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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

HISTÓRIA: Nos Passos do Frevo - O museu que evoca e exibe o ritmo do Carnaval pernambucano

Comemorando o dia do Frevo, em 09 de fevereiro de 2014, Recife recebia o que há muito já merecia: um museu dedicado à história do Frevo. O Paço do Frevo nasceu para ser um centro de referência de ações, projetos e atividades de documentação, transmissão, salvaguarda e valorização de uma das principais tradições culturais brasileiras, reconhecida como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco: o frevo. Além de reconhecer a importância do Frevo não só para o Brasil, principalmente, para Pernambuco, o Paço abre espaço para que residentes e visitantes possam não só “cair no ritmo”, mas, sobretudo, conhecer a fundo a história desse ritmo, dos blocos, de cada passo e de como a vida pulsa entre sombrinhas e clarins.

Localizado na Praça do Arsenal da Marinha, no Bairro do Recife, o Paço é uma iniciativa da Prefeitura do Recife, com realização da Fundação Roberto Marinho e gestão do Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG). O projeto conta com o patrocínio cultural da Rede Globo e do Banco Itaú. Os patrocinadores do espaço são o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), o Governo do Estado de Pernambuco, por meio de sua Secretaria de Turismo e da Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur), o Instituto Camargo Corrêa, o Instituto Votorantim e da Pilar Produtos Alimentícios e apoio do Ministério da Cultura, por meio da Lei de Incentivo à Cultura.



PRA VER, OUVIR E APRENDER 

O Paço do Frevo, além de ser espaço para contemplação da cultura pernambucana é também lugar de aprendizado interativo. A Escola de Música busca formar novos profissionais e gerações de orquestras de frevo, mas também pode receber aquele visitante curioso que quer aprender, sem grandes pretensões profissionais. A Escola de Dança, da mesma forma, serve aos foliões que querem fazer bonito no carnaval e também aos profissionais da dança que querem se formar passistas e levar a arte do frevo para além das fronteiras do estado e do país.

Com salas próprias para realização de workshops, encontros e palestras, muitas pessoas podem não só aprender os passos e o uso dos instrumentos do frevo, mas também debater sobre sua origem e seu papel na sociedade atual, e produzir e difundir suas atividades e os produtos gerados por elas. O Paço do Frevo conta com:

- Estúdio de gravação montado no primeiro andar aberto para receber músicos profissionais e amadores.

- Centro de Documentação Maestro Guerra Peixe promove a produção, organização e acesso a documentos e informações relativas ao frevo disponibiliza um acervo em expansão com mais de 900 exemplares de livros, revistas, catálogos, periódicos, CDs e DVDs. O Centro de Documentação também tem como objetivo produzir, sistematizar e difundir memórias, conhecimentos e conteúdos relacionados ao frevo e ao patrimônio cultural imaterial.

- Rádio online que é responsável pela difusão audiovisual sobre quem compôs o frevo (canção) e ainda menciona suas criações do passado.



UM MUNDO DE CORES 

Muito além do colorido vibrante das sombrinhas e roupas dos passistas, o Paço do Frevo recebe a todos em um universo de cores, palavras, expressões e memórias relacionadas ao frevo de forma contagiante. 

Quem vai ao Paço tem a oportunidade de conhecer desde os principais acontecimentos da história do frevo na linha do tempo, no térreo do prédio, até os estandartes e flabelos de importantes blocos e agremiações pernambucanos na estonteante Praça do Frevo, no 3º andar do imóvel restaurado.  

O PRIMEIRO ANO 

Em seu primeiro ano de funcionamento (inaugurado em 9 de fevereiro de 2014), o espaço se tornou um centro de referência e levou mais 122 mil pessoas a conhecer e aumentar seu encantamento com o frevo. Só no mês de Janeiro de 2015, o espaço bateu todos os recordes de visitação, recebendo mais de 17 mil visitantes. Ao todo, mais de 23 mil pessoas participaram de visitas guiadas que receberam os visitantes todas as semanas ao longo desse primeiro ano.

Outra importante conquista foi a inserção do Paço no calendário de grandes eventos culturais da capital pernambucana, como a 11ª Mostra Brasileira de Dança e o 19º Festival Internacional de Dança do Recife. Em 2015, essas parcerias continuam com o espaço marcando presença em eventos como o Janeiro de Grandes Espetáculos e o Porto Musical. Ao longo de 2014, o Paço recebeu uma programação intensa, contribuindo para que o frevo seja vivenciado, renovado e fortalecido durante o ano inteiro, incentivando o mercado e promovendo a sua salvaguarda. 



OUTROS NÚMEROS MOSTRAM A FORÇA DO PAÇO DO FREVO 

Até janeiro de 2015, foram 93 apresentações culturais, entre bandas, artistas e agremiações. Nas 37 edições da Quinta no Paço, realizadas no 3º andar do prédio, agremiações e grupos alternaram encontros com a tradição da cultura popular e novas experimentações da dança e da música do frevo. Entre os destaques dessa programação, Quinteto Violado, O Bonde Bloco Carnavalesco Lírico, Coral Pró-criança, Flaira Ferro, etc. 

Nas 40 apresentações da Hora do Frevo realizadas no Evoé Frevo Café, releituras do frevo foram experimentadas, tais como o frevo em rabeca de Cláudio Rabeca, o frevo para sanfona com Mestre Camarão e a música instrumental de jovens artistas como Henrique Albino. Além disso, onze Arrastões do Frevo fizeram com que a programação artística do Paço do Frevo extrapolasse os muros do museu, colocando todo mundo para frevar nas principais ruas do Bairro do Recife. 

