sexta-feira, 4 de novembro de 2016

CAPA: João Baldasserini encerra "Haja Coração" com o sucesso do seu Beto e a promessas de novos sucessos


Sabe aquela dúvida que algumas pessoas tem em decidir que carreira seguir? Com o ator João Baldasseneri não teve isso. Mesmo cursando direito quando pisou no teatro da escola ele já percebeu que aquele era seu caminho e de lá não saiu mais. Graças também a uma mães sensível que percebeu e apoiou o filho desde sempre. De lá para cá foram peças, filmes, seriados e novelas na vida de João até chegar no seu primeiro protagonista, o Beto de “Haja Coração”, que ele encerra essa semana com muitos elogios, sentimento de dever cumprido e novos projetos em vista. Enquanto o novo personagem não chega conversamos com João para entender melhor como tudo aconteceu e quem é esse cara talentoso e gente boa que o público adora.

Quer dizer que você largou Direito e foi estudar Artes Dramáticas? Como percebeu que direito não era sua praia e despertou para as artes? A primeira a perceber foi a minha mãe! (risos) Na época em que eu estava estudando para presta vestibular, também comecei a fazer teatro aos sábados, na escola. Direito nunca foi meu sonho de vida. Eu tinha que escolher um curso, achava que esse tinha mais a ver comigo, e estava estudando pra isso. Mas a minha mãe dizia que quando eu voltava do teatro ela via um brilho nos meus olhos, e me deu toda a força para seguir a carreira de ator. Hoje vejo que foi a escolha certa! Estou muito feliz nessa profissão.


É curioso ver atores falando desse despertar para as artes e largar tudo. Mas já se imaginou fazendo outra coisa? O que acha que faria tão bem quanto atuar? O teatro foi a primeira coisa que me despertou interesse em aprender algo. Quando eu comecei a estudar e a entender como funciona essa profissão, isso abriu minha cabeça. O teatro exige que você seja uma pessoa curiosa com o mundo, que você leia, se interesse pelas pessoas, pelas profissões, observe muito para poder interpretar. Hoje eu atuo fazendo vários tipos de profissão. O Beto Velasquez foi um publicitário. Eu já fui publicitário, lobista, entregador de pizza, motoboy, sendo ator. Mas eu, João, eu me vejo atuando mesmo. Faria uma faculdade, mas como complemento na minha profissão, não para seguir outra área.

O que te move nessa profissão de ator? E quais seus maiores temores e prazeres nela? O que me move é a paixão por atuar e o respeito que eu tenho por essa profissão, que só aumenta com o passar do tempo. Eu acho que a carreira do ator não se sustenta só com o glamour, mas com o prazer de fazer aquilo que amo, com bons personagens e bons trabalhos. Um temor talvez seja parar de atuar. Quero continuar contando boas histórias e atingindo as pessoas de alguma maneira com o meu trabalho.



Atualmente você é apontado como um dos atores mais promissores da Globo. Como vê isso? Eu fico muito feliz e muito grato a todos os trabalhos que eu tive e honra de fazer e me trouxeram até aqui. Desde o teatro empresarial, em eventos, passando pelo cinema com o Walter Salles que foi uma grande escola, as séries e novelas na TV Globo. Tudo valeu a pena e me incentivou a seguir me dedicando à atuação. 

Você está encerrando seu trabalho como o Beto em “Haja Coração”. Que avaliação faz do trabalho? Foi muita responsabilidade ser um dos protagonistas? Foi uma responsabilidade grande, o Beto foi o meu primeiro protagonista. Mas ao mesmo tempo foi delicioso! Estive ao lado de atores muito talentosos e muito parceiros que se tornaram grandes amigos fora de cena. E o Beto foi um personagem muito legal de fazer! Um cara galanteador, boa pinta, mas que precisou criar responsabilidade ao longo da sua trajetória para viver o amor pela Tancinha.

Mesmo com atitudes questionáveis muita gente torceu para Beto ficar com Tancinha. A que você atribui isso? Eu acho que o jeito torto dele de tentar consertar os próprios erros acabou cativando as pessoas. Pra viver esse amor pela Tancinha ele precisou amadurecer, se tornar uma pessoa melhor, e o público acompanhou esse processo.

Com a popularidade desse trabalho muita coisa mudou no seu dia a dia? Como lida com assédio e fama? Não mudou muito, mas com certeza trouxe ainda mais o carinho das pessoas nas ruas, nas redes sociais. É claro que elas se interessam pela minha vida pessoal, porque estou o tempo inteiro na casa delas como o Beto. Mas isso nunca foi realmente invasivo. Continuo com a minha rotina e cercado por pessoas que me acompanham, gostam do meu trabalho e me deixam super feliz na minha profissão.

E essa história que você procurava namorada, funcionou? É mais difícil se manter solteiro ou achar alguém legal quando se está em evidência por conta de um papel na TV? Essa história foi uma grande brincadeira que surgiu nos bastidores da novela, com a Mariana Ximenes. Contei que estava solteiro e ela fez uma “campanha” para eu arrumar uma namorada (risos). Acho que a diferença entre estar em evidência na TV ou não é que eu acabo conhecendo e tendo contato com mais pessoas. Mas, fora isso, não muda muito as coisas. 

O que admira nas mulheres e que qualidade dos homens elas deveriam ter? O que eu mais admiro nas mulheres é a mulher mesmo (risos). O feminino, o delicado, o sensível. A essência feminina como um todo. Eu gosto da beleza e da natureza feminina. E não vejo qualidade de homem ou de mulher, é ser humano. Se eu falasse em “qualidade de mulher” ou “qualidade de homem” eu acho que estaria sendo restritivo, e eu não vejo assim. Acho que a mulher tem que ter todas as suas qualidades, assim como os homens têm que ter as suas. Ser uma pessoa honesta, digna, que tenha caráter.


Você é um cara vaidoso? Como cuida do corpo e saúde? Eu vivo momentos com a vaidade, vamos dizer assim. Tem momentos que eu me dedico mais, me alimento melhor, entro na academia. Em outros eu me “cuido menos”, dou uma abandonadinha de leve (risos). Tenho a impressão de que a maioria das pessoas é assim, vive momentos. Acho que a vaidade é ligada à autoestima, então se a gente está feliz, satisfeito, naturalmente a gente se cuida melhor. Não é regra, mas para mim funciona assim. 

