sexta-feira, 15 de novembro de 2013

ENTREVISTA: Lucas Romano faz sua estreia na TV em horário nobre com muito talento e cercado de elogios

O paulista Lucas Romano trocou o agito de São Paulo pelo clima do Rio de Janeiro em busca de realizar seu antigo desejo de ser ator. E pelo que temos acompanhado diariamente na novela Amor à Vida, onde interpreta o personagem Luciano, essa troca valeu à pena, pois além de dar um grande passo na sua carreira, Lucas entrou para a TV em horário nobre. Porém para ele, independente de horário o empenho e a dedicação são os mesmos. Talvez por isso Lucas tenha recebido tantos elogios, e alguns xingamentos, por sua atuação em seu primeiro trabalho na TV. Cheio de sonhos e vontade de fazer sempre melhor, Lucas segue seu caminho trilhando com base no talento. Conheça um pouco desse jovem ator, de família unida e divertida, que ainda vai dar muito o que falar.

Amor à vida é seu primeiro papel na TV. Aí você já estreia no horário nobre contracenando com atores de grande peso. Como se sente e lida com tudo isso? É um sonho! Vendo o pouco que eu percorri como ator, me doando sempre para fazer o meu melhor como artista, e hoje me ver nessa situação, nesse ambiente e com essas pessoas, só tenho a agradecer. Sobre o horário nobre, acho que em qualquer horário que eu estreasse existiria uma responsabilidade de fazer um bom trabalho e dar o melhor de mim. Não posso negar que uma novela das nove que possui uma repercussão maior, intimida bastante. (risos) Confesso que demorei para me acostumar, pra falar a verdade (risos). Às vezes ainda me pego dentro do estúdio divagando, pensando em tudo o que aconteceu. Mas quando eu olho a minha volta e vejo a generosidade de todos esses atores, da equipe, a cumplicidade em cena, a troca, o nervosismo vai embora. Todos me abraçaram com muito carinho, e eu encaro esse trabalho da mesma forma como todos os outros que tive, com muita garra e dedicação. 

Como reagiu quando passou no teste para interpretar o Luciano (em Amor à Vida)? Nossa, a resposta demorou bastante para sair, esperei em torno de uns dois meses, e eu só pensava nisso, mas como dizem, o telefone só toca quando você menos espera. E foi o que aconteceu, eu estava saindo de um ensaio teatral e indo para um teste de publicidade quando meu empresário me ligou dando a noticia e dizendo com quem eu iria contracenar e dados sobre o meu personagem, pois eu ainda não sabia de nada. (risos) Foi uma alegria imensa com direito a pais chorosos e uma grande comemoração entre amigos e família.

Como avalia o caráter do seu personagem na trama? Digamos que no decorrer da trama sua conduta ficou um pouco duvidosa (risos), o que fez com que muitas pessoas odiassem o personagem. Pessoas até me xingaram na rua depois que foi ao ar o capítulo em que chamo a personagem  Joana de “tia”. O Luciano não é uma má pessoa, ele possui uma integridade familiar, é um garoto estudioso, mas a dificuldade de se formar em medicina fez com que ele tomasse certas atitudes erradas. Ele se aproveitou do relacionamento com a Joana e não deu a ela o valor que ela merecia. No começo da trama vimos que ele tem um bom coração, agora temos que torcer para até o final ele retome sua moral e se mostre um homem melhor.

Como você vê essa relação dele com a personagem de Bel Kutner? É mesmo só interesse? Bom, a relação dos dois começou com algumas diferenças dentro do trabalho, no hospital, até que ele descobriu que ela era cativante fora desse ambiente e começou a gostar de sua companhia, e quando percebeu, eles já estavam se envolvendo. Vendo que ela passou a morar sozinha e passou a dar uma ajuda financeira ao Luciano, ele se acomodou. É engraçado analisar essa palavra “interesse”, pois acredito que em todo relacionamento existe algum tipo de interesse, seja ele carnal, financeiro, afetivo, para manter status, etc. Muitos negam, mas ele existe, agora depende da motivação que te leva a isso. Quando uma mulher mais velha se envolve com um jovem que não possui estabilidade financeira, ela deve saber onde está entrando, e Joana sabia disso, mas o Luciano não soube lidar com esse tipo de relacionamento. Quando chegava a hora de apresentar ela como namorada, ele viu que o preconceito em relação à diferença de idade ainda existia e estava nele também. Eu acredito que esse tipo de relação é perfeitamente possível, só é preciso não criar muitas expectativas que não possam ser supridas pelo parceiro. Mas acredito que existe algo ali entre os dois, que pode voltar. Quem sabe? Hein? Walcyr? (risos)

Começo de carreira implica em participar de vários testes, como se prepara pra eles? Antes de qualquer coisa eu estudo muito bem o texto, de diferentes formas possíveis, pois você nunca sabe como o diretor quer aquele texto falado, então você deve ir aberto a possibilidades. Depois do texto estudado, eu peço proteção, faço alguns exercícios de respiração e voz e o resto... Só na hora (risos).

