sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

MENSCH ENTREVISTA: Christiano Cochrane


Apresentador, ator, produtor e esportista por adrenalina, Christiano Cochrane é um cara que personifica a título de ser um homem contemporâneo. Contemporâneo e inquieto, com garra pra fazer sempre mais e melhor. Seja como marido parceiro de todas as horas da atriz Daniele Valente, seja como precursor de um programa voltado para o público masculino. Chris, como é chamado, é um homem moderno que traz consigo valores tradicionais, como o da família.  E por falar em família, fora tudo isso, um outro desafio sempre o cercou, ser filho da famosa jornalista e apresentadora Marília Gabriela, que o faz ter que se superar sempre e mostrar que tem luz própria. É isso que confirmamos nessa entrevista muito franca e gostosa de ler.
 
Você se formou em administração enquanto morava nos EUA, e foi trabalhar na TV como produtor, apresentador e ator. O seu negócio é TV e não tem quem mude isso? O meu negócio é entretenimento e não tem ninguém que mude isso! Descobri que preciso fazer outras coisas (negócios, produções, etc) para ganhar dinheiro, mas se fosse herdeiro ou tivesse acertado na loteria, nem pensaria em outra coisa.

Como foi a experiência de apresentar um programa voltado para o público masculino? Como foi a aceitação? Foi incrível!! O “Contemporâneo” foi – e ainda é – o único programa do gênero no Brasil. Pintaram outras tentativas, mas ninguém acertou a fórmula como nós fizemos.  Era um barato, porque o programa era para homens, mas as mulheres de todas as idades também curtiam. A aceitação foi incrível! Até hoje as pessoas vêem me perguntar “Quanto volta ao ar o seu programa”? Fazem isso TODOS os dias, sem exagero. Já faz quase quatro anos que o “Contemporâneo” acabou e as pessoas tratam como se tivesse prestes a estrear nova temporada.

Durante o programa, muitas vezes você se colocou como espectador, como homem consumidor? O que o Contemporâneo teve a ver com você?
Tudo. Ali tinha um pouco de tudo para todos os homens. Qual de nós não consome produtos, cultura, saúde?  Muitas reportagens tentavam enquadrar o “Contemporâneo” como programa para metrossexuais. Bobagem! Era um programa feito para todos os homens: o machão, o sensível, o estudioso, o tarado, o metrossexual, o heterossexual, o homossexual. Era um programa legitimamente democrático e cumpria bem sua função.

Ao longo desse tempo de programa o que deu pra você perceber em relação aos homens e às mulheres, quais os principais medos e anseios de cada um? Acho que o grande medo das pessoas é a solidão.  A gente pode esmiuçar muito e dizer que as mulheres são curiosas por natureza, os homens estão se descobrindo neste milênio tão feminino, mas a verdade é que se a gente analisar bem a fundo, o nosso grande medo é a solidão – não somente se tratando de relacionamentos, mas no sentido mais amplo da palavra.

Voltaria a fazer um programa naqueles moldes? A fórmula seria atual ainda ou o público mudou um pouco hoje? Claro que voltaria! A fórmula é super atual, porque já era muito vanguardista quando estreou. Ouso dizer que faria sucesso na TV aberta.

Que experiências você levou do tempo de produtor do “Domingão do Faustão” para o “Contemporâneo”? Produção é um trabalho duro, que exige mais que competência, exige tesão do produtor. Conheço gente como eu, que produzia como porta de entrada para a TV, mas os melhores produtores com os quais trabalhei, eram gente que curtia produzir!  Produtor que não quer ficar frente às câmeras, que é produtor de carreira. Agora, acho que se todos os apresentadores trabalhassem pelo menos um ano como produtores, teríamos muito menos “estrelas” e apresentadores muito mais eficientes por aí...  Como produtor você aprende como a TV realmente funciona. No “Contemporâneo” eu sabia  quais eram as limitações e as capacidades dos produtores, então nunca pedia mais/mais rápido do que eram capazes, mas também não me contentava com menos/mais devagar do sabia ser possível.


[vídeo de um dos programas apresentado por Christiano, no caso esse traz uma entrevista com Sabrina Sato e uma matéria sobre ternos]

Para você o que mudou no papel do homem e da mulher na sociedade hoje em dia em relação a 20, 30 anos atrás? Ao passo que a mulher tem passado as ultimas três décadas conquistando o que lhe era de direito, o homem tem passado as últimas décadas percebendo que seu papel mudou e agora está perdido tentando descobrir qual o seu papel. Estamos menos necessários para as mulheres de acordo com os moldes antigos, mas a nova mulher, que trabalha muito, ganha muito, ocupa cargos antes do homem, agora tem a necessidade de parceiros mais disponíveis, mais presentes do que nunca.  Isso para nossa engenharia genética/evolutiva é muito difícil, é um trabalho em andamento, porque nos somos mais dispersos, impetuosos.

Quando Christiano é um homem machista e quando é um homem sensível? Sou sensível a maior parte do tempo, mesmo no meu (às vezes) jeito truculento de agir. Me sinto meio machista vez ou outra quando vejo uma mulher pilotando um carro muito bem, ou fazendo um esporte tipicamente masculino muito bem. Acho graça de mim mesmo quando isso acontece – e se eu não perceber, a Dani me sacaneia na hora! Com a chegada da minha filhinha, acho que isso vai acabar de vez, pois quero que ela faça tudo que eu faço: correr de moto, velejar de kite, lutar Jiu-Jitsu, etc. Lá vem minha filhota para me ensinar muita coisa.

Ser filho de Marília Gabriela abre mais portas ou atrai mais cobranças? Abre a mesma quantidade que fecha. Por ter crescido literalmente dentro de estúdios de televisão, conheço muita gente. Minha mãe tem muitos amigos e as pessoas sempre me recebem, mas ninguém quer botar o seu na reta e arriscar ser acusado de favoritismo. Sempre que começo QUALQUER trabalho metade das pessoas ficam de bico, começam fofoquinha (eu sempre fico sabendo). Tenho que fazer tudo duplamente bem para as pessoas entenderem que não estou ali de favor. Minha mãe NUNCA conseguiu um emprego pra mim – e olha que ela tentou... Já levei muito mais não do que sim, mas isso só faz as conquistas ficaram tanto mais saborosas.
 

