sexta-feira, 23 de março de 2012

ENTREVISTA: Bruno Dubeux, médico, ator, apresentador... e inquieto‏

Há um ditado que diz: “de médico e louco todos temos um pouco”. No caso de Bruno Dubeux ele poderia ter dito assim: “de médico e artista, eu tenho muito”. Pois bem, Bruno desde criança queria ser ator, mas acabou fazendo faculdade de medicina, outra área pela qual se interessava muito. Danado que é o destino, Bruno acabou fazendo umas fotos para publicidade, incentivado pela prima e daí para o mundo artístico as portas foram se abrindo. A medicina foi acompanhando tudo isso em paralelo até que Bruno, médico formado, se mudou de vez para o Rio de Janeiro e durante uma peça, filme ou programa de TV ele atende seus pacientes em São Paulo. Sim, ele faz as duas coisas, mas nem me pergunte como ele consegue, nós tentamos, mas nem ele sabe explicar. Conheça um pouco mais desse pernambucano/americano que brilha no mundo artístico carioca, nos hospitais paulistanos e mostra suas raízes nas gírias recifenses.

Bruno, explica um pouco pra gente como foi que aconteceu tudo isso: formado em Medicina, terminou indo pro Rio de Janeiro pra se tornar apresentador e ator. Foi muito curioso porque as possibilidades foram se apresentando pra mim e a ousadia e força de vontade permitiram que elas virassem escolhas. Quando criança sempre dizia que queria ser ator, mas essa vontade ficou adormecida ao longo da adolescência. Acho que o fato de não ter contato com ninguém do meio artístico em Recife e a cidade na ocasião não ter um mercado e formação favoráveis, contribuiu pra uma falta de incentivo. Então resolvi fazer medicina, profissão pela qual também sentia afinidade. Foi a partir daí que as tais possibilidades foram surgindo. 


Uma prima era modelo e certo dia minha tia não pôde acompanhá-la e me pediu pra ir. O fotógrafo, Renato Filho, me perguntou se não gostaria de trabalhar em campanhas publicitárias, que eu tinha perfil e fiz meu primeiro book com ele. Ele me passou os contatos das maiores produtoras da cidade e na semana seguinte já estava fazendo uma foto pra um outdoor. E, a partir daí, comecei a fazer também vídeos publicitários, depois surgiu teste pra uma campanha com texto como ator, fiz e passei e desde então os trabalhos como ator em publicidade foram aumentando e passei a fazer também em João Pessoa, Natal, Maceió, etc. Desde então senti vontade de entrar para um curso livre de teatro em Recife. Por isso, fazer esse ensaio fotográfico com o Renato agora está sendo bem especial. Foi a partir das fotos e apoio dele que entrei no mercado e, agora, em um momento bacana da minha trajetória tive a oportunidade de estar em Recife e poder ser clicado por alguém que tem importância no meu início de processo artístico.

E fui fazendo todos esses trabalhos em paralelo a faculdade de medicina. Só não me pergunte como conseguia conciliar (risos). No ultimo ano da faculdade, a Márcia Andrade, produtora de elenco da TV Globo, esteve em Recife pra fazer pesquisa de novos atores pra oficina da Globo. Fui convidado, fiz o teste e passei pra etapa final que foi no Rio, só que essa não rolou. Mas nós ficamos muito amigos e sempre em contato. Três meses depois dessa etapa final do teste me formei em Medicina e a Márcia deve ter percebido minha vontade em tentar a carreira artística no Rio e me deu muita força pra que eu tentasse naquele momento, já que depois, se começasse a residência, seria bem mais difícil. E foi graças ao apoio dela, sugestões de cursos no Rio e de me apresentar pra classe, que comecei a dar meus primeiros passos na carreira artística profissional. Talvez, sem esse estímulo, tudo seria diferente; não teria tomado uma decisão tão radical e não estaria aqui. Por isso devo muito à Marcia. É sem dúvida minha madrinha.

E como foi seu início no Rio de Janeiro? Encontrou muitas barreiras? A minha chegada ao Rio foi há quase 6 anos. Comecei fazendo vários cursos livres de ator e depois entrei pra graduação em teatro na UniverCidade, em Ipanema, com três anos e meio de duração e, no fim do ano passado, fiz a peça de formatura. Ao longo desses anos fiz trabalhos como ator em TV, teatro e cinema. Já o ofício de apresentador só surgiu no início do ano passado, em Janeiro. Uma amiga ficou sabendo do teste para o Alternativa Saúde pela internet, achou que era minha cara e me telefonou avisando. Fui atrás. Não tinha a informação de quem estava fazendo o teste. Liguei pra várias produtoras que conhecia até chegar à que estava fazendo o teste e fui aprovado. Tem sido uma experiência diferente e não menos incrível. Gosto de gente, de me comunicar, sou curioso e tenho afinidade com o tema. Tudo se encaixou.
O que te levou para a medicina? Fui pra área da medicina por iniciativa própria. Não tinha nenhum parente próximo que fosse médico em Recife. Apenas meu avô paterno, que morava em Belo Horizonte. Me motivei inicialmente por uma grande afinidade pelo assunto. Adoro biologia e sempre tive curiosidade de estudar o corpo humano, sua estrutura, como funciona fisiologicamente e como as drogas farmacológicas atuam nele. Adorava estudar anatomia. Em uma das férias, por exemplo, na UFPE, passei quinze dias dissecando cadáveres. Tanto é que minha residência seria em cirurgia. Tenho habilidade com as mãos e gosto da ideia de intervir, da objetividade e resolver o problema de forma mais imediata. E além da afinidade com o tema, de gostar de lidar com pessoas, me fascina a ideia de um ser humano desenvolver a capacidade de curar outro. Isso é de uma beleza incrível.

Acredita que em algum momento terá de escolher entre a carreira artística e a médica?  Acredito na agregação dos talentos desenvolvidos e procuro não pensar muito nessa questão. Acho que o ser humano está em constante movimento e que se em algum momento da minha vida uma dessas possibilidades se apresentar muito forte de forma que me preencha bastante, vou procurar sabedoria pra agir da melhor maneira. Atualmente estou bem feliz conciliando as duas carreiras. Com certeza sou outro médico depois do ator e por outro lado a bagagem desenvolvida pelo médico interfere no meu ator. Agora, novamente, não me pergunte como consigo conciliar tudo. Definitivamente o meu dia deveria ter 48h (risos).
 