Agora com o fim da novela, o que vai fazer para relaxar? O que curte quando não está trabalhando? Eu vou resolver algumas coisas de mudança e visitar minha família no interior de São Paulo, já estou com saudades. Meu afilhado nasceu e eu ainda não consegui conhecê-lo! Essa já vai ser uma boa maneira de recarregar as baterias. Minha mãe mora num templo budista e eu vou passar uns dois dias lá, meditando, relaxando e acalmando as emoções que a novela e esse ano me geraram. Foi um ano intenso, muito bom, mas é importante dar uma acalmada para outras histórias acontecerem. Quando não estou trabalhando gosto de curtir os amigos, passear, ir ao teatro, tomar um café na Livraria Cultura. Mas eu gosto mesmo é de trabalhar! (risos) Quando eu estou trabalhando, eu estou curtindo também. É mais uma maneira de aproveitar.


Essa folga vai demorar ou em breve já vem um novo personagem? Quais os planos? Em breve vem um novo personagem, mas ainda não posso adiantar (risos). Meus planos sempre são continuar contando boas histórias, dando vida a personagens interessantes, que mecham como público. Tenho alguns projetos para teatro e cinema vindo por aí.

Você está com 32 anos hoje, como se vê daqui a 10 anos? Feliz, mais seguro profissionalmente e aprendendo muito com a vida também, com uma família, com mulher e filhos...
Foto Chico Cerchiaro
Produção executiva Márcia Dornelles 
Beleza Edilson Ferreira
Styling Alê Duprat
Produção de Moda Marcella Klimovicz
Assessoria de imprensa Mattoni Comunicação
Agradecimento locação Sheraton Grand Rio Hotel & Resort 

João veste
Look 1: terno total Hugo Boss, sapato Ricardo Almeida; Look 2: Terno azul: terno total VR, sapato Ricardo Almeida

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

ESTILO: Conforto e atitude com o modelo (ex-BBB) Diego Grossi

Conforto é a palavra-chave no armário do modelo (ex-BBB) Diego Grossi, que sempre opta por camisarias estampadas e bermudas de alfaiataria. Que sempre nos eventos e festas, ele aparece com estilo e roupas cheias de atitude. Tudo sob a batuta do stylist Ronaldo Robim. "O Diego, além de lindo, tem uma elegância natural. Isso ajuda muito na hora de compor os seus looks para diferentes ocasiões", diz Robim.






Foto Rodrigo Nunes
Edição de moda Ronaldo Robim
Agradecimento Arena Leme Hotel
Diego veste Armadillo, Ellus, 2nd floor, Osklen, La Mafia (para Body Station Rio), Blue Man e Toulon

terça-feira, 1 de novembro de 2016

DIÁRIO DE BORDO: Munique - Lazer e turismo típicos da bavária

Munique é conhecida mundialmente pela cerveja, mas foi a água o que mais nos impressionou. Como uma cidade de quase 6 milhões de habitantes tem um rio completamente limpo que atravessa o centro? Quem mora em Munique desfruta de um privilégio que há muito tempo perdemos nas cidades brasileiras: tomar um banho de rio no centro. O rio no verão, quase mais do que a cerveja, é um dos grandes atrativos da cidade. Suas margens viram praias e dar um mergulho após um dia quente de trabalho é costume local.


A cidade também tem vários parques e áreas verdes, entre eles, o maior e mais frequentado pelos locais é o Englischen Garten. Aqui, um dos esportes mais praticados é o surf de rio. A correnteza, formada no parque por canais artificiais, deu espaço à modalidade. Na principal onda, os mais experientes fazem todo o tipo de manobra para o delírio dos que assistem de cima da ponte. Quem não tem habilidade com a prancha, pode curtir outro esporte radical que é ser arrastado pela correnteza rio abaixo. Vimos várias pessoas curtindo a brincadeira e resolvemos testar. De fora tudo parecia fácil, mas logo vimos que a força do rio era maior do que esperávamos. Fomos arrastados por mais de 1 km e nos perdemos em meio a correnteza. Só consegui sair do rio me agarrando em galhos de uma árvore na beirada e me ralando inteiro nas pedras. Por sorte a esposa tinha conseguido sair com mais facilidade um pouco rio acima. Confesso que pensei que poderia ter ficado viúvo. Depois que sai do rio, reparei que as pessoas que se aventuravam pela correnteza tinham em média 16 anos.




Melhor que se afogar nas águas límpidas do Englischen Garten é curtir um de seus muitos Bier Gartens. Esses jardins da cerveja são grandes bares a céu aberto montados no verão e paradas obrigatórias para o happy hour. Todos servem boa comida típica da Bavária e os tradicionais canecos de cerveja de 1 litro. Depois da minha experiência de quase afogamento, nada como repor as energias com uma cerveja de trigo e um joelho de porco assado. Entre os mais bacanas que visitamos está o Chinesischer Turm, com uma estrutura enorme no meio do parque que parece um templo chinês cercado de mesas e barracas de cerveja e comida. Na cúpula desse templo cervejeiro, ao invés de monges, uma banda toca as músicas típicas da Bavária que aqui não são tocadas apenas em locais de turistas. 






Para conhecer melhor Munique vale a pena alugar uma bicicleta. A cidade é inteira cortada por ciclovias. Além dos belos parques, Munique tem um centro histórico bem preservado com cervejarias tradicionais e bons restaurantes para provar a deliciosa comida local.  

Para saber mais do "projeto 150 países" acesse o site oficial: www.projeto150paises.com

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

SAÚDE: 4 Dicas para perder peso com saúde e disposição

Emagrecer. Esta palavra tem se tornado cada vez mais frequente em nosso cotidiano. Tem sido a meta, o desejo e quase, porque não, a obsessão da vida de grande parte da população. Sejam por razões estéticas ou pela necessidade, devido as doenças que o elevado percentual de gordura traz, o emagrecimento, mais do que nunca, está na moda. Contudo, antes que adentremos no que seria, de fato, emagrecer, vamos explicar o que ele NÃO REPRESENTA. 