As pessoas tendem a achar que apresentar um programa de viagens é o trabalho perfeito, pois se conhece vários lugares. É verdade? Foi assim quando você apresentou o “Brasil é Aqui” no GNT?Trabalho mais duro que já tive! Partíamos para viagens de vinte dias, onde gravávamos das 5/6 da manhã até as 9/10 da noite, subindo e descendo montanhas, fazendo a mesma trilha N vezes, debaixo de um calor insuportável, etc.  Daí comíamos (muitas vezes mal), dormíamos (muitas vezes mal) e dia seguinte tudo de novo.  TV a cabo tem um budget SUPER restrito, então a gente tinha que tirar leite de pedra. No vídeo tudo fica lindo e parece divertido, esse é nosso trabalho e essa seria a experiência de um viajante a lazer, mas pra fazer aquilo ficar legal no vídeo, é duuuuro!
Você já saltou de pára-quedas, praticou rapel, kitesurf... adrenalina te motiva? Não. O pára-quedismo eu curtia depois daqueles segundos iniciais de frio na barriga, quando parece que a gente está voando de verdade.  O kite, por incrível que pareça, é muito relaxante, não traz muita adrenalina. É mais uma coisa de estar sozinho com o mar, você, a prancha e a pipa. A única coisa que traz adrenalina e eu gosto é a moto velocidade. A adrenalina precisa ficar sob controle, pois chego ao final das retas a 300 km/h, então tem que ter controle absoluto dos braços, pernas e nervos! Mas é muito divertido quando estamos num pega por uma posição.
Estar à frente de um programa de TV te deixa mais vaidoso? Como você lida com a vaidade? Não. Fiquei muito menos vaidoso depois do “Contemporâneo”.  Acho que minha auto estima melhorou,  então passei a me preocupar menos com o que visto, com a aparência.  Minha mulher me vê pronto pra sair de casa quase sempre com uma de duas bermudas BEM velhas que uso, uma das minhas camisetas brancas Hering (que ela tem que jogar fora de vez em quando, senão vou usando com o sovaco amarelo mesmo) e meus chinelos e diz “esse é o homem Contemporâneo”?! (risos)
O segredo de um bom relacionamento é sempre a cumplicidade, ser casado com Daniela Valente, que também é do meio televisão, proporciona isso com mais intensidade? O meio em comum facilita o entendimento do que a gente faz, então não pinta grilo com agenda esquisita, etc. Mas meu negócio com a Dani é muito mais profundo que isso. Se eu passar a trabalhar num escritório das 9 às 5 amanhã, ou se ela resolver que quer fazer faculdade de psicologia, nossa cumplicidade não mudará nem um pouco. Afinal, cumplicidade não é isso, é ser parceiro independente das circunstâncias?

Você está no segundo casamento... que lições você traz de positivo da primeira experiência? Que não podemos mudar as pessoas.  Minha ex era muito diferente de mim, de outra cultura, outro país (não que isso não dê certo pra muita gente) e queria muito que eu fosse outra pessoa, acho que eu também queria isso dela.  Tem que gostar do outro como ele é.  A gente evolui, mas não muda completamente. Com a Dani já expus toda a minha vida de cara, pra não ter surpresas. Nós não temos segredo algum e isso nos fortaleceu muito. Sabemos que gostamos um do outro como somos.
E ser um futuro papai, já te afeta de alguma forma? Tem se preparado para esse novo papel? Putz, estou completamente bobo! Quero comprar tudo que é cor-de-rosa por aí! A Dani até diz “menina pode usar outras cores, tá”! rs rs rs  Não tive irmã, então é tudo novo pra mim. Comprei vários livros e tenho estudado muito. Vamos fazer aquele curso para pais e estamos nos divertido escolhendo as coisas pro quartinho dela. Quero tentar não ser paranóico, mas tá difícil...  Fiquei um mês estudando os carrinhos e cadeirinhas antes de comprar e agora vamos trocar de carro para ter Isofix (que prende a cadeirinha melhor)...  Acho que faz parte de ser pai de primeira viagem. Parece que no segundo filho a gente alivia...



Por falar em papel, você já atuou em duas novelas e três filmes. Como foi a experiência de atuar? Se descobriu ator de vez? Nas novelas fiz participações pequenas, mas filmes já fiz quatro, dois deles com papéis principais. Sou apresentador por experiência, mas sou ator formado; estudei três anos profissionalizantes, mais vários cursos livres.  A curva de aprendizado de um ator é muito mais longa.  Um bom ator nunca deixa de aprender, evoluir. É um prazer bem diferente da apresentação. O prazer de fazer um filme é menos imediato que fazer um programa de TV. Às vezes é um prazer agridoce também. Você passa semanas, ou meses, se preparando e quando faz se diverte.  Daí quando vê aquilo na tela muito tempo se passou e aquela cena que você gostou de fazer, fica envergonhado de assistir, ao passo que coisas que nem tinha notado, ficam muito legais.  Não é à toa que atores são tão inseguros. Estamos sempre sob alguma lente analítica – nossa ou dos outros...
O que Christiano quer desse novo ano? Quero muito ver nosso país melhorar.  Gostaria que a Valentina conhecesse um mundo mais bonito, com menos briga, mais gente generosa. Acho até que existe um movimento universal neste sentido e gostaria de vê-lo cada vez mais forte.  Quero ser um bom pai e continuar melhorando como companheiro pra Dani, que só me traz alegria, evolução e amor. 


