sexta-feira, 11 de março de 2016

CAPA: Allan Souza Lima se despe de seu "Nenenzinho" em "A Regra do Jogo" e já prepara novos vôos para sua carreira

Para quem via o ator Allan Souza Lima em “A Regrado Jogo” interpretando o MC Nem pode até achar que ele esteja chegando agora na TV. Mas Allan já tem uma longa trajetória, cheia de desafios, acertos e dificuldades, que moldaram o artista que ele é hoje. Ator, roteirista, diretor...e até corredor! Allan é multifunção e está sempre correndo atrás de novos desafios seja lá em que função for. Ao som do maracatu de Chico Science esse pernambucano da gema seguiu seu compasso e caiu no mundo deixando a arte fluir e se expressar das diferentes formas possíveis. O personagem na novela foi apenas mais um pouco na TV, para logo em seguida Allan alçar novos voos, dessa vez no cinema e em breve no teatro. Conheça um pouco desse cara cheio de talento que simplesmente adora contar histórias.

Allan, depois de algumas participações em novelas chegou um ótimo personagem de destaque numa novela das nove. Deu um friozinho na barriga dessa vez? Como você sentiu a repercussão desse novo trabalho? De imediato, respondo a primeira pergunta. Fiquei muito feliz com o Nenenzinho. Ao longo da novela, tive uma ótima repercussão com o personagem. Principalmente na transformação dele para MC. Acho que o MC Nem caiu na graça do povo. Deu pra perceber isso, acredito. Até mesmo porque o personagem trabalha com a música, e isso acaba aproximando ainda mais do público. Eu digo que o friozinho na barriga sempre vai existir em qualquer trabalho que exija um certo desafio. Mas acredito que já venho trabalhando, estudando e me preparando bastante para estar aqui hoje exercendo minha profissão com segurança. Além de ator tenho minha produtora, a Ikebana Filmes, onde desenvolvo meus projetos como diretor e roteirista. Isso, ao longo dos anos, veio me dando uma boa base para desenvolver ainda mais meu trabalho como ator. 

Agora com o fim de “A Regra do Jogo” que avaliação faz do seu trabalho com o “Nenenzinho”? Ficou como você esperava? O que posso dizer é que abracei esse personagem com unhas e dentes, tentei dar o melhor para ele. Acredito que consegui cumprir meu trabalho. A gente sempre espera o melhor do resultado de cada trabalho. E eu posso dizer que fiquei bem feliz com esse personagem e com o resultado dele. Sou grato pela oportunidade.


Para você que também trabalha como diretor, encontra mais desafios como ator e como diretor? São igualmente instigantes e prazerosos? Olha... Não sei se te responderia ao pé da letra essa pergunta. Mas eu sempre admirei o Selton Mello, por exemplo, pelo artista que ele é. É um artista completo. Ele tem uma visão muito bela do seu trabalho. E digo que me identifico com ele. Eu digo que todo ator dificilmente conseguiria sair de um trabalho que exigisse demais dele e exercesse outro, logo em seguida, tão bem. Acho que o ator precisa de um tempo para se reencontrar. Como todo artista. E o que você faz? Você caminha por outro campo, o que vai te trazer um outro lado como artista. Por exemplo, dirigir. É nessa questão que eu acho instigante e desafiador para o ator, conseguir transitar por diversos campos sem que seu trabalho se torne repetitivo e cansativo. É por aí que a arte se renova.

A visibilidade de um trabalho em novela serve também para reconhecimento geral do público e de certa forma ajuda a captar verba para projetos independentes? Hoje você sente alguma diferença? Concordo que o reconhecimento com o público é muito mais imediato fazendo novela. Mas acho que paro por aí. Colocar um projeto na lei, pra quem trabalha com produção, é fácil. A questão é a captação. Esse é o grande problema no Brasil. É muito dinheiro nas mãos de poucos. Como produtor eu posso dizer que, mesmo um ator mais conhecido e mais “famoso” que eu, ainda assim vai ralar muito pra conseguir verba. Quantos atores renomados com seu trabalho demoram para captar seus projetos? Muitos deles.

