a consistências desejada.

PASSO 2 - REDUÇÃO DE BALSÂMICO COM MEL
Misture o balsâmico com o mel e leve a fogo médio numa frigideira. O liquido vai levantar fervura formando bolhas, mas fique tranquilo que não irá queimar. Aqueça até que o liquido tenha seu volume reduzido pela metade. Para checar o quanto já reduziu retire a frigideira do fogo, quando as bolhas fica fácil ver o quanto do liquido já evaporou. Coloque num recipiente e reserva na geladeira.

PASSO 3 - CEBOLAS CARAMELIZADAS
Corte as cebolas ao meio no sentido da raiz até a ponta. Derreta a manteiga numa panela e acrescente as cebolas com a parte interna voltada para baixo até que as cebolas absorvam parte da manteiga. Acrescente água a panela até quase cobrir as cebolas. Aqueça em fogo médio até que a água evapore completamente, quando isso acontecer mantenha a panela no fogo até que as cebolas estejam levemente queimadas e coradas em baixo. 

PASSO 4 - FILÉ CHATEUBRIAND OU MEDALHÃO DE FILÉ MIGNON 
Aqueça a frigideira em fogo alto. Unte com um fio de azeite e adicione a carne. Deixe a carne dourar cerca de 3 a 4 minutos de cada lado e depois doure as laterais da carne. Importante, tente mexer o mínimo possível na carne enquanto ela estiver assando para que ela mantenha sua suculências e não fique soltando sangue, o ideal é vira-la apenas uma vez. Retire a carne da frigideira e coloque-a num prato para descansar por cerca de 5 minutos. Depois do tempo de descanso tempero com sal e pimenta do reino a gosto (o processo de temperar a carne após a cocção faz com que a carne mantenha sua suculência)

SUGESTÃO DE FINALIZAÇÃO
Posicione o purê quase no centro do prato colocando a carne por cima dele na borda que estiver mais próxima ao centro. Acrescente as avelas e a salsinha por cima do purê. Separe as laminas das cebolas de modo que elas fiquem parecendo uma canoa e posicione algumas delas próximas a carne e ao purê. Despeje a redução de balsâmico dentro das cebola e por cima da carne, ela irá escorrer formando uma base de molho ao redor da carne.

Voilá! Você tem um prato saudável prático e super saboroso, de fazer qualquer um passar vontade.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

HOMEM NA COZINHA: Um filé de pescada onde a caipirinha vem no prato e não no copo

O risoto, de origem italiana, é sem dúvida um prato altamente apreciado em vários países do mundo. A iguaria, úmida e cremosa, é uma típica representação da cozinha do norte da Itália, onde o termo é um diminutivo e significa “arrozinho”.

O RISOTO E A ARTE DOS VITRAIS

O conhecido Risotto alla Milanese, o mais famoso dos risotos, é obra do mestre Valério di Fiandra, que na época era responsável pela criação dos vitrais da Catedral de Milão. O prato, diz a lenda, foi criado durante uma festa de casamento, no ano de 1574. Fiandra, que era reconhecido tanto pelas suas belíssimas obras de arte quanto pelo seu bom gosto para a gastronomia, durante o casamento da sua filha, resolveu oferecer aos convidados um de seus pratos preferidos, o risoto. Porém, durante a preparação da iguaria, o mestre, por ser muito ciumento, deixou cair um pedaço de açafrão dentro da panela que nesta época era utilizado como corante para os vitrais, dando origem ao que hoje se conhece por Risotto alla Milanese.


Os sócios Marco Uchôa (Marc) e Luiz Felipe Azevedo (Louis), ambos com formação em gastronomia, resolveram levar praticidade e sabor à mesa dos pernambucanos com receitas originais sem conservante ou estabilizante químico nas preparações, preservando assim o real sabor dos pratos; como este cremoso Risoto de Caipirinha com File de Pescada laqueada no mel de Engenho

Essa receita inusitada traz a tradição Nordestina da cachaça para preparo no cozimento do grão conferindo um gostinho especial cítrico e perfumado, e para arrematar este delicia, uma porção generosa de queijo parmigiano reggiano dando uma cremosidade e suculência que contrasta com o mel e a leveza do peixe!




quarta-feira, 30 de março de 2016

HOMEM NA COZINHA: Dicas para homens solteiros que não sabem cozinhar, mas precisam


Vida de solteiro às vezes não é nada fácil. Comer uma boa comidinha caseira para os solteiros, por exemplo, pode virar um milagre que só acontece na noite de Natal quando se aceita um convite para ir à casa de alguém. Entre o solteiro e a cozinha é sempre o mesmo dilema: se ele sabe cozinhar, acha chato cozinhar para comer sozinho. Se não sabe, fica ainda mais difícil, ou paga alguém para cozinhar para ele, ou acaba decorando todos os telefones de entrega em domicílio.

A grande parte dos jovens solteiros de hoje, homens ou mulheres, não aprenderam a gostar de cozinhar. Eles são oriundos de uma geração de pais e mães que deixaram de comer em casa porque trabalham fora e cederam à praticidade dos modelos fast-foods e self-services. Daí que a transmissão do conhecimento culinário entre as gerações não se fez e o prazer e hábito de cozinhar em família aos poucos vai desaparecendo.

