sexta-feira, 30 de setembro de 2011

ENTREVISTA: CELSO ZUCATELLI

Depois de ler essa entrevista com o jornalista e apresentador Celso Zucatelli, é que percebemos claramente que a paixão, o talento e a vocação são o que move esse conceituado profissional até hoje. Seja em jornal impresso ou TV, falando de tragédias como a de 11 de setembro, de CPI no Brasil ou mesmo transmitindo um carnaval fora de época, a dedicação de Celso é uma inspiração de estudantes em palestras à colegas de bancada em programas como o “Hoje em Dia”, que apresenta atualmente. Como ele próprio diz nessa entrevista, “um repórter deve ser curioso e responsável”, é justamente essa responsabilidade que ele carrega consigo que o faz um profissional cada vez mais competente e respeitado “hoje em dia”. Conheça um pouco mais desse grande jornalista e não desgrude mais os olhos da telinha quando ligar a TV em busca de bons programas.

De repórter do jornal O Estado de São Paulo a apresentador do “Hoje em Dia”. Era seu objetivo apresentar um programa de informação e entretenimento ou as coisas foram acontecendo sem que você as buscasse? Na verdade, posso dizer que foi uma combinação das duas coisas. Sempre fui um cara muito dedicado ao trabalho, apaixonado pelo jornalismo. Comecei muito cedo a trabalhar na área e logo passei a defender que a melhor maneira de comunicar é falar ou escrever de forma simples. Assim, a gente consegue falar com todo mundo. Hoje faço exatamente isso, num programa que combina informação e diversão. Faço jornalismo todos os dias, sem precisar de terno e gravata. Informo, numa "conversa", com o telespectador, do jeito que eu sempre defendi. Por isso entendo que foi sim um objetivo. Mas muita coisa aconteceu sem que eu esperasse também e o que eu fiz foi aproveitar as oportunidades e trabalhar para fazer dar certo.

Recentemente celebrou-se os 10 anos do 11 de setembro, que você transmitiu ao vivo. Como foi para você como jornalista e como cidadão dar essa notícia? No que essa tragédia te tocou? Aquilo foi um fato marcante, que mudou a história do mundo e qualquer profissional envolvido naquela cobertura sentiu isso de perto. Na época, já fiquei muito triste, chocado com tudo aquilo. Mas esta tristeza aumentou quando fui morar em Nova York, bem perto do local dos atentados. O desrespeito pela vida é algo impossível de aceitar.

Durante o período em que esteve na Rede Bandeirantes você esteve envolvido com a parte política do jornalismo, cobrindo eleições e CPI´s. Essa experiência te faz ter que tipo de expectativa política para o país? O Brasil vive um momento muito bom, resultado de acertos na política econômica nos últimos anos e isso melhorou e está melhorando a vida da população. Algo que merece ser comemorado. Mas acaba aqui o motivo de festejar. A corrupção é a doença do nosso Brasil. Políticos que trabalham para enriquecer suas famílias vendem decisões importantes que poderiam sim mudar a triste realidade enfrentada por muita gente precisam ser banidos, mas isso está muito longe de acontecer porque são necessários anos e anos de investimentos em educação para criar na população a capacidade de escolher melhor os nossos governantes. É muito triste, de verdade, saber que um país tão rico como o nosso trata tão mal seu cidadão. Temos recursos para garantir vida decente para todos, mas alguns fazem questão de impedir que isso aconteça.

Depois desse período mais denso do jornalismo com tragédias e política, sua carreira partiu para assuntos mais leves como transmissão de Carnaval, Festival de Inverno e mais recentemente o "Hoje em Dia". Particularmente é mais seu perfil? Te dar mais prazer profissionalmente? Adoro o que eu faço. Adorava cobrir política, economia, a indústria automobilística, sei curtir bem cada momento profissional. Olha, quando faço palestras para estudantes de jornalismo sempre destaco que esta profissão é para apaixonados por ela. Se você não se apaixonar logo de cara, é melhor procurar outro caminho, é o que eu digo. Não ter feriado ou fim de semana, trabalhar na noite de Natal, na festa de Reveillon, dar um beijo na mãe às 11h da manhã, antes do almoço de Páscoa e correr para a redação é parte do show. E eu me apaixonei de verdade. Mas, sem dúvida nenhuma, o que eu faço hoje é motivo sim de muita alegria. Como eu disse, faço jornalismo do jeito que eu considero o ideal. O “Hoje em Dia” é feito com muito carinho, com muito amor, até porque se fosse diferente eu quebraria o despertador: 5h30 da manhã, todo dia não é mole não.

Qual a grande reportagem da sua vida? Não destaco uma reportagem, porque seria injusto com tantos trabalhos que eu fiz, mas a cobertura da eleição do Obama foi algo muito, muito marcante para mim. Depois de acompanhar toda a eleição e conhecer melhor a sociedade americana foi mais fácil ter certeza da importância daquela eleição para os Estados Unidos e, consequentemente, para o mundo. Me emocionei no dia da votação e mais ainda na posse. Quando terminei minha transmissão, peguei minha câmera particular e fui para o meio da multidão registrar e sentir aquela felicidade. Foi muito especial.

Um repórter pode ser tímido ou é incoerente com a profissão? Claro que pode. Eu sou tímido. Um repórter tem que ser curioso e responsável. Isso é regra básica.

