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terça-feira, 11 de agosto de 2015

DIÁRIO DE BORDO: Ghent (Bélgica) encanta pelo seu ar medieval e a variedade de cervejas

Apaixonados por viagens, nosso editor de viagem Fernando Russo e sua esposa, a fotógrafa, Anaisa Sêneda decidiram abandonar a correria em São Paulo para cair no mundo experimentando a vida fora do Brasil. Viajante de carteirinha, com experiência profissional em uma agência de viagens, da qual é um dos fundadores, Fernando começa esse projeto já com 72 países no currículo e pretende bater a meta de 150 países visitados até 2025. A "turnê" iniciada em julho passado poderá ser acompanhada através de um blog criado por eles para compartilhar a experiência, divulgar novos destinos e encorajar as pessoas a explorarem novas culturas. Aqui na MENSCH vamos publicar alguns diários de bordo dessa aventura. A primeira parada é a pequena e agitada Ghent, na Bélgica. Vamos lá viajar juntos pela terra da cerveja.



A grande surpresa da nossa viagem até agora foi a cidade de Ghent na Bélgica. Alugamos um apartamento lá por seis dias para explorar a Bélgica. Como o país é pequeno e as distâncias entre as cidades são bem curtas, ao invés de arrastar as malas pulando de cidade em cidade, resolvemos estabelecer nossa base em Ghent em um apartamento alugado pelo airbnb e experimentar de forma mais autêntica a vida na Bélgica. No primeiro dia descobrimos que seria difícil sair de Ghent. A cidade combina a beleza arquitetônica medieval da vizinha famosa Bruges, com a vibe de uma cidade universitária. 

Poucos turistas passam por Ghent e a cidade tem uma boa quantidade de bares e restaurantes frequentados pelos estudantes. O centro histórico é cortado por belos canais e agora no verão os habitantes curtem os dias de calor e sol passeando de barco por eles. Os bares com suas enormes cartas de cerveja belga colocam suas mesas na calçada, e grande parte dos estudantes curte o verão tomando uma gelada no final da tarde na beira do canal. 




No final de semana, na antiga zona industrial um mercado de objetos usados e arte toma conta de um galpão abandonado, e a área em frente ao canal vira uma praia. A cidade também é famosa pela arte de rua e um programa bacana é descobrir os grafites nos becos da cidade. Para os mais chegados em história, vale uma visita ao belo castelo medieval que fica bem no centro da cidade. Ghent já foi a terceira maior cidade da Europa na idade média e não faltam por aqui prédios de arquitetura medieval. 

Uma dica importante para não fazer feio com os locais é esquecer o francês por aqui. Ghent fica na região de Flanders e o idioma falado por todos na rua é o Holandês. Diferente de Bruxelas, falar inglês aqui é mais bem recebido do que arriscar o francês. Não deixe de provar as duas marcas de cerveja favoritas da cidade, a Vedett e a Gentse. A primeira cai muito bem no verão nas versões Wit e IPA. A segunda já segue a escola tradicional Belga e cai bem na versão Bruin ou Triple. 


Acompanhe mais destinos pelo site Projeto 150 Países.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

DIÁRIO DE BORDO: Rishikesh, o lado zen da Índia

Rishikesh, cidade localizada no Norte da Índia, portão de entrada para os Himalaias, é considerada uma cidade sagrada pelos Hindus e ao pé-da-letra significa “senhor dos sentidos”, em alusão ao Senhor Vishnu, um dos deuses locais. Mundialmente conhecida como a capital da Yoga e apesar de muito pequena, é ponto de destino não só de peregrinos indianos de todo o país, mas também de uma infinidade de europeus que costumam ir à cidade para fazer retiros espirituais, muitas vezes prolongados. Sagrado também é o famoso Rio Ganges, carinhosamente chamado pelos hindus de Ganga e visto como um Deus muito respeitado, considerado “A Mãe”, pois, na Índia, ele exalta a energia sagrada feminina. O Ganga corta a cidade logo após sair de sua nascente, com inúmeros templos às suas margens na cidade de Rishikesh e oferece um lindo visual com suas águas verdes cristalinas, bem diferentes de seu leito poluído próximo às terras mais ocidentais, como em Varansi, a cidade dos mortos.

