terça-feira, 21 de janeiro de 2014

DESTINO: África do Sul e Zanzibar, de carro do litoral ao coração da África selvagem.

Para quem planejava desbravar a África além de safáris e savanas, o ideal é adicionar à viagem um destino de praia mais exótico – Zanzibar, para conhecer a famosa ilha onde Dr. Livingstone começou suas expedições ao coração da África. Nossa viagem começa pela Cidade do Cabo. A bela cidade a beira mar cercada de montanhas parece uma versão britânica do Rio de Janeiro. Trocam-se os botecos de calçada com bolinho de bacalhau pelo curry com frutos do mar, de influência Malaia, acompanhado de uma taça do vinho branco mais famoso da região – Chenin Blanc. 

Para aproveitar ao máximo a beleza do litoral, a dica é alugar um carro e se hospedar no maravilhoso Hotel Twelve Apostles, que apesar de ficar fora da cidade, próximo à praia de Camp David, tem seus apartamentos com varanda virados para o mar já na rota do Cabo da Boa Esperança, o que rende o espetáculo diário do pôr do sol.  A viagem de carro até o Cabo, que passa pela porta do hotel, é sem dúvida um dos trajetos de estrada mais bonitos que existe. A estrada de mão dupla segue por 64 km até a ponta do Cabo da Boa Esperança, eternizado nos poemas de Camões e hoje povoado por vilas de praia, plantações de vinho e belas paisagens. No caminho não deixe de fazer uma parada para comer uma cesta de frutos do mar fresca em Hout Bay.  Além das paisagens, a fauna que se encontra no trajeto também surpreende. Bandos de babuínos caminham na beira da estrada prontos para assaltar a comida dos turistas desavisados. No final da rota na bela cidade histórica de Simon Town, uma grande colônia de pinguins fica a poucos metros dos banhistas na praia. 




No centro de Cape Town todos os caminhos levam aos dois extremos da cidade – Table Mountain e o Waterfront. O primeiro é a versão deles do Corcovado sem estátua, mas com um platô de trilhas espetaculares com vista de toda a península do Cabo. A cidade surpreende pela quantidade de parques e jardins.  No Waterfront fica um complexo de hotéis, shoppings e restaurantes montados em um porto revitalizado a beira mar. Apesar da beleza e tranquilidade da vida a beira mar vale a pena dedicar ao menos um dia para ir ao interior conhecer a região vinícola de Stellenbosch. A quarenta minutos de carro do centro da cidade estão alguns dos melhores produtores de vinho da África. A cidade de Stellenbosch, com sua história da colonização holandesa, já vale uma visita até para aqueles que não gostam de vinhos. Entre as centenas de vinícolas duas foram visitadas, duas antigas com sedes em casarões históricos holandeses – Spiers e Vergelegen – e uma moderna produtora de vinhos orgânicos – Waterkloof – com a sede em um prédio de vidro moderno de onde se pode avistar de longe a costa. Em todas, a recepção é de alta qualidade onde se curte uma excelente degustação de vinhos com variedades típicas do país como o tinto Pinotage e o rose Cape Coral.  







Depois de quase uma semana à beira mar, a sugestão é a região do Kruger Park para viver a experiência de Safari.  O parque nacional mais antigo da África do Sul possui alternativas de safari para todos os bolsos. Como a ocasião pedia algo especial fomos a uma reserva particular na fronteira do parque – Kapama Game Reserve. A reserva possui quatro acampamentos de luxo com cabanas que não deixam nada a desejar para um hotel. O acesso não poderia ser mais conveniente. O portão de entrada do Kruger é o aeroporto de Nelspruit, e há poucos metros da entrada do Kapama há outro aeroporto – Hoedspruit – com voos regulares de Johannesbourg. No caminho do aeroporto ao hotel já se avistam as primeiras girafas. Um encontro que se repete dezenas de vezes nos próximos dois dias que se seguem sem parar de admirar e fotografar. No Kapama, durante dois dias, a rotina é acordar bem sedo e partir para o primeiro safari às seis da manhã retornando ao hotel antes das nove. Às quatro da tarde preparação para uma segunda saída até o cair do sol. Em um jipe aberto pilotado por um ambientalista do parque segue-se a trilha de leões, elefantes, zebras, búfalos e até os rastros de uma chita, cujo encontro foi um dos mais marcantes e raros vividos por nossa reportagem, um macho jovem chorava na estrada em busca do irmão que tinha sido morto na noite anterior pelos leões. A experiência de passar duas noites no meio da reserva é espetacular. O conforto e estrutura do Kapama vira uma excelente opção para uma viagem de família com crianças. Garotos de 7 e 8 anos que faziam o safari com seu avô pareciam muito mais felizes e entreditos com a experiência do safari do que na Disney.  A viagem pode ser encerrada com uma noite em Johannesburg para conhecer o interessante museu do Apartheid e curtir um último banquete sul Africano. 


