quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

MULHER EM FOCO: Camila Ganzolli - Festas como foco de um grande negócio

O sucesso profissional muitas vezes surge do acaso, quando a rotina tira o foco do que muitas vezes é o mais importante para atingir nossas metas. E um bom exemplo disso é a trajetória da empresária carioca Camila Ganzolli, onde um problema familiar a levou para uma nova perspectiva profissional e hoje ela possui uma empresa que trabalha com design de festas e outra de flores. Com muita criatividade, talento e enxergando o que realmente o seu cliente quer, Camila seguiu o ano com perspectiva muito positiva mesmo no meio de ajustes econômicos atuais. 

Camila sua carreira como designer começou por acaso, mais especificamente quando você precisou idealizar uma festa de aniversário do seu filho. Como foi que isso aconteceu? Digo que Deus tem um caminho para cada pessoa, e o meu descobri quando fui fazer a festa de 1 ano do meu filho mais novo. Os valores estavam mais altos do que queria investir. Eu queria um tema diferente do famoso "Pintinho amarelinho", sem estar vinculado com a Galinha Pintadinha. Resolvi adaptar à festa ao meu orçamento, fazendo eu mesma, ao invés de contratar decoração. Coloquei no papel detalhe por detalhe. Vi que tinha um dom escondido, mas tive certeza no dia da festa. Foi surpreendente! Os convidados elogiaram tudo, do buffet à decoração. Tudo tão diferente, tão harmonioso. Foi muito gratificante!

Como foi que surgiu oportunidade de você se tornar uma empresária do ramo de festas? Meu filho mais novo, vivia tendo sérios problemas de saúde, sempre gripado, com infecções, crises respiratórias, até que um dia, em uma destas crises, foi diagnosticado, que ele era alérgico a ovo, trigo e leite. Meu mundo desmoronou, pois estava planejando a festa de aniversário de um ano dele quando soube que ele não poderia comer nada daquilo. Esta dor acabou se tornando em uma depressão. Uma amiga me vendo naquele estado, decidiu me ajudar a ocupar a mente, e me convidou para ajudá-la na empresa de festas, a qual ela trabalhava. Chegando na DUETT FESTAS, fiquei encantada com tantos detalhes, me senti tão leve! Como se aquele lugar me fizesse esquecer os problemas e ainda podia fazer algo que eu amava. Por coincidência estavam querendo dar uma elevada na empresa trazendo novos investimentos, quando perguntei se não queriam uma sócia e gostaram da ideia! Virei sócia e 6 meses depois, por problemas pessoais da outra sócia comprei a parte dela e hoje sou a atual Dona da Duett. Continuamos dando seguimento, mas com melhorias em questões de detalhes, melhores preços, qualidade, que ela sempre teve e considerando um atendimento qualificado.


Você cria cada projeto personalizado, qual o diferencial do seu trabalho como designer e com consultoria e planejamento de eventos? Hoje vejo que cada evento é único. Mas é no estilo do cliente que buscamos a inspiração, desde o convite aos arranjos até os últimos detalhes que vai do porta guardanapo a lembrança do convidado. Na Duett, não só eu, mas toda minha equipe está treinada para fazer a leitura do cliente. Acho que ao longo do tempo aprendi a decifrar muito do que os clientes querem em seus eventos, observando seus gestos, seus olhares e até a roupa que se usa. Vemos seus olhos brilharem, assim sabemos quando estamos no caminho certo, ao criar o evento a qual ele sonha e imagina cada detalhe. 

Quais são as maiores dificuldades encontradas no mercado de festas e o que você considera eficaz para manter seus clientes motivados? Atualmente são inúmeras as dificuldades, mas as mais evidentes são escassez de matéria-prima, que ao mesmo tempo e muito grande o leque, mas sempre em quantidade menor. Outro ponto é a desvalorização de nossa área por meio de alguns profissionais que fazem por hobbie. Acima de tudo existe a crise econômica no país, que afetou não só o nosso setor mas todos, fazendo com que as pessoas diminuíssem os custos de investimentos em eventos. Mas conseguimos readequar as ideias e matérias-primas usadas, estando de acordo com o investimento do cliente, acho que isto gera fidelização na clientela.

Você está preparando a inauguração de um novo braço de sua empresa no Rio de Janeiro, no segmento de flores, como vai se configurar esta “joint venture”? Foi por acaso, que surgiu uma conversa sobre este empreendimento: Estava tomando café com pessoas renomadas e de tradição no setor de flores, quando comentei sobre um projeto meu, um sonho! Eu estava fazendo um estudo de mercado nesta área. Daí descobri que estavam cogitando a mesma ideia, para longo prazo, mas faltava alguém nesta área de designer. Foi que surgiu a “joint venture”, seria um bom investimento e um casamento perfeito para ambas as empresas, pois não há nada parecido no Brasil. Estamos confiantes para ano que vem já inaugurar o empreendimento que une flores e designer.

Projetos para 2018? Expandir minha empresa e iniciar este novo empreendimento no Rio de Janeiro. Quero estar mais tranquila para viajar mais! Adoro conhecer novos lugares e culturas diferentes. Peço a DEUS que o ano novo seja cheio de bênçãos e luz para mim e minha família. E ao mundo, mais amor e igualdade!

FOTOs  EDU RODRIGUES
PRODUÇÃO MARCIA DORNELLES

BELEZA CATY PIRES

CAMILA VESTE: Só A Rigor
AGRADECIMENTOS: Carmem Leboreiro, Windsor Copa Hotel (21) 2195.5300, 
Carla Flores (21) 3860.2169

ESTILO: Chapéu Panamá, como escolher o seu, usar e conservar

O uso de chapéu para os homens sempre foi algo muito comum antes dos anos 50. Usar alguns modelos de chapéus até eram questão de status, como os modelos usados por coronéis ou da elite mais tradicional. Hoje em dia muitos modelos estão voltando para o guarda-roupa masculino sem ser taxado de algo usado apenas pelos avôs. Modelos como as boina e o mais comum, o Panamá, estão em alta e cada vez mais usados. No caso vamos focar no panamá, que na verdade é fabricado no Equador com a palha da planta Carludovica palmata ou palha de Toquilla. Por se tratar de um material leve e fresco, sem falar da proteção contra o sol, esse modelo de chapéu tem tudo a ver com nosso clima no Brasil. Além de ser muito fácil de combinar com os mais variados estilos, indo do terno com sapato social à bermuda com chinelo de couro. Pensando nisso separamos algumas dicas para quem quer aderir a esse adereço:

MODELO CLÁSSICO  

Com esse modelo não tem erro. Geralmente na cor marfim, ele possui a copa mais alta e quadrada. Por sua cor neutra fica fácil de combinar com qualquer peça e seu formato traz um tom elegante ao look e para qualquer ocasião. 

