quarta-feira, 4 de outubro de 2017

ARTE: Precisão e Acaso - O artista pernambucano José Patrício em exposição individual (e marcante) no MEPE

Há 11 anos sem realizar uma individual em Pernambuco, o artista pernambucano, nascido em Recife, José Patrício expõe no Museu do Estado de Pernambuco (Mepe), até o dia 08 de outubro. A exposição Precisão e Acaso, que tem curadoria do carioca Felipe Scovino e reúne cerca de 40 obras produzidas pelo artista nos últimos sete anos – muitas já exibidas em feiras de arte, mostras coletivas e individuais no Brasil e no exterior, porém, na sua quase totalidade, inéditas no circuito artístico do Recife –, além de outras do início de sua carreira nunca antes apresentadas.

A última mostra individual de José Patrício na cidade aconteceu em 2006, na extinta Galeria Mariana Moura. De lá para cá, ele vem trilhando caminhos diversos, utilizando outros materiais, indo além dos dominós que se tornaram um ícone dentro de sua produção. Segundo Felipe Scovino, a exposição pode ser compreendida como uma espécie de antologia, termo que ele julga adequado por estar ligado à criação e produção de poesias, de imagens. “A curadoria quer que o público conheça e reflita sobre as fases mais recentes da produção do artista; o seu interesse por novos materiais; as pesquisas cromáticas e cinéticas que vem investigando assim como as características centrais do seu trabalho que passam pela ampliação do termo construtivo, o caráter lúdico e participativo e a ideia de coleção ou arquivo de materiais cada vez mais difíceis de serem encontrado”, explica.

Nos últimos anos, Patrício vem utilizando materiais diversos, como botões, peças de quebra cabeças de plástico, dados, pregos, tachas, alfinetes, fios de eletricidade e de telefonia. São objetos simples, de pequeno valor (alguns fadados ao desaparecimento), garimpados por ele nos mais diferentes lugares, que, ressignificados em obras, terminam formando um painel rico sobre a cultura brasileira e seu dia a dia. “Trata-se da apropriação de elementos modulares encontrados na vida cotidiana. Interessam-me na medida em que contribuem para compor as obras a partir da sua acumulação, deslocamento das suas funções originais e inserção no contexto da arte”, comenta o artista que completa: “O lúdico permeia toda a minha produção. Seja na escolha de materiais diretamente relacionados com os jogos, seja nas estratégias que utilizo para a criação artística”.



As suas obras realizadas nos últimos anos refletem o desenvolvimento de uma pesquisa que discute os conceitos de diferença e repetição, por meio de estruturas fixas passíveis de variação formal a partir das características dos elementos que as compõem e das inúmeras possibilidades de configuração. Scovino diz que a produção de Patrício pode ser categorizada como uma forma de pintura, que não é feita com tinta, mas com as mãos e a experiência performática e evocadora de uma sensibilidade muito própria.

Em seu processo de criação, o artista parte sempre de uma regra, cria uma espécie de “método” de trabalho. Apesar dessa precisão, o resultado final é desconhecido, é o acaso, daí o nome da mostra (Precisão e Acaso) ter se centrado nesses dois polos aparentemente antagônicos. “Outra forma de aparição do acaso é a qualidade cinética dessas obras. O acúmulo, a ordem e o excesso provocam um distúrbio. Somos 'sequestrados' pela obra, pois ao querer desvendar a sua organização lógica, somos duplamente surpreendidos: por uma vibração óptica das intermitentes figuras virtuais e pela larga quantidade de pequenos objetos acumulados que deixam o nosso olhar à deriva. O foco não está mais no centro da obra, mas perdido, tentando dar conta das várias possibilidades de entrada que a obra oferece para decifrarmos sua lógica interna. E dependendo da perspectiva que adotamos em relação a obra, somos surpreendidos com novas qualidades cromáticas e estruturais. O trabalho se faz também pela qualidade em ser dinâmico, veloz e mutante”, explica o curador.

Para ele, a obra de José Patrício segue um caminho de coerência dentro da história das linguagens construtivas no Brasil, mas vai além contribuindo no alargamento do conceito de construtivo nas artes no mundo contemporâneo. A produção do artista possui um pensamento racional, uma precisão, regras e modos muito próprios de construção e observação das peças e elementos do qual faz uso. Mas, a despeito disso, o acaso também se faz presente. A pesquisa de Patrício se dá numa estrutura de obra aberta, suas escolhas no uso da cor, dos objetos, da organização e articulação entre eles, proporcionando ao espectador uma experiência vigorosa.



JOSÉ PATRÍCIO
“Sua obra, portanto, é um constante acontecimento. Cabe ao espectador escolher se a sequência numérica está crescendo ou decrescendo, e ainda em que ponto do trabalho se apreende essa velocidade e faz essa escolha. Estamos constantemente envolvidos por escolhas, caminhos, formas e cores que induzem movimentos, traços, rumos e territórios. E é exatamente essa qualidade de caos que particularmente me anima. Experimentar o fato de que a razão também pode provocar novos caminhos e sentidos, muitas vezes não esperados, ainda mais se levando em conta que essa experiência parte (supostamente) de um dado concreto, matemático e assertivo”, conclui Scovino.


SERVIÇO:
Precisão e Acaso – José Patrício
Curadoria: Felipe Scovino
Vernissage: 27 de julho de 2017, às 19h
Visitação: 28 de julho a 08 de outubro de 2017

Museu do Estado de Pernambuco - MEPE
Av. Rui Barbosa, 960 - Graças, Recife - PE, 52050-000
De terça a sexta, das 9h às 17h.
Sábados e domingos, das 14h às 17h
Telefone: (81) 3184-3174

terça-feira, 3 de outubro de 2017

ARTE: Criando arte e fazendo cultura na Amparo 60

Ousadia é a palavra que mais define a transferência da conceituada galeria de arte Amparo 60, que passou praticamente toda a sua existência numa discreta casa no início do bairro de Boa Viagem - Recife, para o edifício Califórnia. Dona de um dos mais venerados castings do País, a galeria sempre recebeu clientes fiéis e intelectuais tanto para visitas quanto para as exposições. Já com os dois pés em um novo tempo, o espaço se abre para o público em geral, que certamente vai frequentar aquele novo pólo, subir para as sobrelojas e fazer uma visita contemplativa. Tudo a ver com o momento do prédio.  


