quarta-feira, 11 de outubro de 2017

VAIDADE MASCULINA: Novas técnicas da cirurgia plástica masculina












































Sabemos que, há muito tempo, a procura pela cirurgia plástica não é mais uma escolha só das mulheres. Os homens estão cada vez mais empenhados no cuidado com a beleza e bem estar. Para entender melhor essa nova onda no público masculino, conversamos com o cirurgião plástico, Gabriel Basílio, que atua na Clínica Inova e na Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ.

Segundo ele, a harmonização facial e seus modernos conceitos estão em alta com toxina botulínica e ácido hialurônico de diferentes densidades e que permitem que o cirurgião plástico devolva o volume perdido com o processo de envelhecimento e acabe com as indesejadas rugas de expressão que conferem um ar de cansaço. E a novidade para esse verão que já está na porta, a lipoaspiração da região dos flancos e abdome, ajudam na eterna busca do abdome trincado. "como tendência forte, vejo os implantes peitorais masculinos cada vez mais naturais e com incisões discretíssimas nas axilas sem ninguém perceber que o homem os possui.", diz Gabriel.



Uma preocupação geral dos paciente é em relação a diferença mínima de idade (homem/mulher) para uma cirúrgica plástica. “Depende muito da personalidade e dos desejos de cada um. Na verdade, enxergo uma confluência dos desejos: saúde, bem estar e jovialidade, sempre parecendo naturalmente rejuvenescido seja com qual for o procedimento realizado”, comentou.

Para Gabriel, os conceitos de beleza catapultados pelas redes sociais – com rostos e corpos sempre belos – podem gerar frustrações em quem não os possui ou em quem acha que tudo o que está em evidência na internet é real. “Ao contrário de fazer bem, podem acabar com a autoestima e / ou levar a uma busca infundada e irreal pela forma perfeita que, às vezes, não é a melhor para aquela pessoa. Por isso, o bom cirurgião plástico sabe diagnosticar essas nuances de comportamento e sugerir, de forma elegante, o melhor tratamento na melhor época para realizá-lo.

Porém, como tudo na vida, é necessário ter limites. "É importante dizer “não” para algum paciente por acreditar que seria um excesso da parte dele. A tradução dos desejos dos clientes devem passar pelo crivo do diagnóstico e serem muito bem avaliados pelo profissional competente. O que as técnicas de toxina botulinica e preenchedores faciais podem fazer ao rosto de uma pessoa podem valorizar seus aspectos positivos como também podem destruir uma imagem harmônica.", avalia.



O QUE MAIS OS HOMENS PROCURAM, CORREÇÃO FACIAL OU CORPORAL?

Segundo Gabriel, isso vai depender muito da idade e, certamente, com o envelhecimento, o foco passa mais para a face além do corpo que chama a atenção das pessoas mais jovens. “Mas percebo, hoje em dia, que a harmonia fala mais alto – um copro belo requer um rosto igualmente representativo. No meu ponto de vista, não tem a ver com a idade, mas com a mensagem de bem estar e valorização dos aspectos positivos independentemente da idade que se tem”, comentou.

CUIDADOS CONTRA O ENVELHECIMENTO PRECOCE?

Uma dica básica é manter hábitos de vida saudáveis: dormir bem, tanto em número de horas como qualidade do sono, alimentação balanceada que vai além das dietas da moda, ingestão hídrica – a hidratação é fator crucial anti-envelhecimento.  Fora questões emocionais como gostar de si mesmo, cultivar bons pensamentos, ações e aproveitar a vida de maneira leve.

Segundo Gabriel, um dos grandes avanços na área da cirurgia plástica é a melhora nos efeitos dos procedimentos. “Isso, para mim, é o mais importante. Estou muito impressionado com os estudos moleculares do auto-enxerto de gordura no processo de rejuvenescimento facial. E as novas técnicas de valorização e harmonização facial com toxina botulinica e ácido hialurônico.”, conclui.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

EDITORIAL: Happy Hour - Muito estilo e elegância mesmo no fim do expediente

Muito estilo e elegância mesmo no fim de expediente. Hora de relaxar e curtir com os amigos alguns bons momentos. São ternos para o trabalho que cabem perfeitamente para uma esticadinha depois do trabalho. Para isso é bom ficar atento às combinações, caimento e conforto.