ETIQUETA

A boa etiqueta, seja ela para qualquer for o modelo de chapéu, é que ao entrar em um ambiente fechado, deve-se tirar o chapéu da cabeça. Exceto lugares abertos como shopping ou feiras. 

NÃO COMBINA

Esse tipo de chapéu é fácil de combinar como já citamos, mas às vezes se torna demais se usado junto com tênis, roupas muito estampadas com símbolos, short tactel, camisa regata (essa difícil de combinar com algo fora da academia) e sandália de velcro (cada vez mais em desuso). 

NA MEDIDA CERTA 

É importante que o chapéu pareça ser seu e não de alguém que tem a cabeça maior ou menor que a sua. Ele não deve parecer uma cuia de coco de tão pequeno e nem um chapéu que esconde seus olhos de tão grande. O importante, isso para qualquer modelo de chapéu, é usar o tamanho ideal para sua cabeça, nem muito folgado e nem apertado ao ponto de não entrar na cabeça direito.

VERSÁTIL

Por ser um modelo clássico e uma cor neutra (marfim), ele cai perfeitamente com um look total jeans, quebrando um pouco a combinação. Vai bem com pulseiras de contas ou couro, cinto e sapato de couro e óculos de armação levemente arredondada. Assim como vai muito bem com terno, blazer e costume. Complementando com óculos de sol estilo wayfarer, sapatos estilo brogues e relógios com pulseira de couro. Um blazer preto justo e uma calça skinny caem perfeitamente bem com um Panamá preto para uma ocasião à noite. 




COMO MANTER SEU CHAPÉU

Como o chapéu panamá é feito com palha e tecido, ele nunca deve ser levado. Isso iria fazer com que ele perdesse o molde natural e ficasse amassado. Depois para desamassar vai ser praticamente impossível, só usando suporte de cabeça e nem sempre funciona. O correto é usar panos úmidos para passar no local. O mais indicado são aquelas espumas que limpam à seco.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

MUSA: Edvana Carvalho, uma baiana arretada que nos encanta dentro e fora da TV


Tem aquela frase que diz que “baiano não nasce, estreia”. Isso se encaixa perfeitamente para nossa queria musa desse Carnaval, a atriz Edvana Carvalho. Uma baiana alto astral, professora, cria do Bando de Teatro (Olodum) e atriz da TV, que recentemente participou da novela Pega-Pega na Globo. Nesse carnaval ela pode ser a Mulher-Gato ou uma Gueixa, não importa, o que não pode faltar é alegria. Como um trio elétrico permanente, Edvana sempre trilhando por caminhos distintos, educação e arte, que se completam e a tornam essa mulher especial que ela é. Apaixone-se por essa Black Panther pois ela merece todos os títulos, dentro e fora da TV.

Edvana, essa época de Carnaval a baiana que existe em você aflora mais que o comum? Como é sua relação com o Carnaval? E como aflora!!!! (risos) Adoro Carnaval. Minha mãe e meu pai sempre foram carnavalescos, acho que essa admiração que eles tinham pela festa passou para mim. Amo todas as festas populares da Bahia.


Qual sua fantasia e seu ritmo preferidos nesse período momesco? Adoro todos os ritmos, assim como adoro a Baia de Todos os Santos. Adoro a diversidade cultural e antropofágica de Salvador. Minha fantasia sempre é a que estiver mais fácil no momento, como tenho sempre algum adereço de teatro acabo montando algo, vou de Black Panther, de Gueixa, Mulher das Galáxias, loira Hollywoodiana... Já fui de noiva quase virgem, de índia, as vezes só de short e tênis velho, o que a inspiração e material proporcionar na hora, adoro o improviso e nunca aluguei fantasia.

Ter nascido em Salvador já é uma festa. Que boas memórias e referências você leva pra vida de sua cidade? Em Salvador aprendi que vizinhos têm que dividir, é uma xícara de açúcar, um pouquinho de café, um punhado de sal, a troca e a ajuda mútua são referências importantes que levo da comunidade. Aprendi que quando se convida 2 se faz comida pra 5, esperando o inesperado para não deixar ninguém com fome. Com os artistas do centro histórico aprendi a ser artista, aprendi que as coisas não mudam muito ao sair do São Caetano para Pituba, porque o preconceito não vê classe social. Eu cresci vendo o Ilê Ayê subir o Curuzu com toda sua magnitude, que desde sempre me achei rainha!!! (risos)

Salvador / Bahia é um local muito rico culturalmente. Para você que é atriz e professora deve ser um belo universo para inspiração. Como suas raízes culturais influenciaram na profissão? Me enxergar fazendo parte de Salvador culturalmente. Sempre foi muito fácil, tudo vinha de uma herança africana, a nossa comida, a nossa música, as nossas danças o colorido das nossas roupas, sempre me identifiquei muito com a cultura negra da minha cidade, no entanto quando comecei a fazer teatro na década de 80, não tinha outdoors com meninas negras como eu estampado na cidade, também não tinha peça onde eu poderia ser protagonista, junto com outros artistas da cidade, eu e meus amigos, fundamos o Bando de Teatro, que tinha um elenco negro, e falava das nossas questões, dores e alegrias. Todas essas experiências levo comigo tanto pros palcos como às salas de aula. 




Recentemente você participou da novela “Pega-Pega” e antes passou por duas temporadas de Malhação. Que referência da sua terra você levou para a capital carioca e o que levou do Rio para a Bahia? Assim como no teatro é também uma delícia trabalhar na TV, cansativo mas gostoso. A troca com os colegas e amigos do elenco, da produção inteira, o aprendizado de diferentes técnicas recheiam a minha atriz. Meu avô paterno escolheu o Rio como moradia e lá ficou até os seus últimos dias, minha relação com o Rio, assim como São Paulo, tem um pouco de familiar.

Ser atriz e educadora te realizam em que pontos? Saberia escolher apenas uma profissão? Digamos que a ribalta é meu vício e que a sala de aula é o que tenho a oferecer como ser humano, para melhoria e evolução da espécie, (risos). Não saberia escolher entre uma e outra, pois as duas me completam.

