quarta-feira, 19 de outubro de 2011

COMPORTAMENTO: Como sobreviver ao divórcio

Primeiro veio o amor, o sonho de construir uma família, compartilhar uma vida inteira. Depois, por essas coisas da vida, o amor se foi, a vontade de compartilhar a vida já não existe mais e o divórcio foi a solução. Doloroso, como qualquer fim não esperado, o divórcio não precisa transformar o que antes era sonho em um pesadelo para todos os envolvidos. Os sentimentos para quem vive um divórcio, independente de ser a pessoa que tomou a decisão ou não, são difíceis de lidar, mexem com a auto-estima e podem causar traumas. A Universidade do Arizona, através de pesquisas, apontou como um caminho para superar a depressão e a ansiedade causada pelo divórcio a autocompaixão.

Autocompaixão é a combinação de bondade para consigo mesmo, compreensão de que perdas e rompimentos acontecem com todos e habilidade de deixar as emoções dolorosas passarem. O psicanalista David A. Sbarra foi o responsável e líder da pesquisa da Universidade do Arizona que envolveu 105 pessoas (38 homens e 67 mulheres) com idade média de 40 anos. Todos foram casados por 13 anos e haviam se divorciado há cerca de três meses.

Na primeira visita, os participantes tiveram que pensar nos seus ex-parceiros por 30 segundos. Em seguida, falar por quatro minutos sobre seus sentimentos e pensamentos em relação à separação. Por meio desses depoimentos foram analisados os níveis de autocompaixão de cada participante, além de traços psicológicos, como depressão e "estilo de relacionamento". Isso se repetiu por duas vezes: três e seis ou nove meses depois do rompimento.

O resultado foi que as pessoas com alto nível de autocompaixão no início da pesquisa superaram mais rápido e estavam melhor depois de alguns meses. Sentir raiva, ciúme ou outro sentimento na fase inicial de um divórcio é aceitável, não adianta fingir e colocar o lixo embaixo do tapete. Segundo Drº Sbarra, “Compreender a sua perda como parte de uma experiência humana maior ajuda a amenizar os sentimentos de isolamento.” Não é fácil mudar hábitos e muito menos personalidade, mas a primeira coisa a se fazer é perdoar a si mesmo e entender que não há um culpado pelo fim de um relacionamento, as variáveis são muitas e procurar uma resposta talvez traga mais angústias e sofrimentos do que aceitar e seguir adiante.

O DIVÓRCIO PARA O HOMEM

Para a autora do Livro “Divórcio para eles”, Eliane Santoro, os homens, por serem naturalmente mais fechados, têm muito mais chances de desenvolverem depressão quando se divorciam. Segundo dados das entrevistas, os homens ficam perdidos, sem chão, em geral procuram logo outras relações, fixas ou não, e têm mais resistência a fazer terapia e cuidar mais da saúde.

São também os homens que sentem o maior impacto financeiro, já que na maioria dos casos eles saem de casa e a mulher fica com os filhos. Nesse cenário o homem tem de pagar pensão e alugar uma nova casa, o que compromete o orçamento, levando muitos deles a voltarem para a casa dos pais. Após o fim de um casamento é natural buscar o apoio dos amigos, principalmente daqueles que já viveram situações parecidas, mas é importante tomar cuidado, estar ao lado de alguém que ainda não superou o trauma pode mantê-lo na raiva e na frustração ao invés de ajudá-lo a sair da crise.


1 – USAR OS FILHOS COMO PEÕES - Usar os filhos para fazer chantagem não ajuda em nada e ainda pode causar traumas irreversíveis nas crianças e adolescentes; Não faça nem permita que sua ex faça;

2 – EXPOR UM NOVO AMOR - Você pode ter superado o fim da relação, mas trazer outra mulher para um contexto por si só delicado só vai piorar as coisas. Às vezes, por vingança ou necessidade de auto-estima, o homem quer mostrar que “já está em outra” e aí uma situação que só diz respeito a ex e aos filhos é “invadida” por uma terceira pessoa que não será bem recebida e ainda causará revolta e indignação. Primeiro resolva o seu divórcio e então, só depois, exponha sua nova relação. Isso é no mínimo sinal de respeito para todos os envolvidos, incluindo sua nova mulher;

3 – VIOLÊNCIA VERBAL - Alguns divórcios são tranqüilos, consensuais e foram decididos com maturidade e clareza, outros, entretanto, são movidos a brigas, falta de respeito mútuo e muita violência verbal. Tomados de raiva somos capazes de dizer coisas terríveis e que nem sempre são o que acreditamos de fato, dizemos só mente pra aplacar nossa raiva e ferir o outro que nos fere. Esquecemos que depois que a raiva passar o que foi dito ainda ecoará para quem ouviu e as coisas ficarão ainda mais difíceis de resolver além de que, as agressões verbais podem ser um caminho para as agressões físicas.