Fotos Rodrigo Marconatto     
Agradecimentos Ricardo Almeira (11) 3887.4114 
Modelos Felipe Carning (Closer Models) / Eduardo Riffel  (Ford Models) / 
Ed Saldanha (Way Models)

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

ESTILO: Os homens e as meias, uma combinação que deve ser perfeita

Ela costuma ser fetiche nas pernas femininas e desanimadoras nos pés masculinos na hora H. De algodão, microfibra, colorida, branca, padrão ou ousada a verdade é que a meia é peça quase que obrigatória no guarda-roupa masculino desde os primórdios dos tempos.

Segundo o consultor de estilo, Lula Rodrigues, ancestrais do que hoje conhecemos como meias foram encontradas em múmias egípcias e em sítios arqueológicos do Oriente Médio. Na Grécia antiga havia os soccus, sapatos usados por atores cômicos de teatro que deram origem as socks (meias em inglês). Já no renascimento surgem as stockings, meias que iam até a metade da perna, como uma espécie de legging pra em seguida surgirem as calças compridas como as conhecemos hoje.

Para além da proteção contra o frio e o suor, as meias se tornaram peças de moda, que valorizam estilos e produções variadas. E de tempos em tempos vale lembrar o que ter, o que usar, quando e como. Vamos lá?! A dica geral é sempre manter sapato e meias na mesma escala de tons da peça principal. No mais é só seguir as combinações abaixo:




COM OU SEM MEIA

Para ocasiões formais ou o uso de terno, o uso da meia é obrigatório. Sapato preto, sempre estará acompanhado da meia preta, salvo se a calça for num tom muito próximo do preto, como o azul marinho, quando a meia poderá ser marinho (mas é melhor não arriscar e ir de preto mesmo).


EXEMPLO: Os sapatos marrons, principalmente nas cores mais escuras, como o café, vai muito bem com ternos e calças na cor cinza, aí você poderá usar as meias na cor da calça ou da cor do sapato.

Para ocasiões mais informais, como o uso do jeans, poderá se usar um sapato (sem cadarço), mocassins ou mesmo um sapatenis, sem a presença das meias. Neste caso, seguem duas dicas; passar um talco antes de colocar os sapatos nos pés ou usar aquelas meias mais curtas. Não se preocupe se aparecer um pedaço do pé, pois é bem melhor que aparecer uma meia branca, por exemplo.

(Obs: não precisa usar a calça com a barra dobrada, com um bom jeans e uma camisa social, um sapato com o bico mais fino, sem as meias, ira compor uma roupa ideal, tanto para trabalhar, quanto para a balada).

A MEIA IDEAL 


Por falar nela, a meia branca  fica bem acompanhando seu tênis de ginástica, ou um look de bermuda ou short bem esportivo, mas bem esportivo mesmo, hein?! Vale frisar, que as meias também devem ser curtas e limitadas até a altura do tênis. (para evitar aquele “grande encontro” da meia com o short.

sábado, 7 de outubro de 2017

ESTRELA: Ela seduz o morro! Hylka Maria, a mulher de Sabiá em "A Força do Querer"

Ela chegou como um furação na novela das 21h. Calça bem colada, decote, cabelão e muito sex appeal. Essa foi a primeira impressão que tivemos de Alessia, personagem da atriz Hylka Maria, veterana na TV mas que agora conquistou o público de vez com seu trabalho em “A Força do Querer”. Hylka vive entre o Brasil e o México (onde mora por um bom tempo) e aproveitando uma pausa nas gravações posou para a MENSCH e bateu um papo conosco. Como locação a aconchegante pousada Beach House, em Ipanema, Rio de Janeiro. A espevitada namorada do Sabiá, sua personagem na novela não é seu primeiro papel na TV. Isso e muito mais você vai descobrir aqui nessa entrevista com ela.  