Também foram realizados três (Com)Passos, encontros de improviso entre bailarinos e músicos e dois Conexões Frevo, momentos de intercâmbio cultural com outras expressões como o bluegrass americano e o fado português e o encontro do Maestro Forró com o grupo norte-americano Clinton Curtis Band, no Conexão Cultural 2014 Estados Unidos-Pernambuco, e o intercâmbio entre o frevo e o fado português protagonizado pelos músicos pernambucanos Geraldo Maia, Beto do Bandolim e os grupos Brasil Sonoro e Fado ao Centro, de Portugal, são exemplos de como o museu(Paço do Frevo) pode explorar o potencial internacional do frevo e ser um forte indutor de intercâmbios entre artistas, bandas e grupos. 

Para coroar este primeiro ano, o Paço do Frevo se despediu de 2014 realizando a Cantata do Paço, com direção do maestro Marcos Cesar e apresentação da Orquestra Retratos e do Coral Edgard Morais. O espetáculo trouxe as influências do pastoril, manifestação folclórica típica do Natal (dnça Portuguesa originada a partir de atividades pastorais). 

No campo da formação (estudo do frevo), o Paço do Frevo promoveu, com o apoio da Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur), o 1º Encontro de Pesquisadores do Frevo, reunindo estudiosos do mundo acadêmico e profissionais ligados ao universo do frevo para discutir alternativas para a salvaguarda desse bem cultural. O evento mobilizou cerca de 150 pessoas, com destaque para a participação do multiartista Antônio Carlos Nóbrega. O Paço também ofereceu 33 cursos e oficinas na Escola de Dança e na Escola de Música, que atraíram mais de 567 alunos, tanto do público local quanto de turistas. O evento de formação das turmas do Curso Regular de Frevo e de Técnica Vocal foi um dos destaques da área neste primeiro ano de funcionamento do Paço do Frevo, bem como a realização do Quatro Frevos em Debate, mesas de discussão sobre o mercado da música, o ensino da dança, entre outros temas relacionados à cultura do frevo. 

 “As ações de formação, difusão e fruição do frevo em seus gêneros musicais objetivaram a estruturação de um mercado anual. Nesse contexto, estreitamos relações com os músicos e maestros escolásticos de referência nacional e internacional (como Clóvis Pereira, Duda, Nenéu Liberalquino, Édson Rodrigues, Ivan do Espírito Santo, Spok, Marco César), ao ofertar cursos que completaram a rede de ensino musical da cidade. Contribuímos para a renovação de repertório e atuamos na qualificação profissional dos músicos”, pontua o Gerente-Geral do Paço do Frevo, Paulo Braz. 



PARCERIAS 

Importantes instituições pernambucanas se colocaram como parceiras do Paço no desenvolvimento da cultura do frevo, entre elas, o Departamento de Música da UFPE, Biblioteca Central da UFPE no trabalho de restauro e conservação do acervo, da Banda da Polícia Militar de Pernambuco, o Comando da Base Aérea de Recife – BARF, na cessão de professores para o início das atividades da futura Orquestra do Paço do Frevo, o Sebrae e o Consulado Americano.

 “Foi um ano de grandes desafios, mas, também, de significativas conquistas, principalmente quando tratamos do desenvolvimento de públicos, formação de plateias e ativação da cadeia criativa e produtiva do Frevo. Há um campo de oportunidades a ser explorado, de profunda ressonância social, imenso repertório simbólico e potencial econômico. Investimos, neste primeiro ano, na convivência e reflexão, experimentação e renovação, criação e difusão, abrindo possibilidades concretas para o desenvolvimento de iniciativas direcionadas à memória, inovação e salvaguarda deste patrimônio imaterial, do Brasil e do mundo”, ressalta Eduardo Sarmento, Gerente de Conteúdo do Paço do Frevo. 

SERVIÇO 

Paço do Frevo - Praça do Arsenal da Marinha, s/n, Bairro do Recife - Terças, quartas e sextas: 9h às 18h. / Quintas: 9h às 21h / Sábados e domingos: 12h às 19h. Ingresso: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia). Mais informações: 3355-9500 / www.pacodofrevo.org.br

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

ARTE: Precisão e Acaso - O artista pernambucano José Patrício em exposição individual (e marcante) no MEPE

Há 11 anos sem realizar uma individual em Pernambuco, o artista pernambucano, nascido em Recife, José Patrício expõe no Museu do Estado de Pernambuco (Mepe), até o dia 08 de outubro. A exposição Precisão e Acaso, que tem curadoria do carioca Felipe Scovino e reúne cerca de 40 obras produzidas pelo artista nos últimos sete anos – muitas já exibidas em feiras de arte, mostras coletivas e individuais no Brasil e no exterior, porém, na sua quase totalidade, inéditas no circuito artístico do Recife –, além de outras do início de sua carreira nunca antes apresentadas.

A última mostra individual de José Patrício na cidade aconteceu em 2006, na extinta Galeria Mariana Moura. De lá para cá, ele vem trilhando caminhos diversos, utilizando outros materiais, indo além dos dominós que se tornaram um ícone dentro de sua produção. Segundo Felipe Scovino, a exposição pode ser compreendida como uma espécie de antologia, termo que ele julga adequado por estar ligado à criação e produção de poesias, de imagens. “A curadoria quer que o público conheça e reflita sobre as fases mais recentes da produção do artista; o seu interesse por novos materiais; as pesquisas cromáticas e cinéticas que vem investigando assim como as características centrais do seu trabalho que passam pela ampliação do termo construtivo, o caráter lúdico e participativo e a ideia de coleção ou arquivo de materiais cada vez mais difíceis de serem encontrado”, explica.

Nos últimos anos, Patrício vem utilizando materiais diversos, como botões, peças de quebra cabeças de plástico, dados, pregos, tachas, alfinetes, fios de eletricidade e de telefonia. São objetos simples, de pequeno valor (alguns fadados ao desaparecimento), garimpados por ele nos mais diferentes lugares, que, ressignificados em obras, terminam formando um painel rico sobre a cultura brasileira e seu dia a dia. “Trata-se da apropriação de elementos modulares encontrados na vida cotidiana. Interessam-me na medida em que contribuem para compor as obras a partir da sua acumulação, deslocamento das suas funções originais e inserção no contexto da arte”, comenta o artista que completa: “O lúdico permeia toda a minha produção. Seja na escolha de materiais diretamente relacionados com os jogos, seja nas estratégias que utilizo para a criação artística”.