Capa:
Foto: Rodrigo Lopes
Tratamento de Imagem: Jorge Souza
Agradecimento: Bia Serra - Montenegro & Raman
Entrevista: André Porto e Nadezhda Bezerra
Revisão: Dulce Porto

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O Universo Masculino segundo: Daniele Valente


Uma "querida", talvez essa palavra resuma tudo que a atriz Daniele Valente é para quem tem o prazer de conhece-la ao vivo, seja por questões de trabalho ou não. Sempre sorridente, foi assim que Dani, para os mais íntimos (e nós da MENSCH já nos sentimos íntimos. rs), fez sua estréia na TV em "Confissões de Adolescentes" e de lá pra cá não parou mais, pelo contrário, só nos deu mais motivos para rir e ficar babando pelos seus personagens leves, alto-astral e sempre divertidos. Dani já passou pelos principais humorísticos da Globo, como "Escolinha do Professor Raimundo", "Zorra Total" e "Os Normais", e sempre ganhando mais fãs e chamando atenção. Tanto que chamou atenção do seu atual marido, o ator e apresentador, Christiano Cochrane, e em breve irá encarar seu mais novo papel, o de mãe. E foi com essa descontração e bom humor que a bela Daniele Valente nos recebeu para responder a essas oito perguntinhas. A Dani o nosso muito obrigado, a vocês, boa leitura. Essa garota é uma querida!

01 – O que torna um homem sexy aos olhos das mulheres? Que dicas você daria ao leitor de MENSCH? 
Um homem inteligente sabe o que falar e como tratar uma mulher. A dica que dou para os homens? Não esqueçam o cavalheirismo! Meu marido abre a porta do carro pra mim sempre, até quando vamos ao supermercado com pressa!

02 – O que o seu marido, o Christiano Crochane, fez pra te conquistar? Você recomendaria para outros homens interessados em conquistar uma mulher?
Ele teve atitude. Nos conhecemos numa festa e quando ia embora ele falou: Fica! Vai embora não! Ele falou com tanta segurança que resolvi ficar pra ver que sujeito era aquele. (risos) Mulher ama homem que tem atitude!

03 – Mulher bonita, inteligente, independente e bem resolvida assusta ou atrai os homens?
Assusta! Por isso uma das dicas que dou no twitter para arranjar namorado é NUNCA mostrar que você é mais inteligente do que ele! Modéstia é fundamental!

04 – Você daria em cima de um cara que estivesse interessada ou ficaria esperando ele tomar a iniciativa?
Eu nunca dei em cima de ninguém, mas já facilitei o acesso! O homem precisa tomar a iniciativa e a mulher tem só que dar a chance dele mostrar ATITUDE!

05 – O mundo mudou mesmo ou no fundo as mulheres continuam buscando o príncipe encantado pelo qual largariam carreira e sucesso?
Nunca largaria a carreira por ninguém. Não seria saudável para  a relação. E já imaginou uma mulher o dia inteirinho dentro de casa? Não vai ter jeito, uma hora ela vai começar a encher o saco do marido! Os homens tem mais é que torcer para a mulher trabalhar fora, principalmente nos dias da TPM. Deixa ela descontar no chefe!

06 - Daniele, que características são mais importantes num homem (pela ordem de importância): o humor, a inteligência, a pegada ou o tipo físico?
A inteligência, a pegada, o humor e o tipo físico. Nessa ordem.

07 - Como entender uma mulher quando ela diz um "sim" que quer dizer um "não" ou um "não" que quer dizer um "sim"? Tem como o homem sacar a diferença? (risos)
Pelo tom de voz. A mulher é mais complexa por uma série de coisas, os homens são mais objetivos. O que o homem fala é exatamente aquilo. Quando o homem entende e aceita que a mulher é um ser diferente ele consegue perceber as nuances.

08 - O que os homens ainda não sabem (ou teimam em não saber) sobre as mulheres?
Não sabem ou não querem reconhecer que nós mulheres temos muitos hormônios que nos deixam loucas e que somos capazes de executar várias tarefas ao mesmo tempo. Que procuramos ser a melhor esposa, a melhor mãe, a melhor filha, a melhor profissional, a melhor amiga, dona de casa e ainda fazemos de tudo para sermos lindas, perfumadas e gostosas! Ficamos exaustas com tanta cobrança dos outros e principalmente de nós mesmas e tudo isso passa com um simples elogio, uma flor e um carinho.

Agradecimento:
Bia Serra - Montenegro e Raman

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

TECNOLOGIA: Voando com a Honda



Correria nos aeroportos, passageiros do eixo Rio-Tóquio reclamando de malas extraviadas, salas de embarques lotadas e você sonhando em ter o seu próprio jatinho particular.
De olho no crescente mercado mundial de jatos executivos compactos e em pessoas que sonham em não depender mais de companhias aéreas, a montadora japonesa Honda já está produzindo com força total o seu Honda Jet.  Trata-se de um modelo Very Light Jet (também chamado de VLJ), uma categoria de aviões a jato de pequeno porte que já começou a circular pelos céus desde o ano passado.
E com pouco tempo em ação a companhia só tem motivos para comemorar, pois sua primeira investida no mercado aéreo decolou com o Honda Jet já que a lista de pedidos só aumenta desde que o modelo foi lançado na NBAA (convenção de aviação executiva nos Estados Unidos).

O Jatinho

O Honda Jet comporta até dois tripulantes e seis milionários passageiros. As turbinas, também produzidas pela própria Honda, são projetadas na superfície superior da asa principal resultando no ganho de 30%  de espaço no interior da cabine excluindo a necessidade de instalações estruturais da turbina na fuselagem reduzindo o arrasto a altas velocidades e aumentando a eficiência da aeronave.

O modelo tem autonomia para trafegar por 3540 km (1180 nm), atinge altitude máxima de 43.000 pés e velocidade de cruzeiro de 420 nós. Além disso, o seu design e aerodinâmica avançada contribuem para redução do consumo de combustível, pois seu bico cria um fluxo laminar de ar, que em combinação com o motor, resulta em uma economia de até 40% em comparação com outros jatos do mesmo grupo.