O corre-corre da semana de um solteiro também não ajuda em nada na arte da culinária. Dividido entre trabalho, happy-hour, engarrafamento e malhação, o solteiro só pensa no sábado quando ele poderá, enfim, descansar, colocar o carro pra lavar, jogar futebol com os amigos, aceitar aquele convite pra um churrasquinho. Ele até queria cozinhar, mas... os sete dias da semana se passaram e o solteiro apenas engoliu a comida para saciar a fome. E embora ele saiba que manter uma alimentação saudável é necessário, muitas vezes nem lembra mais o que comeu ontem de manhã. Mas não é porque você é solteiro que precisa se condenar a comer todo dia falando inglês: drive-thru, shopping, fast-food, self-service. Nem precisa passar a semana variando apenas a cor do pacote de miojo. Você pode fazer melhor do que se convidar todo domingo pra ir almoçar na casa da sua mãe, avó ou tia, não é? Até porque elas provavelmente já entenderam essa tua estratégia.

Acredite, se você é um solteiro moderno que abandonou o ninho dos pais para morar só, pode, com um pouquinho de boa vontade e criatividade, comer bem, sem que para isso tenha sempre que recorrer a restaurantes. Não há segredo, você pode aprender a cozinhar. Todo mundo pode. Basta organizar direitinho a gestão dos alimentos no seu lar de solteiro. Eu disse gestão do lar? Não. Calma! Tá bem, eu disse, mas prometo que não vai doer nada. Ao contrário, cozinhar pode ser um grande prazer.

Pense, antes de tudo, no investimento que você estará fazendo em sua saúde, evitando comer coisas industrializadas, cheias de conservantes, colorantes, acidulantes e outros artifícios. Pense no prazer de cozinhar para você mesmo, seus amigos ou quem sabe para uma certa pessoa especial que você queira seduzir. Pense, enfim, na economia que você pode fazer, comendo em casa, tranquilamente, evitando os restaurantes lotados ao meio-dia.


A primeira grande dica para o solteiro iniciante que quer se lançar na bela aventura de cozinhar é, como eu dizia acima, organizar-se com antecedência. Não espere chegar aquele momento de solidão diante da porta aberta da geladeira, quando o solteiro descobre (?!) que não tem nada lá dentro pra comer. Ou pior, fechando a porta da geladeira, ele lê os números que pensa poderem salvar sua vida: bombeiro..., não, polícia, não, disk-pizza, yes!

SOLTEIRO NA COZINHA: COMEÇANDO UMA HISTÓRIA

Se você já está convencido que cozinhar em casa é uma boa e quer se lançar nessa aventura, mas não sabe muito bem por onde começar, nós podemos te ajudar, apresentando a seguir algumas dicas práticas. Para começar, como todo animal que precisa comer você precisa caçar o que nos tempos de hoje significa ir ao supermercado. Prepare uma lista do que você gosta de comer, anotando os ingredientes necessários ao preparo. Lá chegando, você vai comprar ingredientes para cozinhar pratos saudáveis. Fixe-se esse objetivo e nunca vá ao supermercado com fome. Do contrário, não dará certo. Ok pode colocar no carrinho umas cervejas também, afinal essas dicas foram escritas para solteiros iniciantes na cozinha.

O SUPERMERCADO - Prefira um grande supermercado 24 horas. E isso por três razões básicas. Eles, os grandes supermercados, já descobriram que solteiros como você são um público-alvo interessante. Eles facilitam sua vida propondo, por exemplo, vários produtos em embalagens pequenas, próprias para solteiros (ou casais sem filhos). Algo do tipo: você não é obrigado a comprar uma enorme abóbora porque quer comer só um pedacinho com seu punhado de camarão na frente da TV. Sacou? Além disso, frutas e legumes muitas vezes já estão pré-embalados, ou seja, você não precisa “perder tempo” escolhendo, colocando no saco, pesando. Isso vale para muitos outros produtos, como carnes, queijos, presuntos, pães, linguiças. A ideia deles é facilitar a vida do solteiro que vai às compras por obrigação.

Mas é chato ir ao supermercado, eu concordo. Porém, antes de desistir de tudo, tente ver um outro lado bom da coisa. Solteiros têm um comportamento meio previsível nesse campo, pois quase todos dizem não ter tempo disponível para ir ao supermercado. Na verdade eles detestam ir. Mas como no final das contas todo mundo precisa disso, é possível se ter a agradável surpresa de encontrar outros solteiros por lá e, com um pouco de sorte, ainda paquerar e ser paquerado. Paquera no supermercado? Sim, e por que não?! Na guerra, como na guerra, diz o ditado. Experimente, por exemplo, ir fazer compras bem tarde da noite; eis a segunda razão pela qual se recomenda os supermercados 24horas. Você ficará contente de encontrar tantas pessoas como você por lá... Captou a mensagem? Por fim, a terceira razão é que, escolhendo supermercados 24 horas, a sua velha desculpa “será que está aberto hoje?”, não vai funcionar.

TEMPEROS E MOLHOS - Uma vez no supermercado, pense em investir em temperos de excelente qualidade, tais como um bom azeite de oliva (português, italiano ou grego são mais fáceis de encontrar), vinagre balsâmico, vinagre de vinho branco, limão verde, limão galego. Ervas aromáticas ao natural como coentro, salsa, folha-de-louro, basílico, cebolhinha, tenha sempre ao alcance na sua cozinha. Tenha na cozinha especiarias como pimenta-do-reino, noz-moscada, pimenta branca, coriandra, curcumã, gengibre, cominho entre outros. Sempre que possível, moa na hora de servir a fim de conservar melhor o sabor.


