quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

BEBIDA: VADIO, O VINHO PORTUGUÊS DA BAIRRADA E SEU ESTILO CLÁSSICO

Entre todas as regiões vitiviníferas portuguesas a Bairrada talvez esteja entre as menos reconhecidas – frente a outras cujos vinhos se popularizaram, como os do Douro e do Alentejo. É lá na DOC Bairrada, na aldeia da Poutena, que o jovem enólogo português Luiz Patrão apostou numa casta tradicional e também pouco conhecida do brasileiro, a Baga, e hoje produz nas terras da família um dos vinhos portugueses mais interessantes dos últimos tempos: o Vadio. Este ilustre desconhecido é feito a partir de um estilo clássico, respeitando a autenticidade da região e o caráter das castas. 

Como o Vadio tem origem num vinhedo muito antigo – com cerca de 80 anos – produz apenas 1.800 garrafas. Além de simpático, o nome que surgiu por acaso, segundo Patrão, traz alguns traços determinantes do vinho: “liberdade, aventura, vontade de arriscar e de explorar, condimentado ainda com alguma dose de imaturidade e irreverência. É este o espírito dos meus vinhos e do trabalho que desenvolvo na Bairrada, e o nome Vadio encaixa na perfeição”, define.

Na verdade, o projeto nascido a princípio de um único rótulo, ganhou corpo e hoje virou uma pequena família. Além do tinto mais básico, temos o Grande Vadio Tinto – produzido apenas em safras excepcionais, o Vadio branco e o Espumante Vadio Champenoise.  Cem por cento Baga, o Vadio tinto é elegante e tem grande complexidade aromática, expressando bem o potencial da casta. O Vadio Branco, com excelente acidez para acompanhar gastronomia, é elaborado com Cercial (fermentado em inox) e Bical (fermentado em barrica usada). Já o agradável Espumante é feito a partir de método tradicional com as castas Bical, Cercial e Baga (está em menor porcentagem).


Enólogo desde 2004 da Herdade do Esporão, uma das maiores de Portugal, Patrão faz parte do movimento Young Winemakers, formado por seis jovens enólogos que trabalham com vinhos autorais em Portugal.  “O projeto começou porque desde o início tive vontade de fazer um vinho na minha região Natal. Depois porque enquanto estudava, ouvia constantemente opiniões depreciativas relativamente à Baga, que é uva típica da região da Bairrada e encarei como um desafio”, explicou.

“Querer ter o seu próprio vinho acho que está no sangue de qualquer enólogo. O Esporão apoiou desde o início. Além disso havia um grande suporte familiar, que é o meu Pai. As nossas vinhas são o jardim dele. Eu limito-me a tentar não estragar as uvas que ele me dá”, brinca o jovem produtor.




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