Ator, médico, apresentador, falta algo ainda que você queira ser "quando crescer" (risos)? Queria ser o Super-Homem (risos). Brincadeira. À medida que vou crescendo, vou me empenhando em fazer minhas atividades da melhor forma. E quero crescer sempre com a sensação de que estou fazendo o melhor que posso independente da função. Mas - com essas três funções - acho que dá pra me acalmar, já que o ator pode ser sempre quem e o quê ele quiser (risos).

Quais as expectativas para ser protagonista no cinema? O Cristino [Personagem interpretado em Estado de Exceção] foi um dos meus maiores presentes de 2011. O processo inteiro durou mais de um ano, o ultimo dia de filmagem foi no final do mês passado. Houve muita dedicação e me empenhei muito na pesquisa, construção e desenvolvimento desse personagem. Ele tem uma trajetória bem interessante e que vai se transformando muito do início ao fim do filme. É um ser complexo, bombardeado internamente com tanta coisa acontecendo à sua volta. E o Juan Posada, o diretor do longa-metragem, gosta muito de trabalhar com a ambiguidade dos personagens. E todos esses são aspectos que me interessam muito no trabalho do ator, então tive todas as motivações pra mergulhar de cabeça nessa viagem.

É o primeiro longa que faço um papel de destaque. E foi todo filmado em película, com uma fotografia incrível do Miguel Vassy (que inclusive foi premiado em seu ultimo longa). Então, é um filme que tem muitos valores e isso faz a gente ter muita vontade de vê-lo pronto. Agora também a expectativa vai até o limite da curiosidade de ver o resultado final porque, cada vez mais, sinto a importância do ator trabalhar o desapego. Tem que fazer, dar o melhor de si e se desapegar. E é assim sempre.  


Pelo que soube seu personagem é um policial que preza pela ética e se decepciona com o que encontra pela frente. E você fez laboratório em um Batalhão no RJ. Mudou sua ótica em relação à visão que você tinha da polícia nacional depois que você vivenciou esse outro lado? Definitivamente. A questão do ator de se colocar ao máximo na situação e no lugar do outro, para a partir daí atuar, proporciona uma postura diante do mundo maravilhosa. O Tenente Edilton - a quem sou muito grato - foi, digamos, o meu coach na polícia. Acompanhei a rotina no Batalhão, a supervisão na viatura, ronda na Rocinha e fiz aula de tiro. Terminamos ficando amigos. É louco que a gente quando passa por uma blitz, sabe que está com tudo certo, os documentos em dia, mas ainda sim tem medo ou frio na barriga. Isso pra mim foi muito interessante. Hoje passo por policiais e os sinto como colegas, como se fossem os colegas médicos do hospital. E outras várias vezes na rua alguns policiais cruzavam por mim e eu por um milésimo de segundo estranhava que não batiam continência (risos). Só o tempo de eu dizer: "Se liga, Bruno, você não é o tenente Cristino agora" (Risos).

Mas o fato é que desmistifiquei totalmente a imagem da polícia militar que tinha. É um trabalho duro, cansativo, de muita responsabilidade e cobrança. E, infelizmente, pouco reconhecido e muito criticado. Pude sentir na pele um pouco da diferença do tratamento da população. Algumas vezes eu estava no set de filmagem, na rua ou na favela, com meu figurino e, os que não sabiam do filme, me olhavam diferente, não olham no olho. Imagina você passar todos os dias fazendo o seu trabalho com todo mundo cruzando por você, te olhando diferente, como se você não fosse desse mundo? Sofrendo por um valor de imagem que vem agregado àquela farda e que você não tem nada a ver com as atitudes de outros. Agora, por outro lado, ter essa sensação concreta foi ótimo para o meu personagem, que passa por esse mau juízo no filme.

Você saiu de Recife e se divide entre Rio e São Paulo. Do que sente saudade da terra dos altos coqueiros? Das pessoas, da autenticidade junto com a simpatia do pernambucano. É interessante que o pernambucano é ao mesmo tempo desconfiado e simpático, e também carinhoso no falar. Fala tudo no diminutivo: "Quer um cafezinho?", "Eu vou dar um jeitinho", "Sente aqui nesse cantinho". Agora se bem que a gente fala no imperativo. Quem vê de fora acha que é arrogância, mas é só o jeito de falar mesmo. Ah, sinto muita falta das nossas gírias. É sempre motivo de piada aqui no Rio quando escapole uma: Arrodear, buruçu, gota serena e adoro o "pense": Pense numa comida boa; pense num calor; pense num bicho chato... (risos).

Já pode falar mais da sua nova proposta para TV, misturando viagens? Posso falar só um pouco porque é um piloto de programa que ainda vai ser vendido. É um projeto meu juntamente com dois parceiros, a Gisele Werneck, atriz, que também apresentará o programa junto comigo e o Danilo Machado, produtor. É um programa que mistura viagem, hábitos e comportamentos em diferentes cidades do mundo. Faremos alguns pilotos agora no Oriente Médio e Ásia.
 

Você viverá experiências incríveis em países exóticos que irá conhecer como a Índia. Gosta de se aventurar em meio ao desconhecido? Quais suas expectativas? Viajar, ainda mais pra lugares pouco explorados e desvendados, pra mim é muito instigante. Adoro conhecer pessoas diferentes, de outras culturas e línguas e tentar entender o que temos em comum, o que diferencia a gente e ao mesmo tempo nos une como ser humano. Oman, o primeiro lugar que vou próximo aos Emirados Árabes, me parece ser muito rico, desenvolvido e os omanis, o povo local, extremamente simpático e receptivo, apesar de ser muito religioso. Até a década de 70 o país era governado por um tirano e totalmente isolado do mundo, quando um Sultão assumiu o poder, governa há 40 anos e trouxe muita prosperidade ao país. Acho que vai me chocar um pouco a relação do homem e da mulher, que é bem discrepante. Já a Índia deve ser muito colorida, efervescente, forte, com muita pobreza e com uma espiritualidade intensa. Não sei, mas acho que vai ser uma viagem daquelas de mudar a visão de mundo.
 

Costuma levar o médico aos palcos e o ator aos plantões? É curioso porque tem sido uma experiência bem diferente. A minha trajetória profissional, apesar de já fazer alguns cursos livres como ator, em Recife, começou com a medicina. É uma formação cartesiana, limpa, asséptica, na qual é preciso não se envolver passionalmente com o problema do outro, para poder ter clareza e discernimento, no sentido de poder agir racionalmente, e ajudá-lo. Quando terminei a universidade e entrei na faculdade de teatro, aqui no Rio de Janeiro, tive dificuldade no início porque o aprendizado me exigia justamente o caminho inverso. Foi preciso fazer uma desconstrução. O teatro é se permitir viver no caos, na “sujeira”, é o não saber, com toda a sua angústia criativa, é o exercício de sempre se colocar no lugar do outro, em treinar nossa sensibilidade em se afetar pelo outro. Foi na faculdade de teatro que aprendi a ser mais humano e é uma loucura pensar que a graduação médica também não faz esse caminho.
Então, com certeza, sou outro medico desde que me tornei ator. Mudou minha forma de  enxergar, me comunicar e me sensibilizar com o ser humano e, consequentemente, com os pacientes. E o medico me faz um ator interessado em estudar de forma aprofundada o texto, a ter disciplina e ser metódico.