Uma confusão muito recorrente é feita entre PERDER PESO e EMAGRECER. Temos que te em mente que esta relação da mesma maneira que não é excludente, também não se inclui. Oi? Como assim?  Fácil. Você pode: Perder peso e emagrecer, manter o peso e emagrecer, aumentar de peso e emagrecer, e a pior de todas, perder peso e NÃO emagrecer. Para entender um pouco mais sobre este processo, é importante que estejamos prontos e com as mentes abertas para quebrarmos paradigmas, afinal de contas, eles só servem para isto, SEREM QUEBRADOS. Aqui vão os mais famosos, e logo em seguida daremos as devidas explicações:

Para emagrecer temos que:

1 – Realizar exercícios aeróbios de longa duração
2 – Ingerir menos calorias do que gastamos
3 – Manter o exercício dentro da zona de queima de gordura
4 – Suar 
Analisemos de maneira, levemente, mais aprofundada cada um dos mitos citados.

1 “PARA EMAGRECER PRECISAMOS REALIZAR EXERCÍCIOS AERÓBIOS DE LONGA DURAÇÃO.” 

Arrisco a dizer que todos que estão, neste momento, lendo esta matéria já ouviram essa frase... Pois vos digo, esta é uma das maiores mentiras já contadas. Apesar do que muita gente crê o fato de se ter um bom condicionamento aeróbio em nada ajuda o seu metabolismo, pois o condicionamento aeróbio em si nada tem a ver com o gasto de energia no metabolismo de repouso. Pode-se correr na esteira a vida inteira e até mesmo se tornar um maratonista que o metabolismo permanecerá igual, a menos que se ganhe massa muscular. Ressaltando, a maioria das evidências sugere que o metabolismo basal está relacionado à quantidade de massa magra. Aqui reside uma inigualável vantagem do treino com sobrecargas, a capacidade de reduzir a gordura corporal e simultaneamente manter ou até mesmo aumentar a massa muscular, o que evita ganhos futuros de peso, melhora a estética e parâmetros funcionais, principalmente na força, coisas que os exercícios aeróbios não fazem.

2  DIETAS: Qualidade X Qualidade

Segundo o nutricionista Cleydson Sobral; “Dietas hipocalóricas promovem uma desaceleração do seu metabolismo, propiciando um possível catabolismo proteico. Exercícios físicos geram desequilíbrios em seu organismo, quebrando a homeostase (equilíbrio), consequentemente gerando uma nova adaptação. Logo ambos devem estar em perfeita harmonia, para que possuam efeitos satisfatórios para seu objetivo. Estratégias de aumentar o volume de exercícios e reduzir a ingestão de calorias não são uma boa opção para o emagrecimento. Qualidade é diferente de quantidade.”

3  Antes de tudo, não existe zona alvo de frequência cardíaca para depleção da gordura corporal. 


O processo de emagrecimento é bem mais complexo e com muito mais variáveis do que apenas uma fórmula matemática, onde contamos quanto comemos, subtraímos do quanto gastamos e se der negativo, estamos emagrecendo. Isso de fato, auxilia no principio, mas é uma maneira muito limitada de se conseguir emagrecer. Os mecanismos fisiológicos do emagrecimento são muito mais complexos e não respondem de forma tão linear como propõe esta abordagem. Por exemplo, Schmidt et al. (2001) não encontraram diferenças significativas na perda de peso entre treinamentos aeróbicos de 30 minutos feitos de forma contínua ou divididos em três sessões de 10 minutos, pondo em questão a hipótese de que, para reduzir a gordura corporal, o exercício deva ser continuo e duradouro.

“O fato de pessoas que realizam atividades intensas apresentarem menor percentual de gordura, mesmo gastando menos energia e trabalhando em intensidade fora da zona de queima de gordura, demonstra que outros fatores, além do substrato utilizado e as calorias gastas, são determinantes para os resultados de um programa de emagrecimento, contrariando o modelo metabólico de emagrecimento.” (Paulo Gentil, 2000).

4  Suar nada mais é do que a tentativa do organismo de se resfriar, perdendo calor para o ambiente.  Aprendemos isso na oitava série, na aula de física.


De acordo com o princípio da Conservação da Energia, a energia não pode ser criada nem destruída, mas somente transformada de uma espécie em outra. O primeiro princípio da Termodinâmica estabelece uma equivalência entre o trabalho e o calor trocados entre um sistema e seu meio exterior. Consideremos um sistema recebendo certa quantidade de calor Q. Parte desse calor foi utilizado para realizar um trabalho W e o restante provocou um aumento na sua energia interna U. Representa analiticamente o primeiro princípio da termodinâmica cujo enunciado pode ser: “A variação da energia interna de um sistema é igual à diferença entre o calor e o trabalho trocados pelo sistema com o meio exterior.” Logo, você apenas está com excesso de calor, nada que um bom ventilador não resolva.

“O mais importante é que entendamos que o processo do tratamento da obesidade, bem como o processo de emagrecimento, dar-se-á na forma de uma pirâmide; onde na base encontram-se a somação de duas fases; Prática regular de atividades física + reeducação alimentar. Se nesta fase, o resultado esperado não for obtido, seguimos para segunda fase, o meio da pirâmide onde encontra-se; Intervenção medicamentosa.  Se ainda assim, os resultados não foram alcançados, entraremos no ápice da pirâmide, onde encontraremos a; Intervenção cirúrgica.” (Nutricionista Rafael Sá)

O problema é que as pessoas querem o ontem, para agora, e com o menor esforço possível. ISSO É UTOPIA. O processo de reeducação é árduo, lento e exige dedicação e abdicação. Não tem como mudar um corpo que é o resultado de anos de descuido, em dias. Seria como dizer, um profissional de educação física e nutrição dizer para os clientes, que o nome dele é Harry Potter. O profissional é mero facilitador. Onde a função é mostrar o caminho mais curto, mas quem determina a velocidade que o percurso será realizado, são os pacientes/alunos. Pense, reveja e MUDE seus conceitos... Até a próxima...


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sexta-feira, 28 de outubro de 2016

CAPA: Gabriel Godoy colhe os sucessos de seu "Leozinho" em "Haja Coração"

Mesmo tendo um vilão nas mãos o ator Gabriel Godoy tinha o desafio de conquistar o público com um vilão divertido e romântico. Esse era o desafio de Gabriel no início de “Haja Coração” e que soube fazer com maestria. A trajetória do seu Leozinho chega na reta final com a popularidade em alta e Gabriel com a sensação de missão cumprida. O grande público perdeu um jornalista esportivo mas ganhou um ator sensível, responsável com sua função de ator e muito talentoso. Das campanhas publicitárias para o teatro e depois a TV. Desafio após desafio, Gabriel segue trilhando um caminho de sucessos e que guarda ainda muitas surpresas. Como esse belo ensaio cheio de atitude e classe (e um pouco de romantismo).