Os japas não brincam mesmo em serviço, a fuselagem é feita em compósito de carbono e as asas são construídas com painéis inteiriços de alumínio deixando sua superfície mais lisa e mais eficiente. O HondaJet está equipado com duas turbinas a jacto (turbofan) GE Honda HF120 de elevada eficiência.

O painel de controle possui um layout inovador a base de vidro, o mais avançado painel de comando de vôo disponível, com modernas funcionalidades integradas em termos de instrumentos eletrônicos aéreos, apresentando telas com capacidade MFD, informação meteorológica por satélite, sinóptica por gráficos, áudio digital, e sistema de Visão Sintética opcional.
No seu interior, encontramos bancos confortáveis de couro e vários acessórios que tornam o percurso bem confortável. Como o foco é o público executivo, o interior poderá se transformar tranquilamente numa pequena sala de reunião ou lounge para tomar um whisky e bater um papo descontraído. Com este lançamento a Honda pretende causar uma turbulência no mercado, pois um dos fatores que explica o sucesso do seu Jet é o preço acessível, cerca de US$ 4 milhões, que por sinal, é uma pechincha comparado ao modelo Gulfstream G550, um dos mais vendidos e modernos do momento, que chega a custar quase US$ 60 milhões. Assim acredita-se que a Honda dará asas a um novo segmento: o avião comercial “popular”.
Testando
A Honda iniciou os testes no dia 20 de dezembro de 2010 e o seu primeiro vôo foi realizado no Aeroporto Internacional Piedmont Triad em Greensboro, Carolina do Norte, onde está situada a unidade sede da Honda Aircraft Company. A aeronave permaneceu no ar durante 51 minutos, onde foi possível analisar as características, desempenho e também verificações do sistema. Os diversos dados de teste colhidos durante o vôo foram transmitidos em tempo real à base operacional. Os primeiros modelos vendidos, só serão entregues em 2012, dois anos depois do previsto pela Honda.
"Este é um marco muito importante para o programa HondaJet. Esta aeronave foi construída e testada segundo os rigorosos processos de certificação da FAA, pelo que estamos muito contentes por termos alcançado com sucesso este primeiro vôo. A nossa equipa tem trabalhado de forma extremamente afincada para alcançar este objetivo fundamental para o programa HondaJet e estes resultados refletem a atenção e a determinação da Honda no desenvolvimento de uma aeronave topo de classe. A análise inicial dos dados de vôo deixa-nos muito encorajados, o que indica que o HondaJet cumpriu com o esperado. À medida que avançamos, continuaremos a centrar todos os nossos esforços e energias para fornecer aos nossos clientes o avião a jacto executivo mais avançado e mais leve jamais construído”.
(Michimasa Fujino, Presidente e CEO da Honda Aircraft Company)



Interessou-se em decolar nessa? Então comece a selecionar a sua tripulação, caprichando na aeromoça, claro, entre no site da Honda e veja como encomendar o seu Honda Jet. Boa viagem!

Texto: André Lima

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Crônicas e Indagações Femininas: "Meu buraco é mais em cima"


Já que esse é o tema dessa coluna clamo aos homens brasileiros que me tirem uma grande dúvida: qual o problema de chamar uma mulher para sair e demonstrar/dizer que está interessado nela? Isso se chama encontro ou date em inglês e nas séries americanas também. A história é assim: duas pessoas se curtiram, mesmo que rapidamente, marcam um encontro para saber se realmente é o que estão pensando, se interesse e desejo vão surgir. Ambos sabem que pode rolar, afinal date é isso mesmo. Pode ser que não aconteça se um não for o que se esperava, mas também pode ser que aconteça tudo.

“Não sou freira, nem sou puta”

Isso em tese, porque por essas bandas especialmente Nordeste você nunca sabe se é um date mesmo, nunca fica claro que está a fim e que pode acontecer algo. Às vezes, há uns cinco encontros e você não sabe qual é a do cara. E a mulher não pode dizer tão claramente porque pode ser tachada de muitas palavras impronunciáveis para essa revista tão polida. Os homens parecem não estar preparados para essa mulher decidida e forte e que muitas vezes não está procurando um casamento, mas apenas uma ou algumas noites de prazeres. Tão normal, tão instintivo. Tão humano.

“Sou rainha do meu tanque”

Ai o resultado é um “chove não molha”, uma indefinição, um joguinho chato que só faz perder tempo.  Já ouvi muitas histórias dessas: um cinema, dois cinemas, um jantar, outro cinema e nada. E não é por falta de interesse, porque se for isso não tem nem a segunda saída. Mas por pura falta de atitude. Falta de um olhar mais forte, de uma certeza arrebatadora, de um impulso, de uma ação direta e final. É simples: quero ou não quero.

Antes que todos os homens se pronunciem, sei que também há muitas mulheres que complicam, fazem doce e cozinham em banho maria. Mas aviso aos navegantes: nem todas são assim. Há muitas bem resolvidas, decididas e firmes nos seus propósitos. Então para essas, não precisa ter medo, basta ter atitude e decisão.

“Sou mais macho que muito homem”.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

TECNOLOGIA: Os celulares "Smart"


Hoje em dia fica difícil escolher um celular e dizer qual é o melhor e mais moderno. Afinal a tecnologia é algo que não para, e disso todo mundo já sabe. A cada dia mais e mais recursos estão sendo criados e jogados para o mercado com uma velocidade incontrolável. Você compra um celular com a maior tecnologia existente hoje e daqui dois ou três meses essa tecnologia já ficou ultrapassada. E com essa evolução novos termos vão surgindo ao ponto de necessitar um mínimo de conhecimento básico para entender o que aquele celular é capaz de fazer.