Para se tornar um médico são anos de estudo, dedicação e há também investimento da família. Quando decidiu seguir a carreira de ator como sua família reagiu? Não deixou de ser um choque porque a decisão de vir pro Rio foi justamente no ano em que voltei de estágios de alguns hospitais como em Harvard, Mayo Clinic e Atlanta. Eu estava me preparando para fazer residência nos EUA. Não chegaram a fazer nenhum alarde, mas sabia que não estavam satisfeitos. Mas eu já era maior de idade, trabalhava, era formado, pagava minhas contas e dono do meu nariz. Minha mãe especialmente sempre me apoiou. Lembro que disse: "prefiro um sapateiro feliz a um infeliz ilustre médico". E também as coisas foram surgindo aos poucos. Primeiro fui com planos de ficar no Rio só por 3 meses pra sentir, depois aumentei pra mais três meses e estou aqui até hoje. No fundo sabia que não iria mais voltar (risos).

O que é mais legal em apresentar o Alternativa Saúde, do GNT? O mais incrível é poder juntar as minhas duas carreiras efetivamente num mesmo trabalho. A medicina me permite ter uma intimidade e tranquilidade com o assunto, com bom domínio do conteúdo. E a bagagem do teatro, explorar o meu lado comunicativo, expressivo e sensível, pra que a troca de informação se dê da melhor forma. Tem também o exercício do ator, que já comentei, de sempre se colocar no lugar do outro. Trago muito esse princípio para minhas entrevistas no Alternativa Saúde. Sempre procuro links do papo com minhas referências pessoais e percebo o quanto trazer isso ao bate-papo aproxima a relação e tudo flui mais à vontade e com naturalidade. A escuta também é um fator muito importante tanto para um bom ator quanto para o apresentador. Muitas vezes o apresentador fica preocupado em lembrar-se da próxima pergunta aí se “despluga” do aqui e agora e termina perdendo os ganchos que o entrevistado traz e a conversa fica mecânica e fria.

O que é uma boa alternativa de saúde que você coloca em prática no seu dia a dia? Troco os deslocamentos de carro pela bicicleta sempre que possível. Assim me exercito, tiro o stress liberando endorfinas, fico em contato com o meio ambiente, economizo e não poluo o ambiente. Acho uma ótima alternativa de saúde e felizmente consigo praticar quase todos os dias. Além disso, invisto numa dieta rica em fibras, sempre com fruta na primeira refeição do dia, poucos alimentos ricos em lipídios, queijos brancos e grelhados, mas dois dias na semana me permito comer o que quiser, com moderação.


Já que você trabalha em frente às câmeras, como você cuida da aparência? É vaidoso? Até onde você vai no campo da vaidade? Sou vaidoso, mas não com uma vaidade que me aprisione ou me prive das coisas. Acho que até certo ponto ela é saudável. Se te faz sentir bem consigo mesmo e te traz uma boa relação com o espelho, sem grandes sacrifícios, então ótimo. Não sou de ir à academia todo dia, deixar de me socializar para evitar comer calorias ou mesmo de usar muitos cremes. Mas vou à academia duas a três vezes por semana, tento balancear minha dieta e o que tento lembrar de passar no rosto sempre é protetor solar, que a minha amiga Roberta Castro, dermatologista, toda vez que me vê, pega no meu pé em relação a isso e pra garantir que vou usar, me dá várias amostras grátis (risos). E faz questão de repetir que é a medida mais comprovada pela literatura que previne o envelhecimento do rosto. Agora tenho que admitir que meus valores mudaram muito nos últimos cinco anos, em relação à época que morava em Recife. Era bem mais vaidoso. Só saía bem arrumado de casa e com o cabelo sempre no lugar, por exemplo. Hoje a minha vaidade mudou, certamente por conta do teatro. E trago essa referência pras gravações do “Alternativa Saúde”. A minha vaidade é saciada no encontro com a verdade e a autenticidade na cena. Quando assisto a um programa e sinto que estava ali conectado com o "aqui e agora" e sendo bem verdadeiro, um cabelo despenteado ou um ângulo da câmera ruim não interferem na estética toda da coisa.

Com essa exposição toda o assédio termina aumentando. Como lida com isso? Já sentiu alguma diferença? Acho que não chega a ser assédio propriamente. Não chego a ser parado na rua. Às vezes sinto que me olham com a sensação de "conheço esse cara de algum lugar". O que acontece muito são pessoas de Estados diferentes pedirem pra me adicionar nas redes sociais.  E também ressurgem das cinzas aqueles conhecidos distantes que já tinha perdido contato, pra falar que me viram, dar os parabéns etc. (risos).

Sente-se realizado com todas essas conquistas? Qual sua próxima realização? O que podemos esperar do inquieto Bruno? Com certeza estou muito feliz com essas conquistas. Foi um ano de muito trabalho e é muito gratificante depois de alguns anos de estudo começar a colher os frutos, ainda mais na carreira de ator que é super incerta e subjetiva. Realmente - como você colocou - inquieta é uma palavra que está muito presente no meu vocabulário. Realizo algo, comemoro, mas logo em seguida sinto uma inquietação grande de dar início a algo novo. Pra ter ferias preciso viajar porque se ficar em casa, com certeza arrumo imediatamente algo pra me ocupar. No momento estou gravando uns pilotos de programa para TV, como falei acima, que ocupará parte do meu tempo esse ano, pois virá ainda edição, venda etc. E, além disso, estou ensaiando um espetáculo com minha companhia (Julia Mendes, Tatyane Mayer, Manuela Do Monte e Pedro Casarin) que montamos durante a faculdade, para estrear aqui no Rio de Janeiro, no segundo semestre. Um trabalho de pesquisa de um texto de um autor carioca relacionado ao cineasta Alfred Hitchcock. Estamos pesquisando textos e pensando sobre nossa estética há dois anos. Então será uma realização muito importante em minha trajetória. Espero ter a oportunidade de levar o espetáculo a Recife e, finalmente, estrear num palco profissional em minha cidade natal.


