terça-feira, 15 de novembro de 2011

MUSA (Clássica): Kristhel Byancco, revive divas clássicas do cinema‏

Quando pensamos nas grandes divas do cinema, verdadeiras musas clássicas, logo nos vem à cabeça uma mulher que tinha tudo a ver com esse clima refinado e encantado do cinema, a atriz e dançarina, Kristhel Byancco. Uma eterna musa anos 80 que já brilhou em programas humorísticos, espetáculos de dança e peças de teatro. Com a sedução que lhe é peculiar e a eterna simpatia , Kristhel respondeu às nossas perguntas e nos fez relembrar grandes momentos do showbiz. Conheça um pouco mais da “dadivosa” Kristhel Byancco.

Kristhel, o início da carreira foi como modelo ou atriz? Que momento foi decisivo para cada rumo? Em 1982, vim para o Rio de Janeiro depois de morar em Vila Velha (ES) para me tornar bailarina profissional, já que eu havia feito vários espetáculos através do grupo de dança, “Ballet Studio Dance”. Eliete Barbosa Laurindo. Quando estava cursando socila para me tornar uma modelo profissional. Aconteceu um grande BUM na minha vida profissional. O “Scala Rio”, uma produção de Chico Ricarey, com direção de Maurício Sherman, onde contracenei com Watuzi e Grande Otelo. Tornei-me a grande atração do espetáculo com meu número ousado e irreverente, “A gaiola das Loucas”. Uma mulher com movimentos agressivos de uma leoa, sendo perseguida por guerreiros e caçadores africanos. Com este número fui contratada da Globo para participar como modelo e bailarina em diversos programas como: Jô Soares, Chico City, inclusive o meu mestre Chico Anísio, que mais tarde chegou a escrever uma personagem para mim. “DADIVOSA” a mulher do “SANTELMO”. Portas e mais portas foram abertas.
Com tantos anos de carreira dá para destacar alguns momentos inesquecíveis? Sim, como bailarina. Quando aconteceu um acidente comigo no palco. Nunca interpretei com tanta veracidade uma personagem, em “A Gaiola das Loucas”. Era um quadro de acrobacia e movimentos bruscos e um dos bailarinos que tinha que está muito bem preparado com os bambus, creio eu que não quis ensaiar, nem quero hoje questionar o ocorrido. Este fato mudou aminha vida, encurtou a minha caminhada e enterrou um grande sonho. Ser uma grande “Show Woman”. Se não tivesse acontecido esta ruptura na quinta vértebra lombar eu poderia estar até hoje, fazendo musicais, que eu AMO.
Os anos 80 foram mais soltos e divertidos que os dias atuais? Qual a grande diferença da liberdade daquela época para os dias de hoje?
Meu Deus, quanta diferença (risos)! É incomparável. Nos anos 80 eu era uma menina linda, cheia de sonhos, guerreira, brava, destemida, abusava da sensualidade. Explorava cada detalhe do meu corpo para expandir minha expressão de ser e existir. As minhas extravagantes gargalhadas era o anúncio da minha existência. O grito ao inverso do medo, tudo era maravilhoso, colorido, eu achava que todas as portas que estavam abertas eu poderia entrar. A juventude me fazia ir, pois nunca tive que trabalhar para sobreviver. Graças à Deus. Eu abusava nos meus gostos desde me vestir até nos carros que eu tinha. Eu era diferente, nunca deixei de usar saltos e nem batom. Acho que a única característica que permaneceu em mim nos dias de hoje foi o salto e o batom. Não conheci a maldade... Apenas desafios.
Qual foi a festa inesquecível daquela época que você não trocaria por nenhuma nos dias de hoje? Nenhuma, porque festas são apenas comemorações do momento e infelizmente o tempo não para. Nem mesmo nos glamour dos grandes devaneios ilusórios que envolvem uma “festa”. Tudo passa com o tempo e você não tem tempo para armazenar algo do passado. Foi assim que sobrevivi às grandes frustrações do século XXI. Tudo tem um porque, não importa a dor, o que conta para o Criador é o final do seu projeto. Assim ele pensou se fez. Quem poderá viver do passado na era do futuro relâmpago. Hoje não há tempo para o presente, tudo é passageiro, há não ser o que é eterno.
Ser um Sex Symbol nos anos 80 era algo muito mais duradouro. Hoje com a internet tudo é muito mais rápido e descartável. Como você ver isso? Eu, com quase 50 anos, não é o meu foco olhar as mulheres e a mim mesma como ser sex symbol. Infelizmente as mulheres de hoje se tornaram bonecas infláveis em série, todas tem silicone nos peitos, já passaram por lipo-escultura ou quase morrem de levantar peso. Vejo que as sex symbols dos tempos atuais não marcam com suas características e graciosidades, que se diferenciam umas das outras. Hoje as mulheres são praticamente iguais.
Você parece ser muito bem humorada, acha que o humor é um ingrediente fundamental na hora da conquista? Depende! Nossa... Antes de humor é preciso ter dignidade e caráter. Para que não haja desgaste nas explicações e nos argumentos. O mundo gira com muita velocidade e eu não quero mais perder tempo com conflitos, disputas. Quero apenas sentir brisas no meu corpo e reagir ao mais simples piscar de um olhar, como uma nuvem que passa a frente do sol e transforma a paisagem de quem olha e observa. Saber, Saber! Os homens são confusos quando não se tem um despertar com amor e romantismo, que jamais, deixará de ser a chave do relacionamento. Vou entender no contexto se o humor e real ou só frisson!
O que os homens ainda não sabem (ou teimam em não saber) sobre as mulheres? Que a mulher por mais que se mostre ser independente, livre, fugaz, auto-suficiente, são todas iguais querem ter um homem que apenas as amem e as protejam. Somos constituídas para sermos adornadas por todos os mimos inclusive nos abraços do seu amado.
Que qualidades você valoriza no homem para ter algo sério? Sinceridade, caráter, dignidade, amizade e cumplicidade precisam estar acima de tudo. Quando o corpo fala, o olha seduz, o cheiro te conquista e a vontade ficar sempre por perto não importa a circunstância. Este é o homem para ter algo sério.
Como foi interpretar divas do cinema clássico para esse ensaio? Quem é seu ícone de beleza feminina dessas divas? Bom, as Divas sempre foram meus referenciais, para que eu criasse uma “identidade eterna” que remetesse ao mercado de trabalho. Sempre gostei de Rita Hayworth, principalmente no filme “Gilda”. Destes 23 anos, toda minha inspiração era o cabelo, as roupas e olhar. Olhar algo fundamental para tudo que eu conquisto e tudo e que me envolve. Gosto muito dos tempos de conquista, glamour, adornos, a mulher para mim hoje é como árvore, precisa ser intensa, profunda, bem cuidada para gerar bons e lindos frutos.
Fotos: João Rocha
Coordenação de Produção e Assessoria: Márcia Dornelles - MD Produções
www.mdproducoes.com
Beauty: Luciano Sousa
Kristhel Veste: Tony Palha
Locação: Tempo Glauber
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