Bom, a Índia por si só já é uma experiência e chegar em Nova Delhi, sair direto do aeroporto de carro para Rishikesh, num percurso de quatro horas foi no mínimo, um choque de realidade. Éramos um grupo de cinco, divididos em dois carros pequenos, sem ar condicionado, mas ao menos com motoristas. Isso porque além dos carros circularem à moda inglesa, com o motorista à direita, um ocidental turista como a gente dirigindo por lá seria suicídio na certa. No nosso trajeto não existia faixa, mão, contra-mão, calçadas. Somente as buzinas para guiar os motoristas e avisar “eu to passando”. Sem exageros, não passei mais que cinco segundos sem ouvir uma buzina! As vacas, consideradas sagradas, parecem que sabem que são senhoras do pedaço e atravessam e andam na pista tranquilamente quando bem entendem. Os motoqueiros, muitas vezes com uma criança na frente, outra atrás e a mulher por último, sentada de lado vestida no seu sári, andam por todos os lados e atravessam onde querem. Para completar o circo no tráfego, os Rickshaws, aqueles minicarrinhos típicos que têm um motorista que dirige com um guidom e carrega duas pessoas sentadas atrás, também circulam e buzinam à torta e à direita. Agora o mais impressionante é que no meio desse caos todo, não vi um acidente sequer e nenhuma discussão ou chingamento! Os indianos metem a mão na buzina, o trânsito estanca e todos permanecem com a cara mais plácida do mundo, sem nenhuma exaltação. Realmente meu limiar de paciência no trânsito brasileiro mudou muito depois dessa referência indiana. (risos)

Por fim, depois de muita emoção, adrenalina e de ver a morte umas três vezes na minha frente na estrada – brincadeira, (risos) – chegamos na pacata e realmente energizada Rishikesh. Todos, todos sem exceção com uma serenidade e um sorriso largo no rosto. A cidade é dividida pelo lindo Rio Ganges e unida por uma ponte muito comprida e estreita, com suspensões de aço. Às vezes é um verdadeiro tumulto atravessar. Logo de cara tive que me encostar na sua lateral pra deixar uma vaca marrom enorme passar. É, as vacas na Índia também atravessam pontes por vontade própria e algumas vezes se estiram no meio delas e ninguém tange, a gente tem que passar por cima! Reinavam na ponte também os diversos macacos que moram em Rishikesh. Morri de rir, ficam todos em pontos estratégicos nas pontes olhando pras sacolas das pessoas, prontos pra dar o bote. Vi uma indiana danada da vida porque estava voltando com compras de frutas nas mãos e três deles deram um bote certeiro e roubaram tudo. Foi gritaria geral!


Já no segundo dia na cidade, conheci o Ashish, de casta social Brâmane, que trabalha com pedras preciosas indianas numa tradicional joalheria da família, passada de geração a geração. Ele nos levou pra conhecer sua simpática família. Sua esposa, Shima, preparou um verdadeiro banquete indiano para nos receber, mas antes, sempre o tradicional tchai (chá com leite) para dar as boas vindas. A comida foi uma fartura, vegetariana como de costume, mas como ela já recebeu outros ocidentais, disse ter maneirado no tempero e na pimenta, apenas pra gente. Na tradicional família indiana Brâmane, as mulheres não trabalham, ficam em casa cuidando dos filhos e cozinhando. Os homens nunca participam da cozinha, a mulher geralmente se muda pra casa do marido e vive com o sogro e a sogra, com a qualidade une e ajudam-se mutuamente nos afazeres e os bebês (eles tinha um) têm seus olhos pintados com cajal preto para trazer proteção e aumentar de tamanho. Na cultura, quanto maior os olhos, maior o padrão de beleza.