Agradecimentos: Dona Santa / Santo Homem

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quinta-feira, 22 de março de 2012

ESTILO: O que usar e o que não usar‏ no primeiro encontro

Que as mulheres apreciam um homem bem vestido, isso não é novidade. Mas quais peças elas não admitem serem usadas no primeiro encontro? Fiz uma pequena lista dos itens que podem detonar o seu dia de conquista: pochete, por exemplo, é uma peça que não deve estar no guarda-roupa de nenhum homem, nem para usar em um único encontro. Sapato social com meia branca, se você não for cover do Michael Jackson é melhor esquecer! Bermuda e chinelo também não são adequados (a não ser que o encontro seja na praia). As mulheres também não apreciam excesso de perfume, camisa aberta, modelito rapper (correntes, pulseiras ou muitos anéis ), roupas muito justas, coloridas demais ou velhas.

Ao escolher o que usar, um homem pode passar diversas mensagens:  relaxado, cuidadoso, moderno, conservador, antenado, clássico, despojado, cafona ou de bom gosto. Por isso é preciso muito cuidado e critério com as peças do guarda-roupa. Hoje a atenção com a aparência não é, nem deve ser interesse exclusivo das mulheres. Nem todos os homens estão atentos à maneira de se vestir e não sabem como perdem pontos logo de cara se vestindo inadequadamente. Portanto, não esqueça que muitas vezes você não terá uma segunda chance de causar uma boa primeira impressão!

Então, aí vão 10 sugestões para você sobreviver ao seu primeiro encontro com estilo e, quem sabe, ainda se dar bem:






ROUPAS – O QUE USAR SEM MEDO Vale ressaltar que aliado ao estilo de cada um deve vir muito conforto, detalhe que deve ser levado em consideração no guarda roupa masculino. O jeans é peça obrigatória e poderá vir como jaquetas ou camisas de botão, que poderão ser usados com calça também de jeans. Também vale uma atenção especial para as peças no estilo cargo,elas valem tanto para bermuda quanto para calça. Uma combinação que nunca sai de moda e agrada em cheio é usar com camisa xadrez sobrepondo uma camiseta básica. Nos pés, o sapatênis é quase um curinga. É um tipo híbrido, que se caracteriza por não ser nem tão esportivo quanto um tênis e nem tão formal quanto um sapato. Alheios à crítica especializada de moda que os acha definitivamente cafonas, consumidores fazem deles um sucesso de vendas,  forçando alguns fabricantes a criarem novos e modernos modelos tornando esse tipo de calçado cada vez mais bem visto.

UM TAPA NO VISUAL Faça a barba, lave os cabelos, deixe o seu rosto o mais clean possível, mulher gosta de ver o rosto do homem. Mesmo que ela goste de barba e se você usa, mantenha-a bem aparada. Quanto ao perfume, capriche na escolha mas não exagere na quantidade, coloque-o em pontos estratégicos do seu corpo, como atrás das orelhas, no pescoço e também nos pulsos. E claro, não esqueça do bom hálito e um bom desodorante que segure a onda a noite (ou dia) toda.



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quarta-feira, 21 de março de 2012

MUSA: Janine Salles, a "Sereia do Pedaço" de Fina Estampa leva nosso prêmio de primeiro lugar‏

Em seu primeiro papel de destaque na TV, na pele da carismática Jackelaine da novela Fina Estampa, a atriz Janine Salles conquistou vários fãs dentro de fora do folhetim. Sua personagem participou do concurso “A Sereia do Pedaço” e ficou em terceiro lugar, porém aqui conosco Janine, ou melhor, Jacklaine, leva nosso primeiro lugar com louvor. E aguardem, pois essa gata ainda dará muito que falar depois desse belo início de carreira. Enquanto isso vamos a um papo com nossa “sereia do pedaço”...
 


Sua personagem em Fina Estampa está conquistando não só os clientes da padaria de Guaracy, mas os telespectadores também. Você esperava esse destaque todo? Quando entrei na novela, a minha personagem fazia parte do núcleo da praia, mas meu papel foi crescendo e mudei de núcleo. Fui para o bar Tupinambá. A Jackelaine é muito carismática. Fiquei muito feliz com a repercussão, pois não esperava essa mudança.

O que vale fazer por amor e o que pode ser considerado insensatez? Tudo o que for espontâneo, puro, verdadeiro, gratuito e simples. Só assim o amor tem sentido em nossa vida. Se humilhar e fazer o impossível pelo amor de outra pessoa é insensatez.

Como um homem deve agir e virar o jogo diante de uma mulher que o deixa inibido? Se mostrando um homem forte e determinado, com atitude.

Ajuda nossos leitores, como identificar que uma mulher está perdendo o interesse nele e está começando a olhar para a "grama do vizinho"? Como evitar? Imagino que isso se torne visível, quando o carinho muda, o cuidado, falta de companheirismo, não querer estar ao lado daquela pessoa como antes... A questão da pele também denuncia. A única forma de evitar é não deixar cair na rotina. É bacana, de vez em quando, levar um bombom, uma flor, deixa um recado bonito. Tem que ter sempre a conquista. Nunca deixar de dar carinho, atenção, pois a partir do momento que o parceiro se torna diferente, abre-se uma brecha. É a questão da troca.
 



Onde os homens estão pisando na bola na hora da conquista? Dá um toque pros leitores não errarem mais. Os homens de hoje em dia são muito preguiçosos, falta cavalheirismo. Eles pisam na bola nesse sentido. Toda mulher gosta de ser tratada como princesa. 

Qual o maior erro dos homens na cama: falhar na hora H, não ligar no dia seguinte ou após o sexo deitar e dormir? O que não tem perdão? Pelo o que eu escuto por aí, o maior erro é não ligar no dia seguinte. Para isso não tem perdão. É muita falta de sensibilidade.

O que não pode faltar na nécessaire de um homem? Aparelho de barbear.

O quanto a moda é prioridade pra você e o quanto ela deve ser para um homem? Sou muito ligada à moda, apesar de só usar roupas que me identifico. Acho legal os homens antenados, porém, com um limite.

Se a gente estivesse em um bar, e a bebida fosse por minha conta, o que você pediria? A paquera fica mais facinha depois de umas doses? Como não bebo, pediria uma água ou suco, mas imagino que com umas doses de álcool, a pessoa fique mais soltinha. A vergonha e o pudor ficam de lado.


