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quinta-feira, 5 de maio de 2011

CULTURA: A Estética do Cangaço, por Frederico Pernambucano de Melo


O universo do cangaço sempre foi um assunto muito próprio do universo masculino, onde os homens dominavam e comandavam seus grupos. Tanto que o mais famoso representante dessa cultura de foras da lei, o Mestre Virgulino, vulgo Lampião, até hoje é tema de livros e estudos. Sempre com histórias ligadas a nossa cultura, em especial pelo cangaço que nos fascina com seus “causos” e relatos. Para saber um pouco mais dessa cultura fomos atrás do celebre escritor pernambucano Frederico Pernambucano de Melo, que recentemente lançou o livro “Estrelas de Couro, a Estética do Cangaço” que mostra a face oculta quando se fala em cangaço. Frederico é Procurador Federal e Historiador, pesquisou a fundo as histórias do cangaço e passou dias na caatinga como os antigos “cabras” do bando de Lampião. E em breve será o curador do Museu no Estado sobre o tema.

Sobre a vontade de ser escritor e falar sobre o cangaço, Frederico nos falou não saber se o homem descobre a vocação ou se a vocação descobre o homem, mas o fato é que ele é um homem dos dois mundos já que a família do pai é do litoral e a da mãe do alto sertão. Quando jovem Frederico gostava de ouvir as histórias dos antigos cangaceiros que fizeram parte do bando de lampião que costumavam freqüentar sua casa para escutar suas histórias, nessa época já sentia necessidade de relatar e perpetuar para história o conhecimento de um universo real nordestino e da sua saga mais apaixonante que foi o cangaço.

Frederico foi muito amigo do escritor e sociólogo Gilberto Freire, que era primo de seu avô paterno Ulisses Pernambucano de Melo, essa amizade começou na época em que ele fazia faculdade, já que seu maior desejo era fazer parte do grupo montado por ele e composto por Silvio Rabino (psicólogo social), René Ribeiro (escritor), Estevão Pinto (historiador) e tantos outros. Frederico passou 15 anos trabalhando como assistente dele, seu ensinamento mais precioso foi sobre a percepção. Ele dizia que a percepção era a porta de entrada para grande inteligência e completava com a frase “prestem bem atenção a pormenores que iluminam”.

Mas como você avalia a opinião popular sobre o cangaço? “Cambiante como sempre já que é contada por duas vertentes, a dos antigos oficiais de polícia que tinham combatido o cangaço e que por isso os demonizava e pelos marxistas que desculpavam todas as brutalidades cometidas pelos mesmos.”

Sobre os autores que dedicaram parte da sua vida a relatar sobre o cangaço, Frederico nos cita José Lins do Rego com “Pedra Bonita” e “Cangaceiros”, Graciliano Ramos com “Vidas Secas”, Cândido Portinari com a coleção "Cangaceiros",  na Europa quando o tema é citado através de Glauber Rocha com “O Dragão da maldade Contra o Santo Guerreiro” e “Deus e o Diabo na Terra do Sol” e Lima Barreto com o filme “O Cangaceiro”.

Frederico vê o cangaço como um movimento de irredentismo brasileiro, já que no processo de descobrimento os europeus relatavam que aqui se vivia "sem lei, nem rei e se era feliz". “Esse mito fez com que certos grupos sociais no Brasil desde os primórdios da colonização ficassem a margem do processo que se desdobrou a partir de uma ideologia chamada mercantilismo que é considerada como o pré-capitalismo. Foram esses os valores que o descobridor nos trouxe. Alguns grupos se afeiçoaram e aceitaram até serem escravizados para entrar no processo econômico e de grande prestígio dos metais nobres, os que não se renderam a esses encantos se mantiveram as margens e muitas vezes de arma em punho para uma possível defesa.” 

Sobre como surgiu a idéia de misturar versos populares em trechos do seu livro “Guerreiros do Sol”, Frederico nos fala que “surgiu para mostrar a cultura e a história de um povo que por muitas vezes só recebeu notícias através dos versos cantados na boca dos ciganos, no sertão ainda é comum reunir as pessoas para declamar canções, versos ou causos.”

Uma curiosidade bem comum é sobre o significado e a importância dos símbolos estampados nas peças que eram usadas pelos cangaceiros. Que na verdade, segundo Frederico, era a representação das crenças populares onde se buscava nos símbolos uma forma de proteção. Além de trazer defesas e atacar os inimigos, muitos serviam como adorno estético. Um dos principais é a estrela de Salomão que é uma espécie de blindagem, já que os cangaceiros acreditavam que elas devolviam todo mal que era desejado a eles.

Frederico nos relata uma curiosidade interessante, que tais adornos eram feitos pelos próprios cangaceiros, exímios costureiros e pode-se dizer até que eram “estilistas”, que muitas vezes desenhavam antes de iniciar a costura. Em alguns caso costurar rendia a um “cabra” a liderança de um subgrupo já que assim ele conseguia “condecorar” seu bando.