Teste. Experimente. Umas pitadinhas aqui e ali podem fazer muita diferença. Esqueça de uma vez por todas aqueles temperos prontos, em cubos ou saches. Diga adeus aos tubos de molhos tipo norte-americanos. Essas coisas contém ingredientes que fazem muito mal para saúde, retém líquidos indesejáveis no organismo, são muito calóricos e, no fim das contas, têm todos o mesmo gosto. Francamente, não valem a pena. Você pode preparar seus próprios molhos. Alguns são versáteis, como o seu querido molho à bolonhesa, que vai te servir tanto para uma macarronada, quanto dentro de um pão francês fresquinho, ou dentro de um grande tomate que vai ao forno, ou numa lasagna.

Saiba que alguns molhos que você preparar podem ser guardados durante vários dias na geladeira. Assim, na medida em que você vai preparando carnes ou saladas, você os acrescenta para dar um gostinho especial. Entre os produtos naturais que você vai comprar, prefira os que se conservam mais tempo, assim você não precisa voltar ao supermercado com tanta freqüência. Por exemplo, na hora da feira lembre-se que: maçã, goiaba, laranja, manga, cenoura, batata, pepino, beterraba, abóbora, pimentão, cebola são mais resistentes e duradouros que: pêra, morango, berinjela, couve, alface, melancia, abobrinha, kiwi e brócolis.


CONSERVAÇÃO DOS ALIMENTOS - Daí que você deve antes refletir com qual freqüência você realmente consome tais alimentos, para definir depois as quantidades do que vai comprar de cada um. E ao comprar certos produtos como banana, tomate, abacate, melão, entre outros, você deve escolhê-los em diferentes estágios de maturação. Assim você vai comendo primeiro os mais maduros enquanto os outros aguardam a vez. Aprender a maneira de melhor guardar os alimentos na sua geladeira também é uma boa dica. Um pé de alface pode durar uns quinze dias se generosamente enrolado em papel e dentro de um saco plástico contendo ar. Tudo isso colocado na gaveta da geladeira. Troque o papel se acaso ele estiver molhado, e só lave as folhas que for consumir no dia. Essa dica para conservar alface vale para todas as folhagens: rúcula, espinafre, couve-folha, manjericão etc. Aliás, se você gostar de alface, aos poucos vai perceber que certos tipos se guardam por mais tempo. A alface crespa, a americana ou a sucrine se conservam crocantes por longos dias, não é à toa que são as mais usadas nos restaurantes.

A QUANTIDADE IDEAL - Quando for comprar os ingredientes necessários para cozinhar, convêm pensar ainda na quantidade do que você come. Há duas opções nesse caso: Ou você cozinha em pequenas quantidades para comer em uma refeição e não acumular restos na geladeira (que ficarão lá dentro por semanas até apodrecerem, sabemos bem disso!); Ou você cozinha em quantidades que permitam duas refeições. Nesse caso, come-se no almoço e no jantar a mesma coisa, ou congela-se a segunda porção para comer outro dia. Simples assim.

Mas atenção, lembre-se de verificar o tempo de congelamento que cada alimento suporta. Tempo que varia em função do tipo de alimento e do seu estado de cozimento. Pensando bem, congelamento é assunto para solteiros do nível avançado de sobrevivência na cozinha, por hora não se arrisque tanto. Quando enfim a vontade de cozinhar te pegar, acredite e arrisque-se, você não tem nada a perder, afinal, o lado bom de ser solteiro é não dever satisfação a ninguém!

Dê um basta nisso, senão o pizzaiolo vai acabar reconhecendo sua voz quando você disser um simples “alô!”. Se essa leitura despertou em você pelo menos a curiosidade de pegar o caminho em direção a sua cozinha, já fez um passo para a mudança de seus (provavelmente maus) hábitos alimentares de solteiro. Parabéns! Mudar hábitos não é fácil, mas é possível, basta querer. E se tiver apetite para a aventura de aprender a cozinhar, poderemos te ajudar com algumas dicas na matéria seguinte. Se colocá-las em prática, logo você vai entender porque os grandes chefs investem tanto em novas e brilhantes panelas. É que o prazer de cozinhar é contagiante!



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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

PALADAR: Menu criativo e cheio de sabor sob o comando de três grandes chefs

Gastronomia é a arte de cozinhar de modo que se dá o maior prazer a quem come, mas é bem verdade que quem cozinha também tem o maior prazer no que faz e talvez seja justamente esse o segredo dos grandes nomes da culinária brasileira. Para ficar por dentro das novidades que combinam novos ingredientes com receitas tradicionais que nos deixa com água na boca, a MENSCH foi conhecer um pouco da nova gastronomia apresentada por três grandes profissionais do forno e fogão e provou que um menu criativo e cheio de sabores conquista qualquer paladar. Com vocês, Armando Pugliesi do Hotspot, Duca Lapenda do Pomodoro Café e Hugo Provot do Provot Cozinha Bar.

OS PENSADORES DE RECEITAS

O Provout vem daquela vontade de ter algo pra chamar de “seu” que tivesse a cara dos amigos-irmãos Júlio e Hugo, responsáveis pelo local. O lugar com conceito de cozinha-bar e grande influência do Chef francês Laurent Suaudeau preza, sobretudo pela qualidade e criatividade brasileira aliada a paixão pela alquimia dos alimentos. Para MENSCH o Hugo apresentou a carne clássica em total referência à culinária francesa servida com bata e mostarda. O peixe já traz uma mistura franco-brasileira com ingredientes como tamarindo, mandioquinha e vagem. E como sobremesa é de lei, fomos servidos com uma marquise de chocolate com tenda de castanhas de caju. A sobremesa é uma mistura de um doce francês tipo brigadeiro gelado combinado com castanha e banana da terra frita com doce de leite. Ficou com água na boca, hein?