Essa simbiose é tão grande que, apesar de tudo ter acontecido muito rápido e de maneira espontânea, a galerista Lúcia Costa, cujo nome se confunde com seu próprio espaço, é filha de ninguém menos que Janete Costa, esposa do arquiteto Acácio Gil Borsoi. “Não pensava em sair daquela casa, mas soube por acaso que havia esse espaço aqui nesse prédio de tanto significado, onde Borsoi teve a ideia de harmonia, residência, comércio e lazer. Convidada, vim visitar e instantaneamente o lugar me escolheu, fui fisgada. Entendi que trazer arte para cá seria como retomar um projeto original, o espaço clamava por isso. O bairro, a cidade e as pessoas também mereciam isso e essa humanização pode ser o ponto de transformação para um futuro restauro”, pondera.

Para marcar o início do ciclo, a Amparo 60 abriu com uma exposição reunindo obras de todo o casting, ao todo 35 artistas expressando-se nos mais diferentes suportes e todos dialogando sobre a relação com a cidade e as questões urbanas. O acervo foi montado sob o olhar do curador Douglas de Freitas, que encontrou os pontos de interseção entre os trabalhos tendo como fio condutor a ideia de celebração, saudação, ligada ao termo “evoé” que intitulou a mostra. “A escolha das obras para a exposição busca trazer um pouco a atmosfera do Recife, um modo de ver e viver a cidade entre suas belezas e contradições”, completa.





segunda-feira, 2 de outubro de 2017

FITNESS: Ganhe mais músculos - Dicas para aumentar sua massa muscular‏

Temos 650 músculos no corpo, de diversos tamanhos e funções. Mas o princípio de tudo em se tratando de fibras musculares, vem da nossa definição genética. É ela quem define o número de fibras musculares, tipos e formato que cada indivíduo terá quando estiverem totalmente desenvolvidos. Ao se exercitar nós estaremos ativando esses músculos para que juntamente com uma boa alimentação, se desenvolvam, cresçam e apareçam. Para isso é necessário que você entenda como elas funcionam. Pensando nisso selecionamos algumas dicas importantes que vão ajudar você a ter mais ganho muscular na medida em que for entendendo todo o processo.

Para começar é importante entender que as fibras musculares tem habilidades diferentes, e são compostas por dois tipos: o tipo I, conhecida como lentas, que são acionadas em atividades de resistência (longa duração). E as do tipo II, denominadas fibras rápidas, que funcionam para tarefas que exigem mais de 25% da força máxima de cada indivíduo. E o uso delas nas diferentes atividades físicas vai proporcionar um crescimento maior ou menor. Por exemplo, para corridas o uso das fibras lentas exerce maior resultado. Ao praticar exercício de supino se utiliza os dois tipos de fibras para se obter um maior número de repetições.

 


MAIS PESO - É o que você precisa fazer se quer ganhar massa muscular. Como em qualquer atividade física, seja a mais corriqueira como levantar da cama ou praticar musculação, seus músculos trabalham seguindo dois princípios da fisiologia: as fibras musculares podem ou não estar em ação, ao levantar da cama, por exemplo, uma pequena parte das suas fibras estará funcionando na carga máxima enquanto a maioria estará em repouso. E quando o esforço físico requer mais de 25% de força, aí entram em ação as fibras do tipo II. Pois é diante desses estímulos que os músculos começam a se desenvolver. A dica é ir aumentando o peso até não conseguir mais estimulando os músculos a se desenvolver. Ao treinar sempre com o mesmo peso você não estará estimulando o crescimento dos músculos. Você deverá aumentar o peso em cada treino, e a quantidade de repetições.

REPETIÇÕES - Quanto mais repetições, mais desenvolvimento muscular. Porém encontre o meio termo, da mesma forma que poucas repetições não terão efeito, repetições exageradas não renderão o esperado. O ideal é entre 8 e 12 repetições.

OS EXERCÍCIOS - O mais indicado para o crescimento dos músculos é de 6 a 9 conjuntos de repetições para cada parte do corpo, que pode ser pernas, braços, costas, ombros. Em geral estipula-se que o tempo ideal para um bom treino não deve passar de 45 minutos, assim você evita que o corpo liberte hormônios catabólicos que irão afetar o tecido muscular. Com 9 conjuntos de repetições por cada parte do corpo no final você atingirá os estimados 45 minutos. Mas lembre-se, nada de intervalos muito longos entre uma série e outra. Assim como também não vale ficar de conversa durante o treino.

MAIS PROTEÍNA - Depois do treino você vai precisar se recuperar e recuperar o tecido muscular e o mais indicado nessa hora é ingerir proteínas à sua alimentação. Porém você não deve abusar na dose. Para saber a quantidade ideal de proteína que você deve ingerir, faça esses cálculos:
- Massa corporal sem gordura (Kg) x 2.75 = Proteína ingerida diariamente. - Massa corporal sem gordura = peso total do corpo – a quantidade de gordura corporal que detém o corpo. E para saber a sua percentagem de gordura corporal deverá calculá-la através da fórmula especial para o sexo masculino: Massa corporal sem gordura (homem) = (1.10 x peso (kg)) - 128 x (peso2/(100 x altura(m))2). Outra opção para determinar a quantidade de proteína ingerida diariamente será: ingerir 1 grama de proteína por cada 500 gramas de peso corporal. 

GORDURA DO BEM - Calma, não é qualquer gordura que é legal de se ingerir. Procure por alimentos que contenham gorduras saudáveis, como: azeite extra-virgem, óleo de noz, leite de coco, iogurte natural, abacate, queijo de cabra, queijo ricota, manteiga de amendoim, amêndoas e nozes, chocolate preto e peixes gordos como a sardinha, salmão e truta. É necessário ingerir gordura, pois ela aumenta o sistema anabólico hormonal no corpo. Que são a testosterona, hormônio de crescimento e o nível de insulina.