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terça-feira, 20 de março de 2012

FITNESS: Corrida, os benefícios e as técnicas do esporte que mais cresce no país‏

Talvez você ainda não tenha percebido, mas um dos esportes que mais cresce no país é a corrida de rua e vários são os fatores que tem levado às pessoas a aderirem tal prática. A facilidade de acesso ao esporte, praticado em ruas, parques, praias, vias, academias, e por não exigir um alto investimento inicial, são alguns deles. Hoje, não é difícil encontrar propagandas de corridas de 5, 10 e 21 quilômetros e até maratonas (42.195 km), cada vez mais frequentes nos meios de comunicação, sendo esta uma aposta de diversas empresas para divulgação de sua marca, devido ao baixo custo e a associação de sua imagem a uma atividade saudável e de promoção da qualidade de vida. 


É possível afirmar que correr traz inúmeros benefícios (reduções na quantidade de gordura corporal e concentrações de triglicerídeos, LDL e colesterol total, redução da pressão arterial pós-exercício, aumentos de massa magra e óssea, melhora do sono, aumento da autoconfiança e otimismo frente aos desafios, melhora da auto- estima, entre outros), fundamentados em grande quantidade de estudos, mas como toda atividade física, é necessária uma avaliação médica e treinamento adequado para sua realização.

Correr virou moda, afirmam alguns, mas a verdade é que um novo perfil de corredores tem surgido, e a maioria não possui como objetivo maior subir ao pódio e conquistar as diversas premiações oferecidas. Esse novo público corre em busca de saúde, qualidade de vida, diminuição do estresse, socialização e bem estar. Quando existe o desafio, este parece ser pessoal, especificamente, em melhorar seu próprio tempo. Nessa perspectiva, podemos dizer que as grandes corridas se transformaram em eventos de lazer. O problema é que, como citado anteriormente, as distâncias percorridas são longas e não podemos ignorá-las. Correr acima de 5 km exige muito do organismo e pode representar um risco à boa parte dos indivíduos, em especial aos que não seguem as recomendações básicas para inicio de qualquer atividade. 

Antes de sair por ai correndo é imprescindível procurar um médico clínico ou cardiologista para fazer a devida avaliação, que inclui anamnese, exame físico geral e auscultas. Um exame complementar simples como eletrocardiograma é frequente realizado e junto com a consulta, já detectará a maioria dos problemas, doenças e fatores de risco que necessitem de avaliações médicas mais profundas.

Em casos específicos e dependendo da faixa etária, tabagismo, entre outras, o médico poderá solicitar o teste ergométrico, e/ou eco cardiograma e demais que julgar necessário. Um profissional de educação física também é indispensável, pois é a prescrição do treinamento que pode minimizar à alta incidência de lesões desse esporte, que chega a atingir 60% a 90% dos praticantes em dois anos e são geralmente causadas pelo excesso de volume empregado no treinamento (grandes distâncias percorridas), aliado a falta de um programa de fortalecimento muscular e articular que poderia ser feito na musculação, por exemplo.

Portanto, seja qual for o seu objetivo com a corrida, seguir estas recomendações lhe proporcionará uma prática mais segura e com riscos diminuídos, para que você desfrute de todos os benefícios físicos e psicológicos desse prazeroso exercício. E ai, vamos correr?





Fonte produtos: NetShoes, Centauro, Nike
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segunda-feira, 19 de março de 2012

CARRO: Mini Cooper, o pequeno notável em versão esportiva‏

Desde que foi lançado em 2009, o Mini Cooper é um dos menores carros mais vendidos em todo o mundo, ou seja, para quem deseja ter um carro que é ao mesmo tempo pequeno, grande e confortável a melhor opção é este modelo. Aproveitando o sucesso desse pequeno notável, no final do ano passado a BMW revelou o novo MINI Coupé 2012, sua versão esportiva para dois passageiros que já tinha aparecido em versão concept. Ideal para quem deseja um carro pequeno no tamanho, porém grande na confortabilidade, o Mini Cooper vem encantando os fanáticos, que ficam loucos quando encontram um pelas ruas.

O modelo esportivo para dois passageiros vem com porta malas de 280 litros com acesso por dentro do carro, e apenas 3,72 m de comprimento, 1,68 metro de largura e 1,38 m de altura. E para agradar ainda mais os seus consumidores e novos, a montadora adicionou alguns diferenciais ao Mini Cooper, como por exemplo, novas rodas e para-choques para um estilo e design todo especial. Em relação a parte mecânica, esta continua igual 1.6 com potência de 120 e 175 cavalos, um dos fatores que sofre alteração em relação as versões disponíveis.
Alguns outros detalhes fazem jus à esportividade, o modelo Coupé é 52 mm mais baixo que os outros modelos hatch da marca e conta com um Spoiler traseiro que se levanta automaticamente aos 80 km/h. Segundo a BMW o chassi também recebeu melhorias para dirigibilidade do carro. Seu interior ganhou novos materiais e cores. O Mini Cooper chama atenção desde 1959, quando foi lançado pela marca BMC. Sob o comando da BMW, o carrinho foi relançado em 2001. Cinco anos depois, sofreu uma repaginação e, em 2009, chegou ao Brasil.

O Mini Cooper 2012  é complementado com sistema de airbag duplo, ar condicionado, direção hidráulica, sistema multimídia com rádio MP3 e com USB, rodas de liga leve, sistema de freios ABS e EBD, cambio de seis marchas e mais. E seu tanque de combustível comporta 40 litros. Outra característica é o teto rebaixado e para-brisa mais inclinado, fazendo o modelo ser 29 mm mais baixo. Os mais altos não serão prejudicados por causa disso: por dentro o teto tem uma abertura côncava. A base do Mini Coupé é a mesma do Mini Cabrio, mas a suspensão é mais rígida.
 


O Cooper está disponível em seis versões: One (mecânico) com 98 cavalos de potência e 15,6 kgfm de torque a 3.000 rpm; já os modelos Salt (mecânico), Pepper (automático), Chili (automático) vem com 120 cavalos e 16,3 kgfm de torque a 4.250 rpm. E os modelos S e S JCW trazem o motor 1.6, 4 cilindros, 16 V, turbo, a gasolina. O Cooper S gera 184 cv de potência e 24,4 kgfm de torque a 1.600 rpm, e o S JCW produz 211 cavalos e torque de 26,5 kgfm a 1.850 rpm. S (automático) e S JCW (mecânico). Com exceção do Cooper S e do Cooper S JCW, os demais são todos equipados com motor 1.6, 4 cilindros, 16V, aspirado, a gasolina.