As suas obras realizadas nos últimos anos refletem o desenvolvimento de uma pesquisa que discute os conceitos de diferença e repetição, por meio de estruturas fixas passíveis de variação formal a partir das características dos elementos que as compõem e das inúmeras possibilidades de configuração. Scovino diz que a produção de Patrício pode ser categorizada como uma forma de pintura, que não é feita com tinta, mas com as mãos e a experiência performática e evocadora de uma sensibilidade muito própria.

Em seu processo de criação, o artista parte sempre de uma regra, cria uma espécie de “método” de trabalho. Apesar dessa precisão, o resultado final é desconhecido, é o acaso, daí o nome da mostra (Precisão e Acaso) ter se centrado nesses dois polos aparentemente antagônicos. “Outra forma de aparição do acaso é a qualidade cinética dessas obras. O acúmulo, a ordem e o excesso provocam um distúrbio. Somos 'sequestrados' pela obra, pois ao querer desvendar a sua organização lógica, somos duplamente surpreendidos: por uma vibração óptica das intermitentes figuras virtuais e pela larga quantidade de pequenos objetos acumulados que deixam o nosso olhar à deriva. O foco não está mais no centro da obra, mas perdido, tentando dar conta das várias possibilidades de entrada que a obra oferece para decifrarmos sua lógica interna. E dependendo da perspectiva que adotamos em relação a obra, somos surpreendidos com novas qualidades cromáticas e estruturais. O trabalho se faz também pela qualidade em ser dinâmico, veloz e mutante”, explica o curador.

Para ele, a obra de José Patrício segue um caminho de coerência dentro da história das linguagens construtivas no Brasil, mas vai além contribuindo no alargamento do conceito de construtivo nas artes no mundo contemporâneo. A produção do artista possui um pensamento racional, uma precisão, regras e modos muito próprios de construção e observação das peças e elementos do qual faz uso. Mas, a despeito disso, o acaso também se faz presente. A pesquisa de Patrício se dá numa estrutura de obra aberta, suas escolhas no uso da cor, dos objetos, da organização e articulação entre eles, proporcionando ao espectador uma experiência vigorosa.



JOSÉ PATRÍCIO
“Sua obra, portanto, é um constante acontecimento. Cabe ao espectador escolher se a sequência numérica está crescendo ou decrescendo, e ainda em que ponto do trabalho se apreende essa velocidade e faz essa escolha. Estamos constantemente envolvidos por escolhas, caminhos, formas e cores que induzem movimentos, traços, rumos e territórios. E é exatamente essa qualidade de caos que particularmente me anima. Experimentar o fato de que a razão também pode provocar novos caminhos e sentidos, muitas vezes não esperados, ainda mais se levando em conta que essa experiência parte (supostamente) de um dado concreto, matemático e assertivo”, conclui Scovino.


SERVIÇO:
Precisão e Acaso – José Patrício
Curadoria: Felipe Scovino
Vernissage: 27 de julho de 2017, às 19h
Visitação: 28 de julho a 08 de outubro de 2017

Museu do Estado de Pernambuco - MEPE
Av. Rui Barbosa, 960 - Graças, Recife - PE, 52050-000
De terça a sexta, das 9h às 17h.
Sábados e domingos, das 14h às 17h
Telefone: (81) 3184-3174

terça-feira, 3 de outubro de 2017

ARTE: Criando arte e fazendo cultura na Amparo 60

Ousadia é a palavra que mais define a transferência da conceituada galeria de arte Amparo 60, que passou praticamente toda a sua existência numa discreta casa no início do bairro de Boa Viagem - Recife, para o edifício Califórnia. Dona de um dos mais venerados castings do País, a galeria sempre recebeu clientes fiéis e intelectuais tanto para visitas quanto para as exposições. Já com os dois pés em um novo tempo, o espaço se abre para o público em geral, que certamente vai frequentar aquele novo pólo, subir para as sobrelojas e fazer uma visita contemplativa. Tudo a ver com o momento do prédio.  


Essa simbiose é tão grande que, apesar de tudo ter acontecido muito rápido e de maneira espontânea, a galerista Lúcia Costa, cujo nome se confunde com seu próprio espaço, é filha de ninguém menos que Janete Costa, esposa do arquiteto Acácio Gil Borsoi. “Não pensava em sair daquela casa, mas soube por acaso que havia esse espaço aqui nesse prédio de tanto significado, onde Borsoi teve a ideia de harmonia, residência, comércio e lazer. Convidada, vim visitar e instantaneamente o lugar me escolheu, fui fisgada. Entendi que trazer arte para cá seria como retomar um projeto original, o espaço clamava por isso. O bairro, a cidade e as pessoas também mereciam isso e essa humanização pode ser o ponto de transformação para um futuro restauro”, pondera.

Para marcar o início do ciclo, a Amparo 60 abriu com uma exposição reunindo obras de todo o casting, ao todo 35 artistas expressando-se nos mais diferentes suportes e todos dialogando sobre a relação com a cidade e as questões urbanas. O acervo foi montado sob o olhar do curador Douglas de Freitas, que encontrou os pontos de interseção entre os trabalhos tendo como fio condutor a ideia de celebração, saudação, ligada ao termo “evoé” que intitulou a mostra. “A escolha das obras para a exposição busca trazer um pouco a atmosfera do Recife, um modo de ver e viver a cidade entre suas belezas e contradições”, completa.





segunda-feira, 18 de setembro de 2017

EXPOSIÇÃO: A gastronomia contemporânea do Japão sob o olhar do fotógrafo Sergio Coimbra e o chef Yoshihiro Narisawa

A JAPAN HOUSE em São Paulo exalta a cozinha japonesa na exposição Satoyama. Com pré-lançamento mundial do livro de mesmo nome, que será lançado em 2018, é o resultado de um trabalho concebido a quatro mãos entre dois importantes nomes da cena gastronômica mundial, o fotógrafo brasileiro Sergio Coimbra e o chef de cozinha japonês Yoshihiro Narisawa.