O quanto o teatro Olodum ajudou na sua formação de atriz e nas metas que você atingiu? O meu primeiro curso de teatro no Colégio Estadual Luiz Pinto de Carvalho, o do Sesc e a formação do Bando de Teatro (Olodum), foram minhas escolas. Tive a Oportunidade de trabalhar com os melhores mestres da cidade, aprendi a cantar, dançar, improvisar, e principalmente a trabalhar em prol do grupo, e não de um protagonismo. Tudo que conquistei e conquisto, devo a minha mãe e aos meus mestres.



Como foi participar de “Pega-Pega”? Que experiências acumulou com esse trabalho? Uma delícia ser escalada pelo Fabio Zambroni, ser dirigida por uma equipe de diretores e diretoras fantásticos, comandados pelo Luiz Henrique Rios e o Marquinho Figueredo. O texto inteligente e bem humorado da Claudia Souto, e a parceria do elenco inteiro foi uma receita feliz! Muitas saudades.

Nesse ensaio feito para a MENSCH você mostrou que está em plena forma física. Como cuida do corpo e da alimentação? É muito vaidosa? Sempre me exercitei e procuro comer saudável, mas aviso, como de tudo, não tem tempo ruim, (risos). Este ano faço meio século de vida, estou comemorando meus 50 anos com muito orgulho e bom humor, as dores aqui e acolá fazem parte, mas ainda assim, acho melhor envelhecer bem do que morrer jovem.

O que um homem precisa ter e ser para chamar sua atenção? Ter caráter e ser gostoso. Não tenho paciência para homens mal resolvidos. O tempo urge (risos).

E o que vem por aí? Soubemos de um seriado para esse ano... Conta um pouco. Por enquanto “Ó Paí Ó 2” e a série dos “Irmãos Freitas”. Os detalhes vocês vão conferir nas telas.

O que essa baiana tem que encanta tantas pessoas? Ah...Borogodó! (risos) E quem quiser saber o que é, que se achegue! Um cheiro!



segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

HISTÓRIA: Nos Passos do Frevo - O museu que evoca e exibe o ritmo do Carnaval pernambucano

Comemorando o dia do Frevo, em 09 de fevereiro de 2014, Recife recebia o que há muito já merecia: um museu dedicado à história do Frevo. O Paço do Frevo nasceu para ser um centro de referência de ações, projetos e atividades de documentação, transmissão, salvaguarda e valorização de uma das principais tradições culturais brasileiras, reconhecida como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco: o frevo. Além de reconhecer a importância do Frevo não só para o Brasil, principalmente, para Pernambuco, o Paço abre espaço para que residentes e visitantes possam não só “cair no ritmo”, mas, sobretudo, conhecer a fundo a história desse ritmo, dos blocos, de cada passo e de como a vida pulsa entre sombrinhas e clarins.

Localizado na Praça do Arsenal da Marinha, no Bairro do Recife, o Paço é uma iniciativa da Prefeitura do Recife, com realização da Fundação Roberto Marinho e gestão do Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG). O projeto conta com o patrocínio cultural da Rede Globo e do Banco Itaú. Os patrocinadores do espaço são o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), o Governo do Estado de Pernambuco, por meio de sua Secretaria de Turismo e da Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur), o Instituto Camargo Corrêa, o Instituto Votorantim e da Pilar Produtos Alimentícios e apoio do Ministério da Cultura, por meio da Lei de Incentivo à Cultura.



PRA VER, OUVIR E APRENDER 

O Paço do Frevo, além de ser espaço para contemplação da cultura pernambucana é também lugar de aprendizado interativo. A Escola de Música busca formar novos profissionais e gerações de orquestras de frevo, mas também pode receber aquele visitante curioso que quer aprender, sem grandes pretensões profissionais. A Escola de Dança, da mesma forma, serve aos foliões que querem fazer bonito no carnaval e também aos profissionais da dança que querem se formar passistas e levar a arte do frevo para além das fronteiras do estado e do país.

Com salas próprias para realização de workshops, encontros e palestras, muitas pessoas podem não só aprender os passos e o uso dos instrumentos do frevo, mas também debater sobre sua origem e seu papel na sociedade atual, e produzir e difundir suas atividades e os produtos gerados por elas. O Paço do Frevo conta com:

- Estúdio de gravação montado no primeiro andar aberto para receber músicos profissionais e amadores.

- Centro de Documentação Maestro Guerra Peixe promove a produção, organização e acesso a documentos e informações relativas ao frevo disponibiliza um acervo em expansão com mais de 900 exemplares de livros, revistas, catálogos, periódicos, CDs e DVDs. O Centro de Documentação também tem como objetivo produzir, sistematizar e difundir memórias, conhecimentos e conteúdos relacionados ao frevo e ao patrimônio cultural imaterial.

- Rádio online que é responsável pela difusão audiovisual sobre quem compôs o frevo (canção) e ainda menciona suas criações do passado.



UM MUNDO DE CORES 

Muito além do colorido vibrante das sombrinhas e roupas dos passistas, o Paço do Frevo recebe a todos em um universo de cores, palavras, expressões e memórias relacionadas ao frevo de forma contagiante. 

Quem vai ao Paço tem a oportunidade de conhecer desde os principais acontecimentos da história do frevo na linha do tempo, no térreo do prédio, até os estandartes e flabelos de importantes blocos e agremiações pernambucanos na estonteante Praça do Frevo, no 3º andar do imóvel restaurado.  

O PRIMEIRO ANO 

Em seu primeiro ano de funcionamento (inaugurado em 9 de fevereiro de 2014), o espaço se tornou um centro de referência e levou mais 122 mil pessoas a conhecer e aumentar seu encantamento com o frevo. Só no mês de Janeiro de 2015, o espaço bateu todos os recordes de visitação, recebendo mais de 17 mil visitantes. Ao todo, mais de 23 mil pessoas participaram de visitas guiadas que receberam os visitantes todas as semanas ao longo desse primeiro ano.

Outra importante conquista foi a inserção do Paço no calendário de grandes eventos culturais da capital pernambucana, como a 11ª Mostra Brasileira de Dança e o 19º Festival Internacional de Dança do Recife. Em 2015, essas parcerias continuam com o espaço marcando presença em eventos como o Janeiro de Grandes Espetáculos e o Porto Musical. Ao longo de 2014, o Paço recebeu uma programação intensa, contribuindo para que o frevo seja vivenciado, renovado e fortalecido durante o ano inteiro, incentivando o mercado e promovendo a sua salvaguarda. 