Muitas pessoas querem saber o que existe de mais avançado até o momento para poderem fazer sua escolha. Mas outro ponto importante é procurar um aparelho que melhor se adéqüe às necessidades de cada usuário. Não adianta investir num celular com mil recursos se não terá uso. Hoje em dia existe um tipo de celular para cada perfil de usuário. Fizemos uma seleção de seis aparelhos smartphone top de linha e os principais sistemas operacionais. Agora é só escolher o melhor para você.



ACER STEAM
A máquina perfeita para o entretenimento. Assim a Acer definiu o novo Acer Stream, smartphone de última geração apresentado ano passado no mercado internacional e dedicado às funções multimídias como filmes, música e navegação Web. Com 11.2 mm de espessura o Stream traz uma tela WVGA touchscreen capacitiva AMOLED com um contraste superior a 2.000:1 mais legível que as telas tradicionais e menos mesquinho em termos de requisitos energéticos. Em termos de conexão inclui HSDPA a 7.2 Mbps, Bluetooth e Wi-Fi enquanto o processador é o Qualcomm Snapdragon de 1GHz acompanhado de 512 MB de RAM. Como benefício, conta com a potência computacional Android 2.1, a última versão (excluindo a 2.2 que ainda não é comercializada) do sistema operativo da Google. A câmera fotográfica de 5 megapixel registra vídeos em alta definição a 720p e o GPS permite “geotagar” fotos e vídeos. Possui 2GB de memória interna, um cartão de 8GB incluída na embalagem (podendo chegar até a 32 G), Dolby Mobile e porta HDMI para conectar o Stream a uma TV ou monitor. Ainda sem preço para o mercado brasileiro e data de lançamento aqui.

NOKIA N8
Lançado no início de outubro para brigar com os aparelhos top de linha dos concorrentes, como o iPhone da Apple e o Xperia X10 da Sony, o Nokia N8 vem com muitos recursos para atrair os usuários fiéis à marca e aqueles que ainda estão na dúvida de que smartphone comprar. O que faz desse Nokia N8 tão desejado é que o aparelho vem com câmera de 12 megapixels, lente Carl Zeiss e flash Xenon, para ajudar o usuário a capturar imagens mesmo em ambientes com pouca luz. Os vídeos são gravados em alta definição e ainda é possível assistir tudo pela televisão ou em projetores compatíveis com a conexão HDMI. O serviço Ovi Mapas também está embarcado no smartphone e vem com licença gratuita para sempre. E o melhor, é possível usá-lo como GPS, com navegação orientada por voz em qualquer lugar do mundo, de carro ou a pé! Além disso, o Nokia N8 vem com Web TV com os principais canais nacionais e internacionais e também fácil acessos às principais redes sociais.
R$ 1.499*

SONY XPERIA X10
O mais novo integrante da família Sony – o X10, vem com artilharia pesada pra disputar o mercado com qualquer Nokia N97 ou iPhone 3GS. Pra começar, este é o primeiro aparelho da Sony Ericsson a trazer o sistema operacional do Google – Android OS (versão 1.6), que roda em um largo display TFT capacitivo, touchscreen de 4 polegadas, e com resolução de 854 x 480 pixels. Além disso, seu processador é um “modesto” Snapdragon de 1 GHz, acompanhado de 256 MB de memória RAM, 1GB de memória interna (com expansão via cartão microSD), e uma câmera integrada de 8 megapixels repleta de recursos, como: Touch focus, estabilizador de imagens, geo-tagging, reconhecimento de rostos e detector de sorrisos.
Se isso não for o suficiente, ele ainda conta com alguns recursos, como GPS, câmera secundária, Bluetooth com A2DP, Wi-Fi, tecnologia 3G HSDPA 10.2 Mbps e acelerômetro, que pode ser usado para dar interatividade em jogos 3D. Pode se dizer que é um smartphone fenomenal.
R$ 999,00*
BLACKBERRY STORM
O BlackBerry é um dos smartphones mais conhecidos do mundo. É comum encontrar algum executivo andando com os aparelhos com o tecladinho físicos por aí. Ou celebridades. Pois bem, com o Storm, a RIM, empresa que produz o aparelho, resolveu deixar de lado o famoso teclado e ir mais para o lado iPhone de ser. Afinal, trata-se do primeiro BlackBerry a abrir mão do teclado QWERTY físico, um dos grandes trunfos da marca. Ou seja: touchscreen. O BlackBerry Storm tem câmera de 3.2 MP, Wi-Fi, lê arquivos de Word, Excel e PowerPoint, tem MSN, grava vídeos, tem Bluetooth… Ou seja, em especificações, ele é melhor que o iPhone. A diferença fica na parte dos aplicativos. Uma coisa é fato: ninguém vai conseguir chegar aos pés da Apple Store. Mas mesmo assim, a RIM anunciou essa semana a criação de uma loja de aplicativos gratuítuos para o BlackBerry aqui no Brasil. Se dar certo não se sabe ainda. A principal diferença entre o BlackBerry e o iPhone é que o iPhone é voltado para mídia. BlackBerry para os que são corporativos.
R$ 2.200*


LG KM900 ARENA
Para se diferenciar do número crescente de dispositivos que parecem com o iPhone, o fabricante koreano LG mostrou no Congresso Mundial Mobile o seu novo celular com uma interface de utilização 3D, dotado de tecnologias diferenciadoras na visualização de informação. Claramente voltado para o mercado multimédia, o LG KM 900 Arena posiciona-se de forma para beneficiar o público que aprecia a alta fidelidade, quer música, quer videos, permitindo uma utilização fácil e prática de todos os conteúdos que se disponibiliza hoje em dia num celular. Desde fotos, vídeos, mensagens e música, tudo é acessível de uma forma eficiente e simples.  A utilização é baseada numa interface 3D que possui a aproximação de um cubo que o utilizador pode rodar de forma a obter uma visualização diferente em função do contexto das diversas aplicações. Em termos de conectividade, vem equipado com um modem rápido HSDPA de 7.2Mbps, Wi-Fi e também GPS. Além da adoção de sistemas de GPS.
R$ 699,00*

iPHONE 4
O iPhone 4 possui um novo design 20% mais fino do que o do 3GS, duas câmeras, giroscópio, bateria com longa duração, suporte para gravação de vídeos em alta definição e muito mais.  É a quarta geração do iPhone, e sucessor do iPhone 3GS.  O iPhone 4 executa o sistema operacional iOS da Apple, o mesmo sistema operacional usado nos iPhones anteriores, no iPad, e no iPod Touch.  A diferença mais notável entre o iPhone 4 e seus modelos anteriores é o novo design, que incorpora um aço inoxidável que funciona como antena do aparelho. Ele usa o processador Apple A4 e tem 512 MB de eDRAM, o dobro do seu antecessor e quatro vezes maior do que o iPhone original. Sua tela de 3.5 polegadas (89 mm) com LED backlit de cristal líquido com resolução de 960 por 640.
De R$ 399 a R$ 1.799*