Com abertura para o dia 19 de setembro, a exposição tem concepção e curadoria de Felipe Ribenboim, da Base7 Projetos Culturais. Nela serão exibidas cerca de 80 fotografias, além de objetos e vídeos com curiosidades e relatos de personagens presentes na trajetória e nas criações do chef durante os três anos de processo em que ele e o fotógrafo Sergio Coimbra percorreram diferentes localidades no Japão para retratar a gastronomia local, definida por Narisawa como Satoyama Cuisine – “alimento para o corpo e a alma”. A Satoyama é construída com base na origem da cultura dos japoneses, que têm coexistido com a natureza em terras, montanhas e mares. 

O resultado destas dez viagens para a exploração de cenários e da natureza trazem à tona segredos da culinária japonesa, que mesmo os japoneses desconhecem, como o amplo respeito aos alimentos utilizados, sua sazonalidade e seu produtor, aspectos capturados pelas lentes do fotógrafo brasileiro que registrou a cultura e os hábitos alimentares apresentados por meio das releituras do renomado chef.




A mostra traz um panorama da diversidade regional e as histórias dos recursos alimentares do Japão interpretados pela sensibilidade de um renomado chef. Essas histórias estarão retratadas na exposição por meio de imagens fotográficas, tanto do prato finalizado quanto das regiões de sua produção, dos agentes envolvidos nesse processo, o produto e as culturas ancestrais relacionadas aos alimentos: das técnicas às significações.

Narisawa traduz para o século XXI técnicas gastronômicas tradicionais e a forma de pensar sobre a alimentação do futuro e a sua sustentabilidade. A exemplo, o uso do misterioso Koji – o fungo nacional; a utilização do carvão Binchotan, o preparo de cobras, entre outras, reforçando a valorização dos produtos regionais com uma perspectiva contemporânea e de consciência ambiental. Como resultado, criou um prato denominado Soil Soup (Sopa de Terra) que, em suas palavras, "expressa a importância do meio ambiente através do que comemos".

Em celebração a este encontro, o chef Yoshihiro Narisawa e o fotografo Sérgio Coimbra farão juntos uma palestra sobre a gastronomia japonesa, da tradicional à contemporânea. Dia 19 de setembro, na JAPAN HOUSE São Paulo, com vagas limitadas.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

ARTE: Aecio Sarti a o “Céu de Querubins”

A melhor maneira de encontrar Aecio Sarti é em seu ateliê em uma das ruas estreitas, repletas de galerias de arte, ateliês e estúdios de artistas em Paraty, RJ. Suas obras vão de figuras de pescoços longos a la Modigliani a querubins pintados a óleo e carvão sobre lonas de caminhão que exercem um forte apelo naqueles que dão de olhos com essas obras. Aecio Sarti é um sergipano de Aracaju que se radicou em Paraty depois de ter vivido em vários lugares pelo Brasil e estudado arte no The Art Institute of Colorado, Estados Unidos. Suas obras contam com a presença constante da figura humana, ricas em detalhes, e, algumas vezes, retratada pela temática do duplo. Nos dias atuais, suas obras estão espalhadas pelo mundo, em paredes de amantes das artes.

Indo bem para o início como a arte e a pintura surgiram na sua vida? Vim de uma família de sete crianças criadas pela minha mãe, e desde cedo vi que eu tinha um olhar diferente dos meus irmãos. Eu acompanhava muito a forma poética com que minha mãe encarava a vida e o modo com que ela coloria seus dias, apesar da pobreza. A diferença é que eu transformava meus sonhos e minhas histórias em desenhos e pinturas. Aos 14 anos, comecei a pintar sobre madeira e vender esses trabalhos nas feiras da cidade. Acabei percebendo que as pessoas gostavam e entendi que eu queria ser artista.


Conta um pouco da sua trajetória... Sempre morou em Paraty ou a arte e estilo de vida te levaram para lá? Faz 12 anos que moro em Paraty. É muito pouco para o tanto que a cidade me ofereceu e por tudo que conquistei nesse lugar. Minha carreira e minha vida podem ser percebidas de duas maneiras: antes e depois da chegada a Paraty. Dos 14 aos 19 anos, ainda autodidata, pintava e vendia minhas obras. Aos 19 anos, de uma só vez, consegui vender todos os trabalhos que tinha naquele momento. Peguei o dinheiro e me mudei para os Estados Unidos onde estudei desenho publicitário. Voltando ao Brasil, em 1980, parei de pintar por conta da crise no país e da tristeza por ter regressado. Entrei em uma profunda depressão e por vinte anos fiquei longe da pintura. Procurei outro trabalho e assim foi, até que passei a sentir falta de muita coisa na minha vida. Tinha a necessidade de viver o tempo de menino que perdi por conta da dureza da vida. Então, em meados dos anos 2000 comecei a pintar “sonhos de criança”. Eram figuras muito coloridas, arredondadas, sempre representando histórias infantis e coisas que me agradavam e me traziam a saudade de um tempo que eu não tinha vivido adequadamente quando criança. Essas obras são visualmente muito diferentes dos trabalhos que pinto atualmente, mas marcam a época da retomada de minha carreira artística. Até que no ano de 2004, me mudei para Paraty e abri um atelier, no qual pinto diariamente até hoje.

