sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

ESTRELA: Carolina Kasting, linda, delicada e muito talentosa

Entrevistar a atriz Carolina Kasting é sempre um prazer. Delicada e firma ao mesmo tempo, atenciosa e culta sem exageros. E ainda por cima um talento incrível para criar mulheres diversas, fortes e delicadas, assim como ela. E são essas várias mulheres que encontramos ao conversar com ela. Da dona de casa à mãe dedicada, da esposa apaixonada à batalhadora. Poderíamos ficar aqui tecendo mil qualidades e elogios, mas o melhor é ler essa entrevista e se tornar ainda mais fã dela. Assim como nós somos.


Dança, moda, teatro... a carreira de atriz foi sendo construída ao longo do tempo ou já era uma vontade e vocação antiga? Foi sendo construída ao longo do tempo. Desde pequena eu criei uma relação de fascínio com o palco, por causa da dança. Sonhava em ser bailarina clássica. Aos 14 anos saí de minha terra natal, Florianópolis, para seguir meu sonho. Acabei modelando em São Paulo e depois fui fazer a Escola de Teatro Célia Helena. Foi onde me encontrei. Estudar dramaturgia, preparar o corpo para fazer uma personagem, se tornou tudo para mim. 

TVs e produtoras sem concentram no eixo Rio / São Paulo fazendo com que muita gente que almeja carreira televisiva se mude para lá, quais as dificuldades enfrentadas nesse início? A dificuldade que os jovens enfrentam hoje tem a ver com o imediatismo que estamos vivendo no mundo. De uma hora para outra você pode virar uma celebridade e eles acabam confundindo as coisas e achando que a profissão de ator é isso. Não é. Na minha profissão, você tem que estudar muito, ter cultura, gostar de arte, ler, buscar referências no passado e estar sempre ligado no futuro. A fama é uma circunstância do mercado. Quem você é como artista independe de você ser famoso ou não. A segunda maior dificuldade é se manter trabalhando, justamente por causa desse imediatismo atual. 



Em tempos fluidos onde ninguém é totalmente bom ou totalmente ruim, como vê o papel da mocinha e da vilã? Tanto a mocinha como a vilã deve estar estruturada numa composição que abrange o humano. Nunca seremos uma coisa só. Temos várias faces dentro de nós. Em teatro chamamos isso de vontade / contra a vontade. A personagem se enriquece assim. Um exemplo dessa verticalidade são as personagens da Elizabeth Jhin (na novela “Além do Tempo”). A condessa Vitória, a Melissa, a Judite que fiz em “Escrito nas Estrelas”, são personagens atormentadas por si próprias. Algumas conseguem perdoar e se redimir, outras não. 

Trabalhar como atriz atrai olhares do público tanto pra carreira quanto pra vida pessoal, algum incômodo nisso? Como lida com fama, exposição, assédio? Uma das coisas que valorizo na minha profissão é a relação com o público. Cabe a mim fazer de tudo para que essa relação mantenha-se boa. Sou muito sincera com o meu público e lido com a exposição de forma muito lúcida. Como na vida, gosto de delicadeza, afeto e educação, recebo isso do meu público. Quando recebo algo agressivo ou mal educado, corto na hora. 




“Além do Tempo”, sua novela mais recente tratou sobre as crenças espíritas, reencarnação, carma, evolução...No que você crê? Eu creio em algo maior que nós. Em um sentido maior. E minha espiritualidade é muito específica. Não sigo nenhuma religião, pois acredito que cada um deva desenvolver sozinho sua espiritualidade e deva tentar crescer e se elevar em espírito sempre. Não gosto de dogmas, acho que são limitadores do livre pensar. 

Sua personagem era uma mulher que sofria nas mãos do homem que amava, havia uma relação de poder além do querer bem e do respeito. Como vê hoje as questões femininas sobre assédio e violência doméstica? Ainda é um grande tabu. Não conheço uma única mulher que não tenha sofrido assédio. Mas estamos evoluindo, claro, hoje se pode falar sobre isso. Até mesmo para si mesma, você pode admitir que foi vítima de assédio e que a culpa não foi sua. Só assim poderemos nos ver livres de uma sociedade que ainda coloca a mulher em um papel de submissão em relação ao homem. Na verdade somos iguais, nem melhores, nem piores. A ideia de gênero foi uma construção social. Somos todos iguais, viemos e iremos para o mesmo lugar. 

O que é mais difícil em relação ao perdão? Perdoar é o mais difícil para o ser humano. Deus, como é difícil perdoar! É um exercício de elevação do espírito. 

E no amor ao próximo? Tenho esse sentimento de compaixão desde cedo. Não sei porque. Parece que nasci assim (risos). Ajudar os outros, amar sem esperar nada em troca, sempre me fez muito bem. E meu marido e minha filha têm o mesmo sentimento para com os outros. Fico muito feliz com isso. 




Linda, doce e serena, é assim que vemos você, que outro lado da Carolina pouca gente conhece? O meu sangue quente (risos). Trago o sangue dos Arruda (meu sobrenome paterno) nas veias. São pessoas muito determinadas e trabalhadoras mas têm o pavio curto. 

Maternidade, trabalho, casamento, muitas mulheres em uma, como lidar sem se estressar? (risos) Ah, as mulheres não sabiam o que estavam preparando para si com a emancipação feminina (risos). Acumulamos muitas funções, somos muitas hoje em dia e temos que dar conta. Mas acaba que é muito bom, quando se faz tudo isso por amor. Uma vez fiz um post com uma frase de minha autoria que dizia que tudo bem, profissão, dinheiro mas que eu gostava mesmo era de voltar pra casa e cuidar dos meus filhos e marido. Me chamaram de machista (risos). Gente! Eu gosto mesmo de ser esposa, mãe, dona de casa, gosto de cuidar das minhas coisas, das pessoas que amo. E também gosto de trabalhar, ser reconhecida profissionalmente, me sentir desejada, cobiçada. São as muitas mulheres dentro de mim. 


Não existe receita nem segredo, mas o que leva a uma relação feliz e harmônica? O diálogo, que permite o respeito, que alimenta o amor. 

Que pessoas deseja que seus filhos sejam? As pessoas que eles são. Humanas. 

Você começou na TV em 1996 com “Anjo de Mim”, de lá para “Além do Tempo” são 20 anos de carreira. Como avalia sua trajetória? O que ainda falta? Pois é, nesse ano, além de ter um bebê e colher os frutos de uma novela tão bem sucedida como “Além do Tempo”, ainda tenho que comemorar os meus 20 anos de carreira! Acho que não falta nada, só tenho a agradecer por tudo. E continuar trabalhando com amor e dedicação ao meu ofício. 

E quando quer relaxar, o que mais curte fazer? Ficar com meu marido. Eu o amo mais que tudo. Ele é meu companheiro. Em grande parte responsável pelo que tenho e sou. 

Fora a maternidade, ainda planeja algo para esse ano? Vou aproveitar para pré-produzir um monólogo teatral sobre a vida da Liv Ullmann, grande atriz que sempre admirei. Terá direção do Paulo de Moraes e espero estar estreando no final do ano, quem sabe em comemoração aos meus 20 anos de carreira. A peça se chama "Liv" e será meu primeiro monólogo. Obrigada pelo alto nível das perguntas, Revista MENSCH, foi um prazer. 


Fotos Sergio Baia
Styling Karen Brustolin
Assistente Fê Tolen
Beauty Everson Rocha

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