Já se adaptou ao estilo carioca de ser e viver? Confesso que estou tentando, o maravilhoso do Rio é a facilidade com que a natureza está ao nosso alcance, sempre que posso estou com os pés na areia nem que seja pra ler um livro ou sentir a brisa do mar. Estou me adaptando, já que vivo os dilemas de quem mora sozinho, cuidar do apartamento, se virar com a comida, etc. O mais difícil é lidar com a falta dos amigos e da família. Às vezes bate uma saudade de São Paulo e eu corro pra lá quando dá, como um bom paulista.



E a escolha pela carreira artística, como aconteceu? A vontade de ser ator vem desde criança e meus pais sempre me incentivaram. É o tipo de coisa que está em você, pulsa em você, sou ator e amo o que faço. Foi algo sempre muito presente em mim e na minha personalidade, se eu não seguisse essa profissão parece que eu remaria contra a maré. Apesar de ter cursado publicidade e cinema, sou formado em teatro e fora isso sempre levei meus inúmeros cursos relacionado às artes e minhas peças teatrais em paralelo. Olho pra trás e fico feliz e realizado, mesmo com o pouco que percorri, de ter escolhido essa profissão que me enche de orgulho.

A família do Luciano é meio caótica, mas bem unida. E a sua? Uma cópia! Brincadeira, eles me matam (risos), mas todos brincam se comparando e se identificando com os personagens da novela. A família do Luciano é aquela que discute, briga, mas segundos depois nem se lembra da discussão e já estão todos juntos, se divertindo e dando risada. A minha é assim também, viajamos, saímos, nos divertimos. Eu sou uma pessoa que só tenho a agradecer pela família que tenho, pela base e pela estrutura familiar que me deram. Se não fosse por eles eu não seria metade do que sou hoje, eles são a parte determinante do ser humano que me tornei, e amo cada um eles.

As gravações de novela são muitas e intensas e por vezes se passa mais tempo com os colegas de elenco do que com a família e amigos, dessa relação podem surgir grandes amizades. Já aconteceu com você? Muito. A primeira vez que me mudei de SP em 2010 e vim para o Rio fazer a Oficina de Atores da Globo, fiquei muito tempo sem ver minha família e minha turma acabou virando minha família carioca e ganhei assim, amigos para a vida inteira! Assim aconteceu com todas as peças que fiquei em cartaz, também. Com a novela, não foi diferente, quem não é do Rio fica um pouco mais carente, pois não temos o aconchego da família então acaba que todos nós nos unimos. (risos) No elenco tenho um carinho muito grande pela Klarinha que virou minha irmã e toda a família dela, a Bel Kutner, Carol Rainato, Thalles Cabral, ih, vou acabar citando todos. (risos) Todo o elenco e equipe me dão uma força essencial nessa nova etapa e são incríveis.

Você já dirigiu uma série na época da faculdade de Publicidade, fala um pouco sobre esse lado “diretor”. O projeto foi uma criação minha e de mais duas amigas, nós fazíamos tudo, direção, produção, decupagem, edição e um pouco do roteiro, era incrível! Isso fez com que eu tivesse ainda mais vontade de explorar esse meu lado. Depois que acabei a Oficina de Atores no RJ, tranquei meu curso de Publicidade e comecei a cursar Cinema, que é também minha paixão. Mas esse lado mesmo, só penso em exercer bem mais para frente, quero ter mais experiências na carreira de ator para assim poder aliar esse conhecimento com a minha formação profissional de cinema e fazer um bom trabalho atrás das câmeras e quem sabe nos palcos também.

Interpretando um estudante de medicina, vivendo essa rotina de hospital, o que pensa da saúde no Brasil? Estamos vivendo um momento muito delicado no nosso país, o povo criou coragem para reivindicar seus direitos, um deles é a saúde. Ainda existe uma enorme distância entre os setores de saúde pública e privada no país. Claro que existem conquistas no sistema de saúde do Brasil, tanto que servimos de referência para outros países, mas no balanço geral é triste ver a carência que temos em infraestrutura e nos salários dos profissionais da área. Existem muitos desafios a serem superados e cabe a nós exigirmos nossos direitos como cidadãos.

Algo em Luciano que se pareça com você? Fora a aparência, temos outras coisas em comum, o Luciano possui uma integridade familiar, um gosto pelos estudos e uma determinação que são coisas muito fortes em mim. 

Algum ator que te serve de inspiração e referência? Tenho vários. Atualmente quem têm me chamado muito a atenção, tanto na atuação quanto na vida real é o genial, Mateus Solano. O personagem Félix virou um fenômeno nacional e o Mateus faz isso com maestria, ele é muito generoso em cena e uma simpatia como pessoa. Admiro muito a forma com que ele mergulha em seus personagens e na forma que conduz sua carreira, isso me motiva cada vez mais a seguir essa profissão. 

Quando tem um tempo livre o que gosta de fazer para relaxar? Curto muito sair pra andar de bike, malhar, nadar, correr, e pra relaxar nada como ler um bom livro deitado, dar risada com meus amigos e estar com a minha família. Mas quando a preguiça me domina sou um grande adepto a deitar no sofá por longas horas.

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