Como surgiu a ideia para "Céu de Querubins"? E como chegou até a ideia da lona de caminhão? Há anos pinto sobre lonas de caminhão, usadas. Sou fascinado por histórias, e encontrei na lona um suporte carregado de tudo aquilo que acontece nas estradas. Cada marca, cada ponto de sujeira e cada remendo contam algo pra mim. Tudo isso me levou a pintar exclusivamente sobre lona, que, além do mais, ainda é visualmente linda. Isso começou a despertar em mim a vontade de viver uma história de caminhoneiro. Eu queria um dia seguir um caminhão e presenciar tudo que ele vivesse nas estradas. Me dei conta que a melhor maneira de fazer isso seria pintando uma lona inteira e cobrindo a carga de um caminhão real. Assim, eu e minha obra pegaríamos estrada Brasil afora. Mas ainda faltava a motivação pra tirar a ideia do papel. Até que meu filho, Daniel, veio trabalhar comigo e se encantou com a ideia. Nos unimos ao fotógrafo e documentarista Gustavo Massola e decidimos que dessa ideia sairia um filme. Encontramos um caminhoneiro que há anos faz o comercio de potes de barro entre o sertão e o sudeste brasileiro. Eles vivenciam diariamente a rotina das ceramistas da Bahia e passam por outras regiões incríveis do país, trocando e vendendo esses potes, que são usados para armazenar água. O roteiro do filme estava pronto. Faltava apenas eu pintar a lona e cobrir o caminhão. E assim foi. Nosso filme, é, na verdade, o registro de uma história vivida nas estradas brasileiras com uma pitada de arte.


Nesse projeto o que te toca mais como artista e como pessoa? Como artista, o projeto aumentou ainda mais minha crença na arte. A crença de que ela tem um poder sobre nós, e que ela escolhe nosso caminho. Costumo dizer para as pessoas que a arte se assemelha ao amor. Acho que toda criação da humanidade tem o amor como combustível, e junto com isso vem a beleza e a arte. Como artista, percebi que a arte se manifestou para que esse projeto acontecesse. Isso mexe comigo.  Saber que a arte tomou conta me deixa tranquilo, e quando estou tranqüilo, as coisas acontecem. Toda vez que assisto ao filme, que vejo a lona pronta, me emociono profundamente. Percebo que pra isso acontecer eu não precisei fazer nada, somente obedecer. Obedecer ao movimento da arte. Como pessoa eu me sinto orgulhoso, me sinto feliz. Olho e me espanto. Meu olhar também é de espectador. Eu consigo olhar de duas formas pra esse projeto. Como artista e como espectador.

O efeito modificador na vida daquelas pessoas simples do sertão te inspira de que forma? Isso é um acréscimo. É mais uma experiência que está guardada dentro de mim, e a qualquer momento, ela pode brotar e ser transformada em outra coisa. É assim que eu olho para essas pessoas. Uma lição de vida que está guardada dentro de mim, e que uma hora ou outra eu preciso buscar no meu “baú” e fazer ela ressurgir na minha vida em forma de histórias, de arte, de experiência.

O curta produzido por vocês foi indicado e ganhou prêmio. Vocês esperavam essa repercussão e reconhecimento todo? Como foi isso para vocês? Fizemos tudo com o maior carinho do mundo, sem muita definição do que poderia acontecer. Quando decidimos fazer um filme tínhamos certeza que iríamos mergulhar de cabeça para fazer algo realmente especial para todos nós. Eu sabia que seria algo bacana, mas não vislumbrava prêmios ou coisa parecida. Pensei que seria apenas uma obra a mais na minha carreira. Dois momentos me marcaram bastante em relação ao filme. O primeiro, foi quando ganhamos o primeiro prêmio. Meu filho me ligou falando que tínhamos sido selecionados para o Festival de Cinema de Santa Monica eu comecei chorar. Isso já era muito pra nós. Então, dias depois, quando veio a notícia que também havíamos sido premiados como melhor filme desse festival eu desmoronei, e até hoje eu carrego a lembrança daquele momento comigo. Outro fato marcante, foi assistir ao filme no festival de cinema de Paraty. Nesse dia muitos dos meus amigos estavam lá. Pessoas que acompanharam meu trabalho desde o início. Quando o filme acabou e eu vi aquelas pessoas aplaudindo em pé, algumas chorando, tive a certeza que o “Céu de querubins” já era um marco na minha vida. 



Com mais de 20 exposições entre a América do Sul, Norte e outros continentes, você se sente realizado ou realizando? Onde quer chegar mais? Essa é uma pergunta que eu gostaria que alguém me perguntasse. Tem alguma coisa muito estranha acontecendo dentro de mim. Parece que a minha alma pede algo novo. Eu estou procurando enxergar minha vida, ficar mais atento aos sinais. Me sinto realizado por tudo que fiz e por tudo que já me aconteceu até hoje, mas não gostaria que fosse só isso. Porque se eu partisse hoje, eu sentiria que não cumpri minha missão. Esse é meu grande medo. Não tenho a ambição de chegar em lugar nenhum, só quero continuar. Apenas cultivando e colocando pra fora aquilo que precisa ser colocado. 

O que te inspira? E quem te inspira? Eu sou como uma esponja. Tudo aquilo que me agrada, eu absorvo e coloco em minha vida: luzes, cores, movimentos, sons. A vida me inspira. O caminhar me inspira, o nascer do sol me inspira, o café da manhã me inspira. Tudo isso me faz refletir e me mostra caminhos. Em relação a artistas, muitos deles me inspiram. Desde os clássicos aos contemporâneos. Talvez a obra de Picasso seja a que mais me ensina, principalmente pela liberdade com que trilhou seu caminho na arte. Se a obra de um artista mexe comigo, acredito que, inconscientemente, ela acabe influenciando meu trabalho. Continuo seguindo minha linha e meu traço, mas tenho certeza que as pequenas mudanças que ocorrem em minha obra, com o passar do tempo, são reflexos do que absorvo do mundo, tanto na arte quanto fora dela.