Prouvot Cozinha.bar - Herculano Bandeira, 287 – Pina - Fone: (81) 3031-3221

SABORES DO MUNDO

Sem frescura. Assim que o Hotspot foi pensado pra ser e é! Mas enquanto falta frescura sobra criatividade, sabor e opinião do consumidor. O cardápio do Hotspot é sempre pensado para permitir que o cliente faça mudanças sem alterar o sabor final do prato. E quem pensa que sem frescuras é sem graça, engana-se. Em suas viagens pelo mundo o Chef Armandinho vai misturando sua base de cozinha francesa aos sabores dos lugares por onde passa, mas sempre respeitando o paladar dos pernambucanos. As novidades para o novo cardápio tem toque étnico, puxando muito pra Europa Oriental. Para quem quer conhecer as novas apostas tem o Spatzle, uma massa russa, com strogonoff, o lamen de fabricação própria e o risoto coreano. Para quem quer seguir as opções mais saudáveis a dica do Chef é filé com purê de batata doce e crosta de pistache.


Hotspot - Rua Cap. Rebelinho, 478 - Pina, Recife - PE, 51011-010 - (81) 3034.1284 – www.hotspotrecife.com.br 

SABORES DA ITÁLIA EM PRATOS CLÁSSICOS

O Pomodoro Café começou na Zona Sul de Recife. O espaço era pequeno e aconchegante e durante muito tempo deixou a noite dos moradores de Boa Viagem uma delícia. Agora na Zona Norte, com espaço mais amplo, o Chef Duca Lapenda investe em mais tecnologia e equipamentos sem deixar de lado o “xodó” da casa, o forno de terracota à lenha. O que faz toda a diferença para todo cozinheiro na hora de implantar novos ingredientes. Para receber seus velhos (e novos) clientes na casa nova o Pomodoro aposta nas burratas, fabricadas pelo próprio Duca, uma exclusividade da casa e o já clássico Polpetone (foto), bem servido e suculento que faz a festa na mesa. Para sobremesa a tradição italiana bate à porta com o Tiramissu (foto abaixo) preparado na Oliva Verde (mercado gourmet). E para os amantes da pizza tradicional do Pomodoro a casa apresenta um novo menu. “Na nova proposta de cardápio demos ênfase aos produtos mais frescos e artesanais. Estamos apostando nas burratas fabricadas por mim. No novo menu de pizzas tradicionais em forno de lenha além do polpetone que já se tornou um clássico.” 


Pomodoro Café - Rua Alfredo Fernandes, 177 – Casa Forte - Fone: (81) 3314.0530

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

HOMEM NA COZINHA: O ator Roberto Birindelli mostra a combinação perfeita entre carne & queijo em duas receitas deliciosas

Roberto Birindelli é um homem de muitas artes. Atualmente em destaque na novela "Império" no papel de Josué, Roberto é arquiteto de formação, ator e pesquisador em linguagem e presença cênica, já rodou um bom pedaço do mundo fazendo tetro e cinema e já entrou em muitas casas através de novelas e séries. Uruguaio de nascença, brasileiro de coração e carioca por benção o homem do tablado e das câmeras é também o homem da cozinha, não à toa em sua oitava série interpretou com maestria o chef Ferran Adrià e em breve, adivinhem só, será mais uma vez um chef numa série. O interessante é que apesar de se sentir muito bem no comando culinário, Birindelli nunca chegou a fazer um curso na área, é puro dom. Amante de uma boa carne como pretexto para reunir os amigos, ele recebeu a MENSCH com duas receitas de deixar qualquer um babando. E como Birindelli costuma compartilhar o que é bom, seguem as delícias pra você fazer em casa e aprender mais uma arte com esse grande ator. Nós da redação devoramos em poucos minutos!



quinta-feira, 21 de abril de 2011

ENTREVISTA: Chef Claude Troisgros, a sofisticação francesa e a criatividade de um homem cosmopolitan

Com um sobrenome que já vem marcando o cenário gastronômico por três gerações, o chef francês Claude Troisgros traz em sua bagagem muitas histórias e experiências de vida. Ingredientes que fazem dessa receita, que é a trajetória de Claude Troisgros, uma receita de sucesso que já passou por diversas cidades, como Nova York, Milão, Paris, Londres e já há algum tempo, São Paulo e Rio de Janeiro. Pois Claude é mais um aventureiro, digamos assim, que veio desbravar terras brasileiras pelas mãos do amigo Gaston Lenotre, que há 30 anos, e terminou se apaixonando pelo que encontrou. Da vasta gastronomia brasileira ao povo que o acolheu e se rendeu a seus temperos e misturas. Formado pela Escola de Hotelaria Thonon Les Bains, Claude Troisgros chegou abriu vários restaurantes e tornou-se consultor de tantos outros. Da "Nouvelle cuisine" e seus programas no canal GNT, conversamos com para entender um pouco mais da sua trajetória e sua paixão pela culinária.

O que o seu avô Jean-Baptiste, quis dizer com a frase "a capacidade de harmonizar os tesouros da terra"?  E saber usar e valorizar os produtos que a nossa terra nos oferece.