Para saber um pouco mais sobre a estética e a influência do cangaço na sociedade, recomendamos, além dos filmes citados por Frederico, os seus dois livros, “Estrelas de Couro, a Estética do Cangaço” e “Guerreiros do Sol”.

Texto/Entrevista: Jamahe Lima
Fotos: Jamahe Lima, Divulgação, Rede Globo, Portal São Francisco
Agradecimentos: Frederico Pernambucano de Melo

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Sérgio Porto e As Cariocas


Amanhã começa na Globo mais uma série baseada nas obras do escritor Sérgio Porto, também conhecido como Stanislaw Ponte Preta. Mas e quem foi Sérgio Porto? Ou porque Stanislaw Ponte Preta? Essas talvez sejam as perguntas mais feitas por alguns ultimamente. Pensando nisso mergulhamos de cabeça da vida e na obra desse grande escritor, cronista, radialista e compositor brasileiro.
Carioca nascido em pleno verão em 11 de janeiro de 1923, foi lá no final dos anos 40 que Sérgio iniciava sua carreira de jornalista em publicações como nas revistas Sombra e Manchete e jornais como Última Hora, Tribuna de Imprensa e Diário Carioca. Seus textos tinha como característica a irreverência.

O seu jeito carioca de ser fez nascer textos saborosos de ler com o tom coloquial do Rio de Janeiro da época. Suas crônicas eram conduzidas a partir de pistas falsas, onde o final esperado não acontecia, pegando o leitor de surpresa diante de um final totalmente inesperado. Sérgio Porto conhecedor de Música Popular Brasileira, chegou a compor músicas como "Samba do Crioulo Doido" para o teatro rebolado.

Foi na época em que trabalhou nos jornais que conheceu o jornalista Jacinto de Thormes que também trabalhava no jornal como ilustrador. Foi nesse momento que surgiria o Stanislaw Ponte Preta com crônicas satirizando e criticando o cenário político e social na época criadas por Sérgio e Santa Rosa. Por sinal o primeiro ilustrador do personagem inspirado em Serafim Ponte Preta de Oswald de Andrade. E foi com a criação de personagens como Tia Zulmira e Primo Altamirando que surgiu o primeiro FEBEAPÁ, Festival de Besteira que Assola o País, lançado em pleno golpe militar de 1964. Por conta disso que terminaram tendo mais projeção e por consequência foi um sucesso.

Stanislaw dizia que era difícil dizer em que dia que as besteiras começaram a assolar o Brasil, mas disse ter notado o crescimento desse festival depois que uma inspetora de ensino na época, vinda do interior de São Paulo, trouxe uma senhora de nível intelectual mais elevado pouquinha coisa, que soube que o filho tinha tirara zero numa prova de matemática, e mesmo sabendo que o filho era um debilóide, não pensou duas vezes e foi denunciar às autoridades o professor da criança como ser um perigoso agente comunista.

AS CERTINHAS DO LALAU
Depois que a revista Manchete lançou a lista com as "Mulheres Mais Bem Vestidas do Ano", Stanislaw, que também começara a escrever sobre teatro-rebolado, tratou de pegar carona e criou sua própria lista das "Mulheres Mais Bem Despidas do Ano". De tanto ouvir das mães das vedetes, começou a usar a expressão ouvida de seu pai — "Olha só que moça mais certa" — daí surgiam as "certinhas" do Lalau. No período de 1954 a 1968 foram 142 selecionadas. As que ficaram mais famosas foram Aizita Nascimento, Betty Faria, Brigitte Blair, Carmen Verônica, Íris Bruzzi, Miriam Pérsia, Norma Bengell, Sônia Mamede e Virgínia Lane, só pra citar algumas. Era uma honra ser escolhida como "certinha do Lalau", algo como uma "namoradinha do Brasil" ou simplesmente um sex symbol admirada por todos. Adaptando para os dias de hoje poderiam exemplificar como uma Aline Moraes, Deborah Secco ou uma Grazi Massafera (todas escolhidas para o seriado).
AS CARIOCAS
A série de contos que relata a vida de várias mulheres diferentes no cotidiano carioca foi lançado em 1967. Ambientado em diversos bairros do Rio de Janeiro, a história de "As Cariocas" é escrito de um jeito irônico e irreverente do Sérgio, ou Stanislaw Ponte Preta, seu pseudônimo em textos mais humorísticos, quase um alterego. Na série da Globo teremos dez atrizes irão protagonizar dez episódios independentes. São elas: Alinne Moraes ("A Noiva do Catete"), Cíntia Rosa ("A Internauta da Mangueira"), Adriana Esteves ("A Vingativa do Méier"), Alessandra Negrini ("A Iludida de Copacabana"), Paola Oliveira ("A Atormentada da Tijuca"), Grazi Massafera ("A Desinibida do Grajaú"), Fernanda Torres ("A Invejosa de Ipanema"), Sonia Braga ("A Adúltera da Urca"), Deborah Secco ("A Suicida da Lapa") e Angélica ("A Traída da Barra").