sexta-feira, 6 de outubro de 2017
ESTILO: Fall / Winter 2017 traz uma HUGO mais contemporânea
A coleção masculina da marca HUGO apresenta aparência sartorial em roupas enraizadas nos outdoors americanos. Toques dos estilos dos lenhadores, caçadores e pescadores, além do jeans e estampas camufladas são retrabalhadas nos ternos característicos da marca, enquanto o vermelho arrojado de HUGO aparece como um design de cobertura global ou em detalhes nas lapelas. Para a campanha Fall/Winter 2017, a HUGO preparou um circo como nenhum outro – inspirado por David Lynch em sua obra Crazy Clown Time, além de Twin Peaks e Wild at Heart. Clicado em um antigo recinto de feiras e rodeado pelo clima do interior da Califórnia, a campanha conta com um casting único de talentos da música, arte, moda e mídias sociais. Os looks acabam de desembarcar nas lojas brasileiras da marca e trazem looks tanto para a contemporânea HUGO.
quinta-feira, 5 de outubro de 2017
HORIZONTE: Os sabores do Pará - Uma viagem gastronômica muito além da maniçoba
De sua capital, Belém, cidade das Mangueiras, cidade Morena, do ciclo da Borracha, terra do Rio Guamá, terra de muitos povos, entre eles, os povos Tupinambás, Paris das Américas. Muitas são as denominações da cidade que um dia teve seus domínios lusos, portugueses e tantas raças que aqui fincaram os pés. Já foi chamada Feliz Lusitânia, Santa Maria do Grão Pará. Muitas histórias permearam esse solo, conquistas, perdas, explorações, categorias que foram elevadas, e ainda tem em sua áurea, esse apogeu - a Índia das Américas.
De fato, Belém tem em suas margens e entrecortes todas essas manifestações. De sua arquitetura opulenta dos domínios e ciclos, de sua riqueza banhada pela proximidade da foz amazônica, de seus rios que a enobrece, o mercado que traduz o mais belo acervo de sua cultura, como seus múltiplos emblemas e rastros de miscigenação, Pará nas cidades que se seguem e na sua vasta região insular abre porta para uma história de redescobertas que há muito vem sendo explorada. De sua vegetação plural e variedade aquática, das terras do Rio Maguari, da cidade de Bragança da Marujada, do Santo Preto, Santo Benedito, da nossa Senhora de Nazaré, santa que abençoa esse povo forte das lutas, como a autêntica, revolta dos Cabanos.
Belém, Pará tramita e tem sabor de magia. De um canto a outro os temperos e essências nos remete a um feitiço de brasilidade, de danças e mãos ágeis, numa tríade perfeita das três raças dominantes, o carimbó, suje nessa busca representativa. Dos insumos e variedades diversas, dos usos e feitos, tanto quando ao país, o destaque aqui é que nesse lado do Brasil, a comida tem uma marca forte, um registro latente, o seu povo sabe falar de seus preparos, comem, admiram. Suas raízes estão acessas, e nos convida a um desejo de participar e entrar nesse universo.
Maniçoba, Tambaqui, Tacacá, Pato no Tucupi, Açaí, Jambu e milhares de variedades se entremeiam, numa imensa harmonia entre os voos que as garças alçam nos céus que em certa hora tomam uma cor acinzentada da chuva que todo o dia chega no horizonte.
A vida nessas bandas tem a cadência das marolas do rio, os barcos de tons e tamanhos diversos, seus homens que se confundem com as passagens do tempo e os goles de batida de caju-açu, que lembram os lados de Abaeté, a música tem ritmo sensual, onde a sensação é latente e pulsa na velocidade da riqueza aquática que habitam nesse ecossistema. Os cheiros são uma imensidão, e mesmo, o pitiú, odor forte de peixe, traz uma sensação de frescor, única que condensa as barcaças e a vida controlada pelas águas. Belém, e seus arredores tem essa identidade, esse legado forte que estar na pele, nas expressões, na fisionomia que traz traços tão marcantes dos nativos de tantas tribos que aqui, estão resistindo ao irresistível contexto mercantil.
As senhoras que banham suas ânsias, suas mãos que tramam nas panelas cheias de temperos com os tacacás, os tambaquins, maniçobas, tucunarés, filhotes e pirarucus, são as mesmas que esfregam incansavelmente as poucas e parcas roupas suas, mas de seus lábios a cada movimento de exaustão soam melodias suaves e que rebuscam um encontro sagrado de uma cidade que ao fundo se mira. As aningas, plantas aquáticas, que beiram a aproximação oceânica que contornam os furos regiões insular. Os açaís gritam e explodem com sua cachadas trazendo cultura e alimento ao povo. Os matapis, cesto de pescas, que ficam submersos nas águas de tons esverdeados que prometem uma excelente festança de camarão. Nessa região a fome ainda é distante, a vida é tão frondosa como a Mamorana (árvore amazônica) que vive submersa no rio, como uma simbiose entre ela e o caboclo, sente-se que aqui o tempo tem uma pausa, e tudo anda na trepidação dos motores a diesel, único fator que nos lembra da cidade grande e suas faces de destruição...
DIANTE DE TANTA RIQUEZA E BELEZA BELÉM DORME E AMANHECE INSÓLITA, LINDA EM DEGRADES E TONS
Entre igarapés e uma vegetação onde a rainha é a Samaumeira, árvore sagrada, os pés de cacau fazem festa, e numa casa fincada na beira das águas, o cheiro nos permite brincar com os sentidos mais doces da infância, chocolate triturado numa bancada com o moedor de ferro, formam-se em nibs, pó e doce em 100 a 70 por cento de cacau, uma maravilha amazônica. Vale a pena conhecer dona Nena, cuidadora dessa diversidade, mulher guerreira que trouxe de sua infância a braveza da natureza nativa.
Das mãos de tantos que nas ilhas, nas cidades condensam essas sensações, Belém dos homens e mulheres que se embalam no pavulagem, tramam suspiros e rotas que se miram em texturas e sabores únicos. Pará, dos caiçaras, povo curtido em em diversidade e belezas infinitas, que a priprioca, ervas sem fim, além de um visual que nos remetem a nobreza terrena.
Das lendas do Muiraquitã, batráquios (sapos) que eram confeccionamos em jade pelas belas nativas nos leitos do Rios amazônicos, que colocavam nos pescoços dos seus guerreiros para sorte levar em suas aventuras, as mururés, plantas aquáticas que banham os Rios, das construções coloniais com traços europeus e opulência do ciclo da borracha, dos telhados vermelhos das casas seculares, e das muitas riquezas que brilham jazido em tons lilás (ametista, nova descoberta) em tempos atuais, Pará, através de sua capital, traz muitos caminhos e rotas.
E entre mais de cinco rotas, Pará se estende na fé e na missão de seu povo, do Círio de Nazaré, procissão que movimenta uma multidão, onde há uma congregação em fervor a Nossa Senhora, a seus bravos homens e valorosas mulheres que em Bragança, na Vila do Castelo, no dia de São Pedro, reúnem-se em diversos embarcações e vão em busca da imagem do santo, a contemplar com suas barcas cheias de bolas coloridas e a agradecer mais um ano, mar a dentro, lançam suas rezas, a fartura vinda das águas que fazem desse estado, um pleito de variedades alimentares. Pará de D. Heloísa que em sua cozinha nos recepciona, com sua gentileza abre e convida a um banquete, um bandeirado na brasa e covinas fritas, peixes da região, acompanhado com Chibé, preparo indígena feito com água e farinha, feito pelas mãos habilidosas de Liliane, filha de um líder dos pescadores aposentado, seu Castro e enteada de D. Heloísa. Arroz entra como mais um complemento, mas a felicidade de se comer nessa mesa caiçara, mostra de fato o autêntico sabor do Pará.
Falar do Pará, de Belém tem essa sensação de um texto sem fim, onde a cada possível ponto, sempre virá uma vírgula, um nova e infinita permissão de vivência e emoção, Pará é para se sentir, se tem cheiro, tem tato, tem calor que emana, não só de seu aspecto climático, mas principalmente de seu povo e dá sensação de quem lá pisou chamais sairá de lá. Viva o Pará.