Que dica você daria para quem vive esse universo da arte ou pretende mergulhar de cabeça na arte? Em primeiro lugar, é preciso acreditar que a arte é maior que o artista. Ela tem que ser maior que o próprio artista. Se você se sujeita a ela, ela cresce em você. Esse é meu primeiro conselho. Também acho que não é preciso buscar a polêmica, artifício que muitos artista usam para ficar em evidência. É preciso buscar a sutileza. Na sutileza, a arte fala sempre mais alto. De maneira prática, também é importante estar em um lugar onde o artista possa ser visto. A arte precisa ser democrática e as pessoas tem que ver o que o artista está fazendo. E o último conselho, é que o artista mergulhe na arte de cabeça. E pra isso, é preciso coragem! 

Depois dos Querubins qual sua próxima parada? Meu coração e minha alma não têm paradas. Escrevi alguns contos e, apesar de não ser escritor e não ter a literatura em minhas mãos, gostaria de dar vida a essas histórias de alguma maneira, através de exposições ou até filmes. Será que um dia vou acabar parando e fazendo um pouco mais de cinema? Não sei. A única certeza que tenho é que não posso parar. Não posso parar de pensar, nem de sonhar. Cada dia minha alma pede mais. Estou com quase 60 anos e fico pensando: “Meu deus, e se eu morrer aos 70?”. Dez anos não seria suficiente pra fazer tudo que eu quero. Mas é assim, não mandamos no futuro. Não temos domínio sobre o nosso sopro de vida. 

Assista o documentário "Céu de Querubins":


PARA SABER MAIS: www.aeciosarti.com
@galeria.aeciosarti

terça-feira, 16 de maio de 2017

ARTE: Ecce Homo - Coletiva destaca aspectos do ser masculino com obras de 12 artistas

A Verve Galeria, em São Paulo, inaugurou dia 04 (e vai até 24 de junho) a mostra coletiva Ecce Homo, com participação de artistas de vários segmentos, dentre eles Alex Flemming, Allis Bezerra, Florian Raiss, Francisco Hurtz, Gabriel Wickbold, Guilherme Licurgo, Hudinilson Jr., João di Souza, Leonilson, Marcelo Auge, Maurício Coutinho e Paulo von Poser. Sob a curadoria de Ian Duarte Lucas, 16 trabalhos apontam o masculino como tema e apresentam diversas visões acerca deste território e suas incontáveis possibilidades, por meio de colagens, esculturas, fotografias e pinturas. 

A Verve é uma galeria de arte contemporânea fundada em São Paulo, em 2013. Em seus espaços, tendo à frente Allann Seabra e Ian Duarte Lucas, transita por diversos meios e linguagens. Nascida do entusiasmo e inspiração que animam o espírito da criação artística, a Verve Galeria é abrigo para diferentes plataformas de experimentação contemporânea. A eloquência e sutileza que caracterizam o nome do espaço também estão presentes na cuidadosa seleção de artistas e projetos expositivos. Por entender que as linguagens artísticas são processos contínuos e complementares, representa novos talentos e profissionais consagrados que transitam livremente entre a pintura, fotografia, escultura, vídeo, site in situ, site-specific, gravura e o street art.






Ao longo da História, uma pluralidade de descrições identitárias foram imputadas ao homem – por muito tempo - em caracterizações restritas aos distintos papéis sociais por ele representados na sociedade. “Além das tentativas a fim de defini-lo a partir de sua identidade biológica, coexistem ainda inúmeras teorias discutidas no campo da psicanálise e da sociologia”, comenta Ian Duarte Lucas. Até a contemporaneidade, vemos a evolução de conceitos sobre o masculino, combinados e justapostos, e passamos a entender que certamente não há uma única resposta. 

Neste contexto, Ecce Homo busca ressaltar a construção do indivíduo masculino em sua singularidade, a despeito de conceitos e definições generalizadas, apresentando obras de artistas homens que revelam a memória, a descoberta da sexualidade, o resgate de elementos simbólicos, a construção e o questionamento de imagens e o desejo de pertencimento – paralelamente às pequenas e grandes narrativas que originaram suas identidades enquanto artistas, refletidas em trabalhos que tratam deste universo. 

Em um tempo em que as próprias fronteiras de gênero são questionadas, a exposição faz alusão à frase de Pilatos ao exibir o Cristo martirizado - “eis o homem” – e ressoa a pergunta essencial de Nietzsche em sua famosa obra Ecce Homo: “Como se chega a ser o que se é?”. Histórias, por vezes muito pessoais, despertam a reflexão nos espectadores, ao contarem um pouco do caminho percorrido por cada artista no sentido de encontrar respostas a esses questionamentos.


Serviço:
Verve Galeria - Rua Lisboa, 285 - Jardim Paulista, São Paulo / SP, (11) 2737-1249
Horário: Terça a Sexta, das 10h às 19h e Sábados, das 11h às 17h.
www.vervegaleria.com

quarta-feira, 8 de março de 2017

ARTE: Miami - Arte por toda parte, do Art Basel ao Context


Miami é a cidade que atrai todos os gostos, e tem se expandido quando falamos do culto à arte, desde a mais sofisticada até o bairro mais descolado e grafitado de Wynwood, para os muralistas emergentes. Miami sem dúvidas tem algo que agrada a todos os gostos e por isso foi escolhida para ser uma das cidades oficiais que recebem o ART BASEL, evento mais disputado por artistas e público, que acontece uma vez por ano no mês de dezembro.

A cada edição é recheada de surpresas e deleites por toda parte. Uma simples caminhada por South Beach durante a feira oferece arte e instalações públicas, oportunidades únicas para observar as pessoas e espetáculos. 