Gabriel, encerrando mais um trabalho, e dessa vez com mais sucesso ainda. Que avaliação você faz? Leozinho vai deixar saudades? Fazer uma avaliação sobre um trabalho é algo muito difícil, então eu prefiro fazer uma reflexão sobre o que foi essa jornada com essa personagem. Saio me sentindo muito mais maduro – tanto como homem, tanto quanto artista – porque eu ainda estou aprendendo muito sobre como fazer TV. Eu tenho mais experiência no cinema, em séries e no teatro, que é muito diferente de fazer novela. Desde a velocidade do trabalho, passando pela popularidade que uma emissora desse porte traz e que mexe muito com o nosso interior. Então, posso dizer que saio muito feliz por ter feito essa personagem tão rica! Porque é muito difícil fazer comédia nesse lugar mais "over acting", mas me ajudou bastante estar cercado de grandes artistas. Tive momentos difíceis nessa adaptação, mas nunca desisti. Usei essa dor como combustível pra tentar melhorar. E isso é uma vantagem que a televisão tem, porque você pode no dia seguinte melhorar e ir nesse crescente... Então sempre busquei usar tudo que a TV podia me dar a favor para que eu pudesse crescer. 


Mesmo sendo um pouco vilão, digamos assim, não tinha como não gostar do Leozinho. A que você atribui isso? Aprendeu algo com ele? Tornar o Leozinho uma personagem querida pelo público foi um trabalho sutil, sempre bem amparado pela direção do Fred Mayrink e pelo texto do Daniel Ortiz. Porque é difícil fazer uma personagem com frases formadas por um vocabulário pesado, como "vou matar" e "vou derrubar aquela inútil", por exemplo. Como tornar isso leve e engraçado?! É bem complexo, né?! Foi um trabalho com o Fred trazer a sutileza pra personagem e deixar o carisma do Gabriel à frente, também. Então, sempre que podia, fiz algo um pouco "loser", a fim de trazer essa leveza, essa coisa meio atrapalhada. E quando havia alguma cena com mais romantismo ou drama, era a hora de conquistar o público, porque era a hora da verdade, né?! Sempre que se consegue humanizar, facilita o processo do público "comprar". Essa parceria que o Leozinho tinha com a Fedora era algo bem louco, né?! O cara queria aplicar um golpe, e até mesmo matar a vítima... Logo, como ele vai ser querido? Essa pergunta eu me fiz desde o começo. Às vezes eu percebia que ele era bem odiado, mas depois rolava uma dúvida tipo "Ah, mas ele gosta dela de verdade". Então eu tive várias nuances na personagem, e acredito que isso o deixou ainda mais rico. 

Você é um ator que se formou no teatro e essa é praticamente sua 2ª novela de destaque (antes veio Afeganistão em "Alto Astral"). E aí cada vez mais está envolvido com TV? Pra você é um desafio muito diferente de teatro? São áreas muito diferentes. Eu me considero um profissional que ainda está aprendendo muito com a televisão. Por muitos anos eu fiz publicidade pra TV e isso me ajudou a ter uma experiência com set de filmagem, onde existem muitas pessoas trabalhando. É muito diferente do ritual de concentração do teatro ou mesmo do cinema, onde o processo é mais artesanal. A adaptação a um novo território sempre requer um tempo, um estudo e atenção para ir aprendendo. Foi bom ter feito um personagem mais coadjuvante antes, como o Afeganistão em "Alto Astral", para que pudesse ir entendendo essa estrutura e, agora, poder pegar outro um pouco maior. Eu sou muito grato a essa trajetória um tanto inesperada que estou tendo, porque dá tempo de ir entendendo as coisas – tanto a parte técnica, quanto essa parte de ser uma pessoa pública. Esse, aliás, é um outro desafio que temos que equalizar internamente, psicologicamente, para sempre deixar os pés no chão e não se deslumbrar. Considero uma sorte entrar na TV após os 30 anos. Acho que isso ajuda bastante nesse processo de autoconhecimento.  


No início da sua trajetória você pensou em ser jornalista e terminou nos palcos. Como foi essa mudança? Quando despertou que queria ser ator? Como eu estudei na escola alemã Waldorf Rudolf Steinert eu tive contato com a arte desde pequeno. Lá tive aula de argila, crochê, desenho com carvão, aquarela, macramê, marcenaria, jardinagem, música, coral, teatro... Essa escola trabalhava muito com o lúdico. Quando fiz teatro na escola, me apaixonei. Só que eu mesmo tinha um receio com isso de "ser ator". Pensava "Ah, eu vou ser ator?! Imagina!". A única certeza é que eu gostava de me comunicar e queria fazer algo de comunicação. Então fui fazer Jornalismo, que é outra coisa da qual eu gosto bastante. Mas durante aquele um ano e meio de estudos eu percebi que não aguentava ficar parado numa sala de aula com tanta teoria. E, ao mesmo tempo, eu estava fazendo um curso de teatro amador na Oficina dos Menestréis, com o Deto Montenegro (irmão do Oswaldo Montenegro) e o Candé Brandão. E era um curso muito legal, ficávamos em cartaz, era uma moçada boa. E eu pensava "Como eu gosto de palco! Como eu gosto disso!". Nessa época ainda trabalhava num escritório de marketing, então fazia essas três coisas em paralelo. Pensei muito e resolvi, então, sair do Jornalismo e ir atrás do meu sonho. Fui para a Oficina de Atores Nilton Travesso e lá tive o privilégio (ou a sorte, não sei como definir isso) de já conseguir trabalho. Entrei no teatro infantil, as coisas foram acontecendo aos poucos e não parei mais. E também nunca fiquei parado porque nunca deixei de ir atrás, sempre insisti e persisti muito. 