O projeto de sua construção foi feito para privilegiar uma condução esportiva. Está sendo vendido à um preço que não condiz muito com seu tamanho, o Cooper de 122 cavalos por R$ 134.900 e o Cooper S de 184 cv de potência por R$ 149.950. Para obter mais informações sobre o modelo como ficha técnica, fotos, vídeos e mais detalhes, acesse o site Mini Brasil
www.minibrasil.com.
Fonte: Motor Clube, Quatro Rodas, Mini Brasil

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sexta-feira, 16 de março de 2012

ENTREVISTA: Rafael Cardoso, trilhando sucessos e aprendendo com as histórias de seus personagens‏

Recentemente o ator Rafael Cardoso encerrou mais uma jornada na TV com o fim da novela “A Vida da Gente”. Mas não foi apenas mais um trabalho, mais uma novela, nela Rafael era o protagonista de uma bela história de amor e suas vertentes. Mas quem pensa que Rafael vem de uma longa trajetória na TV está enganado. Para se ter idéia, essa foi sua terceira novela na Globo. Porém o talento e a sensibilidade com a qual Rafael encara seus personagens, polêmicos ou não, é tão superior ao tempo de carreira que deixa tudo muito relativo. Tempos atrás ele já tinha mostrado à que veio também no cinema com sua estréia na pele de um personagem polêmico em “Do Começo ao Fim”, onde vivia uma história de amor com o próprio irmão. Casado e cheio de projetos, Rafael segue sua jornada artística sempre aprendendo um pouco com seus personagens e com as histórias que eles contam. Será assim com o futuro Júlio Bozano, do seu novo longa “Senhores da Guerra”, que em breve deverá encerrar as filmagens. Entre um personagem e outro, um trabalho e outro Rafa (como é conhecido pelos amigos, e nós já nos consideramos assim), respondeu às nossas perguntas para conhecermos um pouco mais desse promissor ator.

Sua estréia na TV veio por participações na TV RBS, da sua terra o Rio Grande do Sul. Como foi esse início? Este inicio se deu no "historias curtas" da RBS TV. Depois cheguei ao Rio de Janeiro para estudar, e após o termino deste curso voltei a Porto Alegre para fazer uma outra serie, "Pé na Porta". Gosto muito de trabalhar no sul. Lá consigo aliar trabalho e família.
 
Mesmo com poucas, mas expressivas, participações na TV logo você conquistou um lugar de destaque dentre uma nova geração de atores da TV Globo. À que você atribui isso? Acredito que nunca é uma coisa só, em nada na vida. Então fica difícil atribuir a alguma coisa especifica ou dizer um porque. Acho que existe um "movimento" para que as coisas aconteçam. Venho buscando e trabalhando em cima de meus projetos desde que decidi que iria viver da arte, e as oportunidades vem aparecendo. E que assim siga. Deixando de lado a etimologia da mesma, acho "trabalho" uma boa palavra.

Seus personagens Eduardo (de Cinquentinha), Thomas (do filme Do Começo ao Fim) e Rodrigo (de A Vida da Gente) trazem três forma diferentes de amor em suas histórias. Você consegue enxergar nesses três personagens tão distintos alguma ligação ou semelhança? Acho que a pergunta já tem a resposta. O amor. Os três personagens em algum momento de suas vidas tomaram como fio condutor da vida, o amor.

De alguma forma esses personagens te ensinaram algo que você não tinha vivido ainda? Acredito que todo personagem faz você se conhecer um pouco mais. E os três chegaram com boas reflexões.



Você acredita que se possa amar uma só pessoa por toda a vida? Ou o tempo vai mudando esse amor? Eu acho que na vida são tantos amores. Acho que seria hipocrisia falar que isso é possível. Acho que você acaba amando outras pessoas, nem que seja de formas diferentes.

Casar cedo cria um escudo contra o assédio das fãs? Nunca vi desta maneira. O assédio faz parte do trabalho. 
Como foi fazer um personagem tão denso como Thomas, do filme "Do Começo ao Fim", que tem um relacionamento incestuoso e homossexual com o meio-irmão? Foi um personagem com muitos conflitos, e uma historia que abria espaço para uma boa reflexão. É sempre bom fazer pensar, e acredito que esta foi uma obra que cumpriu este papel.

Profissionalmente, quais foram as pessoas mais importante de sua vida? Quem é sua referência artística? Tenho varias pessoas importantes nesta curta estrada. Não vou nem citar nomes para não esquecer ninguém, mas aprendo um pouco todo dia, com todos que trabalho ou que vejo trabalhar. É uma constante troca.

Assumir um protagonista dá frio na barriga? Em um primeiro momento sim. Mas depois que você entende e se situa, aí é que o jogo começa. 

Seu próximo longa será Senhores da Guerra, como foi participar desse filme? O que podemos esperar por ele? Estou retornando agora ao Sul para terminar este projeto. É uma bela história baseada na obra de José Antônio Severo (livro Os Senhores da Guerra), um épico histórico regional que retrata a revolução de 1923 e 1924 onde vivo o personagem Julio Bozano. Uma das maiores produções do cinema gaúcho até hoje. Pretendemos contar mais um pedaço da historia do Brasil, que é tão rica e que se conhece tão pouco. Acaba que pelo cinema, conhecemos mais a história de outras nações do que a nossa.

Você é um cara vaidoso? Até onde vai a sua vaidade? Eu cuido da saúde. Acho que ser um pouco vaidoso é saudável. Penso que não deve virar prioridade.

Faz o tipo atleta saudável ou é rato de academia? Como cuida do corpo?Estou mais pra atleta acredito. Jogo futebol, dou uma surfada sempre que possível, corro à pé e de Kart e também vou a academia dar uma malhada. Divido o tempo livre entre estudos e exercícios. Gosto de usar bem o tempo.

E como cuida da alma e da mente? Você é adepto da "beleza interior"? Com certeza. Tudo começa pela comida. Penso que somos o que comemos, não só em termos de aparência, mas também de atitude e pensamento. Uma alimentação saudável ajuda a ter uma mente saudável. Boas leituras e um tempo consigo também me ajudam.



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quinta-feira, 15 de março de 2012

FOTOGRAFIA: A imagem da paixão sob a ótica de cinco fotógrafos

“Um fotógrafo não faz uma fotografia apenas com sua câmera, mas com os livros que leu, os filmes que assistiu, as viagens que fez, as músicas que ouviu, as pessoas que amou.” (Ansel Adams)
 
O que á a paixão senão um turbilhão de emoções, instintos e impulsos que nos levam à frenética e insistente vontade de viver cada vez mais e mais profundamente junto do ser apaixonante? Exagero? Talvez sim, talvez não, caro leitor. Para alguns, paixão é algo tão sério, que até se torna profissão. Uma profissão apaixonante que começa no olhar de um e segue para o olhar de muitos.
 