Depois o Ashish me levou para acompanhá-lo em um de seus hobbies: passear de moto pelas florestas às margens do Ganges e ir parando nos templos espalhados pela mata. O Ashish, assim como a grande maioria dos indianos, é muito religioso e no outro dia me levou a um templo hindu para participar de um Puja, o tradicional culto e veneração aos deuses hindus, que nesse dia, foi para o deus Shiva, o deus da inteligência, do discernimento e o que destrói tudo que não está bom. Shiva é pai de Ganesh, aquele Deus que tem rosto de elefante e é muito querido pelos indianos. Traz abundância e remove obstáculos. O "padre" reza o tempo inteiro em vedan, a língua dos ancestrais Vedas que existiram por lá há dois mil anos antes de Cristo. E varias oferendas são feitas com água, mel, leite, coalhada, manteiga, produtos da natureza para agradecer à fertilidade e à abundância materna representada ali também pelas vacas. No final, o padre pinta o tradicional terceiro olho indiano na nossa testa, entre as sobrancelhas, chamando pela nossa intuição e bom discernimento, além de proteção. 

No pôr-do-Sol, fomos à beira do rio Ganges para participar de um puja maior, diariamente oferecido ao Ganga e também ao deus Shiva. Essa era uma cerimônia grande, com cantos hindus, muitas pessoas, oferendas com fogo sagrado e às margens do lindo visual do rio e da cidade do outro lado. Todos os peregrinos indianos vão a Rishikesh para tomar banho e se purificar nas águas do Ganges. Essa tradição persiste há milênios.

Essa foi a primeira vez que estive num país politeísta, que acredita em vários deuses ao mesmo tempo. A devoção, fé e respeito mútuo presente entre os indianos é bem tocante. Uma lição de vida também perceber um povo que não acredita em um único Deus, mas que TUDO é Deus. A tolerância, o respeito e o sorriso mútuo no rosto deles, provavelmente tem base nesse ponto de vista.

Enfim, saí de Rishikesh com uma sensação de bem estar e tranqüilidade muito grande. Entendi a disputada busca dos europeus por esse lugar e levei comigo um mantra que aprendi e que me acompanha até hoje. É mais ou menos assim: "Isso é perfeito, aquilo é perfeito. Do perfeito surge o perfeito. Pegue o perfeito, retire o perfeito e ainda assim o que sobrar será perfeito." Namastê!!

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quinta-feira, 14 de junho de 2012

DIÁRIO DE BORDO: Índia, descobrindo o país da magia, dos mistérios‏ e de uma cultura cheia de contrastes

Nunca pensei em conhecer a Índia. Mas desde a primeira vez que vi uma foto do Taj Mahal, soube que, um dia, esse país seria meu destino de viagem. Quando chegamos a Nova Deli, a primeira sensação foi de choque: buzinas, caos, gente pra tudo quanto é lado! Mas, como o inglês foi uma das heranças deixadas pelos anos de dominação inglesa a comunicação fluiu.
  
Eu e minha amiga, Raquel, tínhamos planejado ir pra Agra, cidade do Taj Mahal; pra Varanasi, onde veríamos os rituais religiosos à beira do Ganges e terminar a viagem passando dois ou três dias em Deli. Como não conseguimos comprar aqui no Brasil - nem em agências, nem pela internet - os bilhetes de trem ou de ônibus que nos levariam a essas cidades, optamos por contratar um motorista de confiança, que foi providenciado pelo nosso hotel em Deli.
 