E o que o jornalismo te despertou que te levaria a seguir a carreira? Como você vê o jornalismo hoje? O que me levou ao jornalismo foi a paixão que eu tenho por esportes e, sobretudo, pelo futebol. Naquele momento eu me via muito como jornalista esportivo, e ainda tenho essa vontade de fazer as duas coisas – de seguir como ator e ter um programa nesses moldes. Até pretendo seguir com o Canal dos Fominhas, um projeto sobre futebol, gastronomia e humor que criei com mais três amigos – Marcos Dadi, Fabiano Tatu e o Vinícius de Oliveira (o ator que protagonizou o filme "Central do Brasil"). Só ainda não sei em qual plataforma, se internet, TV ou rádio. Hoje, com as redes sociais, sinto que somos bombardeados por muita informação, e isso é muito delicado. O lado bom é que podemos entrar em debate e provocar reflexões de uma forma mais ampla. Ao mesmo tempo é difícil, porque as pessoas não te leem sempre da maneira como você escreveu. Existe também uma mídia muito sensacionalista que eu não considero bacana pra sociedade, com tanta notícia de violência. Precisamos mesclar a informação factual com mais cultura, música, viagens... Acredito que estejamos numa transição, onde temos que tomar muito cuidado com o que falamos e com o que escrevemos. O que é uma pena, porque acabamos perdendo um pouco a espontaneidade. Existe quase uma censura, o que é um absurdo em 2016. 


Você acha que o poder da internet e redes sociais meio que banalizaram o jornalismo (de modo geral)? Como você vê essa revolução na comunicação de hoje? A chegada das redes sociais fez com que as pessoas fizessem uma leitura mais rápida e já emitissem opinião, o que pode ser complicado quando não se aprofunda no tema. E isso acaba indo para a leitura de modo geral. Antes dessa tendência, eu mesmo lia quatro, cinco livros por ano. Agora tenho lido uns dois ao ano, o que considero uma média muito baixa. A gente se vicia no formato das mídias sociais e acaba se contentando com uma informação muito superficial. Acho muito delicado ver as pessoas preocupadas em mostrar um lado seu que não existe. Já ouvi de um amigo uma frase que resume bem isso: "Meu sonho é ser o que pareço ser no Instagram". Esse é o modo como as pessoas estão se colocando no mundo. Observando pelo viés das críticas da novela em espaços como o Twitter, existe uma legião de pessoas "corajosas", que falam tudo o que querem, porque estão protegidas dentro das suas casas, e às vezes pelo anonimato, também. Isso é diferente de uma crítica autoral, assumida, mais embasada e menos pessoal. Então acho esse movimento bem delicado...

Você acha que sua função como ator é só entreter ou vai além disso? Jamais pensei que a minha função fosse só entreter. A partir do momento em que me torno uma pessoa pública, acredito que eu tenho uma responsabilidade social, também. Esses dias, inclusive, eu pensava sobre qual causa eu quero abraçar, com qual tema quero me aprofundar. Hoje vemos muitos artistas se envolvendo com a defesa do meio ambiente. Vi um documentário super forte do Leonardo di Caprio falando sobre o efeito estufa. Então já que estamos vivendo essa coisa de ter seguidores virtuais, sempre que faço uma postagem busco provocar alguma coisa e ir além do "estou feliz, sou alegre, etc". Tento propor uma reflexão, seja lá qual for, porque acredito que temos uma responsabilidade, sim, e devemos estar atentos a isso. Ser artista vai muito além de entreter. 



O humor faz parte do seu jeito? A comédia tem um espaço grande no seu DNA como ator? O humor faz parte de gerações da minha família! Meu pai e meu avô paternos são muito engraçados, assim como alguns tios nos dois lados da família. Então acho que isso fez parte da minha criação e eu sempre gostei, sempre levei a vida muito leve. Acho que com humor você consegue fazer uma crítica bem interessante. Essa capacidade dos comediantes de provocar é muito boa. E é muito difícil fazer humor, é preciso sempre trabalhar para não perder isso. É sempre um jogo entre texto e direção para que o ator não fique cristalizado, duro. Eu sou um apaixonado por comédia, levo minha vida com muita alegria e leveza. Acho que a comédia pode transformar positivamente as coisas, além de provocar e alegrar as pessoas. 

Voltando ao Leozinho... Ele terminou virando um "galã" e toda mulher agora quer ser sua "Fedora". O assédio aumentou? Como tem lidado com isso? Eu estou sabendo agora que o Leozinho terminou como galã (risos)! Estou me divertindo muito com esse momento. Por estar fazendo comédia, o assédio é mais divertido, alegre. Agora quando estou no ar com "O Negócio", a série que faço na HBO, o assédio é mais sexual. Então percebo que o assédio vem de acordo com o personagem que faço no momento. Mas tudo bem, eu acho isso engraçado e bem gostoso. 

O que uma mulher precisa ter e ser para chamar sua atenção? Não existe uma regra, mas um dia quero encontrar alguém que me faça bem e me traga tranquilidade e paz, além de alegrias e boas risadas. Mas tem que ter assunto, porque isso é importante! Li um texto do Rubem Alves que falava sobre isso, que quando você se interessar afetivamente por alguém, deve se perguntar "Eu terei assunto com essa pessoa?". Porque a atração pelo físico é algo passageiro, e na velhice o que fica é o seu parceiro. Esse costuma ser um bom parâmetro quando conheço alguém. Porque é muito comum a gente buscar sempre o par ideal, mas é preciso aprender a trabalhar com o real. Ouvi isso na terapia, e entendi que temos que lidar com o concreto, com quem está na nossa frente. Isso, por si só, já é um grande desafio.


Aliás a química entre você e Tatá Werneck foi explosiva não é? Dá pra explicar isso? Química não se explica, ela acontece. Eu e a Tatá conseguimos nos entender muito bem porque desde a preparação tivemos muito respeito e cuidado um com o outro, algo como "Com licença, posso entrar na sua vida?!". Isso foi fundamental. Depois foi rolando a afinidade, como temos com amigos e pessoas do dia a dia com as quais nos identificamos. Tivemos o humor, que divertia a ambos, assim como a admiração, que é algo que sempre ajuda muito. Então, mesmo quando a gente brigava, a química aparecia. Acho isso muito bom, né?!

Seu personagem vivia todo alinhado e era bem vaidoso. Você também é? Como lida com vaidade e espelho? Eu me considero um "falso vaidoso". Eu tenho alguma vaidade, mas não a exponho muito. Não sou um cara que anda super arrumado, com o cabelo sempre ajeitado... Mas sou atento, gosto de um bom perfume, reparo se meu cabelo está bom, me preocupo com a boa e velha barriguinha da cerveja, observo se ela está aparecendo... Acho que possuo uma vaidade normal, gosto de me sentir bem e estar bem. 
  