*os valores podem variar entre planos e operadoras, assim como lojas que comercializam aparelhos.

Fonte:
- Revista Info Exame
- Revista Playboy
- Gizmodo.com

domingo, 23 de janeiro de 2011

ESTILO: James Dean, um ícone diferente.


A capital das exposições, Berlim, embarca numa viagem através do tempo para o século 20 no museu "The Kennedys". Ao lado do ícone político John F. Kennedy, a história de outro ícone da cultura pop, será colocado em foco, um ícone que nunca foi um ser associado com o mundo da moda em primeiro instante: James Dean.


A partir do dia 19 de janeiro de 2011, foi aberta uma exposição especial sobre o fenômeno James Dean colocada em exposição nas instalações da arquitetura do atraente museu. O museu "The Kennedys" oferece aos seus visitantes a oportunidade única de encontrar a relação especial entre moda e estilo de vida de James Dean, que celebra o aniversário de nascimento, 80 anos, que cairá no dia 08 de fevereiro de 2011. Aproveitando a sugestão do lema da "DIAS DE SHOWROOM BERLIM"os visitantes são incentivados a questionar a relação entre os valores tradicionais, tais como elegância e graça únicos do estilo James Dean.


Sua imagem de ator cult não sofreu alterações ao longo dessas cinco últimas décadas. Considerado como um de rebelde, dissidente, secreto e provocante, por vezes, na fronteira com o insondável, mas sempre em formação. Dificilmente algum outro ator de Hollywood do pós-guerra influenciou tanto toda uma época e geração como ele fez. Mesmo até hoje, muitos mitos e lendas cercam esta ilustre figura, fazendo com que James Dean, um objeto de pesquisa em muitos campos científicos. O foco da exposição é o seu sentido excepcionais de moda através da qual ele conscientemente se distanciou das massas na América dos anos 1950.

A rebeldia e o caráter desse dissidente icônico: Não foi só a atitude de James Dean em relação à vida que reflete perfeitamente a singularidade da sua personalidade dentro do mundo de Hollywood e muito além. Com seu senso incomum para a moda, ele conscientemente desafiou as convenções rigorosas das massas na América conservadora dos anos 50. Seja numa das apresentações de uma peça da Broadway em Nova York, onde usava jeans rasgado e com os pés descalços, vestido, como jornalistas na época publicaram: "como um vagabundo", ou iconograficamente representado pelo fotógrafo da Magnum, Dennis Stock: James Dean polarizou a sociedade muitas vezes criticado e afrontando na moda.

Com uma abordagem original sob um ponto de vista diferente, quinze fotografias, algumas das quais estão profundamente marcadas na memória coletiva, será o foco principal do dia de moda no museu The Kennedys. Tendo James Dean como protagonista, oferecem um retrato profundo da diversidade do ator em grande estilo. Junto as fotografias por Dennis Stock, muitas das peças em exposição foram tiradas por Phil Stern e Schatt Roy, cujo trabalho foi criado dentro do contexto de uma aula de fotografia com James Dean.

Algumas das peças usadas por James Dean, como a clássica camiseta branca surrada, calças de cintura alta, jeans rasgados, botas de couro liso, malhas grossas e jaquetas de couro podem repercutir na Semana de Moda de Berlim. Afinal são ítens clássicos da moda que ficaram marcados sob a imagem de astros como James Dean, Elvis e Marlon Brando. James Dean faria 80 anos agora em 08 de fevereiro, no entanto, ele permanecerá jovem para toda a eternidade, imortalizado pela cultura popular mundial. Um legado e tanto para um jovem ator que morreu com apenas 26 anos, num trágico acidente de carro. Porém, permanece vivo até hoje.




James Dean. A Different IconMuseu The Kennedys - Berlim
De 19 de janeiro a 13 de fevereiro, das 10hs. às 6hs.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

MENSCH ENTREVISTA: Edson Rossi


Ser consagrado um grande profissional não basta apenas ser graduado nas melhores universidades e ter os maior número de prêmios. Requer acima de tudo coisas básicas como carisma, simplicidade, humildade e saber ouvir o próximo. São essas características todas que fazem do jornalista Edson Rossi um dos maiores profissionais do mercado editorial nacional. Elogiado por diretores e leitores, Rossi tem feito uma trajetória de sucesso por onde passa. Entre novos amigos (e admiradores) e novos projetos, como a atual direção da revista Riders, Rossi é um dos nosso eleitos como exemplo de homem MENSCH. Acompanhe nossa conversa com esse cara admirável e também vire fã.

