quarta-feira, 29 de junho de 2016

P&R: Carlos Ferreirinha - Um dos mais relevantes formadores de opinião em Negócios de Luxo e Premium na América Latina


Um dos mais relevantes formadores de opinião em Negócios de Luxo e Premium na América Latina. Carlos Ferreirinha atualmente preside a MCF Consultoria especializada em inteligência da gestão do varejo de luxo, em São Paulo, atendendo clientes como General Motors, Swarovski, Tiffany, Nextel, Natura, Boticário, Mastercard e Samsung, entre outras. Está entre os cinco consultores brasileiros mais requisitados sobre negócios que envolvam varejo e luxo, realiza anualmente mais de 45 palestras ao redor do mundo, compartilha sua expertise em operações de mercado, desenvolvimento de negócios e marketing. 

Como definir estilo? Como compõe o seu próprio estilo? Possivelmente eu não seja o profissional mais adequado para responder essa pergunta!! Sou totalmente focado em gestão. No que diz respeito ao estilo, eu o defino como um mix de informações que você vai juntando e desenhando no modo de vestir, na postura... Um pouco do que sabe, do que gostaria e evidentemente, atento ao que está acontecendo ao lado e o que é indicado como interessante. Definitivamente, meu estilo é informal. Jeans e blazer.

Fale um pouco sobre sua trajetória profissional, quando e como foi o seu day 1 no mercado de luxo? O day 1 no setor formal do luxo, foi na empresa Louis Vuitton... E há quase 22 anos atrás... Tem tempo!! Preciso comentar que trabalhar na americana EDS – Electronic Data Systems por 8 anos, mesmo não sendo do luxo, mas uma empresa, sem dúvida, de vanguarda e muito prestigiosa para a época, foi uma escola do marketing emocional. E isso me ajudou muito no luxo da Louis Vuitton. Lembro bem do início - tenso... Eu e nem a região éramos estratégicos para as áreas de apoio em Paris. Cada conquista de atenção era uma guerra! Minha trajetória é de trabalho. Professor de inglês, recepcionista de hotel, office-boy, estagiário de administração... Trabalho desde os 9 anos.

Qual o entendimento das marcas de luxo em relação aos conceitos da indústria da economia criativa? Como essa tendência está sendo utilizada pelas marcas de luxo? Essa pergunta é muito interessante! Muito da economia criativa vem da atividade do luxo. Assim, tem sido o luxo a ensinar muito à economia criativa. Consumir luxo é consumo emocional, do desejo, da vontade e não racional. Aqui, então, há muito a ser trocado. Trata-se de um alinhamento natural e quase orgânico.

Há uma linha de pesquisa que defende que a classe média age de forma emocional em relação ao dinheiro, já os ricos agem de forma lógica, você concorda com essa afirmação? Como isso pode interferir na percepção de valor e comportamento de consumo de produtos de luxo? Não concordo. Eu considero todo o consumo que não seja da necessidade, onde o luxo entra, mas não somente o luxo... Consumo emocional e não racional, lógico. Seja no consumo da pasta de dente ou no consumo do barco. O que muda são os patamares de valores, mas a inclinação de consumir algo ou alguma coisa por vontade, desejo, emoção é inerente e permeia qualquer produto ou serviço e, qualquer que seja a classe social. Evidentemente, quando falamos de produtos ou serviços de luxo, essa questão é acentuada – potencializada.


Como se comporta o e-commerce no mercado de luxo no mundo e no Brasil? O e-commerce não é mais um bicho de sete cabeças. Inexplorado em sua total possibilidade? Sim. Mas, vem sendo usado e muito usado. Vivemos uma era digital e o e-commerce acompanha esse movimento. A atividade do luxo ainda é modesta na utilização. Essa atividade sempre foi pautada pelo formato tradicional de consumo. E-commerce é uma transgressão do modus operandi de sentir, tocar, conhecer, descobrir, ouvir... Mas, é fato e diante dos fatos, lidamos, aprendemos e usamos. O luxo pouco a pouco e rapidamente, tem dado sinais excelentes nessa direção das tecnologias digitais. Vale aqui uma reflexão da surpreendente Burberry que possivelmente se tornará a primeira marca de luxo digital. No brasil tudo que se refere ao digital, é muito forte. Expoente mundial atualmente.

Qual o perfil e características de consumo de produtos de luxo pelo público masculino? A principal diferença do homem para a mulher é o fato do homem não pesquisar tanto e ser mais objetivo no consumo. Mas, os traços de impulso são os mesmos. Se a mulher o faz nos sapatos, o homem o fará nos carros. Se ela o faz nas bolsas, o homem o fará nos relógios. Alguns setores têm um alinhamento muito masculino como carros, imóveis, lanchas, aviões. Chamamos de o luxo absoluto. Entretanto, vale aqui ressaltar o forte incremento do homem no consumo de cosmético.


Você é um empreendedor por natureza inquieto, que busca sempre participação em empresas inovadoras como por exemplo a BENTO STORE, primeira loja especializada em mobile food, como você definiria o perfil do gestor Ferreirinha? Inquieto é a palavra. Curioso. Decidido. Mas, definitivamente o que mais me define é força de trabalho e trabalho com pessoas. Meus dois traços mais fortes e relevantes.

Você é Presidente da MCF Consultoria especializada em inteligência de gestão do varejo de luxo, empresa que atua em toda a América Latina, qual sua opinião sobre o atual cenário econômico mundial e como isso vem afetando o mercado de luxo? O mundo está de cabeça para baixo. Os mercados mais tradicionais como Europa, EUA e Japão passam por provações e perdem força. Entretanto, a Ásia como um todo, o leste europeu, alguns mercados da América Latina, o Brasil, os países árabes vêm compensando essas perdas e ao final, no consolidado, o setor cresce. Mas, temos que reformatar a forma que pensamos estrategicamente. Tudo alterado - mercados, forças, consumidores, perfis...