Qual sua maior vaidade como ator e sua maior vaidade como homem? Minha vaidade como ator é que eu gosto de me assistir, seja na novela, no comercial, na série, no filme, enfim, no que eu estiver fazendo. E quando eu vejo uma cena que eu não gosto, eu sofro! Mas não sofro para ver, como alguns artistas que nunca se assistem. Eu gosto de ver minhas cenas! Acho que tenho essa vaidade. E como homem eu gosto de estar perfumado, gosto dessa vaidade com o cheiro. 

Com o fim desse trabalho pretende relaxar como? Eu preciso muito ficar em silêncio, porque novela gera muita informação. Vou voltar pra minha casa, em SP, e me recolher um pouco, estar com a família e meus amigos mais próximos. Depois vou viajar pra Disney, que eu ainda não conheço, e volto a Nova Iorque com amigos. E como o ano já está terminando, vou começar a preparar meu ano de 2017, que espero que seja um ano muito bom pra mim.  

Depois do furacão Leozinho quais os próximos passos? O que vem por aí? Agora que eu me despeço do Leozinho e volto a gravar "O Negócio", da HBO, onde faremos a quarta temporada dessa série pela qual eu tenho um carinho imenso. Em se tratando de séries do Brasil, considero isso um privilégio... É algo muito rico pro audiovisual esse crescimento das séries no mercado. Além de ser um ambiente onde me sinto muito em casa. Devo gravar essa temporada até Abril, aproximadamente, e pretendo estar bem focado nisso até lá. 



Fotografo Thiago Dias
Styling/ Produção de Moda Wesley Madson
Make-up/ Hair Vivian Genari
Assistente produção Sil Alves
Modelo Iannelly Machado
Motorista Sérgio (JC Leal transportes)

Agradecimentos: Daniel Diones (garçom), Madrepérola Restaurante (Douglas), Marques e Souza (gerente)

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

BALADA: Deserto em chamas - Burning Man reúne arte, tecno e gente em busca de liberdade

O que leva mais de 70 mil pessoas a passar quase dez dias no meio do deserto em um grande festival que vai muito além da música? Construída em pleno deserto de Nevada (EUA), a cidade batizada de Black Rock City é o local onde tudo acontece. Visualmente, o lugar é incrível! Pessoas nuas com os corpos pintados, carros decorados, barracas enfeitadas, instalações gigantescas, sol forte, isto é o Burning Man, um festival anual que acontece no deserto de Nevada todos os anos. Esse ano a abertura foi dia 27 de agosto e durou até o dia 4 de setembro. E, assim como acontece todos os anos desde os anos 80, arte, música, tecnologia, sustentabilidade, espiritualidade e muita liberdade se misturam em meio às tempestades de areia no deserto e atraindo cada vez mais gente de toda a parte do mundo.

INÍCIO DE TUDO

O primeiro Burning Man aconteceu em 1986 em Baker’s Beach, em plena cidade de São Francisco, onde os amigos Larry Harvey e Jerry James construíram um homem de madeira para queimá-lo em um evento que reuniu cerda de 20 pessoas. Após esse start, ano após ano cada vez aumentava mais o número de participantes até que, em 1990, a polícia local proibiu a queima da estátua e o grupo teve que procurar outro local. Então, em 1991 chegaram ao Black Rock Desert, 120 milhas ao norte de Reno, no estado de Nevada, EUA, perto das cidades Empire e Gerlach, onde estão até hoje. Atualmente, uma das grandes diferenças é que o boneco também cresceu, assim como o evento, hoje ele tem mais de 15 metros e reúne 70 mil pessoas.

Ao longo dos anos, o Burning Man se tornou em um fenômeno populista propagado pela Internet. Considerado por muitos como um experimento social, o Burning Man quer ser uma alternativa para a cultura de massa e a sociedade consumista em busca de algo mais libertador em todos os sentidos. Lá nada é comercializado, com exceção de gelo e café, não se pode comprar nada no festival. Vender qualquer coisa para as pessoas é rigorosamente proibido. Tudo é na base da troca. Assim como também nenhuma marca ou patrocinador pode entrar no festival. Os Burners (como são chamados os participantes) são generosos com todos os participantes. A ideia é: o que é seu é meu. De comida ao banho, de bebida à beijos. 

INFRA-ESTRUTURA

A Playa, local onde ocorre o evento, é uma grande planície no deserto, uma enorme área vazia sem árvores, grama, colinas, nada. Apenas areia. É desenhada em um formato de nove semicírculos que representam os planetas do sistema solar. Bem organizado, o evento possui áreas separadas para os acampamentos e para as atividades, performances e work shops que rolam durante o festival. Até mesmo um aeroporto é montado na planície deserta com controle de tráfego aéreo e tudo. Porém, é estritamente proibido carros na área do festival. Toda a locomoção é feita à pé ou de bicicleta. O evento possui um pronto socorro médico para pequenos problemas, que funciona 24 horas por dia. Para Steven, um californiano de São Francisco, andar de bicicleta pelado pelo acampamento é uma das coisas mais interessantes do evento. "É uma sensação de liberdade que só existe lá", diz ele. 





LIBERDADE, LIBERDADE

Esse é um dos lemas propostos no Burning Man e levado à risca por todos os participantes. Ninguém vai ao festival para julgar ou parecer melhor que os outros. Sejam milionários excêntricos, gente famosa, ou simplesmente alguém em busca de uma experiência espiritual. Se você usa fantasia ou roupa alguma ninguém está ali para julgar, e sim sentir o prazer de passar dias no deserto curtindo a vida e os prazeres de ser livre.

Um grande templo acolhe mensagens e orações dos frequentadores, enquanto uma “Igreja” construída serve de muro das lamentações. Por outro lado, assim como essas instalações, muitas outras obras de arte servem para expor a criatividade de artistas de todas as partes do mundo. Quando a noite chega, essas instalações se transformam em grandes espaços para dançar e confraternizar entre as pessoas. O fogo sempre presente, assim como luzes e o som alto, dão o tom meio “Mad Max” do local. Algo meio futurista com clima apocalíptico.


No centro de tudo está o grande homem de madeira (que fica no Center Camp) com 50 pés de altura, que será queimado na última noite do evento. Detalhe importante, no dia seguinte à queima das instalações, todas as cinzas e lixo produzido devem ser recolhidos e levado embora, deixando o deserto da mesma forma que foi encontrado pelos participantes do evento. Segue assim para mais um ano de muita música, liberdade e diversão, levando seus participantes a pensar sobre as responsabilidades de cada um com o planeta e as pessoas.