OUTROS NÚMEROS MOSTRAM A FORÇA DO PAÇO DO FREVO 

Até janeiro de 2015, foram 93 apresentações culturais, entre bandas, artistas e agremiações. Nas 37 edições da Quinta no Paço, realizadas no 3º andar do prédio, agremiações e grupos alternaram encontros com a tradição da cultura popular e novas experimentações da dança e da música do frevo. Entre os destaques dessa programação, Quinteto Violado, O Bonde Bloco Carnavalesco Lírico, Coral Pró-criança, Flaira Ferro, etc. 

Nas 40 apresentações da Hora do Frevo realizadas no Evoé Frevo Café, releituras do frevo foram experimentadas, tais como o frevo em rabeca de Cláudio Rabeca, o frevo para sanfona com Mestre Camarão e a música instrumental de jovens artistas como Henrique Albino. Além disso, onze Arrastões do Frevo fizeram com que a programação artística do Paço do Frevo extrapolasse os muros do museu, colocando todo mundo para frevar nas principais ruas do Bairro do Recife. 

Também foram realizados três (Com)Passos, encontros de improviso entre bailarinos e músicos e dois Conexões Frevo, momentos de intercâmbio cultural com outras expressões como o bluegrass americano e o fado português e o encontro do Maestro Forró com o grupo norte-americano Clinton Curtis Band, no Conexão Cultural 2014 Estados Unidos-Pernambuco, e o intercâmbio entre o frevo e o fado português protagonizado pelos músicos pernambucanos Geraldo Maia, Beto do Bandolim e os grupos Brasil Sonoro e Fado ao Centro, de Portugal, são exemplos de como o museu(Paço do Frevo) pode explorar o potencial internacional do frevo e ser um forte indutor de intercâmbios entre artistas, bandas e grupos. 

Para coroar este primeiro ano, o Paço do Frevo se despediu de 2014 realizando a Cantata do Paço, com direção do maestro Marcos Cesar e apresentação da Orquestra Retratos e do Coral Edgard Morais. O espetáculo trouxe as influências do pastoril, manifestação folclórica típica do Natal (dnça Portuguesa originada a partir de atividades pastorais). 

No campo da formação (estudo do frevo), o Paço do Frevo promoveu, com o apoio da Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur), o 1º Encontro de Pesquisadores do Frevo, reunindo estudiosos do mundo acadêmico e profissionais ligados ao universo do frevo para discutir alternativas para a salvaguarda desse bem cultural. O evento mobilizou cerca de 150 pessoas, com destaque para a participação do multiartista Antônio Carlos Nóbrega. O Paço também ofereceu 33 cursos e oficinas na Escola de Dança e na Escola de Música, que atraíram mais de 567 alunos, tanto do público local quanto de turistas. O evento de formação das turmas do Curso Regular de Frevo e de Técnica Vocal foi um dos destaques da área neste primeiro ano de funcionamento do Paço do Frevo, bem como a realização do Quatro Frevos em Debate, mesas de discussão sobre o mercado da música, o ensino da dança, entre outros temas relacionados à cultura do frevo. 

 “As ações de formação, difusão e fruição do frevo em seus gêneros musicais objetivaram a estruturação de um mercado anual. Nesse contexto, estreitamos relações com os músicos e maestros escolásticos de referência nacional e internacional (como Clóvis Pereira, Duda, Nenéu Liberalquino, Édson Rodrigues, Ivan do Espírito Santo, Spok, Marco César), ao ofertar cursos que completaram a rede de ensino musical da cidade. Contribuímos para a renovação de repertório e atuamos na qualificação profissional dos músicos”, pontua o Gerente-Geral do Paço do Frevo, Paulo Braz. 



PARCERIAS 

Importantes instituições pernambucanas se colocaram como parceiras do Paço no desenvolvimento da cultura do frevo, entre elas, o Departamento de Música da UFPE, Biblioteca Central da UFPE no trabalho de restauro e conservação do acervo, da Banda da Polícia Militar de Pernambuco, o Comando da Base Aérea de Recife – BARF, na cessão de professores para o início das atividades da futura Orquestra do Paço do Frevo, o Sebrae e o Consulado Americano.

 “Foi um ano de grandes desafios, mas, também, de significativas conquistas, principalmente quando tratamos do desenvolvimento de públicos, formação de plateias e ativação da cadeia criativa e produtiva do Frevo. Há um campo de oportunidades a ser explorado, de profunda ressonância social, imenso repertório simbólico e potencial econômico. Investimos, neste primeiro ano, na convivência e reflexão, experimentação e renovação, criação e difusão, abrindo possibilidades concretas para o desenvolvimento de iniciativas direcionadas à memória, inovação e salvaguarda deste patrimônio imaterial, do Brasil e do mundo”, ressalta Eduardo Sarmento, Gerente de Conteúdo do Paço do Frevo. 

SERVIÇO 

Paço do Frevo - Praça do Arsenal da Marinha, s/n, Bairro do Recife - Terças, quartas e sextas: 9h às 18h. / Quintas: 9h às 21h / Sábados e domingos: 12h às 19h. Ingresso: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia). Mais informações: 3355-9500 / www.pacodofrevo.org.br

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

ESTRELA: Paloma Duarte articulada,talentosa e cheia de novos projetos

Desde muito cedo estamos acostumados a ver a atriz Paloma Duarte na TV. Filha de atriz consagrada, Paloma nunca ficou na área de conforto e sempre trilhou seu próprio caminho no mundo artístico. Antenada com as novas possibilidades de comunicação e de mostrar sua arte, atualmente a atriz se sente livre para voos mais altos como investir na carreira de produtora e trabalhar novas mídias. Recentemente, participou da série “Eu, Ela e um Milhão de Seguidores” e reafirmou a possibilidade que as redes sociais, quando bem trabalhadas, podem render bons frutos. Fora tudo isso, sua principal vocação é ser mãe e Paloma tira de letra esse “ofício”. Batemos um ótimo papo com a atriz e o resultado você confere, abaixo.

Paloma, depois de participar de “Eu, Ela e um milhão de Seguidores”, série do Multishow, sua visão sobre redes sociais mudou em algo? Como essa experiência te tocou? Sim. Pra começar, tive que aprender a fazer coisas básicas, como stories… (risos) Pelo lado profissional, também comecei a seguir algumas pessoas. É uma loucura esse universo! Tem muita coisa interessante, mas também tem muita bobagem. Mas é uma questão de saber filtrar o que te acrescenta ou não.