Quem ensinamentos você trás até hoje que vieram de seu avô e seu pai?  O respeito ao produto e a simplicidade na cozinha assim como na vida.

Como foi a decisão de vir para o Brasil trabalhar no Le Pré Catalan?
Um certo dia eu estava trabalhando na cozinha do restaurante da família na França e um chef (Gaston Lenotre) amigo de meu pai chegou e perguntou quem queria ir com ele para trabalhar no Brasil. Nessa época ele ia inaugurar o Le Pre Catelan no Rio. Fui o primeiro a levantar a mão. Meu contrato era de dois anos, mas nunca mais voltei.

Você conquistou sua esposa pelo estômago?  A conquista de uma mulher será sempre pelo amor, mas reconheço que cozinhar bem ajuda.


Apresentar um programa de TV foi um grande desafio ou é mais fácil do que acertar o gosto do cliente?  Nada é fácil. A conquista não é pelo gosto, mas pelo carisma que você passa ao telespectador... Pelo sentimento de troca também. O desafio é grande das duas maneiras.

No programa "Que Marravilha" do GNT você ensina as pessoas a cozinhar, mas o que você aprende com elas?  Acho que aprendo mais do que ensino. Entrar na casa e na vida das pessoas é uma grande escola de vida. Na cozinha, sempre aparece alguma técnica mais caseira que de alguma forma vai me ajudar muito a ser, mais simples na minha maneira de cozinhar.

Como o Brasil é muito diversificado de cultura graças à sua colonização, e por conseqüência culinária, que iguarias mais inusitadas você só conheceu aqui?  Continuo descobrindo muita coisa. O Brasil é rico em produtos. Agora o muçuã (tartaruga pequena) de Belém do Para, é iguaria brasileira de tirar o fôlego.


Conhece a culinária brasileira fora do eixo RJ-SP? Por exemplo, a comida no Nordeste, que mistura frutos do mar, frutas e raízes.  Conheço bem a culinária de todo Brasil, viajo muito e sempre quero conhecer mercados, restaurantes e especialidades de cada região. Na Bahia comi moqueca com camarão pescado no rio, colocado na panela ainda vivo, com cacau tirado do pé na hora. Incrível.   

Qual o segredo pra essa mistura culinária entre França e Brasil dá tão certo?  A técnica Francesa é que dá base a culinária em geral e os produtos exóticos Brasileiros dão um tom de novos sabores... Dá certo??? Sim, com competência e sabedoria...

Em se tratando de Brasil, o que é uma “marravilha” para você?
Essa diversidade de cultura e tradição que faz o povo Brasileiro tão feliz.


Qual o seu prato e sua sobremesa favoritos? Por quê? Jabá com jerimum, por que sabe casar com elegância o doce e o salgado. Bala de cupuaçu com chocolate é outro exemplo de casamento perfeito.

O sobrenome Troisgros vem associado à cozinha de alto gabarito a três gerações sempre inovando. Criar pratos inusitados tinha também um gostinho revolucionário para sua família? Existia também uma vontade de mudar costumes?  Não, existe vontade de criar sem interferir na tradição, existe essa vontade de ir para frente, de evoluir, de descobrir, de fazer a nossa profissão uma profissão de arte.

A revolução que a Nouvelle cuisine causou na época ainda existe de alguma forma? A cozinha francesa continua se reinventando hoje em dia? Tudo começou com a Nouvelle cuisine e ela abriu o caminho para as outras... O próprio Ferran Adria fala isso... A França sempre se reinventa e temos hoje em dia jovens chefs de competência que impulsionam a culinária francesa, voltando a uma cozinha de bistrô, mas usando a técnicas modernas...

Por que a Nouvelle cuisine até hoje é motivo de polêmica? Não acho que ela seja polemica... Ela só foi criticada nos anos 1980 por que como toda moda teve exagero (grandes pratos, pequenas porções, preços altos e principalmente chefs sem bases), mas o melhor da Nouvelle cuisine ficou e abriu caminho para outros estilos de cozinha como a Fusion e a molecular.

Qual o melhor prêmio que um Chef pode ganhar? O reconhecimento dos clientes e muitos anos de sucesso.

Uma ajudinha para os leitores da MENSCH... Qual a receita infalível para impressionar uma mulher na cozinha? Rosas, vela, Champagne, e muito Amor de acompanhamento... Agora para a minha mulher, um ovo mexido com caviar, a tira do sério.


Texto: André Porto e Nadezhda Bezerra
Fotos: Kiko Ferrite, GNT, Divulgação
Agradecimentos: Denise Barros (Db Plus – Assessoria de Imprensa)
Agradecimento especial ao Chef Claude Troisgros
Site do programa: http://gnt.globo.com/quemarravilha/

ENTREVISTA: André Falcão


Largar uma carreira tão tradicional do universo masculino como a engenharia pela culinária pode ser algo de encarar, mas não foi o caso do chef André Falcão, que transitou de uma para outra sem dilemas ou críticas. O pernambucano André Falcão, que sempre foi um admirador da culinária de bom gosto, começou sua jornada estudando na Pensilvânia, depois se aperfeiçoou por São Paulo até voltar {as suas origens e ser reconhecido com uma revelação pelo júri do Guia da Veja com uma das promessas da culinária local. Com simplicidade e simpatia, André foi aos poucos conquistando o gosto, e o paladar, de júris, empresários e público em geral. Hoje, dono do seu próprio restaurante (o La Pasta Galleria) se dedica a aperfeiçoar essa paixão e mostrar que ele estava certíssimo quando trocou a engenharia pela cozinha. Afinal, o mercado perdeu mais um engenheiro para ganha um grande chef.