O seu nome é um tanto exótico. Seus pais se inspiraram em alguém? Foi ideia do meu pai, que ao que me parece, sempre se incomodou muito com o tradicionalidade em demasia do seu próprio nome e o da minha mãe (José e Maria, respectivamente). No fundo, acho que ele quis curar o trauma dele presenteando seus filhos com nomes super exóticos. (risos) Na infância eu odiava, e hoje não consigo me imaginar com outro nome. Sou mais Hylka do que nunca! (risos)

Como foi contracenar com Cauã Reymond na minissérie “O Caçador” (2014) interpretando a stripper Vanessa? Foi um processo parecido ao que está acontecendo agora. Eu morava no México e vim exclusivamente para esse trabalho. E da mesma maneira, não tive tempo necessário para fazer laboratório pra composição da personagem e acabei conhecendo-o somente no set.
O bacana de ter contracenado com o Cauã, é que além dele ser um ator pro-ativo, disponível, inteiro em cena, com sua simplicidade ele me ofereceu ferramentas a cada cena para que eu me sentisse mais à vontade e segura, não só nas cenas de exposição do meu corpo, mas principalmente nas sequências de muita tensão emocional. Além de um parceiro de trabalho, ganhei um amigo muito querido.



Em "A Força do Querer" as personagens de Aléssia e Sabiá, iriam ficar somente em alguns capítulos, mas acabaram ficando até o final da trama, a que você atribui este fato? Atribuo à identificação do público com esse núcleo. Porque não se trata de Alessia ou Sabiá isolados. Cada um ali tem sua importância na contextualização desse universo que modifica completamente a vida da Bibi.
Acho que o público tem prazer em ver personagens populares ainda mais nessa estética quase que de cinema pela qual o direção da novela decidiu mostra-la.

Você tem alguma identificação com a Aléssia? Ela tem um humor irônico que ê idêntico ao meu, além dessa lealdade forte no que diz respeito à amizade.
A relação de confiança e confidencias entre ela e Bibi é exatamente igual à que me relaciono com minhas amigas.

Como surgiu o convite para a participar da novela? Eu estava no México, onde moro e recebi um e-mail onde a produtora de elenco me convidava a esta participação que, a princípio, seria de apenas 4 diárias. Cheguei a pensar em não aceitar, mas quando soube que a personagem era de favela e que eu teria cenas bacanas com a Ju, aceitei na hora.

Como foi a composição da personagem Alessia? Precisou fazer laboratório em alguma favela convivendo com a realidade do morro? Eu adoraria ter tido esse tempo, mas infelizmente, cheguei de viagem numa manhã e no mesmo dia a noite já estava no set. Como estudei a minha vida inteira em escola pública aqui no Rio, tenho muitos amigos que moram em favelas, então por mais que não seja o meu, este universo também não me é tão distante. Hoje em dia o Jonathan Azevedo é meu coach de gírias do morro: ele me atualiza do que está rolando nas rodinhas entre as amigas dele.

Hoje em dia estamos em um momento de empoderamento feminino onde as mulheres tem voz, poder e lutar contra o machismo, a violência contra a mulher e a misoginia. Você acha que estamos caminhando para uma sociedade melhor para as mulheres? Se olharmos para o panorama histórico da repressão feminina na sociedade, obviamente demos passos enormes caminho à evolução. Mas ainda é pouco, muito pouco. E não acredito que seja uma desculpa cultural, é uma questão de educação mesmo, onde na infância somos doutrinados de maneira equivocada. O bom é que agora, através da internet, das redes sociais, da tecnologia, as minorias estão podendo se unir de maneira rápida, mais concisa e forte. O que nos leva a ter uma sensação maior de irmandade, de união, ainda que seja pela dor.