Você nasceu em Recife e ganhou o mundo logo cedo. Como foi esse início e que dificuldades encontrou? Na verdade, meu mundo começou nos muros da casa da minha vó vendo Chico Science ensaiar no início dos anos 1990. Minha vó era vizinha do seu produtor. Tenho o prazer de dizer que conheci a arte pela Chico. Depois daí... a estrada foi longa. Moro há quase 12 anos no Rio de Janeiro. Já vendi carros meus pra realizar projetos, já passei por fases sem trabalho, já ralei muito... O que gosto de pontuar sempre é desmistificar essa vida de glamour que as pessoas acham que todo ator tem. É um mercado muito difícil, que exige muita dedicação e suor pra chegar aonde almeja.


Ano passado você participou em Recife do seu primeiro longa-metragem, o filme “Aquarius”, de Kleber Mendonça. Como foi essa nova experiência? O primeiro longa-metragem a gente nunca esquece. Principalmente com o Kleber, onde pude retornar às minhas origens. Foi mágico! Ele é um grande diretor, tivemos um encontro e um processo muito bacana nesse filme. E não só com ele, mas também com minha parceira de cena, a Sônia Braga. Rolou uma tríplice cumplicidade de trabalho, foi assim por todos os lados. Isso é o que me encanta como artista, a generosidade no trabalho. E, nesse processo, foi o que mais tivemos de latente. Estou ansioso para ver o resultado no cinema. 

Depois de TV, cinema... o próximo passo é mergulhar no teatro? O que te desafia na carreira de ator? O que você quer com isso? Nesse momento, logo após a novela, já começo a gravar um longa-metragem em março. Tenho uma peça de teatro que devo estrear ainda esse ano junto com o ator Daniel Dantas. Acho que o desafio é importante para qualquer artista. Em relação ao desafio dessa carreira, eu sempre penso: “O que eu imagino daqui a 20 anos nessa profissão?” É muito difícil, principalmente para o ator, saber direcionar e trilhar sua carreira. Nessa profissão existe muita escolha. É saber escolher um bom personagem, saber transitar no momento certo da TV para o teatro, do teatro para o cinema. É saber cuidar da sua imagem. Só vivendo para saber. Como comentei antes, admiro muito o Selton Mello como artista. Posso dizer que me espelho muito no seu trabalho e na carreira que ele ainda vem construindo. Eu, por exemplo, tenho minha produtora, onde quero continuar desenvolvendo meus projetos no cinema, no teatro, seja como ator, como diretor... O mais desafiante para mim é contar histórias! Ou melhor... saber contá-las. 


A TV revela talentos e produz produtos para a grande massa comprar. Como você avalia o papel da TV aberta diante da arte pura de um ator. A TV é um “mal” necessário para quem quer se destacar nas outras mídias? Essa pergunta é uma faca de dois gumes (risos). Eu acho que trabalhar com televisão é um desafio muito grande para qualquer ator. Existe uma técnica, um ritmo de trabalho, de gravação, é tudo muito rápido e intenso na TV. Acho super interessante você decorar a cena no dia anterior para gravar no dia seguinte. Se você não for safo, a própria TV te engole. E quando menos esperar, você desapareceu. Mas também existe um outro lado. Esses dias eu vi uma matéria do ator Vincent Cassel falando exatamente sobre isso. Acho que a televisão pode trazer vícios para o ator e para o próprio diretor. E isso pode gerar um comodismo muito forte. A televisão tem um formato, e é preciso estar atento a isso para conseguir sutilezas diferentes para cada personagem. Colocando numa balança geral, acho que são poucos atores da TV que agem com naturalidade e conseguem sair do cômodo tendo novos desafios. 