Horizonte é uma trilha, um caminho em meios diversos, onde o foco e mostrar os redutos mais adversos sobre uma ótica alimentar de raiz, de verdade e histórias, onde teremos contextos urbanos e rurais, mas todos serão pontuados, na possibilidade tenaz da boa e surpreendente visão dessa biodiversidade humana.
De fato, Belém tem em suas margens e entrecortes todas essas manifestações. De sua arquitetura opulenta dos domínios e ciclos, de sua riqueza banhada pela proximidade da foz amazônica, de seus rios que a enobrece, o mercado que traduz o mais belo acervo de sua cultura, como seus múltiplos emblemas e rastros de miscigenação, Pará nas cidades que se seguem e na sua vasta região insular abre porta para uma história de redescobertas que há muito vem sendo explorada. De sua vegetação plural e variedade aquática, das terras do Rio Maguari, da cidade de Bragança da Marujada, do Santo Preto, Santo Benedito, da nossa Senhora de Nazaré, santa que abençoa esse povo forte das lutas, como a autêntica, revolta dos Cabanos.
Belém, Pará tramita e tem sabor de magia. De um canto a outro os temperos e essências nos remete a um feitiço de brasilidade, de danças e mãos ágeis, numa tríade perfeita das três raças dominantes, o carimbó, suje nessa busca representativa. Dos insumos e variedades diversas, dos usos e feitos, tanto quando ao país, o destaque aqui é que nesse lado do Brasil, a comida tem uma marca forte, um registro latente, o seu povo sabe falar de seus preparos, comem, admiram. Suas raízes estão acessas, e nos convida a um desejo de participar e entrar nesse universo.Maniçoba, Tambaqui, Tacacá, Pato no Tucupi, Açaí, Jambu e milhares de variedades se entremeiam, numa imensa harmonia entre os voos que as garças alçam nos céus que em certa hora tomam uma cor acinzentada da chuva que todo o dia chega no horizonte.
A vida nessas bandas tem a cadência das marolas do rio, os barcos de tons e tamanhos diversos, seus homens que se confundem com as passagens do tempo e os goles de batida de caju-açu, que lembram os lados de Abaeté, a música tem ritmo sensual, onde a sensação é latente e pulsa na velocidade da riqueza aquática que habitam nesse ecossistema. Os cheiros são uma imensidão, e mesmo, o pitiú, odor forte de peixe, traz uma sensação de frescor, única que condensa as barcaças e a vida controlada pelas águas. Belém, e seus arredores tem essa identidade, esse legado forte que estar na pele, nas expressões, na fisionomia que traz traços tão marcantes dos nativos de tantas tribos que aqui, estão resistindo ao irresistível contexto mercantil.
DIANTE DE TANTA RIQUEZA E BELEZA BELÉM DORME E AMANHECE INSÓLITA, LINDA EM DEGRADES E TONS
Entre igarapés e uma vegetação onde a rainha é a Samaumeira, árvore sagrada, os pés de cacau fazem festa, e numa casa fincada na beira das águas, o cheiro nos permite brincar com os sentidos mais doces da infância, chocolate triturado numa bancada com o moedor de ferro, formam-se em nibs, pó e doce em 100 a 70 por cento de cacau, uma maravilha amazônica. Vale a pena conhecer dona Nena, cuidadora dessa diversidade, mulher guerreira que trouxe de sua infância a braveza da natureza nativa.
Das mãos de tantos que nas ilhas, nas cidades condensam essas sensações, Belém dos homens e mulheres que se embalam no pavulagem, tramam suspiros e rotas que se miram em texturas e sabores únicos. Pará, dos caiçaras, povo curtido em em diversidade e belezas infinitas, que a priprioca, ervas sem fim, além de um visual que nos remetem a nobreza terrena.
Das lendas do Muiraquitã, batráquios (sapos) que eram confeccionamos em jade pelas belas nativas nos leitos do Rios amazônicos, que colocavam nos pescoços dos seus guerreiros para sorte levar em suas aventuras, as mururés, plantas aquáticas que banham os Rios, das construções coloniais com traços europeus e opulência do ciclo da borracha, dos telhados vermelhos das casas seculares, e das muitas riquezas que brilham jazido em tons lilás (ametista, nova descoberta) em tempos atuais, Pará, através de sua capital, traz muitos caminhos e rotas.
E entre mais de cinco rotas, Pará se estende na fé e na missão de seu povo, do Círio de Nazaré, procissão que movimenta uma multidão, onde há uma congregação em fervor a Nossa Senhora, a seus bravos homens e valorosas mulheres que em Bragança, na Vila do Castelo, no dia de São Pedro, reúnem-se em diversos embarcações e vão em busca da imagem do santo, a contemplar com suas barcas cheias de bolas coloridas e a agradecer mais um ano, mar a dentro, lançam suas rezas, a fartura vinda das águas que fazem desse estado, um pleito de variedades alimentares. Pará de D. Heloísa que em sua cozinha nos recepciona, com sua gentileza abre e convida a um banquete, um bandeirado na brasa e covinas fritas, peixes da região, acompanhado com Chibé, preparo indígena feito com água e farinha, feito pelas mãos habilidosas de Liliane, filha de um líder dos pescadores aposentado, seu Castro e enteada de D. Heloísa. Arroz entra como mais um complemento, mas a felicidade de se comer nessa mesa caiçara, mostra de fato o autêntico sabor do Pará.
Falar do Pará, de Belém tem essa sensação de um texto sem fim, onde a cada possível ponto, sempre virá uma vírgula, um nova e infinita permissão de vivência e emoção, Pará é para se sentir, se tem cheiro, tem tato, tem calor que emana, não só de seu aspecto climático, mas principalmente de seu povo e dá sensação de quem lá pisou chamais sairá de lá. Viva o Pará.
Horizonte é uma trilha, um caminho em meios diversos, onde o foco e mostrar os redutos mais adversos sobre uma ótica alimentar de raiz, de verdade e histórias, onde teremos contextos urbanos e rurais, mas todos serão pontuados, na possibilidade tenaz da boa e surpreendente visão dessa biodiversidade humana.
FICHA TÉCNICA
Idealização e texto - Andrea Hunka
Coordenadora - Ângela Sicília
Produtora - Foco Filmes & Fotos
Colaborador no Pará - Flavio Contente (Fotógrafo/Videomaker)
Chefs correspondentes - Andrea Hunka, Alberto Bernardini,
Angela Sicília, Joyce Francisco, Geo Bassani e Geovana Nacarato
quarta-feira, 4 de outubro de 2017
ARTE: Precisão e Acaso - O artista pernambucano José Patrício em exposição individual (e marcante) no MEPE
A última mostra individual de José Patrício na cidade aconteceu em 2006, na extinta Galeria Mariana Moura. De lá para cá, ele vem trilhando caminhos diversos, utilizando outros materiais, indo além dos dominós que se tornaram um ícone dentro de sua produção. Segundo Felipe Scovino, a exposição pode ser compreendida como uma espécie de antologia, termo que ele julga adequado por estar ligado à criação e produção de poesias, de imagens. “A curadoria quer que o público conheça e reflita sobre as fases mais recentes da produção do artista; o seu interesse por novos materiais; as pesquisas cromáticas e cinéticas que vem investigando assim como as características centrais do seu trabalho que passam pela ampliação do termo construtivo, o caráter lúdico e participativo e a ideia de coleção ou arquivo de materiais cada vez mais difíceis de serem encontrado”, explica.
Nos últimos anos, Patrício vem utilizando materiais diversos, como botões, peças de quebra cabeças de plástico, dados, pregos, tachas, alfinetes, fios de eletricidade e de telefonia. São objetos simples, de pequeno valor (alguns fadados ao desaparecimento), garimpados por ele nos mais diferentes lugares, que, ressignificados em obras, terminam formando um painel rico sobre a cultura brasileira e seu dia a dia. “Trata-se da apropriação de elementos modulares encontrados na vida cotidiana. Interessam-me na medida em que contribuem para compor as obras a partir da sua acumulação, deslocamento das suas funções originais e inserção no contexto da arte”, comenta o artista que completa: “O lúdico permeia toda a minha produção. Seja na escolha de materiais diretamente relacionados com os jogos, seja nas estratégias que utilizo para a criação artística”.