Você começou em 1996 na novela O CAMPEÃO, na Band ainda criança e estreou em teatro no ano seguinte. Desde então fez outros trabalhos como atriz, modelo publicitária e apresentadora. Qual das três facetas você se identifica mais? As 3 moram em mim, mas inegavelmente, onde sinto mais prazer é alimentando a minha alma como atriz, que acredito ser meu propósito de vida. Vestir roupas que eu jamais usaria, ou falar de uma maneira diferente do meu cotidiano, descobrir em mim emoções que só a trajetória de uma personagem me poderiam mostrar e despertar é onde mora a graça. Brincar de ser uma outra pessoa, ainda que em alguma medida está viva dentro de mim.



Atualmente você mora na Cidade do México. Como foi morar lá e como é o mercado de trabalho no país para artistas? Eu morei por um ano em 2013 e ano passado resolvi deixar o Brasil novamente, mas com intenções de ficar fora por mais tempo que antes. O México é um país muito acolhedor para qualquer ator estrangeiro, desde que este se dedique a neutralizar seu sotaque. Além de um mercado publicitário bastante aquecido, um cinema nacional bastante interessante, a indústria de séries está crescendo vertiginosamente por lá e é este o meu foco. Ao entrar na novela aqui, tive que abrir mão de um espetáculo teatral que começaria a ensaiar lá, além das minhas aulas de prosódia e dicção já que ainda tenho um leve sotaque brasileiro a ser trabalhado.

Como conquistar Hylka Maria, existe uma receita? Não acredito em receita, mas sim em energia. Normalmente os homens com senso de humor por exemplo, sempre chamam minha atenção.

Você tem algum hobby? o que gosta de fazer nas horas livres? Atualmente tenho aproveitado tudo o que o Rio tem e que não encontro no México: açaí, pão de queijo, coxinha, guaraná, biscoito de polvilho, mate, paçoca. (risos) Sim, eu sou uma comilona e comer é um dos grandes prazeres da minha vida.

Projetos para o futuro? Estou escalada para uma série argentina que será gravada em Buenos Aires no ano que vem. Aqui no Brasil ando fazendo alguns testes para TV, mas ainda nada de concreto.





Fotos Wagner Carvalho
Stylist Márcia Dornelles
Beleza Caty Pires 

Agradecimentos
Pousada Beach House Ipanema (Reservas 21-98002.0776)
Welberson Soares (colaboração)

HYLKA VESTE: Look Verde - colete Borda Barroca, pulseira Anna Prata, brinco Diviníssima, anel Zarpellon; Look preto - Hot paint BumBum, colar e anel Anna Prata, brinco Barbara Porto; Look Body Preto Bum Bum, cardigan Viviane Furrier, anel Magma, colar Maria Dolores, brinco Bárbara Porto; Look Branco - Body BumBum, brinco Maria Dolores, anel Magma, pulseiras Estela Geromini, colar acervo pessoal; Look Azul Marinho - Hot paint BumBum, blusa acervo pessoal, cardigan Viviane Furrier, anéis Herrera, brinco Diviníssima.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

ESTILO: Fall / Winter 2017 traz uma HUGO mais contemporânea


A coleção masculina da marca HUGO apresenta aparência sartorial em roupas enraizadas nos outdoors americanos. Toques dos estilos dos lenhadores, caçadores e pescadores, além do jeans e estampas camufladas são retrabalhadas nos ternos característicos da marca, enquanto o vermelho arrojado de HUGO aparece como um design de cobertura global ou em detalhes nas lapelas. Para a campanha Fall/Winter 2017, a HUGO preparou um circo como nenhum outro – inspirado por David Lynch em sua obra Crazy Clown Time, além de Twin Peaks e Wild at Heart. Clicado em um antigo recinto de feiras e rodeado pelo clima do interior da Califórnia, a campanha conta com um casting único de talentos da música, arte, moda e mídias sociais. Os looks acabam de desembarcar nas lojas brasileiras da marca e trazem looks tanto para a contemporânea HUGO.







