sexta-feira, 18 de outubro de 2013

ENTREVISTA: Guilherme Gonzalez traz à tona a polêmica dos paparazzi com personagem em Sangue Bom

Ele vem de Belém do Pará, terra de delícias culinárias, miscigenações culturais e paisagens de tirar o fôlego. Talvez por isso sinta tanta saudade de casa e da família, mas Guilherme Gonzalez não é do tipo que se lamenta, ele vive o presente e trabalha com afinco e determinação para construir um futuro. Com passos firmes e muito talento ele vem conquistando cada vez mais espaço na TV, nos palcos e onde mais sua arte o levar. Conheça um pouco mais do ator que está fazendo sucesso como um paparazzi na novela Sangue Bom.

Como nasceu sua paixão pelas artes? Fui criado no bairro da Vila Mariana em São Paulo. Morávamos muito próximo à Av. Paulista. Essa cidade tem a particularidade de ser um berço cultural. Tive sorte em estar perto de onde as coisas aconteciam. Sem dúvida o meu pai teve grande influência na minha paixão pela arte. Ele, por exemplo, acordava a mim e a meus irmãos aos domingos para assistir ao programa SOM BRASIL. Lembro-me de ter ido a um show da Gal Costa com menos de 8 anos de idade. Aos fins de semana, nós íamos sempre assistir a algum evento cultural. Não sei ao certo qual foi o espetáculo, mas eu me recordo de ter visto um ator numa peça e de eu ter dito: “Quero ser igual a ele quando eu crescer”. Como você quer ser a cada dia uma profissão diferente quando criança acho que não me levaram muito a sério (risos).


Quando percebeu que iria ser ator? Quando pisei no palco pela primeira vez. Era muito tímido, tinha entrado no curso de teatro com a desculpa de perder essa timidez. Mas sempre tive a certeza de que seria ator. Sou formado em administração, mas foi para ter uma carta na manga. Lembro exatamente do momento em que respirei fundo e saí da coxia para entrar em cena e subir ao palco. Ali era o lugar onde eu podia ser tudo. Onde eu podia ser diferente de mim. Vivenciar vidas, despertar emoções...

As novelas sempre fizeram parte de sua vida? Alguma marcou mais? Muito! Quando criança era absolutamente fascinado por novelas. Achava tudo mágico. Parecia que os atores não eram de verdade. Era quase uma extensão de um mundo de fantasia. Comprava os discos e, quando tinha, comprava os álbuns de figurinhas com fotos dos personagens. Meu pai teve câncer e todos os dias eu e meus irmãos nos revezávamos para cuidar dele. Nessa época passava ROQUE SANTEIRO. Era exatamente na hora em que eu tinha que cuidar dele. Ele faleceu na mesma época em que a novela terminou. Pra mim foi doloroso, porque parecia que eles tinham ido embora junto com ele. Talvez por isso essa novela, em especial, tenha me marcado muito. Mas outras também são muito presentes na minha memória. Novela boa é igual a música: você costuma associar a um determinado período da sua vida.

Na novela Sangue bom você interpreta um Paparazzo que não mede esforços para “capturar” boas imagens. Como você vê isso? Gravei recentemente uma cena em que a personagem da Malu Mader me expulsava de um bar e me acusava de ser um dos responsáveis pela ida do filho para o exterior. Meu personagem se defendia dizendo que era “culpa” da profissão dele. Ela dizia: “Caráter não tem nada a ver com profissão”. Concordo plenamente. Acho importante não generalizar. Em qualquer profissão eu acho que temos que procurar ser o melhor. Não temos que medir esforços para nos destacar. Agora, há limites para querer crescer, sem explorar a vida alheia ou passar por cima dos seus valores.


O que faz um profissional como sua personagem tornar-se um inimigo dos artistas? E como ele poderia se tornar amigo? Eu sempre digo que não existiriam os paparazzi se não existisse o interesse das pessoas em saber da vida privada dos artistas. Tem dois pontos nessa questão que se cruzam: o respeito à liberdade de imprensa e o direito à privacidade. O artista tem que ter consciência de que a partir do momento que ele se torna público, as pessoas vão querer saber o que ele faz na “vida real”. Cabe a ele impor um limite para tal. Não vejo como fugir totalmente desse fato. O outro ponto é que o paparazzo precisa saber que existem momentos em que é preciso ter discernimento para respeitar o artista enquanto um cidadão “comum”. Todos têm o direito a um mínimo de privacidade. É uma linha tênue, mas justamente nesse ponto ele cria uma relação de amizade ou inimizade com o artista.

Durante o laboratório para formação da personagem o que chamou a sua atenção? A rede de informantes é tão veloz quanto as notícias. Em lugares específicos, como o bairro do Leblon, se você pisar pra fora de casa em poucos segundos isso vai cair no ouvido de um paparazzo, que estará pronto para registrar o que você estiver fazendo. Chega a ser assustador. A outra coisa é a quantidade de artistas (alguns até consagrados) que ligam ou mandam alguém ligar para “sugerir” pautas.