Mal chegamos à Nova Deli e já seguimos com Dharam (que, para nós, soava Deeru), nosso motorista-guia, para Agra. Por sua sugestão, alteramos nosso roteiro inicial e incluímos a cidade de Jaipur, no Rajastão, fazendo assim o triângulo Deli-Agra-Jaipur, via terrestre. As distâncias não são longas, mas devido a má condição das estradas e ao costume local de ignorar as regras de trânsito (apesar de elas existirem!), distancias de 250 km são percorridas em 5 ou 6 horas. Mas não da pra se entediar. Alem de o pôr-do-sol ser um espetáculo, as estradas apresentam uma enorme variedade de entretenimentos. Vimos ônibus e caminhões de boias-frias onde não cabia mais uma mosca. As pessoas sentam nos colos umas das outras, inclusive homens em colos de homens, se encaixando como podem, formando uma espécie de “lego” humano.
  


O fato de não se seguir as leis, torna o caminho uma surpresa a cada quilômetro. Quando menos esperávamos, um caminhão ou rickshaw entrava na nossa frente e confrontava nosso carro em busca de passagem. Lá, tamanho não é documento, ganha aquele que mais buzinar. Inclusive há dizeres nos veículos pedindo: “Por favor, buzine!”
 


De Deli pra Agra, em um dos congestionamentos em que o carro zerou a velocidade, fomos paqueradas por um grupo de adolescentes e jovens. Fiz o símbolo do coração com as mãos pela janela e dois deles vieram correndo em minha direção. Entusiasmada, peguei a máquina fotográfica, mas eles saíram correndo de volta, assustados. Diante da minha cara de interrogação “Deeru” esclareceu que eles ficaram com medo de serem fotografados, pois a paquera deles é considerada desrespeitosa, sendo inclusive crime previsto em lei.
 
Agra assusta tanto pela quantidade de lixo espalhado, quanto pela ausência de mulheres nas ruas. Tirando as turistas, que se concentram nos pontos de visitação, em dois dias só vimos três sáris coloridos caminhando pelas ruas da cidade.
 
Mas o monumento erguido pelo soberano Shah Jahan como símbolo do seu amor por sua esposa favorita, Mumtaz Mahal, vale toda a trajetória! O portal de entrada tem passagens do Corão, em que as letras foram dimensionadas em gradação, de baixo pra cima, com o objetivo de parecerem todas do mesmo tamanho. Outra façanha arquitetônica do século XVII, está nos quatro minaretes (torre característica da arquitetura muçulmana) que cercam o palácio principal: eles foram construídos ligeiramente inclinados em direção oposta ao Taj Mahal, para que, em caso de terremoto, ele não seja destruído pela eventual queda dessas torres.
  
Saindo de Agra para Jaipur, o encantamento com o passado da realeza, sua riqueza, luxo e caprichos, só aumenta. Paramos em Fatehpur Sikri, uma cidade em arenito vermelho, matematicamente construída pelo imperador Akbar, na era mogul (1526 d.C a 1858 d.C), mas que fora abandonada, apenas 14 anos depois de concluída, pela dificuldade de acesso a água. Akbar teve três esposas: uma hindu, uma crista e outra muçulmana. Fez um palácio pra cada uma delas, com arquitetura e obras de arte referentes a religião a que pertenciam. Sempre as tratou com igualdade, mas no fim acabou por construir um palácio maior para a esposa hindu, que o presenteou com seu primeiro filho homem. Os indianos até hoje o consideram um dos soberanos mais admirados, pois Akbar uniu o país ao colocar as três religiões no mesmo patamar.
 


Nos arredores da capital do Rajastão, o Palácio de Amber, no alto de um morro, é um convite a fantasia. O acesso a sua entrada principal se dá por um longo caminho, ladeira acima, que a maioria dos turistas percorre em cima de elefantes tipicamente enfeitados. Ao cruzarmos o portal de entrada, o espetáculo continua: vários elefantes desfilam em circulo no grande pátio do palácio, enquanto um encantador de serpentes seduz uma cobra, que sai toda prosa do cesto toda vez que ele toca sua flauta. Já dentro da residência real, é difícil não se perder. Os corredores são verdadeiros labirintos, repletos de passagens secretas que conectavam o quarto do rei com os aposentos individuais de cada uma das suas 12 esposas e centenas de concubinas.
 