As suas obras realizadas nos últimos anos refletem o desenvolvimento de uma pesquisa que discute os conceitos de diferença e repetição, por meio de estruturas fixas passíveis de variação formal a partir das características dos elementos que as compõem e das inúmeras possibilidades de configuração. Scovino diz que a produção de Patrício pode ser categorizada como uma forma de pintura, que não é feita com tinta, mas com as mãos e a experiência performática e evocadora de uma sensibilidade muito própria.
Em seu processo de criação, o artista parte sempre de uma regra, cria uma espécie de “método” de trabalho. Apesar dessa precisão, o resultado final é desconhecido, é o acaso, daí o nome da mostra (Precisão e Acaso) ter se centrado nesses dois polos aparentemente antagônicos. “Outra forma de aparição do acaso é a qualidade cinética dessas obras. O acúmulo, a ordem e o excesso provocam um distúrbio. Somos 'sequestrados' pela obra, pois ao querer desvendar a sua organização lógica, somos duplamente surpreendidos: por uma vibração óptica das intermitentes figuras virtuais e pela larga quantidade de pequenos objetos acumulados que deixam o nosso olhar à deriva. O foco não está mais no centro da obra, mas perdido, tentando dar conta das várias possibilidades de entrada que a obra oferece para decifrarmos sua lógica interna. E dependendo da perspectiva que adotamos em relação a obra, somos surpreendidos com novas qualidades cromáticas e estruturais. O trabalho se faz também pela qualidade em ser dinâmico, veloz e mutante”, explica o curador.
Para ele, a obra de José Patrício segue um caminho de coerência dentro da história das linguagens construtivas no Brasil, mas vai além contribuindo no alargamento do conceito de construtivo nas artes no mundo contemporâneo. A produção do artista possui um pensamento racional, uma precisão, regras e modos muito próprios de construção e observação das peças e elementos do qual faz uso. Mas, a despeito disso, o acaso também se faz presente. A pesquisa de Patrício se dá numa estrutura de obra aberta, suas escolhas no uso da cor, dos objetos, da organização e articulação entre eles, proporcionando ao espectador uma experiência vigorosa.
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| JOSÉ PATRÍCIO |
SERVIÇO:
Precisão e Acaso – José Patrício
Curadoria: Felipe Scovino
Vernissage: 27 de julho de 2017, às 19h
Visitação: 28 de julho a 08 de outubro de 2017
Museu do Estado de Pernambuco - MEPE
Av. Rui Barbosa, 960 - Graças, Recife - PE, 52050-000
De terça a sexta, das 9h às 17h.
Sábados e domingos, das 14h às 17h
Telefone: (81) 3184-3174
terça-feira, 3 de outubro de 2017
ARTE: Criando arte e fazendo cultura na Amparo 60
Ousadia é a palavra que mais define a transferência da conceituada galeria de arte Amparo 60, que passou praticamente toda a sua existência numa discreta casa no início do bairro de Boa Viagem - Recife, para o edifício Califórnia. Dona de um dos mais venerados castings do País, a galeria sempre recebeu clientes fiéis e intelectuais tanto para visitas quanto para as exposições. Já com os dois pés em um novo tempo, o espaço se abre para o público em geral, que certamente vai frequentar aquele novo pólo, subir para as sobrelojas e fazer uma visita contemplativa. Tudo a ver com o momento do prédio.
Essa simbiose é tão grande que, apesar de tudo ter acontecido muito rápido e de maneira espontânea, a galerista Lúcia Costa, cujo nome se confunde com seu próprio espaço, é filha de ninguém menos que Janete Costa, esposa do arquiteto Acácio Gil Borsoi. “Não pensava em sair daquela casa, mas soube por acaso que havia esse espaço aqui nesse prédio de tanto significado, onde Borsoi teve a ideia de harmonia, residência, comércio e lazer. Convidada, vim visitar e instantaneamente o lugar me escolheu, fui fisgada. Entendi que trazer arte para cá seria como retomar um projeto original, o espaço clamava por isso. O bairro, a cidade e as pessoas também mereciam isso e essa humanização pode ser o ponto de transformação para um futuro restauro”, pondera.
Para marcar o início do ciclo, a Amparo 60 abriu com uma exposição reunindo obras de todo o casting, ao todo 35 artistas expressando-se nos mais diferentes suportes e todos dialogando sobre a relação com a cidade e as questões urbanas. O acervo foi montado sob o olhar do curador Douglas de Freitas, que encontrou os pontos de interseção entre os trabalhos tendo como fio condutor a ideia de celebração, saudação, ligada ao termo “evoé” que intitulou a mostra. “A escolha das obras para a exposição busca trazer um pouco a atmosfera do Recife, um modo de ver e viver a cidade entre suas belezas e contradições”, completa.
Para marcar o início do ciclo, a Amparo 60 abriu com uma exposição reunindo obras de todo o casting, ao todo 35 artistas expressando-se nos mais diferentes suportes e todos dialogando sobre a relação com a cidade e as questões urbanas. O acervo foi montado sob o olhar do curador Douglas de Freitas, que encontrou os pontos de interseção entre os trabalhos tendo como fio condutor a ideia de celebração, saudação, ligada ao termo “evoé” que intitulou a mostra. “A escolha das obras para a exposição busca trazer um pouco a atmosfera do Recife, um modo de ver e viver a cidade entre suas belezas e contradições”, completa.
segunda-feira, 2 de outubro de 2017
FITNESS: Ganhe mais músculos - Dicas para aumentar sua massa muscular
Temos 650 músculos no corpo, de diversos tamanhos e funções. Mas o princípio de tudo em se tratando de fibras musculares, vem da nossa definição genética. É ela quem define o número de fibras musculares, tipos e formato que cada indivíduo terá quando estiverem totalmente desenvolvidos. Ao se exercitar nós estaremos ativando esses músculos para que juntamente com uma boa alimentação, se desenvolvam, cresçam e apareçam. Para isso é necessário que você entenda como elas funcionam. Pensando nisso selecionamos algumas dicas importantes que vão ajudar você a ter mais ganho muscular na medida em que for entendendo todo o processo.
Para começar é importante entender que as fibras musculares tem habilidades diferentes, e são compostas por dois tipos: o tipo I, conhecida como lentas, que são acionadas em atividades de resistência (longa duração). E as do tipo II, denominadas fibras rápidas, que funcionam para tarefas que exigem mais de 25% da força máxima de cada indivíduo. E o uso delas nas diferentes atividades físicas vai proporcionar um crescimento maior ou menor. Por exemplo, para corridas o uso das fibras lentas exerce maior resultado. Ao praticar exercício de supino se utiliza os dois tipos de fibras para se obter um maior número de repetições.
MAIS PESO - É o que você precisa fazer se quer ganhar massa muscular. Como em qualquer atividade física, seja a mais corriqueira como levantar da cama ou praticar musculação, seus músculos trabalham seguindo dois princípios da fisiologia: as fibras musculares podem ou não estar em ação, ao levantar da cama, por exemplo, uma pequena parte das suas fibras estará funcionando na carga máxima enquanto a maioria estará em repouso. E quando o esforço físico requer mais de 25% de força, aí entram em ação as fibras do tipo II. Pois é diante desses estímulos que os músculos começam a se desenvolver. A dica é ir aumentando o peso até não conseguir mais estimulando os músculos a se desenvolver. Ao treinar sempre com o mesmo peso você não estará estimulando o crescimento dos músculos. Você deverá aumentar o peso em cada treino, e a quantidade de repetições.
REPETIÇÕES - Quanto mais repetições, mais desenvolvimento muscular. Porém encontre o meio termo, da mesma forma que poucas repetições não terão efeito, repetições exageradas não renderão o esperado. O ideal é entre 8 e 12 repetições.