No dia seguinte é encarar a longa jornada para a ilha de Zanzibar. Formado por um arquipélago de ilhas no Oceano Índico e hoje parte da Tanzânia, Zanzibar oferece muito mais do que praias maravilhosas com mar azul turquesa.  A história da ilha é repleta de invasões que fizeram do local um dos maiores caldeirões culturais da África. Colonizada por Persas, Portugueses, Omanitas, Indianos e Ingleses a ilha reúne a influência de todas essas culturas que ainda podem ser vistas na arquitetura das ruas históricas da capital Stone Town. Para experimentar de forma mais autêntica a cultura de Zanzibar, a dica é passar uma noite no centro de Stone Town antes de seguir para um hotel de praia e curtir as belezas naturais da ilha. Para tornar a experiência ainda mais interessante, hospede-se em um casarão histórico omanita transformado em um hotel butique em uma das ruelas estreitas da cidade. Apesar da água salobra no chuveiro a decisão é de fato a mais acertada.  Do quarto com móveis e decoração dos tempos áureos do sultanato, veem-se os minaretes de mesquitas e o antigo forte Omanita do século XVIII construído sobre um forte português. 

Caminhando pelas ruas, fica claro que se está em um dos lugares mais exóticos do globo. A cidade histórica ainda em processo de renovação abriga na grande maioria dos prédios moradores e comércio local em uma cidade que parece ter parado no tempo. Uma visita ao mercado central mostra essa explosão cultural de burcas, saris e vendedores de especiarias. Cada rua guarda um tesouro histórico e uma experiência fascinante. Próxima ao mercado fica a Igreja Anglicana construída no século XIX em comemoração ao fim da escravidão, no mesmo local em que funcionou o antigo mercado de escravos. Ao lado da catedral ainda é possível visitar algumas câmaras usadas para armazenar os escravos antes de serem vendidos na praça. Uma lembrança assustadora daquilo que passaram muitos de nossos antepassados na viagem rumo às colônias da América.



À noite pode-se deixar de lado a história e curtir a mais tradicional experiência gastronômica de Zanzibar. Na praça, em frente ao antigo palácio do sultão, um mercado é montado todas as noites para servir os tradicionais espetos de frutos do mar com especiarias, grelhados na churrasqueira, e acompanhados de uma fruta que tem gosto de pão. Sentados na sarjeta, turistas e moradores se deliciam com espetos de polvo, lagosta e lula marinados ao curry. Fiel às raízes do Oriente Médio, jantar no mercado exige muita negociação. A fome e a pressa em resolver o jantar com o primeiro churrasqueiro seguramente pode fazer a conta sair bem mais cara do que deveria, mas nunca nada que possa estragar o jantar naquele lugar incrível. No dia seguinte a pedida é partir para o extremo sul da ilha e ficar por três noites no Hotel The Residence, vivendo o mais próximo possível do paraíso. Assim como o The Residence, a ilha de Ungunja, principal do arquipélago de Zanzibar, possui boas opções de hotéis butique e pequenos resorts de praia para quem quer relaxar em uma praia paradisíaca do oceano Índico. Com serviço impecável e apartamentos com piscina privativa, o The Residence é um convite ao ócio e a tranquilidade. Na praia os atrativos vão de um passeio de veleiro no fim de tarde em uma embarcação tradicional árabe a mergulhar com golfinhos. Poucas vezes pode-se estar em um lugar que combine tão bem cultura com a possibilidade de relaxar em uma praia deserta. 


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