No centro de Jaipur fomos brindadas com a beleza da Pink City, cidade toda pintada em cor de rosa em 1876, para visita do Príncipe de Gales. Lá os comerciantes exercem sua arte com maestria. Dentro de suas lojas nos sentimos em casa - sentamos no sofá e tomamos chá enquanto “trocávamos figurinhas” sobre nossos países. E difícil resistir e não levar um sári diante de tão grande receptividade e afetuosidade!
 

Os comerciantes representam uma casta entre as várias existentes na Índia, e que determinam o destino de cada pessoa. Tanto profissionalmente, quanto nos relacionamentos afetivos, a vida é praticamente restrita aquela que cada casta oferece. Os harijan (ou dalits), que estão abaixo da ultima das quatro castas e são considerados a poeira do universo, passam os dias varrendo as cidades e seus monumentos. Os brâmanes, com seus rostos pintados, inspiram medo e respeito ao mesmo tempo, e a abnegação em que vivem, refletida na magreza e nos trajes simples, em muito me lembrou Gandhi.
  
Aliás, a multiplicidade de vestimentas dos homens, cada uma associada a uma crença ou posição na sociedade, também impressiona. Dentre os que usam turbantes, pode-se diferenciá-los pelo pingente na testa; pelo bigode apontado pra cima, a la Salvador Dali; ou até pela barba enorme, que eles nunca cortam (curiosamente, por baixo do turbante também há uma cabeleira avessa a tesoura)!
 
Em seguida, voamos para Varanasi, uma das cidades indianas que mais respira religiosidade. As pessoas só começam a trabalhar as 10 da manha, após terem orado, meditado, feito suas oferendas ou rituais. Ao amanhecer, os templos, mesquitas e igrejas são sempre cheios; e o Ganges abençoa os hindus que nele se banham e bebem suas águas.
 
O “rio sagrado” é reverenciado em vida e na morte pelos hindus. O ritual de cremação dos corpos acontece nos crematórios situados nos 84 ghats que percorrem o seu leito. Os homens mais abastados de todo o pais, vão as suas margens cumprir o ritual do fogo sagrado quando alguém da família falece: uma parte do corpo do morto – da região do peito, nos homens e da área do quadril, nas mulheres – é lançada ao Ganges, e o restante do corpo e cremado com “um pedaço” desse fogo, que é caríssimo para a maioria da população.

A religião também divide as áreas habitacionais da cidade. Visitamos um bairro muçulmano, onde a tradição de produzir a seda, passada de gerações a gerações, é a maior fonte de renda. Ficamos impressionadas com a quantidade de crianças em meio a tanta pobreza. Nosso guia, que é cristão, nos explicou que os seguidores do Islã, que hoje são em torno de 17% da população do país - contra 70% dos hindus - têm a meta de se tornar a maioria religiosa do país, por isso têm muitos filhos, mesmo sem condições financeiras de criá-los.
 

De volta à Nova Deli, resolvemos deixar de lado a mordomia do “carro próprio” e sentir como funciona o quotidiano das pessoas locais. Pegamos metrô, andamos pelas largas e infinitas ruas que separam o Museu do Gandhi, o Forte Vermelho e a Jama Masjid; e pela efervescência da Rua Chandni Chowk em direção ao Spice Market. Foi quando entendemos o significado da expressão “fila indiana”, pois de tanta gente nas ruas, em vários trechos as pessoas transitam literalmente em filas!
 
Mesmo Deli se diferenciando das demais cidades em que estivemos, pela modernidade dos fast-foods, das ruas bem pavimentadas e das mulheres vestindo jeans, a sensação de se estar voltando ao período do “comercio das especiarias”, logo após a descoberta das rotas marítimas, é forte em Old Deli. Inúmeros mercados temáticos se entranham pelas ruelas do centro: de jóias, artigos decorativos, temperos e há até um longo setor exclusivo para conserto de bicicletas, meio de transporte de grande parte da população, inclusive dos “taxistas de rickshaws”.
 