Existe diferença entre trabalhar para a TV Cultura, que tem compromisso exclusivo com conteúdo, e demais emissoras privadas que têm compromisso maior com audiência e comercialização? Audiência é consequência de qualidade. O telespectador sabe escolher. Se um programa é ruim, o controle remoto é cruel. Faça um produto de qualidade e a audiência pega carona.

Você recebeu inúmeras mensagens de carinho pelas mídias sociais pelo falecimento do seu pai. Qual a sensação de saber que pessoas desconhecidas torcem por você, foram solidárias a sua dor e até mesmo rezaram antes de dormir pedindo conforto para você e sua família? É muito bom. O carinho do telespectador que te recebe todos os dias em casa, torce por você, te trata como um parente é o melhor combustível. Este apoio foi e é muito importante para mim todos os dias. Só o que eu tenho a dizer ao nosso telespectador é "muito obrigado, de coração".

E "Hoje em Dia"...como vai a vida? Tudo ótimo, curtindo demais fazer este programa tão especial e me preparando para mais uma cobertura internacional. Logo mais, embarco para Guadalajara, no México, para a cobertura dos jogos Panamericanos, exclusividade da Record no Brasil. E parte do “Hoje em Dia” vou apresentar de lá. Bom demais.

Como você definiria seus companheiros de programa, o Edu Guedes, a Giane Albertoni e a Cris Flores? São meus amigos, parte da minha família. Ficamos juntos muitas horas do dia e em outros ambientes seria comum "dar um tempo" nas horas de folga. Com a gente não. A gente sai para jantar, a gente viaja junto no fim de semana. Nossas famílias se gostam, tiramos a sorte grande com este grupo.

Nas horas vagas, quem é o Celso Zucatelli e o que costuma fazer pra se divertir e relaxar? Sou um cara muito caseiro, que adora o sofá e um bom filme. Para me tirar de casa na folga, cinema e um bom restaurante. Também sou um apaixonado pelo mar. Mergulho é um esporte que pratico há 26 anos e há algum tempo decidi também aprender a surfar. Hoje, isso também é parte importante do meu descanso.

Estar sempre diante das câmeras apresentando programas te leva a ser mais vaidoso que o normal? Como você lida com a vaidade? O que costuma fazer ou usar? Imagem é parte do trabalho. Não sou um cara vaidoso demais, mas me cuido para ter boa saúde e para o meu trabalho. Academia todos os dias e alimentação correta: não fico sem isso. Já estou numa idade que alguns cremes seriam importantes, mas confesso que ainda não abracei a causa.

Já aprendeu a cozinhar com o Edu Guedes? Passa uma dica bacana de cozinha aqui pros nossos leitores. Olha, no meu caso sou apenas a cobaia. Tudo que eles fazem para testar eu aproveito e mesmo quando dá errado fica bom. Não sou bom de cozinha não. Quando a gente morava nos Estados Unidos, eu acabei aprendendo a fazer algumas coisas, mas tudo muito básico. Sobre as dicas que aprendi com o Edu, ele sempre repete duas coisas muito importantes no meu caso: quando ele diz "ovos inteiros" é gema e clara, mas não preciso usar a casca. E por favor, não se esqueça de tirar o plástico da massa antes de montar a lasanha.

No que as mulheres te encantam? E que particularidade do universo masculino você acha que causa mais inveja, ou admiração, nelas? As mulheres me encantam em tudo. Foi o maior presente que Deus nos deu. Eu acho que elas não têm qualquer motivo para sentir inveja da gente porque são seres superiores. Bom, tirando a parte do banheiro. Nisso, nossa vida é mais fácil.

Qual a matéria que você sonha em apresentar? Quero anunciar, uma por uma, a descoberta da cura das piores doenças, como AIDS e Câncer. Isso me faria muito feliz.

Fotos: Divulgação
Tratamento de imagem (capa): Jorge Souza
Agradecimento: May Biolli – 3 Pontos
Agradecimento especial a Celso Zucatelli

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9 comentários:

  1. Tem um erro na capa, é Hoje Em Dia e não Hoje É Dia como foi escrito.
    Ótima entrevista, com sempre.

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  2. Muita boa entrevista gosto muito do zucatelli.

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  3. Obrigada pela correção Rafa.

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  4. Helena Rosem Nogueira3 de outubro de 2011 18:55

    O Celso realmente é um grande profissional. Fico feliz e orgulhosa dele ser Brasileiro. Muita boa essa matéria.

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  5. parabéns, celso vc merece!

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  6. adoro o celso é um grande profissional

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  7. adoro o celso é um grande profissional

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  8. Ao contrário dos outros comentários, acho o Zucatelli "fraquinho" como apresentador e jornalista. Suas opiniões são vazias, não acrescenta nada. A impressão que tenho é ele vai para onde a maré leva, parece não ter opinião própria!! Às vezes assisto para dar risada dele!!!Nós merecemos algo melhor todas as manhãs!!!!!

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  9. Zucatelli um jornalista muito conceituado , sempre o admirei desde a tv cultura e parabens pelo programa da manhã. Felismente Deus te proporcional a inteligencia , um quesito que as vezes causa inveja em outras pessoas.

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