Estamos falando da fotografia, a arte de usar a luz e a sensibilidade do olhar para contar uma história, revelar uma personalidade, criar um personagem, denunciar uma injustiça, celebrar uma conquista ou simplesmente capturar um momento único. Próxima da pintura para a grande maioria dos fotógrafos, ela também é comparada ao teatro.

Conversamos com alguns fotógrafos, com especialidades distintas para tentar compreender a fotografia e a paixão que ela desperta. Aviso antes de ler: você corre o sério de risco de também se apaixonar.
 
O Começo
 
O interesse pela fotografia pode vir da influência de alguém próximo, amigo, familiar ou pela magia que uma foto pode provocar. Sergio Santoian,  viu sua paixão pela fotografia nascer ao se deparar com uma capa de Playboy: “Meu primeiro contato com a fotografia, se deu em 1997, quando tinha apenas 12 anos de idade. Sem querer, passei numa banca com minha mãe, olhei para as revistas que lá estavam e me chamou atenção a capa da Playboy (fevereiro de 1997 - irmã caçula de Luiza Brunet) fiquei com a imagem da capa na cabeça, nem pela mulher em si, mas pela composição da capa. Cheguei em casa, liguei pra minha tia e pedi pra ela comprar a edição pra mim. A partir daí, começou não só uma história de amor pela revista, mas também, mesmo que involuntariamente, um amor por imagens”

Uma paixão que começou em uma banca de revista hoje é vista nelas também, já que Sergio fotografa para várias publicações brasileiras. O começo de qualquer profissão nunca é fácil, até o fotógrafo encontrar seu espaço e fazer o diferente, o que é só do seu olhar, leva tempo e precisa de muita dedicação e persistência. O mercado oferece vários cursos de fotografias que vão desde interesses por hobby ou profissionais. Escolher um bom profissional e uma boa proposta de conteúdo e metodologia pode fazer toda a diferença no resultado, e claro, entender que não basta só um curso, mas vários, até porque cada um tende a focar em uma parte do todo que é a fotografia.
 
Um bom curso deve ensinar a técnica, mas, sobretudo e ainda mais estimular o olhar do aluno, perceber suas potencialidades e encaminhá-lo ao desenvolvimento, segundo Miva Filho: “A técnica qualquer um aprende e o cara que quer ser fotografo ele vai aprender, se se dedicar, até mesmo sozinho. O bom curso tem que incentivar o aluno a construir, compreender e interpretar a realidade. O bom curso deve dar referencias e repertório para que o aluno consiga isso.” A leitura de revistas e vídeos na internet também rende boas dicas. Para Miva Filho, profissionalmente ou por hobby, o respeito pela fotografia deve ser o mesmo: “Acredito que um profissional ou um amador deve tentar ao máximo registrar o que realmente se quer registrar no momento do clique. Nunca fotografe de qualquer maneira só porque você não é profissional, faça o melhor, faça a foto.”

Para quem busca a fotografia como profissão a primeira lição vem do fotógrafo Arlindo Namour, “profissionalizar-se em primeiro lugar. Estudar muito, ter postura e acima de tudo: Ética. Quem tem intenção de entrar neste mercado que entre para somar, não para subtrair.” Miva Filho sugere a observação do mundo, suas formas, linhas, luzes “desmonte o que está a sua volta, tente sair do óbvio do que todos conseguem ver. veja o que está abaixo da superfície e experimente. Eduque seu olhar.”

De uma brincadeira de criança à realização de um adulto, foi assim que o fotógrafo Alan Chaves descobriu a fotografia na sua vida. “Saímos pelas ruas para estudar pessoas e como que por brincadeira com uma máquina simples registrava cenas e situações de pessoas ditas comuns, fazendo coisas banais e isso causou certo impacto nos meus professores, daí pra frente gostei do resultado que isso tudo causava e sempre tentava me superar, era um autodidata, resolvia minhas próprias equações (risos)... A fotografia entrou na minha vida como uma brincadeira de criança que não parou mais.”

A eterna e incansável prática é para Sergio Santoian o caminho certeiro para produzir cada vez melhor: “praticar muito, na rua, com amigos... praticar, clicar sempre! Conhecer trabalhos de fotógrafos reconhecidos e tentar buscar, na obra de algum deles, uma referência... também é legal!”

O Equipamento

As opções de equipamentos fotográficos são inúmeras e estão acessíveis a vários níveis de interesse e econômicos. Miva Filho sugere que a máquina do amador permita que ele realmente faça a imagem, sendo o mais manual possível para se evitar o uso da programação da câmera, para profissionais ele sugere câmeras reflex de lentes intercambiáveis. Segundo Alan Chaves, para um amador, de preferência uma que seja bem automática e fácil de ser manuseada. “As duas câmeras profissionais mais adquiridas são as linhas da Canon e da Nikon. Cada fabrica tem dezenas de modelos, com particularidades indicadas para cada seguimento profissional.”

Outras sugestões:


Como acontece a paixão 
O viver a fotografia, o seu dia-a-dia tem um sabor especial e promove toda uma gama de situações que a tornam ainda mais interessante. Conhecer pessoas, viajar em busca do cenário perfeito, ver algo de um jeito só seu e transmitir para outras pessoas, fazer poesia em um click, tudo isso faz a paixão nascer e crescer diariamente.
 
Eternizar um momento e saber que seu nome vai pra posteridade junto com a imagem que você criou é umas das delícias da profissão para Sergio “saber que seu trabalho pode ser publicado, conhecido por um grande número de pessoas, e que principalmente vai ficar para posteridade, com a assinatura de um olhar único, sem cópias.”
 
Para Miva Filho, além de ser pago pra fazer algo que ama profundamente, o melhor de ser fotógrafo é poder se comunicar com outras pessoas de uma forma mais ampla, do que a fala ou a escrita, poder mostrar o que pensa não importando a língua e dando a oportunidade das pessoas darem outros significados e interpretações ao que ele viu e mostrou através de suas imagens. A fotografia faz do fotógrafo um professor, um artista e também um contador de histórias e o glamour e o reconhecimento pelo que se produz, segundo Arlindo, dá um gostinho bom à profissão, mesmo com os desafios diários e busca incessante pela perfeição.
 
 

A fotografia perfeita e os sacrilégios

Para Miva Filho a perfeição é impossível de ser alcançada, mas é uma obrigação persegui-la, e este perseguir se traduz na eficiência da fotografia. De acordo com nosso time de entrevistados a imagem antes de tudo tem de contar uma história, dizer o que aconteceu ali, naquele momento em que foi capturada, unir a exposição correta com um apurado senso de oportunidade, seja ela o que for. A foto jornalística precisa narrar os fatos sem que o leitor precise ler a matéria, a artística precisa provocar reações, afloras sentimentos e a foto-publicitária, por exemplo, vender o produto. E tudo isso precisa ser feito saindo do óbvio.

