terça-feira, 19 de julho de 2016

CRÔNICAS & INDAGAÇÕES - Malévola

Naquele dia ela estava especialmente linda, não sei se era a maneira como tinha prendido o cabelo, a roupa ou simplesmente aquele sorriso. Eu via, ali na minha frente, aquela menina da época da faculdade, com carinha marota, transformada em algo que não sei com certeza explicar. Talvez uma bela mulher, cheia de classe, personalidade e encanto contrastando com uma loba que espreita, a todo momento, sua presa para dar o bote. Malena era um paradoxo. 

Fomos jantar com nossas esposas para comemorar uma meta alcançada, eu e meu sócio Fernando, marido de Malena. Sim, a minha Malena. O jantar corria sem grandes atropelos, afinal, éramos todos colegas da faculdade. Nice, minha mulher, também tinha sido nossa contemporânea, logo, assunto nunca iria faltar em tantos anos de amizade, sociedade e, quem dera, cumplicidade. 
Eu não conseguia desviar o olhar de Malena, assim como notava que ela, ao perceber, também se fazia mais presente e delicadamente se insinuava, seja passando a língua nos lábios para tirar uma pequenina gota de vinho ou para se servir de algo na mesa em uma posição que eu via, nitidamente, o contorno dos seus seios através do decote.   

Ela não valia nada..., valia sim, e muito.

Em 20 anos de convivência como casais isso nunca havia acontecido e eu, para camuflar uma ereção que teimava em não ceder, puxava assuntos desinteressantes e principalmente trágicos para disfarçar meu nervosismo naquele momento. Ela sem dúvida percebia e, com uma cara de cínica, dizia que eu estava muito negativo, pra baixo, que a humanidade podia ter jeito e que para TUDO existia uma solução. Safada. Eu precisava resolver aquela situação que ultrapassava a pressão psicológica e já estava, fisicamente, incomodando. Observei onde era o banheiro. Precisava rapidamente sair de cena e assim o fiz. 

O banheiro possuía duas cabines e logo me tranquei em uma. Tremia tanto e mal conseguia abrir o cinto, quando ouvi o bater da porta principal. Alguém balbuciava meu nome. Reconheci aquela voz. Ela foi até onde eu estava e pediu que eu saísse, que estávamos a sós e trancados. Eu não acreditava. Ela insistia. Eu sofria.

Cedi. No mesmo golpe que abri a porta, já a puxei contra o meu corpo. Sentia cheiro de jasmim e tesão, aquela boca doce de fel e a maciez daquela pele que começava a esquentar e me enlouquecer.  Ela abria minha calça, e me beijava. Parecia que estávamos no WC da faculdade onde ela me empurrava para aqueles buracos e ali fazíamos tudo, engolindo os gemidos roucos e loucos da época. 

Arranquei sua calcinha e a sentei no balcão da pia. Transamos ali mesmo como dois animais sedentos, o que de fato éramos. Gozei como um menino na sua primeira noite com uma mulher da vida. 

Malena pegou sua bolsa, calçou seus sapatos altíssimos, retocou a maquiagem e, olhando nos meus olhos, disse que queria muito mais, e que eu não precisava responder nada naquele momento, bastava acreditar que não estávamos errados, colocou aquela minúscula calcinha no meu bolso. 

Ao retornar à mesa ela estava só e me disse que Fernando e Nice tinham ido à adega, escolher a próxima garrafa. Malena já era a esposa de Fernando. Quando os dois voltaram, notei o batom de Nice borrado e Fernando sujo. Malena fez a cara da minha Malena, e passou seu pé, por baixo da mesa, na minha perna. Olhei nos seus olhos e disse: Malévola

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