segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Crônicas e Indagações Femininas: "Sobre contos de fadas (e fados)"


É sério: os sutiãs nas fogueiras e a pílula já aconteceram há mais de 40 anos. Passou. É história, passado. Ponto. Vírgulas...

A primeira delas é a nossa própria criação entre barbies e kens, brincando de casamento e de família feliz! E mais recentemente temos as princesas com seus vestidos brilhosos, coroas, sapos e príncipes. Idealizamos, nos frustramos e idealizamos de novo. A necessidade do mundo de conto de fadas parece não sair das mulheres mesmo depois de muitos sutiãs queimados e um já adiantado século XXI.

Somos executivas, independentes, amantes, faceiras, sérias, modernas, mas no fim, lá dentro mesmo, onde poucas têm coragem de ir, ainda habita o sonho idílico de família, casamento, filhos e a mesa de café da manha de comercial de margarina. E, com tantas conquistas, hoje é até “feio” a mulher gritar para o mundo que esse é o seu sonho mesmo e daí?

E em todas essas transformações no mundo me pergunto qual é o grande sonho dos homens. Eles também estão redefinindo seus papeis, mas aposto que eles, lá dentro, (não?) desejam sustentar uma casa sozinhos, trabalhar, chegar em casa e encontrar o jantar pronto quentinho. Ou será que ganhariam menos que suas companheiras sem maiores problemas? Por onde, então, passam suas aspirações masculinas mais íntimas, suas ambições impronunciáveis na sociedade atual? Qual será o conto de fadas desse homem moderno?

Realmente não faço ideia, cada vez que tentei entender me surpreendi mais! Sei que tanto mulheres quanto homens ainda estão se ajustando e buscando encontrar seus limites. O mundo mudou, é verdade, tudo muito bonito, mas aquele passado não é tão longe nem tão sólido assim. Tanto que no primeiro discurso oficial como presidente eleita em outubro de 2010, Dilma Roussef disse que mães e pais podem olhar para suas filhas e dizer “sim, você pode”. Isso mostra que ainda existem muitas vírgulas nessa história de princesas e príncipes, que está apenas começando.

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