TOME ÁGUA - Como os músculos são compostos por uma grande porcentagem de água, uma boa hidratação ajudará no seu aumento. Por isso beba muita água, que ajuda a hidratar e a repor as energias e sais minerais. Para manter o bom nível de energia, o indicado é de 8 a 12 copos de água por dia.

COMA BEM - Não existe crescimento sem uma boa alimentação. O recomendado para uma dieta ideal é comer de 3 em 3 horas. Afinal de contas você precisa reparar seu organismo da atividade física e para aumentar os músculos trabalhados é necessário alimentá-los. Mas cuidado, aumentar a quantidade ingerida não é o mesmo que diminuir a qualidade, por isso não tem segredo, aumente a ingestão de proteínas comendo mais carnes brancas e peixes gordos, legumes e cereais (massas, pão de cereais, lentilhas, feijão, e todo o tipo de leguminosas), frutas e sucos de frutas.



MENOS AERÓBICO - Quanto mais você pratica treino aeróbico mais aumenta a libertação de hormônios catabólicos no corpo, resultando na destruição do tecido muscular. Como no caso seu desejo é aumentar a massa muscular, deve diminuir os exercícios aeróbicos e intensificar o treino com pesos. Já para quem pretende perder gordura o ideal é fazer exercício aeróbico logo após o treino de um máximo de 20 minutos.
DURMA BEM - Depois de tanto esforço, nada melhor que um bom descanso. Através dele você vai conseguir aumentar a massa muscular, pois quando o corpo está em sono profundo liberta-se o hormônio do crescimento; quando se dorme, o tecido muscular auto repara-se decorrente do aumento da corrente sanguínea também ser maior, e assim levando mais sangue aos músculos. Afinal, dormir bem é fundamental.

NÃO SE ESTRESSE - O relaxamento é sempre indicado, pois quanto mais estressado, mais se libera um hormônio chamado cortisol que resulta num consumo muscular. Jogando todo o trabalho fora. Sem falar que uma boa atitude perante a vida, é fundamental para conseguir alcançar os seus objetivos. No caso, o seu aumento muscular e a sua satisfação.

sábado, 30 de setembro de 2017

ESTRELA: O tempo passa e Cláudia Ohana continua linda

Em entrevista à MENSCH, Cláudia Ohana, abriu o jogo sobre sua trajetória de vida pessoal e profissional, revelando mais sobre sua história e posicionamentos sobre temas polêmicos. Talentosa por natureza, nos revelou que quando criança era meiga e medrosa, que é tímida, porém disfarça bem. Relatou que às vezes, se fecha demais em seu mundo, “não sei se essa última é uma falha, mas tem gente que reclama (risos).” Se considera uma pessoa feliz, segundo a atriz ela é “daquelas que gosta de rir mesmo quando está deprê.” Afirma ter orgulho de ser uma pessoa honesta, trabalhadora, esforçada, independente, que adora desafios. Para encanta-la três atitudes são fundamentais: “verdade no olhar, a generosidade e o bom humor.”

Com mais de 30 anos de carreira, 20 filmes, 16 novelas, 9 peças de teatro, músicas gravadas, atualmente prepara-se para escrever seu primeiro curta como diretora chamado “Um Dia Vermelho na Vida de Uma Dama de Alma Vermelha”, que irá inscrever em vários festivais pelo Brasil e mundo a fora. Transitando com fluidez pelo universo das artes transformou-se em uma mulher multimidiática, dona de uma beleza brasileiríssima, de personalidade forte e determinada, ela segue se reinventando a cada novo projeto, a cada nova atitude, imprimindo em suas produções uma assinatura autoral. 

Recentemente você postou em suas redes sociais uma imagem desejando bom dia de lingerie que “quebrou” a internet, os comentários positivos a sua sensualidade se multiplicaram rapidamente, a que atribui a repercussão da imagem? Aos 54 anos, como faz para se manter tão sexy? Acho que o fato de me sentir bem comigo mesma sempre ajudou. Agora, ser sexy, ao meu ver, independe da idade. Ninguém aprende a ser sexy. É algo que está dentro de cada um. Ou você é, ou não é.



Por que suas atitudes estão dando tanta repercussão nas redes sociais e como se relaciona com o público neste novo ambiente? As redes sociais viraram um grande reality show. As pessoas, pelo menos a grande maioria, têm interesse em saber o que as outras fazem. Isso é fato! É quase um voyeurismo em relação ao que é privado ou íntimo. Agora, a decisão do que será mostrado, o limite, cabe a cada um. É uma ferramenta poderosa onde devemos saber que estamos sendo monitorados e vigiados o tempo todo. Quem decide ter, não pode reclamar. Tudo é uma questão de conteúdo. Eu, por exemplo, adoro Instagram! Acho as outras mídias meio chatas... Não sei se tenho tanta repercussão assim, mas meus posts costumam ser bem recebidos por aqueles que me seguem. Adoro fotos e gosto de me comunicar com o público através de imagens que mostrem um pouco da minha rotina profissional e pessoal. É como se fosse uma revista sobre lifestyle onde eu sou a editora e decido tudo o que vai ser publicado. Acho que, por isso, me sinto super à vontade. Adoro!

Qual sua percepção sobre as mudanças no mercado das artes cênicas atualmente no Brasil e no mundo após a internet? Nossa, mudou muito! Na realidade, acho que ainda estou me adaptando a esse “novo mercado”.  Muitos não precisam mais da TV para serem vistos por milhões de pessoas. A internet proporciona isso. Se alguém quer mostrar seu trabalho, basta criar um canal no Youtube, por exemplo. E isso é muito bom! Abre portas e permite que muitos talentos escondidos sejam revelados.

No filme Zoom, de 2016, você contracena com Mariana Ximenes, as cenas de sexo mexeram com o imaginário masculino e fez a internet ferver, como avalia a repercussão das cenas? Foi lindo fazer o filme. A Mari é muito parceira e profissional. Não tenho problema com cena de nudez e sabia que o Pedro Morelli, diretor, tem muito bom gosto. Apesar disso, como foi a primeira vez que eu fazia cena de sexo com uma mulher, fiquei um pouco sem graça. Não por ser como uma mulher, mas por não saber o que fazer mesmo. Mas, como eu disse, o Pedro, além do bom gosto, é um excelente diretor e conduziu a cena de forma brilhante.