QUANTO CUSTA

O ingresso sai, em média, por 200 dólares. Via Internet no site oficial do evento (www.burningman.com), por telefone (+1 415 8655263) ou através do correio (Burning Man, P.O. Box 884688, San Francisco, CA 94188-4688).

O QUE LEVAR

Como não se tem infraestrutura local, é importante levar tudo que for necessário para sobreviver no deserto por alguns dias. Itens básicos como água (é aconselhado beber quatro litros de água por dia no deserto), comida, filtro solar, óculos e lenços ou máscaras para proteger o rosto das tempestades de areia.

Ficou curioso? Veja esse vídeo e tenha noção do que é isso tudo:

terça-feira, 25 de outubro de 2016

CARRO: X-Class Concept- a primeira pick-up da Mercedes-Benz


A Mercedes-Benz apresentou nesta terça-feira (25) o seu conceito da picape média que será produzida na Argentina e vendida no Brasil até 2020. Chamada de Classe X, a novidade tornará a marca alemã a primeira entre as consideradas "premium" a entrar no segmento. Uma parceria com a Renault-Nissan que tem como base a plataforma da nova geração da Nissan Frontier (NP300).

A picape da Mercedes-Benz recebeu engenharia e desenho alemães, segundo a fabricante. A produção, em parceria com a Renault-Nissan, começa no final de 2017 na Espanha, para abastecer o mercado europeu, australiano e sul-africano. O modelo para o Brasil será feito na fábrica da Renault em Córdoba, na Argentina, com previsão de chegada ao mercado só em 2018.








A apresentação mundial ocorreu na Suécia, com a presença do presidente da Daimler, Dieter Zetsche, que lembrou a curiosa história de uma picape da Mercedes, a 220 D, fabricada na Argentina em um curto período nos anos 1970.
Foram apresentadas duas versões da X-Class. A "stylish performer" na cor branca tem o visual mais requintado e clássico, com rodas de 22 polegadas e toques de madeira no interior. E o modelo "powerful adventurer", em amarelo, vem com 1,90 metro de altura, grande distância do solo e pneus para todos os terrenos. Ideal para quem quer abusar da capacidade fora de estrada. 








Segundo a Mercedes-Benz, a versão top de linha da futura picape terá motor V6 a diesel com tração permanente nas 4 rodas. Essa combinação terá capacidade de carregar 1,1 tonelada na caçamba ou de puxar até 3,5 toneladas.

Veja vídeo:

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

ESTRELA: Sabrina Petraglia, que sorriso... Haja coração!!


Não tem como negar que parte do sucesso da personagem Shirlei, na novela “Haja Coração”, é por conta do carisma e da verdade transmitida por sua intérprete Sabrina Petraglia. Muito pé no chão, ciente do seu papel como atriz na sociedade (não só para o entretenimento), Sabrina segue sua trajetória conquistando e emocionando cada vez mais o público. Diante disso fomos atrás de conhecer o que essa garota tem de tão especial e o resultado está aqui nessa entrevista. De quebra um belo ensaio que conquista de cara com esse sorriso largo de Sabrina.

Depois de alguns trabalhos na TV parece que a Shirlei será seu grande destaque na carreira (até agora). Como tem sido para você encarar esse personagem? Algo de Sabrina em Shirlei? Todo trabalho é especial, toda personagem tem o seu destaque. Mas não dá pra negar que a Shirlei é quem está projetando meu trabalho para o grande público. Na TV, com certeza é a minha primeira personagem marcante, um dos papéis da vida, algo que marcará a minha carreira pra sempre. Devo isso ao Daniel Ortiz que acreditou em mim e me deu esse presente depois de muito me assistir nos palcos da Escola de Arte Dramática da USP. Sou muito grata por essa oportunidade. Toda essa preparação que fiz me colocou diante da realidade de tantas meninas que convivem com problemas semelhantes ao da Shirlei, e essa troca me beneficiou demais, como profissional e como ser humano. Além da composição, é uma personagem que tem me ensinado muito. Recebo muitas mensagens e me emociono demais, sinto uma responsabilidade enorme ser porta voz de tantas "Shirleis" da vida real. A Sabrina é tão batalhadora como a Shirlei. Isso posso te garantir!  

A personagem levanta a questão sobre preconceito contra quem tem algum tipo de deficiência física. Como foi sua preparação e como está sendo a repercussão disso? Foi muito intensa. Posso dizer que um longo e dedicado processo de preparação. Observei muito as pessoas com esse tipo de deficiência, sempre buscando um olhar delicado e atento. Conversei com pelos menos quatro meninas que estão na mesma situação física – e também emocional – da Shirlei. Mas o mancar da personagem começou quando realizei por quase dois meses um trabalho de improviso, movimento e consciência corporal com a Tica Lemos. Eu já havia feito aula com ela antes na EAD (Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo). Além disso, pesquisei e tive acesso a algumas cenas da Aracy Balabanian na novela "Nino, o italianinho", onde sua personagem também mancava, e assisti alguns filmes onde os atores também tiveram que desenvolver esse trabalho corporal – como a Audrey Tautou em "Eterno Amor" e o Dustin Hoffman no clássico "Perdidos na Noite". Cheguei a encontrar com o Ari Barroso num restaurante em São Paulo para mostrar meu movimento pra ele e observar o que ele tinha criado para o coxo que havia feito no longa "Se Deus Vier Que Venha Armado". Fazer um personagem com uma deficiência física é árduo, exige muita consciência corporal para o intérprete não se machucar. 

O movimento, por menor que seja, desalinha todo o meu corpo. Não sinto cansaço no final do dia, mas me cuido alongando sempre, fazendo fisioterapia e massagens. Na parte técnica, estudei sobre o que seria essa má formação do osso do quadril, que do lado displásico não consegue segurar a cabeça do fêmur, causando esse movimento diferenciado que a personagem tem. Optei em fazer a perna da Shirlei um pouco torta pra dentro, por exemplo, porque isso pode ser uma das consequências dessa má formação – além de signo de uma certa introspecção. Então consegui definir o movimento, fiz uma bota ortopédica e treinei andando pelas ruas de São Paulo pra sentir na pele o que essas meninas passam. Através dos olhares e comentários que ouvia fui percebendo o que isso me causava por dentro, transitando por diferentes impulsos e sentimentos por ser "diferente". Nascia, assim, o coração da minha Shirlei.