Edson, você está formado em jornalismo há mais de 24 anos, já trabalhou como assessor de imprensa trabalhou em jornal, revista feminina, lecionou... Resume um pouco pra nós esse seu início de carreira.
Nasci em Santo André (18/3/1966) e me formei em jornalismo em 1987, pela Metodista. Um ano antes (1986), aos 20 anos, comecei a trabalhar na área como estagiário da assessoria de imprensa da Secretaria de Economia e Planejamento do Estado de São Paulo. O secretário era o José Serra, logo substituído pelo Clovis Carvalho. O governador era o Orestes Quércia. Mas eu era o último da assessoria, não tinha nenhuma ligação política ali. Fiquei um ano na assessoria. Aí fiz o Curso Abril de Jornalismo, na virada de 1987 para 1988. Fui da revista Placar (88-90), do Jornal Diário do Grande ABC (90-97), do Jornal de Economia DCI (93-94), editor de projetos especiais da revista Caras (97-00), redator chefe da Ação Games (00-01) e dafeminina Elle (01-03), diretor de redação das revistas Contigo! (03-06) e da Vip (06-07). Saí da Abril em 2008 e lancei a revista Fut! (do Jornal Lance, em 2008), estive diretor de conteúdo do portal Terra (08-10). Aí cheguei à Riders, no meio do ano passado.

Você uma vez criticou a mídia eletrônica por não conseguir ser isenta dos interesses públicos/políticos, já que depende de concessões públicas. Ano passado na campanha política à Presidência a imprensa foi acusada de falar demais chegando a incomodar o governo. Você ainda concorda com seu depoimento anterior?
O que penso é que TVs e rádios são concessões públicas e evidentemente seus concessionários podem relutar antes de criticar uma instituição de estado. Afinal, por menor que seja a probabilidade, existe o risco de a concessão ser tomada. Mas mais que a concessão ser tomada ou não, critico a qualidade. A gente não pode imaginar que toda emissora de TV do país é a Globo que vemos no Rio ou em São Paulo, uma máquina profissional. A maioria não é assim. Há inúmeras retransmissoras locais, com programação local, na mão de políticos. Nem todas são ruins, claro, e tem umas com excelente serviço, mas não acho exatamente saudável tanto político dono de meios de comunicação. Sobre as críticas à imprensa no processo eleitoral, me parece natural. É do DNA de quem ocupa cargo público reclamar da imprensa. Reclamar pode, censurar não pode. Parto do princípio de que se estão reclamando da imprensa é que a imprensa está incomodando, e isso é o papel principal dela.


A imprensa de hoje está caminhando para uma independência maior? Está mais fiel aos seus princípios jornalísticos de informar à população a verdade dos fatos?
Hummmm... Esta resposta pede umas 12 horas de conversa, metade num bar. Sou professor de jornalismo há 14 anos e uma das minhas aulas iniciais é falar sobre o que é verdade factual e verdade absoluta. Sobre a diferença delas. Para mim, a qualidade da imprensa é cíclica, melhora e piora. Mas ao longo de uma observação histórica, ao longo de anos, eu acredito que ela esteja melhor do que estava. Não sou saudosista, ou um tipo de velhote que fica repetindo que tudo antes era melhor. Com relação à independência, a web ampliou muito esse debate e as possibilidades de um jornalismo mais independente - e nem vou falar de wikileaks.

Você trabalhou em revistas para públicos variados, do feminino ao masculino, do jovem ao adulto. O que essas experiências tão opostas acrescentaram, ou mudaram, no profissional que você é hoje?Fundamentalmente aprendi três coisas. A) Não importa qual o seu público, ele merece o maior respeito. B) A cadeira do outro não tem
menos espinhos que a sua. C) A ser uma pessoa menos intolerante e menos preconceituosa.


Existe muita diferença em comandar uma revista feminina como a Elle e uma revista masculina, como foi o caso da VIP na Editora Abril e a Riders hoje em dia? É mais fácil fazer revista para homens?É mais difícil fazer revista para homens, porque o mercado de revistas femininas - com ressalvas, claro - é um mercado mais maduro, mais profissional, mais consistente. Desde que nasceram as revistas essencialmente masculinas, no fim do século 19, elas se baseiam na fórmula humor+mulher+serviço. Com exceções de sempre, a revista masculina é baseada na fórmula outdoor (as pautas falam do que fazer fora de casa) e as femininas são baseadas na pauta indoor (são pensadas para deixar a mulher em casa). As femininas, no entanto, mudaram (e continuam mudando) mais, segmentando mais. As maiores revistas do Brasil em receita publicitária e circulação são femininas, e não masculinas. Isso diz muito.

Por falar em Editora Abril, você trabalhou lá por oito anos até ser demitido em 2007 de surpresa. Ficou algum ressentimento? Faria algo diferente?

Na verdade, no fim de 2007 eu fui desligado do cargo de diretor de
redação da Vip, onde estava havia quase dois anos. Mas continuei na Abril por mais um ano, antes de sair (a pedido) para dirigir o Terra. Por favor, só digo isso para contar como foi, não tenho vergonha de demissão. Já tive três profissões (em engenharia, dando aula, como jornalista) e já fui demitido nas três. Por isso, nenhum ressentimento em relação à Abril. Pelo contrário. É uma das maiores escolas de revistas do mundo, lugar em que o lema fazer benfeito (ficou horrível escrever benfeito com a nova ortografia) vem acima e antes de tudo.


Depois dessa experiência toda em uma das maiores editoras brasileiras, você foi trabalhar numa editora menor. Dá pra fazer um trabalho de qualidade independentemente do porte da editora? Quais os principais pontos contra e a favor?
Dá para fazer de um bistrô o melhor restaurante do mundo? Ou dá para fazer de um bistrô um grande restaurante? Tem gente que responderá sim, tem gente que responderá não. Eu sou dos que
responderá sim. Mas é claro que uma máquina poderosa tende a ajudar. Eu diria que uma revista nota seis numa editora grande tende a se dar melhor que uma revista nota nove numa editora pequena.

A favor, numa grande editora, está a máquina: produzir, distribuir,
vender (em banca e publicidade), tudo isso funciona melhor em um lugar maior. Mas tem o outro lado. Numa editora menor, a favor está o fato, por exemplo, de que consigo aplicar técnicas de edição que poucas editoras grandes têm tempo de conhecer, adotar, incluir na máquina (por ser muito grande).