É muito surreal para você como atriz imaginar que hoje em dia muitas vezes se avalia um artista pelo número de seguidores. Isso está se tornando (em muitos casos) determinante para um trabalho (seja ele qual for). Como vê isso? Completamente surreal! Me dói muito imaginar que o talento de alguém seja avaliado dessa maneira, até porque tem gente que compra seguidor. É um mercado. Mas fica a pergunta: que tipo de mercado? Mas vida de ator tem dessas coisas. Antes eram os realities que nos invadiam, agora são os seguidores no instagram. Vai aparecer gente nova, claro, com talento ou sem. O tempo sempre faz sua peneira.

Ao mesmo tempo, plataformas como YouTube e Facebook estão sendo um novo canal para atores mostrarem seus trabalhos de forma mais independente. Que pensa disso? Eu acho isso ótimo! Quem gosta e tem conteúdo, seja como humorista, ator, etc..., tem mais é que botar seu trabalho nessa vitrine. Sigo vários no Youtube! Pra mim, o Facebook já tá um pouco ultrapassado, perdeu a graça, apesar de reconhecer a importância da plataforma, inclusive para dramaturgia.

Novos meios como Netflix, TV por assinatura e internet chegaram para dividir mais ainda o público de TV aberta e, cada vez, ela perde espaço. Você acredita no fim da TV com seu formato tradicional? Em que a TV convencional precisa mudar ainda? Ainda não. Estamos vivendo o que a música viveu anos atrás, quando ainda se discutia se o CD deveria ter encarte com letras ou não. Aí veio o mp3 e mudou tudo. Acho que as novelas estão se adaptando. Hoje temos no ar uma trama que praticamente não tem cenário e onde quase tudo é computadorizado. Claro que, quando pensamos em plataformas como Netflix, três coisas ficam evidentes pra mim: que as novelas deveriam ser mais curtas, que a “Era” dos contratos longos está cada vez menor e, claro, que a Globo já deve estar preparando sua própria “Netflix”. Até porque, já existe na plataforma digital dos sites da Globo a opção de assistir o capítulo das novelas na hora que o expectador quiser. Eles não dormem no ponto!


O grande público ficou acostumado a te ver na TV desde muito cedo. Filha de atriz e estrela na Globo. Existiu em algum momento uma cobrança velada? Nunca! Sempre me dediquei muito e busquei meu caminho independente disso. Amo o que faço! Se teve alguma cobrança, nunca percebi.

Muitos artistas sem contrato fixo com uma grande TV se sentem meio perdidos. E você, como encara essa ideia? Te instiga mais a ousar ou bate uma insegurança maior? Passei 30 anos contratada! Tenho 40 e comecei cedo. Demorei a decidir ficar sem contrato, mas eu precisava saber quem eu era artisticamente nos dias de hoje e com todas essas mudanças. Acho estimulante sair de um lugar confortável e me redescobrir. Não estou dizendo que não quero mais fazer novelas, muito pelo contrário. Tenho saudades, mas foi fundamental dar esse tempo para saber do que eu queria falar e de que forma.

A liberdade de não ter “amarras” de contrato te deixa mais à vontade para criar? Isso te influenciou a ser produtora de seus próprios projetos? Sim! Ter tido tempo para produzir o que acredito, me deixou pronta para retornar esse caminho extenuante e lindo que é fazer uma novela! Foi muito importante.

Acha que a cobrança em cima da atriz é maior do que em cima dos atores (homens)? Se sim, quando sente isso? Não. Ator é ator, independente do gênero.

Hoje em dia, com a exposição de casos de assédio na TV e cinema, ficou mais difícil ou mais fácil as relações de trabalho? Acho bonito todo esse redescobrimento do feminismo. Parece que uma geração inteira, literalmente, o redescobre agora. Eu sempre fui fã de Betty Friedan. Mas deve se ter cuidados com radicalismos, porque aí, ao contrário do que se espera, gera-se retrocesso; na minha opinião.

Você parece ser do tipo bem mãezona. Onde você acha que acerta em cheio como mãe e quando acha que passa do limite? Acho que toda mãe, ao parir, sente de cara, amor e culpa (risos). Gosto de ser mãe e isso é, disparado, meu primeiro ofício! Acho que acerto e acertei quando vejo minhas duas filhas adultas, terem se tornado mulheres bem resolvidas, sem tabus e independentes. Claro que erro e continuarei errando como toda mãe. Agora tenho um pequenino de quase dois anos, o Antonio. Educar um menino está sendo uma novidade, mas estou muito apaixonada pelo processo.

E quando a vez é só sua? O que faz para se agradar? Viajo de imediato! É o que mais gosto de fazer para repor energias e aprender.

O que inveja nos homens? E o que eles precisam aprender com as mulheres? Fazer xixi em pé! (risos). Difícil generalizar.

Você é uma mulher vaidosa? Até que ponto? O suficiente para me cuidar da maneira que gosto. Não abro mão da minha saúde e sou viciada em protetor solar. Também sou à favor de qualquer procedimento que faça bem à autoestima das pessoas. Só não curto exageros!

Para agradar Paloma basta… Um bom vinho e um bom papo.


quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

CULTURA: Galo da Madrugada e de todos os carnavais celebra 40 anos

UM POUCO DE HISTÓRIA - Criado pelo empresário Enéas Freire O Galo da Madrugada desfilou como bloco pela primeira vez no sábado, dia 23 de janeiro de 1978, às 5h da manhã, saindo da sua sede na Rua Padre Floriano, 43, no bairro de São José. E pensar que o bloco que entrou para o Livro dos Recordes, o Guiness Book em 1995, por reunir cerca de um milhão de pessoas pelas ruas e avenidas da cidade arrastou somente 75 foliões em seu primeiro desfile. De lá pra cá a cada ano mais e mais foliões de todos os cantos do Brasil e também do mundo acordam cedo pra render homenagens ao Galo.

A ideia de sair ao sábado de madrugada se devia ao fato de naquela época não ser feriado, daí a festa tinha de acontecer antes do comércio do Centro abrir. Agora todos param para ver o Galo passar e a saída dos trios e carros alegóricos acontece das 10h da manhã. Quando criou o Galo, Enéas Freire tinha como objetivo resgatar a folia de rua e a criatividade dos pernambucanos que estava sendo deixada de lado pelos grandes bailes de clube da época. Não sabia ele que ali, naquele dia, nascia uma dos grandes ícones do carnaval de Pernambuco e que até hoje é exatamente o que ele queria que fosse: um espaço onde a criatividade, a irreverência e a alegria reinam a céu aberto nas ruas do centro do Recife.