E, por falar em festas, para aqueles que conhecem as pessoas certas e nunca são barrados na porta, a Art Basel é uma farra interminável. Uma das melhores festas que conhecemos foi no Edition Hotel e o Secret Garden (o nome já diz tudo). As casas noturnas realizam festanças repletas de celebridades e, por toda a cidade, de South Beach a Wynwood, surgem boates temporárias que oferecem experiências efêmeras para os amantes da vida noturna

Este ano fui convidada por alguns artistas para suas exibições e uma das minhas favoritas é a do meu amigo Fidia Falaschetti, que constrói incríveis esculturas e estava com uma de suas exibições na mais concorrida galeria a CONTEXT. Falaschetti apresenta uma ampla gama de peças multimídia que aprofundam os conceitos de comercialismo, consumismo, cultura pop e globalização da mídia. O artista explora a relação entre digital e analógico, apropriando-se de materiais e elementos do passado e transformando-os em objetos contemporâneos impactantes. Fidia Falaschetti cria trabalho que é satírico e brincalhão, mas também confronta o espectador a pensar sobre como e o que eles consomem.

Em todas as galerias em que há expositores é um mix de sentimentos que geram curiosidade e nos faz ficar muitas vezes alguns minutos contemplando cada artista. Esta sem dúvidas é uma ótima época para turistar por Miami e aproveitar todos os eventos diversificados que a cidade tem a oferecer. Uma dica, planeje com antecedência pois nesta época os hotéis tem sua capacidade lotada em pouco tempo e os preços ficam acima da cotação normal. 



segunda-feira, 11 de julho de 2016

ARTWORK: O apresentador de TV Flávio Barra revela sua alma de artista através das tintas e do grafitti

O apresentador de TV Flávio Barra revela sua alma de artista através das tintas e do grafitti expressando sua arte em muros e paredes pelo mundo. Da época de criança à vida adulta diante das câmeras de TV, surgiu o “Santo Forte Nas Ruas”, trazendo mais cor e vida para o mundo.

Flávio, como se dá essa “convivência” entre o apresentador de TV e o artista? Um completa o outro? Não, acho que não se trata de um complemento um do outro. Sempre tive essa alma de artista, talvez por isso eu tenha feito de tudo em TV, do jornalismo de bancada ao “Agora é Hora”, que é um programa de entretenimento. As duas coisas andam paralelamente, dá para dividir tranquilo. 

Como você despertou para a arte e por que a “street art”? Quando era moleque, eu pichava muro...kkkkkkkk (por favor, crianças, não façam isso!!!), eu tinha uns doze ou treze anos. A maioria que grafita, começou no “pixo”. Depois de mais de 20 anos, em um belo domingo de sol... (risos)...meu amigo Rafa Mattos, do projeto “Plante Amor Colha o Bem”, combinou comigo de sair para pintar. E ele me batizou nesse dia de “Santo Forte Nas Ruas”. Porque eu sempre digo a ele que meu santo é forte! Agradeço muito a ele por ter me devolvido às ruas. 

A “street art” tem se tornado um movimento mundial revelando talentos e trazendo ao grande público diferentes formas de arte. O que você quer passar? Na realidade a arte de rua sempre esteve ali, só que agora as pessoas abriram os olhos para ela. Existe, de fato, uma grande onda em torno do movimento e isso é fantástico, grandes artistas, consagrados no "gueto", estão agora tendo esse reconhecimento mais que merecido. Em relação ao meu trabalho, eu costumo dizer que quero passar o que o outro quer entender daquilo que eu fiz. A minha intenção é expressar o que eu sinto naquele momento. 

Você acredita no poder transformador da arte? De que forma você foi tocado e toca as pessoas sobre isso? Que a arte transforma eu não tenho dúvida e esse poder é gigantesco, mas isso eu posso falar por mim. Minha vida mudou quando voltei a pintar. Até o momento, pelo que sei, minha arte mexe com as pessoas positivamente e isso me deixa muito feliz, apesar de não ter nem uma pretensão de controlar a forma de atingi-las.

Qual das suas obras até hoje deu mais trabalho e qual deu maior realização? Talvez até tenha sido outra, mas a que vem imediatamente na minha cabeça é "O Olhar de Bia" a que deu mais trabalho. É uma peça em madeira e muito diferente de tudo o que tinha feito. E a de maior realização foi "Marie". Um muro que pintei em Paris no ano passado. 



Por ser uma pessoa de certa forma conhecida do público isso ajudou ou atrapalhou? Os dois...(risos)... Ajuda para abrir os olhos do público em geral que tem arte boa na rua sim e isso tem que ser valorizado. E atrapalha porque como em toda área, existe um certo preconceito de uma parte da galera do grafitti, pelo fato de eu não ter vindo do "gueto".

Como jornalista como você vê esse tipo de manifestação artística e como poderia ser mais incentivada? A melhor forma de incentivar é mostrar. Isso que a MENSCH está fazendo. Artista gosta, quer e precisa ser visto. 

Que artistas você admira e serviu de inspiração? Putz...vai precisar me dar mais umas seis páginas...(risos)...vou falar apenas de alguns daqui... Rafa Mattos, Guga Baygon, Ariel Fernando, Jeff, Derlon, Jota Zeroff, RafaB, Bozó Bacamarte...ah, tem um monte! 

O que é arte para você? Tudo o que eu quero dizer... 

Onde ainda não colocou suas ideias e tintas, mas gostaria muito de fazê-lo? Em todos os lugares que ainda não estive. Mas pode escrever aí...inclusive pode ser a manchete...(risos)... EU VOU PINTAR O MUNDO! Beijo na alma e aquela paz...

terça-feira, 28 de junho de 2016

ARTE: Tate Modern - Um dos museus mais importantes do mundo ainda melhor

O famoso museu Tate Modern, em Londres, demorou nove anos para finalizar seu anexo que custou £ 260 milhões, inaugurado semana passada. Conectado à margem norte do Rio Tâmisa através da elegante Millenium Bridge, que dá diretamente para a Catedral de St. Após uma grande reforma na antiga estação de energia de Bankside, os arquitetos suíços Jacques Herzog e Pierre de Meuron deram ares novos a uma área até então relativamente abandonada da cidade. Com o Switch House, nome do novo prédio, a galeria dobrou de tamanho, e tem gerado polêmica por ter alterado o skyline da cidade, dividindo opiniões. Dentro do museu, uma fantástica coleção de arte moderna e contemporânea, com obras de artistas como Dalí, Picasso e Andy Warhol, além de exibições temporárias. Assista a construção do novo prédio nesse vídeo de 1 minuto e fique encantado com o projeto.