Embora a Índia seja encantadora pelos seus vários patrimônios históricos da humanidade; são as suas historias e lendas, e as descobertas que essa cultura cheia de contrastes nos trazem a cada segundo que mais fascinam. É impressionante que um país localizado exatamente entre o Ocidente e o Oriente Asiático não tenha se perdido entre essas influências, mas, ao contrário, se mantenha como um lugar único. Tão singular, que a tradição, a cultura e os valores próprios são vivenciados a todo momento por quem o visita, e nos remetem a algo sempre novo, inesperado, surpreendente. 
 
Voltando as memórias do Taj Mahal... ele representa o que a Índia tem de mais fascinante: a magia. Seu mármore branco, esculpido a mão com pedras semipreciosas, se transforma conforme a luz que o ilumina: ao nascer do sol é branco, no poente fica rosado e na lua cheia sua cor é esverdeada. Assim é a Índia, um país com muitas nuances, que transforma a pobreza em fé, a tradição em força e o passado em magia.
 


 
Dicas que valem muito a pena:

Guia-motorista (muito bom!): Deeru –
dharam_kiran@yahoo.com
Hotel em Nova Deli: Hotel Bright – http://hotelbrightdelhi.in
Hotel em Jaipur: http://www.nahargarhhaveli.com/index.htm
Agência de Turismo (que providencia o pacote de hotéis e passeios em várias cidades):
Umar ou Niyaz -
http://www.perfectholidaytravels.com, perfectholidaytravels@yahoo.co.in, javedbaba2005@yahoo.com

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quinta-feira, 8 de março de 2012

DIÁRIO DE BORDO: Bahamas, descubra porque os piratas (e os turistas) invadiram esse lugar‏

Menina criada no interior, sempre senti uma incrível atração pelo mar e seus mistérios. Não à toa meus filmes prediletos sempre foram os que contavam histórias e aventuras sob as águas salgadas com navios piratas, documentários e até matérias sobre embarcações, pesca e afins. Por isso amei quando surgiu a oportunidade de visitar o Caribe e conhecer as Bahamas e toda sua a história permeada de incríveis e instigantes lendas e curiosidades em torno dos famosos ladrões dos mares. Consegui registrar em meu caderninho de viagens as minhas impressões do lugar, sua cultura, influência, e o inesquecível azul cristalino do mar caribenho. Impressões que agora divido com você, leitor.


Com suas 700 ilhas e ilhotas, as Bahamas são o destino de férias mais popular no Caribe. A emoção de pescar em alto mar, mergulhar com tubarões, nadar com golfinhos, curtir os cassinos, relaxar em um bar aquático, explorar as ilhas de barco, ou simplesmente relaxar na praia sob o sol (sem esquecer o filtro solar, claro!) é imperdível. Estando sós ou acompanhado, de férias, business ou em lua de mel, seja qual for o motivo, vale a pena conhecer esse lindo país caribenho.

Um pouco de História e geografia
Em 1492, Cristóvão Colombo chegou ao Novo Mundo na Ilha de San Salvador, no leste das Bahamas. Após observar o mar raso ao redor das ilhas, ele disse "baja mar" (mar raso) e efetivamente batizou a área de Bahamas, ou Ilhas do Mar Raso. Bahamas (capital Nassau) é um país das Caraíbas, situado entre o oceano Atlântico, a Nordeste, e o Mar das Caraíbas, a Sudoeste. Os territórios mais próximos são a colônia britânica de Turks e Caicos, os Estados Unidos, Cuba e o Haiti.


A maior ilha das Bahamas é a Ilha de Andros, no ocidente do arquipélago. A Ilha de New Providence, a Leste de Andros, é onde se localiza a capital, Nassau, e onde mora cerca de dois terços de toda a população do país. Outras ilhas importantes são a Grande Bahama no Norte e Inágua a Sul. A maior parte das ilhas — formações de coral — são relativamente planas, com algumas colinas baixas e arredondadas, a mais alta das quais é o monte Alvernia, na Ilha Cat, com 63 m de altitude. O clima local é tropical, moderado pelas águas quentes da corrente do Golfo, com furacões e tempestades tropicais frequentes entre Maio e Outubro, daí evitar esse período pra visitas. A língua oficial é o inglês, mas a maioria da população fala o crioulo baamiano, de origem inglesa.
 