quinta-feira, 5 de outubro de 2017

HORIZONTE: Os sabores do Pará - Uma viagem gastronômica muito além da maniçoba

De sua capital, Belém, cidade das Mangueiras, cidade Morena, do ciclo da Borracha, terra do Rio Guamá, terra de muitos povos, entre eles, os povos Tupinambás, Paris das Américas. Muitas são as denominações da cidade que um dia teve seus domínios lusos, portugueses e tantas raças que aqui fincaram os pés. Já foi chamada Feliz Lusitânia, Santa Maria do Grão Pará. Muitas histórias permearam esse solo, conquistas, perdas, explorações, categorias que foram elevadas, e ainda tem em sua áurea, esse apogeu - a Índia das Américas. 

De fato, Belém tem em suas margens e entrecortes todas essas manifestações. De sua arquitetura opulenta dos domínios e ciclos, de sua riqueza banhada pela proximidade da foz amazônica, de seus rios que a enobrece, o mercado que traduz o mais belo acervo de sua cultura, como seus múltiplos emblemas e rastros de miscigenação, Pará nas cidades que se seguem e na sua vasta região insular abre porta para uma história de redescobertas que há muito vem sendo explorada. De sua vegetação plural e variedade aquática, das terras do Rio Maguari, da cidade de Bragança da Marujada, do Santo Preto, Santo Benedito, da nossa Senhora de Nazaré, santa que abençoa esse povo forte das lutas, como a autêntica, revolta dos Cabanos. 




Belém, Pará tramita e tem sabor de magia. De um canto a outro os temperos e essências nos remete a um feitiço de brasilidade, de danças e mãos ágeis, numa tríade perfeita das três raças dominantes, o carimbó, suje nessa busca representativa. Dos insumos e variedades diversas, dos usos e feitos, tanto quando ao país, o destaque aqui é que nesse lado do Brasil, a comida tem uma marca forte, um registro latente, o seu povo sabe falar de seus preparos, comem, admiram. Suas raízes estão acessas, e nos convida a um desejo de participar e entrar nesse universo.

Maniçoba, Tambaqui, Tacacá, Pato no Tucupi, Açaí, Jambu e milhares de variedades se entremeiam, numa imensa harmonia entre os voos que as garças alçam nos céus que em certa hora tomam uma cor acinzentada da chuva que todo o dia chega no horizonte. 

A vida nessas bandas tem a cadência das marolas do rio, os barcos de tons e tamanhos diversos, seus homens que se confundem com as passagens do tempo e os goles de batida de caju-açu, que lembram os lados de Abaeté, a música tem ritmo sensual, onde a sensação é latente e pulsa na velocidade da riqueza aquática que habitam nesse ecossistema. Os cheiros são uma imensidão, e mesmo, o pitiú, odor forte de peixe, traz uma sensação de frescor, única que condensa as barcaças e a vida controlada pelas águas. Belém, e seus arredores tem essa identidade, esse legado forte que estar na pele, nas expressões, na fisionomia que traz traços tão marcantes dos nativos de tantas tribos que aqui, estão resistindo ao irresistível contexto mercantil.  


As senhoras que banham suas ânsias, suas mãos que tramam nas panelas cheias de temperos com os tacacás, os tambaquins, maniçobas, tucunarés, filhotes e pirarucus, são as mesmas que esfregam incansavelmente as poucas e parcas roupas suas, mas de seus lábios a cada movimento de exaustão soam melodias suaves e que rebuscam um encontro sagrado de uma cidade que ao fundo se mira. As aningas, plantas aquáticas, que beiram a aproximação oceânica que contornam os furos regiões insular.  Os açaís gritam e explodem com sua cachadas trazendo cultura e alimento ao povo. Os matapis, cesto de pescas, que ficam submersos nas águas de tons esverdeados que prometem uma excelente festança de camarão. Nessa região a fome ainda é distante, a vida é tão frondosa como a Mamorana (árvore amazônica) que vive submersa no rio, como uma simbiose entre ela e o caboclo, sente-se que aqui o tempo tem uma pausa, e tudo anda na trepidação dos motores a diesel, único fator que nos lembra da cidade grande e suas faces de destruição... 