Como você se define? Como eu me defino, é uma pergunta difícil porque estamos sempre mudando e em constante transformação. Normalmente, as pessoas me veem como uma mulher calma, "natureba", que faz yoga e não se depila. O que não é verdade! Sou ansiosa, como carne e já me depilo há muito tempo. Como sou difícil de brigar, muitos me acham calma. Mas, por dentro, sou um vulcão. Talvez, por isso, me escalem para tantos personagens fortes, apesar de me verem como uma pessoa mais delicada. Independente de tantos adjetivos que possam definir a minha personalidade, a minha essência é e sempre será de paz e amor.

Quando e como Maria Claudia Silva Carneiro, filha da montadora de cinema Nazareth Ohana Silva, se transformou em Claudia Ohana? Engraçado que minha irmã sempre brinca comigo dizendo que eu tenho as duas dentro de mim; a Maria Claudia e a Claudia Ohana. Eu fui Maria Claudia até os 15 anos e, depois que minha mãe morreu, tive que ir à luta, trabalhar e cuidar de mim. Foi quando virei a Claudia Ohana!

Como a vivência no ambiente das artes cênicas influenciou nesta transformação? Claro que o meio em que vivemos pode influenciar nas nossas escolhas, mas acho que a gente já nasce artista. Quando eu era pequena, mesmo antes de morar com minha mãe, eu já me fantasiava, fazia concurso de dublagem, contava e dançava. Isso nasceu comigo. Com 12 anos já me chamavam para fazer fotos e vídeos, mas foi através do inspetor da minha escola (Carlos Wilson, o Daminhão) que fui parar no Tablado. 


Sempre demonstrando personalidade forte, sem medo de se expor e das consequentes polemicas, casou aos 18 anos com o diretor Ruy Guerra, na época com 54 anos fale um pouco desse encontro. Foi o encontro entre duas pessoas, independente da diferença de idade, que gostavam das mesmas coisas. O Ruy sempre foi muito jovem e eu era bem madura para minha idade. Já me sustentava desde os 15 anos.

Em sua trajetória pessoal e profissional você sempre se posiciona firmemente a respeito dos mais variados assuntos, na sua opinião, o Brasil está preparado para descriminalização das drogas? Acho a proibição uma violação do direito à individualidade quando falamos do respeito à intimidade ou da vida particular. Sinto-me um pouco dividida nessa questão. A descriminalização pode ser vista como uma concorrência ao tráfico que será diminuído e, consequentemente, toda essa violência em torno dele. Isso, ao meu ver, é um ponto positivo. Sem contar, no caso da maconha, os inúmeros benefícios medicinais a serem explorados. É difícil falar de descriminalização das drogas no Brasil quando estamos muito aquém de países como EUA, Canadá e Holanda, nações desenvolvidas e que sabem lidar muito bem com essa questão. No caso do Brasil, será que conseguiríamos? Seria preciso uma legislação mais rígida, onde o estado tivesse o total controle do plantio, produção e venda, de um sistema de saúde que dessa assistência integral aos usuários, etc. Não sei se nosso país, que já tem enormes problemas com a falta educação, saúde e saneamento básico, conseguiria lidar, de forma madura e justa, com tudo o que esse processo envolve.

Quando estreou profissionalmente e qual produção foi a oportunidade de trabalho que você considera como start da sua carreira? Aos 15 anos, na época, eu já conhecia muita gente de cinema e fazia a lista de todos os filmes que estavam para ser rodados. Depois disso, telefonava para os produtores, diretores e pedia para fazer um teste. Fiz figuração e muitos curtas-metragens até ter a minha primeira grande oportunidade com o longa "A Pele do Bixo", de Pedro Camargo. Apesar disso, o filme que me lançou de verdade foi "Menino do Rio".



Em 1983 você protagonizou ERENDIRA, filme com indicações em várias premiações. Entre elas, a Palma de Ouro em Cannes. É correto afirmar que esse foi o marco para sua projeção internacional? Com certeza, foi um filme que mudou minha vida, mas, na época, eu não tinha muita noção disso. Pra mim, era só mais um filme e todos eram importantes. O Ruy me chamou para fazer o filme e eu disse que não porque estava indo para Roma fazer um outro longa, com Lina Wetmuller, onde eu ia fazer a Sophia Loren jovem. Fui para Itália, mas o filme parou porque, por incrível que pareça, a Sophia foi presa e o produtor sumiu! Depois disso, corri atrás do Ruy para ver se ainda dava para fazer "Erendira". Ele já tinha escolhido outra atriz alemã, mas depois recebi um recado em Paris, dizendo que ele me queria. Foi incrível! Acho que, quando uma personagem é para ser sua, ela será! E foi uma personagem que começou ingênua, mas que se transformou a ponto de tramar a morte da própria avó. O filme foi um sucesso e me lançou no exterior. Foi um daqueles casos raros onde tudo dá certo: direção, roteiro, atores... A Irene Pappás estava maravilhosa. Depois que o filme foi lançado, fui chamada para vários testes, participei de uma produção francesa e, até hoje, ele me abre portas lá fora.

Você participou dos principais desafios lançados pela Globo às suas estrelas como a “Dança no Gelo”, “Dança dos Famosos” e da última edição do “Superchef”. Qual deles você mais gostou, e qual lhe trouxe as maiores transformações? Sem dúvida, pra mim, a “Dança dos Famosos” foi o que mais gostei pois sempre tive facilidade para a dança. Na realidade, eu amei!  Às vezes, quando acho que não sou capaz de algo, assisto trechos da minha participação para me dar força. Sinto-me poderosa quando me vejo dançando samba e o passo doble. (risos). Aprende-se muito com esse tipo de reality. Hoje também consigo “tirar uma onda” patinando e não me sinto mais tão perdida na cozinha.