Assita o vídeo:

segunda-feira, 9 de maio de 2016

CINEMA: Os vencedores do CINE PE 2016

A 20ª edição do Cine PE chegou ao fim, na noite deste domingo (8) no Cinema São Luiz, e consagrou o pernambucano “Danado de Bom”, primeiro longa da diretora Deby Brennand, com quatro troféus Calunga: Melhor Filme, Fotografia, Montagem e Edição de Som. O documentário acompanha o Mestre João Silva (1935-2003), grande compositor e parceiro de Luiz Gonzaga, em uma viagem pelo sertão até sua cidade natal, Arcoverde, em Pernambuco.

O cineasta carioca Luiz Rosemberg Filho, que no festival apresentou o longa “Guerra do Paraguay”, recebeu a Calunga de Prêmio Especial do Júri pelo conjunto de sua obra e contribuição ao cinema nacional. A ficção “Redemunho”, de Marcélia Cartaxo, da Paraíba, ganhou o prêmio de melhor curta nacional. Na competição de curtas pernambucanos, o vencedor foi “Maria”, de Carol Correia.
O júri oficial do Cine PE foi formado por João Batista de Andrade (diretor e produtor - SP), Guilherme Fiuza (diretor e produtor - MG), Angelisa Stein (produtora - RS), Odilon Wagner (ator - SP) e Ingra Liberato (atriz - BA).

PRÊMIO DA CRÍTICA - Composto pelos críticos JoãoNunes, André Dib, Andreia Castro, Marcos Santuário, Renato Hermsdorff e pelo professor de cinema da UFPE Claudio Bezerra, o júri da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema) concedeu a Calunga de melhor longa para “Guerra do Paraguay”, de Luiz Rosemberg Filho, e de melhor curta nacional para “Pedro Bruscky”, de Walter Carvalho.

PRÊMIO CANAL BRASIL - Com júri formado pelos jornalistas Maria do Rosário Caetano, Luiz Zanin Oricchio, Fabiano Ristow, Edu Fernandes, Ismaelino Pinto, Orlando Margarido e Julio Cavani, o Prêmio Canal Brasil elegeu como melhor curta “Redemunho”, de Marcélia Cartaxo. Com o objetivo estimular a nova geração de cineastas, o Canal Brasil oferece, nos principais festivais de cinema do país, um troféu e R$ 15 mil para o melhor filme de curta-metragem, que também é exibido em sua grade de programação.  

OS VENCEDORES DO CINE PE 2016

MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS 

Melhor Filme: “Danado de Bom” (PE), de Deby Brennnad
Direção: Rodrigo Gava, por “As Aventuras do Pequeno Colombo” (RJ)
Roteiro: Caio Sóh, por “Por Trás do Céu” (SP)
Fotografia: Jane Malaquias, Pablo Nóbrega e Pedro Von Kruger, por “Danado de Bom” (PE)
Montagem: Jordana Berg, por “Danado de Bom” (PE)
Edição de Som: Ernesto Sena e Antonio de Pádua, por “Danado de Bom” (PE)
Trilha Sonora: Ary Sperling, por “As Aventuras do Pequeno Colombo” (RJ)
Direção de Arte: Ana Isaura, Zeno Zanardi e Kennedy Mariano, por “Por Trás do Céu” (SP)
Ator Coadjuvante: Renato Góes, por “Por Trás do Céu” (SP)
Atriz Coadjuvante: Paula Burlamaqui, por “Por Trás do Céu” (SP)
Ator: Felipe Kannenberg, por “Leste Oeste” (PR)
Atriz: Simone Iliescu, por “Leste Oeste” (PR)
Prêmio Especial do Júri: para o cineasta Luiz RosembergFilho, pelo conjunto de sua obra e contribuição ao cinema brasileiro
Prêmio da Crítica (júri da Abraccine): “Guerra do Paraguay”, de Luiz Rosemberg Filho (RJ)
Prêmio do Júri Popular: “Por Trás do Céu”, de Caio Sóh (SP) 

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS NACIONAIS

Melhor Filme: “Redemunho”, de Marcélia Cartaxo (PB)
Direção: Marcello Sampaio, por “O Coelho” (RJ)
Roteiro: Marcélia Cartaxo e Virginia de Oliveira, por “Redemunho” (PB)
Atriz: Ingrid Cairo, por “O Coelho” (RJ)
Ator: Daniel Porpino, por “Redemunho” (PB)
Fotografia: Marcello Sampaio, por “O Coelho” (RJ)
Direção de Arte: Hermerson Souza, por “This is not a Song of Hope” (PE)
Edição de Som: Alexandre Barcellos e Felipe Mattar, por “Das Águas que Passam” (ES)
Trilha Sonora: Lívio Tragtemberg, Naná Vasconcellos e Villa Lobos, por “Gramatyka” (DF)
Montagem: Guto BR, por “O Último Engolervilha II” (RJ)
Prêmio do Júri Popular: “O Coelho”, de Marcello Sampaio(RJ)
Prêmio da Crítica (júri da Abraccine): “Paulo Bruscky”, de Walter Carvalho (PE)

Prêmio Canal Brasil: “Redemunho”, de Marcélia Cartaxo (PB)

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTAS-METRAGENS PERNAMBUCANOS

Melhor Filme: “Maria”, de Carol Correia
Direção: Tauana Uchôa, por “Não Tem Só Mandacaru”
Prêmio do Júri Popular: “Diva”, de Luiz Rodrigues Jr.