E na busca por essa perfeição será que vale tudo? Em um mundo cada vez mais tecnológico em nome da perfeição a imperfeição pode surgir por conta dos abusos cometidos no uso dos softwares de tratamento de imagem. Para Alan Chaves, a fotografia perfeita é aquela que transcende os padrões da câmera e ultrapassam a visão humana, atingindo assim o coração.
 
Arlindo considera um sacrilégio deixar as pessoas com aparências andrógenas de tanta manipulação através de photoshop e outros recursos. A aparência fake da foto desacredita publicação e profissional, por isso o uso desses artifícios deve ser feito com bom senso. A obsessão pela técnica tira muito da vida da fotografia, e fotografia é antes de tudo feita com a alma, afinal não são os olhos as janelas da alma?
 
Usar softwares e manipular imagens não é um crime que deve ser banido do mundo da fotografia, muito pelo contrário, pode e deve ser usado, quando necessário e desde que haja uma admissão de seu uso. O limite da manipulação é o bom senso e a verdade que se quer passar através daquela imagem.



Para ser um bom fotógrafo
E depois que você se apaixonou pela fotografia, o que fazer para se tornar um bom fotógrafo? Ter um bom equipamento faz parte, mas antes de tudo você deve ser um observador nato, perceber o mundo à sua volta, interpretar e fazer um recorte disso em uma imagem, Miva Filho completa que o bom fotógrafo consegue colocar significado e compor elementos no espaço físico que é a fotografia.

A sensibilidade é requisito fundamental, segundo Sergio, é a sensibilidade que vai fazer com que o profissional enxergue que cada pessoa é uma pessoa, cada objeto é um objeto, ou seja, que cada coisa a ser fotografada é única e especial naquele momento e que mesmo o mundo sendo único para todos, para o fotógrafo cada pessoa deve ser encarada como um mar de possibilidades. “A sensibilidade está para a arte, como a água esta para o corpo humano. É fundamental ser capaz, a se abrir para um outro mundo diferente, mais panorâmico, abrangente, que não seja somente um fundo infinito com dois flashes ao lado.” Diz Alan Chaves.

Mas para tudo isso, bagagem é fundamental e aí retomamos a citação de início de Ansel Adams: “Um fotógrafo não faz uma fotografia apenas com sua câmera, mas com os livros que leu, os filmes que assistiu,  as viagens que fez, as músicas que ouviu, as pessoas que amou.”

Um bom repertório cultural é fundamental para despertar os vários sentidos de um fotógrafo, liberar sua imaginação, apurar seu senso de oportunidade e fazê-lo enxergar onde os demais nada vêem. A técnica, claro, é indispensável, mas operar botões se aprende rápido, todo o resto é uma construção que começa e recomeça a todo instante.


AS REFERÊNCIAS
E como quem quer começar muitas vezes precisa ter referências, nossos entrevistados falam das suas:

Para Arlindo Namour: “Helmut Newton, pela originalidade, técnica e ousadia. Bresson, pela vida dedicada a registrar o século passado de forma tão imparcial. Sebastião Salgado, pela maneira com que se envolve em seu trabalho, vivendo cada desafio profundamente.”

Para Sergio Santoin: “Bob Wolfenson e Sebastião Salgado. Acho que são exemplos de fotógrafos reconhecidos mundialmente, com lindos olhares serem compartilhados por todos nós! “

Para Miva Filho: “José Medeiros, Robert Capa, Annie Leibovitz e Henri Cartier Bresson”

Para Alan Chaves: Sebastião Salgado. Foi quando ele foi morar com os “sem terra”, para entender melhor antes de contar uma história, foi o que entendi que não se pode se apropriar de uma causa sem abraçá-la de corpo e alma. E que isso seria um falso testemunho. Cada pessoa tem sua singularidade e suas verdades e que se você não se dedicar a ouvi-los jamais será digno de retratá-los.

E já que falamos tanto de fotografia, vamos mostrar um pouco mais da produção de nossos entrevistados:

Arlindo Namour:

http://namourphoto.com/

Miva Filho:
http://www.flickr.com/photos/mivafilho

Sergio Santoin:
https://www.facebook.com/sergio.santoian



Paula, quando você descobriu a fotografia? Em 2004, quando comecei a buscar mais um instrumento de manifesto dentro da área das artes visuais.   

Em que momento a fotografia passou a ser profissão para você? Nunca. A fotografia para mim é arte. Tem sido há sete anos meu veículo de expressão artística. Antes da fotografia me utilizei de vários outros veículos e, nada impede que eu ainda os troque ou, até mesmo que eu faça uma boa mistura entre eles. Sou inquieta e preciso de liberdade. Esse preceito me levou a uma carreira solo. Aprendi com minha experiência a aceitar somente os trabalhos em que meu DNA possa ficar implantado. 

Quais as delícias e agruras de ser fotógrafo profissional? No meu caso, a delícia maior de ser uma fotógrafa é poder construir uma imagem e me expressar através dela. O maior dissabor é o de, às vezes, inevitavelmente, ter que ceder as ideias e as opiniões de terceiros.

Representar o Brasil na Bienal Internacional de Roma significa o que para você? Vejo isso como um aprendizado. É mais uma etapa do caminho que estou percorrendo.
 
Sua obra “The Little Princess”, baseada em "O Pequeno Príncipe", te trouxe algum desafio novo? Como esse trabalho te tocou? Na obra "The Little Princess" abordei a liberdade artística. O tema foi levado a Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Firenze em dezembro do ano passado. Participar de uma Bienal é sempre um desafio.

Qual o limiar entre uma foto meramente técnica  e uma obra de arte fotográfica? A existência ou não de uma ideia, de um conceito.
 
Pode-ser treinar o olhar para se tornar um bom fotógrafo? Sim, o que já é boa parte do caminho. Fica faltando a alma e um pouquinho de técnica.

Correções através de softwares tiram maculam a foto? Depende de que categoria de foto estamos falando. Em moda, por exemplo, não existe imagem sem manipulação. Não existem verdades absolutas. Depende do que se deseja fazer, de onde se quer chegar, de que resultado se quer atingir...

Quem são seus ídolos na fotografia? Por quê? Steven Meisel, Patrick Demarchelier, Mario Testino, Terry Richardson, Helmut Newton e muitos outros. Seus trabalhos têm força e personalidade.



Site oficial: www.paulaklien.com.br


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