É possível afirmar que um dos maiores desafios das empresas de luxo é continuar crescendo, aumentando sua lucratividade ao mesmo tempo em que mantêm a exclusividade? Como é possível equilibrar esse processo? Excelente. Absolutamente excelente. Sim, é isso que tem tirado o sono das marcas. Como crescer e expandir, mantendo a exclusividade. São muitas as formas para alcançar esse equilibro. Distribuição, matéria prima, preço, inovações e direção criativa são elementos que podemos ser usados para garantir a exclusividade ou ao menos equilibrar.


Como a tradição e o nível de excelência em produtos e serviços do segmento de luxo podem influenciar e determinar um preço diferenciado mesmo em tempos de crise? Luxo tem a tradição como um dos elementos-chave. Não importa aqui quanto tempo, mas sim deixar claro ao longo do tempo quem é você na história. Quanto à excelência... É o adjetivo máximo da atividade. Dizemos que luxo significa o patamar máximo da excelência – do excepcional de produtos e serviços de luxo!

Os conceitos usados pelas marcas de luxo são aplicáveis somente por quem trabalha diretamente no mercado de luxo, ou podem ser utilizados por qualquer marca? Cite uma marca de alto padrão que se destaca por suas estratégias inovadoras e as transformações socioeconômicas globais como cases de sucesso. Nem todas as marcas e empresas deveriam ou poderiam ser de luxo. Mas, todos os setores, marcas e empresas podem aprender com a inteligência da gestão do luxo. Aqui o jogo é quanto do “luxo” posso ter em minha operação, em meu produto, meu serviço - pílulas de luxo, em muitos casos. Eu considero bem mais inovador no luxo a forma com que estimulam as associações e levam o consumo na utilização - não muito no produto ou no serviço em si. Falamos do patamar mais elevado. Da matéria prima mais rara. Do atendimento ímpar e extraordinário. Do ir além, em cada ponto de contato. Elevando a barra sempre. Farei aqui algo muito simples mas efetivo. A Louis Vuitton consegue tornar um pedaço de lona em um produto adorado e desejado em todas as partes do mundo. O jogo aqui é de produto, de história, de mão de obra artesã, de qualidade não negociável... E assim vai, fascina.

Sendo a hospitalidade dos brasileiros um ponto positivo no relacionamento com stakeholders, como as marcas devem dialogar emocionalmente com os clientes e como transformar relacionamento em vantagem competitiva? De uma forma geral as pessoas precisam ser conectadas novamente à emoção de consumir. A era atual pede mais sinestesia. São muitas as forças contrárias ao consumo. Temos que entender a causa, a essência, a razão de existir das marcas. Para isso, profissionais precisam ser contadores de histórias e estórias. Acho importante dizer que a hospitalidade brasileira é sim um diferencial. E isso nos torna muito especiais. Gostamos de gente. Tocamos as pessoas pela emoção genuína. Mas, um pouco mais de técnica nos faria muito bem.

Quais os principais obstáculos estruturais que precisam ser superados para que o setor de luxo possa dar um salto qualitativo e quantitativo no Brasil? São muitos. E não são apenas para o luxo. O Brasil perde competitividade. O nosso contexto econômico. A falta de previsibilidade. A ausência de uma forte base de educação. Nossos gargalos de logística. A surreal burocracia. Os impostos severos. São tantos...

Os brasileiros estão cada vez mais sofisticados nos hábitos de consumo. Quais as grandes mudanças que você destaca na evolução do segmento de luxo no Brasil? Contemporaneidade e atualização. Para esse tempo de menos de 25 anos, o brasileiro rapidamente se tornou atualizado. Muito conectado. Muito atento. Novidadeiro como perfil. Viajou muito nos últimos anos, levando as expectativas à patamares mais altos.

Em plena era do conhecimento você foi o responsável por planejar e implantar o primeiro curso de MBA de gestão de luxo das Américas, sendo Diretor do programa na FAAP, quais foram e quais são os principais desafios de se ensinar práticas de gestão no mercado de luxo? Nos falta mercado denso, amplo e que faça parte do nosso dia-a-dia. Bem contrário ao que acontece na Europa por exemplo. Faltam oportunidades para a quantidade de pessoas que querem aprender sobre gestão do luxo para trabalhar com a atividade. Entretanto, meu ponto de reflexão principal aqui vai de encontro ao MBA. No brasil temos tornado MBA como pós graduação e isso é um equívoco.

Quais são os mercados de luxo mais relevantes no mundo? EUA e Japão sempre foram os mais relevantes. China surpreende em um ritmo admirável. Europa tradicional.

terça-feira, 28 de junho de 2016

ARTE: Tate Modern - Um dos museus mais importantes do mundo ainda melhor

O famoso museu Tate Modern, em Londres, demorou nove anos para finalizar seu anexo que custou £ 260 milhões, inaugurado semana passada. Conectado à margem norte do Rio Tâmisa através da elegante Millenium Bridge, que dá diretamente para a Catedral de St. Após uma grande reforma na antiga estação de energia de Bankside, os arquitetos suíços Jacques Herzog e Pierre de Meuron deram ares novos a uma área até então relativamente abandonada da cidade. Com o Switch House, nome do novo prédio, a galeria dobrou de tamanho, e tem gerado polêmica por ter alterado o skyline da cidade, dividindo opiniões. Dentro do museu, uma fantástica coleção de arte moderna e contemporânea, com obras de artistas como Dalí, Picasso e Andy Warhol, além de exibições temporárias. Assista a construção do novo prédio nesse vídeo de 1 minuto e fique encantado com o projeto.




Assita o vídeo:

segunda-feira, 27 de junho de 2016

PALADAR: La Julia Cuisine - A premiada Julia Sedefdjian bate o recorde no guia Michelin com apenas 21 anos de idade

No dia primeiro de fevereiro, como em todos os anos aqui na França, o famoso guia Michelin concedeu estrelas para alguns chefes de cozinha. Este ano um recorde foi batido, com apenas 21 anos de idade, Julia Sedefdjian é a chefe francesa mais jovem a receber a tão reputada estrela MichelinJulia Sedefdjian começou sua carreira bem cedo, aos 14 anos de idade como estagiária num restaurante em Nice. Seu mentor David Faure lhe transmitiu todo o savoir faire e muita motivação para que ela participasse de um concurso com os melhores aprendizes da França, no qual Julia veio a ganhar sua primeira medalha de ouro.