Na opinião da ativista Claudia Horrana, a cultura está atravessando uma das piores crises registradas até então no Brasil? Fale um pouco sobre a campanha #TeatroSim. Infelizmente, acho que a cultura no Brasil sempre esteve em crise e nunca foi prioridade.  Essa é a verdade! Em abril tivemos 43% da verba bloqueada pelo governo. E isso é quase a metade do que estava destinado. Se falarmos de saúde e educação então, a coisa fica ainda pior. O #TeatroSim é uma campanha de apoio, de incentivo, aos artistas e ao teatro. É preciso que as pessoas saibam o momento difícil que as artes cênicas atravessam. No Rio de Janeiro, não tivemos a quitação do Fomento às Artes 2016 e os teatros estão sendo fechados a cada dia. É uma realidade extremamente triste, mas que pode ser mudada através de movimentos como esse.

Você estreou, em São Paulo, agora no mês de setembro, o musical VAMP, depois de um enorme sucesso da temporada carioca. Como é reviver uma personagem tão emblemática depois de 26 anos? É um grande privilégio poder reviver uma personagem que ainda é tão amada pelo público. A Natasha é atemporal! Até hoje sinto como se fizéssemos parte uma da outra. Não conheço nenhuma atriz que, depois de 26 anos, voltou a viver a mesma personagem. É mágico, uma alegria imensa!



FOTOS SERGIO BAIA
STYLING CARLA GARAH
MAKE EWERTON PACHECO
HAIR MARCELO MATOS

CLÁUDIA OHANA USA JOIAS MÁRCIA ELPERN, BODY DOURADO ABRAND
XALE PATRÍCIA VIEIRA, CAFTAN MIXED, BLUSA BRANCA ANIMALE

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

CAPA: À moda do Fogaça - Muito rock n´roll, estilo e sabor na sua cozinha


ogaça não se define. Talvez ninguém se defina. Mas ele, com certeza, menos ainda. Roqueiro por conceito, esportista por prazer, chef por destino, talento e vontade, ele arrasa na culinária e como jurado no Masterchef. É pai dedicado e amoroso e se inspira no Brasil de muitos sabores para nos presentear com as melhores delícias gastronômicas em seus restaurantes e pub. Seriedade é ingrediente principal em tudo o que Fogaça faz, talvez daí sair tudo tão bem feito. Bom apetite com essa entrevista de dar água na boca.

Talvez pelo visual e para os participantes do Masterchef você tenha fama de bravo, mas quem o conhece de verdade sabe que você é um cara gentil, atencioso e muito amigável. É importante manter a fama de “mau” e surpreender com a “doçura”? Eu vejo como ser “sério”, temos que ter seriedade e disciplina no trabalho e o meu jeito acaba passando que eu sou “mau”, mas na verdade é seriedade. Quando estou em momentos de lazer, sou essa pessoa que descreveu, sou verdadeiro, faço com amor tudo que eu gosto e sempre com verdade.

Chef badalado, jurado do Masterchef, cantor em banda de rock, empreendedor, skatista.... Você sempre foi assim multitarefas? Sim, sempre fui.

Foi uma criança hiperativa? Sim. Jogava bola, bicicleta, fazia esportes, sempre fui hiperativo.

Com tantos predicados, como se definiria? Como tenho muitos predicados, fica difícil me definir em uma palavra, mas como disse acima, sou multitarefas. 


O que te dá mais prazer? Sinto prazer em várias coisas. Cozinhar, skate, fazer show, participar do MC, participar das ações sociais com os chefs especiais. Amo andar de moto, sou embaixador da Triumph e, estar com meus filhos sempre é um imenso prazer.

Você começou sua vida profissional como bancário e em um “erro de percurso” virou chef renomado. Faria algo diferente? Acho que tudo acontece da forma que tem que acontecer, não faria nada diferente, pois tive aprendizado em tudo que eu fiz. 

O que contribuiu para você ter essa mudança? Mudei quando eu vi que realmente gostava de cozinhar e fui atrás do meu sonho.

E como começou a descobrir que tinha intimidade com as panelas? Morava com minha irmã, mas ela estava quase se casando com um cara que ela conheceu, então não ficava muito em casa. Eu tinha que comer, sempre gostei de comer bem, mas comida congelada uma hora enjoa. Então, comecei a cozinhar. Ligava pra minha avó pra pedir dicas de cozinha, como fazer um bife, como fazer uma massa. Um dia minha mãe me ligou. Sabendo que eu costumava ligar pra minha avó ela me disse: “até quando você vai ficar trabalhando no banco e sendo infeliz”? Eu parei pra pensar um pouco nisso. No começo eu meio que relutei. Nessa fase eu já havia trancado a matrícula em Comércio Exterior. Descobri um curso novo de Chef de cozinha na FMU e resolvi fazer.

Ser chef de cozinha foi uma meta ou uma consequência? Os dois, e com muito suor.

Hoje em dia você é um dos chefs mais cool no Brasil. Como você vê isso e como avalia sua trajetória até aqui? Acho bacana, e minha trajetória até aqui, foi de muita ralação, muita disciplina, seriedade e aprendizado.



Atualmente você está com três restaurantes, Jamille, Admiral´s Place e Sal, e um pub, Cão Veio. Cada um mostra uma inspiração sua na gastronomia? Sim, cada um é de uma forma diferente. Todos os negócios possuem suas identidades muito bem definidas. O Sal é onde eu coloco meus pratos, faço mais experiências. É um espaço acolhedor, com meia luz. Ideal para um almoço de negócios, um encontro a dois. Quando tem fila de espera, vão para o Admiral´s enquanto a mesa não está pronta. No Admiral´s temos uma extensa carta de whiskys, vinhos, drinks. O Cão Véio é um bar mais descolado, é um pub. É uma pegada mais de rock, com decorações de cães. No Cão Véio a gente oferece porções, lanches, uma carta com aproximadamente 40 cervejas. É um espaço mais para happy hour, encontro de amigos. Jamile tem uma pegada mais contemporânea, mais moderna, seguindo a mesma linha de prato autoral que tem no Sal.

Seria cada um para tipos de públicos diferentes? Não acho que para públicos e sim para paladares diferentes.