Foi em 1979 quando aconteceu a 1ª Noite dos Estandartes no Clube Português que o Galo ganhou seu estandarte e hino oficial criado por Mauro Freire e pelo compositor José Mário Chaves. Com o tempo e o aumento dos foliões as orquestras passaram a tocar em cima de caminhões para propagar mais e melhor o som, mas ainda assim não era suficiente e os trios elétricos passaram a fazer parte do Galo da Madrugada.


GANHANDO AS RUAS HOMENAGEANDO FRANCISCO JOSÉ EM 2018

Com o tema “Galo 40 anos, Promovendo o Folclore e a Cultura de Pernambuco”, o bloco sairá às ruas em 10 de fevereiro de 2018. “Esse ano estamos comemorando 40 anos de uma festa que resgatou o ritmo pernambucano. O Galo da Madrugada promoveu uma verdadeira revitalização para o carnaval de rua, mantendo-se fiel aos seus objetivos, fortalecendo o folclore e a cultura e, principalmente, crescendo sem perder a originalidade. Nossa bandeira é sempre defender o frevo, o folclore e a cultura pernambucanos”, explica o presidente do Galo da Madrugada, Rômulo Meneses. 

É na Ponte Duarte Coelho que fica o boneco do Galo, medindo 35 metros de altura que dá pra ser visto de longe e é o grande símbolo da festa. Durante o trajeto há camarotes privativos e improvisados em varandas e sacadas, afinal todos querem ver o Galo passar. No chão, milhares de pessoas seguem os trios e orquestras durante todo o dia. E neste ano Para o desfile, muitas surpresas são esperadas. O folião poderá reviver os carnavais passados, além de relembrar grandes compositores que fomentaram a cultura e contribuíram para que o frevo fosse perpetuado. 

O Galo fará, ainda, uma homenagem especial ao repórter Francisco José, que também celebrará, em 2018, 40 anos de cobertura dos desfiles do Galo da Madrugada. Para comemorar os 40 anos, o clube irá promover, ainda, algumas outras ações que serão realizadas ao longo do de 2018. “O que podemos adiantar, é que será lançado um CD comemorativo onde convidamos alguns compositores e artistas que fazem parte da história da agremiação para compor e/ou gravar músicas para celebrar os 40 anos do bloco, estamos programando outras atividades como:  lançamento de dois livros, lançamento de uma exposição itinerante e a produção de um filme documentário”, conclui Rômulo.


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

DESTINO: Uma aventura pelos Balcãs, da Croácia até a Sérvia

Palco recente de um dos piores conflitos da atualidade a região dos Balcãs se abre novamente aos turistas em um roteiro que combina paisagens maravilhosas e experiências inesquecíveis.

Comecei minha cruzada pelos Balcãs inesperadamente por Dubrovnik no sul da Croácia. Por conta de problemas com o visto Sérvio tive que entrar pela Croácia e resolver minha situação na embaixada em Podegorica, capital de Montenegro, antes de entrar na Sérvia. Os transtornos da viagem foram rapidamente compensados pela beleza da cidade. Dubrovnik é seguramente uma das cidades mais bonitas que eu já estive. Toda fortificada e localizada na beira do mar esmeralda croata a cidade guarda uma aula de história em suas vielas medievais. Dar a volta na antiga muralha é um dos grandes atrativos da cidade e é difícil fazer o percurso sem tirar uma centena de fotos. No final da tarde a melhor pedida é subir de teleférico para a parte mais alta da cidade onde fica as ruínas de uma antiga fortaleza hoje símbolo da resistência da cidade no bombardeio de 1991. Além das marcas da guerra o forte tem hoje uma exposição interessante sobre os dias de guerra. O tom da apresentação expondo a versão croata dos fatos mostra como as feridas da guerra recente continuam abertas. Aproveite a vista maravilhosa do local e o por do sol no mar com a cidade antiga de fundo.
De Dubrovnik segui em carro rumo ao sul a Montenegro. Para quem vêm da Croácia as paisagens mais incríveis da costa de Montenegro estão próximas a fronteira. O litoral abre como um fiorde ao sul do país revelando praias maravilhosas e cidades históricas pitorescas. A primeira delas é Perast que além de um vilarejo medieval bem preservado tem duas pequenas ilhas com antigos mosteiros. A vista do alto da torre da igreja é maravilhosa e o passeio fica completo com um almoço de frutos do mar a beira mar. Seguindo pela estrada a próxima cidade que vale uma visita com pernoite é Kotor. Aqui encontrei uns amigos e com a ajuda de uma agencia de viagens na praça principal alugamos um apartamento dentro da cidade antiga. Kotor tem como atrativo além da vila medieval cercada por muros uma fortaleza militar que sobe 2 km morro acima dando a cidade uma linha extra de muralha. A subida até a fortaleza é dura e tem que ser feita no final da tarde com o sol mais baixo. O esforço é compensado com o visual maravilhoso da cidade e do Fiorde. À noite Kotor ferve no verão com vários pequenos bares em suas ruelas e becos.

No dia seguinte seguimos viagem pela costa de Montenegro até Budva que seria nossa base para explorar a costa desse belo país. Budva tem um bonito centro histórico também com sua cidade murada, mas predomina no cenário a cidade moderna e a praia de Becici com bons resorts para quem quer curtir uns dias de praia no mar Adriático. O balneário é bastante turístico com grande parte dos turistas vindo da Sérvia para passar o verão. Por conta disso a cidade tem uma vida noturna interessante, mas já foi bem descaracterizada pelo turismo de massa. 