Diplomada em gastronomia e confeitaria, ela ingressou na equipe do restaurante parisiense Les Fables de La Fontaine  em 2012. Seu debut foi como segunda chefe de cozinha. Entretanto, com a saída do chefe principal, Anthony David, em agosto de 2015, Julia assumiu o posto logo após a reabertura do restaurante, que ficou fechado durante quatro meses para reforma. A jovem chefe passou por um verdadeiro desafio, pois o Les Fables de La Fontaine já possuía uma estrela Michelin há 10 anos consecutivos. Contudo, este resultado foi uma recompensa e reconhecimento pelo seu trabalho dedicado e minimalista neste restaurante que fica num dos bairros mais chiques de Paris.




Julia e o gerente do restaurante elaboraram um novo conceito para o Les Fables de La Fontaine, com uma gastronomia generosa e bistronomique, ou seja, com um toque de bistrô. Ela sempre defendeu e foi adepta a uma gastronomia mais acessível, porém de excelente qualidade ; sua clientela é exigente e busca sempre novas experiências gourmets.

Assim que saiu o resultado do guia Michelin, David Bottreau, o gerente do restaurante, foi dar a notícia pessoalmente a Julia com um bouquet de rosas. A jovem foi pega de surpresa em pleno horário de trabalho. David lhe entregou as flores dizendo “você é a mais jovem chefe francesa com uma estrela Michelin, parabéns! ”Ao receber essa notícia, Julia conta que não teve como aguentar tanta emoção e que caiu em lágrimas de felicidade com um sentimento inexplicável de vitória e a mais valiosa das recompensas por sua dedicação.
Além da sua técnica culinária, uma das chaves de seu sucesso é sempre tentar seguir os ensinamentos de seus antigos mestres e também de outros chefes franceses que lhe são inspiradores, como os reputados Jean-François Piège e Alain Ducasse, grandes referências na gastronomia francesa.

“Minha cozinha é muito influenciada pelas minhas lembranças de infância. Eu venho de Nice e tenho origem armênia, gosto de criar pratos misturando temperos e vou a fundo na criatividade da minha especialidade que são os frutos do mar”, afirma Julia.

Como todo bom chefe de cozinha, Julia Sedefdjian tem uma biblioteca com muitos livros de culinária, porém, ela conta que, muitas vezes, suas inspirações vêm por acaso, quer seja numa conversa informal ou mesmo num sonho, acorda e pensa “ como não experimentei isso antes?” No dia seguinte, já coloca a nova ideia em prática juntamente com sua equipe.

Conhecendo a cozinha de Julia


Na hora do almoço, o restaurante Les Fables de La Fontaine oferece um menu especial de segunda a sexta, que é uma tentação e por somente 25 euros com duas opções de escolha (entrada + prato principal do dia ou prato principal do dia + sobremesa). Entradinhas criativas são servidas como, por exemplo, o ouriço do mar, minuciosamente escolhidos e preparados delicadamente com toda técnica e criatividade pela jovem chefe, pratos com peixes frescos elaborados com seus temperos típicos e acompanhados com legumes da estação, entre outras especialidades bem mediterrâneas. Para finalizar, sobremesas de tirar o fôlego, como a famosa torta de limão (Sablé Breton) com mini merengues apimentados e outras diferentes delícias, sem falar na carta de vinho que tem ótimas escolhas e com preços justos. 

O restaurante Les Fables de La Fontaine tem um ambiente clean e bem contemporâneo. A sua localização não poderia ser melhor ; no requintado bairro da Torre Eiffel e na famosa rue Saint Dominique, muito conhecida pela alta gastronomia com restaurantes de chefes franceses renomados como Christian Constant, Thoumieux e agora com a mais jovem chefe estrelada, Julia Sedefdjian.



sexta-feira, 24 de junho de 2016

CAPA: Dalton Vigh entre duelos de espadas e lutas por um Brasil melhor em "Liberdade, Liberdade" (e na vida real)


Quem vê o ator Dalton Vigh lutando espada com maestria ou enfrentando duelos perigosos em “Liberdade, Liberdade” não imagina todo o processo até chegar a isso. Acredito que nem ele se imaginava nisso tudo. Sempre disposto a um novo desafio, seja dentro ou fora da TV, Dalton em breve enfrentará mais um outro desafio, dessa vez bem mais longo e prazeroso, ao se tornar pai de gêmeos. Enquanto isso o ator segue com muito bom humor e dedicação a tudo que se propõe a fazer com maestria.

Com a chegada de Dom Raposo na sua vida você teve que mudar alguns hábitos e a aparência. Como foi e tem sido esse processo? Quando o Vinícius me ligou para falar do Raposo, as únicas recomendações dele foram para deixar a barba crescer e ganhar peso. Depois, quando li os primeiros capítulos, é que fui entender porque... Num mesmo capítulo, Raposo tinha três sequencias de lutas, além de erguer um bandido acima da cabeça e quebrar sua espinha. Por conta própria, resolvi começar com a musculação não só pra ganhar massa mas também pra “aguentar o tranco” do que viria pela frente. E, como já previa, foi um processo árduo e exaustivo, mas extremamente prazeroso. Cada uma dessas sequencias levou mais de um dia para ser gravada, porque ensaiávamos cada movimento com muito cuidado para que nada desse errado, afinal eram cenas onde acidentes não poderiam acontecer em hipótese alguma, e ao término de cada dia, comemorávamos como se tivéssemos vencido uma batalha. Claro que, para que tudo corresse bem durante as gravações, antes de começarmos tivemos um mês de “Workshop”, oficinas de leituras de capítulos junto com aulas de prosódia e treinos de lutas, esgrima, equitação além de palestras sobre História do Brasil, com foco no movimento da Inconfidência Mineira. Isso tudo, além de nos ajudar a encontrar nossos personagens individualmente, serviu para criarmos os laços entre personagens dentro desse universo tão distante dos dias de hoje.