OS EXERCÍCIOS - O mais indicado para o crescimento dos músculos é de 6 a 9 conjuntos de repetições para cada parte do corpo, que pode ser pernas, braços, costas, ombros. Em geral estipula-se que o tempo ideal para um bom treino não deve passar de 45 minutos, assim você evita que o corpo liberte hormônios catabólicos que irão afetar o tecido muscular. Com 9 conjuntos de repetições por cada parte do corpo no final você atingirá os estimados 45 minutos. Mas lembre-se, nada de intervalos muito longos entre uma série e outra. Assim como também não vale ficar de conversa durante o treino.
MAIS PROTEÍNA - Depois do treino você vai precisar se recuperar e recuperar o tecido muscular e o mais indicado nessa hora é ingerir proteínas à sua alimentação. Porém você não deve abusar na dose. Para saber a quantidade ideal de proteína que você deve ingerir, faça esses cálculos:
- Massa corporal sem gordura (Kg) x 2.75 = Proteína ingerida diariamente. - Massa corporal sem gordura = peso total do corpo – a quantidade de gordura corporal que detém o corpo. E para saber a sua percentagem de gordura corporal deverá calculá-la através da fórmula especial para o sexo masculino: Massa corporal sem gordura (homem) = (1.10 x peso (kg)) - 128 x (peso2/(100 x altura(m))2). Outra opção para determinar a quantidade de proteína ingerida diariamente será: ingerir 1 grama de proteína por cada 500 gramas de peso corporal.
GORDURA DO BEM - Calma, não é qualquer gordura que é legal de se ingerir. Procure por alimentos que contenham gorduras saudáveis, como: azeite extra-virgem, óleo de noz, leite de coco, iogurte natural, abacate, queijo de cabra, queijo ricota, manteiga de amendoim, amêndoas e nozes, chocolate preto e peixes gordos como a sardinha, salmão e truta. É necessário ingerir gordura, pois ela aumenta o sistema anabólico hormonal no corpo. Que são a testosterona, hormônio de crescimento e o nível de insulina.
TOME ÁGUA - Como os músculos são compostos por uma grande porcentagem de água, uma boa hidratação ajudará no seu aumento. Por isso beba muita água, que ajuda a hidratar e a repor as energias e sais minerais. Para manter o bom nível de energia, o indicado é de 8 a 12 copos de água por dia.
COMA BEM - Não existe crescimento sem uma boa alimentação. O recomendado para uma dieta ideal é comer de 3 em 3 horas. Afinal de contas você precisa reparar seu organismo da atividade física e para aumentar os músculos trabalhados é necessário alimentá-los. Mas cuidado, aumentar a quantidade ingerida não é o mesmo que diminuir a qualidade, por isso não tem segredo, aumente a ingestão de proteínas comendo mais carnes brancas e peixes gordos, legumes e cereais (massas, pão de cereais, lentilhas, feijão, e todo o tipo de leguminosas), frutas e sucos de frutas.
MENOS AERÓBICO - Quanto mais você pratica treino aeróbico mais aumenta a libertação de hormônios catabólicos no corpo, resultando na destruição do tecido muscular. Como no caso seu desejo é aumentar a massa muscular, deve diminuir os exercícios aeróbicos e intensificar o treino com pesos. Já para quem pretende perder gordura o ideal é fazer exercício aeróbico logo após o treino de um máximo de 20 minutos.
NÃO SE ESTRESSE - O relaxamento é sempre indicado, pois quanto mais estressado, mais se libera um hormônio chamado cortisol que resulta num consumo muscular. Jogando todo o trabalho fora. Sem falar que uma boa atitude perante a vida, é fundamental para conseguir alcançar os seus objetivos. No caso, o seu aumento muscular e a sua satisfação.
Para começar é importante entender que as fibras musculares tem habilidades diferentes, e são compostas por dois tipos: o tipo I, conhecida como lentas, que são acionadas em atividades de resistência (longa duração). E as do tipo II, denominadas fibras rápidas, que funcionam para tarefas que exigem mais de 25% da força máxima de cada indivíduo. E o uso delas nas diferentes atividades físicas vai proporcionar um crescimento maior ou menor. Por exemplo, para corridas o uso das fibras lentas exerce maior resultado. Ao praticar exercício de supino se utiliza os dois tipos de fibras para se obter um maior número de repetições.
MAIS PESO - É o que você precisa fazer se quer ganhar massa muscular. Como em qualquer atividade física, seja a mais corriqueira como levantar da cama ou praticar musculação, seus músculos trabalham seguindo dois princípios da fisiologia: as fibras musculares podem ou não estar em ação, ao levantar da cama, por exemplo, uma pequena parte das suas fibras estará funcionando na carga máxima enquanto a maioria estará em repouso. E quando o esforço físico requer mais de 25% de força, aí entram em ação as fibras do tipo II. Pois é diante desses estímulos que os músculos começam a se desenvolver. A dica é ir aumentando o peso até não conseguir mais estimulando os músculos a se desenvolver. Ao treinar sempre com o mesmo peso você não estará estimulando o crescimento dos músculos. Você deverá aumentar o peso em cada treino, e a quantidade de repetições. REPETIÇÕES - Quanto mais repetições, mais desenvolvimento muscular. Porém encontre o meio termo, da mesma forma que poucas repetições não terão efeito, repetições exageradas não renderão o esperado. O ideal é entre 8 e 12 repetições.
OS EXERCÍCIOS - O mais indicado para o crescimento dos músculos é de 6 a 9 conjuntos de repetições para cada parte do corpo, que pode ser pernas, braços, costas, ombros. Em geral estipula-se que o tempo ideal para um bom treino não deve passar de 45 minutos, assim você evita que o corpo liberte hormônios catabólicos que irão afetar o tecido muscular. Com 9 conjuntos de repetições por cada parte do corpo no final você atingirá os estimados 45 minutos. Mas lembre-se, nada de intervalos muito longos entre uma série e outra. Assim como também não vale ficar de conversa durante o treino.
MAIS PROTEÍNA - Depois do treino você vai precisar se recuperar e recuperar o tecido muscular e o mais indicado nessa hora é ingerir proteínas à sua alimentação. Porém você não deve abusar na dose. Para saber a quantidade ideal de proteína que você deve ingerir, faça esses cálculos: - Massa corporal sem gordura (Kg) x 2.75 = Proteína ingerida diariamente. - Massa corporal sem gordura = peso total do corpo – a quantidade de gordura corporal que detém o corpo. E para saber a sua percentagem de gordura corporal deverá calculá-la através da fórmula especial para o sexo masculino: Massa corporal sem gordura (homem) = (1.10 x peso (kg)) - 128 x (peso2/(100 x altura(m))2). Outra opção para determinar a quantidade de proteína ingerida diariamente será: ingerir 1 grama de proteína por cada 500 gramas de peso corporal.
GORDURA DO BEM - Calma, não é qualquer gordura que é legal de se ingerir. Procure por alimentos que contenham gorduras saudáveis, como: azeite extra-virgem, óleo de noz, leite de coco, iogurte natural, abacate, queijo de cabra, queijo ricota, manteiga de amendoim, amêndoas e nozes, chocolate preto e peixes gordos como a sardinha, salmão e truta. É necessário ingerir gordura, pois ela aumenta o sistema anabólico hormonal no corpo. Que são a testosterona, hormônio de crescimento e o nível de insulina.
TOME ÁGUA - Como os músculos são compostos por uma grande porcentagem de água, uma boa hidratação ajudará no seu aumento. Por isso beba muita água, que ajuda a hidratar e a repor as energias e sais minerais. Para manter o bom nível de energia, o indicado é de 8 a 12 copos de água por dia.
COMA BEM - Não existe crescimento sem uma boa alimentação. O recomendado para uma dieta ideal é comer de 3 em 3 horas. Afinal de contas você precisa reparar seu organismo da atividade física e para aumentar os músculos trabalhados é necessário alimentá-los. Mas cuidado, aumentar a quantidade ingerida não é o mesmo que diminuir a qualidade, por isso não tem segredo, aumente a ingestão de proteínas comendo mais carnes brancas e peixes gordos, legumes e cereais (massas, pão de cereais, lentilhas, feijão, e todo o tipo de leguminosas), frutas e sucos de frutas.