4 – TRAZER VELHAS FERIDAS À TONA - Se você quer evitar uma batalha judicial e os altos custos que ela envolve, evite acusações, não importa o quanto você possa, agora, possa desprezar sua ex-mulher, trazer velhas feridas só vão causar mais desgastes e estender uma solução. Não provoque nem busque vulnerabilidades da sua ex para explorar, você estará pedindo uma guerra.

5 – ESCOLHER UM GLADIADOR AO INVÉS DE UM ADVOGADO - Todo divórcio envolve divisão de bens, guarda dos filhos e outros assuntos que implicam a contratação de um advogado. Essa escolha deve ser pensada para resolver da melhor forma os assuntos pertinentes ao fim do casamento e não para entrar em uma briga. Muitos advogados pensam e agem como gladiadores e querem “ganhar a causa” a qualquer custo transformando o seu divórcio em uma sangrenta arena. Não deixe que isso aconteça, afinal, tudo o que você mais precisa ao sair de um relacionamento é de paz.

6 – SER PASSIVO AO EXTREMO - Ok, você não quer brigar e nós apoiamos, contudo não brigar não significa se tornar passivo e deixar sua ex fazer tudo do jeito que ela quer! O que for decidido no divórcio vai valer pro resto da vida, então, participe de tudo.

7 – DISCUTIR SOBRE QUEM RECEBE O QUÊ - Você e sua ex contrataram advogados e o juiz vai fazer a partilha justa. Acredite nisso e siga em frente sem se desgastar com picuinhas financeiras.

8 – CAUSAR CONSTRANGIMENTOS A EX - O divórcio não é algo fácil de se lidar, principalmente para quem não fez a escolha, então não cause ainda mais danos a sua ex, é desnecessário e cruel. Alguns divórcios extrapolam o pessoal e vão parar nos locais de trabalho, com portadores ou oficiais de justiça indo levar documentos em um ambiente que não tem nada a ver com o fim do casamento de ninguém.

9 – NÃO RESPEITAR O TEMPO DO OUTRO - É natural que quem tenha tomado a decisão pelo divórcio tenha pressa em resolver tudo, mas é preciso dar tempo ao outro para tomar ciência do que está acontecendo e aceitar, isso é no mínimo gentil com quem um dia você compartilhou sonhos.

O DIVÓRCIO PASSOU E AGORA?

Terminou. Agora finalmente você é um homem livre novamente, hora de viver a nova vida, certo? Certo, mas valem algumas dicas ainda nesta fase de recém-divorciado.

ORGANIZE AS FINANÇAS - Independente de quem ficou com o que ou quanto, as coisas mudam um pouco nessa vida de novo-solteiro, então antes de sair por aí como um adolescente tardio, faça as contas e veja o quanto você tem pras baladas e curtição.
AS OUTRAS NÃO SÃO SUA EX - Logo, não jogue suas raivas, anseios ou traumas na nova conquista nem tão pouco fique o tempo todo falando da sua ex.

PREPARE-SE PARA DAR DE CARA COM A EX - A não ser que você vá morar em outra cidade ou planeta, vai ser super fácil de você esbarrar na sua ex mais cedo ou mais tarde, portanto esteja preparado e seja cordial.

NÃO TENHA PRESSA - Você vai superar o divórcio e vai encontrar outra mulher bacana. Dê tempo ao tempo e não se esforce desesperadamente para viver tudo em um único dia. Respeite-se e viva um dia por vez.





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9 comentários:

  1. muito legal essa matéria,muito legal mesmo . mas acho que na separação sempre tem um que sai mais ferido da relação e eu acho que geralmente é essa pessoa que complica mais a separação seja essa pessoa o homen ou a mulher.