André, como foi essa decisão de largar a Engenharia Civil e se dedicar à culinária? Essa atitude repercutiu como perante família e amigos?
Posso dizer que a decisão até foi fácil naquele momento, pois eu já gostava muito de ficar em frente ao fogão, e saber que poderia me dedicar exclusivamente a isso foi muito bom. Na verdade minha mãe foi a primeira pessoa a saber da minha escolha, e ela achou muito legal pois Recife estava passando por uma fase de descoberta da gastronomia e dos seus profissionais.

Que influências e experiências a sua passagem pela Pensilvânia (EUA), Escola de Harrysburg e a especialização em Chef de Cozinha Internacional em São Paulo te trouxeram?
Nos Estados Unidos além é claro da experiência técnica que recebi na escola, pelos restaurantes que passei aprendi o que eu acho de extrema importância, pude aprender a dar valor às menores coisas que acontecem dentro de uma cozinha, ou seja, desde lavar os pratos, o chão, tirar o lixo e a valorizar todos aqueles que estão ali para fazer daquele momento um momento único. Já em São Paulo, pude aperfeiçoar meus conhecimentos de forma mais aprofundada, dando mais ênfase na cozinha Italiana e é claro melhorando o que eu achava meus pontos mais fracos.

Em pouco tempo, mais precisamente em 2008, você foi eleito o Chef Revelação do Ano pelo júri do Guia da Veja Recife. Foi uma surpresa para você? O que isso representou?
Não só para mim, mas para muita gente, pois o Prêmio nunca havia acontecido antes em Recife e naquele momento foi um sonho realizado que jamais esquecerei.
É claro que quando você ganha qualquer prêmio, inclusive a Veja, você passa a ser mais valorizado como profissional e a ter mais notoriedade.

No início da carreira como chef foi difícil provar que você não era só um cara boa pinta "brincando" de chef? É claro que isso aconteceu e que para mim foi muito importante poder mostrar que antes de qualquer coisa tenho qualidades e que poderia ser um grande profissional dentro da minha área.

Você acha que as mulheres se interessam mais por um bom chef de cozinha do que por um engenheiro? Existe uma certa sedução pelo homem chef de cozinha? Não sei se isso acontece. Existe uma certa sedução quando o homem entra na cozinha e faz aquele jantar romântico com vinho independentemente se seja ou não chef de cozinha, mas é claro que quando você já entende do negócio então já é mais fácil.

O que você aprimorou como profissional da área depois que passou de cliente de restaurantes para chef de sua própria cozinha? Ficou mais crítico? Passei a conhecer melhor a área financeira e administrativa, é claro que ficamos um pouco mais críticos, mas isso é claro não me impede de continuar freqüentando lugares que sei que os métodos de trabalhos não são tão adequados.

Sua cozinha é basicamente italiana não é isso? Quando e como a cozinha italiana te conquistou? Por que a cozinha italiana? Minha Cozinha á basicamente italiana. Mesmo não possuindo antepassados italianos, eu sempre me identifiquei com a cultura e a gastronomia do país da bota, e quando comecei a trabalhar ainda nos Estados Unidos a maioria dos restaurantes eram Italianos.

Pra você o que é mais importante no preparo de um prato, os ingredientes, a receita ou a mão de quem vai preparar? O ingrediente com certeza é o fator mais importante, seguido é claro pela mão de quem faz e depois pela receita.

O público recifense tem um paladar próprio? Comparando com o público do Sul você percebe muitas diferenças? Nosso Brasil é muito grande, e com isso há uma diferença não só entre Nordeste e Sul, mas também entre Norte e Centro-Oeste.


Que influências você recebeu de outros chefs? Quem são seus ídolos na cozinha? Nós sempre estamos aprendendo algo, independente de nível de profissional que nos encontramos. Tenho vários ídolos, posso listar alguns: César Santos (PE), Alex Atala (SP), André Saburó (PE), Massimo Bottura (IT). 

O que é mais difícil, manter um restaurante ou agradar uma mulher?
Ambos são difíceis, mais a mulher é mais.

O que você gosta de comer? Onde você costuma ir para comer bem? Como de tudo, desde a galinha à cabidela do “Bar do Luna” no Ipsep, como a carne de Sol do “Oficina do Sabor” em Olinda.

E quando não está na cozinha, o que você faz para relaxar? O que te dar prazer fora cozinhar? Gosto de ir a praia, andar no calçadão. Uma boa massa ou então um risoto.

Que dicas você daria a nossos leitores que não tem muita prática na cozinha e gostariam de fazer um jantar bacana para impressionar uma garota num primeiro encontro? Procure um livro de receitas interessante, ou então entre em contato comigo pelo meu site que podemos ajudá-lo.

Qual a receita da Semana Santa?
Um bacalhau cozido em Molho de Tomate Pelado, com Legumes e alguns cogumelos.