O que é pior entrar na rotina, a musculação, lutar com espada ou deixar a barba crescer? Todas as alternativas acima...(risos) Não sou o maior fã de musculação, lutar com espadas me causou tendinite e a barba confesso que coça e pinica, mas claro que tudo pelo personagem.

De “Tocaia Grande” (1995), na Manchete, até “Liberdade, Liberdade”, no ar atualmente, já se vão mais de 20 anos de carreira. Que análise faz dessa trajetória? Se sente realizado? Quando comecei, minha única preocupação era se eu conseguiria sobreviver dessa profissão e minha única expectativa era que não me faltasse trabalho para conseguir pagar as contas, então, acho que posso me considerar até mais que realizado.

Do malvado Clóvis, de “O Profeta”, ao herói Dom Raposo, são vários tipos, de vilões à mocinhos. Algum tipo te deixa mais confortável ou te desafia mais? Sempre achei muito mais divertido fazer vilões, existe muito mais espaço e liberdade para o ator criar ao fazer um vilão do que um mocinho, que tem que obedecer certas regras de conduta, ao passo que o vilão, quanto mais louco, melhor. Aí vem o Raposo pra me fazer desdizer tudo isso... É o primeiro mocinho onde tive toda liberdade para sugerir ações, o que chamamos de “preencher a cena”, pequenas ações ou gestos que não estão no texto e que nos favorecem a mostrar o que o personagem está pensando ou sentindo.

Aos 51 anos os desafios como ator tem sido maior do que aos 30 quando você começou na TV? Ou o contrário, agora seu nome está bem firmado e a coisa flui mais fácil? Costumo dizer que é maravilhoso fazer um personagem que tenha cenas de luta, tiro, cavalos, é como voltar a ser criança, brincar de mocinho e bandido, só que, ter aparecido quando eu tinha uns trinta, teria sido bem mais fácil. (risos) Mas, falando sério, acho difícil traçar uma comparação, se, por um lado, a falta de experiência e o fato de ser um desconhecido no começo dificultaram um pouco, por outro, ter o nome estabelecido pode restringir também, existem muitos trabalhos onde se dão preferência a “caras novas”, independente de idade, então, não sei se sei responder a essa pergunta.

Grande parte dos seus trabalhos foram para a TV, isso facilitou na hora que encarar algum projeto para o teatro ou cinema? A vitrine que a TV dá realmente ajuda até na hora de captar recursos para uma peça? A TV, sem dúvida, continua sendo a grande vitrine, continua sendo o meio para mostrarmos nosso trabalho e daí abrirmos portas para outros convites no Cinema e no Teatro. Mas, da mesma forma que facilita de um lado, pode gerar um receio quanto à sua disponibilidade de outro. Quanto a ajudar na hora de captar, ainda não sei, nunca entrei com nenhum pedido de captação, nunca produzi nenhuma peça ou filme, mas pretendo começar em breve e aí vou poder responder...


Falando nisso, como você vê a atual discussão sobre Lei Rouanet e a extinção e volta do Ministério da Cultura? Nunca usei a Lei Rouanet e por isso não tenho propriedade para discutir sobre o assunto. Em relação a volta do Ministério da Cultura, foi uma vitória já que houve um grande clamor popular.

Como você avalia a produção de cinema nacional? Estamos indo bem? Acha que até melhor que o cinema americano, levando-se em consideração o volume das produções em cada país? Acho que estamos indo muito bem, mas ainda é muito gritante a diferença na quantidade de produções em exibição aqui no Brasil de filmes nacionais e americanos, é notável, os “blockbusters” sempre tem maior número de salas a disposição do que as maiores produções nacionais.

“Liberdade, Liberdade” muitas vezes em seus diálogos e situações mostra um Brasil bem atual à pesar do grande espaço de tempo entre a história e a situação atual do país. Como você vê isso? Acho que não poderia haver melhor momento do que esse pra a novela ser exibida. Podemos perceber que os problemas que o país enfrentava, como o descaso da Coroa para com a população, continuam no Brasil de hoje, onde quem governa pensa que tudo pode porque tem a garantia de imunidade que os cargos oferecem. E, de uma certa forma, estamos vivendo uma revolução, não sabemos ainda onde tudo isso vai dar, mas podemos ter a certeza que estamos testemunhando um momento histórico para o Brasil.

Ter como base fatos e personagens reais para uma história de ficção traz um desafio maior? O que achou dessa proposta de novela? O compromisso sempre é maior quando se trata de personagens reais. Já havia feito o Luigi Rosseti em “Casa das Sete Mulheres”, mas era uma minissérie, numa novela talvez seja inédito, e, como acho interessante juntar informação com entretenimento, torço para outras produções do gênero tenham cada vez mais espaço na TV.

Você está prestes a ser pai de gêmeos. Está preparado para esse novo desafio? Mais difícil que encarar Mão de Luva e Rubião juntos?! (risos) Ainda não sei se é mais difícil... Vou responder com mais propriedade essa pergunta daqui a uns vinte anos! Mas você acaba de dar uma boa ideia para os nomes dos meninos, Mão de Luva e Rubião. (risos)

Como é sua rotina quando não está gravando ou com peça? O que curte fazer? Gosto muito da nossa casa, tenho uma aparelhagem de som “Vintage” e fico horas ouvindo discos e gravando fitas cassete (isso mesmo), além de ver e rever filmes e às vezes, montar miniaturas da aviação civil e militar e espaçonaves de ficção científica. Ah, e passear com Charlie Jr., nosso golden retriever.

E a vida à dois, onde é mais fácil e mais difícil? O que aprendeu ao longo do tempo? A convivência do dia-a-dia as vezes gera atritos, a forma como se lida com esses atritos é que pode facilitar ou dificultar a relação. O que o tempo me ensinou é que a sua mulher tem sempre razão. (risos)

No dia-a-dia você lida bem com o espelho? É um homem vaidoso? O tempo que gasto na frente do espelho é o suficiente pra escovar os dentes, pentear o cabelo e ajeitar a roupa. Me preocupo em estar apenas apresentável e bem vestido. 