Restaurante bom no Brasil ainda é muito caro? Como você (cliente, chef e empresário) observa isso? Eu acredito na comida de qualidade como um direito de todos. Comida não pode ser considerada um artigo de luxo. É uma necessidade. Nascemos comendo e morremos comendo. Comer é fundamental. Elaboramos e levamos diferentes tipos de comida e bebida. Comida de qualidade é algo que todos devem ter acesso.



A crítica gastronômica no Brasil é boa e justa? Acho justa.

Que regiões do Brasil e que ingredientes te inspiram mais na gastronomia? A culinária brasileira é muito rica em sabores. Temos um território imenso, são diferentes culturas dentro de um país. É como se fossem vários países dentro de um só. Costumo dizer que não estamos atrás de culinários. Tem muita coisa na Amazônia que ainda não conhecemos. Tenho uma sobremesa no Sal que é o pudim de Cumaru, uma semente da Amazônia. Esse é um bom exemplo. O que me mantém vidrado na cozinha é a possibilidade de se misturar diferentes ingredientes para se obter novos sabores. O Brasil, por seu tamanho, torna isso possível. Aí vai da criatividade do cozinheiro viajar no desenvolvimento do prato.

Falando em Masterchef... depois de algumas temporadas como você avalia os participantes amadores e profissionais? O nível está melhorando? O nível vem crescendo a cada temporada e isso é muito bacana de ver.

Ao longo dessas temporadas você já deve ter se surpreendido positiva e negativamente. Dá para citar alguns momentos marcantes dentro do programa? Tiveram vários momentos que marcaram. Quando temos que eliminar alguém que é um talento, isso é algo que marca, e as finais são emocionantes, pois fazem uma retrospectiva dos momentos e é bacana de ver. Uma que me lembro, foi na final da primeira temporada com a Elisa, que ela não conseguia abrir uma lata de algum ingrediente e o pai dela foi ajudar e a família junta assistindo, foi bem emocionante, bem legal.




Durante sua trajetória já “sentou na graxa” muitas vezes? Sim, inúmeras vezes. E o quanto isso foi importante para você? Isso tudo traz um grande aprendizado para tudo na vida.

Um lado seu que pouca gente (que acompanha pela TV) não conhece é o roqueiro. Como surgiu essa paixão e que peso tem para você hoje em dia? Meu lifestyle, minha personalidade, minha forma de pensar são totalmente influenciados pelo rock. Tudo que eu faço.

Você é um cara de muito estilo. Como se definiria? Sou rockeiro, motociclista e I...esse é meu estilo. 

É ligado em moda? Gosto de me vestir bem de acordo com o meu estilo.
Prova da vaidade masculina hoje em dia é o número de barbearias que surgiram nos últimos anos. Esse é um universo que você também conhece bem. Acha que é moda ou uma tendência que veio pra ficar? Acho que uma tendência que veio para ficar, sou sócio da The Skull, onde temos a parte de barbearia dentro da loja.

O que te tira do sério? Falta de respeito.

Que significado a tatuagem tem para você? Como começou e o que busca através delas? Cada uma delas tem uma história para contar. Algumas representam fatos fraternos, como o coração, que traz o nome da minha filha mais velha, Olívia, de oito anos. Outras falam muito sobre o homem que sou, um logotipo do In’Omertà 9.15 MC, motoclube do qual participo com ações sociais de gastronomia. A primeira foi um escorpião. Acho natural registrar na pele o que acontece de importante em minha vida e acredito que os desenhos refletem um pouco da minha personalidade. Tudo remete a algo que vivi ou a um período, é por isso que tenho muita coisa relacionada à cozinha, como o fogão que simboliza a abertura do meu primeiro restaurante, o Sal, em 2005.

Uma vez durante o Masterchef você comentou emocionado que gostaria que sua filha sentisse o sabor da sua comida. Como aprendeu a lidar com isso e o que você diria para pais que passam por situação semelhante? Com amor. Tendo amor e dedicação fica menos complicado.





Como é o Fogaça como pai? Ternura e disciplina na dose certa? Sou um pai que educa e dá amor, que mostra e explica, procuro estar sempre presente e fazer diferença na vida deles. Hoje em dia o mundo está complicado, temos informações muito rápidas de tudo, mas tento alertá-los e mostrar o que eu aprendi.

Dentro da cozinha qual o estilo Fogaça de ser? Sou sério, gosto de disciplina, dentro da cozinha não tem brincadeira.

Como agradar seu paladar e os seus ouvidos? Um bom sabor e uma boa música. Comer bem e escutar um som bom.

O que as mulheres não sabem sobre os homens e precisam saber urgente? Não tem essa regra, cada pessoa é de uma forma.

Por fim, o que te encanta nelas? A mulher me encanta por si só.




Fotos Angelo Pastorello
Produção e Estilo Ju Hirschmann e Celso Ieiri
Beleza André Florindo

Agradecimentos: The Skull Concept House (locação) - Rua Mello Alves, 417, (11) 2589-3016 / Ricardo Almeida 11 3887-4114 / Dudalina 11 3064- 3410 / Calvin Klein 11 3062-4191 / Dom Shoes 11 3595- 2552 / Riachuelo 11 2739-1960 / Podepa www.lojapodepa.com.br / The skull  11 2589-3016 / Cavalera 11 3063-5700 / Panerai 11 3152- 6620

CARREIRA: "Ví, vim e venci" - Três histórias de superação e sucesso

Histórias de superação em momentos de crise são sempre inspiradoras e sempre instigantes. Foi o que nos levou a conhecer esses três personagens da vida real, três homens vencedores, daqueles que lutam sem desistir diante das adversidades da vida. Independente de idade, circunstância ou lugar, estes homens são exemplo de garra e determinação. Conheça a história de Leandro Souza, Plínio Marcos e Paulo Victor e veja como eles conseguiram realizar seus sonhos!