Após alguns dias de praia curtindo o belo litoral Montenegrino subimos a serra rumo à fronteira com a Sérvia. O trajeto até Belgrado não é longo em distancia (cerca de 500 km), mas as pequenas estradas que atravessam as montanhas tornam a viagem lenta e demorada. O visual no caminho é espetacular principalmente cruzando as altas montanhas que dividem os dois países. Se prepare para encarar uma fila de até 4 horas para passar pela imigração Sérvia. Doze horas depois que deixamos Budva chegávamos ao povoado de Guca no interior da Sérvia onde ficaríamos alguns dias para o tradicional festival de trompetas que acontece todos os anos em Agosto. Por uma semana bandas de
trompetas de todo o país e até internacionais vem a esse pequeno vilarejo competir no festival.
A festa reúne milhares de pessoas que transformam Guca em uma versão Sérvia do Festival de Woodstock com pessoas acampando em todo o espaço disponível nos pastos ao redor da cidade. Através da agencia oficial do evento (guca.com) nos hospedamos em uma casa de uma família local que logo nos recebeu com uma tradicional dose de Raki e o café forte no estilo turco. As ruas estavam lotadas de barracas que vendiam o tradicional porco e carneiro no rolete, bandeiras e camisetas nacionalistas Servias e todo o tipo de souvenir da festa. Por todos os lados bandas desfilavam tocando para qualquer grupo que abanasse alguma nota de Dinar Sérvio. A folia se concentra na arena onde as bandas que estão competindo se apresentam, na rua principal da cidade vários bares e restaurantes ficam lotados. Outro ponto de concentração é a praça da vitória que tem uma estátua de um trompetista. Como manda a tradição todos escalam a estátua para tirar uma foto de preferência abanando a bandeira Sérvia. Para curtir bem o festival apreenda duas palavras essenciais em Sérvio: Pivo (cerveja em Sérvio) vai ser usada ao longo de toda a tarde e a noite, e Voda (água em Sérvio) será essencial para a sua sobrevivência na manhã seguinte.

Depois da minha primeira noite fui desesperado por uma água logo que acordei e os sinais que fiz me renderam uma “Pivô” quente logo de manhã. Outra dica fundamental é que vegetarianos devem passar longe de Guca. As refeições variam de porco e carneiro à kebabs e linguiças. O único vegetal que passou pelos nossos pratos quando alguém pediu uma salada foi um pouco de repolho. Eu presenciei o desespero de um casal holandês que com muito custo conseguiu em uma das barracas que o churrasqueiro prepara-se um peito de frango grelhado que antes de ir para dentro do pão foi batizado com o molhinho do leitão assado. Curta a música e a alegria das ruas com os simpáticos locais. São poucos os estrangeiros que chegam a Guca então é comum que os locais ofereçam Raki ou Pivo aos turistas em gesto de confraternização.
Terminado o fim de semana de festa seguimos para Belgrado. A hoje alegre capital da Sérvia é testemunha da história de muitas guerras envolvendo o país. Da fortaleza medieval que marca seu centro históricos aos prédios em ruínas bombardeados pela Otan em 98 a cidade pode ser facilmente conhecida a pé. Além dos atrativos diurnos Belgrado guarda o melhor para a noite. Com o tamanho de Campinas Belgrado surpreende com uma vida noturna de dar inveja a qualquer metrópole. No verão grande parte dos restaurantes, bares e casas noturnas se concentram na beira do Rio Danúbio em balsas flutuantes.

Comece com um jantar na cidade histórica de Zenum que fica a 18 km de Belgrado e foi no passado o limite do império Austro-Hungaro enquanto Belgrado estava sob o domínio Otomano. A cidade histórica bem preservada tem ótimos restaurantes à beira do rio. Depois da meia noite siga para as balsas em frente ao antigo Hotel Iugoslavia que fica nas proximidades. Invista em uma visita ao Blay Watch que mistura música pop internacional com shows de cantores Sérvios que empolgam os locais. Por conta da vida noturna vale ficar na cidade pelo menos quatro dias. Procure pelo Hotel Mr President, um excelente hotel butique com ótimo custo benefício. Além dos quartos confortáveis o hotel oferece internet, jantar e ligações internacionais grátis.

Terminamos nossa aventura nos Balcãs em Belgrado com a certeza que voltaríamos para conhecer a Bósnia, Macêdonia e o restante da Croácia. Seguramente a região tem assunto para meses de viagem e muitas matérias.

Texto e fotos: Fernando Russo
Acompanhe a MENSCH também pelo Twitter: @RevMensch e baixe gratuitamente pelo iPad na App Store.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

ESPORTE: O judô como herança para toda a vida

Diante de tantas modalidades esportivas que nos fazem buscar superação pessoal, vamos falar de um esporte cuja essência vai além da superação: o judô! Conhecido pela expressão “arte suave”, carrega princípios em sua filosofia que fazem desse esporte uma doutrina na qual seus praticantes irão levar para a vida toda. Quando Jigoro Kano criou o judô em 1882, tinha o objetivo de desenvolver uma arte de defesa pessoal que fortalecesse o físico, o espírito e a mente, disseminando uma cultura de honra, educação e respeito, de geração a geração; verdadeiro espírito dos samurais - o Bushido.


Nosso atleta é Sérgio Nagai, 50 anos, casado com Danuza Moura e pai de Luana (20 anos), que irá prestar exame para faixa preta esse ano, Luisa (9 anos), competidora de ginástica rítmica e Yudi (4 meses), futuro judoca.
Sérgio praticamente nasceu dentro de uma academia de judô e começou a praticar o esporte aos cinco anos de idade. É filho do Sensei Tadao Nagai, um dos mais conceituados professores de judô no Brasil. “Seu Nagai” como é conhecido seu pai, fundou a associação Nagai de Judô, em 1971, e deu início a uma linhagem de judocas, que já está na terceira geração. 

“Meu pai veio de uma família de lavradores e desde pequeno ajudava nos serviços árduos da lavoura. Aos 10 anos saiu do interior do Paraná, onde morava, e foi estudar em São Paulo. Ficou interno na casa de Ryuzo Ogawa, um dos precursores da difusão do judô no Brasil. Ali iniciou os primeiros passos no judô, junto com uma rotina diária de serviços, como a limpeza da academia. Com o tempo foi aflorando o dom que tinha no esporte. Após ter se classificado em 3º colocado em um campeonato internacional pré-olímpico em Nova Iorque, chegou a ser convocado para as olimpíadas de Tokyo em 1964, mesmo ano em que o Judô se tornou esporte Olímpico. Infelizmente, o Brasil não teve verba suficiente para levar toda a sua delegação.” 