Até onde pretende que a arte de atuar ainda te leve? O que você ainda almeja? Que eu continue me encantando com a arte de atuar, que a magia siga acontecendo e me proporcionando momentos inesquecíveis e indescritíveis, propondo indagações e questionamentos que mudam a forma de enxergar o que é a vida. O que almejo? Continuar pagando as contas fazendo o trabalho que gosto. (risos)


quinta-feira, 23 de junho de 2016

MENSCH INDICA: O que ler, ver e ouvir nas próximas semanas

Com a proximidade das férias de julho, as gravadoras, editoras e distribuidoras começam a fazer seus lançamentos. Junho encerra com muitas novidades com novos e velho cantores na área musical, como os veteranos David Bowie e a mutante Rita Lee. A leitura com diversão garantida fica por conta de Xico Sá e no cinema dois caras muito legais e lançamentos nacionais esquentam a telona. Pelo jeito teremos um início de mês bem animado e recheado de novidades (ou nem tanto) para ler, ver e ouvir. Confira nossas dicas e bom final de semana!


VER: DOIS CARAS LEGAISAmbientada na fervilhante Los Angeles dos anos 1970, essa comédia policial, que estreia dia 2 junho, “Dois Caras Legais” (The Nice Guys), traz a dupla Russel Crowe (Noé) e Ryan Gosling (A Grande Aposta) no elenco, sob direção de Shane Black (Homem de Ferro 3). A trama começa quando Amelia (Margaret Qualley), filha de uma funcionária do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (Kim Basinger) é sequestrada. Ela então decide contratar Jackson Healy (Russell Crowe), detetive particular violento e ex-alcoólatra, para investigar o caso. Após ver que o trabalho é mais complicado do que o esperado, decide contar com a ajuda do medroso e atrapalhado detetive particular Holland March (Ryan Gosling). Ambos descobrem que o caso de Amelia e a morte de uma estrela pornô estão, de alguma maneira, relacionados. Eles então se deparam com uma conspiração chocante que atinge até os mais altos círculos do poder. Só pelo elenco e a volta de Kim Basinger às telonas já vale uma conferida no filme que promete muita ação e diversão. 

 Veja trailer:



LER: OS MACHÕES DANÇARAM 
(Crônicas de Amor & Sexo)

Por Erika Valença

Às vezes tenho a impressão que Xico Sá é de mentira. Juro. Ele é uma enciclopédia ambulante, cheia de tiradas geniais e humor apurado, quando o assunto é relacionamento. Mas sim, ele existe.  Devoto inveterado das mulheres, tece em seus textos, a realidade nua e crua da vida cotidiana. A prova viva disso tudo está nas livrarias, na sua mais recente publicação: “Os Machões Dançaram - Crônicas de Amor e Sexo em Tempos de Homens Vacilões”. A obra, além de ser um verdadeiro almanaque comportamental, apresenta de uma galeria de personagens criados e que ilustram as grandes transformações do homem. Logo de cara, na primeira parte denominada "Tipinhos de homem", Xico abre a leitura com um alerta para a mulherada, mostrando uma relação dos mais perigosos machos, como por exemplo, o Macunaemo (homem que tem a preguiça do Macunaíma e o mimimi de um roqueiro emo). No segundo momento - "Os quereres e malquereres das mulheres" -, é chagada da compreensão dos sentimentos. No terceiro capítulo - "Quando um homem ama uma mulher"-, é o momento em que, 'só um pé na bunda salva'. Na quarta, e última parte, - Estou num relacionamento "fala sério" - é a hora de falar e desvendar relacionamentos na era digital, de aplicativos, de redes sociais, enfim, de internet. Com esse livro, Xico fecha a trilogia de crônicas que revelam as mudanças de comportamento nas relações entre homens e mulheres do final do século XX até hoje. Anteriormente, ele publicou “Modos de Macho & Modinhas de Fêmea” (2003) e “Chabadabadá – Aventuras e Desventuras do Macho Perdido e da Fêmea Que Se Acha” (2010).


OUVIR: 
David Bowie – BlackStarO último álbum de estúdio de David Bowie produzido por Tony Visconti e o único que não estampa o rosto do artista é uma obra densa, complexa e ao mesmo tempo um presente de despedida para o seus fãs. Bowie é muito mais que um ícone que influenciou praticamente todo o mundo da indústria fonográfica. “Blackstar” traz um tom melancólico, mórbido e até mesmo bíblico como em “Lazarus”. Menções a morte e a sua doença são citados delicadamente sob versos lúdicos e referenciados em quase todas as músicas. Mesmo sendo um CD para poucos, uma estrela do nível de Bowie não poderia se despedir de forma mais integra deste planeta rumo ao espaço o qual ele tanto cultuou. Ouça clicando aqui

Jaloo - #1O primeiro álbum do paraense Jaloo saiu final do ano passado e é uma das coisas mais saborosas que o pop nacional ouviu em décadas. Com seu look cyber-indígena, Jaloo consegue transportar a sonoridade da sua música para os seus videoclipes e impregnar de imagens a sua música com letras leves e ao mesmo tempo serias, cotidianas e cheias de simbologia. Elogiado na gringa por artistas do naipe de Grimes, Jaloo faz um som moderno, fresco e leve, todo plastificado por uma camada de densidade e referencias que o artista carrega na sua bagagem que vai de Grace Jones a Bjork, passando por Fka Twigs até Secos e molhados. Ouça clicando aqui.