O HOMEM QUE ELITIZOU O CHURRASQUINHO DE RUA



Leandro Souza (34), que sonhava em ser piloto de avião, mas após de muitos percalços, virou dono de uma rede de restaurantes e bares, cuja especialidade é o tão famoso, “Churrasquinho de rua”. Filho de um porteiro e de uma faxineira, desde 13 anos de idade trabalhava para ajudar no orçamento da família. Aos 17, entrou para faculdade onde pretendia cursar comunicação social e aos 19 anos teve a oportunidade de ir para os EUA. Com apenas US$ 1.000,00 no bolso e sem falar inglês, chegando lá trabalhou como garçom, guardador de carro, faxineiro e barman. E dividiu um quarto e sala com oito colegas. Tudo isso porque ele precisava juntar dinheiro. 



Com passar do tempo ele conseguiu fazer um curso de inglês e logo em seguida ingressar para o curso de aviação, pois sonhava ser piloto de avião. Foi chamado para trabalhar em uma grande companhia aérea, mas a crise que assolou o mundo em 2009 fez com que Leandro perdesse o emprego. Voltando para o Brasil começou a trabalhar na TAM e com as economias guardadas ele tinha intenção de abrir um restaurante mexicano, com um amigo americano que conheceu nos EUA, mas o amigo não veio para o Brasil conforme combinado.

Nessa época Leandro tinha um amigo que vendia espetos e daí teve a ideia em dar um toque gourmet ao tão famoso churrasquinho de rua, com 50 variedades de espetos. E foi assim que em 2011 ao invés de um restaurante mexicano, surgiu o restaurante “Espetto Carioca”. Hoje um local frequentado por muitos famosos, tais como: como Luan Santana, Sofia Abrahão, entre outros.
Leandro comprou uma casa própria para os pais que são aposentados. Atualmente a marca tem unidades entre RJ, SP e MG e está nos planos abrir futuras unidades de Campinas (SP) onde terá como sócio o cantor Matheus, da dupla sertaneja Matheus & Kuan. 

O PERNAMBUCANO, SIMPÁTICO. “VI, VIM E VENCI!”



Plínio Marcos, veio de Pernambuco para tentar prosperar no Rio de Janeiro. Assim como vários outros, enfrentou dias difíceis, solidão, portas na cara, e hoje é gerente comercial de uma importante cadeia de lojas de dermocosméticos. Quem frequenta os corredores da nova expansão do Barrashopping, (RJ), provavelmente já reparou o buchicho que fica na loja de dermocosméticos ADCOS, uma das mais conhecidas do país. Os famosos produtos da marca, estão entre os mais eficazes, inovadores e indicados pelos dermatologistas. Mas o responsável pelo movimento incomum do local tem nome: Plínio Marcos, gerente comercial da marca há três anos. Nascido interior de Pernambuco veio para o Rio de Janeiro tentar a vida aos 23 anos. Hoje, Plínio coordena uma equipe de vendas com metas audaciosas e está sempre cercado de celebridades, beldades e formadoras de opinião.

Plínio é um workaholic confesso, mas também possui a habilidade social de poucos, que ele mesmo atribui à educação dada pelos avós: “Eu venho de uma família tradicional, que sempre prezou pela educação e o respeito pelo outro. Não sou uma pessoa invasiva. Hoje, conheço pessoas que passei a vida vendo pela TV, mas nem por isso, me acho íntimo delas. Sou muito cauteloso em relação a isso”, diz.




Na infância, Plínio tinha a incumbência de escrever as cartas que os amigos dos seus avós enviavam aos seus filhos que estavam tentando a vida na cidade grande. Foi por ali, que ele começou a ter notícias de um mundo completamente diferente. No início dos anos 90, com o pretexto de fazer um curso de inglês, Plínio passou um mês no Rio de Janeiro, e se apaixonou, “O Rio me abriu portas, vi na cidade muitos desafios. Apesar da saudade e dos momentos de solidão, sentia uma força muito grande que me fazia continuar”, afirma.

Em sua trajetória, Plínio foi Cabo do Exército, caixa de uma grande rede de supermercados, e o primeiro caixa homem da ADCOS. Trabalhando lá por 12 anos, ele queria mais. Por isso, ficava depois do expediente ajudando as funcionárias de vendas e atendimento, com um único objetivo: aprender. E aprendeu. Plínio concilia uma rotina pesada de trabalho, com os eventos badalados da cidade, ao lado de personalidades da alta sociedade carioca. Mas também não abre mão de um bom livro, de um cinema com os amigos e dos seus cuidados de beleza com os produtos que vende.

E quem pensa que Plínio, mesmo com a trajetória vencedora, está realizado, se engana, “Estou muito feliz onde estou, como dermoconsultor, mas minha cabeça não para. Quando eu saio da loja, eu continuo pensando em coisas que podem ser feitas como um diferencial”, afirma.

DE JOGADOR DE FUTEBOL A BAILARINO



A história desse capixaba que sonhava ser jogador de futebol mas encontrou na dança a sua razão de viver, também traz superação e inspiração. Paulo Victor nasceu em Vitória (ES). Filho da manicure Luíza e do motorista Neosvaldo, e um casal de irmãos. Aos 6 anos de idade Luzia sem condições de levar o filho para a escola e outras atividades, ensinou a andar sozinho, “Lembro que me colocou no ônibus a caminho da escola e disse: não posso te levar e buscar todas as vezes filho. Aqui você pega o ônibus, desce aqui etc.", comenta Paulo.

Sempre foi apaixonado por esportes. Jogou bola dos 6 aos 15 anos. Quando entrou na dança de salão aos 14 anos ele ainda conseguia conciliar as duas atividades. Neste período Paulo passou em peneiras para grandes times, mas acabou não sendo selecionado. Desanimado, decidiu que ficaria e dedicaria somente na dança. Participou de vários concursos. Ganhou e perdeu alguns deles, mas a experiência que obteve de tudo foi única. Dançou à bordo de cruzeiros 3 vezes, viajou para o exterior, fez grandes passeios e amizades graças à dança, e aprendeu a dar valor às mudanças que a vida lhe proporcionou.