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  2. Concordo. Infelizmente é uma realidade. Que bom que gostou! Abraços

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  3. Gostei imensamente porque focou a parte psicológica e jurídica. A matéria me ajudou muito. Espero que continuem abordando esse tema. Grata.

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  4. Me divorciei a quatro meses e foi tudo muito consessual, ou seja, ela queria se separar e eu concordei plenamente, confesso que fui a parte mais afetada, pois gostava dela ainda afinal de contas foram dezenove anos de casados e um casal de filhos lindos, mas aconteceu e me senti perdido e com um sentimento de raiva muito grande em que tinha de superar a perda. Hoje convivemos muito próximos, ela vai lá para casa ver os meninos e chegar a dormir lá e eu não consigo proibir isso até porque para mim seria mais fácil superar não ter que vê-la sempre, mas ela é a mãe dos meus filhos e além do mais eles optaram a ficar morando comigo. Enfim estou vivendo a minha sozinho e não estou com pressa de arrumar ninguém agora e sim tocar a vida para frente e dizer que foi muito bom enquanto durou. Abraços!

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  5. Muito nobre de sua parte...aceitar e seguir em frente mantendo o respeito pela pessoa que um dia se compartilhou a vida é muito digno e ainda e principalmente um bom exemplo para os filhos :)

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  6. Divórcio é um saco no começo. Parece que nunca vai passar. Mas passa e estou me sentindo muito melhor agora. Mais aliviado por não estar num relacionamento sufocante.

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  7. Legal este Blog. Pura realidade. Estou passando por isso e na busca para um reconciliamento, só vejo blog feministas taxando homens como monstros etc. O mundo hoje é outro, será que na cabeça de quem lê ou escuta estas besteiras feministas acabando com é real? Este Blog top. imparcial e compartilha a racionalidade e realidade, esclarecendo as pessoas envolvidas a não se queimarem e não fazerem besteiras.

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  8. R i c a r d o B e c k e r N a s p o l i n i8 de dezembro de 2014 00:18

    Muito boa essa materia , estou me separando , e ja estamos encaminhando a papelada do divorcio . Está sendo muito dificil para mim , pois a amo ainda e temos uma linda filha de 2 anos , mas não há mais chances de volta , o nosso casamento acabou mesmo . Estou encontrando conforto é com a minha família , meus pais , e meus amigos e tambem estou tendo orientação psicologica .
    O mais duro é ter que ver a minha filha em fins de semanas alternados , ja que me mudei de cidade e não tenho como ve-la com mais frequencia , sei que a minha filha ta sofrendo , mas estamos fazendo de tudo para amenizar o sofrimento dela .
    O ruim do nosso divorcio foi que logo apos a briga '' final '' ela envolveu os pais dela e ai so piorou tudo , sendo que o pai dela chegou a querer me expulsar da minha propria casa e ainda me agrediu com um soco na minha casa , nao reagi , sai logo apos o episodio e fui a uma delegacia registrar o ocorrido . Os pais dela sao um casal que eu não quero nunca mais ve-los na minha frente , sendo que eles influenciaram diretamente ela nesse caso , entramos eu e ela num acordo sobre nossos bens , pensei exclusivamente na minha filha , no bem da minha filha . Hoje eu e a minha ex temos uma relação digamos apenas para o bem da nossa filha , é apenas sobre a nossa filha que falamos .
    Estou sofrendo muito pois amo muito a minha ex , mas nosso casamento acabou , não tem volta , adoraria que tivesse , mas não tem , preciso superar e esquece-la e vou conseguir , espero que o quanto antes , para que assim eu possa a ser feliz o quanto antes .
    Com certeza esse artigo vai me ajudar .
    obrigado

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  9. Estou passando por isso nesse momento, temos um filho maravilhoso de 4 anos. Apesar de todo estresse do casamento, ela esta sendo bastante cordial comigo, não se opõe a guarda compartilhada, não quer afastar meu filho de mim enfim, esta sendo tranquilo ate agora. Eu estou sofrendo sim, pois apesar de muitas brigas eu ainda tinha esperança que as coisas fossem se ajeitar. Lembrando que ela esta na terceira separação e com apenas 29 anos. Eu tenho 38 e esse é meu primeiro casamento. Está sendo difícil mas com fé em Deus e com a ajuda dos amigos essa nuvem vai passar e meu filho não sofrerá. Abraços.

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