DIANTE DE TANTA RIQUEZA E BELEZA BELÉM DORME E AMANHECE INSÓLITA, LINDA EM DEGRADES E TONS

Entre igarapés e uma vegetação onde a rainha é a Samaumeira, árvore sagrada, os pés de cacau fazem festa, e numa casa fincada na beira das águas, o cheiro nos permite brincar com os sentidos mais doces da infância, chocolate triturado numa bancada com o moedor de ferro, formam-se em nibs, pó e doce em 100 a 70 por cento de cacau, uma maravilha amazônica. Vale a pena conhecer dona Nena, cuidadora dessa diversidade, mulher guerreira que trouxe de sua infância a braveza da natureza nativa. 

Das mãos de tantos que nas ilhas, nas cidades condensam essas sensações, Belém dos homens e mulheres que se embalam no pavulagem, tramam suspiros e rotas que se miram em texturas e sabores únicos. Pará, dos caiçaras, povo curtido em em diversidade e belezas infinitas, que a priprioca, ervas sem fim, além de um visual que nos remetem a nobreza terrena. 

Das lendas do Muiraquitã, batráquios (sapos) que eram confeccionamos em jade pelas belas nativas  nos leitos do Rios amazônicos, que colocavam nos pescoços dos seus guerreiros para sorte levar em suas aventuras, as mururés, plantas aquáticas que banham os Rios, das construções coloniais com traços europeus e opulência do ciclo da borracha, dos telhados vermelhos das casas seculares, e das muitas riquezas que brilham jazido em tons lilás (ametista, nova descoberta) em tempos atuais, Pará, através de sua capital,  traz muitos caminhos e rotas.















E entre mais de cinco rotas, Pará se estende na fé e na missão de seu povo, do Círio de Nazaré,  procissão que movimenta uma multidão, onde há uma congregação em fervor a Nossa Senhora, a seus bravos homens e valorosas mulheres que em Bragança, na Vila do Castelo, no dia de São Pedro, reúnem-se em diversos embarcações e vão em busca da imagem do santo, a contemplar com suas barcas cheias de bolas coloridas e a agradecer mais um ano, mar a dentro, lançam suas rezas, a fartura vinda das águas que fazem desse estado, um pleito de variedades alimentares. Pará de D. Heloísa que em sua cozinha nos recepciona, com sua gentileza abre e convida a um banquete, um bandeirado na brasa e covinas fritas, peixes da região, acompanhado com Chibé, preparo indígena feito com água e farinha, feito pelas mãos habilidosas de Liliane, filha de um líder dos pescadores aposentado, seu Castro e enteada de D. Heloísa. Arroz entra como mais um complemento, mas a felicidade de se comer nessa mesa caiçara, mostra de fato o autêntico sabor do Pará.

Falar do Pará, de Belém tem essa sensação de um texto sem fim, onde a cada possível ponto, sempre virá uma vírgula, um nova e infinita permissão de vivência e emoção, Pará é para se sentir, se tem cheiro, tem tato, tem calor que emana, não só de seu aspecto climático, mas principalmente de seu povo e dá sensação de quem lá pisou chamais sairá de lá. Viva o Pará. 

Horizonte é uma trilha, um caminho em meios diversos, onde o foco e mostrar os redutos mais adversos sobre uma ótica alimentar de raiz, de verdade e histórias, onde teremos contextos urbanos e rurais, mas todos serão pontuados, na possibilidade tenaz da boa e surpreendente visão dessa biodiversidade humana. 




