segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Sérgio Porto e As Cariocas


Amanhã começa na Globo mais uma série baseada nas obras do escritor Sérgio Porto, também conhecido como Stanislaw Ponte Preta. Mas e quem foi Sérgio Porto? Ou porque Stanislaw Ponte Preta? Essas talvez sejam as perguntas mais feitas por alguns ultimamente. Pensando nisso mergulhamos de cabeça da vida e na obra desse grande escritor, cronista, radialista e compositor brasileiro.
Carioca nascido em pleno verão em 11 de janeiro de 1923, foi lá no final dos anos 40 que Sérgio iniciava sua carreira de jornalista em publicações como nas revistas Sombra e Manchete e jornais como Última Hora, Tribuna de Imprensa e Diário Carioca. Seus textos tinha como característica a irreverência.

O seu jeito carioca de ser fez nascer textos saborosos de ler com o tom coloquial do Rio de Janeiro da época. Suas crônicas eram conduzidas a partir de pistas falsas, onde o final esperado não acontecia, pegando o leitor de surpresa diante de um final totalmente inesperado. Sérgio Porto conhecedor de Música Popular Brasileira, chegou a compor músicas como "Samba do Crioulo Doido" para o teatro rebolado.

Foi na época em que trabalhou nos jornais que conheceu o jornalista Jacinto de Thormes que também trabalhava no jornal como ilustrador. Foi nesse momento que surgiria o Stanislaw Ponte Preta com crônicas satirizando e criticando o cenário político e social na época criadas por Sérgio e Santa Rosa. Por sinal o primeiro ilustrador do personagem inspirado em Serafim Ponte Preta de Oswald de Andrade. E foi com a criação de personagens como Tia Zulmira e Primo Altamirando que surgiu o primeiro FEBEAPÁ, Festival de Besteira que Assola o País, lançado em pleno golpe militar de 1964. Por conta disso que terminaram tendo mais projeção e por consequência foi um sucesso.

Stanislaw dizia que era difícil dizer em que dia que as besteiras começaram a assolar o Brasil, mas disse ter notado o crescimento desse festival depois que uma inspetora de ensino na época, vinda do interior de São Paulo, trouxe uma senhora de nível intelectual mais elevado pouquinha coisa, que soube que o filho tinha tirara zero numa prova de matemática, e mesmo sabendo que o filho era um debilóide, não pensou duas vezes e foi denunciar às autoridades o professor da criança como ser um perigoso agente comunista.

AS CERTINHAS DO LALAU
Depois que a revista Manchete lançou a lista com as "Mulheres Mais Bem Vestidas do Ano", Stanislaw, que também começara a escrever sobre teatro-rebolado, tratou de pegar carona e criou sua própria lista das "Mulheres Mais Bem Despidas do Ano". De tanto ouvir das mães das vedetes, começou a usar a expressão ouvida de seu pai — "Olha só que moça mais certa" — daí surgiam as "certinhas" do Lalau. No período de 1954 a 1968 foram 142 selecionadas. As que ficaram mais famosas foram Aizita Nascimento, Betty Faria, Brigitte Blair, Carmen Verônica, Íris Bruzzi, Miriam Pérsia, Norma Bengell, Sônia Mamede e Virgínia Lane, só pra citar algumas. Era uma honra ser escolhida como "certinha do Lalau", algo como uma "namoradinha do Brasil" ou simplesmente um sex symbol admirada por todos. Adaptando para os dias de hoje poderiam exemplificar como uma Aline Moraes, Deborah Secco ou uma Grazi Massafera (todas escolhidas para o seriado).
AS CARIOCAS
A série de contos que relata a vida de várias mulheres diferentes no cotidiano carioca foi lançado em 1967. Ambientado em diversos bairros do Rio de Janeiro, a história de "As Cariocas" é escrito de um jeito irônico e irreverente do Sérgio, ou Stanislaw Ponte Preta, seu pseudônimo em textos mais humorísticos, quase um alterego. Na série da Globo teremos dez atrizes irão protagonizar dez episódios independentes. São elas: Alinne Moraes ("A Noiva do Catete"), Cíntia Rosa ("A Internauta da Mangueira"), Adriana Esteves ("A Vingativa do Méier"), Alessandra Negrini ("A Iludida de Copacabana"), Paola Oliveira ("A Atormentada da Tijuca"), Grazi Massafera ("A Desinibida do Grajaú"), Fernanda Torres ("A Invejosa de Ipanema"), Sonia Braga ("A Adúltera da Urca"), Deborah Secco ("A Suicida da Lapa") e Angélica ("A Traída da Barra").

2 comentários:

  1. Caro escriba, sua frase é digna do FEBEAPÁ: "Suas crônicas eram conduzidas a partir de pistas falsas, onde o final esperado não acontecia, pegando o leitor de surpresa diante de um final totalmente inesperado."

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  2. Caro escriba, sua frase é digna do FEBEAPÁ: "Suas crônicas eram conduzidas a partir de pistas falsas, onde o final esperado não acontecia, pegando o leitor de surpresa diante de um final totalmente inesperado."

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