MENOS AERÓBICO - Quanto mais você pratica treino aeróbico mais aumenta a libertação de hormônios catabólicos no corpo, resultando na destruição do tecido muscular. Como no caso seu desejo é aumentar a massa muscular, deve diminuir os exercícios aeróbicos e intensificar o treino com pesos. Já para quem pretende perder gordura o ideal é fazer exercício aeróbico logo após o treino de um máximo de 20 minutos.
DURMA BEM - Depois de tanto esforço, nada melhor que um bom descanso. Através dele você vai conseguir aumentar a massa muscular, pois quando o corpo está em sono profundo liberta-se o hormônio do crescimento; quando se dorme, o tecido muscular auto repara-se decorrente do aumento da corrente sanguínea também ser maior, e assim levando mais sangue aos músculos. Afinal, dormir bem é fundamental.
NÃO SE ESTRESSE - O relaxamento é sempre indicado, pois quanto mais estressado, mais se libera um hormônio chamado cortisol que resulta num consumo muscular. Jogando todo o trabalho fora. Sem falar que uma boa atitude perante a vida, é fundamental para conseguir alcançar os seus objetivos. No caso, o seu aumento muscular e a sua satisfação.
sábado, 30 de setembro de 2017
ESTRELA: O tempo passa e Cláudia Ohana continua linda
Em entrevista à MENSCH, Cláudia Ohana, abriu o jogo sobre sua trajetória de vida pessoal e profissional, revelando mais sobre sua história e posicionamentos sobre temas polêmicos. Talentosa por natureza, nos revelou que quando criança era meiga e medrosa, que é tímida, porém disfarça bem. Relatou que às vezes, se fecha demais em seu mundo, “não sei se essa última é uma falha, mas tem gente que reclama (risos).” Se considera uma pessoa feliz, segundo a atriz ela é “daquelas que gosta de rir mesmo quando está deprê.” Afirma ter orgulho de ser uma pessoa honesta, trabalhadora, esforçada, independente, que adora desafios. Para encanta-la três atitudes são fundamentais: “verdade no olhar, a generosidade e o bom humor.”
Com mais de 30 anos de carreira, 20 filmes, 16 novelas, 9 peças de teatro, músicas gravadas, atualmente prepara-se para escrever seu primeiro curta como diretora chamado “Um Dia Vermelho na Vida de Uma Dama de Alma Vermelha”, que irá inscrever em vários festivais pelo Brasil e mundo a fora. Transitando com fluidez pelo universo das artes transformou-se em uma mulher multimidiática, dona de uma beleza brasileiríssima, de personalidade forte e determinada, ela segue se reinventando a cada novo projeto, a cada nova atitude, imprimindo em suas produções uma assinatura autoral.
Recentemente você postou em suas redes sociais uma imagem desejando bom dia de lingerie que “quebrou” a internet, os comentários positivos a sua sensualidade se multiplicaram rapidamente, a que atribui a repercussão da imagem? Aos 54 anos, como faz para se manter tão sexy? Acho que o fato de me sentir bem comigo mesma sempre ajudou. Agora, ser sexy, ao meu ver, independe da idade. Ninguém aprende a ser sexy. É algo que está dentro de cada um. Ou você é, ou não é.
Por que suas atitudes estão dando tanta repercussão nas redes sociais e como se relaciona com o público neste novo ambiente? As redes sociais viraram um grande reality show. As pessoas, pelo menos a grande maioria, têm interesse em saber o que as outras fazem. Isso é fato! É quase um voyeurismo em relação ao que é privado ou íntimo. Agora, a decisão do que será mostrado, o limite, cabe a cada um. É uma ferramenta poderosa onde devemos saber que estamos sendo monitorados e vigiados o tempo todo. Quem decide ter, não pode reclamar. Tudo é uma questão de conteúdo. Eu, por exemplo, adoro Instagram! Acho as outras mídias meio chatas... Não sei se tenho tanta repercussão assim, mas meus posts costumam ser bem recebidos por aqueles que me seguem. Adoro fotos e gosto de me comunicar com o público através de imagens que mostrem um pouco da minha rotina profissional e pessoal. É como se fosse uma revista sobre lifestyle onde eu sou a editora e decido tudo o que vai ser publicado. Acho que, por isso, me sinto super à vontade. Adoro!
Qual sua percepção sobre as mudanças no mercado das artes cênicas atualmente no Brasil e no mundo após a internet? Nossa, mudou muito! Na realidade, acho que ainda estou me adaptando a esse “novo mercado”. Muitos não precisam mais da TV para serem vistos por milhões de pessoas. A internet proporciona isso. Se alguém quer mostrar seu trabalho, basta criar um canal no Youtube, por exemplo. E isso é muito bom! Abre portas e permite que muitos talentos escondidos sejam revelados.
No filme Zoom, de 2016, você contracena com Mariana Ximenes, as cenas de sexo mexeram com o imaginário masculino e fez a internet ferver, como avalia a repercussão das cenas? Foi lindo fazer o filme. A Mari é muito parceira e profissional. Não tenho problema com cena de nudez e sabia que o Pedro Morelli, diretor, tem muito bom gosto. Apesar disso, como foi a primeira vez que eu fazia cena de sexo com uma mulher, fiquei um pouco sem graça. Não por ser como uma mulher, mas por não saber o que fazer mesmo. Mas, como eu disse, o Pedro, além do bom gosto, é um excelente diretor e conduziu a cena de forma brilhante.
Como você se define? Como eu me defino, é uma pergunta difícil porque estamos sempre mudando e em constante transformação. Normalmente, as pessoas me veem como uma mulher calma, "natureba", que faz yoga e não se depila. O que não é verdade! Sou ansiosa, como carne e já me depilo há muito tempo. Como sou difícil de brigar, muitos me acham calma. Mas, por dentro, sou um vulcão. Talvez, por isso, me escalem para tantos personagens fortes, apesar de me verem como uma pessoa mais delicada. Independente de tantos adjetivos que possam definir a minha personalidade, a minha essência é e sempre será de paz e amor.
Quando e como Maria Claudia Silva Carneiro, filha da montadora de cinema Nazareth Ohana Silva, se transformou em Claudia Ohana? Engraçado que minha irmã sempre brinca comigo dizendo que eu tenho as duas dentro de mim; a Maria Claudia e a Claudia Ohana. Eu fui Maria Claudia até os 15 anos e, depois que minha mãe morreu, tive que ir à luta, trabalhar e cuidar de mim. Foi quando virei a Claudia Ohana!
Como a vivência no ambiente das artes cênicas influenciou nesta transformação? Claro que o meio em que vivemos pode influenciar nas nossas escolhas, mas acho que a gente já nasce artista. Quando eu era pequena, mesmo antes de morar com minha mãe, eu já me fantasiava, fazia concurso de dublagem, contava e dançava. Isso nasceu comigo. Com 12 anos já me chamavam para fazer fotos e vídeos, mas foi através do inspetor da minha escola (Carlos Wilson, o Daminhão) que fui parar no Tablado.
Sempre demonstrando personalidade forte, sem medo de se expor e das consequentes polemicas, casou aos 18 anos com o diretor Ruy Guerra, na época com 54 anos fale um pouco desse encontro. Foi o encontro entre duas pessoas, independente da diferença de idade, que gostavam das mesmas coisas. O Ruy sempre foi muito jovem e eu era bem madura para minha idade. Já me sustentava desde os 15 anos.
Em sua trajetória pessoal e profissional você sempre se posiciona firmemente a respeito dos mais variados assuntos, na sua opinião, o Brasil está preparado para descriminalização das drogas? Acho a proibição uma violação do direito à individualidade quando falamos do respeito à intimidade ou da vida particular. Sinto-me um pouco dividida nessa questão. A descriminalização pode ser vista como uma concorrência ao tráfico que será diminuído e, consequentemente, toda essa violência em torno dele. Isso, ao meu ver, é um ponto positivo. Sem contar, no caso da maconha, os inúmeros benefícios medicinais a serem explorados. É difícil falar de descriminalização das drogas no Brasil quando estamos muito aquém de países como EUA, Canadá e Holanda, nações desenvolvidas e que sabem lidar muito bem com essa questão. No caso do Brasil, será que conseguiríamos? Seria preciso uma legislação mais rígida, onde o estado tivesse o total controle do plantio, produção e venda, de um sistema de saúde que dessa assistência integral aos usuários, etc. Não sei se nosso país, que já tem enormes problemas com a falta educação, saúde e saneamento básico, conseguiria lidar, de forma madura e justa, com tudo o que esse processo envolve.
