sexta-feira, 17 de junho de 2016

CAPA: Beto Gatti, um top fotógrafo cheio de estilo e talento


Com pinta de galã e jeito despachado do típico carioca, o fotógrafo Beto Gatti foi criando oportunidade e conquistando espaço com sua arte. Morou um tempo fora, fez trabalhos incríveis para revistas de moda como Elle e Vogue, já teve sua própria grife e hoje em dia coleciona elogios por conta de suas fotos criativas e “desconstruída”, como ele próprio define seu estilo. Quem vê Beto à primeira vista pode confundi-lo com algum de seus amigos famosos e um de seus modelos de editoriais de moda. Com um estilo muito próprio que vai do despojado ao mais clássico, mas nunca sem perder a pose. Jeans, acessórios e um bom blazer não faltam em seu guarda-roupa. Das redes sociais às capas de revista, o trabalho de Beto não passa despercebido. Assim como sua mais recente exposição “Cru”.

Como a fotografia entrou na sua vida? Quando você despertou para ela? Ela entrou por acaso. Caiu de paraquedas! Eu tive uma marca de roupas durante 7 anos. Antes de falirmos, já estando mal financeiramente, fui atrás de recursos próprios para salvar a marca. Como não tínhamos dinheiro para pagar fotógrafo de modas, fui estudar, comprei uma câmera usada e acabei me apaixonando, descobrindo minha verdadeira vocação. Sou criativo, inquieto e passei a ter uma nova maneira de perceber as coisas. Desde que a fotografia atravessou meu olhar encontrei uma nova forma de ver, sentir e perceber.

Quem foi sua inspiração e quem você admira até hoje? Por que? Foram várias. Uma delas foi observar como o fotógrafo da Treelip (antiga marca) levava a vida, um lifestyle culto e independente. Oliviero Toscani, Pedro Almodóvar, Edith Piaf, Frida Kahlo e o fotógrafo Jean Paul Goude. Pela autenticidade no trabalho; espírito revolucionário e extremamente criativos.

O que você curte fotografar mais? O que te faz sentir-se realizado na fotografia? A arte provocativa. O lifestyle. Atingir meu objetivo. E saber que as pessoas foram provocadas pelo meu trabalho.

Por falar em moda, você é um cara cheio de estilo e com pinta de modelo. Já esteve na frente das câmeras posando de modelo? Sim. Há muito tempo atrás.

Como manter a forma e a alimentação? Pratico esportes: skate, surf, basquete e frequento academia. Tento diminuir carboidratos.

Durante um bom tempo você viveu a ponte-aérea Rio-Los Angeles por conta de trabalho (e lazer também não é?)? Como é o trabalho por lá? Como os profissionais tratam a fotografia de moda? Alguma diferença daqui no Brasil? Sim. As marcas americanas e europeias entendem que o conceito vem antes da venda do produto. Em Los Angeles eu tinha total liberdade de criar as fotos que se transformavam em arte sem precisar me restringir ao produto. No Brasil as marcas ainda pensam que o produto vem na frente.


Com a popularidade das câmeras digitais e celulares com câmeras mais potentes todo mundo se sente um pouco fotógrafo. Isso atrapalhou ou atrapalha para fotógrafos profissionais? Sente alguma diferença? Acredito fielmente que todos nós somos fotógrafos. Não existe fotografia certa ou errada. No caso da fotografia de moda existe a construção de uma estória, conceito. Inúmeras coisas que uma câmera de última geração, por melhor que seja, não vai fazer sozinha. Mas fico contente que a fotografia, cada vez mais, está acessível. Por um lado, ela não fica tão valiosa, quanto era antes e quando era para poucos. E por outro lado, cada vez mais vemos fotos incríveis. É muito legal ver pessoas de profissões ditas tradicionais, como médicos, advogados, fazendo boas imagens.

Você convive muito com artistas e muitos dos seus amigos (e até namoradas) são gente que está na mídia. Isso já ajudou ou atrapalhou de alguma forma? Ajudou. As pessoas que se tornaram minhas amigas, tanto artistas, quando desconhecidas, tornaram-se amigas por afinidades, sintonias, gostos em comum. E como em todas as amizades, o auxílio é mútuo.

Viver nesse mundo badalado de moda, fotografia e festas cria uma facilidade na hora da paquera. O que uma mulher precisa ter para chamar sua atenção? E quando o assédio foi chato e atrapalhou? Uma sofisticada simplicidade instigante. Não passei por essa situação.

Sua mais recente exposição, “Cru”, traz fotos de mulheres nuas e o lançamento foi bem badalado. Ficou satisfeito com o resultado final? O que você queria trazer com essa ideia de “Cru”? Super satisfeito. Estamos analisando convites para expor em Portugal. ”Cru” é básico, é nu, é simples. A ideia era uma câmera, uma modelo e um cenário infinito. Através de luz e de contrastes, são reveladas as expressões da mulher se formando no fundo branco, provocando e convidando o expectador a se aproximar.

E como foi fotografar Cristiano Ronaldo? Como surgiu o convite e como foi na hora do click? Você era fã do craque? Foi um marco na minha carreira. Foi indicação de um amigo para quem eu já havia trabalhado antes. Confesso que me tornei fã uma noite antes de fotografá-lo. Como sempre estudo as pessoas antes de fotografá-las, assisti a um documentário da vida do Cristiano e descobri um ser humano incrível.

Até quando a manipulação fotográfica é saudável? A manipulação deve ser para corrigir imperfeições e não para mudar identidade do fotografado.


O que é essencial para um fotógrafo e o qual sua principal característica na fotografia? Estudar referências. A desconstrução.

Que lugar do mundo você sonha em fotografar? Na verdade não tenho um lugar de sonho. Mas gostaria de trabalhar mais as questões sociais, raciais. Cada cultura se considera justa, mas a realidade não é essa. Minha pretensão não é mostrar certo ou errado (quem sou eu?), mas levar o público a refletir, questionar, provocar!

Que dica daria para quem está iniciando na fotografia e para um leigo que fotografa com o celular?  Tenha como lema de vida: “você consegue!”


Foto Sofie Mentens
Make & Hair Rafael Nsar
Modelo Viviane Soares (40 Graus Models)
Produção Estudio Gatti
Retoucher Celso Fontinele e Ananda Radha (Estudio Insonia)

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