Rihanna – Anti O oitavo álbum de estúdio da cantora “Anti” saiu de graça no site Tidal. Bem diferente dos seus anteriores, “Anti” parece o álbum conceitual da artista e não veio recheado de hits pops com potencial de remixes e videoclipes como os seus fãs esperavam. O carro-chefe do álbum, é o reboladíssimo single "Work", com participação do rapper Drake, que já tem um videoclipe tão picante que foi inclusive censurado no próprio canal do Youtube da artista. Cantora. A capa do disco tem imagens do artista Roy Nachum, e o encarte uma poesia de Chloe Mitchell escrita em braile. Resta esperar que os singles e seus remixes tragam a energia pop de Rihanna de volta. Ouça clicando aqui

JUNKEBOX
Rita Lee – Box 21 Cd´s

Seja fã ou não de Rita Lee, essa caixa com todos os 20 álbuns da Maior Rockeira Brasileira (que na verdade é gringa) remasterizados digitalmente e com todo o material gráfico detalhadamente refeito, é um objeto não apenas de desejo, mais uma aula antropológica sobre o rock e o pop nacional. A caixa ainda acompanha um CD bônus com músicas que não fizeram parte de nenhum álbum de sua carreira como temas de novela, músicas para comerciais e filmes.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

PALADAR: Criatividade e Sabor no UOL Burger Fest

Já faz um bom tempo que o hambúrguer deixou de ser simplesmente uma opção de lanche, oferecido em poucas versões. A preparação ganhou status no cenário gastronômico, da mesma forma que abandonou as versões industrializadas e passou a ser preparado com carnes nobres. E não parou por aí, o sanduíche virou estrela de um Festival, o UOL BURGER FEST, que terá a sua terceira edição no Recife no período de 17 de junho a 3 de julho, quando acontece simultaneamente, também, em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. 


Na capital pernambucana serão 21 estabelecimentos, número igual ao dos participantes da edição do Rio de janeiro, mostrando que o cenário está bastante propício para esta nova estrela da gastronomia. “A adesão do Recife ao Festival foi impressionante. Isto comprova que a gastronomia é, sem dúvida, uma das vocações da cidade”, comenta Carlos Alberto Santos, coordenador do evento em Recife. 

Entre as regras do Festival, duas são destaque: nada de hambúrgueres comprados prontos e de receitas que já fazem parte do cardápio. No UOL BURGER FEST todos os sanduíches são inéditos e contaram com a criatividade dos cozinheiros, que se esmeraram em definir os ingredientes para compor cada receita e de elaborar delícias para o acompanhamento. E nesta edição, a busca pelo sanduíche perfeito percorreu caminhos diversos. A carne bovina foi a escolhida por grande parte dos participantes, mas não faltam versões com suíno, linguiças especiais, cordeiro e opções para vegetarianos e veganos. Os preços variam de R$16 a R$38, pra caber no bolso e agradar ao paladar de todo mundo.

Na última edição do Burger Fest, que aconteceu em 2015, foram vendidos cerca de 1,2 milhões de hambúrgueres nas cidades participantes. Este ano, aproximadamente 250 casas participam da edição no Brasil. O Burger Fest foi criado em 2012 pela agência KRP – Relações Públicas e, de lá para cá, já realizou 19 edições do festival. A partir da edição de 2016, com a realização do UOL, o evento passa a se chamar UOL Burger Fest e amplia sua atuação ao impactar ainda mais apaixonados por hambúrgueres.

Além do festival, o UOL Burger Fest contará com uma novidade: o lançamento de um site exclusivo com tudo sobre o universo dos hambúrgueres, que contemplará reportagens exclusivas, receitas, entrevistas, vídeos, entre outros, com a excelência e a credibilidade do jornalismo do UOL. Acesse: burgerfest.uol



terça-feira, 21 de junho de 2016

FITNESS: HIIT - Entre nesse ritmo com treino intervalado e queime mais gordura do que nunca

Se você pudesse escolher praticar: a) 30-60 minutos ou b) 4-20 minutos de exercício, para alcançar o mesmo objetivo (emagrecimento e aumento do condicionamento físico), qual dessas opções você escolheria? Certamente alguns aficionados por atividade física escolheriam a opção “A”, pois só se sentem realizados (aquela sensação de que valeu a pena), quando concretizam uma sessão de treino com longa duração (30-60 minutos) e/ou grande volume (> 5 Km). No entanto, se levarmos em consideração que grande parte da população mundial não realiza atividade física (são sedentários) alegando falta de tempo para praticar exercícios por conta de obrigações como jornada de trabalho, estudo e/ou tempo dedicado à família. Poderíamos concluir que a opção “A” não seria a escolha mais eficiente para eles. 

Acredito que você deve estar se perguntando: que forma de exercício pode proporcionar benefícios significativos à saúde das pessoas com apenas quatro minutos de realização? Se você ficou interessado, saiba que isto é uma realidade ao seu alcance e que já está mais que consolidada em grande parte dos centros esportivos, academias de musculação, áreas de prática de exercício e principalmente na comunidade cientifica. Essa forma de treinamento dinâmico e de fácil execução está em ALTA e se popularizando cada vez mais por conta dos seus benefícios de grande magnitude em curto intervalo de tempo. Esse método de treinamento é mais conhecido pela sigla HIIT – High Intensity Interval Training (treinamento intervalado de alta intensidade). 

A manifestação deste tipo de treino não se resume apenas ao “curto tempo”. Como falamos no início, muitos são os atrativos: emagrecimento e aumento no condicionamento físico. Tanto que esta prática (HIIT) está em destaque como uma das principais tendências do Fitness para o ano de 2016 de acordo com o Colégio Americano de Medicina Esportiva (ACSM), uma das principais agências que tomam medidas preventivas à saúde dos seres humanos. 

Entre os pesquisadores clássicos desta vertente, podemos citar o japonês Izumi Tabata e o canadense Martin Gibala, os quais realizaram protocolos de treino em alta intensidade e conseguiram resultados inspiradores em tão pouco tempo (6 e 2 semanas respectivamente). 


Mas como tudo tem um preço, e como a tradução já deixa subentendida (high Intensity – alta intensidade), um treino intenso exigirá um pouco mais de disciplina e muito mais dedicação para encarar a sensação de fadiga proporcionada pelos esforços, os quais geralmente são seguidos de curtas pausas de recuperação. 

No quesito emagrecimento, saibam que o praticante de atividade física que optar em realizar uma sessão de treino HIIT, terá grande vantagem em relação a diminuição daquelas gordurinhas extras quando comparado às atividades de longa duração, de maneira contínua e naquela zona de treinamento “confortável” (característica do treino aeróbio). Justamente porque o treino intervalado em alta intensidade faz com que o seu corpo comece a dobrar a queima de gordura enquanto você estiver em repouso. E saibam que a melhor estratégia para o emagrecimento não é aquela em que você gasta muitas calorias durante a realização do esforço, e sim aquela que irá proporcionar o aumento do seu metabolismo no momento do seu sono, por exemplo.