Quando estreou profissionalmente e qual produção foi a oportunidade de trabalho que você considera como start da sua carreira? Aos 15 anos, na época, eu já conhecia muita gente de cinema e fazia a lista de todos os filmes que estavam para ser rodados. Depois disso, telefonava para os produtores, diretores e pedia para fazer um teste. Fiz figuração e muitos curtas-metragens até ter a minha primeira grande oportunidade com o longa "A Pele do Bixo", de Pedro Camargo. Apesar disso, o filme que me lançou de verdade foi "Menino do Rio".
Em 1983 você protagonizou ERENDIRA, filme com indicações em várias premiações. Entre elas, a Palma de Ouro em Cannes. É correto afirmar que esse foi o marco para sua projeção internacional? Com certeza, foi um filme que mudou minha vida, mas, na época, eu não tinha muita noção disso. Pra mim, era só mais um filme e todos eram importantes. O Ruy me chamou para fazer o filme e eu disse que não porque estava indo para Roma fazer um outro longa, com Lina Wetmuller, onde eu ia fazer a Sophia Loren jovem. Fui para Itália, mas o filme parou porque, por incrível que pareça, a Sophia foi presa e o produtor sumiu! Depois disso, corri atrás do Ruy para ver se ainda dava para fazer "Erendira". Ele já tinha escolhido outra atriz alemã, mas depois recebi um recado em Paris, dizendo que ele me queria. Foi incrível! Acho que, quando uma personagem é para ser sua, ela será! E foi uma personagem que começou ingênua, mas que se transformou a ponto de tramar a morte da própria avó. O filme foi um sucesso e me lançou no exterior. Foi um daqueles casos raros onde tudo dá certo: direção, roteiro, atores... A Irene Pappás estava maravilhosa. Depois que o filme foi lançado, fui chamada para vários testes, participei de uma produção francesa e, até hoje, ele me abre portas lá fora.
Você participou dos principais desafios lançados pela Globo às suas estrelas como a “Dança no Gelo”, “Dança dos Famosos” e da última edição do “Superchef”. Qual deles você mais gostou, e qual lhe trouxe as maiores transformações? Sem dúvida, pra mim, a “Dança dos Famosos” foi o que mais gostei pois sempre tive facilidade para a dança. Na realidade, eu amei! Às vezes, quando acho que não sou capaz de algo, assisto trechos da minha participação para me dar força. Sinto-me poderosa quando me vejo dançando samba e o passo doble. (risos). Aprende-se muito com esse tipo de reality. Hoje também consigo “tirar uma onda” patinando e não me sinto mais tão perdida na cozinha.
Na opinião da ativista Claudia Horrana, a cultura está atravessando uma das piores crises registradas até então no Brasil? Fale um pouco sobre a campanha #TeatroSim. Infelizmente, acho que a cultura no Brasil sempre esteve em crise e nunca foi prioridade. Essa é a verdade! Em abril tivemos 43% da verba bloqueada pelo governo. E isso é quase a metade do que estava destinado. Se falarmos de saúde e educação então, a coisa fica ainda pior. O #TeatroSim é uma campanha de apoio, de incentivo, aos artistas e ao teatro. É preciso que as pessoas saibam o momento difícil que as artes cênicas atravessam. No Rio de Janeiro, não tivemos a quitação do Fomento às Artes 2016 e os teatros estão sendo fechados a cada dia. É uma realidade extremamente triste, mas que pode ser mudada através de movimentos como esse.
Você estreou, em São Paulo, agora no mês de setembro, o musical VAMP, depois de um enorme sucesso da temporada carioca. Como é reviver uma personagem tão emblemática depois de 26 anos? É um grande privilégio poder reviver uma personagem que ainda é tão amada pelo público. A Natasha é atemporal! Até hoje sinto como se fizéssemos parte uma da outra. Não conheço nenhuma atriz que, depois de 26 anos, voltou a viver a mesma personagem. É mágico, uma alegria imensa!
Com mais de 30 anos de carreira, 20 filmes, 16 novelas, 9 peças de teatro, músicas gravadas, atualmente prepara-se para escrever seu primeiro curta como diretora chamado “Um Dia Vermelho na Vida de Uma Dama de Alma Vermelha”, que irá inscrever em vários festivais pelo Brasil e mundo a fora. Transitando com fluidez pelo universo das artes transformou-se em uma mulher multimidiática, dona de uma beleza brasileiríssima, de personalidade forte e determinada, ela segue se reinventando a cada novo projeto, a cada nova atitude, imprimindo em suas produções uma assinatura autoral.
Recentemente você postou em suas redes sociais uma imagem desejando bom dia de lingerie que “quebrou” a internet, os comentários positivos a sua sensualidade se multiplicaram rapidamente, a que atribui a repercussão da imagem? Aos 54 anos, como faz para se manter tão sexy? Acho que o fato de me sentir bem comigo mesma sempre ajudou. Agora, ser sexy, ao meu ver, independe da idade. Ninguém aprende a ser sexy. É algo que está dentro de cada um. Ou você é, ou não é.
Por que suas atitudes estão dando tanta repercussão nas redes sociais e como se relaciona com o público neste novo ambiente? As redes sociais viraram um grande reality show. As pessoas, pelo menos a grande maioria, têm interesse em saber o que as outras fazem. Isso é fato! É quase um voyeurismo em relação ao que é privado ou íntimo. Agora, a decisão do que será mostrado, o limite, cabe a cada um. É uma ferramenta poderosa onde devemos saber que estamos sendo monitorados e vigiados o tempo todo. Quem decide ter, não pode reclamar. Tudo é uma questão de conteúdo. Eu, por exemplo, adoro Instagram! Acho as outras mídias meio chatas... Não sei se tenho tanta repercussão assim, mas meus posts costumam ser bem recebidos por aqueles que me seguem. Adoro fotos e gosto de me comunicar com o público através de imagens que mostrem um pouco da minha rotina profissional e pessoal. É como se fosse uma revista sobre lifestyle onde eu sou a editora e decido tudo o que vai ser publicado. Acho que, por isso, me sinto super à vontade. Adoro!
Qual sua percepção sobre as mudanças no mercado das artes cênicas atualmente no Brasil e no mundo após a internet? Nossa, mudou muito! Na realidade, acho que ainda estou me adaptando a esse “novo mercado”. Muitos não precisam mais da TV para serem vistos por milhões de pessoas. A internet proporciona isso. Se alguém quer mostrar seu trabalho, basta criar um canal no Youtube, por exemplo. E isso é muito bom! Abre portas e permite que muitos talentos escondidos sejam revelados.
No filme Zoom, de 2016, você contracena com Mariana Ximenes, as cenas de sexo mexeram com o imaginário masculino e fez a internet ferver, como avalia a repercussão das cenas? Foi lindo fazer o filme. A Mari é muito parceira e profissional. Não tenho problema com cena de nudez e sabia que o Pedro Morelli, diretor, tem muito bom gosto. Apesar disso, como foi a primeira vez que eu fazia cena de sexo com uma mulher, fiquei um pouco sem graça. Não por ser como uma mulher, mas por não saber o que fazer mesmo. Mas, como eu disse, o Pedro, além do bom gosto, é um excelente diretor e conduziu a cena de forma brilhante.
Como você se define? Como eu me defino, é uma pergunta difícil porque estamos sempre mudando e em constante transformação. Normalmente, as pessoas me veem como uma mulher calma, "natureba", que faz yoga e não se depila. O que não é verdade! Sou ansiosa, como carne e já me depilo há muito tempo. Como sou difícil de brigar, muitos me acham calma. Mas, por dentro, sou um vulcão. Talvez, por isso, me escalem para tantos personagens fortes, apesar de me verem como uma pessoa mais delicada. Independente de tantos adjetivos que possam definir a minha personalidade, a minha essência é e sempre será de paz e amor.
