terça-feira, 10 de setembro de 2013

ESTILO: A alta costura masculina revive a secular arte da alfaiataria em ternos sob medida

Diga-me com quem andas e eu te direi quem és é uma máxima tão valiosa quanto aquela que diz que o homem é aquilo que veste. Afinal, somos a vitrine mais eficiente de nós mesmos e, vale lembrar, a primeira impressão que causamos é fundamental para a construção de qualquer laço de confiança, respeito ou admiração entre aqueles com quem convivemos. Portanto, a diferença entre um traje básico e um traje arrojado pode, sim, influenciar a imagem que construirão a seu respeito. Segundo os entendidos - sob respaldo dos olhares mais treinados para o assunto - o abismo entre um terno comum, por exemplo, e um terno de qualidade legítima é muito maior do que pensamos. No universo masculino, a alta costura também cumpre seu papel decisivo na hora de arrematar o título de um homem verdadeiramente elegante.

O pulo do gato, como dizem também os velhos ditados, pode estar no secular serviço de vestuário sob encomenda - ou, em legítimo italiano, su misura. A prática atual reforça tendências atávicas da moda, modernizando o que há de mais tradicional e artístico na produção de roupas de alto nível. Embora os tempos sejam outros e o público também - mais exigente, mais consciente, mais jovem e mais antenado - o processo de confecção remete inevitavelmente ao passado. E em termos de elegância clássica, sabemos: esse tipo de flashback é fundamental.

PASSO A PASSO

O passo a passo da produção de um terno sob encomenda começa, como era de se esperar, com uma consultoria profunda a respeito do estilo do cliente e da ocasião em que a peça será exibida. Nesta oportunidade, são discutidos os tipos de tecido, os fios, tonalidades, botões, lapela e comprimento. “A primeira pergunta é sempre sobre a ocasião. É importante saber disto porque temos tecidos que são fabulosos, divinos, mas que se a pessoa usa pra trabalhar, em uma semana está estragado. É como usar uma Ferrari pra fazer rally”, explica Giulio Garbini, Gerente de negócios da Ermenegildo Zegna da América Latina. A marca, criada em 1910, é a etiqueta italiana de referência mundial em alta alfaiataria.

Depois de montada uma espécie de esqueleto do que será o terno, o processo segue na confecção artesanal do produto final, sendo cada etapa supervisionada nos devidos departamentos de costura. Os arremates finais são cuidadosamente garantidos à mão. No caso da Zegna, por exemplo, o nome do cliente vem escrito na etiqueta interna do paletó. Da consultoria à finalização, são necessárias cerca de quatro semanas de trabalho que, nos dias de hoje, não merece nenhum adjetivo menor do que artístico.


Voltando aos ditos populares, é justo ressaltar que já foi cientificamente comprovado que, sim, o hábito faz o monge. Isso significa que a nossa aparência representa honestamente muito da nossa personalidade. Cientistas da Northwestern University, em Illinois, descobriram que a forma como interpretamos o valor simbólico da vestimenta pode afetar nossos processos cognitivos. Trocando em miúdos, isso significa que não somente influenciamos (através da aparência) o que os outros pensam a nosso respeito, como também afetamos nosso próprio comportamento. É bem possível que, ao vestir-se como um lorde, um homem eleve suas tendências de agir como tal. Seguindo o raciocínio, saímos todos ganhando com essa tendência su misura de mercado. Homens, abrirdes, pois, vossos armários à bendita elegância que vos clama! 

EM ROMA COMO OS ROMANOS

Para se adentrar o universo do vestuário sob encomenda e ambientar-se nele, uma primeira pergunta é inevitável: para um leigo, como escolher o terno ideal? As palavras de ordem, em se tratando de cores, são: preto, azul e cinza. Isso porque esses tons são facilmente combináveis com qualquer camisa ou gravata, além de serem neutros e praticamente evitarem o risco de erro estético. Riscas, listras e xadrez não são recomendáveis para principiantes na arte e devem ser deixados a cargo dos mais experientes e, por isso, mais ousados. Ternos de dois botões, duas aberturas e lapela normal são o trunfo perfeito, quase o famoso pretinho básico do armário feminino. “Quanto aos tecidos,” diz o Gerente de negócios da Zegna na América Latina, Giulio Garbini, “recomendo principalmente os de lã.” Como diz o popular, dicas simples e didáticas como uma boa receita de bolo.



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