Se nós não estivermos enganados, você agora deve estar se perguntando: mas como eu posso realizar essa sessão de treino? A resposta é simples: prepare-se para suar a camisa nos locais que você menos espera: na academia, na sua casa, no trabalho, na rua, na praia, no parque, ou seja: em qualquer lugar você poderá realizar uma sessão de treinamento HIIT. No entanto, se seu objetivo é o emagrecimento, torna-se necessário que você controle o treinamento dentro de uma zona adequada para o HIIT.

Uma das maneiras mais fáceis e utilizadas para encontrar a zona de treino adequada para o HIIT, é por meio da escala de percepção subjetiva de esforço, elaborada por Gunnar Borg. Essa escala (figura 1) serve como um excelente indicador de intensidade do esforço durante a realização do treino HIIT, e pode ser utilizada tanto por pessoas experientes como por iniciantes.


Levando para a prática, imagine que os estímulos de alta intensidade (conhecidos como tiros) devam ser realizados entre os números 13 e 20 (ligeiramente cansativo e exaustivo), e o período de recuperação entre 7 e 11 (muito fácil e relativamente fácil). A partir do momento que você conseguir ter uma boa percepção sobre a intensidade que você está treinando referente a tabela de Borg, com certeza você está preparado para iniciar seu treino de HIIT. 

“A palavra do especialista”

O professor Raphael Perrier, mestre em Educação Física pela UPE/UFPB e que ministra cursos sobre o assunto, sugeriu um treino para iniciantes, de fácil aplicação e muito motivante, a seguir: faça um aquecimento de aproximadamente cinco minutos (caminhando, realizando mini saltos, sacudindo seu corpo), em seguida faça 4 ciclos de 30 segundos na intensidade correspondente ao número 16 e na sequência recupere por quatro minutos no número 6.

Na primeira semana de treino realize duas sessões semanais e a partir da segunda aumente um dia de treino na semana, até chegar na quarta semana com quatro sessões semanais realizadas em dias alternados (um dia sim outro não). Você verá que após quatro semanas de treino o seu corpo já terá mudado bastante e você estará muito mais disposto.


Agora que você já sabe como e onde iniciar, só falta dar início à sua sessão de treino e atingir seus objetivos, mas não esqueça que para praticar qualquer atividade física, consulte-se com um médico e procure a orientação de um profissional de Educação Física.

*Anderson Santos é personal trainer e atua em academias como R2 e Bodytech (Recife)

segunda-feira, 20 de junho de 2016

ESPORTE: A evolução das chuteiras, o calçado do chute

Em tempos de Olimpíadas falar de chuteira é falar de coisa séria. O desempenho em campo se dá dentre outros fatores pelo uso do calçado certo que possibilita ao atleta conforto e rendimento. E isso vale também para o atleta amador, o das peladas e fins de semana.

BOTE AQUI O SEU PEZINHO, OPA, PEZÃO!

Chuteira, todo mundo já deve saber é o calçado usado pelos atletas do futebol, sejam jogadores, árbitros e goleiro. Ao longo dos anos o calçado, assim como o próprio esporte foi evoluindo, mas o que permanece, independendo dos modelos desenvolvidos ao longo das décadas é o fato da chuteira possuir travas na sola, que impedem que o jogador escorregue no gramado e se machuque. E isso vem a ser fundamental nos jogos sob chuva!


Mas até mesmo as travas tão características das chuteiras não surgiram na primeira versão do calçado. As primeiras chuteiras tiveram como base de formato as botas, daí terem solado liso e levar muito jogador a nocaute! Sem os jogadores conseguirem parar em pé, em 1891 veio a ideia das travas, mas tudo dentro de regras e especificações para que nenhum jogador ou time levasse vantagem em relação ao outro.

As travas deveriam ser de couro, e com no máximo 1,27cm; outra característica dessas chuteiras, era a parte onde encaixaria o dedão do pé, que tinha um reforço, já que os lances mais comuns eram as bicudas. O que continua evoluindo é a ideia e necessidade de conforto como fator primordial juntamente com desempenho e segurança. Assim como a própria bola já foi pesada feito chumbo a chuteira já chegou a atrapalhar mais do que ajudar. No século XIX por exemplo, o calçado pesava 1kg, aí complicava, concorda?

Como a dificuldade de se chutar e finalizar com um calçado pesado era observada por atletas e indústria esportiva a chuteira foi ficando mais leve graças aos irmãos Dassler que em 1925 realizaram modificações no calçado; os canos baixaram, as travas podiam ser trocadas de acordo com o terreno e o peso caía para 500g. E com isso mais confortável, daí para melhorar o empenho em campo foi um pulo! Ou melhor, um chute!

MAS DE ONDE SURGIU A IDEIA DE UM SAPATO ESPECÍFICO PRA SE JOGAR BOLA?


Segundo dados históricos, o primeiro calçado especial para jogar futebol foi criado a pedido da realeza, no século XVI. Era uma bota de couro duro que protegia o pé. A partir de 1880, os sapatos passaram a ser fabricados com travas, para aumentar a resistência nos terrenos de barro. Devido a uma briga, dois irmãos alemães, os Dassler citados anteriormente, do ramo de calçados, fundaram na mesma época empresas concorrentes, Puma e Adidas. A última criou, em 1953, as versões mais modernas que estrearam na Copa do Mundo de 1954.

O futebol foi ficando cada vez mais popular e assim também os seus jogadores. A indústria esportiva atenta a isso começou a associar suas marcas aos jogadores mais famosos na década de 80 e a partir de 90, para imprimir mais personalidade as marcas e calçados começam a surgir diferentes formatos e cores (antes o padrão era preto).

