segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Crônicas e Indagações Femininas: "Entre a pílula azul e a pílula vermelha"

Sabe aquela cena de Matrix quando é oferecida a Neo a pílula vermelha ou a azul? A primeira dá acesso à realidade nua e crua de Zion onde todos lutam pela sobrevivência e comem uma ração de proteínas que nos faz enjoar só de ver; a outra possibilita o mundo na Matrix tal qual pensamos que conhecemos, mas é apenas uma ilusão, uma projeção de uma realidade há muito perdida. Bem, quem assistiu ao filme clássico sabe do que estou falando e sabe também que Neo escolheu deixar a Matrix.

Pessoalmente eu prefiro a Matrix com todos os seus apelos sensoriais, a degustação de um bom vinho ou um super junk food que libera todas as minhas seretoninas juntas (ou eu penso que...). Deixem eu viver na “ilusão” do quanto é bom sentir as águas quentes do Tahiti ou a neve de Nova Iorque caindo no ano novo. Enfim, não tenho vocação para ser o que sai da caverna e vai gritar para todos que há um mundo lá fora e blá bla bla bla. Platão já contou essa história e a gente já sabe como termina!

É assim que eu penso, mas ultimamente uma ideia tem me ocorrido. Definitivamente, nos relacionamentos, essa coisa de viver na ilusão realmente não faz sentido. O tempo inteiro (especialmente as mulheres, sorry!) construímos relacionamentos baseados em fantasias, aquilo que nos gostaríamos que fosse. Vimos o que não existe no outro, projetamos nossos próprios sonhos, deixamos de perceber os defeitos e atenuamos muitas ações indesejadas apenas para não destruir uma ideia. Ai já viu, vivemos uma ilusão, mas uma hora a realidade emerge e não saberemos como lidar com ela. Cobramos o que não devemos, sofremos com o óbvio que não quisemos ver, choramos com os sonhos perdidos.

Por isso que o melhor, pelo menos nos relacionamentos, é enxergar as coisas como elas são e entender de uma vez por todas que nem tudo é perfeito mesmo. E isso vale para homens e mulheres! Há sempre coisas boas e ruins, qualidades e defeitos convivendo lado a lado. Só precisamos saber o que nos faz bem e eleger algumas prioridades. Lidar com o real desde o começo faz a gente perceber que a vida não é um conto de fadas (pena!), mas constrói qualquer relacionamento com uma base bem mais sólida e duradoura.  Nesses casos, eu escolho a pílula vermelha.

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