FICHA TÉCNICA
Idealização e texto - Andrea Hunka 
Coordenadora - Ângela Sicília 
Produtora - Foco Filmes & Fotos 
Colaborador no Pará - Flavio Contente (Fotógrafo/Videomaker)   
Chefs correspondentes - Andrea Hunka, Alberto Bernardini, 
Angela Sicília, Joyce Francisco, Geo Bassani e Geovana Nacarato

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

ARTE: Precisão e Acaso - O artista pernambucano José Patrício em exposição individual (e marcante) no MEPE

Há 11 anos sem realizar uma individual em Pernambuco, o artista pernambucano, nascido em Recife, José Patrício expõe no Museu do Estado de Pernambuco (Mepe), até o dia 08 de outubro. A exposição Precisão e Acaso, que tem curadoria do carioca Felipe Scovino e reúne cerca de 40 obras produzidas pelo artista nos últimos sete anos – muitas já exibidas em feiras de arte, mostras coletivas e individuais no Brasil e no exterior, porém, na sua quase totalidade, inéditas no circuito artístico do Recife –, além de outras do início de sua carreira nunca antes apresentadas.

A última mostra individual de José Patrício na cidade aconteceu em 2006, na extinta Galeria Mariana Moura. De lá para cá, ele vem trilhando caminhos diversos, utilizando outros materiais, indo além dos dominós que se tornaram um ícone dentro de sua produção. Segundo Felipe Scovino, a exposição pode ser compreendida como uma espécie de antologia, termo que ele julga adequado por estar ligado à criação e produção de poesias, de imagens. “A curadoria quer que o público conheça e reflita sobre as fases mais recentes da produção do artista; o seu interesse por novos materiais; as pesquisas cromáticas e cinéticas que vem investigando assim como as características centrais do seu trabalho que passam pela ampliação do termo construtivo, o caráter lúdico e participativo e a ideia de coleção ou arquivo de materiais cada vez mais difíceis de serem encontrado”, explica.

Nos últimos anos, Patrício vem utilizando materiais diversos, como botões, peças de quebra cabeças de plástico, dados, pregos, tachas, alfinetes, fios de eletricidade e de telefonia. São objetos simples, de pequeno valor (alguns fadados ao desaparecimento), garimpados por ele nos mais diferentes lugares, que, ressignificados em obras, terminam formando um painel rico sobre a cultura brasileira e seu dia a dia. “Trata-se da apropriação de elementos modulares encontrados na vida cotidiana. Interessam-me na medida em que contribuem para compor as obras a partir da sua acumulação, deslocamento das suas funções originais e inserção no contexto da arte”, comenta o artista que completa: “O lúdico permeia toda a minha produção. Seja na escolha de materiais diretamente relacionados com os jogos, seja nas estratégias que utilizo para a criação artística”.



As suas obras realizadas nos últimos anos refletem o desenvolvimento de uma pesquisa que discute os conceitos de diferença e repetição, por meio de estruturas fixas passíveis de variação formal a partir das características dos elementos que as compõem e das inúmeras possibilidades de configuração. Scovino diz que a produção de Patrício pode ser categorizada como uma forma de pintura, que não é feita com tinta, mas com as mãos e a experiência performática e evocadora de uma sensibilidade muito própria.

Em seu processo de criação, o artista parte sempre de uma regra, cria uma espécie de “método” de trabalho. Apesar dessa precisão, o resultado final é desconhecido, é o acaso, daí o nome da mostra (Precisão e Acaso) ter se centrado nesses dois polos aparentemente antagônicos. “Outra forma de aparição do acaso é a qualidade cinética dessas obras. O acúmulo, a ordem e o excesso provocam um distúrbio. Somos 'sequestrados' pela obra, pois ao querer desvendar a sua organização lógica, somos duplamente surpreendidos: por uma vibração óptica das intermitentes figuras virtuais e pela larga quantidade de pequenos objetos acumulados que deixam o nosso olhar à deriva. O foco não está mais no centro da obra, mas perdido, tentando dar conta das várias possibilidades de entrada que a obra oferece para decifrarmos sua lógica interna. E dependendo da perspectiva que adotamos em relação a obra, somos surpreendidos com novas qualidades cromáticas e estruturais. O trabalho se faz também pela qualidade em ser dinâmico, veloz e mutante”, explica o curador.