Ao longo da trajetória participou de vários concursos e trabalhou em duas companhias de danças. Com isso uma consequência, as contusões que quase impediam Paulo Victor de dançar. Mas ele não desanimou. Aos 18 anos entrou no balé com a intenção de ganhar uma bolsa de estudos e estava disposto, “Tinha ido levar minha avó ao médico, enquanto aguardava ela terminar a consulta, entrei na escola (era do lado do hospital) e me informei sobre as aulas”. Ingressou nas danças clássicas, contemporâneas etc. A escola a acolheu. Participou de alguns festivais fora do Espirito Santo. No Festival Passo de Arte em Vitória (ES), Paulo ganhou como melhor bailarino de 2013, além do prêmio em dinheiro.




Neste festival, recebeu um convite para fazer parte de uma companhia de jazz contemporâneo em São Paulo. Entrou como bailarino estagiário e em seguida tornou efetivo. Ficou por 4 anos e meio. Foi trabalhar durante 6 meses numa companhia de danças brasileiras na Bahia, onde foi professor, ensaiador, coreógrafo e bailarino. Voltando para Vitória machucado e prestes a fazer um tratamento para melhorá-los. Ficou em recuperação dois meses.

Voltou para São Paulo recomeçando do zero. Muitas dificuldades, mas com muito amor à arte. Deu aulas de jazz e fazia vários trabalhos de freelancer que aparecia, até mesmo animava festas infantis fazendo vários personagens. Machucou o tornozelo, e ficou bem inchado por 4 meses. Foi o processo mais delicado do Paulo em São Paulo, já que ficou sem "trabalho" (não conseguia dançar), sem dinheiro e machucado. Foram meses bem turbulentos em sua vida.

Ficou sabendo por um acaso uma audição para o DANCING BRASIL. Ele não tinha material, só selfies e vídeos de dança. Passou para a audição. Dois dias antes do teste final, o tornozelo melhorou. Paulo fez o teste com a convicção de que ia passar e passou! O DANCING BRASIL foi um divisor de águas em vida deste quase jogador, “Entrei uma criança e hoje me tornei um homem. Essa experiência foi única. Fiz várias amizades, conheci pessoas e profissionais incríveis. Sou grato eternamente por tudo”.


Fotos Janderson Pires (Leandro Souza)
Foto Carolina Ayrão (Plínio Marcos)
Foto Mi Garcia (Paulo Victor)
Agradecimento Welberson Soares (colaboração)

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

PERFIL: Hugh Hefner - ícone do lifestyle masculino


Ele soube como ninguém viver a vida. Certamente viveu a vida de muitos homens e foi invejado por outros tantos ao redor do mundo. Hugh Hefner faleceu na madrugada do dia 28 de setembro deixando um legado marcante. Criador de uma das marcas mais conhecidas no mundo, Hefner criou Playboy numa época onde falar de sexo e política abertamente era algo proibido. Em 1953, recém demitido da revista “Esquire” após ter aumento negado Hefner pediu um empréstimo para abrir seu próprio negócio. Com mil dólares no bolso, a vontade de fazer algo, em agosto de 1953, aos 27 anos, ele lançou o primeiro número de Playboy, com a estrela Marilyn Monroe, ainda no início de carreira, com a icônica foto nua em uma cama com lençóis de veludo vermelho. Começava aí uma trajetória de sucesso de uma das marcas mais rentáveis no mundo e nascia o homem mais invejável do planeta.




A edição número 0 deu certo e em seguida vieram muitas outras. Contando com a colaboração de jovens escritores e fotógrafos que futuramente também virariam ícones, Hefner foi criando o seu conceito de viver bem, ultrapassando tabus, protestos de feministas e até a II Guerra Mundial (o avião da Playboy chegou a levar revistas e coelhinhas para alegrar os soldados em guerra). 

“Quando Hef (Hugh Hefner) criou a Playboy, ele fez isso para defender a liberdade pessoal e sexual em um momento que os Estados Unidos eram dolorosamente conservadores. A nudez desempenhou um papel no debate sobre nossas liberdades sexuais”, afirmou a equipe da Playboy. Nas primeiras décadas da publicação, os conservadores que se escandalizavam com a nudez nas bancas de revista eram uma dor de cabeça constante para o editor, mas as feministas também estavam entre as críticas do estilo vendido pela Playboy. 

O ícone, que antes seria um veado, virou um coelhinho e daí por diante uma marca fortalecida pela imagem das famosas coelhinhas. Que ao longo dos anos foi revelando mulheres que se tornaram símbolos sexuais tão famosas quanto as estrelas de Hollywood, como por exemplo Pamela Anderson, ícone e maior recordista de capas da Playboy (14 capas ao todo). Playboy também foi famosa pelas suas entrevistas com personalidades mundiais, tais como o líder cubano Fidel Castro, o presidente sandinista da Nicarágua, Daniel Ortega, durante seu confronto com Ronald Reagan em 1983; e Martin Luther King, depois de receber o Nobel da Paz.




Hefner também virou notícia por conta de seus vários relacionamentos e casamentos, ele se casou por primeira vez em 1949 com Mildred Williams, com a qual teve dois filhos, e se divorciou dez anos depois. Após três décadas com um estilo de vida desenfreado, em 1989 se voltou a casar, desta vez com a “coelhinha” da Playboy daquele ano, Kimberley Conrad, 36 anos mais jovem que ele, com a qual teve outros dois filhos e de quem se separou em 1998. Hefner também ficou conhecido por festas em sua Mansão Playboy e por ter várias namoradas ao mesmo tempo ao longo da vida. Seu estilo de vida foi retratado no reality show "Girls of Playboy mansion", cujas primeiras temporadas tinham as loiras Kendra Wilkinson, Holly Madison e Bridget Marquardt. Ninguém pode negar que o grande Hefner soube como ninguém curtir a vida. Sua última esposa foi Crystal Harris, “coelhinha” da Playboy em dezembro de 2009. Ela tinha 26 anos e ele 86 quando se casaram, em 2012.

"Meu pai viveu uma vida excepcional e impactante como pioneiro da mídia e da cultura e liderou movimentos sociais significantes em seu tempo", disse Cooper Hefner, filho de Hugh e atual chefe criativo da Playboy.






Fontes: O Globo, Exame, Veja, G1, Playboy