Quando e como Maria Claudia Silva Carneiro, filha da montadora de cinema Nazareth Ohana Silva, se transformou em Claudia Ohana? Engraçado que minha irmã sempre brinca comigo dizendo que eu tenho as duas dentro de mim; a Maria Claudia e a Claudia Ohana. Eu fui Maria Claudia até os 15 anos e, depois que minha mãe morreu, tive que ir à luta, trabalhar e cuidar de mim. Foi quando virei a Claudia Ohana!
Como a vivência no ambiente das artes cênicas influenciou nesta transformação? Claro que o meio em que vivemos pode influenciar nas nossas escolhas, mas acho que a gente já nasce artista. Quando eu era pequena, mesmo antes de morar com minha mãe, eu já me fantasiava, fazia concurso de dublagem, contava e dançava. Isso nasceu comigo. Com 12 anos já me chamavam para fazer fotos e vídeos, mas foi através do inspetor da minha escola (Carlos Wilson, o Daminhão) que fui parar no Tablado.
Sempre demonstrando personalidade forte, sem medo de se expor e das consequentes polemicas, casou aos 18 anos com o diretor Ruy Guerra, na época com 54 anos fale um pouco desse encontro. Foi o encontro entre duas pessoas, independente da diferença de idade, que gostavam das mesmas coisas. O Ruy sempre foi muito jovem e eu era bem madura para minha idade. Já me sustentava desde os 15 anos.
Em sua trajetória pessoal e profissional você sempre se posiciona firmemente a respeito dos mais variados assuntos, na sua opinião, o Brasil está preparado para descriminalização das drogas? Acho a proibição uma violação do direito à individualidade quando falamos do respeito à intimidade ou da vida particular. Sinto-me um pouco dividida nessa questão. A descriminalização pode ser vista como uma concorrência ao tráfico que será diminuído e, consequentemente, toda essa violência em torno dele. Isso, ao meu ver, é um ponto positivo. Sem contar, no caso da maconha, os inúmeros benefícios medicinais a serem explorados. É difícil falar de descriminalização das drogas no Brasil quando estamos muito aquém de países como EUA, Canadá e Holanda, nações desenvolvidas e que sabem lidar muito bem com essa questão. No caso do Brasil, será que conseguiríamos? Seria preciso uma legislação mais rígida, onde o estado tivesse o total controle do plantio, produção e venda, de um sistema de saúde que dessa assistência integral aos usuários, etc. Não sei se nosso país, que já tem enormes problemas com a falta educação, saúde e saneamento básico, conseguiria lidar, de forma madura e justa, com tudo o que esse processo envolve.
Quando estreou profissionalmente e qual produção foi a oportunidade de trabalho que você considera como start da sua carreira? Aos 15 anos, na época, eu já conhecia muita gente de cinema e fazia a lista de todos os filmes que estavam para ser rodados. Depois disso, telefonava para os produtores, diretores e pedia para fazer um teste. Fiz figuração e muitos curtas-metragens até ter a minha primeira grande oportunidade com o longa "A Pele do Bixo", de Pedro Camargo. Apesar disso, o filme que me lançou de verdade foi "Menino do Rio".
Em 1983 você protagonizou ERENDIRA, filme com indicações em várias premiações. Entre elas, a Palma de Ouro em Cannes. É correto afirmar que esse foi o marco para sua projeção internacional? Com certeza, foi um filme que mudou minha vida, mas, na época, eu não tinha muita noção disso. Pra mim, era só mais um filme e todos eram importantes. O Ruy me chamou para fazer o filme e eu disse que não porque estava indo para Roma fazer um outro longa, com Lina Wetmuller, onde eu ia fazer a Sophia Loren jovem. Fui para Itália, mas o filme parou porque, por incrível que pareça, a Sophia foi presa e o produtor sumiu! Depois disso, corri atrás do Ruy para ver se ainda dava para fazer "Erendira". Ele já tinha escolhido outra atriz alemã, mas depois recebi um recado em Paris, dizendo que ele me queria. Foi incrível! Acho que, quando uma personagem é para ser sua, ela será! E foi uma personagem que começou ingênua, mas que se transformou a ponto de tramar a morte da própria avó. O filme foi um sucesso e me lançou no exterior. Foi um daqueles casos raros onde tudo dá certo: direção, roteiro, atores... A Irene Pappás estava maravilhosa. Depois que o filme foi lançado, fui chamada para vários testes, participei de uma produção francesa e, até hoje, ele me abre portas lá fora.
Você participou dos principais desafios lançados pela Globo às suas estrelas como a “Dança no Gelo”, “Dança dos Famosos” e da última edição do “Superchef”. Qual deles você mais gostou, e qual lhe trouxe as maiores transformações? Sem dúvida, pra mim, a “Dança dos Famosos” foi o que mais gostei pois sempre tive facilidade para a dança. Na realidade, eu amei! Às vezes, quando acho que não sou capaz de algo, assisto trechos da minha participação para me dar força. Sinto-me poderosa quando me vejo dançando samba e o passo doble. (risos). Aprende-se muito com esse tipo de reality. Hoje também consigo “tirar uma onda” patinando e não me sinto mais tão perdida na cozinha.
Na opinião da ativista Claudia Horrana, a cultura está atravessando uma das piores crises registradas até então no Brasil? Fale um pouco sobre a campanha #TeatroSim. Infelizmente, acho que a cultura no Brasil sempre esteve em crise e nunca foi prioridade. Essa é a verdade! Em abril tivemos 43% da verba bloqueada pelo governo. E isso é quase a metade do que estava destinado. Se falarmos de saúde e educação então, a coisa fica ainda pior. O #TeatroSim é uma campanha de apoio, de incentivo, aos artistas e ao teatro. É preciso que as pessoas saibam o momento difícil que as artes cênicas atravessam. No Rio de Janeiro, não tivemos a quitação do Fomento às Artes 2016 e os teatros estão sendo fechados a cada dia. É uma realidade extremamente triste, mas que pode ser mudada através de movimentos como esse.
Você estreou, em São Paulo, agora no mês de setembro, o musical VAMP, depois de um enorme sucesso da temporada carioca. Como é reviver uma personagem tão emblemática depois de 26 anos? É um grande privilégio poder reviver uma personagem que ainda é tão amada pelo público. A Natasha é atemporal! Até hoje sinto como se fizéssemos parte uma da outra. Não conheço nenhuma atriz que, depois de 26 anos, voltou a viver a mesma personagem. É mágico, uma alegria imensa!
FOTOS SERGIO BAIA
STYLING CARLA GARAH
MAKE EWERTON PACHECO
HAIR MARCELO MATOS
CLÁUDIA OHANA USA JOIAS MÁRCIA ELPERN, BODY DOURADO ABRAND,
XALE PATRÍCIA VIEIRA, CAFTAN MIXED, BLUSA BRANCA ANIMALE
sexta-feira, 29 de setembro de 2017
CAPA: À moda do Fogaça - Muito rock n´roll, estilo e sabor na sua cozinha
Talvez pelo visual e para os participantes do Masterchef você tenha fama de bravo, mas quem o conhece de verdade sabe que você é um cara gentil, atencioso e muito amigável. É importante manter a fama de “mau” e surpreender com a “doçura”? Eu vejo como ser “sério”, temos que ter seriedade e disciplina no trabalho e o meu jeito acaba passando que eu sou “mau”, mas na verdade é seriedade. Quando estou em momentos de lazer, sou essa pessoa que descreveu, sou verdadeiro, faço com amor tudo que eu gosto e sempre com verdade.
Chef badalado, jurado do Masterchef, cantor em banda de rock, empreendedor, skatista.... Você sempre foi assim multitarefas? Sim, sempre fui.
Foi uma criança hiperativa? Sim. Jogava bola, bicicleta, fazia esportes, sempre fui hiperativo.
Com tantos predicados, como se definiria? Como tenho muitos predicados, fica difícil me definir em uma palavra, mas como disse acima, sou multitarefas.