Como despertou para ser atriz? Como foi no início? Aos sete anos subi pela primeira vez num palco. Isso aconteceu no Colégio Santa Marcelina, em São Paulo, onde estudei. Era uma grande brincadeira, um passatempo muito gostoso que me fazia feliz. Por ser uma carreira muito difícil, sobretudo no Brasil, passei muito tempo tentando fugir, tentando não ser atriz. Tive medo de assumir pra mim mesma que era isso que eu queria dá vida aos 17 anos, quando estava pra prestar vestibular. Me formei em Comunicação em Multimeios, depois fiz mais três anos e me formei jornalista pela PUC-SP. Então tentei ser jornalista e trabalhei na redação de três emissoras de rádio em SP. Mas quando me vi falando sobre cultura, mas sem subir no palco, me bateu um vazio muito grande. Ao perceber que poderia virar uma crítica frustrada, pedi o apoio dos meus pais, joguei tudo para o alto e resolvi arriscar. Foi mais forte do que eu. Aos 24 anos entrei pra Escola de Arte Dramática da USP. Mesmo sendo muito difícil no começo, sinto que foi a melhor coisa que fiz. Lá encontrei minha turma, minha casa... me curei! Não demorou muito e comecei a trabalhar no Teatro Popular do SESI Paulista, a participar no grupo de estudos do Tapa e, graças a Deus, não parei mais.

Quem conhece você mais de perto sempre elogia sua simpatia e sorriso fácil. Esse é seu “segredo” que tanto conquista as pessoas? Eu sou muito intensa, gosto de sentir, de me deixar atravessar pelas emoções. Isso me faz viva. Me emociono quase todos os dias quando chego das gravações e tento responder os recados que me mandam nas redes sociais. Recebo histórias lindíssimas de superação, outras tristes de preconceito... E fico extremamente tocada quando sinto nessas mensagens que, de alguma forma, a Shirlei representa e “grita” a voz de muitas pessoas. Mas não sei dizer qual é o meu segredo pra conquistar as pessoas, não. Nunca pensei nisso. Tento ser sempre gentil, valorizar as pessoas ao meu redor, ouvir de verdade o outro, olhar nos olhos... E não economizo mesmo no sorriso, porque acho que contamina. Sorrir deixa tudo mais leve, né?!  

Acha que esse carisma tem atraído bons personagens e com isso a simpatia do público? Sorriso atrai sorriso. Gentileza atrai gentileza, e assim vai... É só isso que eu sei. Não consigo me autojulgar carismática. A personagem, que foi criada por Silvio de Abreu em "Torre de Babel", por si só já é dona de um carisma particular. Naquela época já foi sucesso! Acho que o meu sorriso e o brilho nos olhos pela alegria e gratidão em conceber essa linda princesa de conto de fadas contribuem e abrem caminhos dentro e fora de cena. É isso.  

Qual a maior função do ator? Ser um porta voz crítico visando denunciar, mostrar, prospectar, melhorar as relações sociais e humanas de seu tempo. 

O que te desafia mais nessa profissão? Existem barreiras ou tabus para você? Ser ator é se expor, é se despir, escancarar a alma, se doar para o outro, ser canal para ser outro e representar muita gente. E para que isso aconteça de maneira profunda e tocante passamos por um processo dolorido e às vezes confuso de se autoconhecer. É um ofício de doação e entrega infinita.

O que mais admira em você e o que você gostaria de mudar? Difícil falar de si mesma. Admiro a minha vontade e disposição pra fazer os outros felizes, de arrancar um sorriso de alguém, de valorizar, dar importância ao que o outro tem de bom. Gostaria de ser menos exigente comigo mesma, porque me cobro demais e me perdoo de menos. Sofro com isso. 



A vaidade pode ser uma “armadilha” para o ator em sua trajetória. Já pensou nisso? Como driblar? Pode, sim. Já pensei muito sobre isso. O equilíbrio e a consciência são as saídas pra essa questão. Cuidar da saúde, da alimentação, fazer exercícios físicos, cuidar da beleza... tudo isso vale. Nosso corpo é o nosso templo, nosso instrumento precioso de trabalho. Mas é preciso ter limite para não perder a humanidade. A vaidade não pode ser mais importante, estar à frente do nosso ofício.

Sabemos que você é noiva. Mas o que um cara precisa ser ou ter para atrair sua atenção? Sim, sou noiva do Ramón, um homem que é cheio de qualidades – e uma das coisas que mais admiro nele é a segurança que ele tem e me transmite. Acredito em encontros de pessoas imperfeitas que se aceitam e se respeitam numa linda parceria plena de carinho, respeito, admiração e amizade. Já estamos juntos há cinco anos. Homem tem que ser autêntico, gentil, bem educado e humorado. Ramon é tudo isso! 

Quando quer ser sexy e sedutora que “armas” usa? A sinceridade dos meus sentimentos, dos meus desejos e vontades espontâneas, escancaradas com relação ao outro, são as minhas principais armas.

Na hora de relaxar qual seu programa preferido? Eu tenho gravado muito, uma média de seis dias por semana! Então o tempo que fico livre preciso ainda me dividir em muitas funções, como estudar os textos das próximas cenas, estar com a minha família e meu noivo, responder entrevistas (risos)... Mas, de modo geral, gosto muito de ler, assistir filmes e peças, ir a uma boa exposição, cantar, estudar, receber amigos em casa, andar de bicicleta, cuidar das minhas plantas, da minha casa... Também amo conhecer restaurantes. Sou caseira e diurna. 

O que os homens precisam saber sobre as mulheres urgente? E o que as mulheres precisam aprender com os homens? Acho que homens e mulheres devem se escutar, se observar, se colocar no lugar do outro. Nós, mulheres, somos muito diferente dos homens – e vice e versa. Os hormônios são diferentes, as forças são diferentes, e tudo só se torna complementar e potente quando existe escuta e respeito pela particularidade do outro, sem julgamento.

Para conquistar Sabrina basta... A pessoa se aceitar e se amar como se é. Ser autêntico, verdadeiro, com todas as diferenças sem tentar se esconder em padrões.


Fotos Rodrigo Lopes
Styling Camila Amadei
Make up Vivi Gonzo
Tratamento de imagem Isabela Lira