Texto: André Porto
Fotos: Dante Barros, Andréa Rêgo Barros
Agradecimentos: Carol Prestello
Agradecimento especial a André Falcão
Site oficial: www.chefandrefalcao.com.br

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

GASTRONOMIA: Tour Gastronômico por São Paulo


Costuma-se dizer que na cidade de São Paulo come-se bem até no botequim da esquina, e não há nada mais saboroso que tirar a prova disto. Sem dúvida a cidade apresenta a maior diversidade gastronômica do Brasil, talvez por agregar pessoas de tantas nacionalidades ou por ser o centro do país, ou simplesmente, por ser São Paulo. A cidade possui cerca de 12,5 mil restaurantes, com 52 nacionalidades, etnias e regionalidades, apresentando das mais diversas influências dos temperos tipicamente brasileiros às tendências internacionais de cozinha contemporânea e formando uma combinação indescritível - é preciso experimentar.

E os números seguem expressivos. Contabilizam-se 15 mil bares, 600 restaurantes japoneses, 3,2 mil padarias, 6 mil pizzarias e 500 churrascarias. Lá são feitos diariamente 10,4 milhões de pãezinhos (ou 7,2 mil por minuto), um milhão de pizzas (720 por min.) e 400 mil sushis (278 por min.). (Fonte: Prefeitura de SP). Como comer bem é uma das prioridades do homem MENSCH, decidimos fazer um tour gastronômico pela terra da garoa em homenagem ao seu aniversário de 457 anos comemorado semana passada.

Restaurante D.O.M 
Um almoço no restaurante DOM, sem dúvida, é a melhor opção para começo do tour gastronômico por São Paulo. A primeira visão sem dúvida é das melhores, o espaço pequeno e poucas mesas, dá àquela impressão que a comida é feita com mais capricho. A cozinha é comandada pelo chef Alex Atala, que afirma utilizar muitos ingredientes descobertos em suas viagens pelo Brasil. São vários os prêmios que o chef e a casa receberam desde a sua abertura em 1999, inclusive, ficando em 24° lugar no ranking dos melhores restaurantes do mundo, de acordo revista britânica Restaurant Magazine, no ano de 2009.


Nos seus pratos o chef procura explorar ao máximo cores e sabores. E quem for pelo DOM, sugerimos o filé alto com Aligot (que é uma espécie de purê de batata com queijos, que lembra até o gosto de fondue), este prato é interessante, pois para atingir o ponto perfeito do “‘purê” é necessário que o chef o manuseei até o ultimo segundo de servir, assim, para a sua surpresa, o chef vai até a mesa e monta o prato na sua frente. Não menos interessante, é o Fettuccine de Pupunha com Camarões Glaceados, para quem gosta da mistura do doce com o salgado. O restaurante também conta com um bar logo na entrada e uma adega com os melhores vinhos do mercado. Para os interessados, o DOM fica no bairro dos Jardins, e para visitá-lo é obrigatório fazer reserva.
Terraço Itália

O restaurante fica no topo de uns dos cartões postais da cidade de São Paulo, para ser mais preciso, no 41° andar, do edifício Itália, que é protegido pelo patrimônio histórico por se tratar de uma das maiores obras da arquitetura brasileira. Além da vista de 360 graus da cidade, o chef italiano Samuele Oliva, oferece a autêntica comida Italiana. Já imaginou a cena né, vista espetacular, boa companhia, uma piano de fundo musical, um porre de vinho e muita massa.

As massas são preparadas e cortadas na hora, os pratos com peixe e frutos do mar são a especialidade da casa, há também muita carne de caça e funghi. O chefe afirma que suga ao máximo o real sabor dos alimentos, com técnicas de cozimento, dispensando ingredientes como creme de leite e manteiga. O prato mais festejado sem dúvida é o Linguine al nero di seppia com molho de frutos do mar, para os leigos como eu, o massa preta espanta um pouco, más além de ser excelente, os frutos do mar tem uma textura que derrete na boca. Os pratos principais variam entre R$75,00 e R$150,00. O terraço Itália fica no centro de São Paulo, as reservas poderão ser feitas por telefone ou pelo site.

Buddha Bar
O Buddha bar é conhecido no mundo todo, presente nas principais capitais, como; Nova York, Londres, Paris, Cairo, Las Vegas, Dubai e São Paulo. Eles definem o empreendimento como lounge-restaurante. A filial paulista fica dentro da loja Daslu, ao lado do espaço da Louis Vuiton (não existe uma boa sinalização para se chegar ao local, então vá seguindo o caminho que leve a loja das famosas bolsas, o perigo é sua melhor resolver da uma passadinha por lá).

Com toda certeza um dos pontos fortes do restaurante é o ambiente, que é muito imponente. No salão principal você de cara com uma estatua do Buda importada da Tailândia de quase cinco metros. Ao entrar no local, à direita, você verá logo o Sushi Bar, uma boa opção para quem vai sozinho, mais adiante, fica a área mais disputado do local, a privacidade de dois bangalôs patrocinados pela marca Veuve Clicquot.  A casa conta ainda com um lounge, um bar e um terraço a céu aberto. A experiência se completa com Djs ao vivo.


A melhor forma de explicar o cardápio, sem dúvida, é como eles o definem; ”Ousadia num cardápio que traz o oriente como influência e o ocidente como toque especial, seus pratos traduzem o mais exótico deleite da “cuisine fusion” - a fusão das cozinhas asiática e francesa, e são assinados pelo renomado chef Erick Jacquin. Já Anderson Sousha comanda a cozinha japonesa trazendo inovação e sofisticação em um cardápio excêntrico”.


