sexta-feira, 11 de outubro de 2013

ENTREVISTA: Maurício Destri parece já ter nascido pronto para a arte, mas ele está só começando.

A gente pode dizer que Maurício Destri é um jovem senhor de 21 anos. Não que não seja o jovem que é, mas sua maturidade, sua visão e postura diante da vida e da profissão que escolheu nos faz pensar que ele é tem muito mais idade do que tem realmente. Centrado, amante da leitura e com trabalhos de peso já no início da carreira, Maurício parece já ter nascido pronto para a arte, tamanha sua entrega, seu respeito e sua qualidade em cena e ele está só começando...

21 anos e já tem 3 novelas e muita história pra contar. Como surgiu o desejo da atuação? Quando comecei a estudar Teatro.

Você saiu de Criciúma para São Paulo em busca de realizar o desejo de ser ator e terminou fazendo sua estreia numa novela da Globo. Como foi esse início? Que dificuldades enfrentou? Sai de Criciúma com o incentivo dos meus tios que moravam em São José dos Campos, interior de São Paulo. Pedi para morar na casa deles para terminar os estudos. Foi aí que conheci as artes cênicas, por influência de uma prima e do namorado dela que me fez ler Hamlet. Me mudei no ano seguinte para a Capital para estudar teatro. Foi o início de bons tempos de muita ralação, estudos, dificuldades de grana, amadurecimento pessoal, distância das pessoas com as quais fui criado, do sistema, da educação. Comecei muito jovem a lidar com coisas muito difíceis, dificuldades que eram necessárias.

Cordel Encantando, sua 1a novela, foi de fato uma novela cheia de encantos, tanto pelo texto, figurino, fotografia, cenários...o que aprendeu com ela? O que te encantou nela? Cordel foi o início da minha vida profissional, uma novela que está guardada para o resto da vida. Inácio foi uma personagem que me mostrou ainda mais a capacidade de amar, que meu deu a poesia, as pessoas que pude conhecer e contracenar, aprender e aprimorar o meu trabalho.


Vinny, seu personagem em Sangue Bom, se apaixona pela ex do primo, personagem de Regiane Alves, será amor ou corações sofridos que vêm na união um fortalecimento mútuo? O centro da vida do Vinny era a mãe.  Ao ver a sua família desmoronar, é natural que ele procurasse outros encontros afetivos. A capacidade que ele mostrou de amar é evidente, mas o amor é algo que se constrói com o tempo. Novela é uma obra aberta, foi uma paixão e eu torço muito para que ele mostre realmente o amor que ele sente pela Renata. Neste caso existe um fortalecimento mútuo, até porque os dois se encontravam numa situação muito difícil.

O amor é algo do “de repente” ou de uma construção frequente? Você é um cara romântico? Acredito que o amor é algo que conquistamos com o tempo. Para amar é preciso muita dedicação e força de vontade. Acho que o romantismo tem que ser criativo, sou romântico ao meu jeito. Não sou um cara machista, mas acho que o romantismo com algumas pitadas de malícia fazem muito bem à relação. Não sou um amante à moda antiga, sou um jovem do meu tempo e o meu modo de ser romântico é muito peculiar.

Como ator, onde entende que termina o público e começa o privado e vice-versa? Não tenho a menor intenção de que a minha vida pessoal vire um produto da indústria. Vejo o meu trabalho como uma profissão que tem os mesmos direitos das outras, minha profissão não é mais importante que nenhuma outra. Por isso, tento ser o mais discreto possível, mas sei que nessa carreira há uma exposição natural, até pela procura dos fãs e pessoas que admiram. A minha vida é minha vida, e meu trabalho é meu trabalho, simples assim.



Você gosta de ler e até troca baladas pelas leituras. Qual o prazer que sente ao ler? Para onde a leitura te leva? A leitura é algo que me desliga da vida cotidiana corrida. Ultimamente tenho lido livros de psicologia e um romance do Ítalo Calvino. O poder de imaginação e a possibilidade de transportar para um lugar fantasioso são coisas que só a literatura consegue fazer comigo.

O que faz alguém ser “Sangue bom”? (Risos) Pra mim Sangue Bom é aquele que faz o bem independente da situação.

Até onde está disposto a ir por um personagem? Até o limite! Contanto que não me tire a vida e a saúde.

Santa Catarina, São Paulo e agora Rio... quando sente saudades de “casa”? Sempre! Família é algo que não troco por nada. Saudade é algo que faz parte do meu dia a dia, tento esquecer imerso em minhas atividades diárias.

Quando não está gravando o que gosta de fazer? É mais do dia ou da noite? Tenho parado para escrever sobre a vida. Confesso que tenho comido muito, me arrisco também a cozinhar, sou bom em pratos vegetarianos, panquecas de espinafre com acelga na manteiga, aspargos ao molho de queijo. Leio bastante e revejo alguns filmes de referência. Depende da fase. Mas acho que a noite tem seu encanto.



Você será protagonista no longa "Antes de Palavras"... Fala um pouco pra gente desse novo trabalho. Como foi fazer cinema? Foi um curta-metragem de um diretor pernambucano, Diego Carvalho, formado na Academia Internacional de Cinema. Antes de Palavras são fragmentos da aproximação entre dois garotos, contemplam o ingênuo interesse de Célio por Dário, o pressupor de Sofia diante desta aproximação. Fomos selecionados para o Festival Internacional de Curitiba (FICBIC) e o filme segue sua vida no Festival Internacional de Austin, Texas, no Polari Film Festival. Pretendo continuar fazendo cinema, mas cada coisa tem seu tempo. Quero produzir muito cinema ainda. Me identifico muito com a linguagem.

O que te encanta mais na arte de interpretar? A possibilidade de viver outras vidas. Esse êxtase que é interpretar personagens, viver outros mundos, explorar a biodiversidade existencial do homem. Tenho algo muito forte com o teatro, o processo teatral me tira da realidade.

Consegue se imaginar daqui a 10 anos? O que vê? Difícil te responder com tanta certeza. Vivo um dia de cada vez, hoje posso dizer que vivo feliz com meu trabalho, minha família, meus amigos e minha namorada.

E o que vem por aí no trabalho? Fase final de novela entro em cartaz dia 05 de novembro em São Paulo com a montagem do Despertar da Primavera. Texto original do Wedekind, um drama trágico muito inspirador e projetos no cinema engatilhados para o futuro. Estou com uma grana guardada e quero investir em cinema alternativo. Para imaginar o futuro preciso me concentrar no agora, vejo um futuro de muita liberdade e sabedoria.




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