Sérgio é formado em educação física pela UFPE, com especialização em bases fisiológicas e metodológicas da preparação física pela Universidade Gama Filho. Na carreira de judô, tem um histórico de peso: vinte títulos de campeão pernambucano, dois de norte-nordeste e um terceiro lugar no campeonato brasileiro universitário. Na categoria máster, conquistou os títulos de bicampeão brasileiro, campeão sul-americano e vice-campeão pan-americano, chegando a se classificar em quinto lugar no mundial. Também praticou jiu-jitsu, conquistando os títulos de campeão pernambucano, campeão norte-nordeste e terceiro lugar no mundial. Em um campeonato na Bahia, enfrentou o Rodrigo Minotauro.



“Sou viciado em exercícios físicos. Corro uma média de 8km, três vezes por semana, e treino judô semanalmente, estando sempre pronto para competir. Tenho que conciliar meus treinos com as 13 turmas de alunos (dos 3 aos 50 anos de idade), já que sou professor de judô em algumas escolas e universidades e na minha academia. Nessa rotina pesada de treinos e muitos campeonatos, foram muitas contusões ao longo dos anos, mas consigo suportar graças ao amigo e quiropraxista Fabrício Bartholo, que vem me tratando e aliviando minhas dores”.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

FOTOGRAFIA: Uma grande história por trás das lentes de Gabriel Wickbold


A fotografia nasceu na vida de Gabriel após uma viagem de 10 quilômetros, realizada da nascente até a foz do Rio São Francisco. “Eu era músico, depois dessa viagem voltei com esse material que falava sobre gente. Ao mostrar a algumas pessoas, todos falaram que eu deveria investir na área”, contou. Seus clicks já tinham uma assinatura e uma linguagem, todos viam um talento que não deveria ser desperdiçado. Assim nasceu sua primeira série de fotografias, intitulada “Brasileiros”. Desde então, de forma autodidata, o carioca radicado em São Paulo começou a clicar e montou o seu estúdio.

O fotógrafo acredita que sua forma marcante e bem saturada de fotografar veio da casa dos pais, local onde tinha muita tinta, muita arte, muita cor dos projetos da mãe artista plástica. “A foto só me emocionava quando estava bem saturada, quando tinha uma força de cores. É meu estilo e é algo natural, não tinha muito como fugir de uma coisa que vinha do meu íntimo”, explica. Aos 32 anos ele já assina famosas séries fotográficas: Sexual Colors, na qual utilizou tintas sobre o corpo nu de artistas e modelos, Naïve, que explora a relação homem-natureza, Sans Tache, onde critica o uso excessivo de manipulação nas imagens para apagar os efeitos da passagem do tempo nos corpos humanos, e I Am Online, um retrato do quão sufocado estamos pela Internet. E ele não parou por aí. 



Depois de longos 10 anos em estúdio, com auxílio de todos os equipamentos e assistentes, Gabriel resolveu encarar o desafio de criar um projeto com luz natural e preto & branco, algo que foge completamente da sua proposta de criação. “Encontrei em ‘Antes nua do que sua’ uma forma de oxigenar minha arte. Todo artista precisa se reinventar o tempo todo, essa mudança é muito importante para trabalhar com criatividade”, disse. O sucesso do projeto foi extremo e a repercussão muito forte. Cerca de 500 mulheres foram fotografadas em um ano, com o intuito de haver uma transformação na forma com a qual vínhamos enxergando as mulheres, inclusive elas mesmas. 

“Durante as sessões, há uma redescoberta do feminino, do sensual, do poder de sedução da mulher. É um twist absurdo na forma que ela se enxerga”, explica. Ser fotografada com tanta suavidade deixa a beleza muito clara. Pouco importa se o corpo é perfeito de acordo com os padrões de beleza ou se ela não tem mais 20 anos, todas são belas e foi isso que Gabriel resgatou. Aconteceu, a partir daí, um grande movimento de resgate do nú feminino, dominado antes apenas pelo universo masculino que as retratavam apenas de maneira vulgar. “Foi um ponto positivo para o feminino, para o masculino e para a fotografia também, porque é um fotografia que sempre foi feita, e acabou caindo em desuso”, comemorou.

O grande ápice do trabalho de Wickbold está na forma de direção dos modelos. A técnica, a iluminação, o resultado final, é tudo muito subjetivo. Não é necessariamente nesses detalhes que está a emoção da imagem, não é na dramaticidade da luz. É muito mais na troca verdadeira entre o fotógrafo e o modelo. “Essa é a diversão, é o lugar onde eu gosto de perder bastante tempo, ser muito natural, ser o mais espontâneo possível e não perder nem a minha forma de fazer aquilo como uma brincadeira, nem a do modelo de se sentir fazendo parte de uma coisa nova, diferente; um desafio. É aí que está o resultado energético das minhas imagens, sou uma pessoa que é essa explosão de energia mesmo, me dedico da mesma forma para todos os trabalhos”, falou com paixão sobre suas verdadeiras obras de arte.



Sobre fotografar, Gabriel ensina que o olhar é uma função extremamente treinável, quanto mais pratica, mais se desenvolve. Ele indica sempre subir a barra para o nível da ousadia. O fato está mais do que provado ao se clicar cerca de 500 mulheres, uma a uma, todos os dias. Em cada momento foi necessário desenvolver novas técnicas, fórmulas e aperfeiçoar sempre. Cada modelo tem uma história especial e precisava de um tratamento diferenciado para desenvolver da melhor forma um momento de troca durante o ensaio. Ficar o mais à vontade possível era imprescindível para alcançar o resultado esperado. “Nas minhas séries autorais é assim, vou pouco a pouco elevando e modificando a cada dia a forma como faço determinado ensaio. Todo tempo eu evoluo um pouco o olhar, a técnica, a forma, a cor, a posição, até esgotar realmente o projeto”, salientou.

Sempre muito autêntico e com uma sede enorme de mostrar muito mais do que apenas meras imagens, afirma que as facilidades que a tecnologia traz acaba atrapalhando o verdadeiro sentido da foto, que é comunicar. Qualquer ferramenta pode ser muito bem utilizada ou mal utilizada, seja ela uma tinta, um spray de grafiti, um pincel. A geração perdeu um pouco a mão no Photoshop e em aplicativos de celular do tipo Facetune. É necessário manter a verdade nas imagens e não perder a originalidade, tirar apenas coisas que realmente incomodam a mensagem principal da foto. “Ao retirar muitos elementos como rugas, marca, muitas expressões, acabamos chamando mais atenção para o tratamento do que para a mensagem da foto”, condenou. A ferramenta está para limpar a imagem e focar no principal, não para deturpar, transformar, ou realmente rejuvenescer demais uma pessoa, concluiu o fotógrafo.