O restaurante também oferece os shushis tradicionais, o que na minha opinião não é vantajoso pedir, pois é igual ao das outras casas. Uma boa sugestão é seguir o menu, o couver, entrada, prato principal e sobremesa, que custa em média R$ 200,00 por pessoa, dependendo, é claro, do pedido. Para o couver, sunomomo (pepino japonês), manteiga, alguns patês e pães. A entrada aconselhada foi um Carpaccio com vinagrete de wasabi e como prato principal, dentre inúmeras opções, a sugestão é optar por um camarão que vem na folha de bananeira. Sem dúvida, pratos muito criativos, ir ao Buddha Bar é uma experiência impressionante.
Pizzaria Cristal

O forno a lenha é comandado pelo pizzaiolo Edilson Ferreira desde que a casa abriu em 1991, preparando as famosas pizzas individuais de massa fina e crocante. A Cristal está sempre se renovando, tanto no ambiente quanto no cardápio. O bar é um local a parte,  o chopp é geladíssimo e é da Brahma, possui também uma carta de vinhos impressionante, além de bebidas inusitadas e uma exposição de arte. São diversas as opções que vão desde a tradicional pizza de Mozarella, a opções de antipastis, saladas, sanduiches e grills. Como sugestão, peça a pizza que leva o nome da casa, que é coberta por parmesão, manjericão e champignon. A Cristal fica no Jardim Paulistano e é uma das pizzarias mais tradicionais da cidade.


Restaurante Anita
O restaurante Anita é um achado, um daqueles restaurantes que não é muito conhecido, por sinal, quem passa pela rua, é até difícil de notá-lo, a não ser pelo nome em neon. A comida é espetacular, sob o comando de Fabiana Caffaro, e o preço é melhor ainda. A casa abrigava nas décadas passadas um bordel, o que influenciou na escolha na concepção do ambiente, que é bem pequeno e acolhedor. O prato mais famoso da casa é o filé “Oswaldo Aranha”, que é feito a base de alho, como sugestão, também tem um risoto cítrico com lulas; de sobremesa, o “Bolo nega maluca”, que é um bolo de chocolate que vem acompanhado com um pote de brigadeiro fervendo. O restaurante fica no bairro de Higienópolis. No site, a chef Fabiana Caffaro disponibiliza parte do seu cardápio.


Restaurante Serafina
O Serafina é um dos restaurantes mais famosos de Nova York, preferido por famosos como Tom Cruise, Leonardo Di Cáprio, Hillary Clinton, e também por um de nossos leitores, que nos indicou recentemente o local. A filial da casa foi aberta em São Paulo na Alameda Lorena, trazendo a tradicional comida italiana. As panelas são comandadas pelo chef Ricardo di Camargo, que já esteve pelos principais restaurantes dos Estados Unidos. Como atração principal da casa estão as focaccias, que é uma pizza mais “rústica”, que até lembra um pão, feitas com farinha italiana especial, azeite extravirgem e sal marinho importado da Sicília, assadas no forno a lenha. Para quem gosta de pizza, a casa sugere a Portofino (tomate, mussarela, pesto caseiro e pinole) e a Bresaola (com queijos mussarela e Fontina, bresaola importada e rúcula).

É claro que a cidade oferece inúmeras opções tão boas quanto essas. Almejamos experimentar muito mais e relatar aqui nossas impressões. Na verdade, a idéia é explorar o que as cozinhas do Brasil têm de melhor. E você, tem alguma sugestão para aonde iremos no próximo tour?
E depois de falar tanto de comida, enquanto você aguarda sua reserva, aqui vai uma receita do chef Samuele Oliva, do restaurante Terraço Itália. Bom apetite!
Fagote de Vieira com Coulis de Manjericão

Ingredientes:

150 a 200g de folhas de manjericão
2 colheres de azeite extra virgem para grelhar os escalopes.
Sal e Pimenta branca a gosto.
18 escalopes pequenos a médios, limpos e sem ovas.
2 colheres de sopa de molho de soja
100g de tomates concassés
150g de massa fresca
2 folhas de manjericão para finalizar

Modo de preparo:
Coloque 12 escalopes em uma tigela rasa e regue com o molho de soja e deixe-os marinando na geladeira de 5 a 10 minutos. Corte 6 escalopes ao meio na horizontal e reserve-os. Prepare a massa e divida em 6 partes iguais.Passe a massa por um cilindro no mais baixo ajuste, até que fique quase transparente. Faça isso com as 6 partes Transfira a massa para uma superfície lisa, usando um cortador redondo de 14cm e corte a massa em 12 circulos. Coloque 1 escalope no meio de cada circulo e cubra um pouco com o tomate e o manjericão, picados. Junte as bordas do ciruclo para cima do escalope para fazer um cume. Prepare uma bacia com água e gelo. Coloque as folhas de manjericão em água fervente com sal.A seguir refresque-as na água gelada e escorra. Transfira-as para um processador e pulse até virar um purê, adicionando aos poucos azeite. Veja se está bom de sal. Passe o molho em uma peneira fina para um recipiente limpo e seco, delicadamente. Cozinhe o fagote em água fervente de 4 à 5 minutos e escorra. Quando a massa cozinhar, aqueça uma frigideira e grelhe os escalopes, temperados com sal e azeite virgem, cerca de 1 minuto de cada lado. Monte o prato em um prato aquecido Coloque molho, e sirva-se a vontade. Rendimento: 04 porções


Texto: André Lima
Fotos: Divulgação
Agradecimento especial aos estabelecimentos citados.