Cultura e influências externasA cultura das Bahamas é um híbrido de formas africanas, européias e indígenas. A sua manifestação mais famosa no exterior talvez seja uma forma rítmica de música chamada junkanoo de raízes africanas. Outras amostras da influência da África são o Johnny cake (bolo de milho) e os cantos nas igrejas. A presença britânica pode ser percebida através da direção dos automóveis, nos uniformes da Força Policial Real Bahamense e da cerimônia da mudança da guarda na Casa do Governo e sua força nas Bahamas se deve ao descobrimento do Porto de Nassau em 1600, quando a população era composta de religiosos, agricultores e piratas e a declaração em 1718 como colônia da coroa quando o ex-corsário Woodes Rogers foi nomeado governador real, expulsando piratas e restaurando a ordem no local.

OS PIRATAS
Os registros de Nassau indicam que dos anos de 1600 a 1700 os piratas usaram o local como base de operação daí todas as lendas que se formaram em torno deles, juntamente com os fatos históricos documentados. Quem nunca ouviu falar do grande pirata Barba Negra (Edward Teach) que ficou conhecido em todo o mundo por sua violência e atos imprevisíveis?

Houve também o Calico Jack famoso pirata que navegava ao redor de Paradaise Island. Dizem que foi ele quem criou o símbolo composto de uma caveira e ossos cruzados, que veio a se tornar a famosa bandeira dos piratas. Calico Jack ficou conhecido pelo seu “affair” com Anne Bonny e Mary Read, as únicas mulheres piratas conhecidas.

As demais histórias você pode descobrir visitando as Bahamas, que tal?

05 coisas mais 01 para se fazer nas Bahamas 


• Ardastra Gardens Zôo inaugurado em 1937 pelo botânico jamaicano Hedley Edwards que criou a Marcha dos Flamingos, a mais famosa tradição da ilha há mais de 50 anos, exibida duas vezes por dia fazendo sucesso entre os turistas de todas as idades e nacionalidades.
 
• Chubasco ChartersOs barcos das Bahamas são considerados os melhores barcos de pesca do mundo.  Esta modalidade é chamada de “Sport FIeshing” , oferece boa oportunidade para quem quer conseguir pescar um peixe grande.
 
• Cove´s DiveComo o nome já diz, são mergulhos nas cavernas. Há opções para todos os níveis de coragem, o mais radical é promovida pela Stuart Cove. Você desce a 15 metros de profundidade numa espécie de bike aquática onde sua cabeça fica coberta e seca (claro!), é bem parecido com uma bolha. A “bolha” ou cúpula é grande o suficiente para a sua cabeça e até suas mãos. Isso também significa que você respira normalmente sem a necessidade do uso de tubos de snorkel ou reguladores, como você faria se estivesse mergulhando. Lá embaixo você vai vislumbrar recifes de coral, peixes coloridos, e sim diversos tubarões. Eles são alimentados na sua frente por um funcionário da Stuart. Encara?



• Hotel AtlantisDica imperdível é se hospedar ou visitar o Hotel Atlantis. Muito consideram a Disneylândia aquática! Sim, o lugar é demais. Um hotel enorme, com milhares atrações aquáticas num clima de muito astral. Neste complexo maravilhoso do Atlantis, há uma interminável gama de prazeres a serem explorados, a começar pela visita aos gigantescos aquários que mostram milhares de espécies de diferentes peixes, crustáceos, moluscos reproduzindo um verdadeiro cenário da antiga cidade perdida. Vale apena ver os vídeos com as atividades. http://www.atlantis.com/

• Nadar com golfinhosEste programa acontece na Blue Lagoon Island, onde você pode ter a incrível sensação de nadar com os golfinhos que são seres incríveis e especiais. A ilha é paradisíaca, o mar é de um azul profundamente claro e cristalino. Os Golfinhos são treinados para te abraçar, te beijar, dançar e nadar com você, te impulsionando numa velocidade de Jet SkY. Imperdível e inesquecível.