O que te dá mais prazer? Sinto prazer em várias coisas. Cozinhar, skate, fazer show, participar do MC, participar das ações sociais com os chefs especiais. Amo andar de moto, sou embaixador da Triumph e, estar com meus filhos sempre é um imenso prazer.
Você começou sua vida profissional como bancário e em um “erro de percurso” virou chef renomado. Faria algo diferente? Acho que tudo acontece da forma que tem que acontecer, não faria nada diferente, pois tive aprendizado em tudo que eu fiz.
O que contribuiu para você ter essa mudança? Mudei quando eu vi que realmente gostava de cozinhar e fui atrás do meu sonho.
E como começou a descobrir que tinha intimidade com as panelas? Morava com minha irmã, mas ela estava quase se casando com um cara que ela conheceu, então não ficava muito em casa. Eu tinha que comer, sempre gostei de comer bem, mas comida congelada uma hora enjoa. Então, comecei a cozinhar. Ligava pra minha avó pra pedir dicas de cozinha, como fazer um bife, como fazer uma massa. Um dia minha mãe me ligou. Sabendo que eu costumava ligar pra minha avó ela me disse: “até quando você vai ficar trabalhando no banco e sendo infeliz”? Eu parei pra pensar um pouco nisso. No começo eu meio que relutei. Nessa fase eu já havia trancado a matrícula em Comércio Exterior. Descobri um curso novo de Chef de cozinha na FMU e resolvi fazer.
Ser chef de cozinha foi uma meta ou uma consequência? Os dois, e com muito suor.
Hoje em dia você é um dos chefs mais cool no Brasil. Como você vê isso e como avalia sua trajetória até aqui? Acho bacana, e minha trajetória até aqui, foi de muita ralação, muita disciplina, seriedade e aprendizado.
Atualmente você está com três restaurantes, Jamille, Admiral´s Place e Sal, e um pub, Cão Veio. Cada um mostra uma inspiração sua na gastronomia? Sim, cada um é de uma forma diferente. Todos os negócios possuem suas identidades muito bem definidas. O Sal é onde eu coloco meus pratos, faço mais experiências. É um espaço acolhedor, com meia luz. Ideal para um almoço de negócios, um encontro a dois. Quando tem fila de espera, vão para o Admiral´s enquanto a mesa não está pronta. No Admiral´s temos uma extensa carta de whiskys, vinhos, drinks. O Cão Véio é um bar mais descolado, é um pub. É uma pegada mais de rock, com decorações de cães. No Cão Véio a gente oferece porções, lanches, uma carta com aproximadamente 40 cervejas. É um espaço mais para happy hour, encontro de amigos. Jamile tem uma pegada mais contemporânea, mais moderna, seguindo a mesma linha de prato autoral que tem no Sal.
Seria cada um para tipos de públicos diferentes? Não acho que para públicos e sim para paladares diferentes.
Restaurante bom no Brasil ainda é muito caro? Como você (cliente, chef e empresário) observa isso? Eu acredito na comida de qualidade como um direito de todos. Comida não pode ser considerada um artigo de luxo. É uma necessidade. Nascemos comendo e morremos comendo. Comer é fundamental. Elaboramos e levamos diferentes tipos de comida e bebida. Comida de qualidade é algo que todos devem ter acesso.
A crítica gastronômica no Brasil é boa e justa? Acho justa.
Que regiões do Brasil e que ingredientes te inspiram mais na gastronomia? A culinária brasileira é muito rica em sabores. Temos um território imenso, são diferentes culturas dentro de um país. É como se fossem vários países dentro de um só. Costumo dizer que não estamos atrás de culinários. Tem muita coisa na Amazônia que ainda não conhecemos. Tenho uma sobremesa no Sal que é o pudim de Cumaru, uma semente da Amazônia. Esse é um bom exemplo. O que me mantém vidrado na cozinha é a possibilidade de se misturar diferentes ingredientes para se obter novos sabores. O Brasil, por seu tamanho, torna isso possível. Aí vai da criatividade do cozinheiro viajar no desenvolvimento do prato.
Falando em Masterchef... depois de algumas temporadas como você avalia os participantes amadores e profissionais? O nível está melhorando? O nível vem crescendo a cada temporada e isso é muito bacana de ver.
Ao longo dessas temporadas você já deve ter se surpreendido positiva e negativamente. Dá para citar alguns momentos marcantes dentro do programa? Tiveram vários momentos que marcaram. Quando temos que eliminar alguém que é um talento, isso é algo que marca, e as finais são emocionantes, pois fazem uma retrospectiva dos momentos e é bacana de ver. Uma que me lembro, foi na final da primeira temporada com a Elisa, que ela não conseguia abrir uma lata de algum ingrediente e o pai dela foi ajudar e a família junta assistindo, foi bem emocionante, bem legal.
Durante sua trajetória já “sentou na graxa” muitas vezes? Sim, inúmeras vezes. E o quanto isso foi importante para você? Isso tudo traz um grande aprendizado para tudo na vida.
Um lado seu que pouca gente (que acompanha pela TV) não conhece é o roqueiro. Como surgiu essa paixão e que peso tem para você hoje em dia? Meu lifestyle, minha personalidade, minha forma de pensar são totalmente influenciados pelo rock. Tudo que eu faço.
Você é um cara de muito estilo. Como se definiria? Sou rockeiro, motociclista e I...esse é meu estilo.
É ligado em moda? Gosto de me vestir bem de acordo com o meu estilo.
Prova da vaidade masculina hoje em dia é o número de barbearias que surgiram nos últimos anos. Esse é um universo que você também conhece bem. Acha que é moda ou uma tendência que veio pra ficar? Acho que uma tendência que veio para ficar, sou sócio da The Skull, onde temos a parte de barbearia dentro da loja.
O que te tira do sério? Falta de respeito.
Que significado a tatuagem tem para você? Como começou e o que busca através delas? Cada uma delas tem uma história para contar. Algumas representam fatos fraternos, como o coração, que traz o nome da minha filha mais velha, Olívia, de oito anos. Outras falam muito sobre o homem que sou, um logotipo do In’Omertà 9.15 MC, motoclube do qual participo com ações sociais de gastronomia. A primeira foi um escorpião. Acho natural registrar na pele o que acontece de importante em minha vida e acredito que os desenhos refletem um pouco da minha personalidade. Tudo remete a algo que vivi ou a um período, é por isso que tenho muita coisa relacionada à cozinha, como o fogão que simboliza a abertura do meu primeiro restaurante, o Sal, em 2005.
Uma vez durante o Masterchef você comentou emocionado que gostaria que sua filha sentisse o sabor da sua comida. Como aprendeu a lidar com isso e o que você diria para pais que passam por situação semelhante? Com amor. Tendo amor e dedicação fica menos complicado.
Como é o Fogaça como pai? Ternura e disciplina na dose certa? Sou um pai que educa e dá amor, que mostra e explica, procuro estar sempre presente e fazer diferença na vida deles. Hoje em dia o mundo está complicado, temos informações muito rápidas de tudo, mas tento alertá-los e mostrar o que eu aprendi.
Dentro da cozinha qual o estilo Fogaça de ser? Sou sério, gosto de disciplina, dentro da cozinha não tem brincadeira.
Como agradar seu paladar e os seus ouvidos? Um bom sabor e uma boa música. Comer bem e escutar um som bom.
O que as mulheres não sabem sobre os homens e precisam saber urgente? Não tem essa regra, cada pessoa é de uma forma.
Por fim, o que te encanta nelas? A mulher me encanta por si só.
Fotos Angelo Pastorello
Produção e Estilo Ju Hirschmann e Celso Ieiri
Beleza André Florindo
Agradecimentos: The Skull Concept House (locação) - Rua Mello Alves, 417, (11) 2589-3016 / Ricardo Almeida 11 3887-4114 / Dudalina 11 3064- 3410 / Calvin Klein 11 3062-4191 / Dom Shoes 11 3595- 2552 / Riachuelo 11 2739-1960 / Podepa www.lojapodepa.com.br / The skull 11 2589-3016 / Cavalera 11 3063-5700 / Panerai 11 3152- 6620
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