Como você vê o panorama editorial das revistas masculinas nacional atualmente?
Fiquei empolgado com o lançamento de Alfa e estou ansioso com o da
GQ. Espero que ambas possam ser feitas com qualidade para que o
mercado avance. Estamos muito atrás.



Nos últimos anos novas publicações surgiram para esse tipo de público. O mercado tem reagido bem mesmo com os avanços da internet?
Se houver conteúdo inteligente e de qualidade não há o que temer. Agora, se a fórmula for piadas rasteiras + mulheres sem graça, ou mulheres rasteiras + piadas sem graça, ganha a internet. Além disso, dá para fazer conteúdo de qualidade, com técnicas de edição de revista, na web. Vocês são exemplo disso. Fazer revista é um jeito, não uma mídia (offline x online). E não podemos tirar da equação os aplicativos. Tablets têm a portabilidade que até aqui só as revistas tinham. Então, fazer no papel terá de ser enxergado de outra forma, terá de ser incorporado a esse fazer do mundo dos tablets



Hoje você está no comando da Riders, uma revista masculina para amantes de motos. Como está sendo essa nova experiência? Como surgiu o convite?
Surgiu em junho. Comecei em julho e minha conversa inicial com o Alfredo Nastari (publisher e dono da Nastari Editores, que edita Riders no Brasil) foi fazer o lançamento da versão brasileira. Gostei da proposta, da revista e da possibilidade de lançar algo de altíssima qualidade. É bom fazer coisas com pauta criativa, gramatura boa. (risos) Hoje fazemos uma revista que trabalha técnicas avançadas de edição. Praticamente não temos quebra de parágrafo entre as colunas – e nunca quebramos parágrafos entre as páginas. Isso cria harmonias, um “nível inicial de leitura” que mistura design, percepção, conforto... E isso é só um exemplo. Temos regras avançadas também para textos e fotos, coisas que somente ficam na percepção do leitor, mas que ajudam a deixar a revista benfeita.





Quais os grandes atrativos e diferenciais da Riders? Qual o perfil da revista?
De certo modo, Riders está para as motos de alta cilindrada como a
Trip está para o surfe. Não dizemos que é uma revista de moto. É uma revista de estilo, uma masculina.

O público de Riders é masculino, com 28 anos ou mais, que se relaciona com o universo das motocicletas de alta cilindrada. É um cara bem resolvido, que curte o consumo, mas com estilo, assim como se preocupa com o consumo responsável; um cara que busca a felicidade profissional, mas sabe que acima disso estão sua família e seus amigos...

Todo esse pacote é envolto com um design inovador em nosso mercado. Toda edição temos fotos diferenciadas. Nossa moda também está um ponto ou mais acima do nível médio de informação. Não damos o conjuntinho padrão do que vestir damos uma foto de um cara de bermuda estampada com um blazer estilosíssimo de linho com um cadarço amarrado na manga. É uma informação mais refinada, não é manual, do tipo A + B e vá para a rua.

Muitas vezes dizemos para o cara que está com a pauta fotográfica ou de texto: faça o que quiser, voe, e o cara não voa. A gente vive reclamando de revistas que não dão espaço para a criatividade, para o fazer diferente, e quando essa liberdade aparece a gente faz o by the book. Esse é o nosso desafio: saber criar com a liberdade que Riders traz sem que seja algo inconsequente, sem que seja o criar por criar. Queremos o diferente sem perder a função maior de uma revista: informar e entreter. Isso vale para toda a revista, todas as seções.

Você curte motos? O que curte fora jornalismo?Estou na base da linha de corte da Riders: há cinco anos tenho uma Shadow (600cc) com pintura personalizada. É minha primeira – e até aqui única – moto. Curto muito, mas curto mais gastronomia e viagens (acabo de voltar da Síria). Curto mais literatura (livros de reportagens, em especial). Curto o Palmeiras (mais do que deveria, eu acho).



Soube que você partiu para o jornalismo para ficar mais próximo do cinema, outra grande paixão. O que você mais gosta em cinema, de ver e fazer pelo cinema?
Já fui bem mais consumidor de cinema. Só para disparar uma metralhadora diria que adoro Sergio Leone, Michael Hanecke (“Funny Games” e “Cachê” me impressionaram), Barbara Stanwick, Gary Oldman, “M, o Vampiro de Dusseldorf”, cinema francês, mas não do iraniano... Fernando Meirelles é para mim um divisor de águas. Não gosto de comédias. Em geral, acho o humor nosso (e aqui nem falo de cinema) muito ruim para tamanha pretensão. E para qualquer pessoa sempre recomendo “12 Homens e uma Sentença” (que não é western, claro) e "O Bom, O Mau e O Feio" (que é western spaghetti, claro).



Você continua lecionando? Como mantém essa troca de informação e experiências que o bom jornalismo e redator-chefe requerem?
Dou aulas há 14 anos. Como não fico lá falando da minha vida, sou forçado a preparar as aulas. Logo, sou obrigado a estudar. Isso faz com que obrigatoriamente veja mais coisas do que a maior parte das pessoas que só está na redação.


Por falar nisso, que livros você está lendo e que livros
indicaria nos dias de hoje?

Acabei “Uma História dos Povos Árabes”, de Albert Hourani, e estou terminando “Como Fazer Inimigos e Alienar Pessoas”, de Toby Young, jornalista inglês que conta suas experiências na redação da Vanity Fair. Indicações não tão recentes, mas vale garimpar e achar, além de “O Reino e o Poder”: a) “Gostaríamos de Informá-los de que Amanhã Seremos Mortos com Nossas Famílias”, de Philip Gourevitch, sobre o genocídio em Ruanda; b) “No Coração do Mar”, de Nathaniel Philbrick, sobre o naufrágio do barco que inspirou Moby Dick; e c) “O Estranho Caso do Cachorro Morto”, romance escrito pelo olhar de um menino autista, de Mark Haddon.

O que é mais difícil entender a cabeça de uma mulher ou agradar a um leitor?
Agradar um leitor.