Ao mesmo tempo vemos casos onde o cinema mais “alternativo” e menos “comercial” tem revelado grandes talentos para a TV. Como foi o caso recente de Maeve Jinkings (de “Som ao Redor”) e Ghilherme Lobo (de “Hoje eu Quero Voltar Sozinho”). Como você ver isso? Acho incrível. O cinema “alternativo”, como muitos falam, acredito que seja o que tenha de melhor hoje no Brasil. Com conteúdo, um bom roteiro, direções ousadas, trabalho de atuação intensa. Isso é uma opinião minha, particular. Os blockbusters estão consumindo o nosso mercado. Isso é triste. Estamos perdendo espaço cada vez mais. Isso acaba dificultando que o grande público possa se deparar com trabalhos tão bonitos, como é o próprio caso da Maeve. Você assistiu o filme “Boi Néon”? Ela faz sua personagem maravilhosamente bem! O filme é lindo, super premiado no Brasil e lá fora. Falando ainda em cinema, o Brasil é muito rico artisticamente. Temos muito a oferecer. Mas acho que falta um cuidado maior com esse gênero de filme pelas produtoras de distribuição no Brasil, entre outras coisas. Mas isso é outro assunto, e que demanda um tempo maior para desenvolver a nossa conversa... (risos).

Com essa exposição toda que a TV proporciona vem junto o assédio e a invasão de privacidade. Como você lida com isso? O que te tira mais do sério? Eu costumo falar que existem duas questões: a falta de privacidade e a invasão de privacidade. É uma linha tênue. O artista, por si só, vive em constante falta de privacidade. Acredito que isso faça parte da profissão. Mas a invasão de privacidade é algo perigoso. Mas cabe ao ator ou o artista impor esse limite. É super legal esse assédio, esse reconhecimento do trabalho para com o público. Em relação a como lidar com tudo isso, digo que cuido muito da minha privacidade, da minha vida particular. Sou mais reservado, mesmo, e gosto de me preservar. 


Com o assédio vem mais possibilidades de paqueras e romances. Como você percebe e separa que uma mulher está mais a fim do ator famoso do que o Allan “normal”? O que te faz ficar mais ou menos interessado? Olha... vou te falar que eu me considero uma pessoa super “normal” (risos). Te digo que nem pensei nisso ainda. Essa coisa da exposição, visibilidade, ainda é muito novo pra mim. Às vezes eu até estranho. Me considero uma pessoa cautelosa. Mas, até o momento, não passei por isso. Ainda.

O “Nenenzinho” de “A Regra do Jogo” vivia sem camisa. Pra isso tem que está em forma. Como cuida do corpo e da saúde? Pratica esportes? Antes de estar em forma, eu cuido da minha saúde. Minha vida toda sempre fiz esportes. Desde pequeno. Fui atleta de artes marciais até os 17 anos, fiz natação a vida inteira. Hoje em dia, corro bastante. Me considero quase um “Forrest Gump” da corrida (risos). Gosto de colocar um fone de ouvido, pegar a orla da praia e correr. Sempre que posso me proponho a isso.  

Quando quer relaxar para onde vai? Que programa faz mais sua cabeça? Eu gosto mesmo é do mato. Gosto de estar em contato com a natureza. O ritmo da cidade grande dá pra enlouquecer qualquer um. Então, sempre que posso, viajo pra longe da cidade. Fazendo a novela fica um pouco complicado se ausentar por muito tempo. Por esses tempos, descobri um lugar incrível e, de vez em quando, fujo pra lá. Fica “lá pras bandas” do interior de Minas Gerais. Venho me aventurando pelas cachoeiras de lá. O interior de Minas é muito rico, possui uma natureza exuberante. Quer conhecer? Vou dar umas dicas de cidades: Carrancas, Tiradentes, São João Del Rei... e por aí vai. (risos)


Fotos Beto Gatti
Stylist Alê Duprat
Make Up Apoema Schiel
Agradecimentos: Baby Beef (RJ) e David Santiago

Allan veste: 
Terno azul marinho Ricardo Almeida, Gravata borboleta Zara, Camisa Dudalina, Sapatos Dolce & Gabanna, Trench coat verde Osklen, Blazer preto Versace, Camisa Dudalina, Calça preta Acervo pessoal Allan, Anel de caveira Mônica Pondé

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