E assim as chuteiras passam a fazer diferença em campo também pelo estilo. Confira sua evolução abaixo:



sexta-feira, 17 de junho de 2016

CAPA: Beto Gatti, um top fotógrafo cheio de estilo e talento


Com pinta de galã e jeito despachado do típico carioca, o fotógrafo Beto Gatti foi criando oportunidade e conquistando espaço com sua arte. Morou um tempo fora, fez trabalhos incríveis para revistas de moda como Elle e Vogue, já teve sua própria grife e hoje em dia coleciona elogios por conta de suas fotos criativas e “desconstruída”, como ele próprio define seu estilo. Quem vê Beto à primeira vista pode confundi-lo com algum de seus amigos famosos e um de seus modelos de editoriais de moda. Com um estilo muito próprio que vai do despojado ao mais clássico, mas nunca sem perder a pose. Jeans, acessórios e um bom blazer não faltam em seu guarda-roupa. Das redes sociais às capas de revista, o trabalho de Beto não passa despercebido. Assim como sua mais recente exposição “Cru”.

Como a fotografia entrou na sua vida? Quando você despertou para ela? Ela entrou por acaso. Caiu de paraquedas! Eu tive uma marca de roupas durante 7 anos. Antes de falirmos, já estando mal financeiramente, fui atrás de recursos próprios para salvar a marca. Como não tínhamos dinheiro para pagar fotógrafo de modas, fui estudar, comprei uma câmera usada e acabei me apaixonando, descobrindo minha verdadeira vocação. Sou criativo, inquieto e passei a ter uma nova maneira de perceber as coisas. Desde que a fotografia atravessou meu olhar encontrei uma nova forma de ver, sentir e perceber.

Quem foi sua inspiração e quem você admira até hoje? Por que? Foram várias. Uma delas foi observar como o fotógrafo da Treelip (antiga marca) levava a vida, um lifestyle culto e independente. Oliviero Toscani, Pedro Almodóvar, Edith Piaf, Frida Kahlo e o fotógrafo Jean Paul Goude. Pela autenticidade no trabalho; espírito revolucionário e extremamente criativos.

O que você curte fotografar mais? O que te faz sentir-se realizado na fotografia? A arte provocativa. O lifestyle. Atingir meu objetivo. E saber que as pessoas foram provocadas pelo meu trabalho.

Por falar em moda, você é um cara cheio de estilo e com pinta de modelo. Já esteve na frente das câmeras posando de modelo? Sim. Há muito tempo atrás.

Como manter a forma e a alimentação? Pratico esportes: skate, surf, basquete e frequento academia. Tento diminuir carboidratos.

Durante um bom tempo você viveu a ponte-aérea Rio-Los Angeles por conta de trabalho (e lazer também não é?)? Como é o trabalho por lá? Como os profissionais tratam a fotografia de moda? Alguma diferença daqui no Brasil? Sim. As marcas americanas e europeias entendem que o conceito vem antes da venda do produto. Em Los Angeles eu tinha total liberdade de criar as fotos que se transformavam em arte sem precisar me restringir ao produto. No Brasil as marcas ainda pensam que o produto vem na frente.


Com a popularidade das câmeras digitais e celulares com câmeras mais potentes todo mundo se sente um pouco fotógrafo. Isso atrapalhou ou atrapalha para fotógrafos profissionais? Sente alguma diferença? Acredito fielmente que todos nós somos fotógrafos. Não existe fotografia certa ou errada. No caso da fotografia de moda existe a construção de uma estória, conceito. Inúmeras coisas que uma câmera de última geração, por melhor que seja, não vai fazer sozinha. Mas fico contente que a fotografia, cada vez mais, está acessível. Por um lado, ela não fica tão valiosa, quanto era antes e quando era para poucos. E por outro lado, cada vez mais vemos fotos incríveis. É muito legal ver pessoas de profissões ditas tradicionais, como médicos, advogados, fazendo boas imagens.

Você convive muito com artistas e muitos dos seus amigos (e até namoradas) são gente que está na mídia. Isso já ajudou ou atrapalhou de alguma forma? Ajudou. As pessoas que se tornaram minhas amigas, tanto artistas, quando desconhecidas, tornaram-se amigas por afinidades, sintonias, gostos em comum. E como em todas as amizades, o auxílio é mútuo.

Viver nesse mundo badalado de moda, fotografia e festas cria uma facilidade na hora da paquera. O que uma mulher precisa ter para chamar sua atenção? E quando o assédio foi chato e atrapalhou? Uma sofisticada simplicidade instigante. Não passei por essa situação.

Sua mais recente exposição, “Cru”, traz fotos de mulheres nuas e o lançamento foi bem badalado. Ficou satisfeito com o resultado final? O que você queria trazer com essa ideia de “Cru”? Super satisfeito. Estamos analisando convites para expor em Portugal. ”Cru” é básico, é nu, é simples. A ideia era uma câmera, uma modelo e um cenário infinito. Através de luz e de contrastes, são reveladas as expressões da mulher se formando no fundo branco, provocando e convidando o expectador a se aproximar.

E como foi fotografar Cristiano Ronaldo? Como surgiu o convite e como foi na hora do click? Você era fã do craque? Foi um marco na minha carreira. Foi indicação de um amigo para quem eu já havia trabalhado antes. Confesso que me tornei fã uma noite antes de fotografá-lo. Como sempre estudo as pessoas antes de fotografá-las, assisti a um documentário da vida do Cristiano e descobri um ser humano incrível.

Até quando a manipulação fotográfica é saudável? A manipulação deve ser para corrigir imperfeições e não para mudar identidade do fotografado.


O que é essencial para um fotógrafo e o qual sua principal característica na fotografia? Estudar referências. A desconstrução.

Que lugar do mundo você sonha em fotografar? Na verdade não tenho um lugar de sonho. Mas gostaria de trabalhar mais as questões sociais, raciais. Cada cultura se considera justa, mas a realidade não é essa. Minha pretensão não é mostrar certo ou errado (quem sou eu?), mas levar o público a refletir, questionar, provocar!

Que dica daria para quem está iniciando na fotografia e para um leigo que fotografa com o celular?  Tenha como lema de vida: “você consegue!”


Foto Sofie Mentens
Make & Hair Rafael Nsar
Modelo Viviane Soares (40 Graus Models)
Produção Estudio Gatti
Retoucher Celso Fontinele e Ananda Radha (Estudio Insonia)