Sua ligação com a cultura tem muito da educação do seu pai. Como vê hoje a inserção da cultura em geral na educação das crianças seja em casa ou na escola? Acho muito ineficiente. Ao mesmo tempo em que a internet fornece e as informações estão à disposição de todos, elas não são bem usadas. É mais fácil uma criança brasileira saber que dia é o Halloween do que qual dia é o dia do folclore. É preciso conhecer mais o nosso povo, os nossos costumes. Sobretudo, é importante incentivar o respeito às diferenças. A falta de educação gera o preconceito. Os pais têm uma importância fundamental nisso. Se a escola não supre essas necessidades, cabe a eles mudar esse quadro em casa. Acho importante levar os filhos a teatros e a museus e incentivar a leitura de livros.

A sensação de pisar no palco pela primeira vez, já sem a presença física do seu pai, consegue descrever? Confesso que nunca parei para pensar nisso. Eu tinha somente 8 anos quando ele faleceu. Infelizmente, eu lembro muito pouco dele. Minha mãe tomou as rédeas sozinha e sem dúvida ela se tornou meu maior exemplo. Eu e meus irmãos ficamos muito unidos e apegados a ela. Se superei muitos obstáculos foi focado no seu exemplo. Hoje e sempre, eu faço tudo para que ela se sinta orgulhosa de mim. Posso tentar descrever o indescritível: a primeira vez que eu soube que a minha mãe estava na plateia foi uma das maiores emoções que senti na vida. Tenho certeza de que ele também ficou feliz da mesma maneira que ela.



Ser ator, conseguir bons papéis, ganhar destaque, não é tarefa fácil e nem sempre é o glamour que muita gente acha que é. Tem orgulho da sua história? Muito. Já tive muitos motivos pra desistir. Nasci no interior da Amazônia. Fui para São Paulo cedo, mas voltei a morar em Belém (PA). As pessoas têm uma visão preconceituosa sobre a cidade. Ainda assim é um lugar distante. Minha mãe ficou viúva cedo, precisava ajudar a sustentar a casa e como artista é quase impossível. Mas não sou de ficar lamentando o passado. Vivo o presente. Eu me alimento das dificuldades pra me fortalecer. O “não” nós temos em tudo na vida, corro atrás do sim. Não basta chegar lá, é preciso se manter. Ainda tenho um longo caminho para percorrer. Cada dia é um recomeço. O importante é não deixar de seguir em frente.

Como cuida da saúde, da aparência e da vaidade? Tento não ficar neurótico. Nesses tempos em que todo mundo posta foto fazendo careta na frente do espelho pra ver quantos “likes” recebe na rede social, é preciso ter cuidado pra não ser escravo da beleza. Depois que vim morar no Rio, eu passei a ter hábitos mais saudáveis. Acordo e durmo cedo. Malho seis vezes por semana, cortei frituras e doces. Acho que estou bem para a idade que tenho. Sobretudo quando vejo as fotos dos colegas de escola pesando 20 quilos a mais que eu (risos).


Você é jovem, 35 anos, mas já tem muita história pra contar, que orgulho tem quando olha pra trás? Tenho sim. Como diz o rei: “Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi”. Não gosto de sofrer por antecipação. Vou lá e arrisco. Não sou inconsequente, mas sempre me permiti. Tem gente que leva uma vida muito regrada, metódica. Eu vivo e, durante ou depois, eu vejo se dá pra seguir. Tenho preguiça e me afasto de gente que se boicota, não ousa. Viver é tão mais simples.

Do que mais tem saudade do Pará? Da minha família que mora lá. Tenho dois sobrinhos pequenos e criança cresce muito rápido. Sinto muita saudade de coisas simples, como almoçar com a minha mãe e os meus irmãos. De Belém, eu sinto falta das comidas típicas, que são maravilhosas, e dos passeios de barco ao redor da cidade.

Qual seu ideal de lazer? E de descanso? Gosto de programas culturais, adoro a companhia da minha família, dos meus amigos e da minha (risos). Por mais pretensioso que isso possa soar, o meu ideal de lazer é ter liberdade. O ideal de descanso é ficar na minha cama ou deitar numa rede em frente ao mar.

Já tem planos pra quando a novela terminar? Muitos. Ator de férias é ator desempregado. Meu plano imediato é voltar aos palcos, mas estou aberto a novas possibilidades. Quero muito fazer cinema ano que vem. Estou estudando canto e voltei a fazer dança contemporânea. Procuro sempre ler livros, ir ao teatro e assistir a filmes. É preciso estudar e se renovar sempre. O importante é não ficar acomodado, parado e reclamando da vida.



FOTOS DANIEL SEABRA
ASSISTENTE FRED FOGEL
MAKE RAFAEL SENNA
HAIR STYLIST VERA MOSCONI
PRODUÇÃO PRISCILLA ARAÚJO

AGRADECIMENTO ZANY ASSESSORIA

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