Para ele, a obra de José Patrício segue um caminho de coerência dentro da história das linguagens construtivas no Brasil, mas vai além contribuindo no alargamento do conceito de construtivo nas artes no mundo contemporâneo. A produção do artista possui um pensamento racional, uma precisão, regras e modos muito próprios de construção e observação das peças e elementos do qual faz uso. Mas, a despeito disso, o acaso também se faz presente. A pesquisa de Patrício se dá numa estrutura de obra aberta, suas escolhas no uso da cor, dos objetos, da organização e articulação entre eles, proporcionando ao espectador uma experiência vigorosa.



JOSÉ PATRÍCIO
“Sua obra, portanto, é um constante acontecimento. Cabe ao espectador escolher se a sequência numérica está crescendo ou decrescendo, e ainda em que ponto do trabalho se apreende essa velocidade e faz essa escolha. Estamos constantemente envolvidos por escolhas, caminhos, formas e cores que induzem movimentos, traços, rumos e territórios. E é exatamente essa qualidade de caos que particularmente me anima. Experimentar o fato de que a razão também pode provocar novos caminhos e sentidos, muitas vezes não esperados, ainda mais se levando em conta que essa experiência parte (supostamente) de um dado concreto, matemático e assertivo”, conclui Scovino.


SERVIÇO:
Precisão e Acaso – José Patrício
Curadoria: Felipe Scovino
Vernissage: 27 de julho de 2017, às 19h
Visitação: 28 de julho a 08 de outubro de 2017

Museu do Estado de Pernambuco - MEPE
Av. Rui Barbosa, 960 - Graças, Recife - PE, 52050-000
De terça a sexta, das 9h às 17h.
Sábados e domingos, das 14h às 17h
Telefone: (81) 3184-3174

terça-feira, 3 de outubro de 2017

ARTE: Criando arte e fazendo cultura na Amparo 60

Ousadia é a palavra que mais define a transferência da conceituada galeria de arte Amparo 60, que passou praticamente toda a sua existência numa discreta casa no início do bairro de Boa Viagem - Recife, para o edifício Califórnia. Dona de um dos mais venerados castings do País, a galeria sempre recebeu clientes fiéis e intelectuais tanto para visitas quanto para as exposições. Já com os dois pés em um novo tempo, o espaço se abre para o público em geral, que certamente vai frequentar aquele novo pólo, subir para as sobrelojas e fazer uma visita contemplativa. Tudo a ver com o momento do prédio.  


Essa simbiose é tão grande que, apesar de tudo ter acontecido muito rápido e de maneira espontânea, a galerista Lúcia Costa, cujo nome se confunde com seu próprio espaço, é filha de ninguém menos que Janete Costa, esposa do arquiteto Acácio Gil Borsoi. “Não pensava em sair daquela casa, mas soube por acaso que havia esse espaço aqui nesse prédio de tanto significado, onde Borsoi teve a ideia de harmonia, residência, comércio e lazer. Convidada, vim visitar e instantaneamente o lugar me escolheu, fui fisgada. Entendi que trazer arte para cá seria como retomar um projeto original, o espaço clamava por isso. O bairro, a cidade e as pessoas também mereciam isso e essa humanização pode ser o ponto de transformação para um futuro restauro”, pondera.

Para marcar o início do ciclo, a Amparo 60 abriu com uma exposição reunindo obras de todo o casting, ao todo 35 artistas expressando-se nos mais diferentes suportes e todos dialogando sobre a relação com a cidade e as questões urbanas. O acervo foi montado sob o olhar do curador Douglas de Freitas, que encontrou os pontos de interseção entre os trabalhos tendo como fio condutor a ideia de celebração, saudação, ligada ao termo “evoé” que intitulou a mostra. “A escolha das obras para a exposição busca trazer um pouco a atmosfera do Recife, um modo de ver e viver a cidade entre suas belezas e contradições”, completa.