ESPECIAL
BIFF – Bahamas International Film Festival Essa é para os amantes da 7ª arte! O BFF já está na sua 8ª edição, e tem como missão, desde sua criação em 2004,  criar uma comunidade artístico-cultural entre os países a fim de atrair turismo voltado para indústria cinematográfica. Muito artista de peso já passou pelo BIFF, como comoHeather Graham, Johnny Depp, Alan Arkin, Sean Connery Sir, Cage Nicholas,Laurence Fishburne, de Roger Corman, Daryl Hannah, Sophie Okonedo, Anna Faris,Naomie Harris, Zoe Kravitz entre outros. Já foram mais de 600 filmes em 8 anos de festival. Vale a pena conferir um festival de cinema em um lugar que mais parece um cenário de tão lindo e perfeito.
 
TOURS
Christ Church Cathedral (interior espetacular e vitrais idem), passar pelos prédios cor de rosa da Parliament Square, avança pela antiga cadeia (hoje, biblioteca) e termina na residência do governador-geral. A essência caribenha e inglesa ainda se mantém apegada aos hábitos britânicos. Duas pontes, por exemplo, unem Nassau a Paradise Island. Em Nassau, é interessante ver os coloridos mercados da Bay Street, as lojas duty free e os penteados das mulheres.

Os cruzeiro costumam ancorar em Freeport, em Grand Bahama, em virtude não só das praias mas, também, do International Bazaar. International Bazaar é um shopping gigantesco, temático, dividido em seções com produtos de diferentes partes do mundo e com preço bastante convidativo.

Outra atração é caminhar pelas largas avenidas e sair em Port Lacaya. Tem de tudo lá: hotéis extraordinários, cassinos, e o melhor, bares pertinhos das marinas e do charmoso iate clube. O lindo canal interno que separa a região da ilha também faz de Freeport um lugar que vale constar no roteiro.

No Monte Alvernia, o ponto mais alto de Cat Island, existe um mosteiro todo em pedra. Cat Island é, ainda, o lugar onde os nativos praticam o Obeah, um ritual de magia. Até hoje muitos casais americanos procuram o lugar para “absorver” um pouco da magia local.

Little Bahamas Banks é o ponto certo para quem procura águas rasas, com uma visibilidade absurda e mar tranqüilo. Também é lugar de diversão. Basta apanhar um barco e seguir rumo a região dos golfinhos. É quase impossível determinar o número desses cetáceos, são muito, nadam livremente e não se assustam com nada. Em alguns dias, a colônia é ainda maior. Seja como for, sempre haverá golfinhos amistosos. Dá para nadar ao lado deles, interagir, e brincar.

Andros – Fica lá o mais antigo resort de mergulho do arquipélago, o Small Hope Bay Lodge. É lá que ficam as mais extensas barreiras de corais do mundo e os 50 “buracos azuis”. Indispensável, mesmo para quem não pratica mergulho com cilindros. Se você adora fazer snorkeling, pescar, ou apenas admirar uma linda paisagem, não deixe de visitar.

ONDE FICAR
Existe uma variedade quase vertiginosa de hotéis e acomodações em todas as ilhas. De ultra-luxuosos casas de aluguel em ilhas privadas e serviço completo, resorts all-inclusive aos quartos baratos em um local de cama e pequeno-almoço. Compare acomodações e decida qual se adéqua mais a sua necessidade.

Informações Úteis para quem pretende visitar Bahamas:
http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&langpair=en|pt&u=http://www.bahamas4kids.com/stories.html
Ilustração: Hugo Jucá Designer
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